Por Toda A Eternidade

10 Capítulo 10 - Loiro do olho Azul


Notas iniciais
olá
meu presentinho ta aqui p vcs
espero que gostem
muios tweets #PorTodaAEternidadeBarnalia
amo vcs anjos
boa leitura :3

Julia usava uma capa escura por cima do corpo, assim como luvas. Andava sem rumo pela praia. Os sapatos protegiam seus pés e o sorriso em seu rosto era confuso. Pensamentos alternados faziam a cabeça de Julia, que passara a noite andando de um lado para o outro na cidade, acabando por se alimentar de um grupo de amigos num luau.
Barnabas era tão diferente quando queria ser. Era diferente do homem exótico e pelicular que ela conheceu, diferente do homem apaixonado que estava pronto para várias transfusões de sangue, diferente do assassino frio que a matara. Na noite anterior, ele provou à medica que, apesar dos 200 anos de diferença, ele era um homem comum, que gostava de conversar e brincar.
E mais, Julia não sabia como, mas Barnabas estava conseguindo tocar cada parte do coração frio e sem vida dela, deixando-a constrangida e com insônia.

Mais tarde, ela retornou à Collinwood. Elizabeth foi a primeira a recebê-la.
— Julia — disse, abraçando-a — Onde você se enfiou? O Sol está escaldante e você ai fora.
— Calma, eu estou bem. Eu só — o olhar da médica foi em direção a Barnabas — Eu só precisava sair um pouco.
Jossete não estava presente, mas algo dizia a Julia que o clima daquela casa não era um dos melhores.
— O que aconteceu aqui, Liz? — perguntou ela
A matriarca suspirou.
— Tudo.
Julia se dirigiu ao quarto de David. Chegou perto do menino que chorava agarrado a uma almofada.
— David — chamou ela — David, o que aconteceu, querido?
O menino soluçava tanto que não conseguia falar, então Julia se sentou na cama e o menino pulou imediatamente para o seu colo, abraçando-a.
— Dra. Hoffman, a minha mãe não voltou mais pra conversar comigo. Eu to me sentindo tão sozinho — e voltou a chorar.
Julia o abraçou e sussurrou:
— Shii, shii, se acalme. Vai ficar tudo bem, você não está sozinho. Você tem a sua tia Elizabeth, você tem a sua prima, você tem a Vicky e o Barnabas...
Mas o menino não parava de chorar.
Julia tentou de tudo para acalmá-lo, mas não conseguia de jeito nenhum.
— David, eu estou aqui. Eu não vou te deixar sozinho, mas pare de chorar — e fechou os olhos
O menino se acalmou aos poucos, ainda abraçado a médica. Ela fazia carinho nele, confortando-o. Se era verdade o que ele disse, crises assim seriam comuns.
— Você quer ir ao meu consultório conversar?
Ele disse que sim, assim, Julia e David passaram horas e horas lá, enquanto outros fatos completamente perturbadores ocorriam na casa.
— David, querido, agora que você já está mais calmo, volte para o seu quarto, qualquer coisa eu vou lá — sorriu a médica
O menino voltou para o quarto e ela foi andando pelos corredores. Foi quando ouviu gritos. Gritos femininos.
— Mas mãe...
— Não, Carolyn, você não vai sair e eu não vou te levar. — e Elizabeth saiu do quarto da filha, furiosa
Julia, que estava parada na frente do quarto, estranhou.
— Qual foi a briga desta vez?
— Ela quer sair com os amigos mas a noite, não Julia.
A médica revirou os olhos e acompanhou a mulher até o escritório dela. Novamente, gritos foram ouvidos.
— O que está acontecendo? — perguntou a ruiva
— Parece que o relacionamento de Barnabas e Jossete não vai muito bem.
Julia sorriu. Seria por causa da noite passada?

...

- Você não passou a noite nesse quarto. Onde esteve? — perguntou Jossete
— Eu passei a noite acordado — retrucou Barnabas
Jossete bufou.
— Ah é? E com quem?
Barnabas suspirou.
— Sozinho. Pelo amor de Deus, com quem mais eu passaria a minha noite senão com você? Jossete você é a minha namorada.
Ela se acalmou um pouco e disse:
— Muito bem, desculpe o grito. É que eu te amo tanto que fico com medo de você me deixar.
E então, o abraçou. Barnabas abraçou-a de volta mas a única mulher em sua mente, neste momento, era Julia. Julia Hoffman e seus cabelos vermelhos, Julia e seus lábios rosados, Julia e seu beijo doce. Era o que pensava. Era só nisso que o vampiro pensava.

A noite já caia e Julia andava pela casa, sonhadora. Quando chegou a sala, Jossete e Barnabas estavam sentados no sofá. Os dois se beijavam apaixonadamente e o vampiro enterrava os dedos no cabelo dela.
Julia assistiu a tudo aquilo por alguns segundos e depois saiu até o quarto de Carolyn. Seu coração doía demais. Sua alma estava sendo estraçalhada a cada passo que ela dava. Por mais que estivesse triste e desolada, as lágrimas não vinham.
— Julia, o que você quer aqui?
— Ainda quer sair com seus amigos? — perguntou a médica,fria
A menina assentiu.
— Então vamos, eu te levo. Não aguento mais um segundo dentro dessa casa. — disse ela
Carolyn, que já estava arrumada, seguiu a médica.
— Vamos pela porta da frente? Minha mãe pode ver. E como conseguiu a chave do carro?
Julia era só raiva por dentro.
— Vamos de conversível hoje. Vem, pela porta dos fundos.
As duas saíram de casa e entraram no carro. Quando Julia deu a partida, Elizabeth se assustou e foi para a janela. A matriarca desceu as escadas que nem uma bala, mas Julia já estava muito longe. Era tarde demais.

...

Enquanto dirigia, Julia repassava na mente os momentos com Barnabas. A conversa que tiveram, os beijos, os toques, os carinhos...Tudo parecia ter sido um sonho, mas ela sabia muito bem que não tinha sido. Ela se lembrava de cada detalhe daquela noite. De cada palavra trocada, de cada beijo.
"Mas parece que para ele tudo aquilo nada significou." pensou ela
Carolyn estava feliz por ir encontrar os amigos, mas algo no rosto da Doutora não a deixava confortável.
— Julia, o que o Barnabas te disse?
A ruiva quase teve um ataque depois da pergunta, mas tinha que responder.
— Ele não me disse nada — falou, fria
Carolyn ficou quieta e não perguntou mais nada o caminho todo.
Quando chegaram, Julia estacionou o carro e disse:
— Bem, são oito horas. Até que horas acha que sua mãe deixaria você ficar?
A menina revirou os olhos.
— Conhecendo minha mãe, acho que seria até umas dez horas, mas Julia... — e estava pronta para reclamar
— Eu sei, eu sei. Me encontre aqui no carro quando for mais de meia noite, pode ser?
A menina sorriu.
— Tudo bem, até mais — disse saindo do carro
— Espera — disse Julia, remexendo na bolsa — Toma, vai precisar.
A menina pegou o dinheiro da mão da médica, não entendendo muito bem o que ela ganharia com tudo aquilo.
— Vai — sussurrou a médica
Carolyn foi e não olhou para trás.
Julia desceu do carro e foi andar pela cidade. Ela queria sair correndo, mas não podia. Queria chorar até não poder mais, mas também não podia. Tinha que se manter calma até voltar para casa, onde teria que ficar calma até chegar ao seu quarto, que era o único lugar na Terra que ela podia desabar. Ela continuou andando sem rumo pelas ruas, até que topou com um homem.
— Desculpe — disse ela
Quando levantou o olhar, reconheceu o homem na mesma hora. O olhar sereno, os olhos azuis como piscinas cristalinas e o cabelo loiro caindo sobre a testa.
— Oh, é você — disse ele
Julia sorriu para ela.
— Me desculpe, eu não vi aonde ia — disse ela
— Não, eu tenho que me desculpar. — disse o loiro
Os dois se encararam por um tempo.
— Bem, já que eu tenho que me desculpar, posso convidá-la para um jantar?
Julia olhou intensamente para ele.
— Não obrigada, eu não estou com fome — respondeu ela
O loiro torceu o nariz.
— Bom, nesse caso, posso oferecer uma bebida?
A ruiva ponderou um pouco. Sim, ela merecia relaxar um pouco.
— Sim, uma bebida eu aceito.
Eles entraram num bar e sentaram numa mesa afastada.
— O que você quer? — perguntou ele
— Whisky — disse ela
O loiro pediu dois whiskys ao garçom.
— Bem, posso começar sabendo o seu nome?
— Primeiro você — disse ela
— George Vianna — ele estendeu a mão
— Julia Hoffman — ela o cumprimentou
— Muito bem, Julia, o que uma moça bonita como você fazia sozinha andando pelas ruas desse fim de mundo?
— Vim trazer a filha de uma amiga para passear com os amigos.
A bebida chegou e os dois, de vez em quando, bebericavam-a.
— E que horas pretende buscá-la? A mãe dela provavelmente disse dez horas.
Julia riu.
— Mas você disse que pode ficar até mais tarde — ele completou
Julia, então, começou a se sentir interessada por ele.
— Como sabe?
— Palpite — ele deu um gole
— Mas e você? O que faz nesse fim de mundo?
— Digamos que eu não tenha outro lugar no mundo para ir — admitiu ele
Ela riu e bebeu do whisky.
— Posso perguntar uma coisa? — disse ele
Ela arqueou a sobrancelha, e então ele continuou.
— Por que todas as vezes que eu lhe encontrei, estava cabisbaixa? Naquele dia foi assim, hoje foi assim, por que?
Julia encostou as costas na cadeira e piscou algumas vezes.
— Namorado? — perguntou George
A ruiva deu um sorrisinho triste.
— Quem me dera que fosse.
— O que ele fez? Te dispensou? Te traiu?
Julia continuou olhando para o nada tentando encontrar a frase certa para responder. Mas ela não vinha. George observou o olhar triste dela.
— Foi com você que ele traiu, não foi? — ele disse com a voz terna
A médica desencostou da cadeira e aproximou o corpo dele.
— Como consegue ler a minha mente?
George sorriu.
— Eu não leio a sua mente, eu só digo o que eu consigo entender em você.
Julia arqueou a sobrancelha.
— Sempre me disseram que eu era uma pessoa difícil de se entender.
— Deve ser por isso que eu consigo entender. Porque ninguém mais consegue.
Julia sorriu.
— Você não é um garanhão. Você era um cara comum que sofreu uma grande perda na vida. E não sei porque está aqui.
George sorriu.
— E você sabe ler mentes, também?
— Sou uma psiquiatra, é o meu trabalho.
— Ah, isso explica muita coisa.
Ele bebeu todo o copo e pediu mais um.
— Explica, o que, por exemplo? — indagou ela
— O fato de você se sentir estranha quando alguém consegue te entender. Veja bem, você é uma psiquiatra, o seu trabalho é entender os sentimentos das pessoas. Mas, se você é quem faz isso, quem vai entender os seus sentimentos?
Julia ficou admirada.
— É uma boa resposta. Impressionante.
George agradeceu.
— O que aconteceu com você? — perguntou ela — Quem você perdeu de importante na sua vida?
— Minha mulher e minha filha — ele admitiu — Ao mesmo tempo. Elas morreram no parto.
Julia baixou o olhar.
— Eu sinto muito.
— Ah, não sinta. Não consigo imaginar só uma delas morrendo. Foi melhor assim.
Julia sorriu.
— Você parece ser bem resolvido, George.
Ele sorriu tristemente.
— Talvez. Mas você sabe. Uma consulta com uma psiquiatra não ia mal.
Os dois riram e passaram horas e horas conversando sobre tudo e sobre nada. Estava tudo tão interessante que Julia nem sequer se lembrou de Barnabas.

Notas finais
oq acharam? comentem muito muito muito que depois eu respondo
ah, a tag, NÃO ESQUEÇAM DA TAG #PorTodaaEternidadeBarnalia
até