Power High
27 Arco 3 Capitulo 6 - Adeus amada tutora.
[Sombra]
- Área segura. – Avisei pelo comunicador. – É com você Comandante.
Vi o romper do ar quando Arthur avançou contra o Kaiju. Por mais poderosos que os golpes fossem a criatura resistia bem aos avanços do Comandante.
— Precisamos de um plano. – Rocket surgiu ao meu lado. – Senão a cidade vai ser muito danificada.
— Cadê o Jötun? – Perguntei. – Achei que já fizessem horas que o contatamos.
— Não conseguimos contato... – Rocket nos arrastou metros a frente com sua super velocidade para evitarmos o impacto de um dos destroços.
— Obrigado. – Encarei o Kaiju. – Não dá pra transportar algo tão grande.
— Arthur, afasta ele da cidade, leva pro mar. – Ele esperou alguns segundos. – Você chutou um asteroide do tamanho do Texas não venha me dizer que não é possível.
Um raio caiu próximo ao kaiju fazendo-o recuar a passos largos.
— Continua assim Tupã. – Falei. –Controle, tem algum canteiro de obras por perto? – Esperei alguns segundos até ouvir que haviam três. –Mandem uma foto no meu computador de pulso. – Recebi a foto e me tele transportei para lá. Cabos de aço, os mais grossos que consegui achar. Voltei até Rocket. – Quero que passe isso em algo rígido o suficiente para aguentar o peso daquela coisa. Tupã continua fazendo ele recuar. Arthur se prepara pra descer com força na cabeça quando ele cair.
Em segundos uma linha de aço estava formada a metros do gigante escamoso. Os raios juntamente com os golpes do comandante o faziam ir cada vez mais para perto.Após vários golpes ele tropeçou no cabo,aparentemente daria certo, se uma das pontas não tivesse se soltado. Num tele porte rápido cravei a espada na ponta solta e finquei no chão, fazendo apoio contrário para não soltar.
— Caralho que ideia péssima. – Utilizei as sombras para me segurarem estático. –Cai logo! – O estrondo e a onda de choque foram intensos. – Comandante, agora!
Um assobio agudo se ouviu a medida que Arthur chegava mais perto do alvo. O impacto aconteceu levantando a poeira. Tupã a dissipou com seus ventos fortes. A cabeça do Kaiju estava partida ao meio.
— Alvo abatido central. – Comuniquei antes de Rocket dar leves toques em meu ombro. – o que? – Questionei olhando para onde seu dedo agora apontava. – A cabeça do kaiju se fechou e a fera estava de pé novamente. – Só pode ser brincadeira.
[BrunildaPowers]
O demônio do vazio realmente era muito poderoso. Seus movimentos e feitiços eram imprevisíveis. A espada gigante que ele usava de maneira frenética como se não pesasse nada me atingiu várias vezes, e por mais que o sagrado me protegesse os efeitos da necrose se faziam presentes. Fiz o escudo desaparecer dando espaço para o meu cajado. Com um balançar, quatro espadas de energia dourada apareceram no ar.
— Ainda os mesmos truques. – Kalias falou antes de passar a lâmina grande na mão para imbuí-la em uma chama negra. – Pode vir.
Investi liberando as quatro espadas em sua direção, o choque de lâminas deixava fragmento da chama negra pelo chão. A neve derretia e o solo escurecia em morte.Uma das lâminas avançou atingindo-o no ombro, mas ele nem se moveu e continuou o confronto. Mandei as três que sobraram e dessa vez elas o fizeram recuar. Avancei para atingi-lo no centro do peito. Senti a lateral da barriga encharcar. Um braço extra saiu de sua barriga e me apunhalou.
— Surpresa. – Ele chutou meu peito me lançando para longe. A espada antes em minha mão jazia no chão. – E o aluno superou o mestre.
- Tolo. – Levantei com a mão no local do ferimento. –Conhecimento sempre te perseguiu, mas você sempre foi mais rápido. – Está na hora. Pensei juntando as mãos como em uma oração.
— Não adianta rezar. – Ele riu. – Os deuses se foram a muito tempo.
— Um deles esta mais próximo do que imagina. – Respondi. – Eles abandonaram você, e não a mim. Sua sede de poder, não importa a forma o cegou. Podíamos ter mudado o mundo juntos, pense nas vidas que poderíamos ter mudado.
— É o que pretendemos fazer.– Meu antigo aprendiz voltou a caminhar. – Faremos aquilo que vocês. – Ele tocou meu rosto e o acariciou. –Não tem coragem de fazer.
— E vai valer a pena? – Questionei.
— O mundo vai ser tornar um lugar melhor, assim que atraírmos o comandante pra cá. – Ele sorria.
— Então esse era o plano de vocês o tempo todo?
— Quando Rhys Pushkin assumir o controle do corpo do seu tão amado comandante, não haverá ninguém que possa nos deter. –Ele demonstrava uma confiança em suas palavras.
— É uma pena que você não estará aqui para ver isso acontecer. –Sorri.
— Lance seu melhor truque. – Ele inclinou o rosto me desafiando. Acertei o cajado no meio de seus chifres o fazendo recuar.
- HeiligesSiegel. – O selo do sagrado se fez entre nós. Cravei o cajado no chão. – Vivit, regnant. Abomni malo te defendat, maledecti et daemones...
— Não repita essas palavras! – Ele tapou os ouvidos e caiu de joelhos em agonia. – Maldita!
— In virtuteistorun, factorun. Etmina et digna Dei, ligamusvos ut nomhaebatis!
Um clarão se fez e eu vi o demônio ser expurgado, junto com meu antigo aprendiz e com um último sopro, me despedi de minha alma imortal. Um sacrifício necessário depois de milênios de existência, talvez eu precisasse de mais olhos para ver tudo que vivi... não seria necessário. Tive uma boa vida.
— Adeus crianças.
[Sombra]
Esse desgraçado não morre e a cidade está virando uma pocilga de restos.
— Rocket se prepare pra lançar o Arthur o mais rápido que puder. –Vamos usar física, velocidade vezes massa, igual a força, e com a força do comandante esperamos reduzir esse desgraçado a pedaços.
A velocidade vista de cima dos prédios chegava a capotar carros na rua e a rachar o asfalto. Esperem, esperem... Como se lessem meus pensamentos Rocket lançou o comandante. O impacto quase aconteceu antes do desgraçado virar areia, literalmente formou uma enorme duna de areia branca.
— Que merda acabou de acontecer aqui... — Vamos reavaliar o dia. Chamado do quarteto feroz, kaiju classe nunca vista antes, Ivon fugiu, mas ele não fugiria assim do nada. – Controle me passe as últimas notícias de Power High. – O controle me contou do ataque e da cúpula que acabara de se desfazer segundos atrás. Seja o que for, quem estava cuidando de controlar esse kaiju já era. – Precisamos voltar para Power High agora!
[Ivon Zolotoy Lev]
Tom e eu caminhamos em direção a silhueta grande. Absorvi o aço do cinto já me preparando.
— É o seguinte coisa feia. – Falei. –Hora de morrer.
Sem esperar o fogo dissipar avancei desferindo vários golpes nas costelas. Cada hora aumentando o tamanho das mãos para o impacto ser mais dolorido. Uma canelada bem colocado no saco o fez curvar as costas, dando espaço para uma pancada com as duas mãos em formato marreta na cara fazendo-o voar longe.
— Qual o plano? – Tom indagou ao meu lado.
— Fica de longe e não deixa ele me acertar. Qualquer sinal de ataque, manda laser.
Corri novamente e absorvi o concreto no cinto de materiais.Ergui a perna na intenção de um chute frontal, quando ele levantou a guarda pisei com força no chão para gerar uma estaca de concreto que acertou sei queixo com força segui atacando seu estômago, mas percebi que por mais forte que eu batesse ele resistia, precisava pensar em outra coisa e rápido, antes que eu começasse a cansar. Me afastei rapidamente para analisar as possibilidades, não que eu tivesse muito tempo.
- Tenho uma ideia. – Tom surgiu do lado. –Mas pra isso preciso me aproximar o suficiente, vamos esquentar aquela rocha, até você conseguir penetrar com mais facilidade.
— Quantos segundos precisa?–Perguntei voltando o corpo ao normal.
— No máximo quinze segundos. – Falou tirando o visor. – Vai ser em carga total.
— Beleza. – Falei começando a correr na direção de Stonefell.
— Não devia absorver algo?! – Tom questionou.
— Tenho um plano! –Deslizei por debaixo das pernas dele segurando-as para absorver o material do mesmo. Me desvencilhei do toque e me coloquei em pé. –Agora parece uma luta justa.
Soquei seu queixo e não parei mais, desferindo inúmeros golpes na altura da cintura o levando para mais perto possível de Tom. A ideia aqui é esquivar, rodar e socar, por mais que ele possa perceber o padrão, não vai conseguir defender por conta da minha velocidade.
— Abaixa! – Obedeci a ordem de Tom e abaixei, Stonefell por sua vez se virou para o olho laser, que lançou um feixe poderoso no meio de seu peito. Tive que me lançar sobre o oponente, para impedir sua movimentação involuntária e mante-lo próximo ao raio. O calor que aquilo gerava era quase insuportável, mas eu tenho que resistir. – Tá em ponto de fusão!
— Ótimo. – Falei baixo absorvendo o glassine do cinto. Criei o formato de uma lâmina negra e acertei um último golpe pelas costas. O laser parou.Quando retirei a lâmina do peito vimos o coração rolar, até o coração do desgraçado era pura rocha. – Interessante.
— Tenho certeza que vão querer o corpo pra pesquisar.- Desviei meu olhar até aonde Elena estava com Connor. Não pensei antes de correr até eles. – Como vocês estão?
— Eu tô bem, graças a você. – Ela sorriu. – Mas o braço dele virou farelo. Consegui arrumar o máximo que deu mas ainda está com algumas trincas.
— De nada por tentar salvar sua vida. – Connor riu segurando o braço esquerdo. – Você tá bem normal pra alguém que foi usado como projeto de ciências.
— Depois conto o resto pra vocês. – Falei. – Agora vamos sair... – Senti algo gelado na nuca. Caí de joelhos ouvindo uma voz na minha cabeça.
— Ivon? – Tom ajoelhou preocupado.
— Se afasta. – Falei. Ouvindo a voz em minha cabeça. “O interessante foi que nenhum de vocês me viu chegando. Como vai se sentir sabendo que seu corpo vai ser usado pra matar seus amigos?” – Alguém tá na minha cabeça, saiam daqui.
— Não vamos sem você. – Elena esbravejou decidida.
— Então vão morrer com ele! – Eu tinha consciência de que não era eu falando. – Quem quer brincar?
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