— Nerd, tudo pronto aí?

— Esperando o sinal Líder

— Passando o sinal agora — respondi enquanto enviava uma mensagem de texto do meu celular, sem nenhum significado, apenas um "está a fim de ir na balada hoje?", provavelmente a mensagem mais enviada nessas horas, mas que no nosso caso não ia para ninguém, mas sim iria ativar uma bomba que havíamos plantado no dia anterior em uma central da Eletropaulo próxima. Alguns minutos depois, um pequeno estrondo, e todas as luzes da região foram apagadas, ao mesmo tempo em que nossos relógios iniciaram a contagem regressiva de uma hora.

Passados alguns instantes, recebo o sinal do Nerd, era minha deixa, entrei a frente da Sombra e do Sniper, fomos passando normalmente pela área de funcionários até chegarmos no salão principal, até então não encontramos nenhum tipo de resistência. Infelizmente isso não durou muito, um segurança veio falar com a gente, achando que éramos colegas, enganado pelo uniforme que usávamos. "Vocês conseguiram falar com a Eletr..." foram as únicas palavras que ele conseguiu mencionar antes de ser atingido pelo tranquilizante da arma do Sniper, se ele estivesse certo, o segurança só levantaria de duas a três horas mais tarde com uma imensa dor de cabeça. A mesma dor de mais alguns guardas que encontramos pelo caminho, eu e a Sombra fomos limpando o caminho, para que ninguém fosse surpreendido pela quantidade de corpos espalhados pelo caminho, pegamos também um rádio do segurança para podermos acompanhar a movimentação deles, mas nada de preocupante acontecia, tudo foi bem, sem nenhum problema, fácil demais.

— Nerd, como anda o sistema de alarme? — Perguntei no rádio

— Por enquanto nada que eu não possa dar conta, praticamente um alarme a cada cômodo que vocês passam, além de um constante que tenta passar de 2 em 2 minutos.

As coisas realmente estavam em nosso favor, já havíamos chegado ao ambiente onde se encontrava o quadro, pegamos uma escada na área de serviço próxima, subimos e começamos com calma a tirá-lo da parede, evitando os alarmes que prendiam o quadro a parede. Assim que conseguimos enviei a mensagem ao Motorista para ele já ficar com o carro aposto e em posição, enquanto isso Sombra já corria para o outro lado do museu, onde lá ela faria aquilo que era melhor, roubar.

Chegamos ao veículo e começamos a ajeitar o quadro na traseira da van, o Nerd já estava chegando também, a partir daquele momento o alarme não seria mais interceptado, tínhamos pouco tempo até que a polícia respondesse ao chamado, mas era tempo mais que suficiente para sairmos. Quando terminamos de nos ajustar, vi a Sombra sair do prédio pela porta a minha frente com uma pequena mochila recheada com o nosso bônus, Motorista já estava arrancando com a van quando ela abriu a porta do passageiro, jogou uma mochila dentro e subiu no carro, agora caminhávamos para a terceira parte do plano, depois daquilo seria apenas uma viajem tranquila seguida por uma gostosa contagem de dinheiro.

Ouvimos as sirenes passarem por nós em alguma rua próxima, em direção ao museu, chegaria lá em apenas dois minutos, até descobrirem o que havia acontecido, levaria pelo menos uns quinze, o que nos daria em torno de vinte minutos de vantagem, tempo o bastante para nós. Chegando perto do local marcado, já avistei o nosso caminhão. O Motorista parou alguns metros do ponto e pediu para descarregarmos o carro e preparar o resto. Ele gostava de pôr uma maior realidade quando forjávamos evidencias, se o carro deveria ser batido, e parecer que alguém tinha se machucado, ele iria bater o carro de verdade, claro que tomando todos os cuidados para não se machucar de verdade, ter o seu DNA espalhado pelo carro não seria a atitude mais inteligente, já tínhamos um pouco de sangue e fios de cabelos para ocupar a polícia cientifica, hoje não existe nada que não possa ser comprado, admirava as facilidades que o mundo cada dia trazia para nós. Pulamos para fora da van e começamos a transportar o quadro para o baú do próximo veículo, depois que tomamos uma distância segura, ouvimos o pneu cantando e vimos o carro saindo de lado em direção ao poste de concreto, entortando-o quase que completamente. O cenário já estava completo, faltando apenas os detalhes, que foram preenchidos por um frasco com sangue, que foi espalhado no banco do motorista, perto dos cacos de vidro, e com alguns fios de cabelos tirados de um saco plástico. Quando ele caminhou em nossa direção, já estávamos prontos para a viajem, em poucas horas chegaríamos no ponto da troca.