Por trás do olhar.

1 Quando eu vi... Suas aflições.


Notas iniciais
Oi gente ♥ Muito obrigado por lerem mais uma história minha, de verdade o/
Essa história terá entre 3 ou 4 caps, e eu já a tenho escrita até o inicio do 3º.
Desculpem os erros, mas não estou com computador em casa, então não deu pra revisar que preste.
-> Fic baseada somente nos acontecimentos da segunda temporada do anime (que diferem um bocado do mangá)
Boa leitura :3

A primeira reação de Touka quando viu seu irmão passando pelas portas do café foi medo. Não queria admitir a si própria, mas sentia calafrios ao ver o irmão depois do modo como ele arrancou sua kagune no esconderijo da Aogiri. Seu maninho havia se tornado uma pessoa cruel e sem escrúpulos.

A segunda reação foi uma raiva contida. Já estavam para fechar, mas ainda haviam duas mesas ocupadas, e naquele momento só havia clientes humanos. Seria capaz de matar Ayato se ele fizesse outra cena no café, e dessa vez, uma que o faria ser denunciado e acabaria com a Anteiku.

Mas só quando ele ficou frente a frente com ela, aqueles olhos azuis a mirando de uma forma estranha, foi que ela percebeu que havia algo errado na postura do seu irmão mais novo. A falta de agressividade mais especificamente.

- O que quer aqui? — Perguntou baixo, mas um tom gélido.

- Conversar com você. — Respondeu levando a mãe até eu rosto e afastando a franja que cobria um de seus olhos, o que fez a garota estranhar ainda mais, aquele era um gesto muito íntimo dos dois, algo que Ayato sempre costumava fazer com ela no passado, e apenas ele.

- Vá embora logo daqui. — Passou reto por ele na direção do balcão, se sentindo aliviada quando Irimi entrou pela porta dos funcionários, porém... Por que ela parecia tão calma quando um dos generais da Aogiri estava no café?! E com clientes humanos por perto?!

- Por favor. — Ayato insistiu, e era visível como as palavras lutavam para sair dos seus lábios.

Touka até ia protestar outra vez quando a porta do café de abriu, e uma cabeleira branca com aparência de não ver um pente há dias passou por ela, fazendo o coração da garota parar, e acelerar vertiginosamente logo em seguida.

- K-Kaneki? — Sua voz saiu acidentalmente alta demais para o ambiente de trabalho, fazendo o recém chegado levar o indicador aos lábios em sinal de silêncio.

- Vão conversar. — Falou se aproximando da garota que tinha as mãos trêmulas, segurando uma delas gentilmente. — Eu vou estar aqui quando você voltar.

- Por quanto tempo? — Apertou a mão dele de volta.

- Um bom tempo. — Sorriu quase imperceptivelmente. — Bem, eu já resolvi o que tinha que resolver por lá. — Olhou sugestivamente para Ayato que resmungou um "tch" mal humorado.

- Onii-san!! — Hinami apareceu correndo na direção do albino que a segurou no ar, com um braço forte, e essa foi a deixa para Ayato aproveitar o atordoamento emocional da irmã e puxá-la para fora dali.

Tinham quase dois anos de desentendimentos para resolver.

- — Alguns meses atrás — — -

Ayato queria matar Noro naquele momento. E se Tatara e Eto fossem junto não seria problema nenhum.

Estava puto com aquela situação. Primeiro Tatara diz que o idiota de tapa-olho era inútil e dá ele para o Jason brincar, depois o idiota quase come o Jason (que. nojo) e no lugar de fugir, entra pra Aogiri. Que porra era aquela? Como se não bastasse, por sugestão daquela gosma asquerosa denominada Noro, eles ainda iriam ficar no mesmo quarto. Entendia que Tatara não confiava no Tapa-Olho, mas porque não deixou a Eto de olho nele? Ela estava quase sequestrando o cara e botando num vidrinho!

Rosnou irritado pela quarta vez naquela tarde, desviando o olhar da tela do telefone e mirando o albino com um ar homicida.

- Vai ficar me encarando ou vai fotografar também? — Rosnou para o outro que tinha um livro grosso no colo.

- Prefiro ao vivo. — Devolveu com a sua habitual falta de expressão dos últimos dias.

- Você é retardado? — Sua kagune coçava pra fazer picado daquele cara.

- Tem certeza que sou eu o retardado nesse quarto? — O albino ergueu uma sobrancelha como se dissesse algo a uma criança.

Ayato queria matá-lo.

- Tá querendo arrumar briga, filho da puta? Não seja por isso. — Se levantou batendo o livro que estava no colo do outro longe.

- Não... Só estava atestando um fato óbvio. — Respondeu tranquilamente, sem nem vacilar o olhar cinzento.

E foi a gota de água.

Sem pensar nem meia vez, Ayato a avançou um com soco na sua direção, que foi prontamente desviado, tentando um chute depois, outro soco, uma joelhada... Já estava se sentindo idiota. Liberou a kagune soltando rajadas e mais rajadas de penas cortantes, foda-se a porcaria do quarto, nunca ficavam muito tempo no mesmo lugar mesmo.

Mas ainda assim ele era um Ukaku, e Kaneki um Rinkaku, e depois de algum tempo Ayato já se arrastava de cansaço enquanto o outro já tinha curado os arranhões que recebeu. E foi ai que o albino — com uma facilidade completamente irritante para o mais novo — o imobilizou contra o chão, com a mãos presas acima da cabeça em uma posição humilhantemente submissa para o azulado.

- Só vou dizer três coisas. — Começou, sendo interrompido logo em seguida.

- Foda-se qualquer merda que você...

- Cala a boca. — Tapou a boca do menor sem cerimônia. — A primeira é que se você voltar a ferir a Touka, eu quebro metade do seu esqueleto. — Seu olhar deixava bem claro que realmente faria aquilo. E sem hesitar. — A segunda é que você é um completo imbecil degenerado por fazer qualquer mal a sua irmã, que por sinal obviamente te ama e sente sua falta. — Foi perceptível como o olhar de Ayato vacilou ao ouvir aquelas palavras. — E em terceiro, eu sei que você a ama também, deveria estar ao lado dela e não...

Suas palavras foram interrompidas por um chute forte bem no rosto que fez Kaneki sair de cima do menor. Em uma explosão de força — e raiva — Ayato havia conseguido se soltar da imobilização, e agora parecia preste a matar qualquer coisa viva em seu caminho.

- Não fale do que você não sabe! — Rosnou partindo outra vez pra cima do mais velho que desviou por pouco, ainda sentindo o gosto do próprio sangue na boca.

- Então me explique. — Respondeu parando bem nas costas do azulado em um movimento rápido.

- Tsc. Como se valesse a pena dizer isso a você. — Devolveu em um tom seco e irritado, saindo do quarto e batendo a porta, deixando um Kaneki pensativo para trás.

Nos meses que se passaram a convivência dos dois não melhorou muito coisa (leia-se: nada). Basicamente Ayato ditava as ordens e Kaneki obedecia, afinal não era como se ele tivesse alguma experiência como terrorista, e quando iniciavam um diálogo, por mais cordial que fosse, acabava em briga e destruição.

Porém, nesse meio tempo, Kaneki pode reunir algumas informações sobre o temperamento do Kirishima mais novo que realmente o pegaram de surpresa, começando pelo nojo (arduamente disfarçado) de insetos, o modo de dormir abraço com o travesseiro como se esse fosse uma pessoa, e a maneira como tentava expressar todos os seus sentimentos como raiva, quando podiam variar da melancolia á saudade (ou quem sabe carência). Ayato era muito mais "humano" do que gostaria de admitir a si mesmo, e fazia o máximo para enterrar esse lado o mais fundo dentro de si.

E não era o único, com o passar dos dias o albino percebeu que nada poderia falar do menor quando estava fazendo o mesmo. Se tornando mais frio a cada dia e sempre dizendo a si mesmo que estava tudo bem, que um dia ia deixar de ter pesadelos com Jason, Rize, sua mãe e todos os que amava mortos. Sempre tentando se convencer de que não estava perdendo a cabeça. Que não estava perdendo a si mesmo.

Mas toda a atuação tem um limite, e o limite de ambos foi a invasão a Cochlea. Ambos haviam caído do pedestal que construíram com base na própria força e foram completamente pisados.

Naquela noite, quando Eto os deixou no prédio em que estavam se escondendo, Kaneki carregou um Ayato completamente esgotado até o quarto, se perguntava porque o ghoul havia lutado até um ponto tão além da exaustão, não seria mais inteligente fugir e procurar outro investigador? De qualquer forma não conseguia pensar muito nisso, seu peito estava apertando e queria voltar a chorar como fez aos pés daquele investigador, mas não queria demonstrar nenhuma vulnerabilidade naquele lugar.

Depositou o menor calmamente em sua respectiva cama, tirando seu casaco, o manto e os sapatos. Era reconfortante cuidar de alguém, sentia que não tinha perdido tudo da pessoa que era no fim das contas, e sem contar que acabou se apegando inesperadamente àquele pirralho esquentadinho.

Se sentou na própria cama e voltou a ler o livro que tinha começado. Não iria dormir. Suas mãos tremiam e seus dedos se remexiam nervosamente. Estava apavorado, e com medo da sua própria mente. Tudo que queria naquele momento era voltar pra casa e se enfiar debaixo do seu cobertor que sua mãe havia costurado. Seu refúgio.

E assim, mal conseguiu ler nada, perdido em pensamentos perturbadores quando um barulho ao seu lado o acordou daquele estado de torpor.

Ayato havia acordado tão subitamente que quase caiu da cama, sua respiração era acelerada e entrecortada, e graças a luz pálida do abajur, Kaneki pode ver que seus olhos estavam úmidos.

- Ayato...?

- Vai se foder! — Devolveu enterrando as mãos nos cabelos azulados, parecendo assustadoramente abalado. Como se fosse quebrar a qualquer momento.

Sem dizer mais nada, Kaneki se levantou, e foi até a cama ao lado, sentando-se encostado na cabeceira e puxando o menor para deitar em seu colo, algo que sua mãe sempre fazia consigo quando o maltratavam na escola. Mas como Ayato era Ayato, já era de se esperar que ele iria atacar como um gato encurralado, mas mesmo contra isso Kaneki tinha um argumento.

- Sabe, eu tenho uma memória bem ruim. Ruim o suficiente para me esquecer de tudo isso amanhã, acho que vou pensar que sonhei. — Falou em um tom de quem está divagando, mas deixando a mensagem bem clara.

- Uma palavra sobre isso depois e eu te mato. Nem que eu morra junto. — Resmungou mirando de canto de olho. Deixando transparecer como suas palavras eram sérias.

- Feito. — Ditou, e pra sua surpresa, Ayato não se inclinou com a cabeça em seu colo como havia sugerido anteriormente, o Kirishima simplesmente desabou em seu peito, em um choro baixo de cortar o coração, o que o fez se perguntar o quanto ele vinha guardando dentro de si.

Kaneki apenas começou a fazer um leve carinho nos cabelos escuros, queria abraçá-lo, mas não sabia como o outro iria reagir (e imaginava que não ia ser positivamente). Por vários minutos ficaram ali, naquela posição, e por mais que o albino sentisse seu coração apertado pela dor do menor, aquilo era de certa forma calmante para si, uma vez que ficava longe de pensamentos perigosos.

- Aquela... Aquela armadura, daquele investigador... — Murmurou depois de um tempo, sua voz não dava nenhum indício de quem estava se despedaçando, mas seus olhos deixavam claro. Ele era bem parecido com Touka nesse sentido. — Aquela... Aquilo é... Era meu pai. — Finalizou e a realização caiu sobre a mente de Kaneki como uma bomba, agora entendia o que havia o feito o ghoul lutar inconsequentemente daquela maneira.

- Eu sinto muito. — Sussurrou apoiando o queixo na cabeça do menor, lembrou-se de Hinami naquele momento, que teve os dois pais transformados em quinques e como foi cruel.

- Não sinta. Ele procurou por isso. — Resmungou com um tom de voz amargo.

- Como assim? — Indagou confusamente, havia ouvido em alguma conversa que o pai dos gêmeos era uma pessoa bem calma.

- Sabe como chamavam ele? De acumulador de corpos. — Fungou baixinho. — Nunca matou ninguém. Se alimentava de cadáveres, por isso a alcunha. Os humanos ele dava pra gente, e os ghouls ele comia, e acabou se tornando um kakuja bem forte. — Falava baixinho, como se tivesse conversando consigo mesmo. Mas estavam apenas os dois ali, e o albino podia ouvir claramente.

- E o que aconteceu?

- Não sei. Ele foi pego. — Suas mãos apertavam inconscientemente a camisa do mais velho. — Ele trabalhava de dia, para que tivéssemos uma casa organizada e tudo o mais, e só saia pra caçar de madrugada, eu sempre via quando ele saia. Até que um dia ele... Não voltou mais... Eu me pergunto se ele lutou. Ou se foi um covarde e desistiu da gente.

Por um momento Kaneki se lembrou de quando passou pelo mesmo choque emocional, quando Rize lhe questionou sobre a sua mãe. Ele realmente queria que ela tivesse o escolhido... Mesmo que sua tia...

- Todo mundo sempre dizia que eu era como ele. — Ayato se encolheu inconscientemente. — A Touka era como nossa mãe, e eu como o pai... Tsc, eu me recuso a virar a porcaria de uma arma controlada por um investigador fodido.

- Mas aqui você é uma marionete do Tatara, não? — Indagou Kaneki, por mais ofensiva que pudesse soar a pergunta, seu tom era tão brando que não dava para levar as palavras muito em conta.

- Temos objetivos em comum. — Deu de ombros. — Não me importo de obedecê-lo. É uma escolha minha. — Subiu o olhar para Kaneki pela primeira vez. — Eu sei que você acha que somos maus, afinal, você era humano, mas vocês humanos sempre se acham santos demais para serem julgados. Meu pai sempre foi um bom vizinho que se dava bem com todo mundo, as pessoas da rua mimavam a gente, e foi só descobrirem que não éramos o mesmo que eles que denunciaram eu e minha irmã, éramos dois pirralhos estúpidos na época. Só deu pra correr e se esconder. — Sua voz era carregada e profunda, porém não havia só ódio ali, mas também uma profunda tristeza.

- Não acho que os ghouls sejam os vilões, apenas que não precisa haver uma guerra que só vai gerar mais mortes e ódio. — Falou ainda mexendo distraidamente nos cabelos escuros e bagunçados.

- Não? E você acha justo nós termos que nos esconder pra sobreviver? — Ayato rolou os olhos como se a ideia fosse ridícula. — Nós somos muito mais fortes, já viu um leão de disfarçar de zebra por acaso? E os humanos são uma praga nesse mundo, tão numerosos quanto baratas, o quem te errado em caçá-los? É apenas o mundo seguindo seu curso. — Ditou com convicção, deixando o mais velho um tanto quanto surpreso, não esperava uma resposta tão lógica, por mais imatura que ainda fosse.

- Sim, e então vocês devoram um pai que vai deixar seus filhos em casa e sem ninguém... E esses filhos podem ser mortos, sequestrados, mal tratados, ou virarem investigadores pra se vingar. Qualquer semelhança é mera coincidência. — Respondeu o albino, agulhando o mais novo sem dó. Havia aprendido com Touka que, em vários momentos, precisamos ouvir coisas duras e não palavras de compreensão.

- Você parece aquela maldita falando assim. — Resmungou fazendo Kaneki rir mentalmente.

- Deveria ouvi-la de vez em quando. — Ouviu apenas um "tsc" como resposta. — Porque vocês brigaram, afinal?

- Ela me traiu. — Respondeu suspirando logo em seguida. — Sempre contávamos só um com o outro. Quando fugimos de casa não sabíamos de nada, nada mesmo, nem como caçar. Passamos dias zanzando pelas ruas e nos escondendo em becos, até que um tarado partiu pra cima da minha irmã e eu o matei por puro impulso. Nunca tinha ferido ninguém antes. Foi nossa primeira refeição. — Pausou por um momento, lembrando daquele dia, quando ele ainda era uma criança medrosa. — Passamos anos nos virando, até que um ghoul que costumava ser um assassino fodão e se fodeu na vida, resolveu formar uma organização para pacificar o 20º distrito...

- Yoshimura-san?

- Yep. Ai ele chegou com uma conversa de abrigo e vida pacífica, mas a esse ponto, nós já estávamos devidamente adaptados com a vida que levávamos. Bem, aparentemente, já que a Touka ficou balançada então... Eu aceitei por ela. Ela tinha aquela coisa de cuidar de mim quando era criança, então eu queria fazer o mesmo. E me fodi. — Suspirou cansadamente. Era cômico como pareciam amigos de longa data e não as duas pessoas que mais brigavam entre si na Aogiri. Mas talvez, Kaneki fosse de fato o que Ayato já houvesse tido de mais próximo de um amigo em toda a sua vida. — Ela ficou toda babona dos humanos de repente, e eu resolvi ir embora.

- Só por isso? — Indagou confuso erguendo uma sobrancelha.

- Ela tá igualzinha ao pai, e eu vi como ele terminou. — Resmungou em um tom magoado. — Ela era... Ela era incrível, batia em qualquer ghoul do distrito e agora eu a venço sem nem me cansar. Ela vive rodeada de humanos fingindo ser alguém que não é para agradar os outros... Isso é patético. Ela está tão fraca agora que eu mal a reconheço como minha irmã. — Sussurrou distraidamente.

- Não é que ela esteja fraca, ela apenas mudou de força. — Ditou com os dígitos perdidos nos fios escuros. — Se ela cair, ela tem a mim, Yoshimura-san, Yomo-san, Nishiki, Hinami... E se você cair Ayato? — Indagou seriamente. O cinzento quase se misturando com o azul cobalto.

- Simples. Eu não caio. – Devolveu simplesmente.

"Eu vi isso hoje..." Pensou mais não disse, sabia que arrumaria confusão.

- Oe... Tapa-Olho... — O sono já começava a pesar sobre os dois.

- Hm?

- Você não está apaixonado por ela, está? — Levantou uma das sobrancelhas com um risinho sarcástico.

- Não. Mas... Ayato...

- Quê?

- Você luta por vingança pelo seu pai, ou por um mundo onde sua irmã não tenha que se esconder? — Indagou mirando aqueles olhos azuis cor de noite, que adornavam aquele rosto ainda mais delicado que o da irmã. Sentia um ímpeto estranho de protegê-lo, teve a prova da intensidade disso quando o salvou do investigador mesmo não estando completamente consciente das suas ações.

- E você luta por que quer proteger a todos ou o que te move é o medo de ficar sozinho e enlouquecer? — Devolveu na mesma.

- Justo. — E ambas as indagações ficaram sem repostas, pelo menos verbais. No fundo, os dois sabiam que lutavam por todos os motivos citados, e muito mais.

- Vai dormir, idiota.

No dia seguinte, Ayato quis se bater quando seu primeiro pensamento pela manhã foi dar pela falta do albino no quarto. Estava ficando muito mole com aquele desgraçado de tapa-olho...

Se levantou vendo que havia café na mesa e nem se importou em dar um jeito em si mesmo antes de se servir de uma xicara e sentar no chão com as costas do sofá velho. Seus olhos estavam meio grudados ainda, devia ser a falta se experiência em chorar.

"Tsc, eu estou ficando idiota..."

Rosnou baixo, de péssimo humor, tomando o café quente como se estivesse gelado. Esfregou os pés no chão de cimento percebendo que não se lembrava de ter tirados os sapatos em algum momento. Poderia ser que...?

- Tsc. Merda.

Só de lembrar da noite passada um rubor estranho lhe vinha ao rosto. Nunca havia dito aquelas coisas a ninguém, nem mesmo as paredes do seu quarto. Na verdade, nunca tinha se sentido seguro para colocar seus sentimentos em palavras, e perceber que o simples fato de estar junto do outro o fez se sentir assim o deixava confuso e irritado. Na verdade, esse era um sentimento constante quando de tratava do meio ghoul.

Por um lado, queria matá-lo de formas bem criativas, e por outro... Queria que ele nunca deixasse a Aogiri. Mal havia percebido, mas se sentia bem de certa forma em ser acompanhado por aquele fantasma branco por onde ia, e isso era muito esquisito para si ainda.

E de repente, se pegou pensando que não seria ruim se ele não cumprisse a sua palavra e não esquecesse do que tinham conversado noite passada.

E teve vontade de se bater depois desse pensamento.

Ficou mais um tempo ali, sem fazer nada, até que Eto apareceu avisando que tinham que ir ao 21º distrito e que ele chamasse o meio ghoul, que havia saído.

Estranhou, aquele idiota nunca saia. Só ficava quieto, lendo em algum lugar...

Se levantou lavando o rosto rapidamente, se vestindo e pegando sua mascara antes de sair. Seu corpo ainda estava completamente dolorido por causa do esforço em Cochlea, pareciam que todos os seus músculos haviam sido queimados, mas já estava um tanto quanto acostumado com aquela sensação. Era assim que um ukaku se tornava forte, se forçando cada vez mais até o limite e melhorando sua resistência precária. Tsc, kagune idiota.

Não era difícil seguir o cheiro do albino, afinal era algo que realmente chamava atenção. Acreditaria que estava seguindo uma mulher incrivelmente bonita e sensual se não soubesse quem era o dono daquele cheiro, tinha de lembrar de tirar uma com a cara do Tapa-Olho por causa disso mais tarde. Tentar irritá-lo era quase um esporte para Ayato.

Seu caminho o levou até uma construção abandonada, um galpão subterrâneo mais precisamente. Estava se perguntando que merda o outro estava fazendo lá, quando ouviu o som de algo desabando.

Desceu rapidamente encontrando uma cena que o deixou sem reação por alguns segundos.

O albino estava completamente fora de si, e o que a primeira vista parecia uma centopeia gigante digna de um filme de horror, destruía as paredes do cômodo como se tivesse vida própria, enquanto o meio ghoul se contorcia e grunhia como se tivesse agonizando.

Ayato tentou se aproximar e por pouco não foi esmagado contra uma parede, mas ainda assim o outro não parecia tê-lo notado ali, e isso era um tanto quanto perturbador.

- Oe, Tapa-olho, o que diabos... — Teve que desviar rapidamente, saltando quando aquela coisa veio na sua direção, fazendo um grande buraco onde ele estava antes. Suas pernas doíam e seu kakuhou queimava, e mesmo se seu corpo estivesse em melhores condições, o Kirishima não tinha certeza se consegui lidar com aquilo.

- Menos... Sete... Mil menos sete... Eh? Eh? Quanto é??? — O tom de voz normalmente calmo e suave agora parecia completamente distorcido. — Mil menos sete? E menor sete, menos sete, menos sete menossetemensosetemensosetemenossetemenossete... Hahahahah, eu sinto as pernas dentro do meu ouvido...

Um sentimento estranho, e ao mesmo tempo conhecido tomou conta do peito do azulado de uma maneira cruelmente dolorosa. Era culpa. Sabia que aquilo era obra de Jason, e lembrar que nunca havia feito nada quanto aquilo, o fazia se sentir inesperadamente mal. Indiretamente havia feito aquilo com o meio ghoul.

Ainda recordava de como era sentir aquelas mãos em seu cabelo e a voz serena lhe dizendo palavras que não queria ouvir, mas que não podia discordar ao todo.

Tinha que fazer alguma coisa. Qualquer coisa.

Desviou de outro ataque traiçoeiro, dessa vez correndo para um corredor perto dali e puxou o celular do bolso. Nunca imaginou que fosse usar aquele numero de novo, mas...

Chamou uma, duas vezes, até que uma voz infantil atendeu, para sua total surpresa.

Será que ele tinha tido filhos?

- Alô? O Yomo-san tá ocupado, pode deixar recado? — Uma menina falou do outro lado da linha, sua voz irritantemente calma para alguém que estava com pressa.

- Chame-o. — Ditou em um tom que percebeu que assustou a menina.

- Mas...

- AGORA. — Quase de imediato ouviu o som de passinhos correndo apressados.

Seu coração estava acelerado, mal estava se reconhecendo. Desde quando ouvir os lamentos de dor de alguém havia se tornado algo tão perturbador?

- Alô? — Ouviu a voz forte do homem do outro lado um tempo depois.

- Eu vou te passar um endereço, venha o mais rápido que puder, o Tapa-olho está... Er...

- Ayato?! — A surpresa no tom do mais velho beirava o choque. Mas sem qualquer resposta, o Kirishima simplesmente desligou o telefone.

E agora, ia embora ou...?

Olhou para o estado deplorável do albino.

Não conseguiria, mover um pé fora dali.

Notas finais
Hoy pra quem chegou até aqui, espero que tenham gostado. Dependendo de vocês posso postar o próximo daqui há quatro ou cinco dias.

Nessa história eu queria explicar um pouco sobre o Ayato, ao contrário do mangá, ele tem um certo desenvolvimento no anime, inclusive uma participação no ultimo ep. que nos mostra que no fundo ele se importa com a irmã, então eu vou tentar trabalhar em cima dos dois lados dele, espero que não fique muito OC. T___T

O que acharam? Críticas? Opiniões?
Até o próximo o/
Kissus