O tempo começou a correr após o segundo ciclo de quimio de Mia, a família toda tentava amenizar o caos para ela, mas estavam todos exaustos...Os poucos momentos que ela estava na casa onde cresceu sua família tentava estar o mais presente possível.

Stefan encontrou Anthony na varanda no início da manhã. O sol ainda não havia se decidido entre nascer ou desistir, depois de uma noite extremamente turbulenta pós o inicio do terceiro ciclo do tratamento de Mia. Anthony estava sentado no degrau, segurando uma caneca de chá que já devia estar fria há muito tempo.

— Dormiu? — Stefan perguntou, encostando-se ao parapeito.

— Não muito.- disse o jovem cansado

Stefan assentiu. Eles não precisavam fingir normalidade um com o outro. Aquela casa tinha virado um território onde as máscaras caíam fácil demais.

— Obrigado — Stefan disse, quebrando o silêncio.

— Pelo quê?- Anthony franziu a testa perguntando.

— Por ser quem ela precisa — respondeu. — Mesmo quando eu não sei mais como ser.

Anthony respirou fundo.

— Eu não fiz nada além do que amar a Mia.

Stefan virou o rosto para ele, os olhos marejados.

— Às vezes, isso é tudo. E às vezes… isso é mais do que eu consegui.

Anthony hesitou antes de falar:

— Eu sei que você deve me odiar.

Stefan soltou um riso sem humor.

— Não. Eu me odeio por não ter percebido antes o quanto ela precisava de mim… e o quanto você seria essencial.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Ela é nossa prioridade — Anthony disse. — Tudo o resto vem depois.

Stefan estendeu a mão.

— Então estamos do mesmo lado.

Anthony apertou aquela mão com firmeza. Não era um acordo. Era um pacto.

Mais tarde, os três estavam juntos no quarto.Mia estava sentada na cama ainda fraca, usando um lenço colorido, sorrindo ao ver os dois sentados lado a lado.

— Olha vocês dois — ela disse. — Parecem aqueles filmes em que o pai finalmente aceita o namorado.

— Não exagera.- disse Stefan arqueando a sobrancelha.

Anthony riu.

— Ela está certa. É um momento histórico.

Mia segurou as mãos dos dois.

— Eu amo vocês — disse. — Cada um do seu jeito. E eu preciso dos dois.

Stefan beijou a testa dela.

— Você nunca vai estar sozinha.

Anthony beijou a mão dela.

— Nunca.

No andar de baixo, Bella estava sentada à mesa da cozinha com Renée. O cheiro de café preenchia o espaço, mas o clima era pesado demais para qualquer conforto.

— Eu não sei mais quem eu sou — Bella confessou, os olhos marejados. — Eu amo o Stefan. Ele é meu porto, meu chão… mas quando estou perto do Edward, é como se algo que eu enterrei estivesse gritando.

Renée segurou a mão da filha.

— E você acha justo continuar assim?

Bella suspirou balançando a cabeça em negativa.

— Não. Mas também não sei como parar de sentir.

O que Bella não percebeu foi Lily sua sogra, parada no corredor, ouvindo cada palavra. O rosto dela foi ficando pálido. As mãos tremiam.

Quando Bella disse:

— Às vezes eu acho que estou sendo cruel com os dois…

Lily se afastou, silenciosa, sentindo o coração se despedaçar e a raiva a consumir.

Ela subiu as escadas com fúria e se dirigiu ao quarto casal, entrou sem bater encontrou Stefan sentado na cama rodeado de papeis.

— Precisamos conversar.

Stefan percebeu o tom sério e raivoso imediatamente.

— Mãe?- ele estava sem entender

— Bella ama o Edward — Lily disse, direta, andando de um lado para o outro do quarto. — E você sabe disso.

Stefan fechou os olhos por um instante, respirou fundo.

— Ela está confusa.

— Não — Lily respondeu aborrecida. — Ela está dividida. E isso destrói pessoas. Destrói tudo Stefan! Seu pai queria essa união mais do que tudo, quando ele soube dessa gravidez foi o dia mais feliz da vida dele...Ele queria que os filhos tivessem famílias estáveis como nos fomos!

— Então o que você quer que eu faça? — ele perguntou, a voz alterando-se.

— Se divorcie, largue ela antes que ela te largue! — Lily disse, com dor. — Antes que isso te destrua por inteiro, você merece muito mais que isso.

Stefan se levantou abruptamente derrubando os papeis que estavam ao seu redor.

— Não. Eu não vou desistir da minha família porque o amor não é simples,toda família tem altos e baixos! Não existe perfeição.

— Amor verdadeiro não deveria doer assim — Lily respondeu ríspida.

— Dói porque é real — ele rebateu. — E eu não vou embora, não vou deixa-las.

Lily saiu aborrecida. Stefan ficou sozinho, quebrado, mas firme.

Naquela mesma noite, Bella encontrou Edward no jardim da sua casa olhando as estrelas e rabiscando em um papel, algumas coisas nunca mudam.

—Algumas coisas nunca mudam...- disse Bella se aproximando e Edward sorriu torto fazendo o coração dela acelerar.

—Se eu te contar que já tem uns anos que não rabisco...acho que uns 20 anos- suspirou o ruivo enquanto Bella sentava ao seu lado na grama.

A conversa começou tímida, mas as palavras saíram como uma avalanche.

— Eu nunca deixei de te amar — Edward confessou suspirando fundo. — Eu só achei que não tinha direito. Há 20 anos, depois do velório a Aly, peguei um avião e eu vim aqui atrás de você.

Bella sentiu o chão sumir ouvindo as palavras que saiam da boca de Edward.

— Eu vi você nesse mesmo jardim, sorrindo, tinha um brilho diferente em você — suspirou Edward olhando para ela – Quando eu ia me aproximar o stefan apareceu com um bebê no colo e eu não podia destruir a sua família...

Edward encostou a testa na dela e ambos fecharam os olhos apenas ouvindo o som da respiração um do outro. Até que eles se olharam profundamente e ele a beijou.Um beijo intenso, carregado de passado e promessas não cumpridas. Um misto de amor e saudade, quando o beijo chegou ao fim faltou ar para os dois.

— Eu ainda sou seu, sempre fui e sempre serei — disse. — Mesmo que você não me escolha e eu vou respeitar isso.

Bella suspirou atônita, perdida.

— Eu não sei mais quem escolher.

Edward não respondeu. Apenas a abraçou forte e a aconchegou em seu peito.

Enquanto isso, Anthony levou Mia para a beira da piscina, que estava iluminada por pequenas luzes.

— Eu queria fazer algo especial — ele disse.

Ele colocou uma música baixa no celular, era Kiss me do Ed Sheeran a musica favorita de Mia.

— Dança comigo?

Mia riu.

— Careca e de pijama?

— A mulher mais linda que eu conheço e o grande amor da minha vida.

Eles dançaram devagar. Mia apoiou a cabeça no peito dele.

— Se eu não tivesse ficado doente nossa vida ia ser diferente… — ela começou.

— Eu continuaria te amando do mesmo jeito, em qualquer ocasião, em qualquer mundo e em qualquer vida...- Anthony a interrompeu.

Ela sorriu, emocionada e ele a beijou intensamente..

Na sala, Emmett estava espalhado no sofá.

— Então… estamos oficialmente numa nova temporada de novela mexicana? — Disse ele fazendo graça pela primeira vez depois de muito tempo — 20 anos depois a mesma disputa pelo coração da mocinha, mas agora com uma pegada hard core de drama.

— Acho que o Stefan é muito quadradão para ser mocinho dessa novela- Damon riu e recebeu uma almofadada na cara de Stefan — Não falei, muito chato... Ele é o antagonista feioso.

— Essa casa precisa de terapia coletiva. — Jasper suspirou revirando os olhos.

Edward entrou logo depoise o clima ficou sério. Stefan levantou da poltrona em que estava sentado e fez sinal com a cabeça para edward o acompanhar, eles caminharam até o escritório.

— Precisamos conversar — Stefan disse fechando a porta do escritório lentamente.

Eles sentaram. Sem briga. Sem acusações.

— Mia é nossa prioridade e o bem estar dela é o mais importante — Edward começou abrindo seu coração.

— Sempre — Stefan concordou servindo um copo de whiscky para ele e para Edward.

— E Bella… — Edward hesitou. — Ela é o caos, mas ao mesmo tempo ela é o tudo. Stefan, eu amo a Bella e ela também sente algo por mim, você sabe disso.

— Ela me ama Edward e eu não vou desistir dela ou da nossa familia.- Stefan respirou fundo.

Edward assentiu e abriu seu coração.

— Eu também não consigo desistir dela de novo, me desculpe.

Eles se olharam, não como inimigos, mas como homens cansados de tanto caos.

— Então vamos ser honestos com nós mesmos — Stefan disse. — Pelo bem dela. Pelo bem da Mia. Pelo Anthony.

Edward estendeu a mão.

— Trégua?

Stefan apertou.

— Trégua.

E ali, naquele acordo frágil, o futuro começou a ser desenhado. Mesmo que ninguém soubesse se ele sobreviveria.