Depois de quase um mês, finalmente desistiram de tentar arrancar alguma informação, ou alguma ligação entre nós e o crime tão comentado do museu, onde uma denúncia anônima de um bom cidadão, nos colocaram como suspeitos número um da cidade. "Bom cidadão", ria toda vez que ouvia isso, esse bom cidadão estava agora curtindo minha namora, ou melhor, minha ex-namorada, com meu dinheiro, mas não havia nada que eu pudesse fazer, era motivo de piadas, por todas as pessoas que um dia me admiraram, que se impressionavam com meus trabalhos. Com certeza teria que sair do ramo. Do lado de fora da prisão, me encontrei com o Nerd e o Sniper

— Bem senhores, acho que é isso, definitivamente estamos fora do mercado, espero que cada um consiga uma boa vida. — Disse, como um derrotado qualquer, para eles.

— Como assim? É isso? Os dois fugiram com quase quatro milhões, nos entregaram a polícia e riram da nossa cara e você me vem com "espero que cada um consiga uma boa vida"? Você só pode estar de brincadeira. Vamos caçar aqueles merdas e mostrar quem manda e o que acontece com quem nos trai — respondia Sniper, indignado e cheio de ódio.

— E você espera começar por onde? Não deixaram nenhuma pista, nem um rastro, eles foram treinados para isso e eram os melhores que existem, porque diabos você acha que chamamos ela de Sombra?

— Desiste Sniper, ele foi abatido, se você quer ir atrás dos dois, pode contar com meu apoio, mas o Líder tem um ponto, não temos nada em mãos, e os dois são os melhores em desaparecer, já passou um mês praticamente, eles podem estar na mesma rua onde fomos pegos como em outro país, com uma casa própria já, nem nosso dinheiro mais eles devem ter em mãos.

— Vocês dois são ridículos, fracos, covardes, vão deixar com que te traiam, te façam de ridículos e vocês simplesmente optam por sentar num canto e chorar. Quer saber? Vocês que se fodam, eu vou atrás dos dois sozinho, matar aquele merda e aquela vadia e ficar com tudo que nos pertence. Espero que cada um consiga uma boa vida, seus merdas.- Disse Sniper enquanto virava as costas e seguia mostrando o único dedo que usava mais que o dedo do gatilho

Nem forças mais eu tinha, o Nerd tinha razão, estava completamente abatido, derrotado. Virei às costas e tomei meu rumo, iria para minha casa, ajeitar minha vida e tentar começar uma nova vida, uma vida normal.

Um pouco mais de um ano havia se passado e essa vida de gente normal era algo que realmente me entediava muito. Passar dez horas preenchendo planilhas com números que eram tiradas de outras planilhas, alterando somente a forma de apresentar os mesmos dados, calcular vantagens e desvantagens, justificar elas e tudo isso para ganhar um salário miserável e ter somente um mês de descanso ao ano.

Toda manhã lembrava de como era muito melhor minha vida antiga, mas logo em seguida lembrava o motivo pelo qual a abandonei e tudo caia na mesma rotina. Rotina essa que seria quebrada.

Meus olhos simplesmente não conseguiam acreditar no que viram quando abri a garagem da minha casa, parado há uns metros abaixo da entrada da minha casa, estava um Camaro SS 396, e só conhecia uma pessoa que tinha aquele carro, entrei na minha garagem deixando o portão aberto, olhei no retrovisor e vi o Motorista entrando em minha casa, não consegui me conformar com aquilo. Pulei para fora do carro, caminhei em direção a ele com passos firmes e pesado. Ele olhou para mim e se preparou para dizer alguma coisa, mas antes mesmo de sair qualquer som de sua boa, fechei o punho e arremessei um soco com toda minha força em seu rosto, ele cambaleou, quase caiu no chão, rapidamente corri novamente em sua direção, apoiei minhas duas mãos sua nuca e com o impulso que tinha ganhado com a corrida, armei meu joelho para quebrar seu nariz, mas infelizmente esse golpe não teve o impacto que eu esperava. Ele havia se defendido, aproveitando a oportunidade para agarrar minha perna e me puxar para o chão. Uma vez caído, ele montou em cima de mim e deu três socos seguidos em minha cabeça enquanto gritava "PORRA, SERÁ QUE DA PARA VOCÊ OUVIR O QUE EU TENHO PARA VOCÊ?". Estava meio tonto pelos golpes que havia tomado, mas minha ira, acumulada, fervia em minhas veias e por mais que ele fosse quase o dobro do meu tamanho, sabia que isso seria o bastante para ganhar força suficiente para nocauteá-lo. Usei dessa força para conseguir tirar ele de cima de mim, levantei rapidamente e antes que ele pudesse recuperar o equilíbrio atingi em cheio sua cara com um chute, como se fosse um goleiro fazendo uma reposição de bola, isso fez com que ele caísse desnorteado no chão, mas ainda consciente, tentando levantar novamente, mas antes que pudesse fazer isso, saquei minha arma da parte traseira da minha cintura, apontoando para sua testa.

— Você tem 2 minutos antes que eu puxe o gatilho, começa.

— Primeiramente, que bom te ver também, estava com saudades — foi falando enquanto se ajeitava.

— Passei um mês sendo interrogado na cadeia por sua culpa e estou há um ano em uma vida miserável, com um empreguinho de merda, pois nenhum imbecil iria me contratar depois do que houve. Depois de vocês terem me traído.

— Ok, vamos com calma aqui, em primeiro lugar, eu também estou sobrevivendo com um empreguinho de merda na prefeitura. Outra coisa, eu nuca o trai, você não sabe o que houve naquela noite então me faz um favor, tira essa merda da minha cara.

— Prefiro acreditar no que eu sei por enquanto, até você me convencer do contrário continuarei apontando para os seus miolos. Já se passaram dois minutos, é bom você explicar o que houve antes de sujar meu jardim.

— Aponta isso pro seu cú que você ganha mais... Quando vocês entraram na casa, eu fiquei do lado de fora com a Sombra, e percebi que ela estava muito estranha, ansiosa, como se estivesse preste há fazer algo muito errado, então mantive o olho em cima dela, foi quando eu vi uma hora, ela mexendo na bolsa com o nosso bônus, então ouvi as sirenes, por um momento me voltei para a casa para ir buscar vocês, foi quando eu ouvi a partida de uma moto, olhei e ela estava tirando uma moto, escondida no meio dos arbustos e saindo. Tive que escolher entre tentar salvar vocês ou ir atrás dela e impedir que ela fugisse, então escolhi ir atrás dela, imaginei que vocês não seriam pegos facilmente, ainda mais se eu fosse com o caminhão com a principal prova do crime.

— Claro e você resolveu reaparecer agora só? Um ano depois, não no fim do mês quando saímos da prisão, não três meses depois ou coisa do tipo, você resolveu aparecer agora? O que realmente aconteceu? Vocês se cansaram de rir da minha cara e agora resolveu voltar para ver seu caio nessa babaquice? — Gritei com ele pressionando com força o bico da minha arma contra sua cabeça, a empurrando para baixo.

— Não é isso... eu não consegui pegar ela, perdi ela no meio do caminho, mas eu tinha conseguido um rastro, uma pista e estive no encalço dela por todo esse tempo, um dia soube dos boatos que rolaram quando vocês tinham sido presos, que eu tinha traído vocês junto com ela. Não poderia aparecer do nada com essa história na minha nuca, tinha que trazer ela até você para que ela pudesse explicar pessoalmente que isso era tudo mentira.

— Me deixa adivinhar agora, eu vou perguntar se você está com ela amarrada em seu porta mala e você me dirá que não, certo? — Minha pergunta foi respondida por um momento de silencio e sua cabeça baixando em um momento de desespero — RESPONDE, ELA ESTA AMARRADA EM SEU PORTA MALA?

— Não, eu não consegui capturar ela. Eu acabei em uma pista sem saída. Por isso eu voltei, eu nunca vou conseguir achar ela sozinho, preciso da ajuda de vocês.

— Ela é a Sombra, será que ninguém consegue entender isso? Ela não será encontrada a não ser que ela queira, e quando ela quer é para te jogar em uma armadilha, até onde eu consigo pensar aqui, ela está nesse momento armando uma armadilha com meu nome, para finalizar o que vocês não conseguiram há um ano e você está cheirando a isca, a minhoca, uma pobre minhoca que reza para não ser devorada.

Destravei minha arma e posicionei meu dedo no gatilho, o tempo dele havia terminado, assim como minha paciência, era hora de enterrar o passado, ou pelo menos parte dele.

— ESPERA! Eu sei que vocês estão atrás dela, juntos, com as informações que eu coletei durante esse ano podemos encontrá-la — Suplicou ele.

— Como você espera que eu caia nessa? Por favor, não me subestime, eu já disse que esse trouxa não vai morder de novo a isca, sua minhoca de merda

— ENTÃO FALA PARA MIM, OLHA NOS MEUS OLHOS E ME DIZ QUE VOCÊ NÃO QUE ENCONTRÁ-LA, QUE VOCÊ NÃO QUER MAIS UMA VEZ OLHAR NOS OLHOS DELA E OUVIR A VOZ DELA, NEM QUE SEJA PARA TE EXPLICAR O PORQUÊ QUE ELA NOS ABANDONOU. PUXA ESSE GATILHO E ELA SUMIRÁ PARA TODO SEMPRE, ME DE ESSA CHANCE E VOCÊ TERÁ SOMENTE UMA OPORTUNIDADE DE ESCLARECER TODAS AS PERGUNTAS QUE RODEIAM ESSA SUA CABECINHA DE FÓSFORO.

A real é que eu não sabia, não sabia se queria encontrá-la novamente, se queria saber a realidade, até onde isso pode piorar ou melhorar minha situação?

— Me dá essa chance, seja novamente nosso Líder e juntos vamos descobrir isso. Cara, sou seu melhor amigo desde o tempo do colégio, você realmente acha que eu não mereço esse voto de confiança?

— Um voto, é o que você vai ter, por tudo que passamos juntos, mas a partir do momento que eu achar que vai dar merda eu viro as costas e se você tentar me convencer do contrário eu juro que coloco essa bala na sua cabeça com meus próprios dedos.

Entramos em casa e eu fui atrás dos contatos do Nerd e do Sniper, mas pelo que conhecia dos ambos, sabia que não seria algo fácil a fazer, eu poderia estar disposto a dar uma chance ao Motorista para provar a inocência dele, mas talvez os dois não fossem tão sangue frio assim.

Enviei a mensagem, pedindo para nos encontrar na Praça Vila Boim, em um banco atrás da banca de jornal. Um local aberto e público seria ideal para o encontro e mais importante daquele local era que o Sniper não conseguiria nenhum ponto bom para um tiro que não fosse de frente com ele e ao meu alcance para poder impedir. Se fosse realmente necessário dar aquele tiro, ninguém mais além de mim puxaria o gatilho, seria um privilégio somente meu.