Reid ainda estava na cama, realmente agradecido pelo celular não ter tocado durante aquela noite. Derek precisa dormir o suficiente para não quebrar alguém ao meio se eles não conseguissem encontrar Penelope a tempo.

Reid percebeu seu celular vibrar sob o colchão.

— JJ. – Ele falou levantando da cama. – Temos algo?

— Derek ainda está dormindo? – Ela perguntou.

— Pela graça de Deus ele apagou. – Falou Reid. – Ele precisava descansar.

— Consegue sair sem acorda-lo? – Perguntou JJ. – Temos outro corpo.

— Já temos uma identificação? – Perguntou Reid.

— Sim. – JJ pego a prancheta. – Carrie Higgs. Hotch e Emily foram à casa da irmã dela.

— Só vou tomar um banho e te encontro ali em baixo. – Reid falou desligando.

— Acharam outro corpo? – Morgan perguntou acordando.

— Não é ela, Derek. – Falou Reid. – Eu acho que você deveria dormir.

— Já dormi o suficiente. – Respondeu Morgan. – Eu tenho que procurar ela.

— Vamos tomar café e depois iniciar o dia então. – Falou Reid. – JJ E Rossi nos esperam lá embaixo.

Hotch dirigia a SUV até a casa da irmã de Carrie. Andréa não havia sido avisada porque Hotch e equipe eram os primeiros a saber e eles queriam contar.

A casa de Andrea era pintada de rosa com verde-limão, uma escolha de Carrie antes de sumir.

Carrie viu a SUV e pensou que sua irmã estava de volta. Ela abriu a porta e esperou Carrie sair da SUV, mas se desesperou quando viu a cara de Hotch e Emily.

— Não. – Andrea caiu de joelhos no chão. – Meu Deus, Carrie. Diga que é mentira.

— Eu sinto muito senhora. – Falou Hotch. – Se precisar de um tempo.

— Eu posso fazer isso agora. – Andrea falou para si mesa tentando um autocontrole. – Entrem.

— Essa é Carrie antes de ela sumir? – Perguntou Hotchner apontando o dedo para uma fotografia de Carrie e Andrea no porta-retratos.

— Duas semanas antes de ela desaparecer a gente fez uma viagem até Maryland, como a gente sempre fazia nessa época do ano. – Andrea pegou a foto nos braços. – A gente ficou para o pôr do sol e tiramos a foto.

— Poderia nos contar algo sobre Carrie? – Perguntou Emily.

— Carrie era uma moça especial. – Respondeu Andrea. – Dedicada ao trabalho mais que a gente gostava. Ela tingiu o cabelo de loiro porque gostava da cor. Ela tinha olhos azuis, então some isso ao cabelo.

— Algum namorado ou relação má sucedida? – Perguntou Hotchner.

— Finley. – Respondeu Andrea. – Finley Hurcky. Era traficante na máfia irlandesa. Ela ficou com ele dois meses antes de terminarem.

— Porque eles terminaram? – Perguntou Emily.

— Finley queria que ela se cassasse com ele e tivesse um bebe com ele. – Respondeu Andrea. – Mas ela estava totalmente focada em trabalho agora. Ela queria um carro novo. Ela comprou roupas mais alegres e isso a fez se sentir bem.

— Ela ainda tem roupas aqui? – Perguntou Hotchner.

— Claro. – Disse Andrea. – Por aqui.

Andrea os levou para o quarto de Andrea. Eles abriram o guarda roupa.

— Como esse cara descobre os detalhes das vítimas? – Perguntou Hotchner.

— Ele as estuda. – Respondeu Emily.

— Vamos voltar a delegacia e ver a Vitimologia e onde Penelope se encaixa.

— É uma vítima dele? – Andrea perguntou.

— Sim. – Emily respondeu. – E nossa amiga e analista técnica.

— Espero que o peguem. – Falou Andrea. – Quando posso retirar a minha irmã para um enterro justo?

— Acho que se você ligar para eles, eles vão mandar ela para você. – Respondeu Hotchner. – Eu realmente sinto muito por isso.

— Obrigado. – Respondeu Andrea.

Era a terceira rodada de café que Morgan se lembrava de tomar. Ele tinha perdido uma noite. Uma noite sem ajudar sua amada, uma noite que ele poderia tê-la machucado.

— Está realmente pronto para colocar a foto dela no painel de vítimas? – Perguntou Reid.

— Não. – Responde Morgan com a foto tremendo em suas mãos.

— Quer que eu coloque? – Perguntou Reid.

— Mas ela não é uma vítima. – Argumentou Morgan. – Ainda não.

— Derek. Precisamos de objetividade de você nisso, certo? – Falou Reid. – Faça uma pausa se precisar. Grite, chore, mas depois se recomponha.

— Certo, Gênio. – Falou Morgan. – O que sugere?

— Você disse que alguém a estava seguindo. – Falou Reid.

— Sim. Um homem a seguia para todo o lugar. – Falou Morgan.

— O que mais ela te disse? – Perguntou Reid. – Qualquer coisa que em uma conversa passaria despercebida. Se precisar voltar para a conversa volte.

— No que isso vai ajudar? – Perguntou Morgan?

— Ela pode ter lhe contado algo sobre ele. – Respondeu Reid.

— Está certo. – Falou Morgan.

Uma semana antes...

Morgan viu Penelope saindo do elevador agitada e indo rápido para seu escritório. Ela estava sozinha no elevador. Ele não entendeu e seguiu ela.

Ela entrou e trancou a porta com uma chave.

— Baby Girl. – Bateu Morgan na porta. – Sou eu. Eu posso entrar?

— Agora não. – Penelope falou assustada.

Morgan conhecia aquele tom em Penelope. Era o mesmo de quando ela foi baleada.

— Eu prometo que não vou te machucar. – Falou Morgan.

Ele ouviu a porta sendo aberta. Ela estava com uma Taser nas mãos.

— Ei. – Falou Morgan segurando a mão de Penelope e abaixando a arma. – Qual o problema?

Penelope voltou para sua cadeira e desabou lá.

— Acho que precisa de um pouco de açúcar. – Ele falou dando uma bala de morango para ela. – Há quanto tempo você não dorme?

— Uns dois dias. – Penelope falou. – Sempre que eu fecho os olhos ele está lá.

— Ele quem? – Perguntou Morgan. – Que sempre está lá?

— O homem do corredor. – Penelope falou.

— Um homem no corredor? – Morgan estava visivelmente preocupado. – Porque não me contou?

— Eu achei que ele fosse embora. – Penelope falou. Ela parecia querer dormir a qualquer momento.

— Eu já volto. – Disse Morgan. – Vou buscar um café.

— Kay... – Penelope disse quase dormindo.

Morgan saiu do escritório correndo atrás de café. Penelope fechou os olhos e escorregou da cadeira até o chão, apagando na mesma hora.

Derek abriu a porta e a viu naquele estado e chamou Hotch.

— O que ela tem? – Hotch foi para um dos lados de Penelope tentando-a fazer acordar.

— A gente não pode falar que você a viu nesse estado. – Falou Morgan. – Não vai ser bom para ela saber que eu quebrei a confiança.

— Certo Morgan. – Respondeu Hotch. – Pegue um pouco de álcool e faça ela voltar. Depois a leve para casa e garanta seu sono por algumas horas. Se a situação piorar me ligue.

— Certo. – Morgan tomou o lugar de Hotch na tarefa de acordar Penelope. – Ei boneca. – Morgan pegou o álcool que Hotch passou para ele e o colocou na perto do nariz dela.

Lentamente os olhos dela abriram.

— Vou levar você para casa, mocinha. – Ele falou a ajudando a se levantar.

— Eu preciso trabalhar. – Ela falou quase adormecida.

— Eu garotinha. Vamos dormir um pouco. – Morgan a levou pela cintura até a porta. Hotch havia providenciado ajuda ocasional de Anderson o fazendo prometer que nunca contaria.

— Precisa de ajuda, Agente Morgan? – Anderson se aproximou.

— Seria muito bom, Anderson. – Respondeu Morgan.

Morgan e Anderson a colocaram na SUV de Morgan. Ele precisava leva-la para casa.

Quando Morgan chegou ao apartamento havia um homem escondido entre as folhas. Morgan fingiu que não viu o homem e entrou com Penelope.

Dias presentes...

— Esse homem, Derek. – Falou Reid. – Você viu o rosto dele?

— Rapidamente. – Respondeu Morgan.

— Algo que se sobressaísse? – Perguntou Reid.

— Ele tinha uma gota de lagrima em um dos olhos. – Respondeu Morgan.

— Isso é bem especifico. – Falou Reid.

— Os olhos dele eram de raiva quando me viram, por isso eu me lembrei disso. – Falou Morgan. – Eu deveria ter ido atrás dele.

— Você estava com Penelope. – Disse Reid. – E ela precisava mais de ajuda naquele momento.

— Ela ficou assustada naquele dia. – Morgan estava triste. – Você devia ver.

— A privação de sono faz a pessoa ficar nervosa. – Falou Reid. – E talvez a falta de algo no estomago também.

— Ela parecia não comer nada. – Falou Morgan.

Uma semana atrás...

Derek abriu a porta do apartamento de Penelope e a levou para dentro, de olho naquele homem esquisito.

— Ei garotinha. – Morgan a colocou no sofá deitada com os pés para cima. – Vamos tirar esses sapatos, certo?

Ela não respondeu. O sono já tinha tomado conta dela e ela parecia tranquila.

— Deixa eu pegar uma coberta fina para você. – Derek falou.

Ele trouxe uma coberta fina roxa que ele pegou de um monte de cobertas dobradas.

— Talvez eu deva fazer algo para quando você acordar. – Ele falou

Ele não esperava que ela acordasse e respondesse. Na verdade, o sono era o que ela precisa naquela hora.

Morgan voltou ao quarto e pegou um travesseiro. Ele queria leva-la para o quarto, mas decidiu que acordar ela não seria legal e a deixou lá. Ele foi para a cozinha preparar algo para quando ela acordasse e ele ficaria por lá.

Ele voltou ao corredor do prédio por alguns segundos para garantir que o homem tinha saído daquele lugar e deixasse sua deusa em paz. Quando ele não o viu, ele entrou e trancou a porta.

Penelope parecia em um sonho ruim ou pesadelo.

— Quantos desses você já teve? – Morgan perguntou se sentindo culpado por não estar com ela.

A coisa ficou mais intensa no sonho dela e ele largou algo na cozinha e veio para pero dela.

— Shhii, Shhii. – Disse Morgan segurando Penelope gentilmente. – Eu estou aqui. E nada vai acontecer com você.

— Ele quer me pegar, Derek. – Ela falou ainda sonhando. – Não deixe.

— Estou armado Baby. – Derek deu um beijo na testa de Penelope. – Ele não vai sair sem um tiro.

— Ele está também. – Falou Penelope se agitando mais.

— Respira fundo, está bem? – Derek segurou os braços dela gentilmente.

Penelope suspirou forte e se acalmou. Derek soltou os braços dela. Ele tocou a testa dela e percebeu que talvez ela tivesse um pouco de febre. Ele colocou um pano gentilmente.

Dias atuais...

— Talvez eu devesse ter ido com ela na viatura. – Falou Morgan antes do celular de Reid tocar.

— Reid. – Spencer atendeu. – Quando? Vou avisar o agente Hotchner.

— Que foi? – Perguntou Morgan.

— Alguém se registrou com o nome de Penelope no mesmo hotel onde a gente está. – Respondeu Reid. – Ela deu meu número de contato.

— Vamos. – Falou Morgan.

Casa do Unsub...

Ela não tinha noção do tempo que ela estava naquele inferno. Ela já tinha sido mudada, tinha sido violentada e ela não queria pensar no que mais havia acontecido. Sinceramente, se ela pudesse escolher, ela com certeza escolheria morrer a passar seis meses com aquele bastardo.

— Vejo que acordou. – Falou o homem.

— Não sou de dormir o dia inteiro. – Penelope respondeu ríspida. – Não que seja da sua conta.

— Em seis meses vai saber o quanto eu posso ser legal. – Ele falou colocando comida na frente dela. – Seu almoço.

— Talvez eu devesse comer com os pés. – Ela falou sinalizando para as mãos amarradas.

— Você não precisa de esforços. – Ele falou pegando o garfo e recolhendo pequenos pedaços de vegetais. – Eu sou seu marido agora. Eu vou te dar na boca, meu doce.

— Eu nem sei seu nome. – Penelope tentou.

— Me chame de Senhor X. – Ele respondeu. – Você vai se recuperar das cordas, Cindy.

— Meu nome não é Cindy. – Penelope respondeu. – É Penelope.

— Não mais. – Ele falou. – A partir de agora seu nome é Cindy.

— Tenho um sobrenome pelo menos? – Perguntou Penelope.

— Crawford. – Ele respondeu. – Cindy Crawford.

— Bela escolha. Apesar de ser um pouco sem graça. – Penelope disse.

— Ela foi minha idola antigamente. – Ele falou.

— Agora eu sei de onde vem esse seu sentimento. – Penelope falou.

— Abra a boquinha. – Ele falou. – Prometo que não tem nada aqui.

— Você falou isso da última vez. – Penelope falou fechando a boca.

— Se não se comportar serei obrigado a te trancar no quarto escuro. – Ele falou. – E acredite a cama de lá um pouco desconfortável.

— Vou ficar desamarrada lá? – Ela perguntou.

— Acredite, lá está muito bagunçado, com sangue em toda a parte. – Ele respondeu.

— Porque matou essas mulheres? – Penelope perguntou.

— Em busca da mulher perfeita. – Ele respondeu. – Quatro anos buscando a esposa perfeita, mas depois dos seis meses elas se tornam sentimentais e querem fugir.

— Eu iria pirar se ficasse seis meses trancada. – Penelope falou.

— E é por isso que vai receber doses de sedativo diárias. – Ele respondeu tirando um liquido de um frasco e colocando em uma seringa. – Mas primeiro coma algo.

Ele levantou o garfo até ela e mesmo seu cérebro dizendo para não aceitar, seu estomago precisava de algum alimento. Ela comeu como se fosse a última refeição da vida dela.

— Viu? – Ele falou. – Não foi difícil. – Ele levou o prato para a cozinha e voltou com um copo de água. – Talvez isso te faça ficar melhor. Posso dar o sedativo outra hora se você se comportar.

— Me comportar? – Penelope perguntou.

— Se não gritar eu te deixo acordada por mais tempo. – Ele respondeu.

— Eu fico olhando para o teto em vez de dormir? – Ela perguntou.

— Eu vou colocar uma televisão para você não surtar, mas usar a internet não está permitido. – Ele respondeu ignorando a pergunta dela.

— Vai ser a morte. – Ela falou. – Não entrar na internet.

— Faremos um trato: se você se comportar uma semana te deixo mandar um alô para o agente Morgan. – Ele falou. – E dizer quando seu bebê vai nascer.

— Eu não estou grávida. – Ela falou.

— Pode ser que ainda não, Cindy. – Ele falou. – Agora tome essa água porque sua garganta deve estar seca.

— Não, obrigado. – Ela disse.

Ele apontou a arma para ela.

— Porque é tão importante para você eu beber algo? – Perguntou Penelope. – Isso não vai me deixar sair andando, não com essas amarras nos braços.

— Eu posso ser um monstro, mas preciso que você se mantenha hidratada. – Ele respondeu.

Ela não ousou questionar apenas bebeu a água toda, antes de ver outro movimento da arma.

Era mais fácil viver e ver ele ser preso do que virar outra vítima. Além do mais, ela queria contar a Morgan o quanto o amava.

Seu mundo começou a girar outra vez. Ela percebeu o que ele havia feito outra vez.

— Porque... – Ela conseguiu falar apenas.

— Não posso confiar em você acordada. – Ele respondeu. – E eu posso ter um controle maior de você dormindo.

Ela recostou a cabeça no travesseiro enquanto ela pela quinta vez entrava num mundo de sombras. Ela torcia para ser definitivo. Ela não sabia o quanto isso duraria.