Power High

15 Arco 2 Capitulo 3


Notas iniciais
Mais um fresquinho aí.

/Power High, um mês depois, 12:00/

— Quer parar de roer as unhas? – Tom pediu para Connor visivelmente nervoso. –Isso é nojento.

— Vai se foder. – Xingou o loiro ainda com a unha na boca. – Eu tô nervoso tá legal?

— Relaxa... – A voz de Ivon chamou a atenção de Connor antes do russo se posicionar ao lado de Tom. – Você ainda pode desistir se quiser.

— Não antes de fazer você comer terra. – Connor afrontou.

— Vocês dois podem guardar isso para a arena? – Elena ingressou o pequeno grupo. –Obrigada.

— É melhor entrarmos no ginásio antes que a gente perca o bioescaner. – Tom voltou a caminhar em direção a grande estrutura prateada do ginásio colossal. – Eles se superaram esse ano.

Ao adentrarem o local apenas Connor ficou boquiaberto com o espaço. A arena do combatente com uma cúpula de vidro blindado ridiculamente grossa feita para manter os lutadores dentro, as piscinas olímpicas de cem metros, o campo de obstáculos para o disparo de precisão e salvamento do cidadão, uma pista de obstáculos imensa que Connor chutou ser a da corrida e um salão separado que supôs ser o salão para a ginástica.

— Isso é muito foda! – Connor gritou. – Não sei porque eu não assistia na TV.

— Depois você se surpreende com os detalhes. – Tom empurrou o loiro para frente com força. – Bioescaner.

O quarteto caminhou em silêncio até onde pessoas com jalecos seguravam um dispositivo circular que quando apontado para o indivíduo o escaneava com uma luz azul ciano.

— Olha se não é o campeão do ano passado. – Um dos homens de jaleco branco cumprimentou Ivon. –Já sabe como funciona não é?! – O moreno se posicionou em frente ao doutor que apontou o aparato que brilhou sobre todo o corpo de Ivon fazendo um som robótico dizendo “dote de nível 3.5” – Muito obrigado e aproveite os jogos. Próximo.

— Sou eu. – Elena se posicionou fazendo o aparelho apitar “dote de nível 4”.

Em seguida Tom que revelou um dote 2.5 e por último Connor que ao ser escaneado ouviu um barulho agudo que deixou a cor do objeto vermelha acusando um dote nível ômega

— Nível ômega... – O doutor coçou o queixo. – Pega a braçadeira e o ponto eletrônico por favor. – Pediu para um dos auxiliares que trouxe uma braçadeira preta junto de um aparelho comunicador minúsculo. – Vai ter que usar isso.

— Por que? – O loiro perguntou confuso.

— Connor você é nível ômega. – Tom cochichou. – Tá no regulamento que você precisa usar.

— Mas por que caralho de motivo eu preciso disso? –Connor estava visivelmente irritado.

— Te explico no caminho, mas enquanto estiver no ginásio você vai ter que usar. – Tom repreendeu o mais novo colocando os equipamentos no mesmo. – Obrigado senhor.

— Aproveitem os jogos.

Connor caminhou resmungando enquanto tocava a braçadeira e cutucava o ponto eletrônico dentro do ouvido.

— Me explica pra que isso! – Exigiu recebendo um revirar de olhos de Ivon e Elena.

— Você que tem um poder de capacidade nível ômega, você cria e desenvolve o poder que tem, é quase sem limites. – Explicou o olho laser. – Então o ponto eletrônico é pra conversar com seu supervisor e a braçadeira vai medir seus batimentos e sua taxa de endorfina, se você sair do controle seu supervisor vai te dar um choque que vai te apagar na hora.

— Eu não tenho supervisor e isso continua ridículo. – Reclamou puxando os cabelos curtos recém cortados. .

— Eu sou seu supervisor, otário. –Tom deu um soco no braço de Connor. – Esses jogos vão ser o máximo.

— Também estou animado pra esse ano. – Ivon encarou Connor que retribuiu na mesma energia. – Não vá perder antes das finais.

— Não é uma opção. – O loiro respondeu fazendo seu caminho para as piscinas aonde seriam as competições daquele primeiro dia.

/Dormitório masculino, 12:00/

Revirando as manchetes e papelada em seu quarto, Kyle havia descoberto assuntos interessantes o nome verdadeiro do vilão “Sem Forma" na verdade era RhysPushkin um antigo herói de primeira classe da empresa Sberbank que teve o corpo e dote comprometido pelo procedimento de amplificação. Por conta desse acontecimento os projetos de aumento de poder estavam vetados a vinte e seis anos.

— Incrível como as empresas tentam encobrir os fracassos. –Sorriu fechando o notebook e indo para o quadro branco aonde estavam pendurados fotos e informações. – Possível jeito de chegar ao cuzão é indo diretamente para a Sberbank ou fazendo contato com alguém. – Escreveu ao lado de uma imagem da empresa. – Por sorte terei duas pessoas dessa empresa aqui... – O norueguês se assustou ao ouvir uma batida delicada na porta.

— Sou eu. – Reconheceu a voz de Sohye. – Abre aí.

— Um minuto. –Respondeu indo em direção ao guarda roupa colocando a primeira regata marrom que encontrou para depois atender a asiática. – Oi.

— Oi. – A garota com os cabelos presos saudou sorrindo sem jeito. – Tudo bem com você?

— Na medida do possível. – Os olhos azuis não expressavam nada.

— Acho que isso serve. – Sohye deu de ombros. – Hoje é o primeiro dia dos jogos e eu queria saber... se você não quer ir me ver competir?

— É hoje? – O rapaz perguntou perdido no tempo. – A que horas?

— Em duas horas vai começar, rodada única. – Explicou a menor. – Seria importante para mim ver você lá... – Falou olhando para os pés inquietos.

— Quer mesmo que eu vá? – Kyle perguntou recebendo um aceno de cabeça positivo. – Okay, eu tento aparecer...

— Promete?

— Não faço promessas Sohye. – O rapaz jogou os cabelos para trás antes de se consertar vendo o rosto chateado da amiga. – Prometo tentar ir.

— Mas você disse...

— Eu sei o que eu disse! – Interrompeu aumentando o tom de voz involuntariamente. – Desculpe...

— Tudo bem. – Sohye respondeu fria. – Eu talvez te vejo lá. –

Kyle ficou na porta até ver a figura de Sohye sumir na curva do dormitório, seus olhos não desfocaram nem por um segundo o que fez sua cabeça cansada doer antes de se sentir um completo imbecil por não ter prometido que iria.

/Portão principal de Power High, 13:00./

O tesla branco modelo S estacionou em frente ao portão gerando muitas lembranças na mente de Arthur.

— Estamos de volta... – Arthur desce pela porta porta passageiro. – Dezessete anos depois e eu não me canso de lembrar desse lugar. – O comandante lembra da grande dificuldade judicial que ocorreu para que ele pudesse estudar e aprender como um super dotado normal e não como um rato de laboratório da empresa. – Vamos?

— Não quer esperar o Nicholai? – Wendy perguntou segurando a mão do marido.

— Até parece que ele vai vir de carro. – O super revirou os olhos.

/Ginásio Colossal. 13:12./

O casal mais amado do mundo adentrou o ginásio. Wendy seguia Arthur que olhava para tudo como se o homem fosse uma criança de oito anos vendo tudo pela primeira vez.

— Quando eu estudava aqui não tinham essa zonas anti poderes. – Falou adentrando o local que mais parecia um vestiário. – Realmente... as coisas mudaram.

Os jovens que estavam ali olharam na direção da voz mais famosa do globo. De um segundo a outro todos os olhos estavam voltados para os cônjuges que sorriram para os mais novos.

— Espero que deem tudo de si durante as competições. – O comandante sorriu esboçando os mesmos dentes brancos perfeitos da embalagem de cereal que Ivon tanto apreciava.

O jovem russo olhava seu herói preferido se perguntando se devia ir até lá e pedir um autógrafo, ou quem sabe algumas dicas.

— Vai falar com ele. – Elena sussurrou para o namorado. – Sei que você está se segurando para não fazer isso.

— Ele deve estar ocupado demais com todo mundo pedindo autógrafos agora. – Ivon apontou para um pequeno grupo de pessoas que levavam canetas e pediam para o herói assinar seus bonés ou camisetas.

— Para de se fazer de difícil e vai lá logo. – Elena ergueu uma caneta para o rapaz. – Te espero aqui.

Os olhos de Ivon brilharam ao pegar a caneta e caminhar em direção ao comandante. O jovem esperou sua vez ansioso até ficar de frente com o herói mais poderoso do planeta que o encarou com um olhar interrogativo.

— Nos conhecemos? – Perguntou Arthur pegando a caneta do rapaz e assinando em sua camiseta branca.

— Quem me dera. – Ivon conteve o ânimo para parecer relaxado. – Mas sou um grande fã do seu trabalho.

— Sabe como é. – Arthur soltou um riso fraco ainda apreensivo com as feições de Ivon. – Salvar o mundo e essa coisas.

— Obrigado comandante. – Ivon agradeceu. – Espero que aproveite os jogos.

— Obrigado...

— Ivon, IvonZolotoy. – O rapaz respondeu.

— Do general Zolotoy? – Wendy perguntou curiosa.

— Ele é meu pai.

— Tem um pai herói, jovem. – O comandante elogiou antes de Ivon concordar com a cabeça e voltar até Elena.

Ivon se sentia na obrigação de ser o campeão pela última vez, não importa quem fosse ele iria derrotar na arena para mostrar ao Comandante o quão bom ele era.

Arthur ficou apreensivo vendo o jovem se afastar com a ruiva que encontrou. Sabia que havia visto aquele rosto em algum lugar, mas aonde?

/Dormitório masculino, 13:45./

Kyle havia se arrumado, fizera a barba, penteou os cabelos para trás, estavam um pouco mais compridos devido ao tempo e se olhou no espelho. O rosto estava um pouco mais magro e os olhos opacos, mas ele iria, não podia voltar atrás.

Abriu a porta do quarto e estranhou ao dar de cara com uma pequena caixa que tomou em suas mãos a abrindo. Haviam pequenos bilhetes. O primeiro dizia “Tudo bem ligeirinho?” sua memória o levou a Connor que uma vez o provocara com o apelido por uma semana. O segundo bilhete dizia “ainda de luto?” o terceiro “a culpa é sua mesmo!” Kylepuxou os cabelos antes de ler o quarto “Você deixou sua irmã morrer!” Aquela frase pairou pela mente de Kyle antes do norueguês fechar a porta do quarto e atirar a caixa contra o quadro branco, os olhos do moreno enxergavam a cena do carro capotando quando partiu o quadro ao meio com nitro golpes, o criado mudo foi jogado para o outro lado do quarto antes do rapaz se sentar em posição fetal com os olhos marejados se balançando de um lado para o outro enquanto tremia.

/Ginásio Colossal, 13:50/

Connor caminhou pelo ginásio procurando uma certa italiana, queria desejar sorte a amiga antes de não se verem durante as competições.

Avistou Luna com um uniforme amarelo com detalhes roxos e formas de uma letra B e um número 6 sob o coração, os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo revelando os traços belos da dominadora do ar.

— A cor desse uniforme é horrorosa. – Connor provocou surpreendendo Luna que sorriu.

— Melhor que esse cinza sem graça. – A garota apontou para a camiseta cinza que Connor usava com símbolo de uma mandíbula mordendo um osso quebrado. – Não devia estar nas arquibancadas?

— Ainda tenho dez minutos e eu...

— Luna! – Um rapaz moreno com a pele bronzeada e cabelos cacheados chamou a atenção da italiana. –Terceiro ano hein.

— Sim. – Luna sorriu olhando para Connor que estava confuso. – Connor esse é o Kjartan (Kiartan) minha dupla no salvamento do cidadão a três anos.

— Muito prazer. – O indiano estendeu a mão para Connor que a analisou antes de apertar e emitir um forte calor. – BiteBonesein.

— É, BiteBones. – Connor comentou colocando as mãos nos bolsos sem muita cerimônia. – Boa sorte para a dupla dinâmica. – Desejou dando as costas.

— Obrigada. – Luna agradeceu estranhando o ato do britânico e caminhou rápido até ele. – Está tudo bem?

— Tudo ótimo. – Connor forçou um sorriso. – Só vou desejar sorte para a Sohye.

— Certo...

— Boa sorte com sua dupla. – O loiro voltou a caminhar.

O piromante caminhou até a região dos blocos de partida da natação aonde Sohye se ajeitava com seu maiô vermelho com um capacete espartano preto que decorava toda a lateral da peça. Ao ver Connor a mesma acenou.

— Ele veio? – Perguntou vendo a cabeça de Connor balançar negativamente. – Ele disse que ia tentar.

— Disse? – O rapaz perguntou surpreso.

— Uhum, mas tudo bem. – Não estava tudo bem. – Ele pode ficar lá.

— Dá um tempo pra ele.

— Mais tempo? – Sohye falou com escárnio. – Okay.

— Boa sorte... – Connor abaixou a cabeça. – Ele só precisa ficar sozinho.

— Tanto faz.

Sohye subiu no bloco de partida se preparando para sua prova, não podia deixar Kyle a desconcentrar. Foco, precisava de foco para nadar contra a correnteza da piscina e iria fazer isso da melhor maneira possível.