Power Academy
2 Um amigo?
Notas iniciais
– Julie? Jú! JULIE!
– O QUE? O QUE FOI? TERREMOTO? – eu acordei assustada, e logo percebi que estava no meio da aula, com todos rindo da minha cara. – d-desculpe professora Delany...
– suas desculpas foram aceitas senhorita Closs, mas que isso não se repita!
– sim senhora.
– acho bom. Como eu estava dizendo... – disse a professora voltando a explicar sua aula.
– juh... eu tentei te acordar, mas... – disse a Ivy fazendo cara de preocupada.
– n-não tem problema... Eu é que não deveria ter dormido tão tarde. – falei e sorri.
Nesse momento o sinal tocou e eu comecei a guardar minhas coisas, quando senti algo estranho... como se algo de muito bom fosse acontecer... não consigo explicar direito.
– aaaaai que aula chata! Fala sério... eu odeio história. – falou Ivy se espreguiçando. – vamos? A Ana já deve ter voltado do treino dela.
– aham. – falei, e nisso voltamos para o quarto. Já faz 4 dias que eu estou nessa academia, e digamos que eu não fiz muito progresso... mas eu estou realmente me esforçando, e estou ligando para meus pais todos os dias a noite para contar sobre o dia, e eles me dão a maior motivação do mundo em relação a isso. A Ana? Bom, ela estuda de tarde agora, ela trocou de turno para fazer aulas de vôlei, ela diz que elimina toda sua raiva quando bate forte na bola... bom, cada louco com sua loucura. Assim que entrei no quarto, joguei a bolsa no chão e me joguei na cama.
– por que você não dormiu bem? – perguntou Ivy.
– insônia... – menti.
– entendo... descreva essa sensação para mim. – falou.
– O-O QU... ah, esqueci. Eu ainda não me acostumei com esse negócio de ler mentes... – falei e ela começou a rir. – bem... contando que agora você virou minha psicóloga particular... é tipo... como se tudo que eu fizer hoje, vai comprometer meu futuro... e eu não gosto disso.
– bem... eu não sou profissional nessa área, mas apenas aja naturalmente, e evite se meter em confusão. – falou ela, se achando “a pensadora”.
– tudo bem, mas... sabe... se esse negócio de ler mentes não der certo, já pode ser terapeuta. – falei.
– vou aceitar isso como um elogio, nanica. – falou.
– e-eu não sou nanica!! – falei, pegando uma roupa para tomar um banho.
– ah, é sim! Mas mudando de assunto... pra onde você vai?
– biblioteca... vou ver se chegaram livros interessantes.
– DENOVO?! Mas você sempre passa a tarde lá! Você precisa tomar sol, sabia?
– aham. E você?
– eu não preciso tomar sol, sou muito saudável, se quer saber!
– não, sua mula! Eu quero saber o que você vai fazer agora a tarde. – falei.
– aiai! Quanta delicadeza! Eu acho que vou nadar um pouco na piscina...
– beleza. – falei, e fui para o banheiro tomar uma ducha, a água estava quentinha, do jeito que eu gosto, depois me troquei, coloquei um vestido azul rodado de alcinhas, uma meia-calça preta e uma sapatilha jeans. Prendi meu cabelo em uma rabo-de-cavalo no topo da cabeça com um laço, e saí. Sim, eu tenho um estilo bastante Lolita, mas eu gosto. Depois que eu saí do banheiro, avistei Ivy dormindo calmamente, essa aí não muda nunca mesmo... dei uma arrumada básica nas minhas coisas, e saí em direção ao refeitório. Chegando lá, comprei um salgado, um refrigerante e uma salada de frutas. Depois que comi apressadamente, fui para a biblioteca... claro, passei horas lendo livros. Depois que eu já havia estudado bastante, e anotado bastante coisas também, acho que mereço ler um livro de verdade, né? Eu me levantei do amontoado de travesseiros em que estava sentada, e comecei a andar naqueles corredores imensos, até que avistei um livro, em que seu nome me chamou bastante atenção: “a menina mais fria de coldtown”. Claro que eu iria pegá-lo para ler, mas o problema é.... como eu vou alcançá-lo? Sim, ele estava numa prateleira altíssima, pelo menos para mim! Eu tentava de tudo, ponta de pé, pular... mas não dava.
– por que eles não colocaram um pouquinho mais baixo? – sussurrei para mim mesma, ainda de ponta de pé, tentando pegar o maldito livro.
Até que, do nada, apareceu um garoto, e esticou o braço por cima de mim, pegando o livro.
– era isso que estava tentando pegar? – falou o garoto.
– sim! – ele me entregou o livro – obrigada! Bom, até! – eu disse indo embora.
– espera ai... você não foi a garota que dormiu na aula hoje? – claro, era assim que as pessoas da sala me viam a partir daquilo...
– s-sou eu sim... – falei, meio envergonhada.
– hehehe aquilo foi engraçado – falou.
– ora seu... – se acalma Julie! – tudo bem... olha aqui, primeiro: você não tem o DIREITO de falar assim comigo, segundo: não, eu não dormi nem um pouco bem noite passada. Terceiro... tudo bem, não tem terceiro... Mas você me entendeu! Obrigada por ter me ajudado com o livro e talz, mas agora sai da minha frente, garoto! Hunf!
– hey! Agora é a minha vez! Primeiro: desculpa, eu estava tentando descontrair... Segundo: pare de agir como tsundere! E terceiro: vamos recomeçar... – ele tossiu e pegou o livro da minha mão – este livro é o que você estava tentando pegar? – ele disse sorrindo. Pois é, bipolaridade existe.
– era sim...
– tudo bem – ele me entregou o livro novamente – hey! Você não é Julie Closs? Estamos na mesma sala, eu sou Cody Light!
– s-sim...sou eu. – claro, era uma situação bastante constrangedora... Mas eu não resisti, e comecei a rir alto. – você é estranho! E engraçado...
– hehe... você acha? – falou ele todo pomposo.
– bom... Talvez se você se vestisse de palhaço seria mais eficiente – brinquei.
– ah! Que maldosa! – falou ele também brincando. Ficamos alí conversando por um bom tempo, eu descobri que ele tem poder de controlar a luz e a sombra, e que ele gosta das mesmas bandas que eu, pena que ele não é muito chegado a essa coisa de jogos, mas valeu a pena ter conhecido e conversado com o Cody... Eu nunca pensei que diria isso... Mas até que ele é um cara legal.
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