#POV do Ryan#

Fiz um pouco de chocolate bem quente, derretendo alguns marshmallows, porque eu sabia que o Brendon gostava de tudo exageradamente doce. Brendon estava sentado nos degraus que ligavam a casa e o jardim coberto pela neve. Seu olhar estava perdido no céu enquanto caía dele flocos de neve. Ele não estava tão bem agasalhado e fumava tranquilamente. Era uma cena maravilhosa. Seu rosto meigo e carinhoso com uma expressão pensativa, sendo adornada pela fumaça que saía dos lábios mais grossos e doces que eu pude conhecer.

“Posso atrapalhar, B?” Falei baixinho ali, em seu ouvido, após abaixar e deixar nossas xícaras de chocolate quente do lado do vocalista que se arrepiou completamente enquanto eu envolvia minhas mãos nele, possessivinho. “Embora você fique parecendo um anjo com essa expressão pensativa.”

“Você sabe que não atrapalha.” Sorriu e eu assenti. “O que você tem nessa xícara?”

“Chocolate quente com marshmallow.” Falei baixinho, dando um beijinho em seu rosto. “E eu fiz pra você, do jeitinho que você gosta.”

“Obrigado.” Sorri e eu o abracei por trás. “O que foi, hm? O que é que você quer?”

“Nossa, que agressivo.” Ri baixinho, sem maldade nenhuma, apertando o abraço. “Eu fiquei com saudades do seu abraço e de estar mais perto de você, e sentir seu cheirinho, seu carinho.”

“Eu também senti saudades.” Manteve o tom baixinho, me dando um beijinho carinhoso em meu braço e, em seguida, ficou acariciando meu braço com as pontinhas geladas de seus dedos. “É só isso mesmo, hm?”

“Não.” Neguei com a cabeça. “Na verdade eu tive uma idéia, eu queria fazer um jantar, com vinho, à beira da lareira, só com a luz dela nos iluminando e aquecendo...” Pressionei o rosto em sua bochecha, mordendo o cantinho do lábio em seguida. “...mas eu não sei o que fazer de comer, porque eu não sei cozinhar bem.”

“Um jantar, é?” Mordeu o lábio também, e virou o rosto pra mim. “Eu cozinho, mas por quê?”

“Eu só quero te agradar, B.” Roubei um beijinho carinhoso. Ele sorriu. “Você quer jantar comigo, hm?” Murmurei bem baixinho, deixando uma mordidinha no lóbulo dele que fechou os olhos e inclinou o pescoço, curtindo o que eu fazia. “Quer?”

“Quero.” Abriu os olhos bem devagar. “Mas só se você me der um beijo agora.”

Sorri e puxei o rosto dele ao meu. Juntei nossos lábios e Brendon tratou de tomar completamente o controle do beijo, aprofundando-o. Eu apenas correspondia. O Brendon de 2010 me fazia refletir sobre o homem que me beijava agora e me fazia amá-lo ainda mais. Ele me lembrava de ser carinhoso.

“Eu faço nosso jantar.” Brendon disse entre meus lábios, sorrindo. “Eu gostaria que você sentisse mais saudades de mim mais vezes, sabia?”

“Bobo.” Ri baixinho, enfiando alguns dedos nos marshmallows da minha xícara e colocando o doce nos lábios grossos de Brendon. Com os lábios, eu voltei a beijá-lo, misturando seu gosto com algo doce. Após isso, tomamos o chocolate quente entre risadas e mais carinhos. Eu queria contar ao outro Brendon que as coisas começara a fluir bem, que eu tive um dia maravilhoso com o amor da minha vida, embora tivéssemos durante o dia alguns desentendimentos.

— # —

B,

Sabe, certas opiniões eu prefiro guardar pra mim, exatamente como as da sua voz. Convenhamos, eu sou bem chato, eu não deixaria você cantar minhas músicas se você pelo menos não cantasse bem. Acredito que não deve ser muito fácil nem para você e muito menos para mim, porque ainda não consigo imaginar dividindo o quarto, em meio às turnês, com outro cara sem ser você. Eu não tenho muita certeza se você tem contato comigo aí, no futuro, mas eu acredito que eu devo estar bem, hm, desiludido de tudo, para sumir da sua vida.

Na realidade eu não condeno o Spencer. Isso aqui é uma loucura sem tamanho. Esse elo não deveria existir ao mesmo tempo é bom demais saber que eu tenho falado com um Brendon muito mais crescido e sábio do que eu tenho aqui ao meu lado. Gosto da sua evolução e, na verdade, de tudo o que te engloba. No lugar do Spencer, eu também não acreditaria em nada disso. Eu to com saudades dele, e ele é um excelente amigo.

Eu chamei você para jantar hoje. São mais ou menos três da manhã e por isso te peço desculpas. Eu adiantei as coisas por aqui, porque você, senhor viajante do tempo, me fez ter saudades do Urie que cozinhou para nós e a gente tomou vinho juntos, à beira de uma lareira, abraçados, mas em silêncio. Trocamos carinhos e beijos, mas eu te percebi distante. Me conte, Brendon, o que esconde de mim?

Ry.

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And I need you now tonight.

E eu preciso de você agora, essa noite.

Após eu pôr a carta no assoalho, eu voltei para a cama e Brendon apoiou imediatamente o queixo em meu peito. Na verdade, achei que ele estava dormindo. Imediatamente enrosquei os dedos em seus cabelos escuros e comecei a fazer um cafuné. Eu poderia me acostumar com aquele carinho. Com toda aquela proximidade.

“Ry?”

“Hmm?” Resmunguei baixinho, sorrindo pra mim mesmo.

“Seu coração tá disparado.” Mordi o lábio para não ter um sorriso tão bobo. “Isso é tão incrível.”

“Eu fico todo bobo com você, ainda.” Voltei a sorrir, meio que contra a vontade, mantendo minha carícia. A partir daquele momento, Urie ficou no mais profundo silêncio, do nada, e eu franzi o cenho. “Você ficou quieto.”

“Eu estava ouvindo seu coração, ainda.” Ele falou mais baixinho e eu fingi que acreditei. A expressão dele era pesada, entristecida, como se me escondesse alguma coisa e – realmente – não pretendesse me contar. “Fazia tanto tempo que eu não ficava assim com você, que eu quis curtir um pouquinho o que me apaixonou, mais, por você.”

“Eu estou sempre com você.” Falei e o máximo que ele fez foi se calar, como se o que eu tivesse dito ali fosse algum tipo de mentira, invenção, que eu controlava meu coração para que ele disparasse para mentir bem. Decidi deixar o assunto de lado e roubei alguns beijos. O sorriso dele se fazia e desfazia muito rapidamente, mas o abraço permanecia. Isso me intrigou, me amedrontou. Eu não queria perder Brendon, mesmo estando insatisfeito com a banda que eu tocava.

#POV do Brendon#

And I need you more than ever.

Eeu preciso de você mais do que nunca.

Era impressionante como Ryan Ross não me conhecia e como seu olhar realista das coisas o impede de ver o quanto eu o amo e isso o impede de agir com doçura. Uma doçura que é própria dele. A doçura que ele emanava enquanto dormia.

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Ryan,

Infelizmente, eu não tenho contato com você por medo. Eu sei que eu deveria te ligar, mas eu não consigo. Você tem uma garota no futuro e eu também tenho, isso vem contribuindo com minha falta de coragem e também com a minha impossibilidade de te ligar, de te procurar. Você tá me dizendo que está me trocando por mim mesmo porque aqui eu estou mais crescido? Seria cômico se não fosse tão trágico! Talvez esteja na hora de voltar a ver essas cartas como loucura.

Uma loucura que eu gosto de cometer, porque eu gosto de ter você perto de mim.

O Spencer e você são uns incrédulos. E eu acho (embora saiba que isso é indevido) que esse elo foi uma das melhores coisas que me aconteceu, porque de alguma forma me faz estar ao seu lado. (Você não sabe como dói não te abraçar, mas você jamais se importou com isso). A idéia do jantar foi genial, fiquei feliz em saber que vocês tiveram uma noite agradável, embora alguns contratempos.

Eu jamais escondi alguma coisa – mesmo que pequena – de você, Ryan. Eu tenho certeza que se eu te contasse o que o Brendon daí não te diz você vai dar um jeito de me xingar de patético (porque eu não passo disso pra você), vai falar que eu sou idiota, irritante e sentimental, só te peço para me olhar com cuidado, com doçura. Eu sei que você tem alguma doçura perdida em você, meu querido. Eu conheci o homem doce.

Ryan, ele está vendo você com olhos cansados. Olhos que não sabem se querem mais ser otimistas, amigos e cheio de luz. Ele deve estar pensando que para você não passa de sexo. Tente conversar com ele, expor com todo o seu coração o que sente. Se eu que leio suas palavras sinceras e, às vezes, agressivas, gosto de saber que está comigo, o B daí também gostará. Agora eu vou lá fora tomar um chocolate quente com marshmallow, tentar compor alguma coisa (sem você pra me dizer o quão ruim eu sou e isso faz uma puta falta).

Me mantenha informado sobre as coisas ai. Sobre você, sobre seus sentimentos. Estou pronto pra te ouvir.

B.

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Por mais que Ryan estivesse otimista, e isso era bem estranho, eu ainda tinha o pé atrás. Enquanto ele se preocupava – na época – em sua insatisfação com a Panic!, eu estava insatisfeito com a conduta do Ryan, com o jeito que ele me tratava e com o fato de eu ser, apenas, como uma camisinha que ele usa e depois amarra e pega outra, a diferença era que ele não trocava. Não enquanto ele estivesse dentro da banda.

Talvez fosse por isso a primeira carta tinha sido uma ajuda para mim mesmo, algo que me fizesse entender que Ryan não colaboraria direito nisso, porque Ryan não acreditava em amor. Ryan era apenas um homem sem sentimentos.

Preferi ver televisão enquanto tomava um pouco de chocolate quente. Eu queria Ryan mais perto para me abraçar e me aquecer mais nesse frio, murmurando falsas juras de amor em meu ouvido. No momento eu queria mais que lembranças, mais até do que eu podia ter. Eu senti vontade de ligar, cheguei a pegar o telefone da casa para fazê-lo, disquei o número do telefone de Ryan – que eu ainda tinha de cor – mas desliguei após algumas vezes que chamou. O homem com quem eu conversava todos os dias por cartas havia mudado muito e eu já estava humilhado demais para correr atrás de um Ryan que fosse mais certo poder tocá-lo. Eu tenho apenas uma chance de fazer tudo dar certo, já não tinha mais nada para perder além de meu próprio coração ferido. Eu tenho quase tudo para fazer esse amor dar certo, mas tudo o que eu coloco a mão dá errado.

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