Power High
1 Capítulo 1
Notas iniciais
/Sala de detenção 10:45/
Connor estava sentado enquanto esperava a chegada da diretora. O rapaz não queria estar ali, o desinteresse era evidente em sua face, mas agora não tinha volta. A porta ao lado direito da sala inteiramente branca se abre revelando a mulher alta e elegante vestida também de branco dos pés a cabeça. O vestido curto, porém comportado junto com o blazer e o sapato de salto agulha a deixavam ainda mais altiva.
— Sabe por que está aqui? – O rapaz ergue os olhos e não pronuncia uma única palavra. – Lhe fiz uma pergunta!
— Não tive escolha não é?! – Os insultos e ironia eram parte de sua personalidade juvenil aviltada. – Só me deixa ir embora que eu não causo mais problemas.
— Creio que não será possível senhor Rivers. – Uma pasta com vários papéis fora deixada a frente do rapaz pela madame. – Você agora é responsabilidade do colégio.
— Senhor Rivers era o meu pai. – Reclama avaliando os papéis da pasta. – Vou ter que estudar aqui?
— Que bom que sabe ler. Agora levante-se e me acompanhe por gentileza.
A contra gosto Connor se levanta e a segue. Passam por vários corredores dos quais nenhuma de suas perguntas é respondida pela mesma, chega até a pensar que o super poder dela é ser muda, mas dispensa a piada assim que ambos param em frente a dois alunos. O rapaz é menor que Connor e tem cabelos castanhos escuros, está usando um uniforme do colégio, um tênis all star cinza claro e óculos escuros. A garota asiática de cabelos castanho tem um olhar intimidador a primeira vista, mas o uniforme feminino a deixa com cara de uma integrante de um grupo sul coreano.
— Esses são Thomas e Sohye. – Explica a diretora. – Serão seus guias pelo campus hoje. Seja bem vindo senhor Rivers, caso precise de mim é só ir até minha sala.
Os três ficam parados olhando para a diretora caminhar pelo corredor até sumir em uma curva.
— Bem vindo a Power High. – Thomas estende a mão para Connor. – Thomas Stamford!
— Connor. — Responde sem muita empolgação. – Já que vocês vão ser minhas babás, vamos acabar logo com isso.
— Você não faz ideia do quanto a gente adora servir de babá! – Sohye se pronuncia com sarcasmo carregado em sua voz. – Essa escola não tem lugar para engraçadinhos que se acham bad boy, então vou te dar uma sugestão. Mude essa postura de babaca antes que eu chute ela de você. – Connor fica estático observando a ameaça que acabou de receber.
— Vamos começar pela área da piscina? – Aparentemente tenso Thomas tenta manter o controle da situação.
Caminhando pelos corredores Thomas explica várias funcionalidades do colégio, os horários de aulas e as extra curriculares. Quando vê que Connor não parece se interessar muito permanece em silêncio.
— Cá estamos. – Fala Sohye abrindo a porta dupla dando visão ao uma área extensa com três piscinas olímpicas, enormes arquibancadas, telões pendurados por suportes e uma enorme galeria. – Aqui você vai passar tempo livre ou em alguma aula específica de algum professor ou treinador, alguma pergunta? – Connor a encara sem entender muito bem. – Falei muito rápido? – Pergunta confusa.
— Não, eu consegui entender. – seus olhos não desgrudam da imensidão que é a área em que está.
— Os telões são usados para mostrar melhor os nadadores nos jogos entre fraternidades do colégio. – Thomas explica mas é respondido com uma careta de interrogação. – Aqui existem várias fraternidades que se enfrentam nas competições internas.
— Agora eu entendi. – Seus olhos percorrem novamente o lugar. – Qual próximo local?
— Ficou interessado é? – a asiática tira sarro. – Vamos até os dormitórios, já devem ter deixado suas coisas lá.
O caminho até o dormitório é silencioso. Os dormitórios são simples, pequenos quartos com paredes e teto brancos, uma cama box de solteiro com jogo de cama cinza combinando com a escrivaninha e guarda roupas também cinza. Thomas explica que o aluno pode decorar o quarto como bem entender e até deixa Connor dar uma olhada em seu quarto aonde ele tem duas estantes, uma para livros em geral e outra apenas quadrinhos. Sua cama está com lençóis do Batman o que faz Connor rir.
— Não acredito que gosta desse herói. – Fala apontando para o lençol. – É a maior mentira ele vencer heróis que tem poderes.
— É pela inteligência dele. – Thomas fechava porta do quarto. – E ele tem um baita poder.
— Diga um. – Desafia Connor.
— Ele é rico. – Sohye se põe no meio dos dois. – Dinheiro é um ótimo poder. Agora vamos sair daqui antes que eu veja mais algum imbecil andando de toalha pelo corredor.
Os guias apresentam a área verde, um espaço de quase dois quilômetros com várias árvores, bancos e mesas de concreto para os alunos poderem estudar ou passar um tempo ao ar livre. Em seguida a biblioteca que chama a atenção de Connor, sempre gostara de ler, mas nunca teve tempo para tal.
A biblioteca com várias prateleiras no primeiro e segundo piso da mesma, uma área de leitura com mesas cadeiras e pufes e como em todas as bibliotecas várias plaquetas com o aviso “Silêncio na biblioteca”.
O ginásio poliesportivo era quase tão grande quanto a área de natação, a diferença era a ausência de galeria e telões. O piso de madeira trabalhado era tão brilhante que dava quase para ver nitidamente o reflexo. No atual momento estava sendo usado para aula de ginastica artística, umas das atividades extra curriculares.
O campo de futebol americano não era de se impressionar muito, era como qualquer outro campo, grama, gols e jardas na grama.
Em um breve período de duas horas eles haviam apresentado todo o campus para Connor e estavam caminhando para suas aulas. Thomas se separou dos dois para ir ao hangar onde teria uma aula de pilotagem de aeronave, Connor e Sohye pelo contrário foram para aula de artes marciais.
/12:50 Salão de artes marciais/
Ao chegarem ao salão devidamente trajados com roupas de ginástica, se colocaram em seus lugares em frente ao tatame azul que pegava quase todo salão. Não demorou muito até o professor chegar acompanhado de uma garota ruiva e um garoto de cabelos escuros com cara de poucos amigos.
— Boa tarde. – O professor que se apresentou como Butcher, ou nome de super herói: corpo de aço. O nome era devido a seu corpo ser inteiramente de aço. – Espero que estejam prontos para aula de hoje, preparei algo diferente do habitual.
Connor ficava olhando aquela cena e em sua cabeça só conseguia se passar uma coisa. Pra que isso? Nós temos poderes.
— Isso é bem inútil não acha? – Cochichou o loiro para a asiática.
— O que é inútil? – O professor interveio no comentário do mais novo.
— Você tem audição aumentada também? – Connor rebateu com um sorriso sarcástico. – Isso! – Girou as mãos para simbolizar a atividade. – Temos poderes, não precisamos dessa aula.
— Então você acha que seus poderes resolvem todos os problemas? – Butcher caminhou até o meio do tatame. – Turma, vamos fazer um quadrado em volta do senhor...
— Connor!
— Connor. – dando ênfase ao nome. – Ele vai nos dar uma demonstração de seu poder que vai acabar com o oponente. Ivon, por favor. – O rapaz Moreno que entrou ao lado do professor no início da aula da um passo a frente. – Não use seu poder, pegue leve com o novato.
Connor se sentiu confiante, Ivon não usaria suas habilidades então a luta estava parcialmente ganha.
As mãos de Connor começaram a encandecer e uma rajada de fogo saiu em direção a Ivon que se esquivou deslizando por baixo do disparo acertando as pernas do loiro que foi pego em uma tesoura que o levou ao chão, Ivon continuou sua ação prendendo a perna direita de Connor em uma chave de perna.
— Desiste? – Pergunta Ivon forçando a perna ainda mais.
— Claro que não! – A perna de Connor começa a produzir chamas o que faz Ivon se desvencilhar.
Em um movimento de chute giratório Connor se levanta criando um círculo de fogo em volta de si que se dissipa rapidamente e volta a investir com chicotes flamejantes, que Ivon não vê dificuldade em se esquivar.
— Seu poder não ia resolver o problema? – Provoca Ivon que parte para a ofensiva com movimentos rápidos demais para Connor acompanhar. O punho direito acerta em cheio o estômago de Connor que abaixa a cabeça e é recebido com uma joelhada no nariz. – Acabou? – Connor abre a boca e começa a cuspir fogo que é evitado pelo moreno com um salto acrobático. Antes que possa perceber Connor está imobilizado em crucifixo.
— Já chega! – Ordena Butcher. – Obrigado pela demonstração Ivon. Rivers vá lavar o nariz Antes que o sangue pingue no tatame!
/Refeitório 13:40/
Thomas não podia despregar os olhos das crônicas de gelo e fogo, nem mesmo para comer, pois, estava com o livro em uma mão e na outra uma banana.
— No dia que eu aprender a ler de óculos escuros você vai perder o seu charme. – O leitor reconheceu a voz de Elena, mas não deu muita bola.
— Um minuto. – Pediu lendo as últimas palavras do capítulo e fechando o livro logo em seguida. – Pois não, disse alguma coisa?
— Engraçadinho. – A ruiva se senta ao lado do mais novo. – O garoto que você foi guia levou uma surra hoje.
— Connor?! – Perguntou incrédulo dando uma mordida na fruta. – Mas logo no primeiro dia e de quem?
— Ivon. – Ao ouvir o nome Thomas joga a cabeça para trás rindo. – Qual a graça?
— Claro que ele perderia, Ivon é um puto de um russo...
— Nossa como você é delicado. – provocou.
— Não foi o que eu quis dizer... Eu quis dizer que... Você entendeu. — Deu-se por vencido.
— Eu sei. – Respondeu a russa dando de ombros. – Mas ele é talentoso...
— Quem é talentoso? – Uma terceira figura surge na conversa, com cabelos pretos e jaqueta verde oliva.
— O garoto que você deu uma surra. – Ivon revira os olhos diante do comentário.
— Derrubei ele com quatro golpes. – Se senta. – Isso não parece coisa de quem é talentoso.
— Vamos lembrar que você treina desde os seis. – Thomas dirigiu a palavra a Ivon.
— Mas eu nunca avancei com o pé direito quando ia atacar, isso é coisa de amador. – Ivon fora treinado não para ser um aluno, mas sim o soldado perfeito, por isso, havia nele a necessidade de ser perfeito, ser o número um.
— Eu tava falando de talento com os poderes. – Explica Elena. – Afinal de contas ele não é nenhuma Elena Starkov para te derrotar.
— Vai começar. – Thomas se levanta. – Antes que vocês comecem a D.R de vocês eu vou me retirar.
A rixa entre os russos era antiga começou quando Elena entrou no colégio com sua personalidade forte, assim como, a de Ivon. Foi rivalidade a primeira aula, mas uma rivalidade saudável aonde os dois mantinham um placar de vitórias.
— Como está nosso placar mesmo? – Provocou a ruiva.
— Lembrando que o placar foi para minha mão que bateu na minha própria cara. – Ambos riram do comentário do rapaz. – Logo esse placar vai empatar de novo, aprendi um truque que você não vai gostar.
— Estou ansiosa para ver.
/Terraço dos dormitórios femininos 13:45/
Luna observava a altura do terraço pensando em pular novamente não seria a primeira vez que a jovem faria isso.
— Vai pular? – Reconheceu a voz de Sohye. – Pula logo, não vai fazer falta.
— Também amo você. – Respondeu levantando o dedo do meio para a asiática. – Pode dar certo dessa vez...
— Bom, dando certo ou não. – Falou estendendo um bilhete para a mesma. – Você está convocada a detenção as 16:00 Até as 17:30, por matar aulas pela segunda vez na semana.
— Como eu perderia um evento desses. – Luna toma o papel em mãos e o joga do telhado.
— Muito correto da sua parte. – Riu Sohye.
— Sei disso. – Sohye observou Luna pegar distância e correr em direção a beirada do terraço e saltar. – Te vejo mais tarde! – Gritou botando as mãos para baixo soltando uma brisa forte para tentar se manter no ar, mas não adiantou, não foi forte o suficiente para manter seu corpo flutuando. Ao chegar perto do chão ela juntou os lábios e deu um sopro forte que a fez virar um mortal frontal e cair em pé.
— Você é maluca! – Gritou a amiga de cima do telhado.
— Eu sei! – Gritou em resposta seguindo seu rumo pela área verde.
/Biblioteca 15:00/
Caminhando pelas fileiras de livro para chegar até a ala de leitura, onde Sohye sabia que iria encontrar Thomas. Faltavam pouco minutos para a chegada ilustre do Comandante. Thomas estava sentado e ao seu lado estava Connor que lia o mesmo livro, mas não um com cada exemplar e sim o mesmo.
— Vocês sabem que existem várias cópias não é? – A asiática apontou para a prateleira que ostentava cinco livros idênticos.
— Sabemos, mas ele aparentemente não pode viver fortes emoções com um livro em mãos. – Thomas apontou para o canto da mesa onde um livro carbonizado estava.
— Você queimou o livro? – Perguntou incrédula. — Bingo! – Gritou Connor recebendo várias advertências para ficar quieto. – Não foi por querer.
— A gente conversa sobre isso depois. – Falou ignorando a situação. – Já que os dois estão aqui, vamos ao auditório principal, o Comandante está para chegar.
— Eu tinha esquecido. – Thomas se levantou num salto. – Você chegou em boa hora, vamos!
/Auditório 15:15/
Vários alunos tomavam as cadeira do auditório, alguns permaneciam em pé e outra na galeria do grande salão adornado com arquitetura modernista e poltronas de couro vermelhas. De repente uma forte corrente de vento passou pela sala fazendo cabelos, folhas, jaquetas e alguns alunos distraídos caírem.
— Bom dia alunos do Power High! – La estava ele, seu cabelo curto e escuro, o porte físico imponente e o sorriso digno de um comercial de creme dental. O Comandante estava ali.
Notas finais
vejo vocês no próximo capitulo
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