Notas iniciais
Eu disse que atualizo de fim de semana e quando fui ver a fic estava exatamente 1 mês sem atualizar! Mil desculpas para quem estava aguardando :( Época de provas... Já sabem como é! A música para o capítulo eu ainda não sei, mas definitivamente é de The 1975. Boa leitura!

— Eu...

— Vamos voltar para casa. — Matthew puxou a mão da garota. O contraste que ambas as mãos tinha era impressionante: a fina, porém grande mão de pianista do Matthew segurando a minúscula e macia mão de Jane.

— Mãe? Você viu aquilo? — Matthew agarrou a manga da blusa de sua mãe, tentando chamar sua atenção. Estavam numa loja de objetos antigos para decoração. Matthew a princípio não queria deixar de ler seu livro favorito para sair de casa com sua mãe, mas ele não pode negar: na casa moram apenas o garoto e sua mãe, então o mínimo que ela pediu foi sua companhia sempre que precisasse. Ele não podia fazer nada a respeito, sua mãe amava objetos antigos e a antiguidade.

Por isso Matthew aprende francês e toca piano, porque sua mãe ama histórias e desejava morar na época dos grandes compositores, só para poder ser uma aluna deles, mas, como toda a injustiça do mundo, nasceu séculos depois e chorou ao saber que não se fazem músicos como antigamente. Então a mãe de Matthew fez uma promessa que seu filho aprenderia francês, por ser considerada uma das línguas mais belas da Europa, e a tocar piano.

Se pedissem ao garoto para definir sua mãe em apenas uma palavra, seria:

Antiguidade.

E ao entrar na loja, avistou apenas um senhor de idade sentado atrás do balcão do caixa suspirando profunda e pesadamente enquanto esperava a morte passar por aquela porta e o levar junto consigo, mas ele só respirou fundo ao ver que era apenas um garoto acompanhado de sua mãe entrando no lugar.

Mas o que Matthew tinha visto? Ele também não sabia, quer dizer, ele deduzia o que vira, mas como ter certeza? Tudo aconteceu quando sua mãe queria ver vasos, mas o filho não a deixava em paz:

— Dê uma volta pela loja e se você encontrar algo legal, eu comprarei para você.

Matthew deu uma volta pela minúscula loja, o que não demorou muito tempo, e encontrou vários retratos de madeira, todos vazios. Lembrou-se dos retratos da sua casa: também acostumaram a ficar vazios, sem foto, desde quando seu pai falecera. Então o garoto apenas os observava, um por um, nós mínimos detalhes.

Ouviu-se outro barulho vindo da porta, mas dessa vez era a porta dos fundos.

Cabelos castanhos, lisos e pele de boneca. Esse ser angelical saía da porta dos fundos da loja e ia direto para o velho sentado atrás do balcão. Ela o cumprimentou com dois beijos em cada bochecha e o senhor se assustou com o ato, como se não reconhecesse a garota. Mas ela brevemente se afastou e adentrou uma das estantes de madeira marrom da loja. Matthew percebeu que ainda segurava o porta-retratos, mas com eles ainda em mãos, foi atrás dessa garota.

Ela era tão diferente do mundo que isso o assustava.

Ao reparar que tinha entrado no meio das estantes enquanto a seguia e que, se a menina se virasse, ela perceberia sua presença, Matthew resolveu dar meia volta e voltar para os braços da mãe, então quando ela perguntar o que ele gostou da loja, ele só vai pedir para ir para casa.

— Bonito, não é? — A suave voz da menina saiu pela sua garganta e adentrou os ouvidos do garoto, a poucos passos de distância. Então os olhos de Matthew perceberam a que ela estava se referindo: o mensageiro dos ventos.

As ágatas coloridas, penduradas pelos fios do objeto, chamara a atenção de Matthew assim que eles entraram na pequena loja, por isso ele chamara sua mãe mais cedo.

— Não está a venda. — Ela prosseguiu. Seus cabelos balançavam magicamente pelos seus ombros delicados, o que deixava Matthew ainda mais maravilhado. — Graças a ele que há tranquilidade. E vovô gosta do som que isso produz.

Ele olhou em direção ao senhor ao mesmo tempo em que a garota tocou as pedras e produziu o som calmo e delicado, o mais velho sorriu, mas não olhou em direção a ela. Era como se ele não soubesse de sua presença.

— Eu sou a Jane. — Ela disse como se fosse aquelas pessoas sempre procuradas pelas outras e que respondiam “ah, sim, era eu quem você está procurando”.

— Matthew. — Ele estendeu seu braço, mas Jane recusou em silêncio.

Ela tinha um olhar misterioso que ele não conseguiu decifrar se Jane estava feliz por ter outra companhia naquele lugar silencioso e antigo ou se ela estava triste pelo mesmo motivo. Matthew precisou de uns bons segundos para gravar cada detalhe daquele olhar, mas mesmo se encarado por muito tempo, não foi o suficiente.

— Você quer sair daqui? — Ela pegou sua mão que só aí ele foi perceber que a deixara estendida esse tempo todo.

— Oi?

— Eu quero sorvete. A gente poderia tomar sorvete?

Matthew se lembrava com todas as forças quando e como ele conheceu Jane, ou melhor, quando sua vida mudou. Ele segurou sua mão com força enquanto caminhavam em direção à casa dele. Lá era um bom lugar para relaxarem.

Mas seu corpo ficou pesado quando percebeu que Jane parara de andar.

— Eu não quero sair daqui, Matthew. — Ela disse com o olhar misterioso e vazio de sempre.

— Por quê? — Ele perguntou rispidamente e se culpou mentalmente por isso, nunca que ele desejaria ser grossa com ela.

Ele olhou para ela e no olhar misterioso deu para ver algo que em todos esses anos ele nunca tinha visto: lágrimas.

— Jane? — Matthew se aproximou da garota, a qual fechou os olhos, e a abraçou.

Como podia estar sorrindo há poucos minutos e agora estar segurando o choro nos braços de seu amado?

— Matthew, eu...

Notas finais
Até o próximo capítulo!!! :)