Por cima dos ombros.
11 Capítulo 11
Me dei o luxo de dormir até um pouco mais tarde naquele momento, depois de escrever meus pensamentos e aliviar um pouco o peso em minha mente, achei que uma boa noite de sono também viria a calhar. Ao acordar, procurei o rádio relógio que ficava na estante, embaixo da televisão, que estava em direção aos meus pés, vi a forte luz vermelha em números grandes, piscando 10:30 AM, definitivamente meu corpo e minha mente estavam esgotados, dormi horas sem nem mesmo sentir.
Após descer, procurei algum sinal de vida na casa, mas nada encontrei em um primeiro momento, somente quando entrei na cozinha que ouvi um barulho ao fundo da casa, do lado de fora havia uma edícula, no fundo do quintal, fechada com portas e janelas de vidros, lá dentro estava Sniper, fazendo seu hobby predileto, limpando seu rifle. A mesa de mármore preta estava com uma parte coberta com um pano de veludo branco, delicado, em cima dele estavam todas as peças de seu rifle, ao lado, fora do pano, sua pistola, aguardando na fila para tomar seu banho também, a cima do pano, seu Nextel.
— Algum sinal de vida dos dois? — Perguntei, mostrando a ele minha presença no local.
— Ainda nada, mas logo eles devem dar um sinal, já estamos nos aproximando do prazo de 12 horas que você deu a eles.
Virei as costas e voltei a cozinha para buscar minha dose excessiva de café diária que precisava. Para suportar o dia precisaria ficar alerta a maior parte do tempo e o café me ajudaria muito nisso. Retornei a edícula com minha caneca cheia de café e uma tigela com sucrilhos e leite, o café dos campeões, que não tem tempo ou saco de preparar algo mais decente.
— Se vai comer aqui, sente longe do meu rifle, não quero ter que limpar respingo de leite e café dele. — Disse o Sniper, sem nem ao menos tirar os olhos da pequena peça que tinha em suas mãos, avaliando se ela já havia sido lustrada suficiente.
Nem dei o luxo de uma resposta, sentei-me na ponta oposta da mesa, liguei a televisão que estava na parede do outro lado da edícula e comecei a ver as notícias. Durante um período da manhã nos dias de semana é realmente difícil encontrar algum canal de TV aberta que mostre algo de útil, maior parte da programação nesse horário deve ser direcionado a aposentados e pessoas que não tem o que fazer, como era nosso caso no momento. Optei por deixar no canal de notícias, não seria necessária toda minha atenção, caso ouvisse algo de interessante passaria a ver com mais calma.
Alguns minutos depois, o rádio em cima da mesa deu seu apito tão conhecido, seguido pela voz do motorista "Alguém na escuta". Sniper pegou o aparelho a sua frente e jogou para mim.
— Positivo, quais as novidades? — Respondi
— Por enquanto nada que valha reportar Líder, ela ainda está em seu apartamento, aparentemente passou a noite trabalhando, mas sem sair de seu quarto — me reportou o Motorista.
— Ela é uma hacker, ela só trabalha dessa forma, raramente ela sai em uma missão para desativar um alarme ou roubar informações confidenciais da fonte, geralmente ela consegue isso sem sair de seu quarto — Respondeu Sniper, novamente sem tirar os olhos da peça que agora lustrava — Acredito que ela não vá demorar muito para conseguir os resultados e voltar ao parque para receber o pagamento.
— Motorista, aguardem mais um dia. Depois de amanhã provavelmente a Fatboy irá voltar a praça para receber seu pagamento, mas quero vocês na cola dela ainda, caso a sombra venha se encontrar com ela ou coisa parecida. — Dei a ordem.
— Positivo.
Coloquei o celular na mesa e voltei a me concentrar em meu café da manhã. Observei o Sniper a limpar as peças de seu rifle, tão concentrado, tão focado, como se estivesse sozinho. Os dedos longos e magros, parecidos com de pianistas, manuseavam de forma extremamente delicada e ao mesmo tempo com firmeza e precisão, cada peça. A cabeça baixa, para ver mais de perto o que estava fazendo dava a ela um certo ar cômico, afinal não é todo dia que você vê uma pessoa careca com um nariz avantajado e não pensa em uma caricatura, mas a careca não era algo optado por ele, ele deixava daquele jeito para que não corresse o risco de alguém pegar um fio de cabelo nos lugares que ele acampava para aguardar sua vítima. Ele era calculista nesse nível, ele não se importava com sua vaidade ou com sua beleza, ele se importava com sua arma e com seu alvo, somente isso.
Mais um dia tranquilo havia se passado, o cenário não havia mudado dos dias anteriores, tudo parecia uma reprise, até o momento que o celular fez seu barulho tão característico, seguido pela voz do motorista.
— Líder, não sei exatamente se isso é uma mudança digna de reportar, mas parece que fatboy foi dormir finalmente.
— Ela terminou o serviço, amanhã vai receber o pagamento. — Disse o Sniper sem nem ao menos tirar os olhos das peças que agora limpava.
— Vamos nos encontrar com vocês dentro de algumas horas, quero que já comece a ver todos os pontos de fuga que existem na praça, acredito que dentro de 24 horas ela vai finalmente sair da toca. — Respondi já pensando em todos possíveis cenários que poderiam acontecer quando abordássemos Fatboy.
— OK.
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