Por trás do olhar.

7 Quando eu vi... O quanto você se importa.


Notas iniciais
Queria agradecer imensamente a todos que comentaram, é muito importante pra mim :3

Estavam os dois no terraço do prédio onde ficava o apartamento de Kaneki. Hide comia umas batatinhas despreocupadamente e o albino matava a saudade do tempo que passavam juntos ali em cima jogando conversa fora. Não podia medir em palavras o quanto sentia falta do melhor amigo.

Já haviam conversado sobre muitas coisas, o trabalho do loiro na CCG, a vida de Kaneki como ghoul e sua entrada na Aogiri, mas preferiam não entrar em detalhes no momento, apenas conversar sem preocupações enquanto viam o tempo passar.

– Espero que ele não tenha ficado bravo comigo. — Murmurou o loiro de boca cheia, observando o sol se por no meio dos prédios.

– Ele é irritado por natureza, você fazendo algo ou não. — Riu de canto, recordando a personalidade do seu adorável estressadinho.

– É que ele saiu de repente. — Comentou passando as fotos que tinha tirado para o celular do outro.

– Passamos o dia dentro do apartamento, e Ayato não é do tipo que aguenta ficar preso. — Respondeu calmamente. — Pelo que eu conheço dele, ele vai correr, stalkear a irmã, dar um olhada pela cidade e voltar quando estiver entediado. — Concluiu se espreguiçando, sentia falta da presença inquieta do Kirishima, mas sabia que ele precisava de espaço. Ás vezes o via como um gato, independente, e outras como um pássaro que não podia ser engaiolado.

– Bem, se todo esse tempo que você sumiu na Aogiri, você estava com ele, não me surpreende que se conheçam tão bem. — Terminou a batatinha, limpando as mãos na bermuda. — Sério, eu nunca vi ninguém te tirar do sério daquele jeito, vou até pedir umas dicas mais tarde. — Riu alto, deixando o outro sem graça.

– No começo era pior, vai por mim. — Comentou lembrando das infernais primeiras semanas de convivência. — Acho que eu nunca briguei tanto com a mesma pessoa. Aliás, tenho certeza. A Touka brigava muito comigo, mas era só da parte dela. — Relembrou se perguntando como Ayato conseguia ser o diabo quando queria.

– É por isso que eu gosto de vocês dois juntos. — Ditou o loiro para a curiosidade do amigo. — Ao invés de te acalmar ele te provoca, e pelo visto gosta do seu lado irritado. — Piscou maliciosamente. — Eu não o conheço, não posso dizer que confio nele, mas, Kaneki, eu nunca tinha te visto tão vivo desde a morte da sua mãe então... Você e aquele pirralho tem que se casar, e eu serei o padrinho. — Concluiu passando um dos braços em volta dos ombros do melhor amigo em um abraço desajeitado.

"Nunca tinha te visto tão vivo desde a morte da sua mãe..."

O albino refletiu um pouco sobre aquelas palavras e de fato, mal se reconhecia na pessoa melancólica de antes. Não que tivesse se esquecido de tudo que o fazia sofrer, mas era difícil lembrar dessas coisas perto de Ayato. Era como se as provocações, farpas, xingamentos e socos o distraíssem da própria tristeza. Sorriu um pouco com aquilo.

– Obrigado Hide. — Respondeu depois de um tempo, apoiando a cabeça no ombro do mais alto que sorriu satisfeito. Ainda demorariam muito para colocar todo o assunto em dia, mas por enquanto, a companhia um do outro bastava.

– A sério que vocês ainda estão nessa merda? — Indagou uma voz arrogante segundos antes de Ayato cair elegantemente no terraço, como um gato.

– Vem pra merda também então. — Kaneki estendeu uma mão chamando o menor pra sentar. — Tá muito bom aqui. — Provocou o lado possessivo do mais novo que o fuzilou com o olhar.

– Não quero ser contagiado pela sua demência. — Chutou a mão do maior de seu caminho, se sentando um tanto distante dos dois.

Injuriado, Kaneki agarrou-o rapidamente puxando-o para seu colo e prendendo-o em um abraço firme.

– Pirralho birrento. — Resmungou acomodando melhor o menor em seus braços.

– Bastardo filho da puta imbecil! — Devolveu Ayato se debatendo, mas acabou desistindo.

– Casem-se. — Resmungou o loiro rindo de lado. Estava se divertindo como nunca convivendo com aqueles dois.

– Tô com um mau pressentimento. — Murmurou o Kirishima deitando o rosto no ombro do maior. Não sabia que era uma pessoa que gostava de contato, mas o cheiro e o calor do albino eram tão agradáveis que não conseguia se manter longe. — A cidade tá muito quieta. — Concluiu pensativo.

– Concordo. — Comentou Hide que vinha pensando a mesma coisa desde a manhã em que veio ao apartamento do amigo.

– Eu sou o único que não notei nada? — Resmungou o meio-ghoul[= se sentindo o ser mais avoado daquela cidade.

– Porque você é imbecil. — Devolveu o azulado com um risinho irônico.

Aquele risinho que irritava o mais velho de uma maneira que nem ele entendia.

– Não vou ouvir isso do cara que saiu pra ver como a irmã estava no lugar de perguntar diretamente. — Respondeu sem pensar e só pode ouvir um "isso vai dar merda" do seu melhor amigo antes de ter que desviar de um soco que com certeza teria quebrado seu nariz e alguns ossos da face. Segurou seu braço rapidamente, mas não o suficiente para evitar um soco no estômago que o fez sentir o sangue vindo na garganta. É, não deveria ter tocado justamente naquele assunto.

– Me. Solte. — Sibilou Ayato com os dois pulsos presos antes de tentar acertar uma cabeçada, o que acabou virando os dois para trás bruscamente, deixando um Hide confuso que não sabia se ajudava ou gravava a discussão para posterioridade.

– Falei alguma mentira? — Devolveu sem soltar os pulsos do menor que tinhas as coxas em volta da sua cintura.

– Falou sim, seu idiota bastardo, porque eu vou lá amanhã. — Solto de uma vez vendo o olhar surpreso do albino.

– Sério? — Indagou Kaneki ainda meio bobo. Estava feliz e pasmo ao mesmo tempo.

– Eu acabei pensando sobre isso depois dos últimos acontecimentos. — Deu de ombros. — E nem me olhe com essa cara de retardado, não é como se eu fosse voltar a falar com ela. É só... Uma coisa que eu tenho que dizer. E não é da sua conta. — Resmungou mal humorado tentando livrar os pulsos do aperto do albino.

– Eu fico feliz na mesma. — Puxou o menor para um abraço carinhoso, sussurrando em seu ouvido. — E orgulhoso de você. Sei que não está sendo fácil. — Beijou suavemente seu maxilar, vendo suas bochechas avermelharem aos poucos.

–Tsc, cala a boca. — Resmungou baixinho, fazendo maior rir encantado com o jeito do outro de ficar sem graça.

– Bem... Eu vou indo. — Falou Hide se levantando e esticando o corpo depois de tanto tempo sentado. — Os pombinhos podem ficar a vontade para se bicarem e arrulharem juntos. — Riu de lado.

Aquela havia sido uma noite calma, onde todos puderam dormir sem pesadelos, Afinal, a tormenta depois da calmaria ainda estava distante, mas não o suficiente para um observador inquieto.

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Acordaram no mesmo clima suave e aconchegante em que foram dormir. Ao contrário da madrugada calorenta que fez os dois dormirem só de calça e sem nenhum cobertor, a manhã estava nublada e um tanto fria, o clima perfeito para ficarem juntinhos na cama por toda a manhã.

Quem primeiro acordou foi Ayato, estranhando todo aquele conforto de ter alguém quentinho consigo numa manhã fria, mas não fez questão de se mexer, apenas se aconchegou mais no peito do outro que o abraçava pelas costas e fechou os olhos de novo, sorrindo levemente quando o albino o abraçou mais ainda dormindo. Era muito estranho aquilo, com certeza era, mas era uma das melhores esquisitices que já provou.

Depois de alguns minutos, sentiu o maior se mexer atrás de si, sua respiração quente na sua nuca e em seguida uma série de beijinhos calmos no seu ombro e pescoço, fazendo o menor arrepiar ainda mais, se encolhendo para dentro daquele abraço, tendo quase um espasmo quando sentiu os lábios suaves do mais velho na região extremamente sensível do seu kakuhou. Sentia-se um daqueles gatos arrepiados.

– Bom dia. — Sussurrou em seu ouvido, subindo o nariz pelo seu pescoço até praticamente enterrar o rosto em seu cabelo. Por um segundo Ayato se perguntou se acordariam todo dia daquele jeito.

– D-Dia. — Esfregou a mão no rosto que formigava depois daquela sessão de carinho. Não estava habituado com esse tipo de coisa a ponto de reagir normalmente.

– Acabei de descobrir nesse exato momento o lado bom de ter me tornado um ghoul. — Murmurou ainda meio sonolento, fazendo o menor virar de frente para encará-lo surpreso.

– Isso é novo vindo de você. — Comentou mordendo o lábio ao sentir aquelas mãos cercando sua cintura, seus dedos parecendo provar sua pele desnuda. — O que é, então?

– Não ter que me levantar pra preparar o café da manhã. — Sorriu, um sorriso calmo e aconchegante que deixou o Kirishima sem palavras, se contentando apenas em unir seus lábios àquele sorriso.

– Como é idiota... — Murmurou virando os olhos, mas a expressão do mais velho naquela manhã ficaria guardada na sua mente para sempre. Gostava de vê-lo feliz, era uma daquelas coisas que não cansava seus olhos.

– Ayato... Eu posso ir com você hoje? Quando for ao café. — Indagou acarinhando os cabelos escuros. — Prometo não atrapalhar. — Adicionou rapidamente quando viu o olhar sério do outro.

– Você iria de qualquer jeito idiota. — Deu de ombros. Sinceramente, Não era como se tivesse algo a esconder do mais velho depois de tudo.

– Não quero me meter e estragar tudo. — Respondeu o albino, apreciando a sensação de ficar juntinho do outro daquele jeito, não queria soltá-lo nunca mais. Podia sentir seu coração bater, sua respiração, seu cheiro...

– Já está tudo estragado. Ela escolheu o caminho dela e esse caminho não me inclui. — Respondeu em um tom calmo, mas isso não disfarçava a amargura.

– Então eu posso saber o que motivou essa mudança brusca de atitude? — Beijou o ombro do menor carinhosamente, sentindo a pele lisa com os lábios longamente.

– Só... Vem alguma coisa ai, eu não quero que aquela idiota se meta e ao mesmo tempo... Se ela morrer, ou eu, não quero que vá pensando que a odeio. — Murmurou desviando o olhar. Não estava acostumado àquele tipo de sinceridade, mas sabia que o outro saberia se mentisse e encheria seu saco se não respondesse.

– Isso é muito doce da sua parte. — Sorriu de lado vendo o menor fazer uma carranca emburrada. — Mas seja lá o que for acontecer, eu não vou deixar vocês se machucarem. — Ditou voltando a acarinhar o cabelo do menor daquele jeito que parecia acalmar seus próprios conflitos interiores.

– Mas que bastardinho convencido você virou. — Resmungou o menor o encarando mal humorado.

– Não é convencimento. — Protestou calmamente, mirando a luz do sol tocando com suavidade os olhos do Kirishima, desvendando todos os tons de azul. — Eu faria qualquer coisa para proteger quem eu amo. Eu morreria para impedir que você se machucasse. — Falou em um tom sereno, tocando o rosto do menor e tendo sua mão afastada repentinamente com raiva.

– Não seja idiota! Pare de agir como um escudo simplesmente, é patético. – Falou de repente, assustando o outro com a agressividade em sua voz. — Isso não é amar ninguém, é medo de ficar sozinho. — Seus olhos perfuraram os cinzentos com uma intensidade assustadora. — Se ama alguém de verdade, lute para viver ao lado dessa pessoa, e não morra por ela. Que sentido tem amar alguém depois de morto? Fazer essa pessoa sofrer porque você não está aqui? — Se afastou do maior irritado, virando as costas para ele bruscamente. — Vá a merda, se você morrer, vou te infernizar tanto que você vai querer ressuscitar. — Resmungou baixo.

Kaneki estava meio em choque na verdade, não esperava uma resposta dessas (quando aquele garoto iria parar de pegá-lo de surpresa?), e nem perceber como estava sendo idiota. A ficha acabou caindo como um pedregulho na sua cabeça e por um segundo quis realmente ser acertado por um. Ficou um tempo observando as costas do mais novo, contando as pintinhas que tinha no ombro, observando suas orelhas vermelhinhas e pensando nas pessoas que perdeu, principalmente na sua mãe.

"Lute para viver ao lado dessa pessoa"

" Que sentido tem amar alguém depois de morto? Fazer essa pessoa sofrer porque você não está aqui?"

Por mais que se sentisse triste por entender o sentimento do menor, estava feliz de uma forma estranha, como se algo que o prendia tivesse se soltado dentro do seu coração e se sentisse mais leve. Sem contar em como as ações do azulado tornavam claro o quanto ele se importava com o maior. Sorriu calmamente deslizando a mão pelas costas do mais novo, subindo até seus ombros e massageando levemente.

– Ayato...

– O que é, bastardo suicida? — Resmungou sem se virar, mas o albino podia ver seu corpo respondendo ao toque.

– Obrigado por existir. — Falou simplesmente observando a reação surpresa do menor que se virou lentamente na sua direção, sentando, um olhar pasmo preso em seu rosto.

– ... Quê? — Deixou escapar, seus olhos azuis como safiras brilhantes presos no maior que também se sentou, ficando mais próximo do azulado para tocar-lhe o rosto e mirá-lo mais de perto. Jamais cansaria os olhos.

– Me faz feliz ter você aqui comigo e ter te encontrado. — Falou docemente vendo o rosto rubro do Kirishima avermelhar ainda mais. — Então obrigado. — Concluiu vendo o mais novo desviar o olhar, completamente sem jeito. E completamente adorável a seus olhos.

Quando Ayato finalmente voltou a encará-lo, Kaneki esperava alguma palavra rude sobre excesso de açúcar naquele horário da manhã quando foi derrubado outra vez na cama com o menor sobre si, beijando-o com uma intensidade que lhe roubou o ar.

Apenas se rendeu ao menor, deixando-o guiar o beijo e mantendo as mãos na base das suas costas sentindo a curva da sua coluna e apreciando a sensação do peso do azulado sobre seu corpo. Adorava o jeito impetuoso do mais novo, a forma como ele o arrebatava bruscamente e sem chances de defesa, sentia-se totalmente capturado por aquele ar impulsivo e devastador. Porém, ao mesmo tempo adorava como a cada toque seu, toda aquela fúria se tornava mais sutil, de como sua coluna arrepiava quando a acariciava com as pontas dos dedos, como suas mãos se tornavam incertas e sua respiração mais e mais pesada, e de como aquele felino selvagem amansava em seus braços adoravelmente.

Certamente, não teriam levantado cedo daquela cama (nem cedo, e nem naquela manhã), isso se um maldito despertador de algum celular que estava escondido no casaco de um deles não tivesse começado a tocar a ponto de enlouquecer o juízo de qualquer criatura.

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De volta a cafeteria, foi visível para Ayato como sua irmã deu um passo para trás quando o viu. Várias coisas cruzaram seus olhos azuis, sentimentos bons e ruins, terminando por assumir uma expressão irritada e um ar agressivo. O café já estava para fechar, e ele tinha certeza que era só o que ela esperava para chutá-lo dali.

Sem se importar em ser bem vindo pela garota ou não, apenas se aproximou tranquilamente, sem baixar o olhar daquele rosto que tinha os traços da sua mãe que só conheceu por fotografias. Não admitiria, mas gostava de vê-la bem, seu pai havia o feito prometer quando era criança que a protegeria, porém, bem antes, ele tinha feito essa promessa a si mesmo (mesmo que àquela altura ainda não fosse capaz de cumpri-la) . A sua maneira, a mantinha viva e longe de problemas, não precisavam se dar bem necessariamente ou ter uma relação cordial.

Percebeu a postura da irmã suavizar um pouco quando viu que ele não vinha para brigar dessa vez, mas a frieza em seus olhos persistiu como uma geleira no Ártico.

– O que quer aqui? — Ela perguntou baixo, em um tom gélido.

– Conversar com você. — Respondeu levando a mão até seu rosto e afastando a franja que cobria um de seus olhos, era uma mania que tinha quando pequeno, gostava de vê-la sem todo aquele cabelo na cara, mas se afastou rapidamente, não se deixando envolver por um simples contato. Não iria esquecer que ela ainda era a pessoa que negou tudo em que acreditavam no passado, assim como ela não se esquecia da mágoa que ele lhe causou.

– Vá embora logo daqui. — Passou reto por ele na direção do balcão, viu Irimi entrando pela porta dos funcionários e pensou que a mulher iria expulsá-lo, mas apenas cumprimentou o Kirishima mais novo com um aceno. Touka jamais se acostumaria com a maneira até mesmo carinhosa com que alguns membros da Anteiku tratavam seu irmão, sinceramente queria dar uma surra nele, e o teria feito se o menor não tivesse virado um monstro com que ela não conseguia mais lidar como antes.

O menor a via se afastando e lembrou-se daquela última batalha, de quando quase a perdeu e lembrou de seu objetivo. Se tinha chegado até ali, não iria voltar atrás.

Em um impulso, segurou a manga do uniforme da irmã, ainda não se sentia próximo o suficiente para segurar sua mão como antes, vendo-a parar bruscamente e se virar irritada.

– Por favor. — Insistiu e sinceramente não sabia como aquelas palavras saíram de seus lábios. Era humilhante, era como se ele reconhecesse que estava errado quando não estava, mas... Não se importava. Touka o fazia não se importar com essas coisas.

Ela o fitou profundamente, por um longo segundo ele esperou ela dizer algo, e quando finalmente pareceu encontrar as palavras, o sininho da porta avisou uma entrada e os olhos azuis da mesma cor dos seus se viraram naquela direção e sua atenção foi completamente roubada.

– K-Kaneki? — Exclamou surpresa, quase gritando, fazendo o recém chegado levar o indicador aos lábios em sinal de silêncio.

"E quem foi que disse que não ia atrapalhar... Idiota". Resmungou Ayato internamente, virando os olhos.

O albino se aproximou cautelosamente, segurando uma das mãos da garota carinhosamente ao mesmo tempo em que "espiava" seu irmão mais novo. Estava feliz em ver os dois juntos sem estar acontecendo uma briga.

– Vão conversar. — Falou soltando gentilmente a mão da garota. — Eu vou estar aqui quando você voltar.

– Por quanto tempo? — Buscou a mão dele de volta.

– Um bom tempo. — Sorriu discretamente. Um meio sorriso calmo, mas que dizia muito. — Bem, eu posso dizer que já resolvi o que tinha que resolver por lá. — Olhou sugestivamente para Ayato que resmungou um "tch" mal humorado. Na verdade ficava sem saber o que fazer com aquele olhar intenso do mais velho na sua direção.

– Onii-san!! — Hinami apareceu cortando o clima entre os três, correndo na direção do albino que a segurou no ar com um abraço forte, e essa foi a deixa para Ayato aproveitar o atordoamento emocional da irmã e puxá-la para fora dali.

Pararam na sala que ficava um andar acima, onde havia uma gaiola e um passarinho barulhento que era a única coisa que quebrava o silêncio no momento. Até que o mais novo se pronunciou, dizendo qualquer coisa que viesse a mente.

– Você... Parece bem. — Comentou desviando olhar para qualquer direção. Não sabia bem o que dizer no fim das contas.

– E você se importa com isso? Novidade. — Devolveu áspera.

– Porque fez aquilo? — Aproveitou para tirar aquela dúvida da cabeça, vendo a mais velha se virar e encará-lo surpresa. Vinha pensando no motivo da sua irmã ter se colocado a sua frente naquela luta, mas todas as respostas vinha da mente dele, então nada parecia sólido para si, não conseguia pensar como ela.

– Porque, por pior que você seja, ainda é minha família. — Respondeu encarando o menor de cima a baixo. — Se é que você ainda lembra o significado disso.

" Ah, se ela soubesse..." Pensou consigo mesmo com um humor melancólico.

– Sua família não são os humanos agora? Poupe meus ouvidos irmã idiota... — Virou os olhos entediado. — De qualquer forma, os doves estão se organizando e parece que vai acontecer algo no distrito, esteja fora disso. — Falou encarando-a finalmente, vendo o estranhamento nos olhos da mais velha.

– Sinceramente Ayato, eu não entendo você. — Suspirou cansadamente. — Some, sai por ai fazendo verdadeiros massacres nos distritos próximos, entra para uma organização violenta e desprezível, deixa claro que me detesta e agora aparece do nada, querendo que eu não me meta em algo? Quem é você pra me dizer qualquer coisa? — Indagou se aproximando dois passos, seus olhares fixos um no outro, desafiando.

– Eu não odeio você. — Soltou o mais novo, decidindo não comprar aquela briga dessa vez.

– Então, o quê? — Insistiu mantendo o olhar duro.

– Eu só não quero que você termine morrendo como o nosso... — Desviou o olhar, estava sendo realmente sincero dessa vez.

– Como o papai? Inferno, porque você sempre age como se ele não estivesse mais aqui? — Virou os olhos apoiando as mãos na cintura. — Você lembra do que ouvimos daquela vez? Ele era um kakuja, é claro que a CCG tá mantendo ele preso em...

– Não, ele morreu. — Ditou sentindo um gosto amargo ao dizer aquilo em voz alta. — Eu vi. — Concluiu antes que ela protestasse de alguma forma, vendo seu olhar ir de irritado, para completamente chocado.

– C-Como? — Se apoiou na mesa atrás de si, como se tivesse recebido um golpe físico.

– Lembra da invasão que houve na prisão ghoul? Cochlea? — Falou vendo a irmã assentir afirmativamente. — Eu estava lá, e o idiota foi transformado em uma espécie de quinque armadura. — Deu de ombros fingindo não se importar, mas na verdade ainda era difícil lembrar. Queria não se importar realmente, mas tem coisas que não se pode controlar.

– Não... — Touka pôs as mãos sobre os lábios trêmulos. Segurando o choro.

Por isso Ayato odiava tanto seu pai, por isso havia ficado tão bravo quando Kaneki falou em morrer por ele. Sabia como as pessoas ficavam depois de perder alguém. E por isso se irritava tanto por seu pai ser um maldito pacifista. Tinha certeza de que ele teria vencido se tivesse experiência em luta, tinha certeza que...

– Aquele desgraçado... — Murmurou em um tom magoado, mas antes que pudesse se dar conta, foi atingido por um tapa forte que o deixou atordoado por um momento.

– Não fala assim dele! — Touka gritou perdendo completamente o controle das próprias emoções, seus olhos negros e rubros fitavam o irmão com mágoa e ódio. — Foi para isso que você veio?! — Indagou se aproximando do mais novo que recuou um passo.

– O quê? — Murmurou confuso, ainda sentindo a lateral do seu rosto queimar.

– Veio só pra jogar na minha cara que você estava certo e eu errada? Que eu e meu pai somos idiotas? — Tomou uma respiração longa, secando as lágrimas. — Eu amo o meu pai, e vou seguir o que ele me ensinou. E sinceramente, prefiro terminar morta do que um monstro desprezível e sem sentimentos como você! — Despejou toda a mágoa de vez, quase acertando outro tapa, mas dessa vez sendo parada por Ayato que segurou seu pulso com força, impedindo-a de se soltar.

– Aneki...

– Vá embora daqui! Não é você mesmo que despreza tanto esse lugar?! Então suma, e nunca mais apareça na minha frente! — Gritou sem medir as palavras, e logo seu pulso foi libertado pelo mais novo.

– Como você quiser. — Ditou Ayato seriamente, se afastando. — Você é filha única agora. — Se virou e foi embora sem olhar para trás.

Saiu pela cafeteria, vendo Kaneki com a garotinha de antes no balcão, os dois parecendo se divertir em uma conversa animada. Como se sentindo seu olhar, o albino o encarou, o sorriso sumindo do seu rosto no mesmo instante.

Sem dizer nada, Ayato apenas respirou fundo e foi embora dali. Ouviu o mais velho chamá-lo, mas ignorou, confiava que ele perceberia que não era um bom momento para segui-lo. Aliás, Touka quem precisava de ajuda no momento.

Saiu dali sentindo as palavras que disse a ela corroerem como ácido. Havia deixado para trás tudo que o ligava a quem era no passado, seu pai, sua irmã, seu sobrenome. Viveria apenas como quem se tornou agora.

A única coisa que jamais conseguiria se desfazer, era da promessa.

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Notas finais
Yo~ Mais um cap. Queria ter postado dois, mas não tô com uma internet confiável hoje, e esse também é o motivo de eu não ter terminado de responder os comentários (eu digitava, enviava, e não mandava nada grrrrrr). Bem... Espero que ninguém tenha ficado bravo com a Touka *pega a personagem e abraça*, a ultima lembrança dela do Ayato é dos dois brigando, sempre, então já era de se esperar que não fosse terminar também. E vale lembrar que ela não sabe do carinho que o irmã tem por ela, então... Vamos deixar essa treta para o próximo cap. Er, e então, qual foi a cena favorita de vocês? Eu amei escrever o Ayato puto com o Kaneki "suicida mode", principalmente ele indo de 0 a 100 e depois de 100 a 0 na escala de irritação. Até logo o/ Kissus