Por mais que o tempo passe...
15 Capítulo 15
A casa começou a adoecer antes mesmo que alguém tivesse coragem de admitir.
Não era algo visível, não havia rachaduras nas paredes ou móveis quebrados, mas havia um peso no ar. Um silêncio que não era descanso, era exaustão. Cada passo parecia ecoar demais, cada porta fechada soava como uma ameaça.
Bella sentia isso desde que abriu os olhos naquela manhã.
Stefan ainda dormia ao seu lado, o rosto cansado, os traços marcados por noites mal dormidas e decisões impossíveis. Ela o observou por longos minutos, sentindo a culpa se espalhar pelo peito como um veneno lento. Ele não merecia aquilo. Não merecia carregar uma casa inteira nas costas enquanto ela mal conseguia organizar os próprios sentimentos.
Quando finalmente se levantou, encontrou Lily na cozinha.A sogra estava impecável como sempre. Cabelo arrumado, postura rígida, uma xícara de chá repousando delicadamente entre os dedos. Mas o olhar… o olhar era de guerra.
— Bom dia — Bella disse, por educação.
— Quero falar com você — Lily respondeu, sem devolver o cumprimento.
Bella sentou-se lentamente, sentindo o estômago embrulhar.
— Stefan não está aqui — Lily continuou. — E isso é proposital.
O coração de Bella acelerou.
— Eu sei o que está acontecendo — Lily disse, direta. — Sei do Edward. Sei da confusão. Sei do beijo.
Bella empalideceu.
— Eu nunca quis...
— Não importa o que você quis — Lily interrompeu friamente. — Importa o que você está fazendo com o meu filho.
As palavras eram afiadas, escolhidas para ferir.
— Ele está se despedaçando, Bella. Você vê isso? Ou está ocupada demais sentindo pena de si mesma?
As lágrimas vieram antes que Bella pudesse impedir.
— Eu amo o Stefan — ela disse, a voz embargada. — Passei mais de vinte anos da minha vida ao lado dele. Construí uma família com ele.
— E mesmo assim ama outro homem e o trai por anos — Lily rebateu. — Isso não é amor. Isso é crueldade.
Bella se levantou, trêmula.
— Eu estou vivendo o pior pesadelo de uma mãe — ela disse. — Minha filha pode morrer. E ainda assim estou aqui, tentando ser forte.
— Então seja, pare de achar que tudo é sobre você — Lily respondeu friamente. — Seja forte o suficiente para ir embora e não machucar mais o meu filho e a Mia.
O chão pareceu sumir sob os pés de Bella.
— O quê?
— Saia da vida do Stefan. Deixe-o em paz. Dê a ele a chance de reconstruir algo que você está destruindo, quer dizer construir algo de verdade com alguém que mereça o homem incrível que ele é.
— Essa casa também é minha, tem a Mia, ela precisa de mim neste momento — Bella disse, quase implorando.
— Não enquanto você for uma ameaça à estabilidade dele — Lily respondeu. — Se você não sair por vontade própria, eu garanto que sua permanência aqui será um inferno e não vai ser bom para a Mia, ela não pode sofrer mais do que está sofrendo. Não seja egocêntrica e vá embora, agora!
Bella saiu da cozinha em lágrimas, sentindo algo dentro de si se quebrar de vez.
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Stefan saiu do banho e a encontrou no quarto, sentada no chão, abraçando as próprias pernas.
— O que ela fez? — ele perguntou, já sabendo que aquilo com certeza era coisa de sua mãe.
Bella ergueu os olhos vermelhos.
— Ela quer que eu vá embora.
Stefan fechou a porta com força.
— Isso não vai acontecer.
— Stefan… — Bella soluçou. — Você vai perder tudo por minha causa. Sua mãe, sua paz, sua própria casa e ainda tem a nossa filha.
Ele se ajoelhou diante dela, segurando seu rosto com cuidado.
— Olha pra mim — ele pediu. — Você é minha esposa. Essa é a nossa família. E eu não vou te perder porque amar ficou difícil e nos vamos vencer isso juntos.
— E se eu não conseguir parar de sentir? — Bella sussurrou em desespero.
Stefan respirou fundo.
— Então a gente aprende a conviver com isso juntos. Como sempre fizemos.
Ele a abraçou forte, como se estivesse segurando o próprio mundo para que não desmoronasse.
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No hospital, o tempo não passava ,ele se arrastava lentamente e esmagava as esperanças.
Mia estava deitada na cama, o corpo visivelmente mais frágil, os olhos fundos, a pele pálida demais para alguém tão jovem. Anthony segurava sua mão, tentando sorrir, enquanto Stefan e Bella aguardavam o médico.
— Precisamos conversar — disse o oncologista, com o tom grave demais para qualquer esperança.
Eles se sentaram.
— O câncer não respondeu ao tratamento como esperávamos. Houve progressão agressiva após o segundo ciclo.
Bella sentiu o ar faltar.
— O que isso significa? — Stefan perguntou, a voz quase inaudível.
— Significa que entramos em um território muito delicado. A vida dela está, oficialmente, em risco.
Anthony apertou a mão de Mia, sentindo as lágrimas caírem sem controle.
— Eu não quero morrer — Mia sussurrou.
Bella a abraçou com força.
— Você não vai — mentiu, porque amar também é mentir quando a verdade é insuportável.
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Anthony descobriu o que Lily estava fazendo naquela noite.Ouviu fragmentos, viu Bella chorando, percebeu o clima hostil. Não precisou de confirmação.
Foi direto falar com Edward.
— Ela está tentando expulsar a Bella — Anthony disse, sem rodeios. — E isso vai destruir a Mia.
Edward sentiu o peito apertar.
— Eu vou casar com ela — Anthony continuou. — O pedido ainda está de pé. Eu amo a Mia. Em qualquer condição. Mas eu não aceito que ela sofra com a separação dos pais.
Ele respirou fundo.
— Se você ama a Bella… então proteja a filha de vocês.- ele implorou ao pai – Se você me ama também, me proteja. Me deixa ser feliz com a mulher que eu amo enquanto eu ainda posso.
As palavras atravessaram Edward como uma sentença.
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Naquela madrugada, Edward encontrou Bella sozinha na varanda que dava para o jardim principal da sua casa.
Ela chorava em silêncio e isso era nítido por conta do rosto extremamente vermelho.
— Eu te deixo livre Bella — ele disse sem rodeios, mesmo que seu coração estivesse queimando em pedaços.
Bella o encarou, assustada.
— O quê?
— Eu abro mão — Edward continuou, firme apesar da dor. — Do amor. Do passado. De tudo. Você para que você fique com o Stefan e sua familia. Pela Mia.
— Edward, isso não é justo— disse ela com os olhos cheios de lagrimas.
— Nada disso é justo...nunca foi — ele respondeu. — Mas eu já perdi você uma vez. Não vou ser o motivo da dor da minha filha agora, se não há esperança para ela, eu quero que ela seja feliz pelo menos nos seus últimos dias.
Ele beijou a testa dela.
— Seja feliz também. Mesmo que não seja comigo, mas com a nossa filha.
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Renée foi clara quando falou com a filha no dia seguinte.
— Às vezes o amor não é escolher quem faz seu coração bater mais forte — disse. — É escolher quem mantém sua família viva.
Bella chorou nos braços da mãe.
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Mais tarde, conversou com Alice e Rosalie, finalmente abrindo o coração.
— Eu me sinto culpada por respirar, por tudo — Bella confessou – Eu deveria ter ido para Amsterdã com o Stefan há 20 anos... Tudo isso seria mais fácil.
Ela não percebeu Mia ouvindo atrás da porta.
— Vocês vão se separar? — Mia perguntou, em pânico entrando na sala de sua casa.
O mundo desabou.A respiração falhou.
O corpo cedeu.
Ela caiu nos braços da mãe.
A ambulância chegou rápido demais.E todos entenderam, finalmente:
Não havia mais espaço para escolhas egoístas.
Só para amor que dói.
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