Porto Dos Pássaros.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Fui andando pelo caminho do porto. Haviam manchas de sangue por todas as partes, e mais para perto do porto haviam alguns corpos cobertos por sacos pretos. Olhei a escadaria antes de descer pro porto e vi que o numero de manchas aumentavam. Desci alguns degraus da escadaria e reparei num garoto. Ele estava sentando, com a cabeça baixa, quieto. Me aproximei silenciosamente dele, não queria que ele percebe-se. Observei-o bem, parecia estar chorando. Falei com ele.
- Está tudo bem? — Perguntei.
- Isso importa? — Perguntou.
- Não gosto de pessoas tristes. — Respondi.
- Está vendo aquele corpo ali? — Perguntou apontando para um corpo no final da escadaria, coberto por um saco preto. — É minha mãe. Estou sozinho no mundo agora. — Falou.
- Meus pêsames. Mas você não tem nenhum parente ou amigo por aqui? — Perguntei.
- Já disse, estou sozinho no mundo. Não tenho ninguém. Minha mãe era minha unica família. Também não tenho pra onde ir, eles sabem o que minha mãe fizeram, sabem que posso ser caçado também, nunca me aceitariam em abrigo ou orfanato algum. Estou sozinho, perdido, sou um nada agora. — Respondeu.
- E o que ela fez? — Perguntei.
- Ela lutou contra esse governo, pra falar a verdade. Todas essas pessoas mortas lutaram. É isso que eles fazem com quem quer liberdade... Eles matam — Respondeu.
- É, eles matam. — Falei. Na verdade, fiquem sem o que dizer, aquele garoto parecia estar sofrendo muito, ele estava. Percebi que ele segurava um tipo de pano em cima do braço. — O que é isso? — Perguntei. Ele retirou o pano e mostrou um machucado, sangrento. — Você está ferido. — Falei.
- Isso não importa. — Falou.
- Importa sim. Vem comigo e vamos cuidar disso ai. — Falei, me levantando.
- Não se incomode, estou bem, vou sobreviver. — Falou. Puxei ele pelo braço, obrigando ele a se levantar. Caminhamos até minha casa.
Cheguei em casa gritando pela minha mãe.
- O que foi garoto? — Perguntou.
- Mãe, você poderia cuidar do machucado dele? — Perguntei, mostrando o machucado do garoto. — E sem perguntas mãe, primeiro cuida. — Falei.
- Tudo bem, mas não me diga o que fazer. — Falou. Ela levou o garoto até o banheiro e ali cuidou do machucado dele. Pelas suas caretas, o remédio passado deveria arder. Ri baixinho. Até que eles voltaram.
- Pronto, novinho em folha. — Falou.
- Obrigado mãe. — Falei.
- Obrigado moça. — Falou o garoto.
- Não foi nada. — Falou e foi para a cozinha.
Fiquei a sós com o garoto por longos minutos, em um silêncio incomodador. Longos minutos que por sinal serviram para eu observá-lo melhor, observar seu rosto. Ele era bonito, eu nunca fui de achar outros garotos bonitos, mas ele era. Fiquei observando ele e o admirando também por esses longos minutos, até que o silêncio foi quebrado.
- Vou embora, obrigado de novo. — Falou, se levantando.
- Você nem me disse seu nome. Qual é? — Perguntei.
- Frank. E o seu? — Perguntou.
- Gerard. — Respondi.
- Posso ir? — Perguntou.
- Tem pra onde ir? — Perguntei.
- Eu me viro. — Respondeu.
- Fica aqui... Por favor. — Pedi.
- Não quero incomodar. — Falou.
- Você não incomoda. — Falei.
- Eu não sei. Acabamos de nos conhecer. Não devo ficar aqui. — Falou.
- Por favor, nós insistimos. — Falou minha mãe. Saindo da cozinha.
- Não senhora, não quero incomodar, já disse. — Falou ele.
- Não vai, fica ai, que isso garoto. — Falou ela.
- Acho que... Tudo bem. — Falou ele.
Minha mãe então voltou para a cozinha, eu e ele ficamos no sofá vendo tv. Eu evitava colocar nos canais de noticiários, isso poderia traumatiza-lo. Ficamos nesse tédio até que minha mãe voltou com Mikey da escola. O pequeno veio correndo até mim e me abraçou.
- Oi pequeno. — Falei, saindo do abraço.
- Oi Gee. — Falou ele. Então percebeu a presença de um garoto estranho. — Quem é esse? — Perguntou.
- Ele é um amigo meu Mikes. O Frank. — Respondi.
- Oi Frank. — Cumprimentou ele.
- Oi Mikey. — Cumprimentou Frank. Mikey foi para a cozinha, junto da minha mãe. — Quem é esse? — Perguntou Frank.
- Meu irmão mais novo. Uma fofura, não acha? — Perguntei.
- É. — Respondeu.
Ficamos nesse silêncio vendo tv. Até a hora que a mãe chamou pra jantar. Vi quantas horas ficamos apenas no silêncio. Jantamos, eu ia subir pra arrumar o colchão para o Frank, mas minha mãe chamou nós dois. Disse que queria conversar.
- Vamos conversar. — Falou ela.
- Tudo bem. — Falou Frank. Eu apenas me sentei na cadeira ao lado dele.
- Qual seu nome? — Perguntou ela.
- Frank. — Respondeu ele.
- Frank? — Perguntou ela.
- Frank Iero. — Respondeu ele.
- Quantos anos? — Perguntou ela. Então era isso, minha mãe tinha começado o interrogatório.
- 12. — Respondeu ele.
- Seus pais? Onde estão? — Perguntou ela.
- Eu... Minha mãe... Minha mãe foi uma das vitimas do ultimo tiroteio. Meu pai... Meu pai foi embora a muito tempo... — Respondeu ele.
- Morte? — Perguntou ela.
- É... acho que sim. — Respondeu ele.
- Você não tem parentes? — Perguntou ela.
- Não. Nem pra onde ir, nem nada. — Respondeu ele.
- Tudo bem. — Falou. — Pode ir. Gee, você fica. — Completou. Frank subiu e foi para o meu quarto.
- Gee... Esse garoto está mesmo sozinho no mundo. Por que ele não vai pra um orfanato? — Perguntou ela.
- Mãe, nenhum orfanato vai querer ele. A mãe dele era uma opositora, os caras vão querer caçá-lo. E o orfanato da cidade é um alvo fácil. — Respondi.
- E o abrigaremos aqui? — Perguntou.
- Mãe... O que tem? — Perguntei.
- Tá, tudo bem. Pode subir. — Respondeu.
Assim eu subi, arrumei o colchão do Frank do lado da minha cama. Emprestei um pijama para ele colocar depois do banho, que por sinal ficou enorme. Tomei o meu banho, deitei na minha cama e fui dormir.
- Boa noite Frank. — Falei.
- Boa noite Gerard. — Falou.
- Pode me chamar de Gee. — Falei. Me virei pro lado, tentando dormir. Alguns minutos se passaram e uma voz me chamou.
- Gee... — Falou. Era o Frank.
- Que foi? Algo incomoda? — Perguntei.
- Tá frio. Tá gelado meu colchão. Não consigo dormir. — Respondeu.
- Ah, tudo bem. Dorme aqui comigo. — Falei. Me afastei para o canto dando um pouco de espaço. Ele se acomodou bem, coloquei a coberta e virei para o lado. Alguns minutos depois ele já parecia dormir, mas eu não. Me virei pra ele, olhando aquele rosto bonito. Fiquei olhando-o por alguns minutos. Até que adormeci.
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