Power High

25 Arco 3 Capitulo 4 - Balanço de Poder


[Kyle Solberg]

- Procure ajuda pra nós, não sabemos com o que estamos lidando. – Pedi a Sohye que Acenou positivamente com a cabeça e correu na direção contrária.


Aparentemente ele não estava para brincadeiras, não deve ser simples transformar uma bola de fogo em bolhas de sabão. O cara é poderoso, precisamos ser rápidos ou fugir.


— Última chance. Me entreguem ela e eu vou embora. – Ele começou a se aproximar.


— Connor. – Falei baixo. – Ele é poderoso, não dá pra vencer na força bruta.


— Qual é o plano? – O britânico acendeu ambas as mãos.


— Vou tentar distrair enquanto você ataca. Ele quer a Luna. – Encarei a morena de canto de olho. – Fique pra trás, vamos afastá-lo.


— Tempo esgotado. – Corri em sua direção tentando um ataque direto, mas foi como se minha mão batesse em nada me desviando para a direita. – Alguém quer tentar de verdade.


— Esqueceu que tem dois de nós. – Connor se impulsionava com os punhos em chamas para tentar acertar um soco incandescente que teve a mesma reação do meu ataque. — Mas que... Eu podia jurar que acertei em cheio.


— Crianças. – Ele riu. – Querem saber um segredo? Vocês tocaram as moléculas de ar tão duras quanto rocha que eu acabei de alterar.


— O que? – Questionei.


— Vejam bem. – Ele forçou uma mão contra a outra, mas elas não se tocavam e dava pra ver uma pequena distorção molecular entre ambas. – É como socar o ar.


— Você fala demais. Luna agora! – Connor gritou antes de Luna lançar uma lâmina de ar contra o cara. Connor por sua vez lançou uma bola de fogo. A junção de ambos gerou uma parede de fogo que cobriu o corpo do tal molecular. – Isso.


— Não comemora ainda. – Adverti encarando o fogo se dissipar. Ele estava intacto.


— É inútil crianças. – Com um gesto de mãos ele levitou a neve do chão e transformou em pequenas estacas. – Quem quer ser o primeiro?


— Vem com tudo. – Connor se incendiou. – Eu vou torrar você até os ossos.


— Força bruta? – Perguntei recebendo um sim de Connor. – Vamos tentar.


— Vamos acabar com ele. – Luna se posicionou atrás de molecular de forma que fechávamos um triângulo ao seu redor.


Juntos avançamos com tudo que tínhamos. Esquivando das estacas de neve das quais Connor nem se dava o trabalho, elas derretiam antes de tocá-lo. Molecular não atacava Luna, apenas se defendia, contra suas investidas e a afastava. Não quer feri-la.


— Já acabaram? – Uma onda de choque nos lançou para longe. – Me entreguem ela, está ficando tedioso.


— Eu tenho um plano. – Falei baixo. – Ele não quer te atacar. – Apontei para Luna. – Sirva de isca, ele vai abaixar a guarda e é quando vamos acertá-lo.


— Certo. – Encarei Connor. – Pronto?


— Pronto.


Avancei levando Luna comigo enquanto Connor ficou para trás, usá-la de escudo humano talvez rendesse alguma brecha. Ele levantou mais estacas de neve. Coloquei Luna a sua frente. Ele vai parar e Connor vai atingi-lo.


— Pobrezinha. – Ele riu... ele não ia parar.


— Luna! – Corri de volta para tirá-la do ataque eminente.



[Luna Esposito]


Meus olhos se arregalaram vendo a enorme estaca se aproximando, eu não teria tempo de esquivar e estava ficando quente, muito quente.


— Bu. – Connor passou pelo meu lado esquerdo desferindo um gancho flamejante na região das costelas de molecular que foi jogado longe. A estaca que vinha em minha direção acabou derretendo. Connor se apagou e veio até mim segurando meu rosto. – Tudo bem?


— Tudo. – Olhei para baixo e ele estava nu. – Melhor ficar em chamas.


— Melhor. – Ele se acendeu outra vez. – Ele tem um limite até aonde as moléculas aguentam. – Encarei molecular se levantando. – Não pegou em cheio, mas acertou. Pra vencer esse cara vamos precisar nos forçar até o limite.


— Qual o plano? – Kyle se aproximou.


— Força muito bruta. – Falei. – Vai ter que vibrar mais rápido.


— Entendido. – Kyle começou a parecer um borrão.


Com tornados em mãos parti pra cima os disparando contra molecular que ao se aproximarem receberam a bola de fogo de Connor os transformando em tornados de fogo. Molecular pela primeira vez se esquivou com o olhar sério. O corpo de Kyle vibrando acertava vários golpes rápidos enquanto Connor e eu garantíamos a distância, ele não conseguiria focar em todos nós.


— Interessante. – Kyle começou a desacelerar. O chão sobre seus pés parecia pegajoso. – Me deixe mostrar algo mais interessante. – Ele se esquivou dos projéteis de Connor e meus para chegar até Kyle. Ele simplesmente tocou o ombro do mesmo que caiu no chão começando a convulsionar.


— Kyle! – Connor avançou até nosso amigo no chão. – Seu doente, o que você fez?


— Apenas vibrei as moléculas dele até o cérebro não consegue acompanhar, vai depender muito da adaptação dele se ele vai sobreviver. – Connor permanecia ajoelhado ao lado de Kyle.


— Cuida dele. – Pediu para mim, dando alguns passos. A neve ao redor começou a derreter e a pouca vegetação a queimar. – Eu vou matar você porra!


Connor avançou como um animal, cada golpe gerava uma distorção no ar. Molecular estava ficando encurralado quando Connor acertou um soco em cheio em seu capacete. A peça que começara a derreter foi retirada da cabeça. Meus olhos não podiam acreditar.


— Pietro?!


[Thomas Stamford]


Eu estava a uns quinze minutos apenas cobrindo o perímetro para Brunilda conseguir desvendar o que diabos era aquela energia roxa. Nenhuma ação além de alguns seres de rocha que brotavam do chão, nada que eu não pudesse detonar com o laser.


— Algum progresso? – Perguntei destruindo dois “golens” alternado a direção do feixe ocular.


— Quase chegando em algo. – Respondeu sem perder a concentração. – Continue segurando eles.


— Sim senhora. – Concordei mantendo meu foco nos golens.


Seis deles brotaram do chão investindo contra mim. Com alguns passos para trás comecei a traçar o caminho torto dos raios ômega, que por sua vez detonaram com as rochas. O feixe linear no início do disparo perfurou dois deles, em seguida fazendo-o seguir para a diagonal acertando mais um, uma curva acentuada a esquerda destruir o quarto e quando os outros dois estavam perto de me atingirem uma linha horizontal vermelha terminou o serviço.


— Brechen Sie das Siegel! – Ouvi Brunilda gritar antes da torre de energia roxa lançar uma onda de energia que nos jogou a metros de distância.


— Deu certo? – Perguntei com dificuldade, ainda no chão.


— Eu não entendo. – Ela se levantou encarando o centro da ciência sem explicação. – Maldito.


Do centro purpuro saía um homem, com um traje preto com detalhes em lilás, uma capa tomada pelo lilás que na parte de dentro parecia que dava entrada para um céu estrelado. Ele posicionou a bengala a sua frente.


— Que tarde auspiciosa não é mesmo? – Ele encarou Brunilda por alguns segundos. – Olá professora.


— Quanto tempo, meu aprendiz. – Ela fala com asco na voz.


Aprendiz? Não creio que esse cara treinou com ela, isso deve fazer dele alguém bem poderoso, afinal ela tem milênios de idade. Me levantei posicionado os dedos no visor, qualquer movimento seria motivo para um disparo.


— Péssima ideia criança. – Em um piscar de olhos ele estava a centímetros do meu rosto, quando soltei o laser ele permaneceu imóvel sem tocar meu oponente. – Impressionante.


— Para trás. – Uma voz poderosa o colocou de joelhos fazendo o laser finalmente escapar atingindo nada. – Senhor Stamford, vou mandá-lo para fora da redoma.


— Mas eu posso te ajudar. – Ela me encarou e sorriu, como quem diria “eu sei que pode”, antes de estalar os dedos me fazendo sumir para fora da redoma. – Não, não, não. – Encostei as mãos na mesma. – Merda! – Soquei e soquei sem sucesso.


— Tom... – A voz de Manuella me despertou. – Tudo bem?


— Eu espero que sim. – Falei encarando o colégio.


[Sombra]


O kaiju estava destruindo boa parte da cidade enquanto lutava com Jötun. Me encarregue da parte de resgate de civis juntamente com Rocket, enquanto os outros lutavam contra o classe sete.


— Mais seis civis fora do alcance da luta. – Comuniquei. – Precisamos cobrir o máximo de área. – Encarei a televisão do abrigo em que estávamos deixando os civis. As notícias de última hora mostravam Power High em uma cúpula roxa e logo ao lado em um pop up menor Extroyer estava em perseguição. – O que você tá fazendo garoto?


[Ivon Zolotoy]


Devia ter optado por um veículo mais discreto, esse com certeza chama muita atenção. Seis viaturas se posicionaram atrás de mim.


— Okay, a moto é pesada e não vou conseguir me evadir tão facilmente. – Encarei eles pelo retrovisor. – Hora do show. – Liguei o piloto automático da moto e saltei em um mortal para trás caindo em cima do teto de um dos carros. Com a mão envolta em metal enfiei o braço na mesma e arranquei o volante. Dois passos rápidos me deram o impulso necessário para pular na lateral da próxima, transformando a mão em lâmina cortei um dos pneus antes de me desvencilhar absorvendo o asfalto do chão. O corpo derrapou até a parte debaixo de umas das viaturas aonde me segurei no chassi. – Se eu fizer assim. – Enterrei o chassi com as mãos fazendo a viatura perder a direção e começar a capotar. – Vem me buscar. – Falei no comunicador antes da moto vir realmente me buscar. – Eu adoro isso aqui.


Montei na moto e segui ainda com três viaturas na minha cola. Dessa vez vou ser mais esperto. Com o corpo ainda de asfalto enfiei a mão para dentro do chão gerando desníveis e buraco catastróficos na pista. Em consequência as viaturas tiveram pneus furados, rodas tortas e longarinas desalinhadas.


— Isso! – Encarei a rua. – Só mais sete minutos.


[Elena Starkov]


- Então, você é uma cópia barata do Coisa? – Questionei o encarando com um sorriso zombeteiro.


— Não. – Respondeu calmo. – Eu sou o resultado de anos de um projeto norte americano para sobreviver até no vácuo do espaço sem a necessidade de um traje. Apenas de um respirador.


— E deu certo?


— Eu ainda estou aqui. – Ele avançou desferindo um soco poderoso que bloqueei, mas não deixou de me lançar alguns metros. – Biocinese. Interessante.


— Os ossos mais rígidos que vai encontrar aqui. – Me posicionei. – Até os órgãos internos dele são duros como rocha. Aparentemente ele não vai dar tempo até eu conseguir manipulá-los.


Avancei enrijecendo todos os ossos, músculos e pele do meu corpo, a defesa precisa ser alta, eu amassei o metal do corpo de Ivon na luta, posso fazer isso. Desferi vários golpes na altura da cintura e até alguns ganchos certeiros, mas realmente movê-lo era uma tarefa difícil. Desferi um chute frontal que o fez voltar alguns metros me dando oportunidade para um soco esmagador que precisei dar um salto para atingir sua cabeça, por conta de sua estatura muito elevada. Ele recuou alguns passos me encarando.


— Decepcionante. – Ralhou investindo. Esquivei de seis socos com facilidade, ele era lento. – Mais um segredo precisa prestar atenção em tudo ao seu redor. – Um soco de esquerda se formou, esquivei para o lado oposto... foi uma armadilha, senti a rocha se chocar contra minha bochecha me jogando para longe.


— Merda! – Reclamei começando a levantar. Meu rosto ardia e nele se formavam alguns ralados que curei rapidamente. Preciso ser mais agressiva.


— Já cansou? – Provocou começando a correr em minha direção. Me posicionando novamente aguardei o coisa. Quando ele estava próximo o suficiente armando um soco, seu pé dominante pisou duro no chão levantando uma rocha com um arranque poderoso sobre meus pés que me jogou para cima. Meu tornozelo foi agarrado e fui batida contra o solo quatro vezes. O corpo estava rígido e a neve fofa ajudava a amortecer, mas doía... uma dor que eu já não sentia a anos. Fui lançada como um saco de batatas contra uma árvore que se partiu com o contato. Me mantendo parada sobre ambos os joelhos e mãos, minha visão ficou embassada. Isso é medo? Questionei o vendo caminhar em minha direção. – Excesso de confiança. – Falou alto. – Foi isso que paralisou seus pés. – StrongOne era só uma distração para o seu ego. – Ele enfiou ambas as mãos no solo puxando uma enorme pedra. – Eu sou seu oponente.