Power High
7 Capitulo 7
Notas iniciais
/Área verde, 16:00, sábado./
A seguinte questão que se instaurava na cabeça de Connor era, por que estava correndo e fazendo um percurso imbecil? Achava que Tom o ensinaria maneiras melhores de usar os poderes.
— Para de fazer corpo mole e corre! – Gritou tom. – Você não tá nem tentando
— Qual a utilidade disso? — Perguntou o britânico sem parar sua corrida.
— Vamos trabalhar seu cardíaco e seu controle de respiração. – Explicou o moreno. – Quanto mais controlada for, mais simples é o controle do poder.
— Não vejo muito sentido. – Respondeu ofegante.
— Lembra que eu falei sem reclamar? – Tom se aproximou do amigo correndo ao seu lado.
— Lembro, mas eu preciso de artes marciais e técnicas de poder.
— Precisa de cárdio, paciência. – Tom fez uma pausa dramática. – E um super traje desenvolvido por mim.
— Traje... – Connor tropeçou nos pneus proferindo alguns palavrões durante a queda. – Por que eu preciso de um traje?
— Geral tem um traje então você precisa de um, de preferência um que não queime quando você usar seu poder. – Ajudou o pupilo a levantar. – Então amanhã, você vai até o laboratório de bio engenharia.
— Só não me faz usar uma capa que nem essa. – Connor apontou para a capa que Tom usava junto com seu traje inteiramente preto com botas, luvas, cinto e capa vermelha todos em uma espécie de couro flexível a com alta resistência a impactos e atritos.
— Essa capa tem mais utilidade do que imagina. – O loiro riu alto. – Qual a graça?
— Qual a utilidade dela? – Perguntou. – Pera eu já sei, cair no seu olho para facilitar a vida dos vilões.
— Vou te mostrar só pra parar de ser otário. – Tom levantou e jogou a capa para cima, parecia que a mesma tinha vida ao cobrir todo o corpo do rapaz em uma espécie de casulo que brilhou vermelho forte disparando vários lasers pelos buracos que Connor jurou serem rasgos de traça.
— Cuidado! – Gritou o loiro se abaixando para não ser atingido por alguns lasers. – Podia ter me acertado. – Tom desfez o casulo rindo.
— Entendeu agora? – Tom se aproximou colocando os óculos escuros. –Todo super traje tem uma utilidade, e o seu que vamos projetar amanhã, vai nos ajudar com uma coisa que passou pela minha cabeça.
— Okay... – Connor estava curioso sobre como ele fez aquilo com uma capa. – Como sua capa consegue fazer isso?
— Tecido inteligente. – Tom segurou a capa para o amigo vê-la. – É feita de Flex steel, é uma linha de aço muito poderosa.
— E como ela fica inteligente?
— Nanites, micro robôs que são invisíveis a olho nu. – Respondeu como se fosse óbvio.
— Claro, como não imaginei isso. – O britânico falou sarcástico.
— Claro. – Bufou o moreno. – Agora volta pro percurso!
/Dormitório masculino, 16:40, sábado/
Ivon havia acordado muito tarde, então sua tigela de cereal matinal seria consumida naquele momento. Não fazia ideia porque gostava tanto daquilo, mas achava maravilhoso, se pudesse substituiria várias refeições por ele. Após preparar seu cereal se sentou na cama ainda com o pijama que era basicamente apenas uma bermuda branca, ligou a pequena televisão de vinte e nove polegadas e começou a assistir Voltron. Estava tão envolvido que não ouviu a porta ser batida pela primeira e segunda vez, levantando-se para abrir na terceira.
— Boa tarde... – O russo se assustou com a presença a sua frente. – Tá fazendo o que no dormitório masculino?
— Primeiro você se veste depois a gente sai. –Elena riu fechando a porta. – E não demora.
— Claro... – Respondeu confuso indo até a arara de roupas pegando um jeans claro, uma camiseta branca lisa, sua típica jaqueta verde oliva e suas botas marrom escuro. Abriu a porta novamente dando de cara com a ruiva. – Pronto. Qual a ocasião especial?
— Você vai ver, anda!
/Salão de festas, 17:10, sábado./
— O que tem de tão importante que eu preciso sair do quarto no sábado? – Ivon perguntou entrando pela porta logo depois de Elena.
— Surpresa! – Um enorme grito em uníssono assustou o russo.
— Mas que... – Ivon conteve o palavrão. – Pra que tudo isso?
— O pessoal queria te dar os parabéns pelo estágio na Allianz em Berlim. – A ruiva sorriu.
— Não precisava de tudo isso, era só...
— Soldado Zolotoy! – Ivon reconheceu a voz que o interrompera e automaticamente ficou em posição de sentido. – A vontade soldado. – Disse o Senhor alto de cabelos brancos e olhos castanhos cansados, mas mesmo assim não perdia sua postura superior.
— Você também veio... – O rapaz estava desconfortável com a presença do pai. – Como foi o vôo general?
— Turbulento, mas valeu a pena para vir ver o meu melhor aprendiz e celebrar com ele. – Sorriu o general. – Mas lembre-se que ainda teremos o treinamento no verão.
— Sim senhor. – O Moreno respondeu desanimado.
— Aproveite a festa. – Seu pai sorriu para ele e Elena.
O rapaz não poderia deixar de admitir a surpresa ao ver o pai ali. Estava feliz, mas ao mesmo tempo desconfortável. Amava seu pai, mas a dúvida constante sempre fora se realmente era um relacionamento de pai e filho ou de general e soldado.
/17 anos atrás, Moscou, 14:20./
Em um dia chuvoso com os pés em uma caixa de lama que chegava até suas coxas estava IvonZolotoy Lev de quatro anos levantando as pernas até bater as mãos nos joelhos, apenas com um casaco e uma calça de moletom.
— Você quer ser o melhor? – O pai perguntou alto.
— Sim senhor! – Ivon respondia continuando o exercício.
— Você quer ser um oficial algum dia?
— Sim senhor!
— Qual é o segredo para isso?
— Treinar, senhor! – O garoto se demonstrava cansado, mas não parava o exercício.
— Você vai desistir?
— Não senhor!
/No mesmo dia, 22:00./
Ivon fazia o pequeno percurso no quintal, não conseguia dormir, estava agitado.
— Seu treinamento já acabou por hoje não é? – Seu pai apareceu na porta. – Suba pro quarto para dormir.
— Não estou com sono. – Respondeu continuando o treinamento.
— Todo soldado precisa dormir. – O pai se aproximou.
— Não tô com sono. – O rapaz parou para olhar o pai. – Não consigo dormir.
— Por que? – O mais velho se ajoelhou na frente do garoto.
— Bom... – Ivon tocou o pedaço de madeira do poste de escalada e o absorveu apenas na mão. – Eu sou especial.
— Ivon... – O pai pegou a mão de madeira. – Isso é fantástico.
— Não tá com medo? – Perguntou inocente.
— Não. – Sorriu. – Jamais teria medo de você. Como você disse, você é especial.
/11 Anos depois, Moscou, 13:50./
Agora com quinze anos Ivon treinava todo verão com seu pai. Desde os seus seis anos estava em Power High então em todas as férias voltava para casa treinar.
Estava dentro da piscina treinando precisão e força debaixo d’água.
— Sobe! – Ordenou o pai e o rapaz emergiu. – Pega. – Um galão de água de vinte litros foi jogado cheio para o rapaz que pegou com facilidade.
— Sim senhor. – Ivon respondeu ofegante abrindo o galão começando a despejar a água na cabeça.
— Indisciplina vai ser tolerada aqui?!
— Não senhor!
— Corpo mole?!
— Não senhor! – Ivon tinha dificuldade para falar com a água constante que escorria do topo da cabeça até o rosto.
— Os fracos não têm vez certo?
— Certo senhor!
— Você é fraco?
— Não senhor!
— Vai desistir?
— Eu não vou desistir! – Ivon gritou jogando o galão vazio contra a água e saindo da piscina.
— Não vai desistir o que? – Perguntou o pai afrontando o rapaz.
— Não vou desistir, senhor. – Ivon rangeu os dentes antes de sair do local.
/Presente, salão de festas, 18:00, sábado./
— Ivon! – Elena despertou o moreno de seu transe. – Tudo bem?
— Tudo... eu só... – Respirou fundo. – Vamos aproveitar isso aqui.
Elena sorriu com a resposta do amigo, estavam prontos para curtir um sábado juntos. Sabiam que algum dia o grupo iria começar a se desfazer então deveriam aproveitar o máximo. Sohye, Tom, Manuella e Elena; em breve essa seria a formação do grupo, afinal, Ivon iria se formar em dezembro.
/Terraço dormitório masculino, 18:36./
Kyle e Connor estavam sentados no parapeito compartilhando ideias mirabolantes. Connor não fazia ideia que por baixo daquela marra de bad boy o amigo era um gênio, diferente dele que só sabia torrar as coisas.
— Imagina só... – Kyle gesticulou com as mãos. – A câmara curativa até agora, só cola ossos e cura machucados, o que a de errado em usar uma tecnologia mais avançada pra sei lá, talvez curar o câncer.
— Seria uma atitude inteligente eu acho. – Connor deu de ombros. – Não sabia que você era um potencial nerd.
— Só entendo das coisas, tipo meu traje. – O norueguês sumiu correndo e voltou logo em seguida com uma roupa inteiramente preta que consistia em uma bermuda, um calçado que parecia muito reforçado, por baixo da bermuda uma calça térmica e uma blusa de manga longa colada ao corpo com um gorro e os típicos óculos de proteção que pareciam óculos de aviador. – Ele suporta o atrito sem aquecer ou encolher, nunca vai estourar enquanto corro, feito de material de roupa de astronauta e... – O celular do moreno começou a tocar o interrompendo. – Pera aí.
— Claro. – Connor observou Kyle falar ao celular e percebeu que falava com Kiara, o moreno já havia contado da irmã para Connor, igual o mesmo já havia contado de sua família. O loiro saiu do parapeito e caminhou até o amigo. – Kiara, seu irmão é um nerd! – Gritou rindo da própria piada.
— Sai daqui! – Ordenou Kyle empurrando o amigo. – Não liga pra ele.
— Liga sim! – Connor gritou novamente.
— Ki eu vou desligar, esse otário não vai parar de me incomodar. – Kyle ficou apreensivo. – Okay, até mais, te amodeio. – Foi o bastante para Connor cair na gargalhada. – Que foi?
— Te amodeio? – O britânico riu. – Você é mulher e eu não sabia?
— Vai me dizer que é macho demais pra amar alguém? – Perguntou deixando o loiro sem palavras. – Foi o que pensei.
— Você só tem ela? – Perguntou se sentando novamente no parapeito.
— Sim, tenho minha tia Nora, mas ela não conta.
— Sei bem como é. – Connor ficou cabisbaixo. – Sabe ter só uma pessoa esperando por você...
— É foda. – Kyle suspirou. – Aliás como ela tá?
— Tá indo bem... – Connor tentou recobrar a consciência do que ouvira ao telefone pela manhã. – Passou por uma quimioterapia e mais alguns processos, logo ela vai estar melhor.
— Pelo que você conta sobre ela, ela é uma santa. –Kyle riu. –Espero conhecer ela um dia.
— Só se eu conhecer a Kiara. – Rebateu Connor.
— Fechado. – Os amigos apertaram as mãos e voltaram os olhos para a área verde. – Ei, olha ali!
— Aonde? – Kyle pegou a cabeça de Connor e apontou para uma figura que flutuava no ar. – O que tem?
— Não é a sua garota?
— Eu não tenho garota. – Pigarreou Connor. – E pode ser qualquer um tentando voar.
— Daquele jeito horrível? Acho que não. – Brincou o moreno.
— Ela vai melhorar. – Connor acendeu os punhos. – Mas vou conferir se é realmente ela.
— Vai que é sua foguinho. – O norueguês riu ao receber um dedo do meio como resposta.
— A gente se vê. – O rapaz levantou vôo e seguiu para aonde o amigo havia apontado.
/Área verde, 18:50, sábado./
Luna tentava incessantemente se manter no ar por mais de oito segundos, mas o ar ainda era instável.
— Já tentou fazer do jeito que te falei? – Luna reconheceu o leve sotaque britânico na voz.
— Já, você é um péssimo professor. – Brincou.
— Ou você é uma péssima aluna. – Rebateu rindo. – Reflita.
— Claro que vou. – Revirou os olhos. – Eu só não entendo porque não está dando certo. Era pra eu estar conseguindo.
— Nem todos são bons como eu. – O britânico jogou os cabelos para trás se exibindo.
— Com combustão é mais fácil se manter no ar. – Luna sentou no gramado.
— Ah não. – Connor pigarreou. – Sem essa de desistir. Anda, levanta!
— Você não manda em mim. – Respondeu arisca.
— Anda logo! – Connor segurou a morena pelo punho e levantou vôo fazendo a mesma se debater no ar.
— Me coloca no chão! – Luna se agarrou ao braço do loiro.
— Vamos bem alto antes. – Connor gritou subindo até o colégio ficar pequeno. – Agora é o seguinte. Se acalma e eu vou te soltar.
— Tá maluco? Eu posso morrer! – Gritou em desaprovação.
— Três...
— Não se atreva!
— Dois...
— Connor por favor...
— Um. – Connor se desvencilhou das mãos de Luna deixando-a cair voando ao lado de seu corpo em queda. – Põe toda velocidade de ar que conseguir.
— Eu não consigo me concentrar...
— Só sente! – Luna respirou fundo com vontade de socar o professor, mas apenas soltou com suas mãos e pés a maior rajada de ar que conseguia para começar a ficar no ar com sucesso.
— Eu odeio você!
— De nada. – Gritou o rapaz. – Agora me segue até o terraço do prédio principal.
Os colegas voaram tranquilamente, pairando pelo início do ar noturno gelado, Connor fazia giros horizontais que enfeitavam seu vôo e o céu com pequenos redemoinhos alaranjados, já Luna se mantinha focada em não se esborrachar. Ao se aproximarem do prédio o piromante subiu com facilidade e estendeu a mão para a dominadora do ar que a segurou e foi puxada para o piso.
— Pra alguém que não sabia voar você foi muito bem e... – Um tapa no rosto interrompeu o loiro que ficou em choque. – Ai. – Reclamou sem alarde.
— Se fizer isso de novo eu mato você. – Reclamou. – Mas obrigada... pelo incentivo.
— De nada. – Connor acariciava o rosto. – Podemos fazer isso de novo.
— Deixa pra quinta-feira. – Sugeriu rindo. – Sabia que pra quem tem uma pinta de bad boy anarquista, você é bem bonzinho. – Luna apertou a bochecha do britânico rindo.
— É... bonzinho. – O rapaz revirou os olhos. – Não sou bad boy, é um termo muito porcaria.
— Então o que você é?
— Eu sou o Connor, só Connor. – Respondeu sorrindo.
— Você não me engana. – Falou sentando-se recostada no parapeito. – Qual sua história?
— Minha história? – Perguntou confuso.
— Exato. – Luna sorriu dando um tapinha no chão ao seu lado. – Tenho a noite toda.
— Você só precisa saber de uma coisa. – Respondeu sentando-se. – Mas eu também tenho a noite toda.
/Salão de festas, 19:10./
Os amigos e o general Zolotoy se preparavam para sair do salão. Haviam se divertido muito comemorando o estágio de Ivon com jogos, comida e desenhos que era uma das coisas que o rapaz mais gostava.
— Devíamos fazer uma dessa por mês. – Sugeriu Manuella ajeitando as cadeiras empilhas na parede.
— Concordo com ela. – Tom e Sohye falaram ao mesmo tempo e se entreolharam. – Me deve um refri. – Novamente juntos.
— Okay antes que se devam mil refrigerantes, me ajudem aqui. – Ivon pediu arrastando uma das mesas, mas conteve seus movimentos após sentir uma presença na sala.
— Aconteceu alguma coisa? – Elena perguntou ao lado do amigo.
— Não estamos sós. – O russo respondeu. – Cuidado! – Empurrou Elena para o lado aonde uma fumaça negra surgiu pegando-o e sumindo com um teletransporte.
/Local desconhecido, 19:25/
Ivon olhou em volta, estava tudo escuro, nem uma ameaça de luz a não ser pela luz da lua que entrava pela janela.
— O que você quer comigo? – Perguntou olhando em volta.
— Algumas informações. – ouviu o sussurro vindo da escuridão.
— Pode vir tirar! – Ivon absorveu o piso de cimento, fechando os olhos e se posicionando para o combate. – Tá na hora do pau.
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