Power High
16 Arco 2 Capitulo 4
Notas iniciais
/Ginásio Colossal, minutos antes da competição./
— Nadadores peguem suas tornozeleiras com o representante da fraternidade. – Manuella falou ao microfone que propagou o som pelas enormes caixas distribuídas pelo ginásio. – A prova irá se iniciar em alguns minutos.
/Zona anti-poderes da Spartan./
Sohye caminhou tranquila até o vestiário onde pegou sua tornozeleira, avaliou as luzes de ativação e constatou estarem boas.
/Horário da competição./
De longe uma figura com um casaco rubro e faixas brancas observava a largada dos Nadadores contra a corrente da piscina.
— E a minha nadadora especial, onde... ah ali! – Os olhos pararam sobre Sohye. – Hora de uma pequena fração de poder. – Com um click no pequeno controle remoto o homem sorriu percebendo a mudança de movimentação da asiática. – Bom desespero.
/Sohye/
Saltei para dentro da piscina, seria fácil vencer. A corrente não era tão forte quanto as que Luna usou para me ajudar a treinar. Bati os braços e pernas em perfeitos sincronismo com a cabeça baixa para manter a velocidade, senti meu dedos alisarem a borda antes que uma pontada forte na minha cabeça fosse sentida. Dor... desespero... ódio... solidão... todos de uma vez em uma carga tão pesada que me fizeram parar enquanto a corrente me levava até o outro lado da piscina me fazendo bater a nuca contra o azulejo... minha visão ficou turva, e antes que eu apagasse o nome de Kyle pairou por minha mente.
Mãos quentes tocaram meus ombros antes que eu abrisse os olhos devagar... vi os olhos azuis, mas não eram os de Kyle e sim os de Connor.
— Caralho que bom que está viva o Kyle ia ficar maluco se você morresse. – Meu amigo suspirou aliviado. – O que aconteceu?
— Não importa! – Me esforcei para conseguir sentar. – Vai ver o Kyle.
— Por que? – Connor perguntou sem entende e eu só o encarei.
— Anda logo!
Connor bufou antes de se levantar e me deixar com os socorristas. O que será que aconteceu?
/Connor/
Saí correndo e quando estava fora do ginásio comecei a voar até o dormitório, que merda pode ter acontecido com ele dessa vez? Dispensei o uso da porta e entrei pela janela dando de cara com o quarto semi destruído e Kyle em posição fetal aonde costumava ficar o criado mudo castanho que estava em pedaços perto da porta.
— Que merda aconteceu aqui? – Perguntei caminhando até ele segurando seus punhos. – Levanta. – Pedi ajudando-o antes de receber um empurrão em alta velocidade , que me fez romper a porta do quarto indo direto para o corredor aonde senti meus ossos se chocarem contra o piso frio. – Ficou maluco?!
— Você fez isso comigo. – Ele veio em minha direção pisando duro. – Por que?!
— Eu não fiz nada! – Gritei chutando sua canela com força para que se afastasse. – O que aconteceu? – Perguntei ficando em pé com a guarda levantada.
— Isso aconteceu. – Mais uma vez em uma velocidade que não acompanhei uma caixa voou na minha direção acertando minha testa que me jogou no chão de novo. – Lê essa porra e me diz que não foi você!
— Acho que não consigo ler depois dessa. – Reclamei da dor indo até a caixa para ver o conteúdo. Agarrei os papéis e meu sangue começou a ferver. – Não fui eu.
— Conta outra. – Ele voltou a caminhar em minha direção. – Só você me chama assim, ninguém nem sabe da existência dessa piada.
— Não fui eu cacete. – O empurrei queimando os papéis em seguida. – Por que eu iria te sacanear desse jeito? Aquela merda ainda estava digitada, se tivesse minha letra até daria pra entender, mas nem isso. – Olhei nos olhos do meu amigo que estavam confusos agora. – Por que eu iria querer sacanear você?
— Eu não sei! – Kyle berrou socando a parede. – Me deixa sozinho...
— Vai pro inferno com esse pedido. – Me aproximei. – Sohye sentiu você lá do ginásio, o mínimo que você deve é uma explicação pra ela!
— Não devo nada a ela!
— Deve sim! – O coloquei contra a parede segurando em seus ombros o chacoalhando. – Deixa de ser a porra de um filho da puta egoísta e no mínimo diga o que aconteceu, seu cretino!
— Não encosta em mim! – Ele bateu em meus braços se soltando e correndo para dentro do quarto. – Me deixa sozinho.
Analisei o olhar dolorido... dei de ombros e com um torcer de lábios dei as costas, não vou insistir se ele não quer companhia, que se danem, ele e seu sofrimento.
/Sohye/
Após me recuperar voltei para a zona anti-poderes da Spartan, devia haver alguma explicação do que aconteceu com a minha tornozeleira.
Ivon estava sentado em uma das mesas e se levantou num salto para me analisar e ver se eu estava bem.
— Quebrou alguma coisa? – Perguntou e neguei com a cabeça. – Está tudo bem mesmo?
— Sim. – Respondi. – Pode me ajudar a solicitar as imagens da câmera de segurança?
— Elena já fez isso. – O mais velho respondeu nos guiando até a parte mais funda do vestiário. – Ela tá rodando o vídeo.
— O cretino que fez isso devia estar marcando você. – A ruiva explicou sem tirar os olhos da filmagem. – Sabia até qual tornozeleira iriam te dar... BINGO! – O vídeo foi pausado mostrando um homem com um moletom e capuz na cor vinho com faixas brancas nos punhos... eu conhecia muito bem aquele moletom. – Parece que seu amigo piromante andou ocupado.
— Não tem como ser ele... – Neguei. – Ele esteve com o Tom o tempo todo.
— Eu também recebi... – Elena revelou o acontecido de dias atrás. – Tinha um rato chamuscado no meu armário.
— Por que não me contou? – Ivon perguntou para a namorada.
— Porque não parecia algo sério... – Ela jogou os cabelos para trás. – Mas parece que não fui a única...
— Parem os dois! – Ordenei irritada. – Conheço Connor bem o suficiente para saber que não faria algo assim. Ele não é uma pessoa má.
— Ainda não me convenceu do contrário. – Ivon deu as costas.
— Aonde vai? – Elena perguntou.
— Tirar satisfações.
/Zona anti-poderes da Bite Bones/
Ivon pisava duro caminhando dentro do vestiário, os olhos do moreno não paravam de caçar o loiro aonde quer que estivesse. Estava cheio das brincadeiras de mal gosto desde a Noruega. Andou mais alguns metros e avistou o piromante conversando com um dos membros da fraternidade. O russo se aproximou e tocou o ombro do mais novo que se virou recebendo um direto de esquerda que que levou ao chão.
— Que porra é essa Zolotoy? – O loiro perguntou se levantando do chão empurrando o rapaz.
— Fica longe da Elena, fica longe da Sohye fica longe de nós. – O mais velho se aproximou. – Ou acabo com você.
— Pode vir. – Connor falou baixo acertando um chute forte nos joelhos de Ivon que se ajoelhou sob um joelho. – Agora me diz o motivo da ameaça.
— Até parece que não sabe. – Uma roda se formava em volta dos dois. Ivon deu uma rasteira em Connor e montou sobre o mesmo desferindo socos. – Rato no armário da Elena! – Soco. – Sabotou a tornozeleira da Sohye! – Soco. – Duvido que tenha sido coincidência!
— Vai se foder! – Connor acertou uma joelhada nas costelas de Ivon e em seguida o chutou para cima para pegá-lo em uma chave de braço – Eu nunca faria mal pra nenhuma delas! – Connor começou a bater o calcanhar no peito de Ivon para ele soltar e poder terminar a imobilização.
— Que merda esta acontecendo aqui! – Butcher se aproximou dos rapazes e os separou com facilidade, como se cada um pesasse dez quilos. – Se não pararem agora farei com que os dois sejam desclassificados do combatente. Entenderam?!
— Sim senhor. – Os jovens disseram em uníssono.
Ambos ficaram se encarando até o professor sumir. Ivon encarou Connor e vice-versa, nenhum dos dois estava feliz.
— Peguei leve com você até agora. – O russo se pronunciou. – Mas agora, vendo o lixo de ser humano que você é, vou acabar com você igual deveria ter feito na Noruega.
Connor manteve o olhar para o chão enquanto o moreno dava as costas e saía. O lixo de ser humano que você é! Esse pensamento passeou pela mente do britânico até ele começar a se mover na direção do russo ouvindo gritos de advertência como “Connor não, Connor se acalma.”
Os passos brutos do inglês seguiram o oponente até lado de fora do vestiário aonde o alcançou.
— Ivon! – Gritou envolvendo o punho em chamas e acertando um murro no rosto do moreno que não teve tempo de reação a não ser cair de joelhos com uma vermelhidão acompanhada de uma queimadura fraca na bochecha. – VAI DESEJAR TER ACABADO COMIGO! – Berrou Connor sendo segurado por dois de seus companheiros de fraternidade.
O desafio estava lançado e o ódio afirmado entre os dois, sabiam que a final seria deles e ambos planejavam vencer.
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