Porto Seguro

1 A sede de Tamaki


Notas iniciais
Essa fic será curtinha, fiz para o projeto ABO Revolution no SS
Sendo assim quero agradecer o pessoal, pq eu tive a ideia pelo o tema sobrenatural e como sabem, só tenho duas fics de ABO, uma é one shot, nenhuma é o usual, então fiquei animada para participar xD

Estava louca para escrever com esse ship, que é meu outro OTP de BNHA e eu só tenho dois OTPs, então sim, eu amo muito miritama!

No meio da noite, na densa floresta, os uivos dos lobisomens ficavam mais e mais altos, quase ensurdecedores para a audição aguçada do vampiro Amajiki Tamaki. Imaginando o que poderia tê-los agitado, resolveu voltar rapidamente para casa, mesmo não tendo encontrado do que se alimentar.

Não valia a pena prosseguir o caminho para morder uma vaca na fazenda mais próxima, ou um urso durante a volta. Eram grandes criaturas, sobreviveriam a mordida da fome que tinha no momento, só não seria seguro trombar com lobisomens brigando.

Até que apareceu um esquilo. Não seria o suficiente, acabaria matando o bichinho e tinha dó. Voltou com fome, seria melhor descansar e dormir o máximo possível. Esqueceu que, mesmo que pudesse avisar no trabalho que não se sentia bem amanhã, teria muito o que fazer na faculdade. Para piorar, a sua noite poderia ter sido fria, mas, de manhã, o clima já esquentava. Ao meio-dia era um inferno tendo o sol em seu ponto alto.

Estava mais pálido do que o seu natural. Era o efeito de não ter se alimentado apropriadamente para se manter bem durante o dia, comer na cafetaria ali por perto. Poderia se alimentar lá para disfarçar a sede por sangue, tomar um café quem sabe.

Caminhava meio atordoado, sentindo cada passo pesando.

— Ei, está tudo bem? — Ouviu alguém dizer.

A voz parecia distante, entretanto sentiu a pessoa pegar em seu ombro. Virou para encarar quem era, mas lhe parecia um borrão.

— Está se sentindo bem? Quer ajuda? — perguntava… quem quer que fosse.

Um loiro alto de olhos azuis?

Sabia que não estava bem com aqueles sinais, seus sentidos estavam ficando cada vez mais confusos. Forçava o olhar para tentar enxergar e só lhe dava dor de cabeça.

— Ei! Ei!

Seu corpo não respondia, só pesava e sentiu os braços de alguém lhe envolver fortemente para evitar sua queda.

Apagou no mesmo instante.

Despertou tentando reconhecer o quarto onde estava, o sofá tinha sombra, a luz era natural, vinda da vidraça. Estava num canto mais afastado dela. Tinha outras cadeiras e sofás, mesas, pessoas conversando em outros cantos, folhas penduradas com desenhos e palavras nas paredes.

Era o recanto dos estudantes do prédio.

O borrão do homem sentado à sua frente, numa poltrona, reconheceu que era aquele que tinha visto antes de ficar desacordado. Conversava com uma jovem de cabelo longo e azul, que logo se retirou sem perceber que o rapaz tinha acordado. Quem notou foi o rapaz de antes.

Sua visão voltando a focar, notou que o loiro alto tinha um corpo bastante musculoso, deveria viver na academia, mas tinha grande olhos azuis muito gentis. Emanava um doce aroma, parecia cheiro de…

— Ômega...? — sussurrou seu pensamento, recebendo um sorriso acolhedor do rapaz sentado.

— Eu sou sim. Notei que você é também.

Desviou o olhar constrangido, falou sem pensar e tinha sido ouvido.

Que grosseria de sua parte ficar assumindo o subgênero de alguém.

— D-desculpe — pediu num fio de voz.

Em contraste, o loiro deu uma risada alta, não parecendo se importar.

— Não tem problema! Muitos ômegas são mais baixinhos, pessoas ficam surpresas quando veem um ômega lobisomem por isso.

Tamaki arregalou os olhos e voltou a encará-lo.

Lobisomem?!

O ômega loiro acabou por notar sua reação, ficando desconcertado:

— Se sente desconfortável com a minha presença por isso? Se quiser eu vou embora…

— Oh, não, não! — Por reflexo se inclinou e pegou nas mãos dele. — É que eu sou um vampiro e como você não sabia, pensei que… — Reparou que ainda segurava as suas mãos. Mais um constrangimento. O soltou e o viu achar graça, novamente, de suas reações — … você se sentiria desconfortável agora.

— Não se preocupe, eu sabia que era vampiro assim que te vi. — O grande ômega enxugou as lágrimas que escorreram por rir de novo.

— Ah, é?

— Sim, passou mal por estar com sede, não é? — E nisso mostrou o próprio pulso, com uma marca de mordida.

Tamaki ficou chocado e, passando a língua pelos próprios caninos, se arrepiou ao sentir o restante do sabor do sangue.

— E-eu que fiz isso? — A voz estava trêmula.

Mas o loiro continuava a não se importar, apenas confirmou com a cabeça. Na verdade, poderia dizer que estava orgulhoso.

— Não se preocupe, você não me atacou nem nada, acho que estava fraco demais para isso. Eu só te dei meu pulso para você morder e se recompor.

Tamaki cobriu o rosto com as mãos. Só queria ter uma vida pacata e comum na universidade, e lá estava ele, mordendo lobisomens.

Que vergonha!

Se pudesse, enterraria a própria cabeça na terra.

— Deve ter doído, me desculpe.

Claro que deve, não estava consciente para liberar os feromônios no rapaz e lhe dar o efeito anestésico.

— Não há problema, eu sou resistente! — O loiro flexionou os músculos do braço para provar seu ponto.

Amajiki não poderia evitar de prestar bastante atenção no ato, admirando entre os vãos dos dedos cobrindo o rosto; O resultado foram as maçãs de seu rosto pegando fogo.

Acabou de tomar daquele homem… e agora estava o comendo com os olhos.

Ótimo.

Abaixou a cabeça, escondendo-a entre as pernas, se encolhendo como num casulo. Pena que a vergonha era interna e não dava para fugir dela. Se assustou quando o loiro apareceu sentado no mesmo sofá, agachado para que o visse, não estava o deixando fugir de encarar nos grandes, luminosos e gentis, olhos azuis.

— Você é bem tímido, não é? — tom não parecia estar tirando sarro ou algo assim.

Sua forma de se comportar também não mostrava maldade, só muita curiosidade, como um filhote de cachorro.

Apesar de Tamaki não saber se comportar com os demais, aquele rapaz não era tão ruim assim. Talvez pela forma como ele se comportava, não causando tanta pressão. Ainda que não era o suficiente para evitar seu sentimento natural de embaraço.

Confirmou com a cabeça respondendo à pergunta que tinha lhe feito, e o fez rir de novo.

— Bastante adorável! — E ainda apontou para sua pessoa. — Está ficando vermelho de novo. — Amajiki ficou ainda mais depois da observação. — Bom saber que meu sangue está te ajudando nisso também.

Mas se o rapaz não se incomodava… Então, tudo bem.

— Qual é seu nome?

— Tamaki Amajiki. Me desculpe por não me apresentar antes, e o seu?

— Mirio Togata. Você pede muitas desculpas, Amajiki. Não precisa de tantas.

— Me descul… Tem razão.

Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto ao ouvir novamente a risada calorosa do Togata.

Ele parecia muito acolhedor e gentil, tipo daqueles grandes ursos de lojas: enormes e, ao mesmo tempo, tendo caras adoráveis.

— Mas você tomou pouco sangue para um vampiro do seu tamanho, aqui. — Togata apontou para o pescoço, o oferecendo, deixando o vampiro ainda mais nervoso.

— N-no pescoço? N-não, não precisa.

Era muito próximo e muito íntimo para ele conseguir fazer em uma pessoa.

— Então aqui! — Ofereceu o braço.

— Ah, não precisa… — Estava até trêmulo só de pensar nisso.

Era menos vergonhoso do que pelo pescoço, mas, ainda assim, aquele lobisomem era um estranho que estava sendo gentil, ali era dar muitos passos adiantes de interações sociais que Tamaki preferia evitar.

Como era difícil para ele ser um vampiro.

— Se preferir eu fecho os olhos! Ou melhor, você fecha os olhos!

— Minha nossa! — Só pensava que seria melhor ter ficado em casa.

Fechou os olhos com força e timidamente abriu a boca, nem precisou se inclinar até o pulso, Mirio já havia o colocado entre seus caninos afiados.

— Pode morder! — Incentivava, animado.

Ele realmente parecia não se importar nem um pouco.

Sangue de lobisomem, mesmo de um ômega, era sangue de lobisomem! Lhe daria “sustância” facilmente. Muito nutritivo.

Não era à toa que, mesmo que os vampiros falassem mal deles, aceitaram o acordo de paz anos atrás. O ganho de conviverem juntos era muito maior, por mais diferente que suas naturezas fossem.

Mordeu aos poucos, liberando os feromônios para não causar desconforto ao Togata. Era o mínimo que poderia fazer.

Sendo um vampiro ômega, Tamaki tinha a capacidade de permitir que seus feromônios entorpeçam a presa, confortando a dor. Alfas também eram capazes, a única exceção eram os betas. Essa era uma das poucas vantagens de ser um vampiro ômega ou alfa. As demais eram todas dos betas que ficavam no topo da cadeia alimentar. As demais eram todas dos betas que ficavam no topo da cadeia alimentar.

Tomou seus goles, o sangue de Togata era realmente satisfatório. Ele certamente tinha uma ótima alimentação e o cheiro natural de mel e canela em seus feromônios melhorava ainda mais o sabor.

Ao abrir os olhos, o encontrou meio atordoado. Com um olhar perdido e sonolento.

—Togata? — chamou, preocupado.

Será que usou feromônios demais? Ou bebeu demais?

Para sua surpresa ele se aproximou, e para sua vergonha, ficou muito perto e cheirou seu pescoço. Não sabia o que fazer, seu rosto queimava.

— Você tem um cheiro bom de dama-da-noite — disse, numa voz rouca e arrastada, passando a respirar profundamente de maneira lenta.

— Togata…?

Tomou coragem para virar o rosto e encara-lo… ele estava dormindo.

Por sinal, as orelhas do lobisomem não eram mais humanoides. No lugar havia as caninas, de pelagem loira, no topo de sua cabeça e uma cauda, a qual Tamaki não havia reparado antes, repousando no sofá.

Ela estava ali antes?

Não, não estava!

Apesar de trabalhar com dois lobisomens, a forma como essas características lupinas apareciam e sumiam era bem curiosa para o vampiro.

Só não sabia o que fazer além de senti-lo ficando mais pesado em cima de si, e estava tão tímido em se mover que deixou que ficassem deitados naquele sofá.

Togata dormindo em cima dele, tranquilamente.

— Mirio, eu trouxe mais pra qualquer cois— A jovem de cabelo azul apareceu, carregando uma bolsa de sangue.

Ela observou a cena sem expressão alguma, enquanto Amajiki pirava sem silêncio tendo seus pensamentos se resumindo a gritos.

— Oh, fico feliz que se deram bem — ela disse, com um sorriso simpático.

Tamaki murmurou sentido o rosto queimar mais uma vez, se tingindo totalmente de vermelho intenso, graças ao sangue que tomou a pouco e murmurou:

— Eu quero ir pra casa…