Por você, eu vou...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Então, essa é uma história inteiramente criada por mim com personagens que vieram inspirados de pessoas da minha vida junto com o que eu criei na minha mente.
Eu espero muito que vocês gostem e acompanhem a mim e Aislinn até o final dessa aventura.
Boa leitura ♥
‘’Se tu não tivesse me dito eu não teria nem lembrado pra poder fingir que esqueci, pai...’’
Cidade nova, casa nova, colégio novo, vida nova, não é o que dizem? Por mais que muitos sonhem que essas afirmações sejam verdadeiras -principalmente quando se mudam- detesto desapontá-los, mas não, não são.
Chegamos à Floripa por volta das dez horas da manhã e minha mãe — a única empolgada com isso- resolveu que gostaria de dar uma volta na cidade antes de irmos para nossa nova casa, para nos familiarizarmos com alguns lugares que, segundo ela, são importantes: hospitais, bombeiros, alguns restaurantes. Ela aproveitou para me fazer uma surpresa e passar no meu novo colégio – Eba, só que não- olha, eu não posso mentir, eita coisa grande aquela escola! Como eu morava em uma cidade do interior de Santa Catarina, eu estava acostumada com colégios menores, ruas menores, tédio, essas coisas, mas tudo nessa cidade parecia monstruosamente maior e ali estava eu, Aislinn Carter –não fui eu quem escolheu esse nome, peguem leve- quase 17 anos, sendo forçada a viver uma vida longa e solitária naquela cidade de pedra. Sim, sou um pouco dramática também.
Dentre todas as coisas que eu já estava pronta para reclamar, numa tentativa sem noção –porém, para mim, brilhante- da minha mãe ficar de saco cheio e de repente querer voltar à cidade antiga, nossa casa estava incluída, mas tive que engolir umas cinco vezes o que eu ia dizer quando cheguei no nosso novo apartamento: Era fabulindo – Sim, meus dialetos são extremamente sofisticados- Ficava em um bairro chamado Trindade e era perto da faculdade federal que eu teria, por livre e espontânea pressão da minha mãe, prestar vestibular no final desse ano.
A casa já estava mobiliada -já minha mãe tinha vindo pra cá algumas semanas antes para ajeitar tudo- e tenho que admitir que era muito melhor que nossa casa anterior: a sala de estar, de jantar e a cozinha eram agregadas e em um lado tinha uma porta para um corredor onde levava para 3 quartos, uma suíte e um banheiro. Eu fui reto para meu quarto, tinha que chegar onde seria minha bolinha e ficar reclamando de como a vida era injusta e divagando sobre coisas importantes como: por que furação tem olho mas não cabeça? ... ta, esquece.
Quando abri a porta do meu quarto eu não sabia se ria de felicidade ou chorava de raiva por mais uma coisa da qual eu não poderia reclamar, ele era simplesmente MARAVILHOSO! Amaldiçoei minha mãe mentalmente por me conhecer tão bem e fazer um quarto que eu não tinha como achar defeitos. Deitei na cama de casal –Sim, chique né non?- e fiquei admirando meu quarto branquinho, com os móveis claros, um guarda-roupa gigante com um espelho enorme na porta da frente, minha escrivaninha e o melhor: as prateleiras cheinhas de livros. Fiquei encarando o teto por mais um momento e cheguei a uma conclusão muito importante: tô com fome.
Olhei no relógio e já eram 12h 50m. Car... valho! Já estava mais que na hora de eu me alimentar. Voltei para a sala onde meu pai e meus irmãos estavam amontoados vendo televisão.
-Vai assim? — Perguntou Satã, mentira, era só minha mãe mesmo.
—Vou para onde? — ta doida a mulher, ó.
—Vamos almoçar fora né, não tem nada para comer em casa cabeção e só vou no mercado amanhã. — Delicada como sempre, mamãe.
— Ah, ta, vou assim mesmo- Puff, até parece que eu ia me arrumar para comer, por favor né.
Peguei só meu celular, enfiei no bolso e sai do apartamento atrás de minha mãe e seguida por meu pai e meus irmãos.
Assim que chegamos ao restaurante, minha mãe foi procurar uma mesa espaçosa para caber a tropa que ela chama de família e eu aproveitei para ir ao banheiro. Quando identifiquei muito sabiamente onde era o banheiro, tomei rumo a ele, mas não antes de bater com a cara em um troço que me fez quase cair no chão e me deixou toda, toda.... Molhada? Que?
—Ei olha por onde você anda. –Ouvi alguém gritar
— QUE? Foi você que bateu em mim. — Que abuso! Onde já se viu gritar comigo assim? Não tenho culpa de onde minha cara decide bater!
— Ah, claro. -
Quando o mundo parou de girar, percebi que o troço que eu tinha batido era um dos garçons do restaurante e- posso falar? — um garçom muito gato! Eu acho que eu fiquei encarando mais uns dois minutos aqueles olhos verdes até que tive a atitude mais adulta e apropriada para aquela situação: corri pro banheiro.
Assim que me olhei no espelho vi o filhote do chupa cabra com o pé grande, mentira, o filhote deveria ser bem mais bonito do que eu estava naquele momento. Meu cabelo estava todo melecado de suco e a única sorte que eu tive era que minha roupa não estava tão molhada. Enquanto pensava o que eu ia fazer com essa situação, vi na parede aquele secador de mãos que jorra um jato de ar quente quando colocamos a mão embaixo e é obvio que eu tive uma brilhante ideia: Peguei meu cabelo e taquei dentro de uma das pias, lavei o que eu consegui e tentei secar ficando embaixo daquele negócio, demorou um pouco até por que aquilo mais irrita do que seca, mas me surpreendi com o resultado, dei mais uma ajeitadinha no espelho e sai do banheiro.
— Meu Deus, foi fazer o banheiro? – Da pra ver de onde puxei minha educação.
— Foi difícil de achar. -
—O que aconteceu com a sua blusa? — Minha blusa? Tu já olhou pro meu cabelo?
—Nada mãe, vamos pedir? – Qual é? Eu tava com fome!
— Sim, tudo bem, vamos. — Ela não estava muito satisfeita com a minha resposta, mas também caguei pra isso – Garçom! -
— O que desejam? -
—Quatro bifes à parmegiana pra nós, e você vai querer o que filha?
— Vou querer um parmegiana também. — Não que tenho dado muito tempo pra eu ler o cardápio, mas tudo bem. Dei uma olhadinha pro garçom pra ter certeza de que o infeliz não ia esquecer minha comida e não é que me deparo com o garçom dos olhos verdes.
—Aislinn, Aislinnnn !- Que? Quanto tempo eu apaguei? Fujam para as colinas! Cachorros e crianças primeiro!
—Hã? Oi?-
— Todos já pedimos as bebidas, falta você. – Af, pelo jeito que ela berrava comigo achei que o restaurante estava sendo invadido por zumbis ou algo assim.
—Ah claro, vou ver aqui. — Enquanto eu lia o cardápio, o garçom deu a volta na mesa e parou no meu lado, mas como sou atenta a tudo que acontece ao meu redor, nem percebi.
—Já decidiu? — PUTA QUE PARIU QUE SUSTO FILHO DA PU... lícia.
— Que susto garoto! — Olhei pra mãe para ver se ela tinha visto mais um motivo pra se envergonhar da filha que tem, mas ela estava entretida conversando com meu pai –Não sei, o que tem além dos refrigerantes? -
—Temos água, bebidas com licor, vitaminas, detóx... Mas com bife eu, particularmente, acho que cairia bem com suco. -
-Você vai jogar em mim de novo? — Ele deu uma risadinha de canto que quase me fez desfalecer- Laranja, por favor. -
O resto do almoço foi até tranquilo demais, estive umas vinte vezes perto de cometer um duplo homicídio quando meus irmãos começavam a encher o saco, mas nada fora do comum. Assim que terminamos, meu pai foi pagar a conta e o restante foi para o carro, como restaurante era meio longe de tudo e eu estava com o buchinho cheio, foi a combinação perfeita para eu capotar até chegar em casa. Acordei com Ed, meu irmão caçula, batendo em meu braço. Sai do carro, me espreguicei e fui com urgência para casa. Após arrumar tudo que tinha pra arrumar- ou quase- deitei na sala e liguei a TV, fique pulando de um canal para o outro tentando achar uma coisa que prestasse, até que achei A Fantástica Fabrica de Chocolate e sem sombra de dúvida deixei naquele canal, mas não demorou muito e adormeci de novo.
— Filha, filha! Vamos para cama. -
Abri os olhos e vi meu pai me chamando, ou melhor, quase me arrastando pra fora do sofá.
—Hã? Que horas são?- Eu tava com tanto sono que nem sei se essas foram as palavras que saíram da minha boca.
— Nove e quinze. -
Cocei meus olhos e me levantei do sofá 988278 vezes mais devagar que um ser humano normal, fui em direção ao banheiro e fiz toda minha higiene para ir dormir.
— Filha, não esquece que você tem aula amanhã. — Se tu não tivesse me dito eu não teria nem lembrado pra poder fingir que esqueci, pai.
Arrumei as coisas para escola, separei meu uniforme, me enfiei embaixo das cobertas e pela primeira vez, tinha perdido o sono.
Notas finais
Se você gostou favorita a história pra não deixar passar nenhum capítulo, ainda não decidi a frequencia com que postarei mas prometo não ter grandes intervalos de tempo.
Muito obrigadinha de novo e até o próximo capítulo ♥
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