Porto Dos Pássaros.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Olá. Meu nome é Gerard, tenho 14 anos. Bom, podemos pular a apresentação formal? Eu vivo com a minha família em uma cidade pequena que está sofrendo com a troca de governo, com as revoluções atrasadas e com a forma no qual a comandam. Todos os dias depois da escola eu tenho a mania de visitar um porto antigo da cidade. Poucos barcos ainda atracam ali. O porto sempre recebe a visita de vários tipos de pássaros, todos eles muito lindos. Talvez por isso seja apelidado de "Porto dos Pássaros". Hoje é só mais um dia que eu faria esse percurso.
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Acordei cedo e me arrumei pra escola. Com o governo em crise, poucas professoras e professores ainda davam suas aulas. Coloquei meu uniforme e desci pro café.
- Bom dia mãe. — Falei, dei um beijo em sua bochecha e me sentei.
- Bom dia filho. — Ela respondeu.
- Bom dia Mikes. — Falei, dei um beijo na sua testa dele e baguncei o seu cabelo.
- Bom dia Gee. — Ele respondeu, com um sorriso muito fofo, por sinal.
Minha mãe colocou o café na mesa. Eu e Mikey comemos rapidamente. Pegamos nossas mochilas e apressamos o passo. Todos os dias era assim, eu levava o Mikey para escola dele e ia para a minha. O caminho não era tão longo. Logo chegamos a escola dele. Dei-lhe um beijo na testa e ele entrou naquela pequena escola, segui para minha. Logo cheguei aquele lugar que pra falar bem a verdade, eu não gostava.
Fui pra minha sala e me sentei no fundo, penúltima carteira. Meu amigo Ray chegou depois de mim. Sentou atrás de mim e me cutucou.
- Que? — Perguntei.
- Não vai me falar "Oi"? — Perguntou.
- Oi, ué. — Respondi.
- Se foder cara, e me fala "Oi" direito. — Falou. Comecei a rir descontroladamente.
- Fala cara. Como você está? — Perguntei, tentando me recuperar da crise de risos.
- Para de rir mano. To bem, e você? — Perguntou.
- Não consigo mano. To bem, to bem. — Respondi, e voltei a rir.
O professor entrou na sala, não sei dizer qual matéria era exatamente, mas era chata. Continuou assim, mais três horas de aulas chatas. Até que fomos liberados. Me despedi do Ray e segui o meu caminho em direção ao porto. Percorri o caminho e desci uma escadaria.
Cheguei no porto e me sentei no fim da escadaria, fiquei apreciando os pássaros que ali ficavam, alguns pescadores passavam e os conhecidos me cumprimentavam, alguns barcos atracavam e outros iam embora. Tudo na tranquilidade de todos os dias. Fiquei assim por longos minutos.
De repente começou uma correria, o que me assustou, algo estava errado. Corri pelo porto e me escondi atrás de um grande muro, alguns segundos depois ouvi barulhos de tiros. Com certeza eram os policias do governo. Fui correndo pra casa.
Cheguei assustado, suado, cansado. Minha mãe se aproximou preocupada.
- Filho, o que aconteceu? — Perguntou colocando a mão em meu ombro.
- Mãe... — Tentei responder. — Tiroteio... No porto. — Consegui então responder.
- Mas você está bem, né? — Perguntou.
- Sim mãe, estou. — Respondi. Ela me abraçou depois.
Ela voltou a cozinha e eu me sentei na sala para ver tv. Eu não sei se conseguiria voltar ao porto amanhã, eu estava traumatizado. Coloquei no noticiário local, estava tendo a noticia sobre o tiroteio, 23 mortos. E pensar que eu estava tão perto. Desliguei a tv. Fiquei com o barulho dos tiros na cabeça.
A tarde chegou e agora Mikey já estava em casa. Fizemos o que sempre faziamos. A noite chegou, eu me deitei, tentei dormir, enrolei, enrolei, o barulho ainda me traumatizava. Adormeci com aquele barulho na cabeça.
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Acordei, não sei se iria ao porto hoje. Levei o Mikey a escola e fui para a minha. As mesmas três horas de aula chata, com a mesma turma. Chegou a tal hora de ir embora. Não sei se iria ao porto ou não.
Decidi ir...
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