Por Um Dia

10 Quero Ficar - Dia 10.362


Notas iniciais
Ao tentar entender o corpo que habita, o narrador descobre que o jovem Luhan tem um coração apaixonado e uma triste missão em mãos. Avisos: Yaoi, Fanfic da banda EXO, crossover com o livro Todo Dia.

Acordo e, preguiçosamente, abro os olhos com certa dificuldade, pela luz forte que bate contra o rosto em que habito. O dia está ensolarado e posso ouvir pássaros cantando na janela do quarto.

Hoje sou Luhan, um chinês de 17 anos.

São sete e meia, e é sábado. Suspiro baixo e acesso as memórias de Luhan, ele mora com uma tia, que não é uma boa pessoa, vejo brigas, mágoa e tristeza.

— Olá, Luhan — cumprimento a imagem refletida no espelho. Um garoto bonito e com feições delicadas. Sua voz é baixa e calma.

Desbloqueio a tela do celular e vou até o messenger, o primeiro nome na lista de conversas é “Kim Minseok”.

"Durma bem e tenha lindos sonhos, Lu."

Clico na janela da conversa, começo a ler e, involuntariamente, um sorriso se forma em meu rosto. Sei que ele é alguém que faz muito bem a Luhan. Decido mandar-lhe uma mensagem de “bom dia”, pois sinto que é isso o que Luhan faria agora.

Ainda é cedo, então volto pra cama. Talvez Minseok esteja dormindo e, por isso, demore a me responder. Logo começo a pensar em como vou passar o dia de hoje sem causar problemas a este corpo e, antes de decidir qualquer coisa, ouço o celular notificar-me uma nova mensagem.

Ele responde rápido, assim tomo o celular para enviar outra mensagem e respondo-lhe que dormi bem.

É estranho pra mim, responder esse tipo de pergunta. Na verdade, responder a qualquer pergunta é estranho pra mim, já que elas são direcionadas para outra pessoa, que, na verdade, não sou eu, é como se eu estivesse me intrometendo em algo que não é da minha conta — como realmente estou —, e isso me incomoda de certa forma, porque eu gostaria de responder por mim mesmo, para alguém que se importa comigo mesmo.

Depois de conversar com Minseok por alguns minutos, decido chamá-lo para sair, então combinamos de ir a uma praça, que eu nem mesmo sei onde fica.

Acesso a memória de Luhan e descubro que a praça não fica muito longe de sua casa. Tomo um banho rápido, visto uma calça jeans e uma camiseta preta, passo o perfume docemente masculino que ele costuma usar e me olho no espelho por um breve instante.

Ainda falta pouco mais de 1 hora para encontrar Minseok, mas me sinto ansioso, o corpo de Luhan está ansioso.

Sempre procurei não ir muito fundo nas memórias dos corpos que habito, desde quando comecei a compreender o que acontecia comigo, tentei ao máximo deixar suas vidas da forma como eu as encontrava, mas a sensação que tenho estando neste frágil corpo é algo que me incomoda.

Luhan é quieto e não tem amigos na escola, não amigos de verdade, daqueles com quem se pode contar de olhos fechados. O pai deixou sua mãe ainda grávida, e a mesma faleceu quando ele ainda era um bebê, deixando-o sob os cuidados da avó materna. As lembranças sobre a avó sãos boas, deve ter sido a melhor época para ele, com mimos, carinho e amor. Então a avó veio a falecer também e ele teve de ficar com a tia, que sempre o detestou.

Não consigo acessar muito sobre os motivos das brigas, pois não é o corpo da tia o qual eu habito, mas Luhan sente que ela o odeia por causa de sua mãe e pela atenção que ambos receberam de sua avó, ele sente que a tia invejava sua mãe e transferiu tal ódio a ele, que sente culpado por ter recebido tanto carinho e roubado a atenção que sua tia também queria.

Faltam 30 minutos para encontrar Minseok, preciso sair do quarto e encarar a tia de Luhan. Pego o celular e a mochila e saio do quarto. Não percebo movimentação na casa enquanto caminho pelos corredores, provavelmente a tia está dormindo, então sigo em passos mudos até a sala.

No caminho para a praça, tenho de pegar um metrô para não me atrasar e acabo por chegar um pouco mais cedo. Encontro um pequeno banco com dois lugares vazios, e ali me sento, abro a mochila de Luhan e encontro uma espécie de diário.

"Hoje, eu e Minseok nos falamos ao telefone pela primeira vez. A voz dele é tão fofa."

"Minseok disse que não estava se sentindo muito bem hoje... Eu quero abraçá-lo e dizer que vai ficar tudo bem."

E quanto mais eu folheio, mais Minseok aparece. O diário se baseia no garoto e em como ele faz bem para Luhan. Foi feito para falar sobre isso.

Enquanto permaneço a olhar as escritas em meu colo, aos poucos sinto um aroma doce e extremamente agradável se aproximar de mim, levanto meu olhar e ali está ele, à minha frente.

Sua pele é clara, seus olhos são grandes e redondos, as bochechas salientes, os lábios são pequenos e bem desenhados — minimamente tortos para o lado, o que nem de longe lhe seria um defeito —, e quando sorri para mim posso ver os dentinhos da frente um pouco maiores do que os demais.

Minseok é apenas um ano mais novo do que Luhan, mas os traços de seu rosto são de uma criança de 7 anos.

— Está aí há muito tempo?

Quase não ouço a voz doce que fala comigo, por conta do transe em que me encontro ao olhar para seu dono.

— Cheguei agora há pouco — respondo de forma natural, tentando não parecer surpreso, então me lembro do diário em minhas mãos e o guardo na mochila. — Senta aqui, Baozi.

— Uh... Uhum.

O menor sorri ao ser chamado de tal forma, e se senta ao meu lado.

Lendo o diário de Luhan, descobri que ele deu a Minseok tal apelido por conta de suas bochechas redondas e pálidas, que lembram um baozi, um tipo de pão chinês cozido ao vapor. Acho que Minseok gosta disso.

— O que estava lendo?

— Era o meu diário.

Ele sorri novamente, chegando um pouco mais perto de mim, então aproxima seu rosto do meu.

— Tem coisas sobre mim escritas nele? — pergunta baixinho enquanto me encara, por um instante, me perco em seus olhos grandes e brilhantes.

— Isso é segredo — respondo baixo, vendo uma careta se formar em seu rosto.

— Está bem, Luhan. Não vou fazer perguntas sobre seus segredos.

Seu tom é sério, mas sua voz ainda é calma e posso ver a birra nas palavras. Minseok é manhoso, mas não consegue manter-se firme nisso por muito tempo, e logo vejo um sorriso tímido tomar conta de sua face.

— O que vamos fazer hoje?

— Não sei... podemos ficar sentados aqui, olhando em volta — diz calmamente, enquanto realmente olha em volta.

— Tudo bem — afirmo e passo a fazer o mesmo.

Ficamos algumas horas ali, enquanto olhamos juntos para o Céu calmo da manhã. Vemos um casal de velhinhos chegarem e se sentarem em um banco próximo do nosso, uma família de mãe, pai, filho pequeno e seu cachorro brincando na grama macia, uma moça arrumando o piquenique para seu namorado que chega logo em seguida, e antes de irem embora, os dois velhinhos dizem que eu e Minseok ficamos lindos juntos, e posso vê-lo enrubescer ao ouvir isso. Tão adorável.

Por um momento, gostaria que Luhan estivesse realmente aqui. Quero que se lembre desta manhã, quero que se lembre desta sensação de paz, pois acho que ele precisa muito disso em sua vida. Mas, ao mesmo tempo, sinto um pouco de inveja, confesso.

— Lu...

— Sim?

— Quero ir a um lugar.

Minseok me leva até um canil onde costuma ir com Luhan sempre que o vê, e logo estamos brincando com alguns filhotes de samoieda.

— Lu... Ele não é lindo? — pergunta baixinho enquanto segura, com cuidado, um dos pequenos filhotes próximo ao seu rosto. Seu sorriso é terno, os olhos brilham ao alternarem em olhar para mim e para o cachorro. Balanço minha cabeça positivamente e continuo a observar, silenciosamente, enquanto ele brinca.

Volto para a casa com uma sensação de vazio. Ainda faltam muitas horas para a meia noite e não quero ficar aqui, mas acho que não sou eu quem tem que querer algo, a vida nem é minha. Mas também não acho que o dono deste corpo pensaria muito diferente de mim agora.

No quarto de Luhan, pego novamente o diário que eu lia mais cedo, então continuo a folheá-lo e mais coisas sobre Minseok aparecem. Há uma página que conta o dia em que Luhan teve uma briga com sua tia e passou o dia fora de casa, como ele estava se sentindo cansado, mental e fisicamente. Nesse mesmo dia ele desmaiou, e eu não preciso ler para saber disso, acesso suas memórias e vejo um dia ensolarado e que ele não se alimentou bem. Repentinamente, percebo meu corpo ficando fraco, minha vista está enfraquecendo também, preciso me deitar...

***

Acordo e são 5 horas da tarde, devo ter dormido por umas três horas e meia. Sinto um frio enorme, apesar da luz quente do Sol que invade o quarto pela janela, isso não é normal, não para um corpo sadio.

Assim que acordei hoje de manhã neste corpo eu já sabia que era anêmico, mas agora posso sentir o quão frágil está. Sinto fraqueza, cansaço e vontade de vomitar, vou ao banheiro quase sem equilíbrio, e o faço, logo voltando para a cama. Ainda não comi nada o dia todo, mas sinto meu estômago embrulhar só de pensar em algo, então volto a ler — que é a única coisa que pode me distrair agora-.

Depois de vomitar três vezes, começo a suar frio. Apenas ignoro e me cubro na cama continuando a ler, e logo o garoto de olhos grandes e bochechas redondas volta a preencher meus pensamentos com a vaga lembrança de seu sorriso.

"Hoje eu não tive um dia bom e estou me sentindo tão cansado...

Já faz um tempo que eu venho me sentindo fraco, mas me acostumei por conta da anemia, só que dois dias atrás eu vomitei sangue. É difícil dizer e até mesmo pensar em algo assim... Eu nem sei como Minseok vai reagir a isso, não sei como contar a ele.

Eu venho escrevendo sobre o mesmo garoto todos os dias, mas nunca disse o que ele realmente significa pra mim, talvez por medo de confessar a mim mesmo, medo de alimentar ainda mais esse sentimento... Mas, eu deveria me confessar agora?”

É a última página escrita por Luhan.

"Acho que não sei por onde começar, são tantas coisas guardadas, então não sei qual delas revelar primeiro...

Quando eu conheci Minseok, foi como se a vida voltasse a ter sentido, como se eu estivesse apenas tendo um sonho ruim e então eu acordei e ali estava ele, pronto para me abraçar e dizer que foi só um pesadelo, para que então eu pudesse voltar a dormir tranquilamente, sem preocupações.

Havia momentos em que meus pesadelos voltavam e, assim, eu corria para ele, que me acordava novamente, de forma acolhedora. Eu vi que ele também tinha pesadelos, e comecei a acordá-lo deles também, retribuindo-lhe o que me fazia em meus momentos de apuro.

Eu tenho problemas e ele também. Quero ficar ao seu lado e dizer-lhe meus sentimentos mais profundos, mas não o quero sobrecarregar, não quero ser-lhe um peso e atrapalhar sua vida, não, eu não tenho esse direito. Quero cuidar dele, mas mal tenho forças para aguentar a mim mesmo.

Às vezes, acho que não o mereço em minha vida, acho que Minseok é bom demais pra mim e seria melhor se eu me afastasse dele, seria melhor que eu deixasse sua vida em paz para que pudesse encontrar alguém que realmente saiba e possa cuidar-lhe devidamente. Mas não suporto a ideia de simplesmente dizer adeus à pessoa que eu mais amo.

Agora, preciso lhe contar que tenho leucemia, mas sabendo como ele é sensível, me dói o coração só de imaginar como ele vai reagir.

Estou me sentindo enjoado e sonolento agora, há muitas coisas que ainda quero escrever, e estou pensando em mostrar para Minseok, pois não sei aonde essa doença pode me levar, então quero que ele leia quando eu não tiver forças para acordá-lo de seus sonhos ruins."

A fraqueza ainda se faz presente em mim, mas não a sinto somente no corpo, sinto na alma.

Minhas mãos tremem enquanto seguro o diário. Várias coisas passam por minha cabeça e, novamente, me sinto vazio, mas é por Luhan, sinto o peso que o mesmo sente e sinto-me mal por não poder fazer nada para ajudá-lo.

São quase 8 horas da noite e não consigo parar de pensar em Minseok. Reviro-me na cama por várias vezes, mas não sou capaz de alcançar o sono, porque não quero dormir, quero encontrá-lo de novo, me despedir. Quero ligar e dizer o quanto ele é especial, mas não posso, não assim, sem mais nem menos. Acho que o corpo e a doença de Luhan estão me fazendo delirar.

Depois de algum tempo tentando vencer uma batalha contra mim mesmo, perco e ligo para Minseok dizendo que preciso vê-lo. Ele estranha no começo e diz que não pode sair de casa, então dou alguma desculpa e o convenço.

O tempo está fresco, mas ainda sinto muito frio, então visto um conjunto quente de moletom, dou uma arrumada no quarto e espero até as 9 da noite. Ouço o som de uma pedrinha sendo atirada contra a janela do quarto, então corro até ela e ele está lá embaixo.

Eu poderia fazer como na história da Rapunzel e jogar meu longo cabelo, mas não possuo tal, e segurar um lençol para ele subir é arriscado, já que mal tenho forças para comigo mesmo. Sendo assim, apenas peço-lhe que fique de prontidão para me segurar, caso eu caia no chão, ele assente com um sorriso e eu desço, cuidadosamente.

— Aconteceu algo, Lu?

Ele se aproxima rapidamente, mas recua, se encolhendo de forma tímida.

— Por que me chamou aqui a essa hora?

— Eu só queria ver você — respondo calmamente, olhando para os olhos mais lindos que eu já vira em todas as minhas vidas. Então, pego sua mão, segurando-a com ambas as minhas. — Quero lhe contar algo.

— Uh... Isso é bom ou ruim? — pergunta, me olhando com atenção.

Sinto vontade de tomá-lo nos braços, mas apenas aperto sua pequena mão entre as minhas. Sem responder a solto, voltando a buscá-la com somente uma das minhas e assim começo a caminhar. Caminhar para longe dali, para onde é calmo, e ele me segue, com seu silêncio cheio de perguntas.

Chegamos até a praça onde nos encontramos mais cedo, ele sorri de forma tímida e permanece em silêncio enquanto segura minha mão.

Não sei quando foi, não me lembro, mas em algum momento da minha vida, descobri que às vezes palavras não são necessárias para dizer o que estamos pensando ou sentindo, descobri que as pessoas são capazes de decifrar umas às outras através da forma como olham, piscam, mexem os lábios, as mãos e vários outros gestos simples que, por muitas vezes, passam despercebidos. E hoje, estando com Minseok, posso dizer que aprendi, ao menos um pouco, como decifrar alguém que eu amo, porque quando amamos, observamos cada detalhe da coisa amada. Seja um objeto, uma pessoa, um animal ou o Céu, sempre vamos querer saber cada vez mais sobre o que amamos.

— Quando olho pro Céu, me sinto tranquilo.

Ele corta o silêncio e encosta a cabeça em meu ombro, enquanto leva o olhar até a imensidão acima de nossas cabeças.

Estamos sentados no mesmo banco de mais cedo, e é como se eu pudesse ver o casal de velhinhos nos olhando e sorrindo para nós.

— Também me sinto assim — concordo em voz baixa e passo a observar o Céu também, torcendo para que o menor permaneça ali. — Gosto da Lua e das estrelas, é como se fosse um show ao qual todos podem assistir gratuitamente, todos os dias.

— Isso é tão bonito.

Observo-o de soslaio por um momento e vejo que está sorrindo, e isso me faz sorrir também. Pendo minha cabeça levemente para o lado, encostando-a na dele e, assim, o silêncio volta a nos fazer companhia.

De repente, sinto-me mal, um frio enorme toma meu corpo e, por um instante, minha visão se perde deixando tudo à minha volta embaçado, então seguro o braço de Minseok com a força que consigo e me viro para ele.

— Uh... O que foi, Lu? — pergunta baixinho, assustado.

— Minseok, eu quero te dizer algumas coisas, mas não estou me sentindo bem...

— Diga amanhã, eu vou levá-lo para casa, hm?

— Não. Eu quero dizer agora.

Solto o braço do menor e passo a olhá-lo. Tenho medo de me perder em seus olhos e não conseguir dizer nada, mas preciso resistir, por mim e por Luhan.

— Está bem. Estou lhe ouvindo, então me diga, uh?

A voz doce e o sorriso sereno me dão forças para continuar, então eu o agradeço mentalmente, retribuindo o sorriso de forma terna.

— Acho que nunca lhe disse antes, mas desde quando o conheci, senti algo bom vindo de você. Eu sei que pode parecer estranho e você pode não saber o que dizer depois de me ouvir, então não precisa dizer nada, só guarde bem essas palavras. As pessoas, por muitas vezes, escondem coisas e sentimentos que são importantes para elas, apenas para proteger quem amam, e isso dói... dói esconder que você sente algo tão grande a ponto de te sufocar caso você não conte isso a alguém, mas as pessoas são tão preocupadas em poupar quem amam que se esquecem de se amarem. Mas às vezes é realmente inevitável cuidar sem esconder algo — pauso, sentindo meu corpo começar a suar e sorrio novamente para ele, que me olha com uma expressão confusa e preocupada. — O que eu quero dizer é que, se algum dia eu lhe esconder algo, é porque eu te amo e quero protegê-lo. Você me entende?

Enquanto digo tais palavras, não sou eu ali, e ao mesmo tempo sou, não são as minhas palavras ali, e ao mesmo tempo são. São os sentimentos de Luhan, e ao mesmo tempo são os meus. Mas Minseok nunca vai saber sobre mim, pois é Luhan quem ele vê.

— Sim, eu entendo, mas por que está dizendo coisas assim? — pergunta em tom compreensivo, mas a preocupação permanece em sua face.

Apenas peço que me abrace e ele assente me abraçando apertado.

— Baozi...

— Hm?

— Olhe pra mim.

Com toda sua delicadeza, ele se afasta minimamente de mim para poder olhar em meu rosto -mais pálido que o normal- e logo vejo um sorriso se formar no seu.

Talvez seja errado fazer isso, ou talvez não tenha importância perto do que pode vir a ocorrer amanhã ou depois, não sei. Essa seria a primeira vez que Luhan faria isso com ele, e seria uma lembrança falsa para o menor, não?

De qualquer forma, ele nunca vai saber disso. E quanto a Luhan, eu posso fazê-lo se recordar do que eu desejar.

Deixo meus olhos passearem algum tempo sobre os traços bem desenhados do rosto de Minseok, observo cada detalhe como se fosse a última vez que eu fosse vê-lo, e é. Levo minha destra até sua bochecha esquerda e ali a repouso cuidadosamente, passando a acarinhar sua pele macia com as costas de minha mão. Neste momento, o vejo encolher-se timidamente enquanto sorri de forma contida, e com minha mão livre vou até seus cabelos, enrosco meus dedos entre seus fios e brinco suavemente com suas madeixas.

— Luhan... — diz baixinho, fechando os olhos enquanto aproveita as carícias que lhe faço e, por um instante, volto a sentir ciúme por saber que para ele é Luhan que está ali.

— Minseok — sussurro e me aproximo dele enquanto seguro sua bochecha com minha destra, logo nossos rostos estão a poucos centímetros um do outro. Um sorriso discreto e um baixo suspiro são um consentimento para que eu possa selar seus pequenos lábios de forma gentil. Com meus olhos fechados, percebo Minseok entreabrir seus lábios minimamente, dando-me passagem para o início de um ósculo calmo e lento.

Ansiedade, as borboletas no estômago, a falta de palavras e todas essas sensações bobas que deixam pessoas apaixonadas em estado emocional instável... Minseok me faz sentir.

Eu poderia ficar ali naquele banco com ele para sempre, mas só tenho mais 1 hora neste corpo e preciso dormir, antes que eu seja arrancado daqui de forma dolorosa.

Eu gosto de olhar pra ele, simplesmente olhar, enquanto ele olha pro Céu, porque só a presença dele já me basta, sua respiração já me é um alívio. Mas eu mentiria se dissesse que não quero ficar, que não quero tê-lo pra mim.

— Vamos pra casa?

— Uhum.

De todos os sorrisos que eu já vi, o dele, com certeza, é o mais lindo de todos. Cada vez que ele sorri é como se o resto do mundo não existisse.

Notas finais
A história de Luhan e Minseok está dividida em duas partes e continua no próximo capítulo...