Power Rangers: Esquadrão Z
37 Nas Garras do Gato (Parte 3)
Notas iniciais
Boquiabertos com o pedido insólito de Mudok, os Rangers precisaram de um instante silencioso para processar o absurdo que haviam acabado de ouvir. Ofertar confiança cegamente logo de imediato era algo que ambas as partes consideravam de remota possibilidade.
— Não fiquem com essas caras de espanto e pensando na vida, seus pirralhos! Precisamos agir!
— Por que você tá tão desesperado assim? — perguntou Tim — Pra vir pedir nossa ajuda, ele deve ter te escorraçado bonito e eu acho bem feito.
— Afinal você o criou e teria que assumir toda a responsabilidade pelas consequências. — reforçou Zoe.
— E sendo o criador você devia ter algum truque, uma das suas geringonças pra controlar. — adicionou Jessie o olhando com seriedade e rejeição.
— E eu tinha! — informou Mudok andando devagar pela parte vaga do espaço do elevador. Socou a parede metálica, deixando marcas de amasso — Só que ele acabou agindo com mais esperteza, até tivemos uma luta direta e... fui sobrepujado fisicamente.
— Sobre o quê? — perguntou Tim fazendo expressão de confuso.
— Ele quis dizer que Nekovolt prevaleceu no confronto e o superou. — disse Damian
— Cara, você perdeu pro seu próprio filho. Que desgosto hein.
— Aquele rebelde sem causa não é digno de ser chamado de filho por mim! — retrucou Mudok.
Zoe reparou na perna direita danificada do androide, a qual salpicava levemente algumas faíscas.
— A sua perna... Ele fez isso com você?
— Um lembrete de que eu não devo enfrenta-lo abertamente, correria o risco humilhante de ser destruído até mesmo pelos meus próprios soldados que ele adulterou e agrupou como se fossem dele.
— Quer dizer que os Psycho-Bots não são mais seus? — indagou Austin — Como ele os tirou de você tão facilmente?
— Uma habilidade terrível de usar a eletricidade para uma transmutação em algo similar a ele, como um vírus infeccioso sendo transmitido.
— Se bem que Nekovolt tecnicamente é um vírus personificado. — disse Damian, raciocinando — Então o que logicamente o superaria seria uma cura no mesmo modelo.
— Isso mesmo, uma versão benigna que supera os poderes de Nekovolt. — disse Mudok que passou a dar uma atenção excepcional a Damian e se aproximou, ao que os Rangers reagiram com recuo automático — Você, Ranger Preto. É inteligente e engenhoso o bastante para me auxiliar?
— Olha, do que já vimos o Damian fazer, ele é engenhoso pra construir qualquer coisa robótica. — disse Austin — Não pode sumestima-lo, ele é capaz de surpreender muito.
— E do jeito que a coisa anda, é mais fácil você ser o auxiliar. — provocou Jessie.
— Se o Damian recusar e você pensar em sequestra-lo, vai se ver conosco. — advertiu Zoe.
— Eu cogitei essa atitude drástica, não minto. Mas isso desviaria o foco de vocês, estariam nervosos demais por um amigo desaparecido.
— Não vem enrolar com essa fala mansa, Mudok. — disse Austin, severo — Tá na cara que você vai querer algo em troca por esse serviço.
— Não é uma troca de favores, muito menos farei do seu amigo um empregado ou escravo.
— Quer realmente que sejamos... parceiros nesse trabalho? — perguntou Damian, incerto — Uma divisão de crédito meio a meio?
— Amigão, não topa essa. — disse Tim o olhando com nervosismo.
Um novo instante de silêncio se fizera, testando a paciência limitada de Mudok.
— Que perda de tempo, não tenho que me preocupar com vocês. Deixem que eu mesmo me viro sozinho contra aquele miserável traiçoeiro. — disse o androide virando as costas.
— Espera! — chamou Damian, levando-o a olha-lo por cima do ombro direito. O Ranger Preto deu dois passos adiante.
— Damian, não. — disse Zoe o barrando com a mão no peito.
— Tá tudo bem, eu sei como lidar com ele. — garantiu o gênio adolescente, voltando-se a Mudok. Cerrou os punhos, as palmas suadas, e respirou fundo antes de falar — Eu vou com você.
— Isso não tá acontecendo... — disse Tim em voz baixa tapando o rosto com as mãos.
— Damian... Toma cuidado. — recomendou Jessie, apreensiva.
Mudok virou-se completamente a eles, o interesse reconsiderado.
— Está decidido? Ele possui sete vidas e com a energia drenada desse lugar inteiro ele está praticamente a meio caminho de atingir a oitava vida.
— Aceito a parceria, mas com uma condição. — disse Damian numa dura seriedade — Se Austin for favorável. — olhou para o amigo — Afinal, ele é o líder da equipe, a palavra dele é decisória.
Austin assentiu sorrindo levemente em gratidão pelo reconhecimento, logo se aproximando um pouco de Mudok e o encarando com rigidez.
— Pode ir com o Damian, mas tem que ser no laboratório dele e não na nave do Lokknon.
— Se fizer ele dividir o mesmo teto com o Lokknon, a gente vai saber e vamos atrás de você. — assegurou Tim.
— Não tenho nenhuma objeção. Até porque preciso manter segredo do mestre, pois minha dignidade como general foi posta em xeque. Vamos, Damian.
— Toque em mim, eu me teletransportei do meu laboratório pra vir me encontrar com a turma, então está programado pra me fazer voltar lá. — disse Damian ficando mais perto do novo colega de trabalho — Toque no meu ombro.
Mudok o fez, deixando os Rangers temerosos com o movimento.
— Podemos ir. — disse o androide — Não se preocupem, não farei nada que ameace a integridade dele.
— Já está fazendo só de tocar nele. — retrucou Austin — Mas apesar disso... Boa sorte.
Damian fizera que sim com a cabeça aos amigos e apertou o botão de teleporte da pulseira, virando um pilar de luz escura com Mudok.
— Nossa, por essa nenhum de nós esperava. Parece um tipo de pesadelo. — disse Zoe.
Os comunicadores tocaram em emergência.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — atendeu Austin.
— Nekovolt está atacando o shopping com um exército de soldados semelhantes a eles, parecem Psycho-Bots... Aliás, são Psycho-Bots, mas modificados aos poderes de Nekovolt. Há pessoas em sério perigo, saiam daí depressa. — falou o explorador na Central de Comando.
— OK, estamos a caminho. — disse Austin, encerrando a chamada — Bom, ao menos o Mudok não mentiu sobre os Psycho-Bots terem virado servos do Nekovolt. — sacou a célula e o morfador, os demais fazendo igual — O Damian vai ficar bem e nós faremos nossa parte. Estão prontos? É hora de morfar!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Os Psycho-Bots, renomeados para Psycho-Bots do Trovão, disparavam no piso 1 do shopping aleatoriamente, atingindo colunas e fachadas de lojas de roupas, os lasers possuindo um aspecto elétrico e com mais impacto destrutivo. Teleportando-se para a área que ainda contava com civis apavorados correndo ou se protegendo, os Rangers se preparavam ao depararem-se com os robôs de olhos amarelos.
— É, tô vendo que Nekovolt deixou o exército do Lokknon bem a cara dele. — comentou Jessie.
— Temos que para-los! Rangers, atacar! — bradou Austin que avançou rapidamente. Zoe e Tim se dedicaram em evacuar aquele espaço.
— Fujam, procurem qualquer saída! — disse Zoe mandando um grupo de jovens mulheres sair dali.
— Vamos lá, saiam daqui, é perigoso! Não fiquem pra assistir, mas saibam que nós vamos arrebentar com esses vermes! — falou Tim, ajudando alguns adolescentes e crianças.
Jessie dava cambalhotas ao desviar dos tiros elétricos dos robôs alterados, logo saltando e ficando no meio de quatro deles, chutando-os e desviando de golpes. Mas a vantagem combativa durou pouco, pois os soldados revidavam com o chutes na barriga e nas costas. A Ranger Amarela sacou a pistola Z e disparou para afasta-los, mas os tiros que explodiram faíscas não os intimidou como esperado e os asseclas de Nekovolt avançaram disparando com os detonadores.
Nekovolt encontrava-se no terraço do shopping olhando com mais detalhes o carregamento de energia ao mexer no contador de vidas no bracelete esquerdo.
— Hahahaha, tá começando! Os pestinhas de roupa colorida estão sendo espremidos que nem laranjas! Continuem, continuem, meus guerreiros elétricos!
O Ranger Vermelho corria até os amigos disparando com o detonador Max e a pistola Z para os lados, ao menos atordoando alguns dos robôs, logo deslizando de joelhos no piso e mantendo os disparos em alta carga, as explosões de faíscas e fogo ao redor.
A Ranger Amarela foi sendo sugada, caindo de joelhos e gemendo alto de dor. Austin saltou disparando com a pistola Z e o detonador Max, interceptando-os com sucesso. Ao pousar perto deles, disparou a queima-roupa em dois, causando intensas explosões faiscantes e virou-se disparando apenas com o detonador Max no outro, assim o atingindo diretamente e o fazendo voar com danos corporais até que caiu sobre um canteiro de plantas.
— Jessie, você tá legal? — perguntou ao ajuda-la, o time se reagrupando.
— Eu tô graças a você. Esses palhaços podem nos drenar que nem o Nekovolt!
— Tô com a leve suspeita de que a energia que nos roubaram é transferida pra ele! — disse Zoe.
— Bom palpite! Mas essa farra de drenagem vai acabar agora! — disse Austin — Já sabem, né?
— Coletes Zoomorph! — bradaram em uníssono.
As armaduras protetoras surgiram em simultâneo nos quatro que novamente avançavam para o confronto. Enquanto isso, no laboratório improvisado de Damian, Mudok retornava da sua oficina trazendo a carcaça de metal moldada a figura de Nekovolt.
— O que é isso? — indagou Damian preparando a mesa de operações e os instrumentos.
— O modelo cibernético que eu usaria para criar meu próprio Schrondnyah. — revelou o androide se aproximando, logo pondo o boneco metálico em tamanho real sobre a mesa — Isso é que você chama de mesa operacional? Não quero trabalhar em cima desse lixo.
— Caso não tenha percebido, não estamos num laboratório oficial. — rebateu o jovem gênio — Bem, isso vai servir pra incrementar toda a cadeia de circuitos que possa emular o funcionamento do sistema de Nekovolt.
— Eu não esperava ter que me prestar a um lugar tão precário. Prefiro minha oficina.
— Mas é aqui que vamos dar vida ao nosso Nekovolt reverso, então tenta ser um pouco tolerante e foca mais nos meus recursos combinados aos seus, vai facilitar pra nós dois.
— Não pense que pode me dar ordens só porque seu líder concordou em deixa-lo se aliar a mim. — devolveu Mudok com aspereza — A propósito, seus amigos devem estar em apuros lutando contra os Psycho-Bots.
— Por que estariam em apuros? Os Psycho-Bots não lutam nada bem, são apenas estorvos.
— Não agora que herdaram os poderes elétricos de Nekovolt e foram radicalmente alterados. Eu posso estimar que metade da força daquele maldito foi compartilhada com eles.
— Isso significa que... eles também podem absorver energia?
— E transferi-la numa conversão direta a Nekovolt. Ele os transformou em canais intermediários de eletricidade para acelerar o ganho das duas últimas vidas. Omiti esse detalhe propositalmente, pra ser franco.
Damian bateu na mesa com certa irritação.
— Podia ter avisado a eles naquele momento!
Mudok o agarrou pela gola da camisa e o aproximou do seu rosto com agressividade.
— Escute aqui, seu fedelho arrogante: nossa aliança temporária não anula o fato de continuarmos inimigos, logo não tenho obrigação de colaborar com nada que esteja fora da nossa parceria. Fui claro?
— Não fale como se fosse meu chefe porque... definitivamente você não é. — disse Damian soltando a mão do androide — Acredita que ainda é possível ocultar a virada de Nekovolt sobre sua autoridade pro Lokknon? Ele vigia cada ponto da cidade, já deve saber a essa altura que Nekovolt fugiu ao seu controle.
— Antes de vir, eu dei uma desculpa ao mestre quanto a mudança nos Psycho-Bots, falei que se tratava de uma atualização baseada na configuração de Nekovolt.
— E ele caiu mesmo nessa?
— Ele está despreocupado pelos ótimos resultados que Nekovolt trouxe até agora. A essa hora, está dormindo sonhando com a derrocada dos Power Rangers e da Intercorp.
— É o mais próximo da vitória que ele pode chegar. — disse Damian abrindo os compartimentos do modelo.
No shopping, os Rangers experimentavam uma leve vantagem sobre os Psycho-Bots. Austin, com seus reflexos e movimentos agilizados, chutava eficazmente alguns deles, até desarma-los com chutes em arco seguidos de saltos com giros que terminavam em mais chutes precisos.
Vários dos Psycho-Bots do Trovão eram jogados para a fonte. O grupo se juntara vendo a fonte enchida dos robôs que se debatiam ao entrarem em colapso elétrico.
Os heróis velozmente viraram as costas para fonte com poses de vitória, uma explosão de água vaporizada com raios amarelos ocorrendo intensamente atrás.
— Mas parou por que? — questionava Nekovolt que logo teleportou do terraço até uma passarela — Ahá, eu tinha me esquecido dessas armaduras bregas deles!
Austin notara a presença de Nekovolt e alardeou:
— Nekovolt, finalmente resolveu aparecer, hein seu metido!
— Metidos são vocês aí se achando os maiorais só porque usam esses coletes horrorosos pra se blindar das absorções! Mas pra tristeza de vocês eu bolei um plano de contingência! — disse Nekovolt que disparou raios formando um esfera elétrica que recaiu sobre os Rangers e se estabeleceu como um campo de força os fazendo levitar.
— Ele vai fazer aquilo de novo como na floresta?— perguntou Tim.
— Dessa vez será bem diferente! Hahaha! — disse o gato-robô que foi aproximando as mãos fechando a esfera gradualmente como se quisesse esmaga-los. Colidiu as palmas das mãos subitamente, fazendo os Rangers e o escudo elétrico desaparecerem.
O quinteto reapareceu no que remetia a um estúdio de TV, mais precisamente um cenário de telejornal. O lugar estava parcialmente às escuras. Quanto aos coletes Zoomorphs, acabaram desaparecendo com o teleporte.
— Onde viemos parar? — indagou Zoe olhando em volta.
— Parece... um estúdio de televisão! A gente foi teleportado pra alguma emissora da cidade! — falou Austin olhando para cima e os lados.
Estarem em linha reta não favoreceu nada os heróis quando vinham Psycho-Bots do Trovão irrompendo do escuro e empurrando cadeiras pesadas na direção dos Rangers atrás deles. Sem que percebessem devido a rapidez dos robôs, os heróis foram forçados a sentar após a cadeira baterem em suas canelas. Cintos de aço os prenderam nas mãos, no peito e nos pés.
***
Damian acordava sentado numa cadeira com a vista meio turva. Olhou no relógio de parede, coçando os olhos estreitados. A visão abruptamente ficou nítida, os olhos do gênio arregalando ante as horas.
— Já são quase sete da manhã!? — pegou depressa os óculos que estavam em cima de uma mesinha — O que aconteceu? Mudok, quanto tempo eu dormi? Ou melhor, por que dormi?
— Disse que estava cansado depois de beber um copo de café forte que você tinha feito.
O Ranger Preto levantou indo até o androide.
— Não, você não pode ter terminado sem mim!
— E qual seria o problema de deixa-lo descansar enquanto eu concluísse o restante?
— Eu não confio em você! — rebateu Damian com severidade e olhar raivoso — Você seguiu todo o protocolo que eu desenhei?
— Fiz tudo conforme o planejamento de etapas. Não aja como um mal-agradecido, de ingratidão já me basta aquele degenerado. — confrontou Mudok.
— Como ele está? — indagou Damian olhando o gato-robô branco de olhos e detalhes azuis — Eu não lembro se cuidei da pintura... Na verdade, mal lembro em que parte havia parado.
— Da aerografia eu mesmo me encarreguei. Vamos, critique minha escolha estética.
— Não preciso. Agora temos que desperta-lo. Cadê o controle?
Mudok o entregou ao jovem gênio. Ao apertar o botão de ligar, o gato-robô recém-criado abrilhantou seus olhos azuis levantando da cintura para cima e ficou olhando os braços.
— Quem sou eu? — indagou o androide felino que possuía uma voz idêntica a de Nekovolt.
Mudok e Damian cruzaram suas falas acidentalmente para batizar a criatura e ambos encararam-se.
— Será que posso ter o privilégio de dar nome à ele? — indagou Damian.
— Que seja, seu fedelho chato. Eu não me importo de como ele será chamado, me interessa apenas suas habilidades de combate.
— Combate? Com quem eu vou lutar? Eu não gosto de violência.
— Nekovax, seu propósito é uma luta contra um ser maligno que se parece com você em quase tudo, mas contamos que você o derrotará.
— Eu nasci para erradicar qualquer maldade interior... Se é assim, eu farei com grande prazer.
— Ótimo, ele já tem plena consciência de seu papel. Venha, faremos um teste de aptidão. — disse Damian o levantando totalmente — O que está achando dos seus primeiros passos?
— Me sinto flexível pra correr por aí feito um relâmpago. Quando vou poder enfrentar esse cara parecido comigo?
Mudok dera passos largos adiante e puxou Nekovax pelo braço para perto de si.
— Quando eu ordenar!
— O que tá fazendo, Mudok? Ele precisa ser avaliado!
— Fique onde está, Ranger Preto! — mandara o androide, sacando sua pistola a laser de metal negro e a apontando para Damian enquanto segurava Nekovax feito um refém — Um passo e destruo esse pardieiro que chama de laboratório!
— Então é isso... Eu dormi por mais tempo do que deveria, o café...
— Sim, hahaha, o café que bebeu tinha um adoçante especial que eu acrescentei quando você menos percebeu!
— Seu maldito! — disse Damian avançando com bravura, mas fora chutado violentamente por Mudok no peito e bateu as costas numa prateleira de madeira que quebrou-se.
— E por falar em acrescentar... Nekovax recebeu um componente extra na placa-mãe, hehehe.
— O que você fez? — indagou Damian tocando no peito dolorido ao levantar.
— Incrementei um vírus que repliquei do sistema de Schrondnyah e aperfeiçoei graças aos seus cálculos do software que instalou em Nekovax. Se você e seus amigos interferirem na luta, não vou hesitar em despertar o vírus com esse mesmo controle de ativação.
— Então tudo se baseou em... me usar pra criar uma máquina mais poderosa que você pudesse controlar e utilizar contra os Power Rangers depois que Nekovolt fosse destruído. Meus amigos e eu vamos atrás de você pra recuperar Nekovax, custe o que custar!
— Eu não estou blefando quanto ao vírus. Fiquem fora disso, é meu ultimato! — disse Mudok que voltou-se a Nekovax — Vamos até onde seu dublê está, temos trabalho a fazer!
O androide teleportou-se junto ao gato-robô que parecia esboçar nervosismo ao estar confuso.
— Ah não... — disse Damian, afligindo-se — Isso é gravíssimo, tenho que avisar aos outros. — mexeu no comunicador — Austin... Tim... Zoe, Jessie, respondam! Sr. Dickerson... Karen!
O Ranger Preto recorreu a Cantina do Earl a fim de buscar alguma informação que o cozinheiro pudesse ter. Se dirigiu apressado ao balcão.
— Aí Earl, bom dia.
— Opa, bom dia, Einstein moderno, hehehe. Vai querer alguma coisa?
— Agora não, mas... Preciso saber se o Austin e os outros passaram por aqui há pouco. É sábado, sempre viemos de manhã.
— Eles não deram as caras hoje ainda. — disse Earl estranhando — E por que viriam sem te convidar?
— Eu tava ocupado com dever de casa, mas já terminei e esperava encontra-los aqui... Tudo bem, acho que devem estar dormindo. Falou, Earl, nos vemos mais tarde.
— Até mais tarde, campeão! — disse Earl dando um joinha com o polegar direito e uma piscadela.
Inesperadamente, os Psycho-Bots chegavam em teleporte espalhados em vários pontos do estabelecimento — até em cima de mesas, aterrorizando os clientes que fugiram aos gritos.
— Psycho-Bots... — disse Damian tentando se manter fora de vista pelas colunas de cerâmica.
Earl se assustara deixando pratos caírem e voltou correndo para a cozinha. Damian escondeu-se numa coluna, sacando sua célula e morfador.
— Foram todos embora... OK, é hora de morfar! — conectou a célula baixo do morfador — Touro Ônix!
O Ranger Preto revelou-se aos soldados numa cambalhota de lado, pousando numa mesa.
— Estavam atrás de mim? Aqui estou eu, venham!
Nekovolt surgira sentado no balcão tranquilamente.
— Nekovolt, o que fez com meus amigos? — perguntou Damian querendo avançar, mas fora segurado fortemente por dois Psycho-Bots — Que força... Então você modificou os soldados do Mudok! Bem esperto vindo de você!
— Com saudade dos seus amiguinhos? Posso te mandar exatamente pra onde eles estão agora! Só estava faltando você mesmo pra completar meu show de piadas! — disse Nekovolt que lançou uma esfera elétrica que cresceu e envolveu Damian com os robôs, logo o teleportando ao estúdio.
Damian foi jogado sobre a cadeira antes vaga e preso nas amarras de aço instantaneamente.
— Damian! — disseram os outros, surpresos.
— Pessoal, que lugar é esse?
— Alguma emissora de TV que ele roubou! — disse Jessie.
— E vai nos transformar em atrações pra um programa que ele vai transmitir pra toda cidade! — disse Zoe com urgência.
— E aí, como foi trabalhar com o Mudok? — indagou Tim.
— Desastroso. — informou Damian, ainda frustrado após a traição — Aconteceu algo que fez eu me sentir um completo idiota pela primeira vez em toda minha vida.
Enquanto isso, Karen chegava na Central de Comando com sua bolsa de trabalho, entrando na sala de controle. Ligou o interruptor indo aos painéis ligados e focalizou no monitor direito, especialmente no indicador de sinais.
— Ah, você chegou. Acho que é uma boa hora pra avisar aos Rangers de que os coletes estão na metade da carga pra desbloquear o potencial máximo. — disse Dickerson se aproximando.
— Os sinais dos morfadores... desapareceram. — avisou a tecnóloga olhando-o tensa — Dickerson, ao que parece Nekovolt raptou os Rangers e os mantém numa área que bloqueia até os comunicadores.
— Ele pode ter criado um escudo elétrico invisível que também oculta a localização no radar. Não seria surpresa, ele está com sete vidas, seu poder cresceu exponencialmente.
— Se eu tivesse ficado a noite toda, eu os alertaria pra fugirem de uma luta.
— Você parecia exausta, precisava descansar.
— E como você deu conta de monitorar e trabalhar nos coletes ao mesmo tempo? — questionou Karen levantando uma sobrancelha.
Dickerson acabou respondendo com uma risadinha nervosa.
— Estou com a sensação bem ruim de que perdi alguma coisa realmente muito séria.
O show do gato-robô passou a ser transmitido em todos televisores ligados da Alameda dos Anjos. Nekovolt iniciava seu programa humorístico não-oficial.
— Vamos a primeiríssima piada do dia! — disse Nekovolt com um papel-cartão no qual continha a anedota escrita
A corrente elétrica fora liberada, forçando os Rangers a rirem pois quanto mais recusavam-se a reagir da maneira exigida mais forte a voltagem. Os heróis contorciam-se nas cadeiras, os raios amarelos faiscando em volta enquanto a energia era vertida através dos cabos conectados as costas de Nekovolt.
Após as várias piadas, Nekovolt conferiu seu contador que marcara o número 8.
— Eu vou explodir de felicidade, hahahaha! É com muita alegria que anuncio minha oitava vida conquistada, todinha minha! — disse ele que foi aproximando seu rosto da câmera falando ao microfone — Cidadãos da Alameda dos Anjos, vejam bem o estado de seus heróis, tão fraquinhos! É com esses micos de circo coloridos que vocês se sentem protegidos? Eles mal aguentam uma descarga de 2000 volts sem gemerem feito bebês!
— Aí Nekovolt, eu duvido que todos que estão assistindo a esse programa estejam rindo dessas piadas. — disse Tim — Quer dizer, até que são engraçadas, mas a cidade nos adora e com certeza não tá gostando nada disso!
— Como sabe que não? Só eu tenho acesso aos números de audiência aqui!
— Será mesmo que toda a cidade tá assistindo você agora? — questionou Austin.
— Parou pra pensar que seu poder de invasão eletrônica não faz com que as TVs de todos os domicílios da cidade liguem sozinhas? — pressionou Damian.
— Calem a boca, seus imbecis, eu não tô nem aí pra audiência mesmo! Só armei essa parada pra sugar vocês até a última faísca de energia que me derem! — declarou Nekovolt, logo virando-se para um dos lacaios — Me passa aí a lista de desenhos pro intervalo. – o Psycho-Bot entregou a lista que ele tomou com rudeza — Dá isso aqui logo! Deixa eu ver, hum... Garfield, Manda-Chuva, Doraemon, Félix, Frajola... São todos desenhos de gatos que escolheram?
O robô dera de ombros balançando a cabeça e emitindo ruídos eletrônicos.
— Ah, quer saber, não tô afim de passar desenho animado! A criançada se diverte bem mais comigo!
— Larga de ser convencido! — insultou Jessie.
— O público infantil reconhecidamente é fã dos Power Rangers!— pontuou Damian.
— Nessa altura as crianças que estiverem em casa vendo TV já devem ter desligado por verem que estamos sendo torturados! — dissera Austin com veemência.
— Talvez até os adultos! — reforçou Zoe — Então é melhor você jogar limpo pelo menos uma vez e tentar conquistar sua última vida numa luta justa!
Nekovolt voltou ao púlpito com o microfone e preparou a próxima rodada de piadas.
— Pensei até em passar os reclames pra que seus cérebros voltassem a ficar crus de novo, mas vocês encheram tanto meu saco com esse papo de crianças sentirem compaixão por seus amados heróis! O público gosta mesmo é de desgraça na TV! E eu também! Começando agora o segundo bloco, hahahaha!
Nekovax dera uns passos para trás em aquecimento. Logo se transmutou em eletricidade azulada e disparou como um raio rumo ao prédio da emissora.
Os Rangers sofriam uma nova sessão de descargas elétricas rindo forçadamente de outra piada contada por Nekovolt. O desligamento veio em poucos minutos, sinalizado com estouros de faíscas nos refletores.
— Quem apagou a luz? Que diabo foi isso? — se perguntou Nekovolt — Mexam-se, vão ver que curto-circuito foi esse! — foi até um monitor que exibia apenas estática e a transmitia para as TVs ligadas — Não! Não pode ser, esse curto desligou toda a transmissão! Maldição! Ops peraí, não saiu no tom certo... — pigarreou e levantou a cabeça — Maldiçãããooo!
— Em todos os canais?! – disse Austin.
— Só um alguém teria essa extensão de poder. — disse Damian.
Nekovax surgiu no estúdio como um raio azul, abatendo diversos soldados elétricos. Parou e se materializou frente aos Rangers.
— Cadê ele? Onde ele está?
— Damian, esse é o gato robótico que você e o Mudok criaram? — indagou Zoe.
— O próprio! — disse o Ranger Preto querendo chamar a atenção do gato-robô — Nekovax, sou eu, o Damian! Liberte a mim e meus amigos, rápido!
— Essa voz... É a voz do Damian! — disse Nekovax que fora até os heróis em supervelocidade e desse jeito os libertou das cadeiras destruindo os cintos com suas garras — Vocês estão bem?
— Nossa, ele fala de um jeito tão gentil. — disse Jessie — Achei fofo.
— Não é a toa que foi feito pra ser o contrário do Nekovolt. Muito obrigado, Nekovax, a gente te deve essa! — disse Austin o tocando no ombro.
— Será que o Mudok mandou ele vir aqui nos resgatar pra se redimir de ter traido você, Damian? — perguntou Zoe.
— Ah, isso eu duvido veementemente.
— E eu achando que ser escorraçado pelo próprio filho teria feito ele se mancar. — disse Tim — Se bem que mancando ele já tava.
— Mas que patifaria é essa aqui? — disse Nekovolt dando-se conta de sua contraparte — Você aí, quem é? De que buraco saiu? Por que somos tão parecidos? Eu não lembro de ter um irmão gêmeo!
— Não sou seu irmão, sou aquele que nasceu pra te fatiar em mil pedaços!
— E ainda imita minha voz!? Eu me sinto ultrajado por essa farsa!
— Não me chame de farsa! Sou único e original, programado pra destruir você! — rebateu Nekovax, pronto para a luta.
— Pelo menos eu tenho um exército! Acabem com eles! – ordenou Nekovolt apontando para os Rangers e seu oposto, a horda de Psycho-Bots vindo em peso correndo.
— Coletes Zoomorph! — disseram os Rangers em uníssono, logo combatendo os robôs com as habilidades marciais avantajadas, conseguindo derrubar alguns deles sem grandes dificuldades.
— Os Rangers acionaram os coletes. — falou Dickerson assistindo ao embate junto a Karen — Mas de onde saiu esse outro Nekovolt?
— Damian o chamou de Nekovax. — disse Karen — Mas o que me deixou mais chocada foi ouvir Zoe perguntar se ele é o robô que Damian criou junto com Mudok, o que foi confirmado.
— O medo de ter seu valor desacreditado por Lokknon fez com que Mudok engolisse seu orgulho ao ponto de firmar uma aliança com os Rangers pra criar uma arma contra Nekovolt. — disse Dickerson, não disfarçando sua surpresa.
A luta prosseguiu relativamente fácil para os Rangers. Mas o que irritara Nekovolt foi ver sua antítese se saindo incrivelmente bem no confronto físico contra os robôs — ora rasgando-os com as garras, ora distribuindo raios azuis que os mandavam longe contra equipamentos de TV causando explosões bastante danosas.
Nekovolt se tornou um raio que caíra e materializou-se em meio aos Rangers e lançou raios drenadodores das garras que os atingiram.
Dickerson se alarmava verificando o percentual de energia dos coletes no monitor esquerdo.
— Os níveis de energia dos coletes estão caindo! Não deveriam ter os ativado, precisavam de mais uma metade de carga!
Nekovax percebera o tormento passado pelos Rangers e jogara um soldado para trás, indo direto contra Nekovolt.
— Deixe meus amigos em paz! — disparou raios azulados contra o rival, o atingindo forte a manda-lo contra uma parede. Os coletes desapareceram e os Rangers viam-se desgastados, caídos de joelhos.
— Essa foi por pouco... — disse Tim, arfando.
— Ele quase nos sugou até o limite. — comentou Jessie.
— Quase não... Vejam. — disse Austin apontando para Nekovolt que reerguia-se com faíscas múltiplas pelo corpo, se eletrificando a uma intensidade maior. Fez questão de erguer o braço mostrando o contador de vidas marcando o número nove — Ele conseguiu.
— Hahahaha, agora que ninguém me segura mesmo! — comemorou Nekovolt que passou a emanar uma forte aura elétrica, flutuando no ar e liberando altas descargas perigosas — Sou uma divindade, curvem-se, servos insignificantes!
O Nekogigawatt veio com seus retumbantes passos até o edifício. Mudok não reagiu de outro modo que não fosse a estupefação.
— Não pode ser! Essa energia irradiando tão potente... Aquele patife bateu sua marca!
O robô gigantesco removeu toda uma parede com sua manzorra metálica. Nekovolt dirigiu-se a máquina levitando e lançando descargas nos Rangers que foram atingidos por estouros de faíscas. Entrara na cabeça do robô atravessando intangível.
— Hora de um rolê pela cidade! Vamos sair quebrando tudo! — disse manejando os controles. O Nekogigawatt fizera literalmente o que havia sido dito pelo seu ocupante, destruindo construções ainda em obras pela prefeitura, além de edifícios já concluídos há meses.
— Assim eles vão destroçar a metrópole! — disse Austin olhando com os amigos pelo enorme rombo no prédio os danos caóticos que a dupla provocava — Temos que impedi-lo agora!
— Espera, Austin, ainda não! — avisou Damian urgentemente perto do líder.
— Ué, por que não?
— Mudok pré-instalou um vírus na placa-mãe de Nekovax que ele vai ativar caso intervénhamos na luta.
— Agora o Nekovax é um novo Schrondnyah! — disse Jessie.
— Mas como a gente fica? O Nekovax não tem um mega-robô só pra ele, então os únicos que podem lutar somos nós! – apontou Tim.
— Verdade, Mudok não eperava o Nekogigawatt aparecer. — disse Damian, encorajado — Nekovax, vai lá pra baixo conter aquele mutirão de Psycho-Bots, há pessoas inocentes em perigo. — designou Damian.
— É, deixa o Nekovolt conosco. — falou Zoe.
— Se vocês acham mais apropriado assim, então aqui vou eu! — disse Nekovax, logo se desfazendo em eletricidade, saindo em disparada como um raio para baixo. Chegou ao chão freando meio brusco, vendo o exército de Psycho-Bots marchar e atirar lasers em pontos aleatórios — Eles podem atingir cidadãos indefesos, isso eu não posso permitir! — avançou bravamente.
— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os Rangers. Os zords saíram dos hangares e correram para o campo de batalha. Ao verem-os se aproximar, os Rangers saltaram do prédio para adentrar nos cockpits.
Os zords conectaram-se uns aos outros, o Megazord Z enfim sendo formado e pousando para a batalha.
— Sabre Selvagem!
A espada prateada caiu sobre a mão direita do robô que avançou paciente.
— Já basta de destruir prédios como se fossem de isopor! — bramiu Austin.
— Meu Nekogigawatt apenas não tem apenas um braço novo! Eu dei a ele uns bons retoques pra turbina-lo! — disse Nekovolt — Além do mais, um espadinha cairia bem agora! — apertou um botão, logo uma espada surgindo em teleporte na mão direita do robô que se posicionou.
O choque de espadas ocorreu impactante entre os dois gigantes metálicos. No duelo, Nekovolt ardorosamente tentava abrir uma brecha de ataque fatal, mas o bom manejo dos Rangers com o sabre promovia bloqueios e ofensivas difíceis de superar. Naquele instante, uma extensa nuvem carregada pairava. Numa nova e intensa colisão de espadas, raios faiscavam nas lâminas.
A chuva começava a cair com certa força.
— Olha aí, tá chovendo! — disse Tim.
— Tô sentindo aquele cheirinho de terra molhada! — disse Jessie.
— É o cheiro da nossa vitória pois a água pode ser usada pra sobrecarregarmos a lata-velha dele! — declarou Austin.
Nekovax surpreendia-se ao sentir a água da chuva em seu corpo.
— Ei, vocês aí também são à prova d'água!? — olhou para os Psycho-Bots do Trovão que permaneciam estáveis sob a chuva — Ótimo, mas não significa que estamos no mesmo nível!
— Que tal darmos um giro, hein? — sugeriu Nekovolt, o robô estendendo os braços para os lados e girando da cintura para cima, subindo às nuvens e formando um robusto redemoinho através delas, assim atraindo o Megazord.
— Estamos sendo puxados pro olho do furacão! — disse Austin — Segurem-se!
O cockpit chacoalhava com a turbulência causada pelo redemoinho no qual ambos os robôs rodavam frente a frente em meio aos raios tempestuosos nas densas nuvens.
— Ai vai o ataque que eu chamo de... abridor de latas, hahaha! — anunciou Nekovolt carregando a espada do robô de grandes volumes de energia. Com a arma brandida e eletrizada, o Nekogigawatt avançou no meio daquele tornado para um golpe decisivo.
— Chama Cromática! — bradou Austin. O sabre envolveu-se do fogo multicolorido e fora erguido — Mas a chama sozinha não fará grande coisa, temos que puxar energia para fortalece-la!
A espada pegara um dos raios do redemoinho, energizando o sabre, logo a lâmina chocando-se a de Nekovolt numa colisão brutal que sucedeu-se num duelo de forças ferrenho.
— Mais potência! — disse Austin.
O sabre prevalecia, rachando a lâmina negra do Nekogigawatt, inevitavelmente quebrando-a ao meio. O ataque foi estendido para o peito do gato-robô gigante, a espada atravessando-o de modo que os braços, pernas e inúmeras peças se soltassem na queda.
— Não, meu boneco gigante de ação! Vocês fizeram em pedaços! — lamentava Nekovolt, o cockpit faiscando em raios e se autodestruindo.
O gato-androide caíra ao chão, logo vendo os vários pedaços de seu robô destruído caindo a sua volta. A chuva havia cessado.
— O quê? Até meus bravos soldados caíram?! Foi você, não foi? Sua imitação barata, vou te ensinar uma lição que nunca vai esquecer!
— Fui eu mesmo! Estavam oferecendo perigo a pessoas inocentes! — retrucou Nekovax.
Mudok surgiu meio que escondido num carro de tração vermelho.
— O que está esperando, Nekovax? Ele acabou de perder sua maior arma para os Rangers, agora é sua vez!
— Então esse meu gêmeo bonzinho aí é coisa sua, né, papito? Ei, mestre Lokknon, se estiver vendo isso, fica sabendo que seu general folgado só ficou assistindo eu comandar tudo! — dizia Nekovolt em voz alta. Lokknon havia visto-o falar e se enchera de dúvidas — Eu fiz tudo sozinho! Tudinho!
— Mudok não esteve por trás de nada do que aconteceu nas últimas horas? Mas isso é descabido!
Nekovolt voltou-se para sua contraparte.
— Pronto, soltei o verbo! Agora somos só nós dois, irmão mais novo! Quer apostar como sou mais rápido que você?
O gato-androide tornou-se um raio amarelo saltando por entre carros e depois prédios. Nekovax aceitou o desafio, transformando-se num raio azulado e veloz. A corrida frenética deu a volta por aquela zona, as duas faíscas elétricas logo se batendo enquanto corriam. Chegando próximo a um campus universitário, ambos colidiram desferindo ataques de garras um na face do outro em câmera lenta. Ao se cruzarem, deslizaram no chão, logo voltando-se um ao outro.
— Eu duvido que consiga fazer isso aqui. — disse Nekovolt acionando seu fator curativo, regenerando a parte arranhada.
— Não tem nada que você faça que eu também não possa fazer! — rebateu Nekovax também ativando seu autorreparo.
— Acha que se compara a mim só porque somos parecidos! Vou te mostrar que você tá perdidamente enganado! — disse Nekovolt que se desfez em eletricidade, adentrando nos circuitos de Nekovax e o desestabilizando com raios em torno do corpo trêmulo. Ao sair, materializou-se e mostrou um retângulo verde — Que foi? Perdeu alguma coisa?
Nekovax estendeu o braço direito como se quisesse implorar pela devolução de sua placa-mãe, mas caiu de frente e sem vida.
— Melhor guardar num lugar ultrasecreto! — disse Nekovolt absorvendo a placa-mãe — OK, vou ver como anda o toque de recolher!
Na forma de raio, saíra velozmente pela cidade. Os Rangers vieram depressa até um derrotado Nekovax.
— Ah não, Nekovax acabou superado! — disse Damian se agachando para vira-lo de barriga para cima.
— Nekovolt desligou ele... Mas como? — indagou Jessie.
— Ele pode se transformar em raio e invadir sistemas pra causar panes. — disse Austin.
— A placa-mãe! Nekovolt a extraiu! E isso é ótimo!
— Cara, o que tem de ótimo na única coisa que podia arregaçar com aquele gato ter sido um fracasso? — questionou Tim.
— Nekovax tá longe de ser um fracasso, ele só não foi astuto como Nekovolt que está no seu auge de poder. Mas ele ironicamente o salvou.
— Então sobre o vírus... — disse Zoe.
— Sim, foi retirado junto a placa. — completou o Ranger Preto — Criei uma placa-mãe reserva, acho que foi a última coisa que fiz antes de apagar. Código Preto: Emergência!
O carro elétrico voador do Ranger Preto veio após o pedido de ajuda. Freou próximo aos Rangers.
— Deixei aqui dentro me prevenindo pra essa eventualidade. — retirou a placa substituta de uma caixa de ferramentas no banco de trás.
Minutos depois, Nekovax estava reinstalado, levantando-se com ajuda dos heróis.
— Mas o que houve? Cadê o outro eu que me odeia? Ele invadiu meu sistema!
— Você passou por um transplante e deve se manter fora de cena, por ora. — orientou Damian.
— Daremos um jeito nele pelo que fez com você. — garantiu Austin — Se não aguentarmos, te chamamos pra ajudar.
Os heróis partiram em saltos supervelozes. Nas proximidades de um canteiro de obras, os Rangers procuravam por Nekovolt.
— Aparece pra gente te escaldar, seu gato pirado! — insultou Tim.
— Se vocês não tem cão pra me caçar, então onde está o gato? Hehehehe! — disse Nekovolt surgindo num salto. Pousou frente aos heróis.
— Já que quebramos seu brinquedinho, chegou sua hora de sofrer o mesmo! — disse Austin.
Dickerson fazia contato.
— Rangers, batam em retirada! Os coletes ainda não estão totalmente carregados, não podem enfrenta-lo nesse estado!
— Foi mal, Sr. Dickerson, mas se fugirmos a cidade ficará desprotegida e queremos acabar logo com isso. — disse Austin — Pessoal, agora.
— Coletes Zoomorph! — bradaram em uníssono. Os coletes surgiram simultaneamente.
— Haha, é bom ver que perderam a noção do perigo! Vocês que sabem, não é problema meu! — disse Nekovolt — Mas antes de me encarar pra valer, vão ter que passar por eles! Venham!
O exército de Psycho-Bots do Trovão surgiu como centenas de raios amarelos caindo, fazendo vanguarda para Nekovolt. Nekovax estava escondido em barris de lata observando e moveu suas orelhas.
— Eu ouvi bem a voz que falou com eles. Precisam de energia pra abastecer esses coletes. Podiam ter pedido antes. — disse o gato-robô, logo estendendo os braços e lançando raios das garras diretamente aos Rangers. As descargas atingiram os coletes, fornecendo a energia necessária.
— Gente, olha isso! — falou Jessie.
— Eu tô sentindo... — disse Zoe.
Os emblemas de Z nos coletes se iluminavam em sentido horário. Dickerson não conteve o sorriso largo.
— Esse gêmeo do Nekovolt é formidável! Os coletes estão em carga máxima! — disse Karen.
— Rangers, chamem os cartões da fera para ativar o modo Fúria Animal! — avisou o mentor.
— Vocês ouviram, vamos nessa! — disse Austin.
— Cartões da fera! — disseram os cinco, invocando os cartões mas suas respectivas cores, os quais inseriram nas entradas dos coletes — Modo Fúria Animal, ativar!
O quinteto se imbuiu de uma torrente de energia, ganhando um arsenal inteiramente favorável combinando aos trajes modificados como se fossem armaduras, cada qual visualmente remetendo ao animal que representavam.
— É a coisa mais fantástica que já vi! — comentou Nekovax aplaudindo-os.
— O Sr. Dickerson é o cara! — disse Tim olhando a si mesmo, fascinado — Me amarrei nisso!
— Eu também achei sensacional! — disse Jessie — Garras ainda maiores, eu amei!
— Bem que suspeitava desde o início que esses coletes serviam pra mais do que nos blindar! — falou Zoe.
— Eu nunca me senti tão impulsionado a lutar! — disse Damian soltando sua esfera de ferro presa a corrente e girando-a.
— Agora que o bicho vai pegar de verdade! — dissera Austin em posição combativa — Prontos? Rangers, atacar!
— Destruam-os! — mandou Nekovolt ao seu exército que avançou massivamente, atirando com os detonadores.
— Super-asas, ativar! — disse Jessie que saltara desviando dos tiros que explodiam faíscas, logo girando ao abrir as asas de rapina nos braços e voar baixo desferindo golpes brutais das garras que a abatiam os robôs pelo caminho.
A Ranger Amarela pousou deslizando com as garras dos pés faiscando no solo.
— Vamos dar uma voltinha! — girou com as asas, subindo e criando um tornado que arrastou alguns soldados — Descendo! — ao baixar, os mandou ao chão, explodindo fatalmente a poucos metros atrás dela que posou de costas.
Damian manejava a esfera preta de ferro ligada à corrente, repelindo vários soldados por perto.
— Extraordinário! Conforme eu bato, a bola aumenta sua densidade e tamanho!
Com um pulo, fizera a bola bater pesadamente no solo, causando um abalo que produziu uma onda de choque arrebatando um grupo de robôs que se desmontaram em inúmeras partes. Damian virou de costas, a explosão atrás intensa e flamejante.
Tim mandava um jato d'água com seu hidro-canhão em vários dos que o rodeavam. Correra sendo perseguido e dera um salto mortal, disparando, de ponta a cabeça, um torpedo do canhão do braço direito, o projétil atingindo-os e culminando numa explosão tremenda.
Zoe utilizava seu canhão disparador de bolhas que explodiam nos corpos dos soldados e o danificaram seriamente.
— Hora da pescaria selvagem! — disse ela ao lançar o arpão no braço direito ligado a uma corda de titânio e prender cinco robôs em linha reta como carnes no espeto. Ao soltá-los recolhendo o arpão, virou de costas em pose vitoriosa, os robôs caindo em efeito dominó e explodindo em poeira cinzenta atrás dela.
Austin fatiava alguns soldados com as robustas pagas de leão que continham garras douradas eficazes no impacto dos golpes.
— Fogo da Fúria! — disse Austin fazendo girar suas patas leoninas que produziam vórtices de fogo contra os robôs, levando-o a rodopiarem no ar. O líder virara de costas, erguendo a pata direita em pose de vitória, a última parcela de robôs explodindo tremendamente atrás dele — Yeah!
— Não fiquem se achando só por terem mudado o modelito e acabado com meus guerreiros! — disse Nekovolt que avançou e dera um salto partindo contra Austin para chuta-lo, mas o Ranger Vermelho bloqueará o golpe com as patas de leão sendo rapidamente empurrado contra uma parede, mas o repeliu com força mandando-o para longe.
Saltou para pega-lo do lado oposto, usando as patas para aplicar uma sequência superveloz de golpes. Nekovolt caíra com arranhões múltiplos no corpo e explodiu em poeira.
— Isso não pode estar acontecendo... — disse vendo seu contador de vidas cair para oito — Não! — correu para uma fuga covarde.
Tim saltou e parou diante dele barrando o caminho.
— Aonde o gatinho pensa que vai? Tá na hora do seu banho! — disparou o jato potente do hidro-canhão que o empurrou a certa distância.
— Agora vamos ensaboar! — disse Zoe pelas costas dele, logo atirando as bolhas que novamente o faziam explodir. Sobrevivendo, verificou o contador de vidas.
— Menos duas! Não é possível!
— Vou te dizer o que é impossível! — disse Jessie num voo alto quase bloqueando a luz solar para Nekovolt que olhava atordoado para cima — Você sair ganhando dessa! — disparou penas pontudas e cortantes das asas que caíram feito chuva sobre o gato robô. Nekovolt berrava ao novamente explodir em fogo.
— Parem, eu me rendo! Estão diminuindo minhas vidas! — disse ele correndo e vendo o contador marcando 5 vidas.
— Por que parar quando está tão divertido? — disse Damian que lançou a bola do tamanho de uma rocha de cem quilos diretamente a Nekovolt, o empurrando a uma parede que fora destruída com a explosão decorrente. Menos uma vida ao gato-androide que via-se arrebentado, os danos físicos mais visíveis e salpicando faíscas.
— Não aguento mais, chega! Bandeira branca!
— É tarde pra implorar! — disse Austin correndo superveloz até ele e repetindo a sequência de ataques com as garras, por fim girando num pulo e chutando com o pé direito tão forte que produziu uma vibração de onda.
Nekovolt caiu rolando no chão, logo conferindo novamente a quantidade de vidas.
— Só uma?! Uma vidinha só! Vocês são terríveis, odeio, odeio, odeio todos vocês! — descontrolou-se batendo as garras no solo.
— E pra fechar com chave de ouro... — disse Austin reunindo-se com os demais — Vamos combinar nossas armas!
Todas as novas armas foram conectadas gerando a fusão com um resultado brilhante.
— Abatedor da Fúria! — bradaram em uníssono.
— Não, peraí, eu tava brincando quando disse que odeio vocês! — disse Nekovolt recuando.
— Ah sim, a gente acredita! — disse Zoe.
— Preparar, apontar... Fogo! — bradou Austin.
Os emblemas próprios dos heróis referentes aos animais surgiram frente a arma e foram disparados. Na trajetória, combinaram-se formando uma esfera multicolorida e eletrizada que logo atingira Nekovolt o atravessando. O gato-robô foi cambaleando recuante com raios em volta do corpo e faiscando.
— Meu fantasma vai assombrar vocês! — disse Nekovolt em frangalhos — Ainda volto pra minha vingança, hahah!
— Sem vida extra pra você, seu chato de galocha! — disse Austin.
O gato-androide caíra para trás com gemidos similares ao ronronar felino, enfim explodindo tremenda e fatalmente. A comemoração efusiva dos Rangers foi instantânea. Porém, Lokknon mostrava uma calmaria atípica diante de Mudok quando o androide veio confessar seu deslize.
— Mestre, eu reitero minha incompetência. Portanto, renuncio a minha medalha e a posição de general. — entregou a peça a mãos do imperador.
— Não há porque se lamentar, Mudok. Você foi uma vítima o tempo todo, mexeu com uma tecnologia desconhecida e a aplicou ao seu conhecimento dando vida a um monstro que nem mesmo eu teria sucesso em controlar. Era um resultado imprevisível, mas eu também seria facilmente seduzido por essa ideia. Devíamos agradecer... aos Power Rangers por ter nos poupado de um prejuízo ainda mais incalculável.
— Então... permaneço com a medalha?
— Não! — disse Lokknon, arremessando a medalha e a acertando um raio púrpura do dedo em pleno ar. A peça caiu derretida no chão — Você nunca a mereceu e não merecerá enquanto não me apresentar um projeto totalmente eficaz contra os Rangers! Eu só relevo sua imperícia por ser algo que estava fora do seu controle desde o início!
— Que punição mais severa, perder a medalha. — ironizou Aracna.
— Cale-se, Aracna! Mais uma objeção ou piadinha e está banida desta nave! — ameaçou Lokknon — Agora traga minha aspirina, Mudok! Eu disfarcei minha frustração, mas não consigo fingir por tanto tempo! Ai, minha cabeça... Nekovolt, Nekovolt... Eu não quero mais ouvir esse nome... jamais!
***
A uma curta distância do observatório astronômico, cujo subsolo abrigava a Central de Comando, Dickerson, Karen e os Rangers despediam-se de Nekovax que necessitava de absoluta segurança, contudo longe da Terra.
— Ah que pena você deixar a gente tão cedo assim, Nekovax. — disse Jessie.
— Apesar do pouco tempo, sentiremos saudades. — disse Zoe, simpática ao gato-robô.
— E é por estarmos gratos a você. — disse Austin.
— Pois é, sem você não teríamos aquelas roupas e armas iradas. — disse Tim, contente — Aí, já quero repetir a dose, mal posso esperar, aquilo foi um suprassumo.
— Sosseguem, crianças. Haverá tempo disponível pra que aperfeiçoem o modo Fúria Animal de suas próprias maneiras. — falou Dickerson que tocava no ombro de Tim.
— Mas pra uma primeira experiência, vocês estão bem mais que aprovados. — disse Karen, feliz pelo desfecho da batalha.
— A gente fez bonito, temos que reconhecer. — disse Austin — Livramos a cidade do Nekovolt, isso vale uma comemoração lá no Earl como a vitória de um campeonato.
— E por minha conta. — disse Damian que foi aproximando-se de Nekovax — Ei, se comporta hein. Entenda que não estamos te expulsando, mas estando aqui conosco, mesmo com a Central de Comando invisível, você sofre risco de ser corrompido pelas forças de Lokknon.
— Como não seria certo isolarmos você num lugar tão secreto e fechado... — disse Karen.
— Decidimos pedir a Intercorp que autorizasse sua migração planetária. — completou Dickerson. Uma nave espacial para um único tripulante surgiu em teleporte atrás de Nekovax — Aí está, chegou. A rota já está pré-programada e a sinalização da cápsula é imune ao radar de Lokknon, ele não vai interceptar sua saída.
— Mas onde é que eu vou viver?
— Uma cidadela povoada exclusivamente por máquinas autoconscientes como você em KO-35. — revelou Dickerson com tranquilidade — Os habitantes de lá são hospitaleiros com novatos.
Nekovax entrava na nave que bem lhe cabia após a porta abrir-se e sentou. Damian ajudou a afivelar os cintos.
— Faça uma boa viagem. — desejou o Ranger Preto que deu uma piscadela.
— Vai ser legal, Nekovax, vai que você conhece uma gatinha por lá. Já pensou? — falou Tim.
— Bom, espero que a voltagem dela seja compatível com a minha.
Os Rangers não contiveram as risadas. A nave fechou-se com Nekovax acenando em despedida aos Rangers, logo acionando os propulsores que fizeram a grama ondular. O veículo aeroespacial decolou sendo observado pelos heróis até atingir uma altitude considerável numa abrupta velocidade em meio ao céu azulado e não ser mais visto.
— Ele pode ser igual ao Nekovolt em tudo que faz, mas tem uma diferença enorme entre eles e não é a personalidade. — disse Austin.
— E qual é? — indagou Zoe.
— Nekovax pelo menos sabe ser engraçado. — respondeu o líder levando todos a rirem.
De repente, um gatinho preto irrompeu da parte mais alta da grama vindo até eles miando incessantemente.
— Oh, gente, olha pra essa coisinha fofa. — disse Jessie. O gato ficou andando entre as pernas delan roçando seu pelo com os miados constantes — Deixa eu te ver. — pegou-o — É um macho! Lindinho da mamãe, você vem comigo.
— Parece até que ele escolheu você. — disse Zoe ao lado dela acariciando-o — Espero um dia adotar um que se pareça com o Nekovax.
— Jessie, melhor deixar ele ir, pode ser uma reencarnação do Nekovolt. — disse Tim com temor ao olhar para o felino.
— Larga de neura, Tim, o Nekovolt se foi... e eu espero que pra sempre. — falou Austin.
— Até parece que os dados da CPU de uma máquina seriam transferidos pra um corpo orgânico. — disse Damian ao lado do amigo — Isso é cientificamente impossível.
— Se meu irmãozão aqui falou, então tá falado, hahah. — disse o Ranger Azul o abraçando de lado.
— Eu bem que ouvia uns miados nos últimos dias quando eu chegava. — disse Karen — Então era ele. Que nome você vai dar, Jessie?
— Hum... Que tal volt? — disse ela olhando para bichano que respondeu com um miado.
— Se precisar de ajuda pra qualquer coisa dele, a gente tá a disposição. — disse Austin.
— Até visitar você pra brincar com ele — disse Damian.
— Menos nas sextas-feiras 13. — falou Tim arrancando risos.
— É isso aí, bem-vindo a família, Volt. — disse Jessie que o levantou para o alto segurando-o com as duas mãos como um troféu pela vitória sobre Nekovolt dedicado a ela e seus amigos.
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