Por trás do olhar.
2 Quando eu vi... Um lado inesperado seu,
Em alguns minutos o homem alto de cabelos alvos entrou acompanhado de Uta, uns dos poucos ghouls que faziam máscaras para outros ghouls, parando na porta por um momento, com uma expressão congelada entre o estarrecimento e a tristeza, o que fez Ayato se perguntar se não havia feito uma cara assim. Já Uta... Bem, era Uta, não dava para esperar uma reação muito emocional, por mais que seu olhar tivesse algo de diferente.
– Isso não vai prestar. — Sussurrou o moreno cheio de piercings, desviando de um ataque aleatório da kagune do albino.
– Há quanto tempo ele está assim? — Indagou Yomo ao Kirishima mesmo sem vê-lo.
– Um bom tempo. — Respondeu com uma voz cansada, não aguentava mais ver aquela criatura gritar como se estivessem remexendo seus órgãos.
– Eu disse que ele era resistente. — Falou agora para Uta que tirava a jaqueta e os óculos.
– Sem problemas.
– Distraia-o. — Ditou agora para Ayato que sem questionar, correu da direção do albino, atraindo todos os tentáculos na sua direção. Desviou por pouco, vendo no segundo seguinte os pedaços da kagune do meio ghoul no chão, aqueles dois eram bem impressionantes.
Foi um trabalho de horas. Mal acabavam de cortar e os tentáculos praticamente borbulhavam das costas de Kaneki, que agora atacava ativamente, mesmo não parecendo enxergar quem estava ali, mas uma hora o limite de seu corpo chegou, e o garoto caiu desmaiado no chão, parecendo imerso em um sono profundo. Ayato, Uta e Yomo já se encontravam ofegantes e meio arranhados, e o cheiro delicioso do sangue do menor tomando o ambiente como o cheiro de chuva apos uma tempestade deixava todos inquietos.
– Ayato... — Chamou o homem de cabelos cinzentos, tirando uma chave do bolso e lançando na direção do azulado. Ele sabia onde estava a porta dela, já tinha ido lá algumas vezes buscar ou deixar algo junto com o outro, na época em que sua irmã tinha acabado de ingressar na escola. — Yoshimura-san mandou dizer que as portas estarão sempre abertas, quando quiser voltar, basta bater.
– Manda o velho esperar deitado. — Resmungou de volta.
– Se cuidem vocês dois. — Seu tom não deixava escapar nenhuma emoção, mas seu olhar se enterneceu um pouco, para Yomo, o Kirishima mais novo era como uma criança rebelde e confusa para si, por mais que seus atos já fossem dignos de um ghoul experiente. Se retirou tão rapidamente quanto chegou, deixando aquela sala completamente caótica para trás.
No fim, Ayato acabou pegando o outro nas costas e sumindo dali rapidamente, os pensamentos sobre o que aconteceu indo e voltando continuamente na sua mente enquanto fazia o caminho para o porto no automático.
E assim, agora estavam os dois ali naquele espaço apertado e com o ar viciado com o cheiro do meio ghoul. Por um segundo Ayato pensou se não devia jogar um copo de água na cara daquele idiota, e irem logo embora, mas o cansaço recente e seu corpo doído acabaram lhe vencendo, e cair no sono foi algo impossível de se evitar.
– -
Vagarosamente, o albino abriu os olhos, focalizando uma mancha escura perto de si, seu cheiro almiscarado, mas denso (o que indicava que era um ghoul), tomou suas narinas fazendo seu estômago se remexer como um animal vivo. Difícil era dizer se era fome ou enjoo.
Focando melhor sua visão, pode ver as feições delicadas e bem desenhadas de Ayato relaxadas, dormindo com a cabeça mal apoiada nos joelhos, tendo seus cabelos ainda mais desordenados do que o habitual.
Sorriu sem querer com aquela visão. Era cômico comparar os gêmeos, por que enquanto Touka era brava como uma leoa e usava sua mascara adorável na vida humana, Ayato era como um gatinho que se comportava como um leão. Em resumo, a peste mais adorável que já conheceu.
Fez menção de se levantar e acabou deslocando uma das caixas que sustentava seu colchão, acordando o menor de imediato.
– Nhm... Acordou? — Resmungou atordoado, passando a mão no rosto como se estivesse de ressaca.
– Não Ayato, você ainda está sonhando. — Devolveu divertido vendo o mais novo fechar a cara de imediato.
– Vai. Se. Foder. — Mostrou o dedo do meio, ainda parecendo sonolento.
– Onde estamos? — Olhou em volta vendo a estrutura metálica a sua volta. Sua ultima lembrança era de fugir para um porão de um prédio abandonado quando começou a sentir que ia perder o controle de vez.
– Em um container. É do Yomo, ele meio que deixa umas coisas aqui. — Falou se levantando e indo atrás de algum embrulhinho de comida. Estava faminto, e tinha certeza que o Tapa-olho também.
– Yomo-san... Er... Vocês ainda se falam? — A mente do albino era uma confusão completa. Mas se sentia tão cansado que as perguntas vinham devagar a sua boca, estava esgotado.
– Sei lá. — Respondeu Ayato dando de ombros e jogando uns embrulhos de carne no colo do mais velho que tinha acabado de se levantar. — Come aí. — Ordenou abrindo um dos embrulhos e comendo sem cerimônia, não gostava de comida fria e dura daquele jeito, mas não tinha o que fazer sobre isso.
– Não estou com fome. — Respondeu Kaneki, fazendo Ayato parar de mastigar na mesma hora.
– Quê? — Resmungou de boca cheia.
– Não vou comer. — Deu ênfase ao que tinha dito antes, afastando os embrulhos de si. Sua mente estava muito cheia, e mesmo seu corpo estando necessitado, sua mente não estava bem para uma refeição agora.
– Vai comer sim, seu filho da puta! — Se exaltou o menor com uma aura assassina a sua volta.
– Me obrigue. — Kaneki deu de ombros, só se lembrando no segundo seguinte como os Kirishimas costumavam ser teimosos.
Em um momento estava sentado, e no outro, deitando no chão com um Ayato furioso em cima dele empurrando um naco de carne na sua boca.
– Engole desgraça! — Rosnava tentando tapar no nariz do albino, em uma forma de fazê-lo engolir para poder respirar.
– Nhmm!! — Agora não queria comer mais só de raiva mesmo.
Chegava a ser cômico ver aqueles dois, normalmente tão sérios, rolando pelo chão como duas crianças do primário.
– Filho da mãe dramático! Quer que eu enfie isso na sua goela com um cabo de vassoura?! — Esbravejou quando o albino conseguiu se livrar do pedaço de carne em sua boca, para sua sorte Kaneki estava bem esgotado, ou tinha certeza que aquela briguinha não ia terminar bem.
– Eu. Não. Quero. — Devolveu o mais velho categórico.
– Porquê?! — Exclamou frustrado, se perguntando como alguém que deveria estar faminto ainda agia assim.
– Porque eu tenho medo de perder a cabeça de novo. — Murmurou baixo, sendo sincero como raramente era.
Pego de surpresa, Ayato ficou um tempo calado, sem querer pensar muito no porque alguém recusaria carne, mas prestando atenção nas expressões do mais velho. Parecia alguém que temia dar um passo a frente e cair no penhasco de vez.
– Você acha que é errado comer não é? — Suspirou o moreno. Não era uma pergunta, era algo que tinha percebido com a convivência. Sentou-se de frente para o outro, vendo os olhos cinzentos fixos no chão. — Você acha que é humano ainda, idiota?
– Não. Eu sei que não. — Respondeu automaticamente sem realmente pensar na pergunta, e o Kirishima percebeu.
– Como você vê a Eto? — Indagou de repente, recebendo um olhar confuso na sua direção.
– Como assim? — Retrucou curvando a cabeça de lado.
– Você a vê como humana ou como ghoul? — Indagou vendo a compreensão chegar as orbes do maior, e a resposta a sua pergunta estampada nelas. — Se um investigador te vir, você vai ser um meio humano, ou um ghoul? — O albino desviou o olhar, sabia a resposta para aquela questão na prática. — Você precisa de carne humana para viver, e não pode comer comida como os humanos... Falando em humanos, isso parece humano pra você?
– Eu sei da minha condição. — Respondeu o mais velho secamente.
– Sério? Não parece! — Reclamou o menor. — Você é um fodendo ghoul Kaneki! Porque fica tentando pagar de humano? Você pode até ser um idiota, ter esse jeito paradão com cara de paisagem, e ficar lendo aqueles livros idiotas, mas admita o que você é! — Concluiu batendo o pé na frente do mais velho que o observava com um brilho estranho no olhar.- Que foi?
– É primeira vez que você me chama pelo nome. — Comentou o mais velho com um risinho discreto, fazendo o sangue de Ayato subir a cabeça.
– Puta que pariu, você não tem salvação. — O azulado bateu a mão na cara dramaticamente, pegando um pacote e jogando na cara do albino. — Come logo idiota! — Se emburrou de volta em um canto do trailer.
No fim, Kaneki acabou abrindo o pacote que lhe foi "gentilmente entregue", provando um pedaço. Não engolindo forçadamente, mas provando. E era bom, muito bom. E ele sabia que ninguém tinha sido assassinado para que ele pudesse comer.
Era a primeira vez que comia carne humana sem tanto peso na consciência.
Era... Estranho conhecer um ghoul verdadeiramente orgulhoso de ser o que era, e que não via nada de errado em sua natureza. Mas acabou sendo algo que lhe deu o que pensar. Positivamente. Por mais incomum que ainda fosse aquela linha de pensamento para si.
– — -
– Por quanto tempo ainda vamos ficar aqui? — O albino indagou se sentando do lado do azulado. Cada passo era doloroso, seu corpo estava realmente esgotado. Era como se tivesse tido todo o seu sangue drenado.
– Você consegue andar até lá? — Indagou Ayato levantando o olhar da playlist do celular.
– Não. — Não conseguia andar nem até a porta.
– Então porque perguntou, bastardo? — Bufou mal humorado, voltando a remexer nas musicas quando foi interrompido por uma ligação. Não atendeu nem ignorou, apenas deixou tocar. O nome "Tatara" piscava quase que ameaçadoramente na tela.
– Ele tem ligado bastante. — Constatou Kaneki esticando as pernas no chão.
– Estamos fodidos. — Suspirou o outro, mesmo que sua voz não transparecesse lá muita preocupação.
– Já pensou no que vai dizer? — Estalou um dedo distraidamente.
– Não.
– Fala que a gente tava... Fazendo certas coisas. — Deu de ombros, voltando estalar os outros dedos.
– Como assim? — Ergueu uma sobrancelha desconfiada com a sugestão do outro. Que tipo de coisas? Caçando?
– Tipo transando. — Deu de ombros de novo, seu rosto sem nenhuma expressão visível. Pelo menos por fora.
A mente de Ayato parrou por um segundo, demorando a processar aquela informação.
– QUÊ? ENLOUQUECEU? — Se levantou de repente, seu rosto em brasa e um olhar irado. Kaneki gostava daquele olhar, lhe divertia de certa forma.
– Oras, vai explicar porque sumimos, porque você não atende o celular... — Falava na maior calma possível, fazendo mais novo ferver por dentro. — E não me diga que nunca ouviu os comentários...
– Que comentários?! — O azulado parecia a beira de chutar o outro.
– Me lembre de dizer a Touka-chan que ela já conheceu alguém mais tapado que eu. — Comentou com uma ponta de humor, o que deixava o mais novo irritado e inquieto de uma forma estranha ao mesmo tempo.
– QUE COMENTÁRIOS?! — Chutou a caixa atrás do albino que nem se alterou com o movimento.
– Ora, Ayato, pense... Nós vamos juntos a todo lugar, saímos pra comer na mesma hora, dormimos no mesmo quarto...
– VÃO TODOS SE FODER! — Esbravejou, sua kakugan ativando em resposta á vontade de matar todos aqueles fofoqueiros.
– Por isso é a desculpa perfeita. — Estalou o último dedo, levantando as orbes cinzas para as azuis furiosas.
– Eu nunca, em hipótese alguma, vou usar isso. — Ditou determinado, com uma chama de raiva no olhar.
–----
Os olhos vermelhos de Tatara intimidavam mais do que qualquer coisa. Para ser sincero, Ayato não deveria temê-lo, mas sim a Eto, ou a Coruja de um olho só, que observava a tudo com um sorriso estranho. Só que ainda assim, devia algumas explicações, ainda mais por ter saído pela manhã e voltado a noite, negligenciando completamente uma missão importante. Isso poderia influir seriamente sobre sua importância dentro da Aogiri, ou poderia até mesmo acabar sendo vigiado sempre que saia.
– Ainda estou esperando uma resposta. — Indagou o homem com um ar que quem iria fatiá-lo. E o Kirishima sabia que não podia com a força dele, pelo menos no seu estado atual.
E não tinha nenhuma desculpa boa pra usar, fora... Er...
– Er... Fala você. — Deu uma tapa no ombro do albino que só parecia estar ali de corpo presente. Se perguntava se ele não estava dormindo de olhos abertos.
– Por que eu? Você quem estava dizendo que em hipótese alguma ia... -Indagou com um ar confuso, mas no fundo se divertia com a cara desesperada do menor. Embora não pudesse, culpá-lo, aquilo era definitivamente constrangedor. Muito constrangedor.
– Esquece o que eu falei! — Exasperou botando a mão no rosto, se recusava a mostrar sua face envergonhada para a Aogiri inteira!
– Isso tem cheiro de desculpa pra mim... — Sussurrou Eto, e que ela não percebesse a aura assassina de Ayato naquele momento.
– Você sabe que traição é punida com a morte, não sabe? — Tatara se aproximou, uma energia ameaçadora emanando do seu corpo.
Iriam morrer sem nem ter feito nada.
Mandando qualquer ideia de desculpa, ou palavras de auto humilhação para tentar ganhar sua confiança para o inferno, Ayato já se preparava para enfrentá-lo, frente a frente com tudo o que tinha, até que sentiu uma mão na sua nuca...
Espera, o quê?
Outra mão na sua cintura, firme, puxando seu corpo que por algum motivo tinha parado de reagir.
Ah, aquilo não estava acontecendo...
E foi então que sentiu aqueles lábios macios nos seus. E sua mente travou. Sentia as mãos se firmando no seu corpo com mais segurança, agarrando-o, os lábios se mexendo levemente, em uma massagem lenta e simples. Aquele cheiro inebriante tomou seu nariz, e sua língua se mexeu sozinha, provando, e era bom.
Sentiu-o se afastar, mas não deixou. Segurou-o mais perto, provando mais daquele gosto, seus olhos se fechando em deleite, aquele cheiro delicioso ficando mais forte. Nem percebeu que tinha entrançado as mãos nos fios brancos e puxava o outro contra si. Isso até a voz de Tatara lhe chamar atenção.
– Não precisa nos mostrar em detalhes o que estavam fazendo, Ayato-kun. — Cometou Eto com um risinho malicioso.
E foi então que ele abriu os olhos, vendo inicialmente o rosto normalmente pálido, mas que agora estava da cor de um morango, de Kaneki, e depois ouvindo o burburinho a sua volta.
Não, isso não aconteceu.
Ficaram se encarando sem reação por alguns segundos, até o peso do fato de estarem em público se fazer presentes o os dois se recomporem na velocidade da luz.
– Bem, podem realizar o trabalho que designei amanhã. — Tatara ditou por fim. — Daqui pra lá deve dar tempo de se acalmarem. — Complementou, fazendo um Kaneki vermelho arrastar um Ayato ainda sem muita reação pelo braço até o quarto dos dois.
A porta foi fechada com força, o mais velho se encostou a madeira, deslizando até acabar sentado no chão. Mortificado. Já o Kirishima caiu de cara no travesseiro, e não pretendia tirar o rosto dali nunca mais.
Havia beijado um cara na frente da Aogiri inteira. E com gosto. Queria morrer agora.
– Nunca passei tanta vergonha na vida. — Murmurou com a voz abafada.
– Não saio daqui nunca mais. — Respondeu o albino sentindo o rosto ainda em brasa. Ssem contar que... Wow, o que foi aquilo mesmo? Ainda estava com o pescoço arrepiado de quando o menor o puxou contra si, tocando sua língua... Céus, já tinha lido sobre aquilo, mas não imaginava que fosse... Assim.
Talvez até classificasse a experiência como positiva se não fosse a vergonha. O que foi aquilo de "deve dar tempo de se acalmarem"???!!!!!!!
– Mas ainda assim foi melhor que morrer. — Suspirou Ayato tirando as botas com os pés com uma habilidade de dar inveja.
– Você... Não ficou bravo por ele ter tentado te matar? — Kaneki indagou estranhando a calma do menor.
– Tsc, não posso falar, teria feito o mesmo no lugar dele. — Respondeu displicente e o mais velho achou melhor deixar aquele assunto morrer, levantando outro mais importante.
– M-Me desculpe por aquilo. Er... Eu deveria ter avisado. — Murmurou o meio ghoul com um ar meio atrapalhado, fazendo o Kirishima levantar um pouco o rosto para espiá-lo. Era interessante ver alguma expressão nova naquele rosto. — Eu só ia falar, mas não parecia que ia convencer, então...
– Ah, cara, cala a boca. Salvou nossos rabos, é isso que interessa. — Abanou a mão em descaso. Queria esquecer logo aquele assunto. E de preferência esquecer o sabor do outro junto. O que foi aquilo? Não estava se reconhecendo. Foi como se tudo tivesse sumido naquele momento e... E era melhor esquecer de vez.
– Er... E eu tenho que te agradecer também. — Sentiu a cama afundando ao seu lado, olhou pra cima já sabendo que ia ver aqueles olhos cinzas voltados para si, mas não... Não daquele jeito, com aquele olhar que... Que o confundia.
– Pelo quê? — Indagou sem mostrar como ficou desconcertado. Quando o Tapa-olho tirava o tapa-olho, era como se estivesse permitindo ser visto, ao mesmo tempo em que via melhor a pessoa.
– Por ter me salvado. Não só me tirou daquele pesadelo, mas se meteu em um monte de problemas por minha causa, e falou com o Yomo-san... Bem, muito obrigado Ayato. — Falou mirando diretamente os olhos azuis como safiras, e ao mesmo escuros como buracos negros, de certa forma de sentia tragado por aquele olhar.
– Fiz porque quis. — Resmungou desviando o olhar.
– Ainda assim. Obrigado. — Seu tom de voz era brando como seu olhar.
– Tá caralho! Já entendi. — Rosnou emburrado. — Cala e boca antes que eu resolva cobrar o favor.
– E o que você pediria em troca? — Indagou se encostando na cama no menor, mexendo nos cabelos escuros largados no travesseiro.
– Ah, vai dormir e me deixa em paz bastardo. — Bateu a mão do maior, que apenas riu com a ação infantil, indo para sua própria cama enquanto o Kirishima virava de costas.
Pensando sozinho, Ayato decidiu que, se fosse cobrar o favor algum dia, o pediria para nunca ir embora.
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