Portfollium
3 Vigiada.
Notas iniciais
Cheguei em casa e demorei a pegar no sono, estava indo para a janela para apenas observar a noite quando antes de dar as caras ouvi alguma coisa se mexendo lá fora.
Me escondi atrás da cortina e procurei o que seria, quando vejo um senhor que devia ter uns sessenta anos com alguma coisa nas mãos... era um saquinho de pano de cor marrom escuro. ''Ele deve estar passando pela rua, só isso'', eu me fiz acreditar, afinal, minha casa agora não está mais escondida entre os arbustos, agora ela fica de frente para uma outra silenciosa e escura e assim seguindo — se de outras casa se frente para outra para todos os lados.
Me inclinei para frente para confirmar o que estava parecendo quando o cara olhou para cima,mas não do tipo que se assustou com alguma coisa e olhou para ver se era alguém, ele olhou, e olhou diretamente para mim, com olhos que sabiam muito bem onde estavam e que se foram com o velho, me deixando com a sensação de estar sendo vigiada. Me virei e vou para a cama : ficar ali escutar música seria muito melhor do que ficar cismada com velhos e olhares estranhos.
O legal é que eu acabei dormindo, e o ruim é que derrubei o celular no chão enquanto rolava de um lado para o outro e ele quebrou no piso de concreto. Maravilha!
Acordei em cima da hora de ir ao colégio, então me vesti rápido demais, tomei café rápido demais, e saí rápido demais para chegar adiantada o que resultou em uma momentânea falta de ar em frente ao portão do condomínio pontilhado de gente, e quando soube que tinha chegado cedo pois n teria a primeira aula, sentei no chão mesmo e tentei controlar a respiração pondo o dedo onde havia uma cicatriz dos maus tempos do mundo que refletiram em mim. Forquilha de Herege. Só não me mataram pois eu tinha feito o feitiço que me salvaria, um dia depois.
Meus olhos estavam co pontos e eu estava um pouco tonta. Fechei os olhos e contei até dez, quando abri os olhos minha visão estava embasada mas conseguiu ver um vulto preto vindo em minha direção. Peguei minha bolsa e levantei, cambaleando e olhei com mais atenção. Era Joshua, o jovem Portfollium.
Ele me olhava com olhos constrangidos, que me lembravam muito os olhos de Anthony, e passou direto quando eu pensei que ele iria parar e falar alguma coisa sobre ontem, mas foi bom ele não ter feito isso. O que ele diria?. Um olhar diz muito, e o daquele velho naquela mesma noite me fez pensar que ele, o novato poderia estar me vigiando. Vou manter distância dele. Vou observar — lo de longe.
As aulas foram as mesmas de sempre, um tédio acompanhado de respostas prontas para cada pergunta que era feita. Nerd, uma garota de saia curta que poderia ser chamada de cinto, disse quando eu respondi uma pergunta de física que ninguém sabia a resposta.Quando ela acabou eu fui para o estúdio para treinar,esperando que ninguém me interrompesse de novo.
Botei a roupa — que era apenas uma calsa de malha larga e uma blusa de ginástica — comecei a praticar os pulos os giros e comecei entrar em uma cincronia muito boa, para uma iniciante de dois meses.
Em 2012 eu ficar vendo as bailarinas dançando e tal e achava bem legal, uma bela forma de se expressar e se concentrar. A música de fundo é da do cisne negro, que me traz uma paz interior impagável,mas então quando eu toco o chão com meus pés a música muda. Agora era uma música de bonecos de dar corda ou mesmo do carro de soverte. parei e fui ver o rádio, e apertei o stop,mas a música não parou, então eu olhei para a porta para ver se havia alguém ali. Não tinha ninguém, mas sabe aquele sensação de achar que não está sozinha? Então era isso o que eu senti naquele momento. ''Calma, Wilson. É só uma sensação boba.''. E peguei minhas coisas e saí do colégio, deixando o rádio ligado. Do colégio até minha casa são apenas dois quarteirões então eu vou sempre a pé, para sentir melhor a brisa fria da noite naquelas ruas vazias, mas hoje fui diferente, eu fiquei todo o tempo olhando para traz, com medo.
Você deve estar se perguntando porque eu tenho medo, sendo que eu sou uma bruxa, e eu também me pergunto isso e a única resposta que encontro é que de tanto viver sozinha eu me tornei uma pessoa solitária, sem amigos, e um pouco cismada com os outros. Se ainda pratico os feitiços? Não, desde 1898,mas hoje — com o Joshua e aquele velho me observando estranhamente,como se já me conhecessem — eu me senti um tanto incomodada.
Quando chego em casa, vou tomar um banho eu depois vou para a sala assistir TV, e , quando eu a ligo, escuto um bate em minha porta. Eu não tenho amigos, Mal conheço os vizinhos. Fui devagar lá e peguei na maçaneta, mas antes de abrir perguntei quem era e ninguém respondeu, então abri a porta e vi um Joshua caído na minha porta com as mãos e os pés amarrados. Então eu olho para fora e vejo o velho com um arco e flecha mirando em mim. E agi muito rápido quando puxei p garoto magro para dentro e logo depois fechei a porta. A flecha se chocou contra a porta mas não atravessou. Deitei — o no sofá e o chamei cinco vezes e então comecei a dar tapas em sua cabeça. Ele acordou e me olhou assustado com seu olhos claros.
– O que aconteceu? — disse ele, levantando bruscamente.
– Não sei, me diz você — não consigo acreditar nesse cara.
– Eu não sei! — ele me disse irritado.
– Não grita! — eu gritei. — Tá, não grita. — eu disse num tom mais baixo.
– O.K.,mas o que aconteceu?
– Eu não sei,mas infelismente você vai ter que ficar aqui.
– Ótimo, vou ficar aqui com a maluca.
– É isso ou o maníaco do arco e flecha, e eu não me importaria nada se você morresse.
– Acho que prefiro você.
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