Power High
17 Arco 2 Capitulo 5
Connor/
Sentei em um dos bancos do vestiário puto da vida. Por que cacete alguém iria querer me incriminar?
— Hey. – Sohye entrou no vestiário.
— Você só chega agora? – Questionei. – Sabe que não te sabotei né?
— Pode ficar tranquilo. – Me acalmou antes de se sentar. – Sei que não faria algo assim.
— Obrigado. – Agradeci me levantando. – Precisamos ir se quisermos ver a Luna lutar.
— É só mais tarde. – Lembrou Sohye. – Podemos esperar.
— Quero pegar um lugar na frente. – Admiti.
— Okay, apaixonado. – Sohye revirou os olhos se levantando. – Vamos lá.
/Elena/
Com um lenço e gelo eu massageava a bochecha de Ivon que estava mais inchada do que queimada.
— Ele bateu bem forte dessa vez. – Provoquei recebendo um olhar fuzilante de Ivon. – Já reparou que você anda muito emotivo?
— Não estou emotivo. – Bufou. – Eu só não tenho sangue de barata.
— Ivon... você podia respirar fundo até terem uma prova mais concreta. – Repreendi. – Entendo que Sohye foi sua primeira amiga aqui, mas ela acredita que não foi ele...
— Você tá do lado de quem? – O mais velho se colocou de pé. – Esse cara... ele mereceu. Só está causando problemas desde que chegou.
— O assunto... – Respirei fundo. – É o seu julgamento... não deixe ele ser afetado pelas emoções, podia ter resolvido sem todo esse atrito.
— Isso vai ser bom pra ele e pra mim. – Arqueei uma sobrancelha em questionamento. – Quando eu estiver de frente com ele, eu vou limpar o chão com o corpo dele.
— Okay, dono da razão. – Revirei os olhos sabendo que não iria convencê-lo do contrário.
/Luna/
Corri até meu armário no vestiário da Beta6 para colocar o uniforme, horroroso por sinal. Amarelo com a letra B e o número 6 na cor roxa. Péssima escolha. Dei uma última olhada no armário e tinha uma carta lá, peguei o papel em minhas mãos e estava escrita a mão “De Connor” soltei um sorriso bobo ao ver o nome do loiro antes de desdobrar a carta.
“ Boa sorte na sua competição, vai ter uma surpresa após o final da partida, me encontra no terraço do prédio escolar.” Era só isso que a “carta” dizia, mas até que foi legal da parte dele.
***
Estava pronta, posicionada. Eu e Kjartan iríamos ser os heróis da partida contra os “vilões” no salvamento do cidadão. O boneco já estava pendurado acima de um tanque de tubarões, nosso objetivo era impedir isso. Enquanto Gray e Miles iriam tentar nos impedir.
— Estão prontos? – Butcher nos encarou. Assentimos. – Prontos? – Agora os membros da Spartan que também concordaram. – Comecem!
Avancei começando a surfar em uma prancha translúcida de ar para abrir espaço para Kjartan; Miles avançou e se transformou em uma forma de lagarto humanoide enorme preparando as garras para me acertar em ataque. Elas se aproximaram e consegui evitá-las perdendo alguns fios de cabelo, agora precisava passar por Gray que permaneceu na retaguarda. O ruivo começou a esticar os braços para desferir pancadas poderosas me fazendo ter que mudar de rota a maioria das vezes.
— Kjartan! – Gritei sentindo o tremor no chão seguido de uma enorme pedra acompanhada de Miles que voou na direção de Gray abrindo parcialmente o caminho. – Comigo!
— Certo! – Kjartan se lançou com uma estaca de pedra que o empurrou, mas antes de chegar até mim foi barrado por braço elásticos e usado como boneco para acertar e nos jogar para longe. – Não vi ele chegando.
— Foco. – Falei. – Começa a gerar estacas enquanto eu desvio.
Retornei ao meu surf e permaneci desviando dos ataques de Gray que por mais que tentasse não conseguia me pegar, ocasionando um belo de um nó em ambos os braços que levaria alguns segundos para se soltar. A pior parte era ter que fugir de um lagarto de quase três metros que me acompanhava pela “floresta” de estacas.
— Em cima! – Kjartan gritou antes de Miles me acertar uma bela pancada no topo da cabeça.
— Sem correr. – A voz reptiliana me pegou pelo calcanhar me lançando contra algumas estacas que se partiram com meu impacto.
— Ficou bem mais fácil agora. – Gray se aproximou.
— Vocês são muito otários. – Sorri, me levantando. – Tremor nível oito!
O chão começou a tremer enquanto eu comecei a voar, as estacas foram se quebrando deixando algumas lascas bem grandes. Comecei a fazer gestuais de giro com as mãos gerando um tornado que se uniu as pedras que serviram de ferramentas de dano.
— Salva o cidadão! – Kjartan berrou gerando um domo de rocha em volta dos dois.
Voei o mais rápido possível... estava perto até sentir algo se enrolar em meu tornozelo. Fui batida como uma boneca de pano de um lado para o outro. Minha visão estava fraca quando levei outra pancada que me fez bater de costas no tanque de tubarões. O cidadão estava quase caindo precisava agir rápido.
— Ataque tubarão! – Gritei. Kjartan estava preso pelos braços de Gray, mas isso não o impediu de bater forte no chão e gerar um rocha enorme que atingiu o tanque gerando rachaduras que aos poucos iam aumentando. – Sharknado.
Quando o vidro se partiu me envolvi em ar subindo em um giro anti-horário que gerou um redemoinho lançando os tubarões para cima de Miles que teve que se defender de algumas mordidas me dando tempo suficiente de resgatar o cidadão.
— Senhoras e senhores a Beta6 é a vencedora da primeira etapa do salvamento do cidadão! – A voz de Manu reverberou pelos autofalantes.
Recebemos os Aplausos do publico que assistia enquanto saíamos os quatro da redoma de vidro. Voltamos para a zona anti-poderes da fraternidade aonde fomos recebidos com aplausos e uma excelente ideia de comemoração da primeira vitória.
Connor
Não demorei para sair da redoma e voltar para o meu quarto buscar o presente que peguei para Luna. Um colar simples de prata com um pingente que tinha o nome dela escrito, espero que ela goste. Saindo pela porta paro por alguns segundos pensando e se eu... Parei em frente a porta de Kyle e bati. Ao abrir ele me encarou sem entender.
(Recomendo deixar tocando a música Brother – Kodaline)
— Vou até o terraço da escola... se quiser ir. – Convidei.
— Pode ser. – Estranhei ele aceitar com tanta facilidade, mas não iria questionar. – Te espero lá.
Saí pela janela do meu quarto e voei até o terraço aonde Kyle já me esperava. Debrucei no parapeito encarando a neve que se formava na área verde agora branca.
— Você está melhor? – Perguntei na tentativa de quebrar o silêncio.
— Mais ou menos. – Deu de ombros. – Desculpe se não estou sabendo lidar direito com meu luto.
— Sem problemas... acho que eu ficaria da mesma forma. – Me compadeci. – Só quero que pare de se matar aos poucos, você tá magro e seu cabelo tá horrível, tá com olheiras imensas e...
— Ofende mais. – Falou sarcástico.
— Foi mal. – Me desculpei. – Mas você entendeu.
— É eu entendi. – Sorriu. – Como estão as competições?
— Bom, Sohye perdeu na natação por sofrer um acidente, a Luna fez um sharknado pra vencer e eu dei um soco na cara do Ivon. – Ele riu. – Nada fora do comum.
— O que rolou entre vocês de novo? – Questionou.
— Eles me acusaram de sabotar a tornozeleira da Sohye. – Kyle arqueou uma sobrancelha. – Pois é, mesmo eu tendo um álibi, aquele escroto não acreditou, então o que me resta é só dar uma boa surra nele.
— Sonhar faz bem as vezes. – O norueguês me provocou.
— Eu te odeio. – Menti fazendo nós dois rirmos. O silêncio se instaurou por alguns segundos. Devia ir falar com a Sohye.
— Acha que ela quer conversar? – O olhar triste dele quase cortou meu coração.
— Não faz essa cara de coitado. – O mesmo a desfez me mostrando o dedo do meio em seguida. – Ela sempre quer conversar com você.
— Se você diz. – Ele se espreguiçou se afastando. – Vou fazer isso agora, você vem?
— Não, estou esperando alguém. – Ele sorriu malicioso.
— Uma morena que gosta de massa? – Brincou... era bom vê-lo assim.
— Sim. – Afirmei.
— Boa sorte. – Disse antes de desaparecer deixando o clássico vulto azul.
(Pode parar a música pois é o fim do momento Brother)
Obrigado, pensei. O sol já havia sumido no horizonte e eu estava ali a horas. Eu esperei... e esperei... e esperei, até ouvir a porta do terraço sendo aberta. Me virei de supetão sorrindo, mas murchando ao perceber ser apenas Tom.
— Estava esperando outra pessoa? – Perguntou ao notar minha reação.
— Pra falar a verdade... – Voltei a me debruçar no parapeito. – Eu tava.
Fale com o autor