Voltei para o quarto logo depois, confesso que ainda não estava acostumado com a ideia de ver a sombra em meu quarto novamente, depois de tudo que já passamos, ainda precisava entender o que estava acontecendo e o mais importante, entender meus sentimentos para aquela situação.

— Eu tenho um plano

— Você sempre tem um — me respondeu ela com tom de deboche — vai me contar ele?

— Não, quando for a hora você vai saber, mas quero ter a sua colaboração, ninguém pode saber que você está aqui por enquanto

— Faça o que bem entender, já disse que não vou mais fugir, cansei disso.

Ela parecia pacifica, novamente me isolando de seus pensamentos e sentimentos, nada que eu fizesse ali poderia perfurar a barreira que ela criara, me parecia que ela mais desejava que eu a matasse do que acreditasse nas palavras dela. O aconteceu com a pessoa que um dia amei? Onde ela está?;

Entrei no meu escritório e vi o dia passar, o silêncio matador pairava no ar, Sombra ficava no meu quarto, como uma gata entediada, esperando algo acontecer sem querer sair da cama. Mil pensamentos bombardeavam em minha cabeça, sabia que os próximos dias seriam longos demais, mas não podia fazer nada. Uma vez ouvi, o pior momento de uma batalha, é a calmaria que antecede ela, minha calmaria duraria 15 longos dias, tinha que ser forte e aguentar isso com todas minhas forças.

A noite havia chegado, desliguei meu computador e comecei automaticamente a seguir minha rotina, quando olhei para a cama me deparei com a Sombra deitada no seu lado, pronta para dormir, de costas para mim, ainda não tinha me acostumado com aquela ideia. Parei um minuto para ver, a coberta descansar em seu ombro direito, seus cabelos loiros a descansar no travesseiro e sua pele clara e delicada, quase se misturando com o tecido claro de sua blusa. Ela virou com o tronco em minha direção, olhou em meus olhos.

— Onde você vai dormir?

— Vou ficar acordado mais um tempo ainda, se me der sono me acomodo na poltrona aqui mesmo, não se preocupe

— Se quiser pode deitar na cama, prometo que não tentarei te matar enquanto dorme, já que acredita que sou esse tipo de pessoa agora. — Disse já virando contra a parede e se ajeitando para dormir.

Preferir ignorar o ultimo comentário e voltei para o meu escritório, me acomodei na cadeira da escrivaninha, sabia que o sono não viria tão cedo ali, resolvi usar o tempo ao meu favor e escrever meus pensamentos para organizar melhor minhas ideias, quanto mais escrevia, mais dúvidas colocava no papel. Seria uma longa noite.

Acabei acordando em minha cadeira com os primeiros raios de sol que entravam pela minha janela, acho que em um certo momento meu corpo cedeu e eu nem havia notado. Ao chegar no quarto vi Sombra ainda dormindo, entrei no banheiro tomei um banho e desci para tomar um café, aproveitei o momento de calma na casa e já preparei um café para Sombra, deixei na estante do quarto e voltei a descer, chegando na cozinha, vi o Nerd saindo da lavanderia da casa, se espreguiçando e com cara de cansado, provavelmente havia trabalhado noite adentro, e agora vinha em minha direção.

— Bom dia — disse a ele levando minha caneca a boca para dar um gole no café.

— Boa noite — me respondeu ele indo direto para seu quarto, coitado estava trocando a noite pelo dia para poder concluir o favor que havia pedido a ele.

Era bom que ainda tinha aliados que podia confiar, saber que ele fazia aquilo por mim, seguindo uma ordem cegamente me dava um voto de confiança nele, algo que não sentia desde que fomos presos. O pior era ter a incerteza no fundo, que não deixava eu confiar 100% em ninguém mais, de um dia para outro, todas as pessoas a quem confiava minha vida haviam perdido todos meus votos de confiança, todos haviam se tornado suspeitos e todos estavam dormindo embaixo do meu teto.

Depois de um tempo começaram a descer o Motorista e o Sniper, tomamos café, vimos as notícias matinais, algumas palavras foram trocadas, mas nem sequer conseguia prestar atenção em qual era o assunto da conversa, minha cabeça ainda girava em torno de outras coisas mais importantes, ainda focava minha para controlar minha paciência. Depois voltei ao meu quarto e me deparei com a Sombra sentada na cama, banho tomado, vendo TV.

— Como está todo mundo? — Me perguntou com uma voz serena, quase que sem nenhum sentimento sendo expressado

— Cansados, abatidos, querendo ver alguma ação, um plano. Provavelmente acham que estou jogando a toalha, nem sei mais se fazem isso para entender tudo o que houve ou se fazem isso para saciarem a sua vingança.

— Hoje o dia vai começar a esfriar — Me disse aparentando não se importar com o que eu havia dito.

— Eu sei.

Voltei ao meu escritório e novamente passei o dia revezando entre ler notícias do mundo e escrevendo meus pensamentos, buscando em algum lugar escuro da minha mente uma resposta que talvez nunca viria.

— Por que você não fala logo para todos que estou aqui? — Me perguntou Sombra aparecendo no escritório

— Porque vão te matar

— E isso é tão importante assim para você?

Preferi não responder, parte de mim acreditava que ela não merecia uma resposta, parte sabia que eu não tinha a resposta. Segui mexendo no meu computador, agora vendo pelo programa as câmeras de circuito interno de minha casa, vendo o movimento de todos. Nerd havia acordado e descia ao encontro dos outros, Motorista começa a preparar um almoço na cozinha, enquanto Sniper continuava inquieto, vendo TV

Mais um dia havia se passado e novamente estava ali com minha ex, esses dias meu emocional estava tão à flor da pele, estava tão confuso com tudo que estava acontecendo que estava parecendo uma adolescente chata, apaixonada e confusa. Se alguém estivesse dentro de minha cabeça nesse momento provavelmente estaria cansado de ler meus pensamentos.

Ali me encontrava novamente, encostado no batente da porta do meu escritório, vendo Sombra dormir, pacificamente, fazendo perguntas complexas a mim mesmo entre um gole e outro de café em minha caneca. Ela começa a dar sinal de vida, se espreguiçando, abre os olhos devagar e vira para minha direção, dessa vez não sai antes dela me ver, era já o terceiro dia, queria ver como ela reagiria a minha presença.

— Bom dia, você está com uma aparência de lixo sabia? — Foram as primeiras palavras dela.

— Dormir na poltrona do escritório não é tão confortável quanto achei que seria

— Dorme na cama então

— Não faria você dormir nessa poltrona, nunca faria ninguém dormir nessa poltrona, muito sofrimento

— Quem disse que eu deixaria de dormir na cama — quando ouvi ela dizer isso, foi como se meu coração parasse de bater por um segundo, como se ele tivesse ficado tão surpreso quanto eu em ouvir aquilo. Novamente virei as costas e sentei de frente ao meu computador.

Aquele momento, aquela parada, aquela hesitada, estaria eu ainda apaixonado por ela? Nosso amor teria sido algo tão forte que eu seria capaz de perdoar tudo que ela fez? Começava a me questionar sobre a verdade, e se ela estivesse falando a verdade o tempo todo? Se ela não fosse a culpada no fim das contas? Tudo mudaria? O que iríamos fazer então? Burro, como posso ter sido tão burro? Estive todos esses dias pensando em relacionamentos, agindo como uma garota ti ti ti e não havia parado um tempo para pensar no que deveria fazer caso ela estivesse mentindo ou falando a verdade, nem sei qual dos cenários seria pior. Se ela estivesse mentindo, teria que escolher entre jogar ela na cova dos leões ou deixar ela partir, mas se ela tivesse falando a verdade, então voltaríamos à estaca zero, se não era ela a pessoa que nos traíra

— Que cara é essa? Somos dois adultos aqui, certeza que seus pais autorizariam você dormir com uma garota na sua cama, sem contar que depois de todos esses anos, você não estaria dormindo com uma estranha né? — Me disse sombra indignada ao perceber como reagi ao comentário dela.

— Não estaria?

— Depois dessa eu vou até o outro canto do quarto, já que é o máximo que posso por aqui.

Com o passar do dia, percebia que o pessoal estava cada vez mais inquieto, sabia que a qualquer momento eles começariam a questionar o porquê não estávamos mais buscando nenhuma pista ou nada do tipo que pudesse nos ajudar a capturar a sombra. Uma hora eles poderiam começar a desconfiar que eu não estava mais preocupado com isso, pois já havia a encontrado. Estava torcendo para o Nerd terminar o quanto antes sua missão.

A noite havia chegado, eu estava exausto, mais uma noite que dormisse mal e no dia seguinte alcançaria a insanidade.

— Minha proposta ainda está de pé, se você quiser não precisa dormir aí, pode dividir a cama comigo. Eu já estou indo dormir. — Me disse Sombra da porta do escritório, com uma camiseta velha minha, branca e um short que nem sabia como ela havia encontrado nas minhas coisas.

Embora todos meus instintos dissessem o contrário, eu precisava de uma boa noite de sono, então resolvi ceder e deitar na cama, esperei até ter certeza que ela já havia dormido, então fui para o meu lado da cama, entrei na coberta e me ajeitei. Sentia cada osso do meu corpo voltando para o devido lugar e cada músculo relaxar até doer, apaguei sem nem ao menos perceber o que havia acontecido.

Na manhã seguinte acordei renovado, era mais tarde já, o relógio em meu pulso indicava 11:34, ainda não havia recobrado completamente a consciência, ainda estava com muito sono, nem conseguia mexer meu corpo, quando notei algo, sombra estava deitada no meu peito, aninhada em meu corpo, na hora meu coração disparou, como se estivesse em uma situação de perigo imediato, então, uma batida na porta

— Líder? É o Nerd, posso entrar? Precisava falar contigo — na hora a Sombra abriu o olho ainda sem entender o que estava acontecendo, antes que ela pudesse reagir de qualquer maneira coloquei a mão em sua boca sinalizando para ela fazer silêncio

— Espera um minuto aí, acabei de acordar, deixa eu colocar uma roupa — falei para o Nerd já apontando para a Sombra ir para o banheiro, por sorte sua maior habilidade era passar despercebida, não seria difícil ela não ser vista pelo Nerd

Esperei ela entrar no banheiro e se esconder e abri a porta

— Achei que você estava se vestindo — disse Nerd entrando no quarto quando me viu só com a calça de meu pijama

— E eu me vesti, só não encontrei minha camiseta

— Está aí uma imagem que não queria na minha cabeça, enfim, terminei, finalmente, quando começamos?

— Vamos lá

chegamos onde um dia era um quartinho de empregada e agora parecia uma sala bizarra de interrogatório, uma parede pronta dividia a sala em duas, numa parte havia uma cadeira, com alguns sensores e fios saindo dela, câmeras ao redor, ela ficava de frente com uma janela de vidro que dava para a primeira metade da sala, onde tinha uma mesa de escritório, um computador já com um programa rodando, ao lado de uma TV que mostrava a cadeira vazia e outra TV que mostrava a mesma imagem, mas essa tinha escrito na tela "nenhum objeto detectado" em vermelho ao centro.

— Ok, vamos lá, a pessoa vai sentar aqui, eu coloco os sensores nela, que vão servir para o computador ler temperatura do corpo e batimento cardíaco, as câmeras vão servir para um outro programa que vai detectar caso haja alteração no tamanho da pupila da pessoa e se ela fizer algum movimento de vício na hora que responder. O princípio da coisa é o seguinte, naturalmente o ser humano é o único animal que desenvolveu a habilidade de mentir, não é uma coisa natural para nosso corpo, a mentira é uma defesa, como o corpo sabe disso, quando você mente, ele entende que você está se defendendo de algo, se protegendo e que logo, sua vida está em risco, quando ele percebe isso ele apresenta sinais, seu coração acelera, sua temperatura aumenta, sua pupila dilata, tudo isso é reação normal para sobreviver, são coisas que te ajudaria a correr mais que seu predador por exemplo, e seu corpo acaba tendo reações espontâneas, inconsciente, isso já acontece porque seu cérebro está ocupado pensando na mentira que precisa contar para sobreviver e ele não se preocupa com o resto, então você acaba fazendo movimentos involuntários quase. — Me explicou o Nerd como uma criança empolgada com seu mais novo projeto de ciência.

— Ótimo, posso me sentar ali então? Fazer o test-drive?

— Claro, o que você quer que eu pergunte?

— Eu quero que você teste o quanto essa máquina consegue ser enganada, pergunte o que quiser e eu vou ver se ela é infalível

— Ok

Sentei na cadeira, e fui vendo o Nerd colocando todos os aparatos em mim, então ele saiu da sala, fechou a porta e o vi sentar na cadeira em minha frente. Confesso que só de estar ali, naquele aquário, já era gerado um desconforto grande.

— Bem vamos começar então, me diga sua data de nascimento — Foi a primeira pergunta de Nerd, com certeza ele estava calibrando a máquina ali, determinando qual era a faixa onde eu falava a verdade

— Onze de abril de mil novecentos e oitenta e nove

— Cidade que nasceu?

— São Paulo

— Zona norte de São Paulo?

— Sim

— Você que traiu e entregou seus amigos para a polícia no dia que roubamos o museu?

— Não

— Bem eu precisava perguntar, é esse o proposito disso tudo, não é?

Achei melhor não responder nada

— Você pediu para eu construir o poligrafo para poder confiar totalmente em nós? — Repetiu a pergunta

— Sim

— Bem, aparentemente a máquina funciona muito bem, qual o verdadeiro propósito de eu ter construído essa máquina líder?

— Você vai saber hoje à noite — respondi já levantando e desgrudando os sensores da minha pele

— Você não vai me falar nada? Vai me deixar no escuro?

— Não posso te adiantar nada ainda, esteja aqui a uma da manhã e não comente nada com ninguém. Posso confiar em você?

— Não estou tendo muitas escolhas aqui não é mesmo?

Voltei para o quarto e me deparei com a Sombra sentada em minha cama, com o quarto já arrumado

— O que você pediu para o Nerd?

— Para ele atualizar meu Playstation. Por que acordei com você deitada no meu peito?

— Não sei, acho que acabei me ajeitando enquanto dormia, como você estava ali, devo ter deitado em você, força do hábito acho.

— Olhe nos meus olhos, quero deixar uma coisa bem clara aqui, se você acha que vai conseguir apelar a algum sentimento que já tive por você para sair livre do que você nos fez, está muito enganada. Eu vou encontrar a verdade e quando fizer, você vai receber o que merece. Estamos entendidos?

— Você diz como se tivesse já a certeza de que eu sou a culpada. Já disse antes, se tem tanta certeza, pega a arma e puxa a merda do gatilho. E se você estiver errado gênio? O que você vai fazer? O sr. "penso em todas as possibilidades", já considerou a chance de estar errado?

Achei que seria melhor levantar e sair do quarto, por mais que ela tivesse razão, eu não podia deixar meus sentimentos me guiarem ali, ela poderia estar armando algo e eu não podia fraquejar, tinha que ser forte e tomar a decisão certa na hora certa. Ao descer a escada já me deparei com o Sniper e o motorista me esperando.

— A gente precisa conversar — disse Motorista

— Quando a gente vai sair de cima de nossas bundas e começar a tomar atitudes? Quando vamos voltar a caçar aquela vaca? — Já se exaltou Sniper

— Para um atirador de elite, você anda bem impaciente, se você não fez nada todos esses dias isso é um sinal de incompetência sua, hoje em dia não precisa estar nas ruas para se conseguir alguma informação. Andei buscando uns contatos antigos e cobrando uns favores, acredito que amanhã já teremos uma pista para seguir. — Respondi demarcando meu território

— Ótimo e o que seria a pista? — Perguntou motorista tentando acalmar os ânimos

— Amanhã eu falo quando tiver certeza do que estou lidando.

Mais uma noite havia chegado e essa era a mais importante de todas. 20 minutos antes do horário combinado com o Nerd, fui com a sombra para o quarto onde agora era transformado em um interrogatório com um detector de mentira, levei ela encapuzada para que ela não se preparasse para qualquer coisa, tiraria a venda dela quando fosse começar de fato. Alguns minutos depois que preparei ela, vi o Nerd Chegando, com as luzes da sala do interrogado apagada, ele não viu ainda que já tinha uma pessoa ali sentada.

— Bem, qual a grande surpresa? Por que você me pediu para construir isso afinal? — Me perguntou o Nerd, sem responder nada eu abri a porta para a sala do interrogado e acendi a luz.

— Eu só preciso colocar os sensores e ligar tudo — ao perceber quem estava sentado na cadeira, Nerd não soube como reagir, não acreditava em seus próprios olhos. Tirei o capuz da sombra revelando seu rosto para que ele tivesse a certeza que faltava.

— Oi Nerd, tudo bem? — Disse ela ajeitando os cabelos, como se nada tivesse acontecendo.

— Seu grande filho de uma puta, desde quando? — Nerd se exaltou

— Faz o que? Duas semanas já? — Respondeu a Sombra

— Você fica quieta e você começa a ligar tudo que eu explico no final todas as dúvidas que tiver

— Parece que eu não tenho muita escolha né? — Nerd ainda com cara de inconformado, resolveu entrar na dança e ajudar, colocando os sensores na sombra e ligando as câmeras. Saímos e ficamos de frente a ela, separados por um vidro, observando ela pelos monitores e vendo seus sinais cardíacos no computador, era a hora de saber a verdade.

— Quantos anos você tem? — Perguntei

— Nunca se pergunta isso para uma mulher, nunca te falaram?

— Só responda à pergunta

— 29 — beep, o computador confirmando como verdade e calibrando seu sistema

— Onde nasceu?

— São Paulo

Beep

— Bairro?

— Santana

Beep

Olhei para o Nerd, quando vi que a máquina já estava pronta para as perguntas que interessavam, por um momento me perguntei se eu estava tão pronto para saber a verdade quanto o computador estaria. Respirei, na minha cabeça repeti a pergunta 50 vezes, para ter certeza que não houvesse outras interpretações, olhei nos olhos dela. Quando fui fazer a pergunta, ouvi a porta atrás de mim se abrindo, nela estava Sniper e o Motorista, ambos já entrando como um batalhão especial da polícia pronta para prender um homicida em flagrante.

— ​sabia, sabia que esse merda tinha algo tramado, ele está protegendo aquela filha da puta — Gritou Sniper já sacando sua arma e apontando para a cabeça da Sombra. Rapidamente me levantei da cadeira de frente a mira dele, com minha mão direita bati em seu pulso e com a mão esquerda bati na ponta da pistola, tirando assim a arma de sua mão antes que ele a disparasse, em um mesmo movimento, coloquei minha perna por detrás dele e joguei ele no chão usando meu corpo para empurrá-lo, antes dele poder reagir, engatilhei sua arma e apontei para ele, deixando claro para que ele não saísse de onde estava.

— Você matou Fatboy — perguntei sem tirar os olhos do Sniper no chão, mas nada ouvi por um tempo

— RESPONDA MINHA PERGUNTA, VOCÊ MATOU A FATBOY?

— Não — a voz dela não era mais serena e despreocupada como estava antes

— Ela disse a verdade líder — me disse Nerd

— Você é a responsável pela armadilha que nos prendeu? — Foi minha segunda pergunta mais importante da noite

— Não

— Verdade — registrou Nerd

Após ouvir o Nerd, tirei a arma de mira, apertei a trava liberando a munição da pistola e deixando o clip cair no chão, então tirei a bala que estava engatilhada e devolvi a arma para o Sniper.

— Vocês todos ouviram, estávamos caçando a pessoa errada esse tempo todo. Querem saber porque não contei da presença dela? Está aí a resposta, vocês não pensariam duas vezes antes de meter uma bala na testa dela. Eu cansei de ver gente inocente morta. Nerd, libera a Sombra, Sniper e Motorista, vamos lá para fora, eu preciso de um cigarro, se querem resolver algum assunto pendente comigo, a hora é essa.