Por onde você andou, Miles Foxx?

13 Os garotos e todos os problemas que vêm com eles.


Notas iniciais
Olá, espero que gostem.

Liguei para cada um dos garotos uma dezena vezes, mandei umas cem mensagens, mas nenhum deles respondeu ou atendeu a ligação. Savannah e Simon pareciam estar preocupados, pois ambos também tentavam falar com os amigos mais íntimos de Scott.

Por fim acabei apelando e ligando para Miles.

– Onde seu irmão está? – perguntei assim que o garoto atendeu.

– Em casa. – Miles respondeu em tom ofegante. – Por quê?

– Boatos de que ele e Scott vão sair no soco, por minha causa. – Expliquei. – Por que você está ofegante.

– Sexo. — Miles respondeu inseguro.

– Não minta para mim. – Eu disse como se fosse o pai dele.

– A briga já aconteceu, foi a melhor briga que eu já vi na vida, Scott perdeu um dente, Kyle precisou levar pontos, foi incrível. – Miles disse empolgado. – Acho que eu quebrei o nariz de um cara.

– Quem estava mais estava envolvido na briga? – Perguntei assustado.

– Só o Kyle e o Scott, mas um amigo do Scott se meteu, aí eu quebrei o nariz dele. – Miles disse com tom muito mais superior do que o normal.

– Vou para sua casa agora...

– Estamos de castigo. – Miles desligou sem se despedir.

Encarei Simon e Savannah que olhavam atentos, com certo brilho da curiosidade nos olhares, como se fossem crianças querendo descobrir algo que fosse assunto dos adultos.

– Scott perdeu um dente, Kyle levou pontos, Miles quebrou o nariz de alguém. – Eu disse resumindo o acontecido.

– Que brutalidade. – Simon disse, pela primeira vez percebi um leve sotaque.

– Os garotos e todos os problemas que vêm com eles. – Savannah disse distraída. – Como vocês conseguem gostar de garotos?

Espera. Vocês? Então Simon também gostava de garotos? Algo como curiosidade e excitação surgiu dentro de mim, eu nunca havia provado um estrangeiro. Mas eu já tinha provado um seminômade chamado Miles.

– De onde você é? – Perguntei para o loiro.

– Meu pai é francês, morei na França a maior parte da vida. – Simon sorriu.

– Eu falo algumas coisas francês. – Menti.

– Sério?

– Voulez vous coucher avec moi, ce soir? – Lembrei-me da música e fingi saber o que eu estava dizendo.

Simon corou por um segundo, ficando quase da cor do cabelo de Savannah.

– Talvez.

Sorri de volta.

– Vocês tem planos para hoje? – Perguntei. – Miles está de castigo e eu não tenho nada para fazer e já que estamos aqui, por que não nos divertimos um pouco.

– Tudo bem. – Savannah sorriu. – Tacos?

– Tacos. – Simon e eu concordamos.

Ficamos jogando conversa fora por algumas longas horas que passaram em um piscar de olhos. Tanto Savannah quanto Simon se mostraram muito interessantes e acolhedores, eles se conheceram quando Simon veio para cá, e desde então não se desgrudam.

– Já está ficando tarde e eu estou ficando sem bateria. – Savannah falou após verificar o celular pela milionésima vez. – Leonard, você quer ir assistir um filme na casa do Simon?

– Se o Simon não se importar.

– Tudo bem, estou quase aceitando a sua proposta. – O garoto sorriu tímido.

xXx

A casa de Simon era uma enorme construção de dois andares com pintura extravagante que ostentava grandes janelas e várias luzes. Vários itens que lembravam o cinema clássico decoravam a sala em meio aos vários quadros da família. A mãe de Simon era loira como ele, o pai era moreno.

– Como você é francês eu sugiro que a gente assista Azul é a cor mais quente. – Savannah disse se jogando no enorme sofá vermelho.

– Me poupe dos seus filmes lésbicos. – Simon jogou uma almofada na ruiva. – O modo como aquela garota come me dá agonia.

– O que você sugere? – Savannah perguntou para mim.

Já que Simon tinha essa vibe francesa sugeri o único filme francês que eu conhecia.

– Os sonhadores.

Savannah e Simon se encararam rapidamente.

– Pelo visto você tem bom gosto. – Simon disse. – Vou buscar uma manta e fazer pipoca. Acho que meu pai tem esse filme, procurem na estante.

Quando Simon disse “procurem na estante” eu imaginei quatro ou cinco prateleiras, mas quase senti uma lágrima escorrer quando me deparei com um pequeno cômodo ao lado da sala completamente entupido de DVDs e fitas de vídeo.

– Sabe qual é o título original? – Savannah perguntou percorrendo os olhos pela estante.

– Os sonhadorrrrrres?

– Acho que não. – Savannah sorriu. – Vamos assistir outra coisa.

A ruiva pegou um DVD qualquer e voltou para sala.

Acabamos assistindo um filme sobre uma garota que ia para um manicômio que virava um bordel, depois a segunda guerra mundial. Eu me sentiria muito burro, mas aparentemente nenhum dos três entendeu o filme.

– Quer dormir aqui?

– Achei que já soubesse que eu ia ficar. – Savannah disse.

– Eu estava falando com o Leo. – Simon cortou a ruiva.

– Tudo bem. — Respondi.

– Hoje você vai dormir no quarto de hospedes. – Simon deu dois tapinhas no ombro da garota.

Eu não havia percebido que estava tão cansado até estar na cama ao lado de Simon. O garoto não parecia nenhum pouco desconfortável em estar deitado ao lado de alguém que ele conheceu algumas horas antes.

– Você sabe o que você disse hoje cedo? – A voz de Simon era calma e serena.

– O que? – perguntei encarando o escuro.

– Quer dormir comigo, essa noite? – O garoto respondeu.

Fiquei completamente sem jeito. Isso só fez com que e demorasse ainda mais para pegar no sono.

xXx

Acordei assustado com o celular tocando.

– Miles? – A voz de Kyle soou estranha. – Eu não consigo voltar para casa.

– Não, é o Leonard.

– Vá se foder.

– Onde você está? – Perguntei.

– Não te importa. – O garoto respondeu ríspido.

– Você está bêbado?

– Sim.

– Qual o ultimo lugar que você se lembra de ter ido?

– Eu não sei, tinha uma placa de neon. – Kyle respondeu confuso. – Eu ainda estou aqui.

– Têm umas mil placas de neon na cidade. – Retruquei.

– A placa é um cara tocando guitarra. – O moreno disse enrolado. — Vem me buscar, por favor.

Eu conhecia a tal placa muito bem, já havia passado pela frente uma dezena de vezes desde que me mudei.

– Você está no Rock Studio Bar, estou indo.

Desliguei o celular e acordei Simon que dormia tranquilamente. Optamos por deixar Savannah dormindo no quarto ao lado. Pegamos o carro de Simon na garagem e fomos em direção ao centro.

– Desculpe por isso, sério.

– Tudo bem. – Ele disse prestando atenção no transito. – Você é um bom amigo, não vou te julgar por isso.

– Podemos terminar isso algum outro dia?

– Mas é claro. — O cabelo de Simon estava completamente bagunçado e ele ainda estava de pijama.

Seguimos em silêncio até o bar no centro da cidade. Desci do carro e entrei correndo no bar que tocava alguma música dos anos 80. Olhei ao redor e nenhum sinal de do moreno.

– Você vai querer alguma coisa? – Uma garçonete loira perguntou.

– Na verdade eu só estou procurando um amigo...

– Você é o Leonard?

– Sim.

A mulher revirou os olhos.

– Seu amigo falou que ia esperar você do lado de fora...

Saí correndo antes que a mulher pudesse terminar de falar. Assim que abri a porta me deparei com Kyle abraçando Simon com força, ele parecia estar chorando. Simon acariciava os cabelos do moreno desconfortavelmente.

– Achei ele flertando com uma estátua. – Simon disse constrangido.

Não pude deixar de rir.

– Vamos levar ele para casa.