Power Rangers: Esquadrão Z
57 As cores da rivalidade
Notas iniciais

A integração de Flint e Mason à equipe estimulou em Dickerson um desejo de testar o desempenho dos heróis no simulador de batalha que havia acabado de adquirir melhorias dois dias após a bem-vinda adição da dupla. Naquele treino, os Rangers enfrentavam minions de antigos vilões em um cenário virtual de caos, enquanto testavam a flexibilidade das novas versões dos uniformes com detalhes adicionais nos capacetes.
Austin e os demais desferiam chutes e socos em versões virtuais de bonecos de massa, soldados de Rita Repulsa, por em um pano de fundo noturno de escombros e fogo.
— Esses daqui parecem até gostar de apanhar! — disse Flint dando joelhadas na barriga de um dos soldados, logo girando e chutando-o contra um carro em frangalhos. O impacto fizera o boneco de massa se despedaçar.
— Os Rangers do Zordon brincavam com esses panacas! — disse Jessie que girou num salto baixo para chutar um deles.
— Será que são feitos daquelas massinhas de modelar? — indagou Zoe que se apoiou com dois braços no chão para chutar dois bonecos de massa que vinham até ela.
Austin enfrentava dois a sua direita e esquerda, chutando-os sem nenhum esforço.
— Nem precisamos das pistolas Z! — disse o líder, que agarrou o braço de um que o atacaria por trás, o jogando ao chão. Pisou no emblema de Z, acarretando na destruição imediata — Galera, ataquem no meio do peito onde tem esse Z!
— Esse ponto fraco eu já percebi bem antes. — disse Mason disse Mason desferindo chutes até socar forte no Z do peito e o empurrar contra uma pilha de escombros onde o soldado se desfez em pedaços.
— Ah, legal... Que bom pra você. — disse Austin, notando uma certa soberba do Ranger Roxo.
— Se só basta atingi-los no peito, é aí que as pistolas Z são necessárias! — disse Tim, sacando sua arma e disparando certeiro em três bonecos.
— Mas não é benéfico ao treinamento de combate marcial! — falou Damian que chutou dois num pulo baixo, logo chegando perto do Ranger Azul com quem ficou costa a costa — Mas parabéns pela pontaria.
— Ah, sabia que ia reconhecer! Valeu, amigão.
Owen usou apenas os cotovelos para detonar dois em ambos os lados.
— Sem querer parecer resmungão, mas esse treino tá meia-boca! Sr. Dickerson, será que dá pra mandar adversários mais à nossa altura?
— Eu sei que estão ansiosos pra enfrentar os chefões finais, mas tudo a seu tempo, crianças. — disse o mentor, tranquilo ao lado de Karen, na cabine de controle do simulador.
— Que outros supervilões poderia satisfazê-los? — questionou a tecnóloga.
— Vejamos esses aqui. Acho que irão sentir o desafio começando a esquentar.
A porta de um prédio se abriu, revelando uma sombra de um monstro bestial.
— Quem será? — quis saber Tim.
— Acho que chegamos à fase final. — disse Zoe. O oponente se revelou: um monstro de rosto preto e animalesco, com armadura dourada e uma espada.
— Eu não vou admitir que nenhum Power Ranger se interponha no meu caminho!
— Conheçam Goldar, general de primeira patente da feiticeira galática Rita Repulsa. — informou Dickerson. — Não o subestimem, apesar da vantagem de vocês. Ele foi responsável por destruir as moedas do poder que abasteciam os Rangers de Zordon.
— OK, estamos prontos. — disse Austin.
Outros dois surgiram, à direita e esquerda de Goldar.
— Aí estão, Rangers: esse da direita é Ecliptor, subordinado leal de Astronema. O da esquerda é Zeltrax, general de Mesogog, inimigo dos Rangers Dino Trovão. Organizem-se e os combatam com estratégia.
O trio vilanesco se posicionou e avançou ferozmente.
— Muito bem, eu cuido do Goldar, vocês se dividam em grupos contra os outros dois! Atacar! — disse Austin que logo correu ao encontro de Goldar desferindo chutes contra os golpes da espada.
— Não é justo ele lutar sozinho contra um oponente, dá pra ele se encaixar num grupo. — criticou Mason.
— Reclama menos e luta mais! — rebateu Owen que junto de Flint avançou contra Ecliptor que movimentava sua espada para ataca-los.
— Esse estilo de liderança dele não tá com nada. — disse Mason.
— Sabre Kong! — bradou Owen, alterando a adaga para a forma de espada e investindo contra Ecliptor num duelo de lâminas faiscando — Não fica se sentindo o bichão! Já enfrentei um cara pior que você aqui!
— Por acaso se refere a Darkonda? — indagou Ecliptor.
— Não, acho que o nome dele era... Zodd, Zedd, não lembro direito.
Ecliptor o chutou no peito o mandando para meio longe.
— Não se distraia conversando numa luta, garoto!
— Mangual Rompante! — disse Flint, lançando sua arma contra Ecliptor que usaria a espada para cortar a corrente, mas acabou tendo o braço direito envolvido e preso
— Levanta, cara, é a sua vez! — pediu Flint enquanto o Ecliptor o puxava.
— Esse golpe foi pesado, mas já tô recomposto! — disse Owen, energizando o sabre e desferindo cortes que atingiram Ecliptor seriamente, faíscas explodindo em vários pontos do corpo.
— Pra fechar com chave de ouro... — disse Mason correndo e lançando ondas do emissor ultrassônico que faziam o corpo de Ecliptor rachar.
O Ranger Roxo parou abrupto, logo virando de costas em uma pose enquanto Ecliptor caía despedaçado, logo explodindo.
Zeltrax travava um duelo ferrenho com Zoe que usava seu ferrão de arraia.
— Você me envergonha com essa técnica amadora! — disse o vilão que quebrou o ferrão num forte golpe, logo depois desferindo um ataque da espada no peito a derrubando.
Jessie veio em voo baixo com as garras raptoras, lançando um corte em X que atingiu Zeltrax.
— Se liga que é quatro contra um! — disse Tim, chutando-o nas costas.
Zeltrax virou, lançando um raio que acertou Tim o mandando para longe com explosões de faíscas em volta, mas ao bater numa parede tomara impulso para atacar com as barbatanas cortantes num corte em X, mas Zeltrax defendera-se com a espada sendo empurrado com os pés arrastando.
Damian veio batendo sua marreta avalanche no solo, a onda de terra vindo até Zeltrax que para revidar baixou sua espada energizada lançando um pilar de raios azuis. Porém, a onda terrosa prevaleceu anulando o ataque e fazendo ceder o chão em torno de Zeltrax que caiu no subsolo repleto de fogo e lava. Damian virou de costas posando vitorioso com sua arma, a explosão final emergindo intensa da cratera.
Austin limitava-se a esquivas, escapando dos raios oculares de Goldar. O lendário servo de Rita avançou com sua espada. Austin segurou a lâmina com as duas mãos, empurrado até bater as costas em um carro.
— Terei derrotado mais um Ranger Vermelho! Meu dia de sorte!
— Hoje não! — disse Austin, chutando-o na barriga.
Goldar revidou, mas Austin esquivou, e a espada acertou o carro. Austin o atacou com socos, mas recebendo um contragolpe de espada no peito, caindo.
— Austin! — disseram Jessie e Zoe.
— Não sei como deseja me vencer sem uma espada, mas admito que é bem habilidoso pra uma criança!
— A criança aqui tem um belo ás na manga! — disse Austin, reerguendo-se. — Poder Ignnus! Espada de Chama Dourada!
A espada, derivada da conexão com o Falcão Ignnus, surgiu em sua mão direita e foi carregada pelo poder flamejante.
— Onda Explosiva! — disse Austin, o fogo da espada crescendo, tomando a forma de uma ave similar à fênix.
Ele disparou o ataque potente ao baixar a a espada, a ave de fogo atravessando Goldar.
— Você pode não ser real, mas sinto que fiz justiça pelos Rangers do Zordon. — disse o líder que virou de costas, posando para a vitória com a explosão de Goldar ao cair.
A voz eletrônica do simulador proferiu:
— Simulação encerrada.
O cenário de guerra se dissolveu gradualmente em fragmentos de dados digitais, revelando uma sala azul-cinzenta. Os Rangers comemoravam alegres batendo as mãos.
— Parabéns, Rangers, o treino foi um verdadeiro sucesso. — disse Dickerson. — A propósito, o que acharam da flexibilidade dos novos uniformes?
— Eu me amarrei, essas roupas ficaram ainda melhores com essas modificações. — disse Austin.
— Peraí, ninguém mais vai dar opinião? Ou o líder fala por todos? — questionou Mason.
— Bom, nesse caso, diria que sim. — disse Damian.
— É, todos nós achamos os uniformes morfenomenais. — disse Tim.
— Pois eu acho que deviam ser menos apertadas e ter mais detalhes, tipo dourado. — opinou Mason, o que incomodou Jessie.
— Que bicho te mordeu hoje, Mason? Ficou implicando com o Austin, agora é com os uniformes. Qual o seu problema?
— Meu problema é com gente egoísta que se acha incrível demais pra não pedir ajuda.
— Onde que fui egoísta? — indagou Austin, aproximando-se do Ranger Roxo. — Eu só disse pra formarem grupos e decidi lutar sozinho porque sei que daria conta com a espada.
— Até porque é apenas uma simulação. — disse Zoe — Numa batalha real, Austin não recusaria a ajuda de ninguém.
— Eu duvido. Esse líder de vocês só quer a glória pra si mesmo, ele esperou derrotarmos nossos adversários pra se deixar por último brincando com aquele tal de Goldar quando podia tê-lo destruído.
— E daí que fiquei brincando com ele pra finalizar o treino? Eu sou o líder, isso é normal. Acho melhor pensar mais no que você interpreta das coisas.
— E pra você é melhor parar de querer impressionar todo mundo, tá fazendo um papel ridículo querendo aplausos.
— Tá me chamando de ridículo? — Austin ficou a centímetros dele.
— É, seu bobalhão. Ri-dí-cu-lo. Entendeu ou vou ter que soletrar?
Austin o empurrou e Flint logo interveio para apartar.
— Epa, vamos parando com a treta! Aqui a gente só simula luta contra vilões.
— Eu não ia simular nada. — disse Austin, afastando-se.
— Nem eu. — falou Mason.
Karen e Dickerson entreolharam-se sérios.
— Acho que uma nuvem de tempestade tá pairando entre eles. — disse Karen.
— Você acha? Desde o início eu já percebia que esses dois não se bicaram.
— Resquícios de uma inimizade anterior forçada. — relembrou Karen, sobre a ocasião da lavagem cerebral de Lokknon.
O alerta soou na Central de Comando, a situação sendo verificada diretamente da cabine de controle do simulador.
— Rangers, está havendo um ataque de Psycho-Bots a uma loja de conveniência na zona oeste. O grupo principal vai enquanto Flint, Mason e Owen ficam de reserva.
— Beleza, galera, vamos nessa. — disse Austin entre os amigos. — Esse ataque pode ser cortina de fumaça pra algo mais sério. — os cinco apertaram os botões de teletransporte, virando pilares de luzes.
***
A correria barulhentos entre clientes e funcionários se algomerava perto do posto de gasolina. Tiros de laser estilhaçavam as vidraças, dando passagem a um grupo de Psycho-Bots carregando estoques numerosos de latas de energético, algumas até caindo pelo caminho.
O quinteto Ranger logo viera e saltos acrobáticos, barrando o trajeto dos robô ao pousarem.
— Tem que passar primeiro no caixa de sair, seus manés! — falou Tim apontando.
— Larguem essas latas, conosco aqui vocês não levam pra lugar nenhum! — mandara Austin.
Repentinamente, disparos de laser atingiram os heróis causando explosões de faíscas em volta deles, atordoando-os.
— A razão é simples: o mestre deseja! — disse Mudok acompanhado de um punhado de Psycho-Bots — E vocês não são os únicos com fantasias novas! — ativou algo no bracelete esquerdo — Acionar Modo Trovão!
Todos os Psycho-Bots postos em batalha transformavam-se com raios amarelos dançando pelo corpo.
— Modo Trovão?! Isso tá me lembrando... — disse Jessie.
— Aquele gato safado do Nekovolt! — recordou Tim.
— Galera, usem suas armas com o colete Zoomorph! Mudok os deixou mais fortes! — avisara o líder.
— Não tenham dúvidas, hahaha. Ataquem! — ordenou Mudok que logo teleportou-se de volta a nave de Lokknon.
Vendo a luta se dificultar dada a chegada de mais robôs, Dickerson voltou-se aos três Rangers que estavam sem capacetes.
— Esses Psycho-Bots possuem uma força redobrada que se nivela aos coletes. Um de vocês terá que ir prestar reforço.
— Eu já tava esperando por esse momento. — disse Mason, aquecendo os braços. — Pode me escolher, Sr. Dickerson, eu tô mais que pronto.
— Ei, vai com calma aí, por que não irmos nós três logo? — perguntou Flint.
— Se fosse o caso de um monstro destrutivo, sim, vocês três iriam. Mas só é necessário um Ranger adicional nesse luta. — disse Dickerson.
— Apoio tirarmos no pedra, papel ou tesoura. — propôs Owen. — E aí, jogam ou estão com medo de perder pra mim?
— Medo de perder? Pff, fala sério. — minimizou Flint.
— Até em jogo da velha a gente manda bem. Vamos lá. — disse Mason.
Os três lançaram suas jogadas. Karen reagiu surpresa. Mason vibrou com a vitória.
— Ahá, pedra esmaga tesoura e amassa o papel, ganhei essa! E então, Sr. Dickerson, posso ir?
— Certo, já que optaram por decidirem assim, portanto está feito. Boa sorte, Mason. — disse o mentor, dando uma piscadela e um joinha.
— Beleza. Lamento por vocês que ficam, rapazes. A sorte tá sempre ao lado dos que acreditam nela. — disse Mason, recolocando o capacete. — Partindo pra ação! — teleportou-se ao apertar o botão no morfador preso ao cinto.
— Ele tem uma autoestima daquelas hein. — disse Owen a Flint.
— Nem me fala. — disse o Ranger Marrom, incomodado. — Epa, espera aí: o papel embrulha a pedra. Eu joguei papel, era pra eu ter ido!
— Analisando friamente, o jogo é um ciclo perfeito de um elemento mais forte que o outro. — disse Karen. — A pedra esmaga a tesoura que corta o papel que por sua vez... embrulha a pedra.
— Aquele safado, trapaceou na maior cara de pau. — resmungou Flint.
— Mas parando pra pensar... — refletia Owen. — O papel ser amassado pela pedra também pode ser visto como uma derrota. Nossa, esse jogo é bem mais discutível do que eu pensava.
Entrando no confronto, o Ranger Roxo preparou-se, logo invocando sua arma sonora.
— Hora de dar um baile nesses sucatas. Emissor ultrassônico! — Mason avançou dando um salto ao disparar as ondas vibratórias contra alguns dos robôs que foram lançados meio longe.
— Mason, você foi escolhido! — disse Jessie que girou e desferiu um brutal golpe num robô com as garras raptoras — Bem-vindo.
— Digamos que a sorte me escolheu! — falou Mason, sendo alvejado por dois robôs que dispararam atrás dele.
Austin percebeu e agiu rápido, protegendo-o.
— Mason, cuidado! — disse o líder, saltando. — Barreira Z! — o emblema Z no Colete Zoomorph se projetou em holograma como um escudo que repeliu os ataques para os lados resultando em explosões de faíscas.
— Aí, eu não pedi por proteção. — reclamou Mason.
— Ah, para de reclamar, você ia ser pego na guarda baixa. Eu fiz por você o que faria por qualquer um.
— É, como ser um tremendo exibido. Mas esse seu movimento não foi nada impressionante. Quer ver uma proeza nota 10? Saca só!
O Ranger Roxo saltou para trás, ficando de ponta-cabeça no ar, e disparou mais ondas do emissor em três robôs, que saíram do chão com a explosão.
— Grande coisa! Nada que eu também não saiba fazer, senão até melhor! — disse Austin, com ares de riso.
Sacou a pistola Z que, junto ao detonador Max, usou para atirar de braços cruzados, saltando e girando, atingindo os robôs que o cercavam com explosões faiscantes intensas.
— Você só derrubou eles, não é nada demais. Meu tiro certeiro é pra detonar de vez! — retrucou Mason, apontando o emissor para cinco robôs e disparando ondas que os abateram. O
utros tentaram cercá-lo, mas Mason disparou uma vibração no chão para saltar e atirar mais ondas no ar, mandando os robôs danificados contra o posto de gasolina batendo em colunas de concreto.
Austin sentiu um possível perigo ao ver a força e execução dos ataques de Mason, intervindo após o Ranger Roxo disparar contra mais cinco robôs arremessados contra carros.
— Mason, espera aí, você tá muito afoito!
— Como assim afoito? Me deixa acabar com esses inúteis do meu jeito! — rebateu ele, mandando mais ondas.
Austin agarrou o braço direito dele.
— O que você tá fazendo? Sai fora!
— Você tem que ajustar a força, pode acabar ferindo alguém!
— Eu não tenho que ajustar meu emissor coisa nenhuma! Grrr... solta...
— Não te solto até você se controlar... — insistiu Austin.
— Isso é uma ordem por acaso? Você tá sendo ridículo, sabia?
— É você quem tá agindo descontrolado só pra dizimar eles mais rápido!
— E tava funcionando até você chegar! Me larga, Austin... Vou atirar naqueles ali...
— Ah não, olha ali! — disse Tim, defendendo-se de um raio com as barbatanas — Eles começaram a briguinha de novo!
— Já tô ficando de saco cheio disso! — disse Jessie, chutando robôs intercalando com golpes das garras.
Austin e Mason seguiam no conflito. Austin persistia em segurá-lo até que reduzisse a potência das ondas, mas o outro teimava em discordar.
— É só diminuir a potência, não vai quebrar sua arma!
— Mas quero destruir um bom número deles de uma só vez! Será que tá tão difícil pra você entender? Solta meu braço agora!
O botão de disparo do emissor foi acidentalmente apertado, lançando ondas que atingiram uma bomba de propano no posto de gasolina. A onda de choque da explosão súbita derrubou a dupla, os demais Rangers e vários robôs. As chamas se alastraram pelo posto, ameaçando chegar a loja. Pessoas desesperadas se aglomeravam a certa distância, algumas contatando os bombeiros.
— Tá vendo o que você fez? Aliás, o que me fez fazer! — acusou Mason.
— O que eu fiz? O que você fez, isso sim! — contrapôs Austin, levantando em meio à fumaça. — Ficou tão obcecado em eliminar os Psycho-Bots mais rápido que se descuidou!
— Eu que me descuidei? Você que me atrapalhou! Ficou irritadinho porque fiz uma manobra melhor que a sua, né? — rebatia Mason, empurrando Austin. — Não me empurra ou vou...
— Você me empurrou primeiro, esqueceu?
Jessie resolveu intervir.
— Meninos, já chega disso! — a Ranger Amarela se colocou entre eles. — Não importa de quem foi culpa, o posto de gasolina já era, agora temos que controlar esse fogo, ainda tem pessoas lá!
Dickerson fizera contato.
— Tim, ative seu modo Fúria Animal para usar o Hidro-Canhão e apagar o incêndio, depressa.
— Boa, Sr. Dickerson, estávamos pensando igual! — disse Tim, aproximando-se. — Cartão da Fera! — inseriu o cartão e ativou o Modo Fúria Animal, com a armadura e armas substituindo o traje base. — Lá vai água! Hidro-Canhão! — despejou um jato potente, amenizando o incêndio.
Mudok ressurgiu acima de um prédio.
— Bater em retirada! Já temos os estoques de que o mestre precisa!
Os robôs sobreviventes se teletransportaram, logo depois o tutor deles. Em poucos minutos, o incêndio foi completamente apagado.
— Querem levar um banho também vocês dois pra esfriarem a cabeça? — perguntou Tim, apontando o Hidro-Canhão para Austin e Mason.
— Não, eu já me acalmei. O liderzinho aqui tem sorte que a minha raiva dura pouco. — disse Mason, afastando-se.
— Liderzinho? Ah tá. — disse Austin, levemente contido por Jessie. — Ele sabe que foi o culpado. Você viu, tava atirando feito louco, eu tinha que pará-lo antes que ferisse alguém.
— Austin, relaxa. Vou falar com ele. — disse Jessie, indo até Mason.
— Aí Tim, você foi sensacional. — elogiou Austin, batendo a mão na do amigo.
— Zoe e eu verificamos o interior da loja. — disse Damian vindo com a Ranger Rosa.
— Ninguém ferido e nenhum sinal de curto-circuito. — falou Zoe — Austin, tá tudo bem? Você e o Mason não vêm se entendendo desde a primeira missão. O que há com vocês?
— Ele que começou com a implicância. Mas se depender da Jessie, talvez ele aprenda que um líder deve ser respeitado.
— Do jeito que ela trata ele toda delicadinha... sei não. — disse Tim. — Mas eu tô contigo nessa, Austin. Você é um líder de primeira, sempre foi.
— Vimos como você o defendeu naquela hora. — destacou Zoe.
— Ele deve reconhecer esse ato e parar de agir como se quisesse competir com você. — disse Damian.
— Acho que vai demorar pra isso acontecer. — disse Austin, olhando com desconfiança para Jessie e Mason em conversa.
Enquanto isso, Lokknon bebia energético em excesso, espalhando latas amassadas.
— Ah, mas essa bebida não pode ter sido inventada por um terráqueo, mas por um ser divino! — exclamou o imperador, buscando mais latas — Eu desejo mais, mais! Cadê? Eu preciso de mais meio litro!
— Mestre, o senhor tomou todas. — disse Aracna, lendo uma revista na grande almofada.
— Pois então recolha essas latas imediatamente, Aracna! O seu ócio me irrita!
— Já tô indo, mestrezinho! — disse ela que estremeceu com a ordem.
Mudok trazia uma nova remessa.
— A espera acabou, mestre. — jogou uma lata para Lokknon que pegou certeiro e abriu rapidamente, bebendo voraz — Os Rangers foram distraídos com os Psycho-Bots aprimorados com o Modo Trovão.
— Eu vi, não precisa me falar o óbvio! — respondeu Lokknon. — Seu trabalho é me servir mais energético para que eu mantenha minha mente ativa!
— Mestre, seu check-up não é animador! — alertou Barooma — Essa bebida o transformou num dependente de cafeína! Está alterando sua frequência cardíaca e pressão arterial!
— Está me sugerindo... parar, Barooma? — Lokknon perguntou, esmagando a lata.
— Não, não, mestre! Continue bebendo! — Barooma recuou — A propósito, está perto de vinte litros consumidos!
— O que Barooma quis dizer é que o efeito dessa bebida pode ser prejudicial ao seu coração, mestre. Por isso anda tão ansioso e estressado. — acrescentou Mudok.
— Mas minha mente está sendo beneficiada! Barooma, veja se há alguma indicação na Terra do que podemos criar para destruir os Power Pirralhos!
— Nada, mestre! Mas cidadãos da Alameda dos Anjos estão indo a uma liquidação de eletrônicos! — informou Barooma.
— Que tipo de produto? — questionou Mudok, olhando o visualizador.
— É um visor ou óculos tecnológico! — disse Barooma, dando zoom.
— Um óculos de realidade virtual. — disse Mudok. — Que patéticos.
— Aí está a fonte da minha ideia magnífica! — Lokknon exclamou. — Me crie um monstro que submeta os terráqueos à experiência forçada da realidade virtual para que suas mentes fiquem presas eternamente! Hahahahaha! Me dê mais latas, Mudok!
Barooma baixava as informações necessárias para transferir ao bio-modelador.
— Pronto, mestre! Transferência de dados concluída! — fora até a máquina, baixando a alavanca — Que venha com muita saúde!
O bio-modelador piscava suas luzes e exalava sua fumaça de vapor enquanto o monstro era forjado. A criatura saíra da cabine.
— Mestre Lokknon, se sua realidade orgânica estiver muito entediante, eu sou a solução!
— A única realidade que você irá alterar será a desses seres ignorantes do planeta Terra! Mas cuidado com os Power Rangers, se possível também os prenda no seu mundo virtual. — ordenou Lokknon enquanto tomava uma lata.
Araca veio trazendo uma lixeira metálica, logo começando a recolher as latas uma a uma.
— Aracna, não vai nomear a mais nova aberração de Barooma? — questionou Mudok.
— Ele é basicamente uma máquina, né? Você é o expert nisso, então nomeia ele, não me importo.
— Depois não se arrependa de permitir. Bem, vejamos, hum... O que acha de VR-Dynamo?
— Nada mal, vou até registrar na minha pele. — disse a criatura fazendo o nome surgir no seu peito letra por letra como se escrito a laser.
— Agora faça uma demonstração ao mestre do que é capaz. — pediu Mudok.
— Pra ser direito, eu materializo óculos de realidade virtual e os atiro nos meus alvos para que fiquem imersos no meu mundo.
— Realidade virtual? — disse Aracna, interessada na proposta. Voltou-se aos monstro com entusiasmo — Deixa eu te fazer um pedido. — fora até ele e cochichou algo no ouvido.
— Pra mim tá ótimo! — disse VR-Dynamo que materializou um óculos VR na cabeça de Lokknon que largou uma latinha pela metade ao ter sua mente mergulhada no mundo virtual.
Mudok indignou-se:
— Que insolência! Pedi para demonstrar ao mestre, não usá-lo de cobaia!
— Mas ela me pediu para prendê-lo num mundo onde ele reinasse com um palácio novinho. Além do mais, eu precisava de um teste.
— Aracna, sua infeliz, quando o mestre for liberto, direi que você sugeriu isso. — ameaçou Mudok.
— Mas pelo lado positivo, serviu pra acalma-lo!
— Eu vou me mandar pra Terra, ficar aqui nessa nave faz eu me sentir preso numa lata. — disse VR-Dynamo que teleportou-se.
— E por falar em lata... — disse Aracna indo até Mudok, logo cobrindo a cabeça do androide com a lixeira — Agora você limpa essa bagunça. Tchau, tchau. — saíra da sala com altivez.
Mudok retirou a lixeira com raiva, jogando no chão. Lokknon estava imóvel como uma pedra enquanto sua mente transitava pelo mundo simulado. O imperador esboçou um sorriso fechado e sereno, desfrutando do prazer como num sonho.
***
Ainda naquela tarde de sábado, Austin, de regata vermelha e listras brancas e bermuda jeans, pedalava calmamente em sua bicicleta pelo bairro. Acenou para um pai e seu filho que o reconheceram enquanto brincavam no limiar do parque ecológico.
Mas foi surpreendido por Mason, que o alcançou de bicicleta.
— Vejo que você é bem conhecido por essas bandas. — disse Mason.
— O quê? Mason?! Você me seguiu até aqui? — perguntou Austin, incomodado.
— Eu moro a umas duas quadras daqui. — respondeu Mason.
— Não somos parceiros, não enquanto você continuar com essa birra. — Austin retrucou.
— Tá, eu agi feito um idiota. Em qualquer equipe, alguém ficaria de fora.
— Então admite que você só implicou porque... sentiu inveja de mim? — Austin perguntou.
Mason desviou o olhar.
— É, foi. Mas já passou. Você que é o capitão e eu acabei de chegar, pegou mal pra mim.
Austin se satisfez com a resposta.
— Aí, legal a sua bike. Que óleo você usa pra lubrificar a corrente?
— Tenho uma fórmula secreta, você nunca vai saber.
— Ah, tá bom, entendi... Ainda estamos competindo.
— Mas que tal dessa vez competir saudável? Eu começo. — Mason acelerou, passando Austin.
— Ei, espera por mim! — Austin também acelerou. — Corrida de bikes? Fechado!
Ambos seguiram por uma curva ladeada por uma encosta íngreme e alta a direita e algumas casas a esquerda. Mas num dado instante, Austin entendeu até onde aquela rota terminaria.
— Mason, vai devagar!
— Ir devagar? Numa corrida? Só porque você quer! — disse Mason, pedalando sem as mãos.
— Cara, estamos indo pra uma área perigosa!
— Então vamos por um atalho. — Mason dobrou para uma floresta, aborrecendo Austin.
— Droga, que cara mais difícil. — reclamou o líder Ranger, seguindo-o.
Alguns metros depois, passaram da floresta chegando a uma área aberta de solo terroso e rochoso
— Esse som, tá ouvindo? Não devíamos vir por aqui.
— Numa corrida, quem partiu primeiro decide o caminho. — retrucou Mason.
— Em corridas se traça uma rota! Esse solo é ruim pra pedalar! Foi um erro!
— Você se preocupa demais, só tenta me acompanhar sem reclamar... — Mason perdeu o controle devido às pedras, indo em direção a um desfiladeiro. — Opa... Essa não!
— Mason! — Austin gritou, vendo-o à beira da queda.
Logo a bicicleta de Mason acabou tropeçando, levando a queda direto ao desfiladeiro
— Não! — Austin largou sua bicicleta e correu para a beirada. — Mason!
— Austin! — disse o Ranger Roxo segurando-se numa pedra e olhando para baixo — Me ajuda aqui, dá uma mãozinha!
— Ah, que bom, você ainda tá vivo. Já tô descendo...
— Não sabia que tinha cachoeira por aqui.
— Era desse som que eu falava. — disse Austin, descendo. Seu pé escorregou, mas ele se segurou. — OK, me dá sua mão, vou te puxar.
Mason o fez, mas, no momento em que seria puxado, a pedra de Austin quebrou, e ambos caíram desfiladeiro abaixo, seus gritos se misturando ao barulho da cachoeira.
Tudo escureceu num segundo. Austin abriu os olhos, com a visão embaçada.
— Austin, acorda. Tem uma coisa muito estranha rolando. — disse Mason.
— Minha cabeça... não dói. — Austin se levantou. — Onde estamos?
— Devíamos ter caído na água, mas voltamos à floresta, eu acho... — Mason olhou em volta. — Será que aqui é o pós-morte?
— Tá mais pra um purgatório, ainda mais ficando junto de você.
— Ah, qual é? Estávamos quase nos acertando.
— Não chegamos nem perto. Você não quis me escutar e olha o que aconteceu.
— Aconteceu o quê? Sobrevivemos a uma queda de dez metros?
— Não estamos mais na floresta. Aqui é parecido, mas... tem um clima diferente. E se tivermos atravessado algum portal?
— Vamos descobrir investigando. — disse Mason indo adiante, mas Austin o barrou com uma mão no peito.
— Dessa vez eu assumo a dianteira. — disse o líder, categórico.
— Tá bom, o chefinho que manda. — disse Mason, debochado.
Caminharam na mata densa com uma atmosfera sombria.
— Esse lugar tá me deixando assustado. Parece que algum bicho vai nos comer vivos. — disse Mason.
— Se isso acontecer, que você seja o primeiro.
— Tá chateado pelo acidente com meu emissor, né? OK, eu me desculpo por isso também. — Mason fez uma pausa. — Mas eu tava detonando geral com as ondas, isso não dá pra negar.
Austin virou-se, exalando incômodo.
— Tá vendo só qual o seu problema? Seu orgulho impede de assumir os erros.
— Agora vamos ter uma sessão de terapia com o Dr. Austin Jones.
— Quer saber? Cansei de fazer você entender. Procura você sozinho o caminho de volta pra Terra porque não vou te aturar até algum sinal aparecer.
Austin se afastou, deixando Mason com um gosto amargo.
— Tudo bem, melhor assim. Antes só que mal acompanhado. — retrucou Mason virando as costas.
Nuvens carregadas e escuras cobriram o céu, além de poderosos raios e relâmpagos amarelos serpentearem. Ambos olharam para cima.
— Ih, tá com uma carinha de que vai chover. — disse Mason.
Um raio caiu com estrondoso impacto diante deles, a fumaça escondendouma figura ameaçadora.
— Quem está aí? — perguntou Austin.
— Quem mais seria? Eu, o gato mais amado da TV, o incrível Nekovolt! — disse o felino robótico, revelando-se.
— Isso tá ficando cada vez mais estranho. — disse Austin. — Nekovolt foi derrotado há meses.
— Se esse bichano for tão forte quanto se acha, eu aceito o desafio. — disse Mason, sacando sua célula e morfador e olhando para Austin. — Não sozinho, claro.
— Pensei que não aceitaria dois contra um. — disse Austin se pondo a direita dele com sua célula e morfador, logo esticando os braços para encaixar os itens — Pronto? É hora de morfar!
— Morcego Púrpura!
— Leão Escarlate!
A dupla se posicionou combativa e logo avançou bravamente. Enquanto isso, os outros Rangers os aguardavam na Cantina do Earl. Jessie não parava de verificar o relógio.
— Onde que o Austin tá? Já era pra ter chegado.
— Vai ver teve uma diarreia. — especulou Tim — Eu tava achando aquele chili do colégio meio requentado, argh.
— Ou o pai dele o chamou para ajudar em algo na oficina. — conjecturou Damian.
Zoe voltava do balcão após fazer os pedidos.
— Liguei pro Flint, e ele disse que o Mason também tá fora de contato.
— O celular do Austin continua fora de área. — disse Jessie.
— E não podemos julgar coincidência Mason também estar incomunicável. — ressaltou Damian.
— Estranho do jeito que a gente já conhece. — disse Tim semicerrando os olhos.
— Se tiverem se metido numa encrenca, fico pensando se estão bem ou brigando que nem duas criancinhas. — disse Jessie, cansada.
Não muito distante dali, VR-Dynamo surgiu sobre um prédio, observando o vai e vem corriqueiro na praça.
— Quanta gente vivendo uma realidade entediante, sempre nesse vai e volta fazendo tudo igual todos os dias!
O monstro disparou raios, materializando óculos VR nas cabeças dos alvos aleatórios, consequentemente gerando pânico e alarde entre outras potenciais vítimas.
O alarme soou na Central de Comando, levando Dickerson a contatar os Rangers. Os comunicadores logo tocaram.
— Dois Rangers desaparecidos e um problema aparece. — disse Zoe.
— Lei de Murphy: não há nada ruim que não possa piorar. — disse Damian.
— Vamos pro corredor, depressa. — disse Jessie.
— Mas e nossos hambúrgueres? — indagou Tim — Eu não consigo lutar de estômago vazio.
— Você não se alimentou de vento em casa e no colégio. Anda, vem logo. — disse Damian.
No corredor, Jessie atendeu o chamado.
— Na escuta, Sr. Dickerson. O Austin não tá aqui, ele e o Mason sumiram.
— Está bem, vou contatá-los, apesar de termos perdido os sinais. Rangers, na praça central há um novo capanga de Lokknon submetendo pessoas a um transe com óculos de realidade virtual, estão paradas como estátuas, mentalmente presas em simulações.
— OK, estamos a caminho. — disse Jessie, desligando — O que quer que tenha acontecido com o Austin e o Mason, eles vão sair dessa. — sacou sua célula e morfador, assim como os outros. — Prontos? Hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
Earl vinha trazendo os hambúrgueres e encontrou a mesa vazia.
— Ué, cancelaram pedido de novo? Pelo menos deixaram a gorjeta. O que será que rola pra eles sumirem desse jeito hein? Ai, ai. — fosse lê pegando as notas de um dólar.
Os Rangers chegaram à praça, encontrando um bom número de cidadãos imóveis com os óculos maléficos.
— Gente, tô pasma com o poder desse monstro. — disse Jessie — Estão todos duros como pedras.
— E não respondem a nenhum estímulo. — completou Damian dando batidinhas nas costas de um homem.
— Isso é tão horrível. — comentou Zoe.
— Galera, pensem bem: são óculos VR que podem ser destruídos facilmente. — disse Tim, sacando sua pistola Z e mirando.
Porém, Damian o impediu segurando o braço direito dele.
— Ei, espera aí, não podemos agir em suposições!
— Isso mesmo, o Damian tá certo. — concordou Jessie. — Destruir os óculos pode não ter efeito pra salvar as pessoas enquanto o monstro ainda existir.
— Ih, faz sentido. Foi mal. — disse Tim, guardando a pistola. — Mas cadê o meliante?
— Me chamaram? — disse VR-Dynamo, surgindo por teletransporte. — Atendo por VR-Dynamo! O que acharam do meu museu hiperrealista?
— De muito mal gosto artístico! — rebateu Damian.
— Viemos fechá-lo permanentemente! — disse Zoe.
— É verdade que derrotando você é a chave pra libertar todos? — questionou Jessie.
— Sim! Só estejam cientes de que, se falharem, esses terráqueos ficarão parados aí, faça chuva ou sol, até que seus corpos definhem!
— Chega de conversa. Pessoal, ao ataque! — disse Jessie, sacando sua pistola Z.
Os Rangers dispararam lasers, mas os tiros atravessaram VR-Dynamo.
— Isto é apenas um holograma meu! Onde será que estou? — a projeção desapareceu.
O monstro reapareceu, chutando Damian nas costas.
— Será que aqui?
— Marreta Avalanche! — disse Damian, invocando sua arma e a batera no solo gerando uma onda de choque.
Porém, VR-Dynamo desapareceu novamente, ressurgindo diante de Zoe e chutando-a. A Ranger Rosa invocara seu ferrão de arraia e foi atacando em golpes da arma intercalados por chutes em pulos. VR-Dynamo defendia-se dos ataques, indiferente a dor.
— Aí vou eu! Garras Raptoras! — disse Jessie, saltando com as garras, executando um corte em X.
VR-Dynamo desapareceu, e o ataque acertou Zoe, que caiu.
— Ah não, Zoe! — Jessie correu para ajudá-la.
— Tá tudo bem, Jessie. — disse a Ranger Rosa, levantando. — Ele é resistente, mas tá trapaceando.
— Ouvir isso me ofende! — disse VR-Dynamo, reaparecendo. — Meu jogo é limpo e honesto! Tomem isso! — ele disparou raios, materializando óculos VR nas duas.
— Não! — disse Zoe, tentando arrancar os óculos.
— Grr, parece que grudou! — disse Jessie, também sem sucesso. — Nada que fizerem as livrarão da realidade virtual do meu mundo!
Damian voltou-se a Tim.
— Temos que agir rápido.
— Beleza, vamos detonar! — disse Tim, mirando nos óculos.
— Tarde demais! — disse VR-Dynamo, estalando os dedos.
Jessie e Zoe foram submetidas ao mundo virtual, ficando imóveis.
— Agora a vez de vocês! Primeiro o pirralho de preto! — lançou um raio azulado em Damian, mas Tim se jogou na frente, ganhando um óculos VR e caindo.
— Tim, Jessie, Zoe... Vou derrotá-lo por justiça a vocês!
— Você me derrotar? Eu não estou aqui fisicamente, a minha versão original está dentro do simulacro! — revelou VR-Dynamo. — Só é possível me fazer voltar a essa realidade no meu corpo físico se destruir um óculos em particular!
— E alguma indicação de qual seja esse óculos?
— Hahah, mas que tolo você é? Acha que sou idiota?
— Imaginei que dissesse isso! Mas não preciso adivinhar, apenas liquidar com você! — disse Damian, cuja marca da fera lendária brilhou. — Minha marca da fera... A fera sagrada de que sou guardião quer se libertar.
Dickerson fizera contato.
— Damian, o totem sinaliza a cinco quilômetros de você, vá depressa. Chamarei Owen e Flint para cuidar de VR-Dynamo.
— OK, já tô indo. Mas nada do Austin e do Mason ainda?
— Estamos fazendo tudo o que podemos. Vá atrás do que é seu, ela está te esperando.
O Ranger Preto saltou superveloz entre os prédios.
— Isso aí, foge! É o que os fracotes fazem! — disse VR-Dynamo, achando-se vitorioso.
Damian pousou na floresta perto das cachoeiras, vendo o ponto brilhante próximo às bicicletas de Austin e Mason.
— Essas bicicletas... são do Austin e do Mason. O que deve ter ocorrido pra sumirem? Enfim, a resposta virá cedo ou tarde. Agora vou soltar minha fera lendária: Pantera Basteh, seu guardião a convoca!
O totem emergiu do ponto brilhante, tomando a forma da Pantera Basteh que rugiu ferozmente.
— Beleza, minha fera lendária parece ser bem forte! — disse Damian, saltando sobre a Pantera Basteh e montando nela. — Naquela direção, vamos lá!
A fera rugiu e disparou pela floresta em direção à zona urbana, onde VR-Dynamo atuava.
Em um estacionamento, Flint aguardava Owen no meio de duas vans.
— Até que enfim! Achei que tivesse sumido também. — disse Flint.
— Ué, mas quem sumiu? — Owen perguntou.
— Austin e Mason desapareceram. Sr. Dickerson quer que a gente ajude o Damian contra um monstro maluco que bota óculos de realidade virtual nas pessoas. — explicou o Ranger Marrom.
— Caramba, esse aí não deve ser moleza. — owen ficou ao lado dele. — Deu sorte de me ligar quando já tinha terminado o treino no dojo. Tá pronto?
— Você ainda pergunta?
— Hora de morfar! — bradou Owen.
— Urso Pardo!
— Gorila Esmeralda!
Nekovolt realizava truques de autoclonagem para brincar com a percepção d adipla que os destruía com as pistolas Z
— O tempo tá acabando! — pressionava Nekovolt.
— Esse gato tá me deixando mais nervoso! — disse Mason, impaciente. — Vou usar meu emissor ultrassônico e acabar com essa palhaçada!
— Se atirar como atirava naquela hora, posso acabar sendo atingido! — Austin alertou.
— É seu jeito fofinho de dizer que sua pontaria é melhor que a minha? Eu cansei dessa brincadeira!
Mason invocou o emissor, dizimando vários clones de uma única vez, não tardando a atingir o verdadeiro Nekovolt que foi lançado a uma árvore.
— Peguei você, gato safado! — Mason exclamou.
— Chega de brincar, agora é voltagem máxima! — disse o gato-androide, levantando.
Um clone atrás de Mason disparou um raio.
— Mason, cuidado! — Austin saltou, recebendo o raio no peito e caindo com faíscas.
— Austin! Então você aí era... — Mason virou para o clone, que desapareceu.
Ele se voltou para o verdadeiro Nekovolt.
— Me pegou direitinho.
— Haha, enganei o bobo! Não tenho um pingo de medo dessa sua arma fru-fru!
— Pois devia ter! — Mason disparou mais ondas, torturando Nekovolt.
— Grrr, faz isso parar, não consigo carregar minha eletricidade!
— Sim, vou parar... Parar de atirar no grau médio! Toma mais! — Mason aumentou a intensidade. — Austin, tá tudo bem aí?
— Eu tô legal, só com umas pontadas. — disse Austin, reerguendo-se.
— Então me dá uma mãozinha aqui!
— Não era você quem ia derrotá-lo sozinho?
— Tá bem... Por favor, me ajuda aqui. Sozinho eu não me sinto um Power Ranger vencedor. Anda logo, meu emissor... tá ficando pesado e esquentando!
— OK, a parceria finalmente começou! Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgira — Modo Fúria Animal, ativar! — correu até ele — Já sei: vou combinar meus ciclones flamejantes com as vibrações, se prepara! — as patas leoninas giraram soltando fogo, e os espirais flamejantes cruzaram com as ondas, causando estragos severos em Nekovolt.
A dupla posou vitoriosa, Nekovolt caindo e explodindo fragorosamente.
— Yeah, somos os maiores! — disse Mason, batendo a mão na de Austin.
— O emissor naquele nível ajudou a aumentar a força do meu ciclone. — Austin comentou.
— Peraí... Você tá dando a maior parte do crédito... pra mim? Aquele raio fritou o seu ego?
— Aí, não começa com as piadinhas. Mas sim, o crédito maior é seu, o que fiz foi só um impulso.
— Nossa, eu... Tô até envergonhado pela forma que te tratei antes. Me... me desculpa?
— Que tipo de líder eu seria se não perdoasse um parceiro que admite um erro? Juramento do mindinho pra nunca mais brigarmos.
— Isso é coisa de criança. — Mason virou o rosto. — Tá bom, o líder quem manda. Juro nunca mais questionar sua liderança. — juntou seu mindinho ao de Austin.
— Você é mesmo digno desse posto. O Sr. Dickerson acertou em cheio.
— E aqui estou eu atentamente observando esse lindo momento de reconciliação. — disse a voz de Dickerson ecoando.
— Essa é a... a voz do Sr. Dickerson?! — disse Austin, estupefato.
— Peraí, Austin, tô começando a entender o que rolou de verdade. — Mason percebeu.
A sala do simulador da Central de Comando surgiu.
— Simulação encerrada. — disse a voz eletrônica feminina.
Dickerson e Karen entraram com sorrisos satisfeitos. Austin e Mason tiraram os capacetes.
— Então tudo isso não passou de um teste? — disse Mason — Só pra que eu e o Austin ficássemos numa boa?
— E pelo visto o objetivo foi alcançado. — disse Dickerson.
— Na verdade, era para testarmos você, em especial, Mason. — revelou Karen.
— Sim, eu pisei na bola. Prometo me comportar e respeitar as decisões do líder. Tenho problemas pra seguir ordens. O Flint também, só que ele foi com a cara do Austin.
— Quer dizer que você não gostou de mim logo de cara? Tô meio magoado.
— Não brinca. — Mason desconfiou.
Ambos saíram da sala caminhando juntos.
— OK, tô brincando. Ninguém é perfeito. — disse Austin. — Todos nós temos algo a melhorar. No meu caso, é ser um líder mais cooperativo. Só me sinto completo lutando ao lado dos meus amigos.
— Essas são as palavras que um líder eficiente diria.
— Ah, agora vai encher a minha bola, né?
— Não tô enchendo nada, foi um elogio.
— Que fez bem pro meu ego que você tanto criticava.
— Eu não tô nem aí pro seu ego. É sério, não vou implicar mais.
— Isso só o tempo vai dizer.
Dickerson e Karen se entreolharam.
— Isso requer outro teste de trabalho em dupla?
— Não. — disse o mentor olhando-os seguro — Acredito que eles encontraram o ponto de equilíbrio ideal.
Owen e Flint iam pelos ares por uma explosão causada por VR-Dynamo.
— Mas que imprestáveis! Vou colocá-los pra dentro do meu mundo virtual!
— Nem que você me prometa ser um milionário! — disse Flint, levantando. — Mangual Rompante!
VR-Dynamo disparou mais raios, os quais foram rebatidos pelo Ranger Marrom com a bola metálica espinhosa balançando, os ataques atingindo pelos lados com faíscas explodindo. Flint lançou a esfera no rosto do monstro, acertando o óculos VR próprio dele.
— Aaah! Meus óculos virtuais, não!
Os cidadãos e os outros Rangers foram libertos dos óculos, que desapareceram.
— Estamos livres! — disse Jessie.
— Sai da frente que eu tô passando! — disse Damian, montando na Pantera Basteh.
— Opa! — disse Owen, abrindo caminho junto a Flint. — Aí sim, Damian, vai que é tua! Minha vez tá chegando! — olhou para o antebraço onde estava sua marca.
— Damian! — disseram Jessie, Tim e Zoe em uníssono.
— E aí, pessoal! Mas como Flint e o Owen adivinharam o óculos certo?
— Adivinhar? Não, eu só ataquei com meu mangual direto nas fuças dele!
— Foi isso, o óculos certo era o dele mesmo! Ah se eu tivesse deduzido antes...
A Pantera Basteh parou bruscamente frente a VR-Dynamo e rugiu tremendamente.
— O Ranger Preto voltou com um gato de estimação! Uma pena que não posso mais enviar ninguém pro meu mundo!
— E me alegro muito! Hora de você receber o troco merecido! Pantera Basteh, tempestade de terra!
A fera emanou uma aura poderosa com várias pedras junto a poeira terrosa manifestando, atiradas em espiral contra VR-Dynamo que fora lançado contra um carro, caindo de frente coberto de terra e lama.
— Mas que sujeira é essa? Meu corpinho limpo já era! Você me paga, você e seu gato irritante!
Damian saltou da fera que logo desapareceu.
— Alabarda Basteh! — invocara a arma individual relativa ao poder da fera — Onda Rochosa!
Batera a lâmina curva no solo fortemente, em seguida uma série de rochas robustas surgiram flutuantes em meio a Damian e lançaram-se contra VR-Dynamo, fechando-o numa dura casca de pedra. O Ranger Preto lançou um corte bruto diagonal com a alabarda no amontoado de pedras que logo foi rachando-se em partes com fachos de luz amarela.
Damian virou de costas em pose vitoriosa, VR-Dynamo logo explodindo fatalmente em terra e poeira.
O óculos VR em Lokknon acabou desaparecendo de imediato, o imperador despertando sobressaltado.
— Mas... Mas estou de volta a minha nave... Meu palácio, onde está?
— Mestre, felizmente VR-Dynamo foi derrotado, isso garantiu que o senhor acordasse desse sonho virtual. — disse Mudok.
— Ele fez com que... eu desfrutasse da doce ilusão de uma vitória sobre a Terra e agora ele foi destruído pelos Rangers. — lamentava Lokknon cujo tom alterava com drama na voz embargada.
— Não deseja que ele cresça para uma revanche? — sugeriu Barooma.
— O que ele fará contra os Power Pirralhos? Certamente o derrotarão outra vez e não terei mais um desses óculos especiais.
— Prefere tomar mais desse energético, mestre? — perguntou Theron oferecendo uma lata.
Lokknon a pegou, contudo amassou-a com raiva, o líquido esguichando fora, e a jogou no chão.
— Não preciso dessa bebida estimulante que me tornou um viciado, mas sim da minha aspirina!
— Trarei imediatamente. Com licença. — disse Theron que fora saindo da sala.
— Ei, essa tarefa era minha. — protestou Mudok. Aracna colou ao ombro dele.
— Não é mais, generalzinho. E veja pelo lado bom, o mestre se curou do vício em energético graças a minha ideia. Ponto pra mim.
Lokknon debulhava-se em choro tocando na cabeça latejando por baixo do capacete.
— Antes viver uma doce mentira do que uma verdade amarga. Ai, que dor de cabeça, ai...
Austin e Mason retornavam em teleporte na praça onde os heróis ainda estavam. A turma correra até eles.
— Vejam aí, o retorno dos sumidos! — disse Tim.
— Já estávamos quase espalhando cartazes pelas ruas. — disse Jessie.
— Por onde estiveram? — indagou Zoe.
— Eu tava dando uma volta de bike antes de ir até o Earl encontrar vocês, mas aí o Mason apareceu também pedalando e... — disse Austin deixando o parceiro completar o relato.
— Apostamos uma corrida, caímos num penhasco e de repente... fomos parar no nosso simulador de batalha.
— O Sr. Dickerson planejou um teste pra melhorar nossa dinâmica em dupla. — disse Austin — Podem ficar tranquilos, Mason e eu nos acertamos definitivamente.
— E como foi esse teste? — perguntou Owen.
— Encaramos o Nekovolt numa luta meio difícil. — falou Austin.
— Aí, da próxima vez vê se deixa o celular ligado pra me avisar quando você sai. — pediu Flint a Mason — Tava na maior aflição te ligando e depois fico sabendo que você desapareceu.
— Deixei carregando, não precisa fazer drama. Tô de volta, amigão, e melhor do que antes.
— Ah, odeio quando dá uma resposta que acaba com a minha bronca.
A fala gerou risos entre os heróis.
— Caíram no penhasco perto da cachoeira, né? Vi as bicicletas de vocês por lá. — disse Damian.
— Você foi ate lá nos procurar? — perguntou Austin.
— Não, acontece que o Damian despertou a fera lendária dele e era lá onde ficava o ponto certo. — disse Zoe.
— Haha, legal, tô feliz por você, Damian. Falta só você, Owen. Tomara que aconteça logo.
— Mal posso esperar. — disse Owen esfregando as mãos na expectativa.
Jessie ficará entre Austin e Mason os tocando nos ombros.
— Os dois rivais aprenderam a conviver bem nesse teste?
— Eu pude ver que o Mason sabe manejar bem a arma dele. Eu só quis me impor com medo de que ele ferisse alguém só pra me... ahn, como é que se diz mesmo?
— Se autoafirmar? — disse Damian.
— Isso aí. Eu também errei duvidando da sua capacidade.
— Eu vi que o Austin é o líder que a equipe merece. Ele... salvou a minha vida duas vezes.
— Então não vão precisar usar a camisa da amizade. — disse Jessie — Que pena, ia tirar uma foto e postar nas redes.
— Cumprir essa missão deu uma baita fome. — disse Owen — Comemoração no Earl?
— Fechado. — disse Jessie.
— Uhuuu! Bora tirar a barriga da miséria. — falou Flint.
— Epa, eu não salvei sua vida duas vezes, Mason, foram três. — contrapôs Austin — Conta eu ter te segurado no penhasco.
— Mas eu iria cair no simulador sozinho, então não conta. — disse Mason que foi andando lado a lado ao líder.
— É claro que conta. Não sabíamos que a queda nos levaria pro simulador.
— Não conta, não.
— Conta sim!
— Para de teimar, não conta.
— Te salvei três vezes, aceita esse fato.
— Foram duas.
— Foram três.
— Foram duas!
— Foram três!
Jessie se aproximou de Flint observando a dupla de rivais.
— É, nem quando esses dois se ajudam se entendem.
— Relaxa, amizade boa é assim. Se distraem que nem cão e gato por fora, mas se amam por dentro.
Os Rangers foram caminhando.
— Ah, não sei se ainda quero comer os hambúrgueres. — disse Tim.
— Ué, você tava faminto por eles. O que foi? — queria saber Zoe.
— A experiência virtual com os óculos daquele monstro me deixou meio deprê.
— Mas por que? Eu sentia que tinha uma vida perfeita, a vida que eu sempre quis. — disse Jessie — Mas não trocaria a realidade difícil por uma outra de mentira que parece mais um sonho de fantasia.
— Eu também vivi algo perfeito. — contou Tim — Só que fui libertado antes da melhor parte.
— E que parte é essa? — indagou Zoe.
— A parte em que quase beijei a Cindy. — revelou o Ranger Azul, entristecido.
— Oh, tadinho dele. — disseram Jessie e Zoe em tom brincalhão o abraçando de lado.
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