Por Toda A Eternidade

9 Capítulo 9 - Depois de um dia ruim, Uma noite boa


Notas iniciais
olá
então
comentem a fic no twitter #PorTodaAEternidadeBarnalia
sem mais
adeus


Julia se sentou no chão, apoiada na parede, e continuou a chorar. Odiava as lembranças. Odiava ser tão fraca à elas. Odiava o fato de ter se apaixonado por um homem comprometido novamente. Odiava o fato de Barnabas ter tentado matá-la. E odiava ainda mais o fato de não conseguir odiar Barnabas como ele merecia.
Mal sabia ela que o vampiro ainda estava na sua porta, escutando o choro melancólico dela.
"Pare de chorar. Faça qualquer coisa mas pare de chorar" sussurrava ele contra a porta.
Ela não ouvia absolutamente nada. Nem sequer notava a presença dele ali. Mas sabia que ainda, apesar de tudo, o amava. E Julia odiava amá-lo.

No jantar, Julia não apareceu. Elizabeth foi procurá-la, mas a médica não abriu a porta. Ficou como uma criança depois de brigar com alguém. Deitada na cama, com lágrimas secas no rosto e abraçada a um travesseiro.
Barnabas passou a noite acordado, andando pelos jardins, formulando hipóteses para o estranho comportamento de Julia. Ele sabia que a médica gostava dele, sentia isso. E os dois estavam prestes a dormir juntos, mas ela recusou. E o expulsou do quarto.
Depois ela não apareceu no jantar, não abriu a porta do quarto o resto do dia. Nem um sinal de vida nem nada.
Ele, então, decidiu consertar as coisas, ou tentar pelo menos.
Já era bem tarde da noite, mas ele iria tentar mesmo assim. Barnabas foi até seu quarto e bateu na porta delicadamente.
– Quem é? — a voz delicada e rouca de Julia sussurrou para a porta
– Sou eu, Barnabas — ele respondeu
Julia espiou pela fresta da porta o vampiro. Ele notou os olhos escuros e brilhosos da mulher. Estaria ela chorando até agora?
– Vai embora — disse ela, fechando a porta
– Julia, por favor, podemos conversar?
– Eu sei muito bem o que você quer com essas nossas conversas — disse ela, contra a porta
Barnabas suspirou fundo. Não podia levantar a voz, então tinha que se concentrar para não surtar completamente.
– Julia, que me ouvir? Podemos agir feito dois adultos normais por favor?
– Ah, sim, dois adultos vampiros normais — ela debochou
Ele revirou os olhos.
– Você sabe que não isso — bufou ele
A ruiva sorriu tristemente do outro lado da porta. Deixá-lo irritado era legal. Barnabas abafou uma risada.
– Você gosta de me irritar, não é mesmo, Doutora?
Ela sorriu do outro lado.
– Adoro — admitiu ela — Ainda está ai?
Ele levantou as sobrancelhas.
– Estou.
– E não vai embora?
– Não enquanto não me conceder a conversa que quero — ele respondeu, encostando o ombro direito na porta
– Eu sei onde essa conversa vai dar, dispenso.
– E se eu prometer que nada vai acontecer?
Julia sorriu. Já tinha ouvido algo parecido uma vez e havia prometido que nunca mais acreditaria nisso. Mas agora parecia diferente, muito diferente.
– E por que eu deveria acreditar em você, Barnabas?
Barnabas riu.
– Nem eu mesmo sei, madame. Terá que abrir a porta para saber.
Julia encostou a cabeça na porta. Ainda estava chateada e confusa, mas Barnabas lhe trazia uma segurança que nem mesmo ela sabia de onde vinha. E se chorasse, e se fizesse alguma besteira? Pois é, Julia estava quase sem saída. Tinha tanta vontade de ir falar com Barnabas, de abraçá-lo e tudo mais, mas como controlar esse sentimento em meio a tantas lembranças?
– Ainda está ai, Doutora? — perguntou o vampiro
Julia respirou fundo e abriu a porta. Barnabas se afastou lentamente para que ela pudesse sair. Os cabelos ruivos estavam delicadamente escovados e caiam como cascatas sobre o colo da médica. A camisola branca de seda era comprida e combinava direitinho com o hobby branco também de seda.
– Vamos logo — disse ela
Barnabas se aproximou para entrar no quarto dela, mas ela o interrompeu.
– Não, no meu quarto não.
– Então aonde sugere que conversemos?
Ela bufou.
– Sei lá, qualquer lugar menos no meu quarto.
Barnabas observou a médica. Adorava admirá-la. Sempre que possível gostava de olhar para o seu cabelo, para o seu corpo, para suas roupas. Gostava de admirá-la porque ela era linda.
Julia mordeu o lábio inferior na tentativa de reprimir um sorriso, mas não conseguiu. Ela comprimiu os lábios e olhou para o chão. Barnabas ainda olhava para ela como se ela fosse a oitava maravilha do mundo e isso a deixava constrangida. Ela levantou o olhar.
– Que foi? — perguntou ela
Barnabas sorriu discretamente.
– Nada. Nada eu só estava olhando para você.
Ela riu.
– Tá bom, aonde quer conversar? Pode ser aqui mesmo?
– Não, não — disse Barnabas, olhando para os lados — Alguém pode ver. Seu consultório, talvez?
– Por Deus, lugares fechados não.
Barnabas pensou um pouco.
– O jardim, talvez?
Julia o olhou. Sim, o jardim era o local mais apropriado.
Os dois, então, seguiram para o jardim. A noite estava fresca, mas havia algumas nuvens pesadas no céu. A lua? Não, não estava cheia. Mesmo assim, o clima daquela noite favorecia muito o bom humor da médica.
Quando chegaram ao jardim dos fundos, Julia sentou num pequeno muro e disse:
– Pode começar.
Barnabas limpou a garganta.
– Muito bem, eu...Eu queria pedir desculpas por tudo o que está havendo de ruim desde que você retornou à esta casa. Quero pedir desculpas em nome de Jossete e em meu nome também. Seja lá o que lhe aborreceu mais cedo eu espero que não volte a incomodá-la novamente. Eu só não quero vê-la chorando.
Julia olhou para os próprios pés e não conseguiu encarar Barnabas novamente.
– Poxa isso é, isso é tão bacana. Obrigada mesmo, Barnabas. Está desculpado.
Ele sorriu e se sentou ao lado dela.
– Então, neste caso, obrigado por me desculpar — brincou o vampiro
Julia riu junto com ele por um tempo.
– Bem — disse ela — Acho que eu vou voltar para o meu quarto.
Dizendo isso, ela se levantou e deu as costas para ele. O vampiro, no entanto, segurou a sua mão, se levantando também.
Barnabas se aproximou lentamente da mulher, que abaixou o olhar e se manteve parada.
– Barnabas, quando você disse que nada aconteceria eu — gaguejou ela — Eu achei que nada aconteceria mesmo.
– Shiii, eu disse que não aconteceria e nada aconteceu.
Julia engoliu um seco.
– E eu queria saber o que tem contra algo acontecer aqui, Julia — sussurrou o vampiro
Julia abriu a boca mas não sabia o que dizer, então resolver admitir.
– Não sei o que dizer, Barnabas.
– Mas por que? — brincou ele
– Porque eu não sei nem o que pensar disso tudo — disse ela, se afastando
Barnabas olhou de um lado para o outro, procurando uma resposta.
– Certo, me desculpe — pediu ele
Julia sorriu.
– Agora vai ser assim. Toda vez que me chatear vai me pedir desculpas e vai estar tudo bem, é isso?
– Acredite, madame, toda vez que eu lhe chatear terei que fazer muito mais do que simplesmente lhe pedir desculpas.
Julia começou a rondá-lo.
– Tipo?
– Não sei — riu Barnabas — O que a senhora, Doutora, quiser.
Julia gargalhou e parou a frente dele.
– Ajoelhe-se — mandou ela
Barnabas arqueou a sobrancelha.
– Ajoelhe-se — mandou ela novamente, só que desta vez rindo
O vampiro riu e se ajoelhou.
– Doutora Julia Hoffman — disse, em meio às gargalhadas dela e suas próprias — Me desculpe por tê-la chateado tantas e tantas vezes com besteiras feitas por mim ou por outro alguém.
Julia riu e tocou o ombro dele.
– Muito bem, está desculpado. Pode se levantar.
Barnabas se levantou e ficou bem perto da ruiva, que até agora ria feito louca. Ele acompanhou o riso dela, que aos poucos se transformou num sorriso terno e calmo. Ela aproximou o rosto do dele e deu-lhe um beijo na bochecha.
– Isso foi pelo que fez — sorriu ela
Barnabas ponderou um pouco.
– Francamente, madame, acho que o que fiz merece muito mais do que isso — e então enlaçou a cintura dela e beijou-a lenta e delicadamente. Julia tentou relutar no começo, não queria se magoar novamente, mas Barnabas era tão diferente.
Julia continuou a beijá-lo querendo que durasse para sempre, porque sabia que quando acabasse seriam obrigados a finalizar aquela conversa tão boa que tiveram e ela poderia ser esquecida por causa de um beijo.
O vampiro foi afastando os lábios lentamente dos dela, fazendo-a se desanimar. Quando abriram os olhos, Julia tentou se afastar dos braços de Barnabas, mas ele não deixou. Deixou-a aprisionada em seu abraço.
Barnabas segurou o queixo dela e virou para si.
– Por que você sempre foge?
Julia o encarou intensamente.
– Por que acha que eu fugo?
– Porque você sempre sai de perto de mim depois que nos beijamos — riu-se ele
A ruiva riu junto.
– Bom — disse ele — Seja lá o que você tem que fazer depois que me beija eu não quero que você vá fazer, certo?
Ela ficou indignada.
– Está insinuando alguma coisa, senhor Barnabas?
Ele arregalou os olhos.
– Não, não é isso. Me desculpe, novamente. Me desculpe, eu não tive a intenção... — tentou se explicar, mas logo Julia explodiu
– Urgh, Barnabas, quer parar de pedir desculpas?
A expressão furiosa dela era ameaçadora e fascinante ao mesmo tempo. Barnabas até sorriu.
– Está rindo do que? — perguntou ela
– Nada, nada — disfarçou o vampiro
– Barnabas Collins você está curtindo com a minha cara?
Barnabas, então, caiu na gargalhada, soltando o abraço que dava em Julia. Ela ficou mais irritada ainda.
– Muito bem, boa noite — disse ela se virando
– Não, espere — disse Barnabas, puxando a mão dela
Julia se virou novamente para ele.
– Ah, diga logo de uma vez o que você quer, Barnabas Collins, eu já não aguento mais isso — gritou ela
A raiva que ela sentia podia ser vista de longe e Barnabas queria acalmá-la. Ele chegou perto e acariciou o rosto da médica, que foi relaxando aos poucos. Ele passou os dedos longos pelos fios compridos do cabelo dela. Ele varreu com o olhar cada curva do rosto pálido de Julia Hoffman, guardando na mente cada detalhe dela. Desde os olhos escuros aos lábios ligeiramente rosados. Os traços delicados dela o chamavam.
– Você é linda, Julia — sussurrou Barnabas, com um ar sonhador.
A médica ficou surpresa com a verossimilidade daquelas palavras. Elas eram tão verdadeiras quanto o amor que ela sentia pelo vampiro e isso foi o bastante.
Ela acariciou o rosto dele também, sorriu e o beijou.

...

No dia seguinte, Julia não apareceu no café da manhã e nem no almoço. Elizabeth foi procurá-la em seu quarto mas ela não estava lá. A cama ainda estava arrumada, o que significava que ela nem sequer dormira lá.
Barnabas ainda se lembrava do que ela havia dito
"Nenhuma palavra sobre essa noite"
Agora Julia havia sumido novamente, e o vampiro não fazia a mínima ideia de onde encontrá-la.



Notas finais
comentem bastante
ah, esse capítulo vale uma recomendação?
beijos
#PorTodaAEternidadeBarnalia