Notas iniciais
Surprise, bitch. I bet you thought you'd seen the last of me. Oi, gente.

O moreno não conseguiu soltar o braço das mãos de Scott, então limitou-se a dar um sorriso sarcástico para o garoto e em seguida me encarar com o olhar mais gelado que eu já recebi na vida. Vai cantar Let it go, migo?

– Eu fico fora por duas semanas e você já começa a jogar no time inimigo? – Kyle ergueu uma sobrancelha. – Esperava mais de você.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Kyle sumiu por entre as pessoas que dançavam alegremente. Pelo fato de o garoto ser um tanto quanto pequeno eu nem pude ver para onde ele foi.

– Preciso falar com ele, ou com o Miles. – eu disse tocando o rosto ainda dolorido, ele era mais forte do que realmente aparentava, ou estava com muita raiva.

– Se você for falar com ele vai apanhar outra vez. – Scott falou verificando o lugar em que eu havia levado o soco. – E Miles é irmão dele, é bem possível que agora ele esteja consolando o Kyle.

Concordei com a cabeça tentando esconder as lágrimas que estavam chegando. Não eram lágrimas por dor do soco, mas por ter magoado um dos meus amigos e não ter ninguém importante o suficiente para eu conversar. Quer dizer, Scott é legal, mas não para essas situações.

– Vem, vou te levar para casa.

***

– Miau.

Três pares de olhos me olhavam atentamente. Fiona, Vegas e Miles estavam sentados no tapete como se fossem estátuas. Miles estava com as mesmas roupas da noite anterior. Olheiras rodavam seus olhos, como se ele não tivesse dormido ou dormido muito pouco.

– O que faz aqui? – Perguntei sonolento.

– Vim buscar Vegas e dei banho na Fiona. – Ele respondeu sério. – Kyle me falou que te bateu e pelo visto foi com força. Você mereceu.

Encarei Miles.

– Você é meu, só meu. – Ele disse pausadamente subindo na cama.

O menor se aconchegou em baixo das cobertas e ficou em silêncio, enfiou a cara no meu peito e continuou sem dizer nenhuma palavra. Afaguei os cabelos castanhos dele enquanto ele fazia pequenos círculos no meu braço usando o dedo indicador.

– Por onde você andou, Miles Foxx? – Perguntei baixinho.

Não ouve resposta.

O silêncio continuou até que eu pegasse outra vez no sono. Dormi por mais duas horas e só acordei quando Miles tentou escapar dos meus braços. A aparência do garoto estava levemente melhor.

– Você precisa de um banho. – Sorri.

– Preciso ir embora. – Ele disse sério. – Só não quero que seja como da ultima vez.

Encarei o garoto. O que ele queria dizer? Voltaria a morar com o seu pai? Ou iria apenas para casa que ficava alguns minutos da minha cama?

– Ross vai passar pela cidade mais tarde. – Ele sorriu quando disse o nome do irmão mais velho. – Eu vou com ele, quero conhecer lugares incríveis, pessoas maravilhosas, ter um caso com alguém e ser livre.

– Você é livre aqui...

Ele balançou a cabeça negativamente.

– Adeus, Leonard.

Nossos lábios se tocaram por um breve segundo, continuei deitado enquanto o garoto pegava o gato cinzento e saía pela porta.

***

Acordei com um salto enquanto o celular vibrava em algum lugar abaixo de mim. Assim que achei o aparelho me deparei com o número de Miles no visor suado.

– Miles? Onde você está?

– Aqui em baixo, estou tocando a campainha há horas. – O garoto respondeu mal-humorado. – Me devolva o meu gato, por favor?

– O portão e a porta estão abertos, Vegas está no meu quarto. – Respondi.

Miles levou alguns minutos que mais pareceram horas para chegar ao meu quarto. De fato Vegas estava lá.

– Você podia ter levado ele até o portão, sabia? – Miles perguntou.

Segurei o gato com força.

– Promete que não vai embora com o seu irmão?

– Kyle?

– Não, o outro.

O menor franziu a testa.

– Faz um bom tempo que eu não falo com ele.

– Prometa.

– Eu, Miles Foxx prometo que não vou embora com meu irmão mais velho Ross Foxx. – Miles disse com direito à mão direita levantada.

– Obrigado.

Soltei o gato que foi diretamente para o dono.

– Como está o rosto? – Ele perguntou.

– Que se dane meu rosto, como Kyle está?

– Ele vai ficar bem. – Miles respondeu. – Mas eu te avisei.

– Me dê outro soco, mas não diga que me avisou.

Miles sorriu pela primeira vez no dia.

– Ele e Scott conversaram. – O garoto encarou o chão. – Não sei se ficou tudo bem, mas eu descobri que eu fui o culpado disso.

– Não foi sua culpa.

– Eu sei.

Miles saiu do quarto sem se despedir, como era de costume. Tomei um banho rápido e voltei para a cama. Fiquei refletindo sobre o sonho, eu tinha medo de perder Miles novamente, mas também estava com medo de perder Kyle pela primeira vez.

Devo ter mandado umas cem mensagens pedindo desculpas, mas infelizmente nenhuma delas recebeu o esperado sinal de visualização. Tentei ligar para ele umas quatro vezes, mas todas caíram na caixa de mensagens. Liv, Freya e nem mesmo Rato respondiam minhas mensagens.

Como não fui respondido acabei desistindo de tentar alguma coisa. Quando decidi que era hora de tomar café já passava do horário que eu costumava almoçar, então descongelei uma lasanha de qualquer coisa e comi em silêncio na frente da TV.

O celular vibrou duas vezes, o padrão de notificações do Facebook. Minha esperança de ter sido respondido por algum dos meus amigos se perdeu completamente quando percebi que era apenas um pedido de amizade.

A pequena foto de perfil de uma garota ruiva chamada Savannah acabou me chamando a atenção. Eu conhecia ela de algum lugar, só não lembrava de onde. Acabei por aceitar a solicitação.

Poucos minutos depois uma mensagem chegou.

E ai?

Olá. Respondi. Tudo bem?

Sim, e você?

Estou ok, nos conhecemos?

Na verdade não, mas estudamos na mesma escola. Enfim, eu preciso conversar com você, sobre o Kyle e o Scott, mas precisa ser pessoalmente.

Tudo bem, pode ser no Tcheco Pacheco? Sugeri um café de cultura mexicana que ficava no centro.

Vou estar lá em duas horas.

A garota ficou off-line.

Terminei minha lasanha e tentei dar banho em Fiona, mas pela segunda vez saí como um perdedor. Quando me dei conta já estava quase na hora de encontrar a tal Savannah.

***

Quando me cheguei ao Tcheco Pacheco me deparei com a ruiva conversando com O deus grego. Um garoto com o cabelo completamente bagunçado e sorriso despreocupado como se o mundo não tivesse nenhum problema e fosse lindo cheio de unicórnios fofinhos. O garoto me olhou por alguns segundos então sussurrou algo pra Savannah que fez sinal para que eu me sentasse.

– Leonard, este é o Simon, meu melhor amigo. – Savannah acabou deixando o garoto tímido.

Cumprimentei Simon, o lindo, com um sorriso.

– Então o que você queria me falar? – Perguntei tentando não parecer grosseiro. – Você me deixou ansioso.

– Talvez você não saiba, mas é uma princesa. – Simon disse, sua voz era quente.

– O que você quer dizer com isso? — Peguntei admirando os fios de cabelo que mais pareciam fios de ouro.

Savannah mexeu no cabelo laranja desconfortavelmente.

– Kyle e Scott vão brigar, por você – ela disse séria. – Eu detesto fofoca, mas detesto violência, então acho que você poderia impedir os dois.

Por que diabos os dois brigariam por mim?