Notas iniciais
Oiiii, bem vindos ao segundo capítulo! Prometo que já já fica super interessante.

‘’Que? Que merda foi essa que eu falei? Resolvi calar a boca enquanto sobrava o resto da minha dignidade e virei para janela fazendo a plena...’’

Primeiro dia de aula, oh beleza! Acordei às 6h e me arrumei da melhor maneira possível, e tenho que admitir que aquele uniforme me valorizava pra caramba, mas enfim, eu tinha que me focar nos estudos, era o último ano e eu não podia ficar muito distraída senão tchau tchau futuro. Me maquiei, tomei café, escovei os dentes e quando vi já estava na hora de ir, desci quase que me arrastando para o carro e fui o caminho todo imaginando onde que eu ia sentar, como eu ia falar com as pessoas, ai que saco.

Olha, eu não tinha me enganado quanto ao colégio, era gigante, não me sentia melhor que uma ameba lá dentro e com certeza era barulhento, muuuuito barulhento, dava para ouvir música, risada, grito, choro, nem sei como aquela galera ouvia o sinal. Antes de começar a aula fui até a diretoria, a diretora me deu algumas instruções e dicas e me levou até a sala. Ainda era cedo, poucas pessoas tinham chegado. Tive muita sorte de ter chegado depois de um feriadão, não tinha lugares definidos até a segunda ordem, então eu peguei um que ficava mais no meio e encostado na janela que tinha vista para uma área verde do colégio que era a coisa mais linda. Peguei meu celular e meu fone e coloquei minha playlist favorita para tocar, me encostei na janela e fiquei olhando para o parque. Na cidade de onde eu vim mal tinha um parque municipal, quem dirá um dentro da minha escola.

—Você está no meu lugar. — Falou alguém, me tirando dos meus pensamentos.

—Ah desculpa, me disseram que não tinha lugares definidos. — terei errado?

— E não tem, mas eu gosto desses, então com licença. -

—Ah me desculpe, eu sou nova, me chamo Aislinn- Abri um sorriso tão grande que quase passei a linha tênue entre parecer simpática ou uma psicopata.

A garota era loira com os olhos verdes, mais ou menos da minha altura, muuuuita maquiagem e eu acho que a costureira deve ter suado para apertar a calça dela daquele jeito. Ela SIMPLESMENTE me olhou como se eu fosse um chiclete mascado cheio de baba.

—Uma novata- Abriu um sorrisinho de vilão da Marvel- Cai fora! -

Não sei direito o porquê, mas naquele momento percebi que não seriamos muito amigas e eu não estava com vontade de ser passada para trás no meu primeiro dia na escola nova. Sentei calmamente no mesmo lugar que tinha levantado e coloquei meus fones de novo – sim, sou muito afrontosa.

—Ei, meu anjo, você não ouviu eu mandar você sair? — Ai que voz de galinha enforcada

— Claro que ouvi, meu anjo- Sentiram a ironia? — Mas não estou muito afim- Toma, distraída!

— Como é que é? Eu gosto de sentar ai e sempre sentei- Ela gritou tão alto que quase não disfarcei o pulinho que dei na cadeira.

— Não vejo seu nome nesse lugar e eu também gostei dele, então vou ficar aqui, meu anjo- Ai gente, respiro uma treta.

Coloquei o fone de novo e aumentei bem a música a ponto de explodir meus tímpanos pra ela se tocar que eu não tava nem ai. Ela bufou e saiu a procura de um novo lugar seguida das amigas dela.

Alguns instantes depois veio um menino e sentou na minha frente, assim que ele pôs a mochila no chão, virou para trás e me disse algo que eu não consegui ouvir por causa dos fones.

—Hã? Que?- Mas será possível que é mais um me enchendo o saco?

— Eu disse que foi muito corajosa por enfrentar a Beatriz, me chamo Diego, Diego Schimit- Amei a apresentação no estilo James, James Bond.

—Aislinn, Aislinn Carter. -

—Que nome diferente! — Não consegui identificar se era um elogio ou ele pensou alto

—Pois é, não fui eu que escolhi. — Ele riu e confesso que ele tinha um sorriso lindo, na verdade, ele era todo lindo: moreno, sarado, com traços bem marcados e ainda por cima estava sendo querido, é o homem dos sonhos – ou talvez eu tava bem carente, releva-

—Achei legal você peitando a Sandini tarântula- Ele sorriu de novo com aquele riso perfeito que já estava me desconcentrando

— Sandini tarântula? Meu senhor! Quer dizer, não que não ficou legal, ficou, mas é estranho, quer dizer, diferente, mas massa... – Que? Que merda foi essa que eu falei? Resolvi calar a boca enquanto sobrava o resto da minha dignidade e virei para janela fazendo a plena.

—Também acho esquisitinho. — sussurrou, sorriu e virou para frente.

O professor já estava entrando na sala e eu me toquei que nem tinha ouvido o sinal bater, tirei meu material da mochila e fiquei esperando o professor de Biologia anotar alguma coisa no quadro ou pelo menos falar algo importante.

—Oi, você tem alguma caneta para me emprestar? — Sussurrou alguém do meu lado

—Ah, claro. -Peguei uma caneta preta do meu estojo e entreguei pra ela.

— Obrigada, esqueci meu estojo em casa. — E olha que eu que era nova.

—Sem problemas, se quiser qualquer outra coisa pode pegar, nem precisa pedir. -

— Muito obrigada- ela sorriu- Me chamo Diana. – sorriu

—Aislinn. — sorri de volta, que menina simpática!

—Diferente... -

— O que posso fazer? — dei de ombros rindo, ela riu também.

Acho que tinha acabado de criar uma amiga, tinha alguma coisa naquela menina que me fazia confiar nela, parecia ser meio tímida ou sei la, era morena, na minha altura e estava toda hora rindo, era engraçadinho.

Quando olhei pro quadro quase cai da cadeira: o professor já tinha escrito uma bíblia e meia e eu não tinha nem aberto o caderno –Já disse que sou exagerada, não disse? -

Quando eu finalmente acabei de escrever aquela monografia, minha mão estava doendo e eu quase chorando de perceber que agora ele ia começar a explicar. De repente, alguém bate na porta.

—Posso entrar psôr?- Sorriu o menino atrasado

MAS SERÁ POSSÍVEL JOSÉ

— Última vez hein senhor Becker. – O rapaz entrou na sala, sentou ao lado da gralha que agora sei que se chama Beatriz e deu um beijo nela, bem o tipinho dele mesmo.

Revirei os olhos pensando o quão ele era mais bonito sem estar encharcado de suco, ri baixo relembrando a cena e voltei minha atenção para a aula de Biologia.

As três aulas antes do recreio passaram muito rápido, uma vez ou outra o professor interrompia a aula para chamar atenção do Senhor Becker e da Sandini tarântula- amei esse apelidinho carinhoso- mas finalmente o intervalo chegou.

Bom, eu nem sei porque eu estava tão ansiosa para o intervalo, eu não conheço ninguém então teria que ficar comendo na sala, sozinha, como uma antissocial sinistra. Fazer o que? Peguei uma barra de cereal –parte do meu projeto verão que nunca rolou- que tinha trazido e desembrulhei para comer.

—Isso aí parece bom... – falou o moreno cor do pecado, vulgo Diego.

— Não só parece — ele riu

—Sempre da respostas curtas e diretas como essa?- Ai garoto, essa doeu!

— Só com gente nova. – Eu fiz de novo, não fiz? — Desculpa, não sou muito boa em lidar com coisas novas. -

— Coisas novas? -

— Colégio, cidade, casa- Dei de ombros, será que essa conversa iria se estender muito?

—Nossa, isso é uma coisa que você podia ter me contado. — É o que? Eu bati a cabeça ou ele e eu somos amigos e eu não reconheço mais?

— É? Por que? -

— Sei la, pra você puxar mais conversa, eu hein- mordeu um pedação da minha barra de cereal e se levantou. Como ele ousa?

—Ei! — protestei quando minha vontade mesmo era tacar uma cadeira nele.

—Você mereceu. — mostrou a língua e saiu da sala.

Sim, aquela criatura viu que eu estava sozinha, sem amigos e vai embora me deixando sozinha de novo e dessa vez só com metade da minha barra de cereal, eu mereço mesmo.

—Oi de novo-

—Oi? — dei um pulinho da cadeira de susto, confesso, mas consegui ser super discreta.

—Desculpa por ter te assustado- ta bom, talvez não tão discreta.

Era a menina que tinha me pedido a caneta, Diana, só que dessa vez ela estava acompanhada de mais uma menina, também morena com a pele bem branca.

—Tudo bem, eu só estava distraída- Olhei para o chão meio envergonhada (ou tentando achar minha dignidade)

— Vimos você aqui e viemos conversar, é uma bosta ser a novata do colégio né? — MEU DEUS OBRIGADA ALGUÉM ALI ME ENTENDIA

—Nem me fale! — será que já posso fazer pulseirinhas de Bff’s pra essa menina?

—Meu nome é Diana, você já sabe, e essa é a Léa. – Apontou pra menina que estava junto com ela.

—Léa? — Tudo bem, minha intenção era só pensar isso, mas não percebi que saiu em voz alta

—Sim, Léa Tobe, por que? — ela estava sorrindo, bom sinal.

—Não, nada. É que é diferente! — Eu falando isso pra alguém? O que ta acontecendo?

—Como é o seu?-

—Aislinn- percebi seu olhar de quem compartilha o mesmo trauma de nome esquisito comigo.

—Duas com nomes diferente, toca aqui. — levantou a mão

—É clube isso agora? Quero bater também! — Diana fingiu indignação

Rimos e fizemos um ‘’Hi-five’’ triplo. O resto da aula passou normal, mas fiquei muito feliz por ter conhecido as meninas, pelo menos meu lado social não estava completamente morto, ainda respirava por aparelhos, VIVA!

Notas finais
Obrigada de novo por acompanharem! Até o próximo ♥