Portfollium
1 O Começo do Passado
Notas iniciais

Massive Town continua do mesmo jeito que em 1898, ''crepitante como o dia e solitária como a noite''. Ainda me pergunto se nas margens da sociedade alguém ainda lembra de mim.
–-------------------------------------- Em 1898 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Eu andava de um lado para o outro, me fazendo perguntas aleatórias, me ajeitando para parecer normal, me fazendo acreditar que era verdade.
Anthony Portfollium, que me dissera para que o esperasse debaixo de uma árvore com longos galhos velhos para, como ele me prometeu, fugir comigo para um outro lugar. Um lugar onde eu poderia ser quem eu sou, e sim, com minha mãe, pois meu pai foi morto por um soldado do pai de Anthony. O pai dele era o prefeito.
Já passava da meia noite e não, eu não estava com medo de maníacos, nem de monstros, pois eu achava que ninguém seria mais forte que uma bruxa, ninguém nem nada.
Anthony chegou com um buquê de flores e com um sorriso no rosto. Estava feliz, assim como eu. Eu peguei — as e agradeci, vendo assim uma momentânea expressão de tristeza em seu rosto de feições clássicas de olhos azuis, pele branca e cabelos negros. Eu lhe perguntei o que havia de errado e ele me disse que estava um pouco cansado por causa das brigas exaustivas com seu pai antes de sair de casa. Ele não me pediu para levar malas, o que estranhei já que íamos viajar ''para bem longe'', mas ele me disse que por enquanto seriamos só nós dois, num longínquo lugar, depois minha mãe e as roupas. Eu aceitei, mas, ainda que bem fraca, eu nutria uma desconfiança, e não queria cair de ''corpo e alma'' nesta história, nem muito menos pôr minha mãe nessa.
O garoto me chamou para uma parte daquela floresta onde eu não conhecia. Era um pântano, que ele me disse que era o lugar onde mais gostava de ficar quando ele vinha aqui. Ele segurou minha mão e me abraçou bem forte. Enquanto eu retribuía o abraço escutei um som de galhos se quebrando embaixo de pés. Tentei me soltar de dele, meu amado, mas ele não deixou, simplesmente me prendendo em seus braços. Eu olhei de relance para saber o que era e vi soldados. Uma ideia de traição passou pela minha cabeça, mas não seria possível, ele me amava!
Quando ele então me soltou, eu o olhei com uma cara de humilhação e ele apenas me olhou e sussurrou um ''desculpa'' angustiado, segurou meu pulso e olhou deu a ordem para que os soldados chegassem perto.
Era uma emboscada muito bem preparada, e eu caí como uma idiota. Tudo o que fiz foi me soltar dele e correr o mais rápido que pude.
Eu não era lá uma corredora e o pântano não ajudava em nada no exercício exaustivo. Então quando vi que estava cercada, olhei para trás para vê — lo pela provável última vez e quando isso eu fiz, atiraram.
Cada Batida do meu coração era uma repentina e dolorosa pancada na minha consciência que martelava em minha cabeça que eu 'deixei minha mãe sozinha em casa'...Minha mãe! Eles vão pegar ela!, ou... ela já devia estar morta a essa altura...Mãe...
E finalmente a dor parou, e eu cai na água suja e grossa do pântano.
–-------------------------------- De volta à 2013 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Se você se pergunta como foi que eu voltei, eu lhe digo : Eu tinha feito um feitiço a alguns dias atrás, quando minha casa tinha sido atacada. Esse feitiço me protegeria por 6 meses de qualquer doença ou machucado. Eu estava sozinha no dia, minha mãe tinha ido comprar verduras na vila, então, no desespero, fiz o feitiço só para mim e esqueci de minha mãe, que como eu pensei os soldados pegaram — na, deixando — a pendurada de cabeça para baixo, no portão de casa, com uma cruz de madeira como cordão.
Eu me fingi de morta. Eles nem me tocaram, deviam estar com medo de que eu voltasse. Então deixei — vos ir, me levantei cautelosamente quando todos foram embora, lá pelas oito horas da noite do outro dia, eu fui para o estado vizinho, Macalem Houver, e morei lá até o ano passado. Quando as pessoas se perguntavam o porque de eu não envelhecia, eu apenas viajava por uns tempos, até aquelas morrerem ou também tirarem uns dias de férias.
Estou tentando recomeçar, mas as vezes o passado cisma em me lembrar de quem eu sou.
Quem eu sou? Wilson Hall.
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