Power High
26 Arco 3 Capitulo 5 - O que Escolhemos Fazer
[Luna Esposito]
Não podia acreditar, pisquei meus olhos mais vezes do que pude contar. Não pode ser, ou pode? Meu irmão está aqui e está tentando me matar e matar meus amigos. Deus me acorde de qualquer pesadelo isso não é real, não pode ser real.
— Sim Luna, sou eu. – Ele sorria. – Surpresa?
— Por que? – Perguntei com os olhos marejados. – Por que nunca me contou?
— Ao primeiro porque. – Ele começou a caminhar como se subisse uma escada. – Controle, o plano é infalível e vai nos garantir algo almejado. – Ele abriu os braços. – Poder! E para isso, só precisamos que vocês e essa escola estejam fora.
— Até eu? – Questionei. – Eu sou sua irmão... a Luni...
— Luna cala a boca! – Connor esbravejou. – Não adianta dialogar com esse lixo, mesmo que seja seu irmão. Ele não vai passar de hoje.
— Luna, Luna, Luna. – Pietro balançava a cabeça em negação. – Como agora a máscara já caiu, não há motivos para esconder. – Ele voltou ao solo. – Você foi um projeto muito promissor do qual eu tenho muito orgulho. – Mudei minha expressão sem entender. – Quando você era um pequeno feto dentro da mama, eu achei interessante a ideia de brincar com as moléculas agitadas de um ser em formação. Obviamente isso fez com que você já viesse ao mundo com seus precisos dons ainda imperfeitos, afinal, eu só estava aprendendo.
— Quer dizer que... você me “criou”. – Enxuguei uma lágrima que escapou. – É isso que eu sou pra você, um projeto?
— Mais que isso; você é a prova. – Rapidamente ele estava a minha frente tocando meu rosto. – De que eu posso criar novos super dotados.
— Não encosta nela. – O calor de Connor afastou Pietro. Por mais que ele se esquivasse Connor permanecia avançado. – Você vai morrer filho da puta, eu vou queimar até os seus ossos, desgraçado!
— Promessas e promessas... – Connor acertou um golpe na boca do estômago que abriu um buraco no traje de Pietro deixando a região avermelhada com leves queimaduras. – Impressionante.
— Sua distorção molecular de ar não vai durar pra sempre. – Connor aumentava o calor a cada segundo.
— Talvez eu deva parar de brincar. – Pietro levantou ambas as mãos. – Hora de morrer.
Pude ver lâminas distorcidas se formarem ao lado de Pietro, inúmeras que avançaram contra o piromante. Connor era rápido o suficiente para se esquivar de algumas, mas vez ou outra em meio a seu corpo em chamas eu podia ver cortes se formando. Meu irmão avançava a medida que ia atacando, determinada hora ele estava próximo o suficiente para estar de frente com Connor que foi segurado.
— Péssima ideia. — Connor falou esquentando ainda mais, mas Pietro não esboçou sensação ao incomodo.
— Fofo. – Uma onda de choque lançou Connor longe. – Luna. – Pietro caminhava em minha direção vagarosamente. – Venha comigo, posso te manter viva.
— Não se aproxime! – Eu lançava lâminas de ar e tudo que podia, enquanto ele parecia não se importar apenas as desviando com os dedos.
— Venha comigo... – Um soco flamejante poderoso foi bloqueado por Pietro que deslizou alguns metros.
— Você tá lutando comigo, desgraçado!
[Narrador]
- Depois de tudo que te ensinei! – Brunilda conjurava adagas que voavam em direção a seu antigo aprendiz. – Você insiste em me decepcionar.
— Você só tem medo de admitir que nós deixamos a humanidade para trás! – Ele as repelia com sua bengala mostrando apenas o quão poderoso havia se tornado. – E ao contrário de você eu admito isso com orgulho... – Os ossos começaram a quebrar, a pele a cair, e de dentro da carcaça humana uma criatura abissal com chifres curvos, asas de morcego, o corpo musculoso de pele amarronzada coberto de tatuagens de antigos selos mágicos e os olhos negros como o vazio. – Eu sou o pináculo da evolução. – A voz duplicada tomava conta do lugar. – Um novo Deus.
— O demônio do vazio. – A diretora falou com espanto. – O quão sujo você se tornou, Kalias? Negociar sua alma com demônios. – A mesma conjurou o escudo da virtude e a espada da verdade.
— Minhas antigas amigas. – Kalias admirava as armas.
— Houve um tempo em que você mereceu brandir as armas do direito. – Brunilda banhou a espada na luz sagrada dourada tornando-a incandescente. – Hoje eu triunfarei sobre o mal.
— Vamos ver!
Kalias voou rápido na direção da oponente que ao receber o impacto no escudo virou com espada para tentar atingi-lo no peitoral, o demônio foi rápido e se esquivou. Mantendo o escudo levantado e usando a magia para alongar o alcance da lâmina Brunilda avançava com sua “falange” de homem só, atacando com estocadas evitadas pela criatura que seu antigo aprendiz havia se tornado.
— Ordnung schaffen. – A Primordial proferiu gerando um clarão dourado que cegou Kalias por tempo o suficiente para que o corte de energia amarelada o atingisse fazendo o sangue negro escorrer pelo peito. – Não pode me derrotar!
— Dämmerung der Leere. – Kalias invocou as palavras para puxar de um portal negro uma espada colossal enferrujada. Dá qual uma aura putrida emanava. – Enfrente a espada de Mordul.
— Em guarda!
[Ivon Zolotoy]
Cheguei em meio a multidão de alunos de Power High e fui me esquivando até ficar frente a frente com a cúpula.
— Ivon! – A voz de Tom chamou minha atenção.
— Como a gente entra? – Perguntei encarando meu amigo.
— Não sei, Brunilda me tirou de lá a alguns minutos. – Ele xplicou.
— Magia. – Indaguei. – e se nós. – Reparei uma fissura se formar e se fechar na cúpula. – Você viu isso?
— Vi. – Tom tocou a cúpula. – É a primeira vez que acontece.
— Tenho um plano. Sobe! – Tom pulo na garupa da moto. – Manu preciso de uma rampa pra já.
— Pode deixar chefe. – A brasileira com uma força descomunal da mente ergue uma rampa, não era perfeita, mas ia servir. – Tá na mão.
— Se tivermos sorte, outra fenda vai abrir. – Meu amigo falou convicto. – Seja lá qual for a distração que a diretora tenha feito, está dando certo.
Comecei a queimar pneu esperando alguma indicação de fissura a nossa frente. Não posso perder o foco ou talvez não tenhamos outra chance. Vamos, só uma... fissura. Uma pequena distorção começou.
— Se segura. – Torci o acelerador e a moto saiu. – Três... dois... um. – Uma fissura se abriu. – Laser como nitro vai!
— Fui. – O americano disparou o laser nos dando um super impulso para atravessarmos a fissura e adentrarmos o campus. – Isso!
Eu cheguei pessoal.
[Kyle Solberg]
Aonde eu tô? – Encarei a sala ao meu redor. – Em casa? – Questionei. – Oi? Tem alguém aí?
Caminhei pelos cômodos vazios e silenciosos, não ouvia sequer um carro passar na rua. Eu morri?
— Ainda não. – Essa voz. Me virei para encarar. Kiara estava lá.
— Ki? – Corri em sua direção ew ajoelhei para abraçá-la. – Ki... eu senti tanto sua falta.
— Também sinto a sua. – Seus braços pequenos me abraçavam forte. – Mas o que você tá fazendo aqui? Ainda não é a hora.
— Eu morri Ki... já era. Posso ficar com você aqui. – Ela ligou a televisão me mostrando Connor e Luna lutando contra molecular. – Eles podem vencer.
— Não sem você. – Ela sorriu. – Vai lá. – Ela me olhava com orgulho. – Eu te espero aqui, vai ser um herói.
— Eu te amo. – Falei me levantando caminhando até a porta.
— Também te amo.
Abri a mesma e fui em direção ao grande clarão.
Acordei no chão gelado vendo Connor e Luna dando tudo de si naquela luta. Corri até o dormitório e arranquei o assoalho. Debaixo estava uma caixa. Duas seringas de dois ponto cinco.
— Tá na hora do show. – Injetei direto no peito.
[Connor Rivers]
O desgraçado não estava dando nenhuma brecha, estava ficando quase sem recursos pra acabar com isso. Teria que jogar uma bomba nesse cara se quisesse que ele morresse.
— Eu admito. – Ele falava em meio ao embate. – Você durou mais do que eu estava esperando.
— Sou teimoso. – Meu corpo apagou.
— Está ficando cansado. – Ele provocou sorrindo.
— Que nada... – Um vulto azul passou por mim. Quando prestei atenção eu estava vestido com meu traje e Kyle estava ali, vibrando tanto que nem conseguia ver o seu rosto. – Quando foi que você?
— Explico outra hora. – Ele se posicionou. – Tenho um plano.
— Estamos ouvindo. – Luna se aproximou ofegante.
— Lembram do tornado que fizemos em janeiro? – Fiz que sim com a cabeça. – Vamos usá-lo, só que mais potente. Prontos?
— Vamos. – me acendi novamente e Segurei a mão Kyle. – Pode correr.
Kyle corria em círculos me segurando pelo punho ao redor de Pietro e um enorme vórtice de fogo se formava. Quero ver o desgraçado mudar isso. Após o vórtice estar a mais de cinco metros do chão Luna com lufadas de ar aumentou as chamas. A hora é agora. Kyle me lançou contra molecular, as chamas se acumularam todas contra ele quando meu corpo se chocou ao dele.
[Kyle Solberg]
Rolei para fora do vórtice de fogo vendo o mesmo explodir segundos depois. Vi Connor por cima de Pietro dando vários socos com os punhos envolvidos em chamas. Para, Connor. Pensei me aproximando devagar.
— Acha que pode vir até aqui, — Soco. – ameaçar meus amigos, — Soco. – tentar matar um deles? – As mãos fumegantes envolveram o pescoço de molecular. Connor abriu a boca.
— Connor não! – Luna tentou empurrá-lo mas o calor queimou suas mãos a fazendo recuar vários passos.
Um lança chamas saiu da boca de Connor diretamente na cabeça do vilão que nem sequer se debateu por conta das chamas intensas. Quando o fogo parou sobrou apenas um corpo sem cabeça... até o crânio foi cremado. Porra Connor.
— NÃO! – Luna correu até o corpo desfalecido. – Não, não, não, não. – Luna tremia e soluçava de desespero. – Por que você fez isso, por que?
— Eu fiz o que devia fazer. – Connor estava estático. – Ele teria matado você.
— Eu nunca. – Luna socou o peito de Connor enquanto chorava. – Nunca vou te perdoar por isso! – Seguido de um tapa forte com uma das mãos queimadas, deve ter ardido pois a mesma segurou o punho com força após o golpe. – Merda!
— Ei! – Connor gritou crescendo pra cima de Luna. – Eu poderia ter deixado ele te matar. Então para de agir que nem uma puta de uma ingrata e... – Toquei o ombro de meu melhor amigo.
— Vai ver se mais alguém tá por aí. – Falei antes de entregar a outra seringa para ele. – Caso precise.
Ele Acenou com a cabeça e saiu voando. Fiquei ali em silêncio ao lado de Luna que chorava em cima do desfalecido irmão.
[Elena Starkov]
Droga! Acho que nunca apanhei tanto assim na vida. Ele era muito resistente e altamente treinado, mais do que eu... talvez até mais que Ivon.
— Já cansou princesa? – Ele percebeu meu respirar pesado. – Não se acanhe. – Ele começou a correr novamente em minha direção.
Comecei a me levantar novamente, porém, minha perna esquerda falhou me mantendo de joelhos esperando o impacto. Fechei os olhos... calor, muito calor. Quando olhei, Connor segurava os punhos de Stonefell.
— Sai daqui agora! – Connor mandou e eu obedeci recuando antes do loiro levar um golpe poderoso no topo da cabeça e ser segurado por um dos braços.
— Quanta coragem. – Stonefell era visivelmente maior e agora sua pressão se exercia quando em único aperto eu ouvi os ossos do braço esquerdo de Connor se quebrarem. Ele urrava de dor quando foi arremessado até meus pés. – Pena que não basta.
— Droga. – Xinguei tentando ao máximo conter a dor do britânico. – Não foi assim que eu imaginei que seria minha morte.
— A gente não vai morrer. – Connor apontou para trás de mim com um sorriso fraco.
Uma moto vinha em nossa direção. Ivon! Segurando no guidão ele virou por cima da moto a arremessando para logo em seguida Tom a explodir com o laser. A explosão lançou Stonefell para longe. Sem dizer uma palavra os dois passaram por nós ficando a frente da explosão vendo a silhueta de Stonefell em meio às chamas.
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