Por trás do olhar.

6 Quando eu vi... O nosso "eu" se transformando em "nós".


Notas iniciais
Alerta diabetes rsrsrsrss. Muito obrigada a todos, e eu espero sinceramente que gostem.

Andaram todo o caminho até o apartamento por cima dos inúmeros prédios da grande Tokio. Era estranho como a distância fazia tudo parecer realmente pequeno, humanos, ghouls, CCG, Aogiri, Anteiku, lutas, traumas, perdas... Tudo parecia tão longe ali de cima, até mesmo seus ferimentos recentes não doiam. Era como um caminho seguro, longe de tudo. Ali em cima só havia os dois e as antenas de televisão, internet, telefone...

– É estranho te ver puto de verdade. — Comentou Ayato depois de um tempo. Andavam devagar, os ombros se tocando vez ou outra, assim como suas mãos desocupadas. — Você nunca tinha me acertado um soco desses. — Comentou passando a mão no queixo, mesmo ferimento já estando sarado, um pouco de sangue ainda manchava a pele pálida.

– Você também nunca tinha me beijado. — Devolveu tentando não rir da expressão do menor que parou de andar repentinamente. — Não que eu esteja reclamando. Absolutamente.

– Você vai pular daqui ou eu vou ter que te jogar? — Indagou o Kirishima com um ar ameaçador, mas um risinho zombeteiro involuntário que contradizia a ameaça.

– Hm... Por favor, não me jogue de cabeça, sim? — Respondeu o albino entrelaçando a sua mão a do azulado que desviou o olhar, mas não se afastou. No fim, seguiram todo o caminho assim.

Quando voltaram ao chão, ao barulho de carros, pessoas, a toda aquela parafernalha, foi como se o mundo jogasse na cara de ambos que, para cada cinco minutos de paz, viriam cinco dias de guerra. Telões na rua sintonizados com o principal jornal de Tokio alertavam sobre o último ataque da Aogiri, e falavam sobre a preparação da CCG para os próximos e que viriam em breve. Kaneki apenas suspirou pesadamente, sentindo o menor apertar sua mão mais forte, e por um momento se lembrou de quando andava na rua com Hinami depois que a mãe dela morreu. Se perguntava o quão perturbador não era para Ayato aquela mudança repentina.

Quando chegaram ao apartamento, voltaram a se fechar em seu próprio mundo, só que não de forma distante como acima da cidade, mas dentro do caos, como em um casulo protetor que só os permita ouvir apenas os resquícios sonoros da tempestade.

Ambos completamente exaustos emocionalmente, apenas se livraram dos sapatos e casacos antes de cair de volta na cama onde acordaram essa manhã. Era muita coisa acontecendo em um curto período de tempo, e isso confundia a cabeça de qualquer um, porém, ainda assim, Kaneki se via preocupado principalmente com Ayato.

Falando por si mesmo, o mais velho já estava habituado a sua vida instável, e até mesmo satisfeito por ter se livrado do Kamishiro antes que ele entrasse para a Aogiri e fizesse um belo estrago, porém sabia que o Kirishima havia perdido sua casa, e passou perto de perder a única família viva, e isso o preocupava mais que qualquer coisa no momento.

Sabia que o menor estava confuso e sem rumo com a mudança brusca, pois dificilmente conviveria junto com os humanos que tanto detesta (sinceramente não o culpava, sabia que não era maldade, mas sua forma de sobreviver a dor, transformando-a em raiva, e os humanos tinham lhe causado uma dor irreparável). Lembrava-se claramente da dor e tristeza na sua voz quando lhe segredara, ainda na Aogiri, sobre terem feito uma armadura de seu pai, havia visto ao vivo a mágoa em seus olhos quando agia como o homem que o feriu tanto com a sua morte para consolar a irmã (que amava e jamais admitiria) que nunca conseguiu superar aquela perda.

Eram muitos sentimentos de uma só vez, saudade, mágoa, ódio, dor, carinho... Muitos desses sentimentos finalmente vindo a tona depois de tanto tempo sendo sufocados com todas as forças porque Ayato sempre acreditou que eles o tornavam fraco.

E era exatamente assim que estava agora, fraco e vulnerável. Como a casinha da história de seu pai, que foi derrubada com um sopro.

Desde Cochlea, quem sabe, desde antes disso, as peças de aço da armadura que construiu para proteger a si mesmo começavam a corroer, caindo uma a uma, deixando o desespero fluir por cada abertura. E um certo albino, preferia segurá-lo e impedir que caísse, do que vê-lo montar novamente aquela couraça e se tornar completamente inalcançável.

Instintivamente, Kaneki puxou o menor para mais perto, aninhando-o em um abraço cuidadoso e protetor. Sentia o Kirishima colapsando devagar, mas sabia que ele se manteria bravamente até o último segundo, e o meio-ghoul admirava aquela força de se manter por si mesmo. Afinal, ele mesmo não a tinha, vinha de mantendo são se apoiando em Ayato.

– Me prometa de volta. — Ouviu o azulado sussurrar bem baixinho contra seu peito. — Prometa que não vai embora. — Se encolheu sem perceber, era como se involuntariamente seu corpo esperasse uma resposta violenta, mas na verdade era o simples medo de ter mais algo tomado de si.

Kaneki apenas o apertou mais forte em seus braços, depositando-lhe um beijo carinhoso na bochecha, sorrindo de lado ao perceber as maçãs do rosto do menor um pouco mais rosadas Esse lado adorável do azulado o deixava bobo todas as vezes.

– Eu que peço pra você ficar. — Sussurrou de volta no ouvido do Kirishima, seus lábios tocando o metal frio do brinco em sua orelha. — Nem sei mais como ir embora. — Completou vendo um curvar de lábios satisfeito no rosto do mais novo. — Er... Ayato, sobre aquilo na Anteiku eu...

– Se você contar pra ela eu juro que te mato. — Cortou com um olhar sério de repente.

– Eu não vou. — Respondeu logo, acariciando os cabelos escuros como se o outro fosse um gato estressado. — É só que... Eu tenho te julgado mal todo esse tempo. — Suspirou pesaroso. — Não que você não seja um cretino, você é, e eu ainda não concordo com essa briga entre vocês... Mas agora eu vejo que seus motivos sempre foram bem maiores do que eu podia imaginar. — Falou observando aquelas duas safiras lhe lançarem um olhar completamente surpreso. — Poderia me perdoar? — Indagou tocando o rosto delicado suavemente.

Devido a proximidade, pode sentir quando a respiração do menor descompassou levemente e seu corpo começou a relaxar gradativamente, a tensão acumulada diminuindo aos poucos. Mas ainda assim foi pego de surpresa quando sentiu uma mão se entrelaçando nos fios de cabelo acima da sua nuca e seu rosto ser puxado — não de forma muito rápida, mas breve o suficiente para deixá-lo atordoado — para um suave beijo nos lábios.

Era um toque breve e singelo, cheio de significados para os dois, mas porque ainda tão provocativo? Era confuso, ambos se perguntavam desde quando aquele tipo de tensão vinha se instalando entre os dois, entretanto a resposta era demasiado extensa. Era estranho pensar em uma relação mais carnal e física, porém nunca foi uma questão de escolha, nunca lhes foi perguntado o que buscavam um no outro, foi simplesmente algo que surgiu sorrateiramente, crescendo, tomando forma, até se transformar em uma necessidade física e emocional.

Ainda um tanto incerto se deveria ou não avançar, Kaneki subiu a mão até o rosto do mais novo, aprofundando o contato calmamente com se Ayato fosse fugir a qualquer segundo. Seus lábios se tocaram levemente a princípio, como das outras vezes, sentindo a textura macia, avançando gradativamente para algo mais intenso, mais forte, mais apaixonado.

As mãos do albino desceram pelo pescoço do menor, seus ombros estreitos, indo até sua cintura, tocando-o por baixo da sua camisa de frio, provocando um arrepio no mais novo quando sentiu os dedos frios em contato com a pele quentinha, sem contar que estava sendo a primeira vez que era tocado daquela maneira. E estava gostando. Suspirando deliciado com os toques e o gosto do maior, Ayato já entrelaçava suas pernas com as do albino, deixando os corpos completamente colados, sentia-se cada vez mais atiçado com aqueles lábios doces sobre os seus, aquele cheiro que nublava sua mente sempre que estava perto demais e aquelas mãos que o puxavam de forma possessiva e ao mesmo tempo carinhosa... Aquilo o fazia se perguntar por que nunca tentaram nada parecido antes.

Sem medir suas atitudes (como era normal de sua personalidade), empurrou Kaneki de costas na cama, montando em cima do albino, que logo se sentou, puxando-o bruscamente pelo quadril, colando os corpos, e voltando a conectar os lábios, o desejo transbordando de cada toque agora.

Sentindo seu corpo estranhamente quente, Ayato desceu os dedos pela nuca do maior, contornando seus ombros, os lábios sendo sugados com uma certa violência e inexperiência, mas não de maneira menos prazerosa. O albino puxava o menor contra seu corpo com uma vontade de tê-lo por completo que nunca sentiu antes por ninguém, por um segundo chegou até a cogitar se não estava machucando o Kirishima com a força que o tocava, mas pelo jeito o outro não parecia minimamente incomodado, e não era como se Kaneki pudesse controlar também, sua sanidade se encontrava cada vez mais danificada a cada momento em que tomava consciência daquele corpo quente em seu colo, daqueles lábios atrevidos contra os seus...

Quando finalmente se separaram, ambos estavam ofegantes, seus batimentos cardíacos desordenados, suas roupas amarrotadas, meio sorrisos cúmplices e olhares extasiados.

Era estranho como se sentiam leves, mesmo em meio a toda a confusão que estavam vivendo. Não era como se os trovões da tempestade os pudesse alcançar agora.

– O que a gente faz agora? — Suspirou Ayato, uma atitude inédita ao pedir orientação a outra pessoa, mas realmente estava confuso. Não sobre os dois juntos, de forma alguma, sabia bem o que queria, e queria aquele lesado para si, só seu, mas não tinha certeza de como seguiriam suas vidas a partir dali.

– Não vamos a lugar algum. — Afastou uma mecha de cabelo do menor. — Ficamos aqui, só nos dois. — Concluiu com um olhar terno.

– Só nos dois... — O azulado repetiu inconscientemente para si mesmo. Sentia que esse "só nos dois" não era uma ideia exatamente nova para ambos, mas gostava da forma mais completa como ela soava agora. O que fazia suas bochechas queimarem um pouco e ele se irritar por não conseguir controlar suas reações naquele momento.

– Bem, é impossível para você voltar a Anteiku, e eu só traria mais problemas lá. — Ponderou por um momento. — Não podemos voltar para a Aogiri depois de atacar o Kamishiro cientes de que a ordem era trazê-lo para o nosso lado...

– Então não temos bem um lado... — Meditou o Kirishima, se preocupando com a possibilidade de Tatara buscar alguma retaliação contra os dois. — E se fomos atacados? — Murmurou enumerando mentalmente as possibilidades.

– Eu vou matar qualquer um que se meta no nosso caminho. — Kaneki afirmou com uma certeza que fez um arrepio correr pela espinha de Ayato. Era impressionante como alguém tão doce e calmo como o albino podia se tornar um ser violento e intimidante quando necessário.

– Wow, eu gosto desse seu lado. — Sussurrou contra os lábios do maior com um sorriso maldoso, sentindo as mãos do outro prenderem-no com mais força.

– Assim eu começo a pensar que você é o masoquista aqui... — Provocou antes de roubar um beijo intenso, impossibilitando qualquer tipo de resposta do menor.

E foi assim, juntos e mergulhados um no outro, que passaram o resto da tarde.

– — — — — -

Acordou com um clique estranho, e um som de porta se abrindo.

Até pensou que fosse Kaneki entrando ou saindo, porém no segundo seguinte em que se deu conta de que estava dormindo abraçado com ele, uma sensação estranha de receio e irritação tomou conta de si.

Sem dar muito alarde, se aproximou do corpo do albino — que dormia como uma pedra -, espiando por cima de seu ombro e observando um cara loiro, um tanto alto, entrar com uma sacola de produtos de limpeza, largando-a no chão com um olhar surpreso. Porém, não por perceber o olhar assassino de Ayato na sua direção, sua atenção era claramente voltada ao garoto de cabelos brancos.

Com um olhar que parecia indecifrável para o Kirishima, e as mãos trêmulas, o loiro se aproximou vagarosamente, como se não acreditasse no que via, estendendo uma das mãos para tocar o ombro do albino que ressonava tranquilamente, mas antes que o fizesse, sua mão foi pega de repente em um aperto forte e ameaçador, que o fez quase pular de susto.

– O que quer com ele? — Sua voz era fria como gelo, e foi com certa satisfação que percebeu o olhar apreensivo do outro ao ver seus olhos vermelhos brilhando na penumbra do quarto.

– Er eu... — Teria até se explicado, se um certo dorminhoco não tivesse atrapalhado a "conversa" de ambos.

– Hm... Ayato... — Murmurou o albino passando uma das pernas por cima das do Kirishima, o abraçando com mais força, como se fosse uma espécie de bicho de pelúcia.

Foi simplesmente impossível não corar como um pimentão ao ser agarrado daquele jeito na frente de um estranho, o que acabou completamente com a aura ameaçadora e defensiva do azulado. Que, obviamente, ficou irado.

– Levanta seu imbecil! — Rosnou o mais novo acertando um belo de um tapa no rosto do maior que, literalmente, pulou da cama.

– Puta que pariu! Você não sabe acordar alguém civilizadamente, bastardo?! — Exclamou com a mão no peito devido ao susto que quase o matou enfartado.

– Meu deus! Nunca pensei que ia viver o suficiente pra te ver xingar assim! — A voz do loiro foi como um balde de gelo na cabeça do albino, que congelou ao ouvi-la, um tremor percorrendo seu corpo, o que preocupou Ayato. Ele era um inimigo?

– Hide...? — Virou o rosto na direção da voz sem saber ao certo como reagir.

Sentia falta, há tanto tempo que não se viam, mas ao mesmo tempo sentia culpa por ter sumido, e medo. Medo de uma das pessoas mais importantes para si vê-lo como um monstro.

Tinha consciência que seu kakugan tinha ativado com o susto e que o encarava com olhos bicolores agora, e isso fazia um frio desagradável subir pelo seu estômago.

Quase levou uma das mãos para cobrir seu olho, mas no mesmo instante se deu conta da presença de Ayato bem ao seu lado, e se recordou das suas palavras e do tempo que passaram juntos. Não negaria nada daquilo. Sabia que havia muito ódio nas palavras do Kirishima, mas em vários pontos ele estava correto, era sufocante usar uma máscara, não apenas nos confrontos, mas na vida. Se esconder em sua fantasia de humano mesmo na frente de quem amava.

Respirou fundo encarando o melhor amigo determinado.

Não seria covarde, e nem se esconderia atrás de um disfarce. Se eram realmente amigos, acima de tudo...

– H-Hide eu... — Começou a falar, mas foi interrompido quando foi praticamente arrancado do chão.

– CARA COMO EU SENTI SUA FALTA! — Berrou escandalosamente erguendo o menor do chão em um abraço apertado, girando-o de um lado para o outro pelo quarto. — Kanekiiii como você faz uma coisa dessas?! Tem ideia de como aquela universidade é um tédio sem você?! Sabia que coelhos morrem quando ficam sozinhos? Heeeim???? Eu quase morro de preocupação!

Ayato apenas observava a cena com um certo divertimento. Era cômico ver um mero humano rodar um dos ghouls mais perigosos que conhecia como se fosse uma criança. Havia percebido a hesitação dos dois, um certo receio de se aproximarem, e o desfecho o havia deixado deveras satisfeito, se bem que... Sentia uma pontada chata ao ver alguém tão intimo do albino, não estava habituado aquilo. O incomodava. E irritava. Na verdade queria achatar aquele loiro no chão.

Sabia quem aquele cara era pelo nome, o tal amigo com quem o albino conviveu desde criança, foram para a universidade juntos e blá blá blá... Ayato não costumava confiar no julgamento dos outros antes do seu próprio, e até agora não tinha visto nenhuma ameaça no loiro, lhe parecia um simples retardado, mas seus olhos castanhos pareciam ter algo mais.

– Hide, você... Não... Er... — O pobre Kaneki ainda estava com seus neurônios sonolentos, o Kirishima estava a ponto de procurar uma manivela para ver se o ajudava a funcionar, como alguém é tão lento?

– Se eu me importo de você ser um ghoul? — O loiro indagou parecendo um daqueles cães peludos e dourados abanando o rabo. — Ah, cara eu já sabia! — Bateu no ombro do albino que arregalou os olhos espantado. — Naquela vez que o Nishiki me pegou de jeito eu só fingi que tinha desmaiado, sabe? Estar acordado realmente não iria ajudar... E eu também ouvi aquela sua conversa com o Gerente. — Admitiu meio incerto pela primeira vez assistindo o amigo assimilar as informações.

Os olhos de Ayato se estreitaram ameaçadoramente para o visitante. Havia acabado de detectar o que o inquietava naquele humano. Ele era esperto, e ardiloso, e num grau que fazia seu psicopata de cabelos brancos parecer inofensivo por mais manipulador que fosse.

– Eu... Espero que você não fique brabo comigo por isso. — Murmurou o loiro com uma cara de cachorro que caiu da mudança, e o azulado assistiu pasmo a expressão de Kaneki suavizar por completo, sendo sua vez de puxar o outro para um abraço.

– Eu senti sua falta também. — Sussurrou com um sorriso discreto, logo sendo levantado do chão pelo outro novamente.

– Puta que pariu, eu vou vomitar com toda essa melação. — Resmungou o Kirishima chamando a atenção dos dois acidentalmente.

– Ayato, esse é Hide, meu melhor amigo de quem já lhe falei algumas vezes. — Apresentou o albino se aproximando. Pressentia que o menor estava estranhando o outro, mas isso já era esperado, na verdade estava agradecendo por ele não ter se irritado, afinal a relação do azulado com a raça humana num geral não era das melhores.

– Nagachika Hideyoshi, mas me chame de Hide, sim? — Estendeu uma mão animadamente na frente de Ayato que apenas ficou o encarando com uma olhar gélido.

– Kirishima Ayato. — Respondeu simplesmente fazendo o loiro abaixar a mão sem se abalar com o fora.

– Kirishima? Hm, você por acaso conhece uma garota chamada... — Indagou interessado, sendo cortado pelo menor.

– Touka? Essa otária é minha irmã. — Respondeu vendo Kaneki revirar os olhos com o seu comportamento em relação a mais velha.

– Ah, agora faz sentido... — Murmurou pensativo. — É por isso que eu te achei tão fofo mesmo sendo um cara! São os genes! — Afirmou animado fazendo o queixo do azulado cair em descrença.

– É O QUÊ? — Seu olhar era quase a personificação da raiva. Estava completamente injuriado. Teria matado aquele cara se não fosse o olhar ainda mais congelante dos orbes cinzas na sua direção. Era clara a mensagem, não podia machucar aquele humano, ele era importante. Mas isso não significava que tivesse que gostar dele.

– E fica ainda mais quanto tá bravo! — Não, o Nagachika não tinha noção do perigo. Ou instinto de sobrevivência.

– Bastardo miserável... — Ayato se levantou quase avançando um belo soco na direção do outro quando foi puxado pela cintura, caindo no colo do albino que o prendeu em um abraço carinhoso.

– Não foi uma provocação. — Falou Kaneki calmamente, acarinhando os cabelos bagunçados discretamente. — Ele só foi sincero mesmo... E eu concordo. — Sorriu de lado vendo o rosto do menor mudar de cor.

– Vai se foder. — Resmungou fazendo bico sem perceber.

– Eu não acredito que perdi tudo isso. Há quanto tempo vocês namoram? — Perguntou entusiasmado pegando os dois completamente de surpresa.

Ayato e Kaneki se encararam por um momento. É, aquelas questões não havia sido discutidas.

– Hm... A partir de que momento se conta uma coisa dessas? — Indagou Kaneki se perguntando se "namoro" era mesmo uma palavra que definisse a relação dos dois. Quer dizer, o que eles tinham era muito diferente do que via em livros (bem mais violento e turbulento também, afinal, brigavam quase todo dia), e de certa forma, parecia mais sólido, mais intenso.

– Eu não sei eu fico surpreso ou decepcionado de você continuar tão tapado nesse sentido. — Riu o loiro levando um chute leva na canela do albino. — Mas tá tão bonitinho. Vocês parecem até casados. — Comentou com um sorriso alegre.

– Quem sabe um dia. — Murmurou Kaneki afundando o rosto no cabelo escuro do menor que já tinha se acomodado preguiçosamente em seu colo como um gato.

– Parem com isso, eu nem sou humano e já estou me sentindo diabético com toda essa merda. — Resmungou Ayato virando os olhos cor de safira como se estivesse entediado.

– Por Deus ele é muito adorável. — Murmurou mirando um Ayato preguiçoso praticamente enrolado no colo do albino. — Posso tirar uma foto pra mostrar para as meninas da faculdade? Sério, elas vão ficar loucas. — Indagou animado.

– Quê??? — O Kirishima estava seriamente tentado a sentar a mão na cara daquele oxigenado.

– De jeito nenhum Hide. — Kaneki interviu com um tom que não deixava questionamentos. Hide ainda não estava muito habituado a aquele jeito tão seguro do seu melhor amigo que antes gaguejava para responder todo tipo de questão, mas estava gostando desse outro lado. Podia ver sofrimento naquele tom, mas também força e determinação.

– Porquê? Nem uma fotinha? Eu mostro só para uma delas. — Insistiu se divertindo com o ar pesado em volta do albino, ah, sabia bem o que era aquilo.

– Absolutamente não. — Retrucou com um olhar sério que fez o Nagachika se controlar seriamente para não rir.

– Nossa quanto ciúme! — Exclamou com um sorriso de orelha a orelha. E sim, a história da foto era um mero pretexto para arrancar uma reação daquelas. — Kaneki, eu não esperava isso de você, sinceramente. Eu já estava com medo de você queimar meu celular.

"Filhinho da puta manipulador" Ayato exclamou mentalmente, sorrindo de canto sem querer.

Talvez, pudesse até se entender com aquele humano. Só algumas vezes.

– N-Não é ciúme! — O albino tentou se defender. — Porque eu...

– Por mim, pode fotografar. — Falou o Kirishima se virando para o loiro.

– QUÊ? — Kaneki parecia chocado.

– Ora qual o problema? — O azulado indagou cinicamente. Estava adorando ver a cara de perturbado do maior, na verdade, irritá-lo era um passatempo extremamente divertido. — Ou vai me dizer que está com ciúme...? — Provocou, seu rosto bem próximo do albino, podia ver de primeira mão suas bochechas se colorindo de vermelho.

– Vocês dois não prestam. — Resmungou emburrado, ouvindo Hide explodir em risadas do seu lado. Virou o olhar para Ayato que tinha uma expressão satisfeita de quem venceu a discussão.

Ora. não por muito tempo.

– Se você quer tanto fotografar alguma coisa... — Começou, seu tom de voz quase denunciando seus planos. — Fotografe isso. — Falou virando o menor de surpresa e prendendo-o num beijo de tirar o fôlego, quase sem chances de reação. Ouviu alguns cliques a câmera enquanto Ayato o socava no peito claramente irritado, mas não ia dizer que não estava se divertindo.

Era algo estranho para ele, essa vontade súbita de irritar e amar alguém ao mesmo tempo, mas como dizer... Não estava reclamando. Absolutamente.

– Kaneki seu bastardo!!

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Notas finais
Hideeeee ~~ Cara, como eu AMO esse personagem E então, o que acharam do capítulo? Qual a cena favorita de vocês? Eu fico dividida entre o Ayato parando a mão do Hide tipo "ninguém toca no meu homem" HUEHUEHUEHE, e o beijo (porque eu nem amo escrever eles se atracando). Muito abrigada a todos mais uma vez, de coração. Até breve o/ Kissus