Notas iniciais
Mais um pra vcs :3

Acordei, estava chovendo, fiquei enrolando na cama. Frank ainda dormia, fiquei admirando ele, o seu rosto, o jeito como ele dormia, era tão... fofo, bonito. Fiquei assim, observando ele, até que ele acordou.

- Creio que estava me olhando. — Falou.

- Bom dia para você também. — Falei.

- Bom dia. — Falou, saindo da cama. Me retirei da cama também, e descemos de pijama mesmo. Minha mãe não estava em casa, nem Mikey, iriamos ficar sozinhos.

- Que horas são? — Perguntou.

- Duas horas. — Respondi.

- Gee... Eu to com fome. — Falou.

- Tudo bem, minha mãe deve ter deixado algo pra esquentar pra gente. — Falei. Fiquei procurando comida, até que achei uma panela no forno, coloquei a comida em uma vasilha e esquentei no micro-ondas, coloquei a comida no prato e servi ele, depois coloquei no meu e me sentei na mesa junto com ele. — Ai está. — Falei.

- Obrigado. — Falou.- Não foi nada. — Falei. Comemos e ficamos no silêncio, até que terminamos. Retirei nossos pratos e fui lavar a louça.

- Deixa que eu lavo. — Falou.

- Não deixa que eu lavo. — Falei.

- Por favor. Vou fazer bico. — Ameaçou.

- Tudo bem. — Falei. Deixei ele lavar a louça e fiquei observando, ele era tão bonito, tão fofo, tão mordível. Mas, o que afinal eu estou pensando? Bom, a verdade é que eu poderia negar o quanto quisesse, ele era um garoto que me chamava atenção. Acordei dos meus pensamentos quando me senti meio molhado. Frank havia tacado água em mim. — Ei. — Reclamei.

- Vai ficar dormindo ai? — Perguntou, rindo.

- Não estava dormindo, estava pensando. — Respondi. — E para de rir. — Falei.

- Pensando no que? — Perguntou. — E deixa eu rir. Vou fazer bico. — Falou.

- Pensando... pensando ué. — Enrolei. — Pode rir então, mas não faça bico. — Falei.

- Sei, pensando. — Falou. Esse garoto tá desconfiando de mim? — Por que não posso fazer bico? — Perguntou.

- Quer que eu te morda de novo? — Perguntei.

- Quero. — Respondeu, e fez bico. Mais uma vez mordi aquela bochecha fofa, daquele garoto fofo. — Doeu. — Falou.

- Você que pediu. — Falei. — Já acabou de lavar? — Perguntei.

- Já. — Respondeu.

- Vamos lá fora? — Perguntei.

- Vamos. — Respondeu. A chuva havia parado. Subimos, trocamos o pijama, saímos de casa, tranquei a porta. Saímos andando, não tínhamos para onde ir, acabamos no mesmo lugar de sempre, no porto.

Sentamos no fim da escadaria e ficamos observando os pássaros e os pescadores, em silêncio. Mas dessa vez o silêncio foi incomodo, pelo menos pra mim. Eu o conhecia a tão pouco tempo, e já sentia algum tipo de ligação com ele... Eu estava gostando dele? Não que isso fosse impossível, mas acho que eu conheço ele a muito pouco tempo, e além do mais, ele era um garoto, bom, mas isso era de menos. Ficamos nesse silêncio até que ele foi quebrado.

- Gee... — Falou Frank.

- Sim? — Perguntei.

- Você tá estranho, tá quieto. — Falou.

- Não estou. — Falei.

- Está sim, aconteceu algo? — Perguntou.

- Não, nada. — Respondi. Ele voltou a sua atenção aos pássaros, mas parecia desconfiado. Eu estava estranho, talvez um pouco confuso? Eu poderia estar apenas encantado com o jeito dele, com o jeito fofo, alegre, forte, ou com a sua beleza. Mas gostando dele? Eu não sei. Isso era novo pra mim.

Ficamos até o fim da tarde ali, em silêncio, que pra falar bem a verdade, me incomodava, e muito. Estava começando a anoitecer.

- Vamos embora? — Perguntei.

- Mas já? — Perguntou.

- Está anoitecendo, a minha mãe vai ficar preocupada. — Falei.

- Tudo bem. Me ajuda a levantar? — Perguntou, me estendendo a mão. Peguei na mão dele e estremeci, ajudei ele a se levantar e fomos andando.

Continuamos andando até que resolvemos cortar caminho pela praça. Sabíamos que havia tido tiroteio ontem por ali, mas estávamos atento. Continuamos andando por lá, até que começou uma correria, peguei Frank pelo braço e nos escondemos atrás de um muro que dava caminho para uma longa fazenda, com certeza era um cercamento que o dono havia feito. Ficamos escondidos ali, até que o tiroteio começou. Frank me abraçou e começou a chorar, eu não conseguia fazer nada em relação a isso, apenas tentar acalma-lo.

- Vai ficar tudo bem Fran, calma, vai ficar tudo bem. — Sussurrei de modo que apenas nós pudéssemos ouvir, para não chamar a atenção. Apertei-o mais ao meu corpo e fui enxugando suas lagrimas. Aquela situação era traumatizante para ele, tenho certeza.

Ficamos assim, abraçados e traumatizados por algum tempo, não sei dizer se passaram horas ou minutos, porque naquele lugar o tempo parecia desregulado. O tiroteio acabou. Sai de trás daquele muro com o Frank agarrado ao meu corpo, pedi pra que ele não levantasse a cabeça enquanto eu ainda estivesse na praça, não queria que ele visse quantas vitimas. Sai da praça e continuei andando até em casa com o Frank agarrado em meu corpo.

Cheguei em casa e minha mãe veio me abraçar, sabia que havia acontecido mais um tiroteio na praça, as noticias haviam corrido rápido.

- Vocês não tentaram cortar caminho por lá, né? — Perguntou ela.

- Sim mãe, nos desculpe. — Falei.

- Nos desculpe senhora. — Falou Frank, se desgrudando do meu corpo.

- Meninos? Vocês ficaram no meio de um tiroteio. — Falou ela.

- Nos escondemos atrás de um muro mãe, estamos bem, apenas traumatizados, mas bem. — Falei.

- Meninos, vocês não sabem como eu me preocupei. Eu imaginei que vocês cortariam caminho por lá. — Falou ela.

- Desculpa mãe. — Falei.

- Desculpa senhora. — Falou Frank.

- Tudo bem meninos. Desculpas são o que menos importam agora. — Falou ela.

Sentamos e fomos jogar videogame com o Mikey, na verdade, apenas eu, Frank ficou só observando nós dois jogarmos. Paramos apenas quando minha mãe chamou pra janta. Depois que jantamos voltamos a jogar videogame com o Mikey, até que ele foi dormir. Ficamos jogando um pouco. Até que o silêncio foi quebrado.

- Gee, to com sono. — Falou.

- Vai subindo, vou desligar tudo aqui. — Falei.

- Tá. — Falou, e subiu. Desliguei o pequeno videogame e a tv, e subi logo após ele. Coloquei o pijama e entrei no meu quarto, vi o pequeno com um dos meus pijamas que realmente ficava enorme nele.

- Precisamos comprar roupa pra você. — Falei rindo.

- É, acho que sim. — Falou. Subi em minha cama enquanto ele se deitava no colchão que ele já havia arrumado. Aquilo me surpreendeu, na verdade.

- Boa noite Fran. — Falei.

- Boa noite Gee. — Falou. Virei para o lado e tentei dormir, não consegui. Alguns minutos depois comecei a ouvir pedidos de socorros. Olhei para o Frank e ele se debatia no colchão. Sai da minha cama e fui até ele, comecei a balança-lo de forma que ele pudesse acordar.

- Frank, acorda, Frank, vamos. — Falei e continuei a balança-lo, até que ele acordou. — Estava tendo um pesadelo? — Perguntei.

- É, sim. Obrigado por me acordar. — Respondeu.

- Tudo bem, vem. — Falei. Peguei-o pelo braço e nos deitamos em minha cama, abracei ele de modo em que ele se sentisse protegido. — O dia hoje não foi bom para você. — Falei. Ele se aconchegou como pode ali.

- Me desculpe... — Falou.

- Não é culpa sua. — Falei. Ele se encolheu e tentou dormir. Fiquei acordado até quando pareceu que ele estava dormindo tranquilamente, e pude então dormir.

Notas finais
Reviews?