Power High

28 Arco 3 Capítulo 7 Responsabilidade


Elena Starkov


Eu e Connor recuamos enquanto Tom afastou “Ivon” com uma rajada de lasers. Connor fez menção de se levanta, levando o braço para segurar as costelas, duas estavam quebradas e o braço direito eu podia sentir que estava estilhaçado.


— Conserta. – Ele ergueu o braço.


— Seus ossos são praticamente farelo. – Expliquei pegando. – Teria que quebrar de novo para arrumar.


— Não importa, se a gente não fizer nada ele vai acabar sendo morto.


Tom desviava dos golpes carregados e mantinha uma distância segura ao se evadir, para continuar os disparos que derretiam a pele de metal que rapidamente se regenerava. “Ivon” avançou deixando a mão a frente dos raios ômega para estar próximo o suficiente de Tom e aplicar um soco forte no estômago. Queria ajudá-lo, mas meu foco era reconstruir porcamente os ossos do antebraço de Connor. Tom aguentou a pressão atingindo “Ivon” com um feixe largo que o afundou no chão, e limpando o sangue da boca Tom continuou os disparos a medida que o corpo do oponente afundava cada vez mais.


— Tom, não. – Connor gritou fazendo Tom cessar os disparos. – Ele vai usar o chão!


O americano sentiu o chão tremer ao seu redor e com um disparo focado para fazer seus pés deslizarem de volta até nós, assim esquivando-se das estacas de concreto que surgiram do chão. Ele assentiu como agradecimento para Connor que se levantou.


— Qual o plano? – Tom perguntou encarando o amigo em frangalhos.


— Controle a distância. – Falei me levantando. – Eu e Connor vamos manter a pressão.


— Vamos nessa. – Connor entrou em chamas. – Cacete, brigar com o Ivon já ta virando rotina.


O osmosiano saltou para fora por um novo rombo. Eu e Connor avançamos para desferir golpes no corpo de concreto que os defendia facilmente. Eu estava tão desgastada que cada soco que ele defendia doía um pouco, mesmo a pele estando dura, o calor misturado com o cansaço estava acabando comigo. Connor levou três golpes na altura das costelas, que o fizeram recuar segurando as mesmas. Aproveitei a distração de “Ivon” para atingi-lo com vários golpes em seu rosto, e quando ele levantou a guarda atingi com um chute colocado na articulação do joelho, para em seguida acertar um chute giratório que o lançou metros para longe.


-Você tá bem? – Ajoelhei para ajudar Connor.


- Sim, mas precisamos acabar com isso logo, ele tá inteiro e a gente não. – Ele se levantou com dificuldade. – Connor se abaixou desviando de uma lança de concreto que voou em nossa direção. – Filho da... – O inglês preparou uma enorme bola de fogo e a lançou atingindo o russo. – Vamos!


Connor foi socando e afastando o osmosiano, até que ele cravou os pés no chão e virou Connor por cima de sua cabeça, e o lançou de costas ao chão para em seguida atingi-lo com um soco no meio do rosto. Connor já estava fora de combate, enquanto Tom o mantinha ocupado disparando seus raios, eu aproveitei a oportunidade do foco dividido para bater ainda mais, deixando meu corpo mais leve, saltei e o atingi diversas vezes com um chute parafuso giratório, fazendo com que ele caísse para frente e batesse com a cabeça. Acertei diversos socos afundando sua cabeça no chão até parecer um avestruz.


- Elena! – Tom corria em minha direção e me empurrou me esquivando de um cilindro que subiu pelas minhas costas levando a pancada por mim, eu ouvi os ossos do seu ombro se quebrarem quando caímos no chão.


- Merda. – Praguejei indo até Tom, mas meu pé foi segurado e fui batida contra o chão, uma, duas, três vezes, antes de começar a perder os sentidos. Meus olhos estavam pesando quando vi “Ivon” caminhar em direção ao Tom que disparava seus lasers no mais velho, mas era em vão, pois seu corpo estava de metal negro, Glassine. Ele pegou Tom pelo rosto e armou seu braço esquerdo em forma de lâmina, pude ouvir Tom dizer com a voz rouca “manda ver desgraçado.” Tentei me levantar, mas era em vão, era assim que morreríamos? Um clarão pegou “Ivon”. – Connor. – Sussurrei vendo os dois voando em alta velocidade e o clarão foi aumentando e aumentando até eles afundarem no lago... uma explosão seguida de uma enorme distorção molecular que lançou a mim e Tom para longe. Senti meu corpo ser segurado, ali estava ela, a heroína profissional Rocket e segurando Tom estava o Comandante, junto com o resto do quarteto feroz.


Arthur


Voei calmo quando o clarão abaixou, me aproximando do lago que agora se encontrava quase seco, o corpo de Connor estava boiando de cabeça para baixo e o de Ivon não estava diferente. Desci até o fundo pegando ambos e os trazendo de volta a terra firme.


- Arthur. – Reconheci a voz em um piscar de olhos. – Eu esperei anos por esse momento. – A fumaça se formava atrás de mim na forma de um corvo demoníaco.


- Acha mesmo que eu viria até aqui se não tivesse um plano. – Sorri começando a usar meu super sopro para afastá-lo dos mais novos. – Agora quarteto. – Rocket começou a correr em volta de mim e de Rhys criando um tornado, senti aos poucos a temperatura abaixar. – Agora Tupã. – O brasileiro alterou a temperatura ainda mais fazendo aquele gás escuro que era o Rhys, congelar. – Sei que pode me ouvir... eu gostaria que tivesse outro jeito. – Falei cabisbaixo. – Sinto muito velho amigo.


- Arthur. – Ouvi sua voz antes de acertá-lo com um tapa simples de costa de mão o reduzindo a pedaços.


- Queime. – Pedi para Tupã que lançou raios em todos os pedaços os derretendo e fazendo queimar. – Vamos tirar as crianças daqui.


Connor Rivers


Estava deitado dentro da ambulância, mobilizado... Nariz quebrado, costelas e um braço destruído. Olhei para o lado de fora e vi Luna na frente da porta, seu olhar era de puro descontentamento.


- Luna. – Chamei fraco, mas em vão ela deu as costas. – Porra.


- Quer que eu chame alguém? – O enfermeiro perguntou.


- Chama o Kyle. – Pedi.


- Eu já to aqui. – falou me surpreendendo.


- Que hora chegou aqui? – Questionei. – A gente venceu?


- Sim. – Concordou. – Vencemos.


Que bom, pensei fechando os olhos, não tinha muita coisa para fazer, a não ser melhorar.


Sombra


Estava passando o relatório para os policiais e corpo de bombeiros, afinal, muita gente se feriu e tínhamos encarcerado alguns dos vilões que batalharam na escola, vi mais ao fundo Ivon sendo levado por uma equipe especializada de contenção.


- Ei! – Intervi indo até meu pupilo. – Que porra é essa. – Soltei-o deles. – Ele não é a porra de um animal.


- Ele é Propriedade mediante contrato senhor. – Um dos oficiais respondeu.


- Não é. – Soltei Ivon das algemas antipoderes. – Avisem a Alita que eu vou me resolver com ela depois. Isso é a porra de uma ordem.


Eles saíram e eu encarei o mais novo, traje carbonizado, ferimentos leves... e duas baixas para a conta.


- Obrigado. – Ele agradeceu. – Espero ainda continuar na Allians depois de tudo.


- Quase certeza que vai. – Sorri. – Você fez o que muitos heróis têm que fazer. Seu futuro vai ser brilhante garoto.


Luna Esposito


Observei os paramédicos cobrirem o corpo do meu irmão com aquele cobertor prateado e levarem para dentro do furgão.


- Eu sinto muito. – Sohye disse afagando meus ombros. – O Connor não faria isso se tivesse escolha...


- Ele tinha! — a encarei com os olhos marejados. – E escolheu matar o meu irmão.


- Ficar com raiva não vai trazer ele de volta. – Ela me segurou em um abraço forte enquanto eu socava seu abdômen em reprovação. – Isso... descarrega.


- Acho que eu só posso ficar com raiva. – Disse entre soluços. – Vai ficar comigo?


- O tempo que precisar. – Minha amiga respondeu antes de eu me render a aquele abraço.


Manuella


Fazia três horas que eu estava esperando na recepção do hospital para que eu pudesse ver como o Tom estava, pelo lado positivo é bom saber que em hospitais de país de primeiro mundo eles também são demorados. Uma enfermeira se aproximou de mim.


- Ele acordou. – Sorriu. – E quer te ver.


Andei sorrindo até o quarto e lá estava ele, deitado olhando pela janela, em três anos de convivência creio ser a primeira vez que o vi despenteado, ele estava com um dos braços imobilizados e sua respiração estava pesada. Me sentei ao lado da maca e logo ele me olhou. Sorrindo pegou minha, coloquei a outra mão por cima e as trouxe até minha boca dando beijinhos e agradecendo por ele estar bem. Nada precisava ser dito e nós sabíamos disso.


Ivon Zolotoy


Desci do furgão em frente ao hospital aonde uma comitiva de imprensa já estava esperando. Bufei, descendo fui abordado por centenas de microfones.


— Extroyer, como você classifica suas ações para o dia de hoje? – Revirei os olhos.


— Classifico que minhas ações salvaram vidas e acabaram com vilões. – Respondi firme, mas uma outra repórter abordou.


— Mesmo tendo saído sem autorização, você se acha acima da lei?


— Quando se trata de salvar vidas, sim. – Encarei sombra na porta do furgão. – Não se pode esperar ordens, você precisa agir e jogar com as cartas que tem, minhas ações têm justificativas plausíveis, não me arrependo do que fiz e faria de novo.


Passei pela multidão e entrei na recepção, eu já havia trocado a roupa, por minha típica jaqueta verde oliva e jeans desgastado com meu clássico coturno.


— Vim ver a Elena Starkov. – A recepcionista teclou.


— Pode esperar um pouco? É que ela já está com visita. – Explicou simpática.


— Quem? – Questionei.


— Nós. – A voz grave do pai de Elena gelou minha espinha.


— Comandante Starkov. – Mostrei respeito. – Senhora Starkov.


— Você não é meu soldado. – Respondeu frio. – Foi um Belo show na TV


— Não era um show, foi uma missão de resgate. – Mantive minha posição, não iria me acovardar.


— Colocou eles em risco, incluindo a minha filha...


— Pode parar. – O interrompi. – Posso ter calculado mal alguma coisa, mas você não vai por a culpa em mim e dizer que ela vai estar mais segura longe de mim. – Passei por eles. – Qual o número do quarto? – Ele hesitou. – Qual é o número do quarto?


— Duzentos e quatro. – A senhora Starkov acabou com nossa birra.


— Obrigada. – Dei as costas e depois de alguns passos voltei a encará-lo. – Sua filha não está segura desde o dia que descobriu que tinha poderes, é melhor aceitar isso.


Achei o quarto e entrei sem cerimônias, ela estava dormindo, uma perna estava engessada, tinha escoriações leves no rosto, ela mesmo deve ter se curado no caminho, mas a exaustão só ajudou a não conseguir arrumar os ossos da perna.


— Eu te dei uma surra. – Falou de olhos fechados me fazendo rir.


— Qual de nós dois está em uma cama de hospital? – Questionei rindo. – Você está bem?


— Disse que não precisava vir ao hospital, mas não me ouviram. – Deu de ombros. – Só preciso descansar, e aí eu mesma consigo me curar.


— Sabe alguma coisa dos outros?


— Tom fraturou o ombro, Connor quebrou três costelas e o braço esquerdo vai demorar para curar, Kyle está sendo submetido a uma sauna pra desintoxicar o dois ponto cinco que ele tomou, Sohye e Luna foram tratadas na enfermaria e estão em Power High. – Explicou me fazendo arregalar os olhos. – Você não está mais lá, agora eles são minha responsabilidade.


— Está fazendo um ótimo trabalho.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.