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5 IV - But I'm so caught up in drama!
Notas iniciais
[RIDDLE MANAGEMENT | SÁBADO – 14 DE OUTUBRO, 2017]
Seis e vinte da manhã.
Aquele foi o horário em que eles haviam sido acordados, celulares explodindo pela casa enquanto tentavam entender o que diabos estava acontecendo.
Seis e trinta e dois e eles estavam todos vestidos e entrando rapidamente em um carro preto com vidros escuros, acompanhados de vários seguranças grandes e muito sérios enquanto o motorista acelerava pelas ruas desacordadas de Londres.
Seis e quarenta e três era o horário impiedoso em que eles foram praticamente arrastados para dentro da Riddle Management.
Seis e quarenta e quatro e eles estavam sendo encaminhados até estarem em frente à homens e mulheres de terno que se comportavam como se a terceira guerra mundial estivesse prestes a explodir sobre suas cabeças.
Seis e quarenta e cinco e ele foi impedido de sentar ao lado de Remus na sala de reuniões, sendo empurrado não muito amigavelmente à duas cadeiras de distância, obrigado a ficar de frente para Lucius Malfoy.
Seis e quarenta e seis da manhã e seu celular não emitia nenhum sinal indicando que seu advogado havia recebido suas mensagens e que seria capaz de ir ao resgate deles.
Seis e quarenta e sete da manhã e ele trocou olhares com Peter, Remus e Mary.
Seis e cinquenta e nenhum deles sabia o que diabos estava acontecendo.
Seis e cinquenta e cinco e a porta da sala foi fechada, a agitação foi morrendo enquanto os “comensais da morte”, como Sirius carinhosamente apelidara, sentavam em suas cadeiras e organizavam seus papéis e iPads.
Sete horas em ponto e a reunião começou.
— Você tem noção da bagunça que vocês fizeram? — A voz cortante de Lucius Malfoy ecoou pela sala de reuniões, seus olhos frios vagaram entre os quatro deles, fixando-se sobre Sirius enquanto se estreitavam. — Por que o Potter não está aqui? Onde ele está?
Sirius estremeceu e repreendeu-se por isso.
Ele odiava aquele homem – na verdade, ele odiava todas aquelas pessoas naquela estúpida empresa que servia unicamente para lucrar com o sacrifício dos outros – e odiava ainda mais o efeito que Lucius tinha sobre ele.
Aquela sensação dolorosa em seu estômago, o sentimento que se arrastava por sua pele toda a vez que alguém do gerenciamento o encarava por tempo demais, julgando-o e fazendo-o se sentir como se nunca fosse bom o suficiente. Como se ele fosse errado. Como se não fizesse nada certo.
O pior de tudo era que, em noventa por cento dos casos, eles estavam certos. Sirius estava acostumado a estragar tudo, a fazer com que precisassem correr para aquela empresa em horários horríveis como aquele. Uma entrevista aqui, uma foto ali e, boom, tudo explodia em suas caras e eles precisavam fazer “a poda de arestas”, como a gestão gostava de chamar. Precisavam organizar planos de contra-ataque sobre qualquer merda que Sirius pudesse ter feito.
Só que, daquela vez, Sirius não fizera nada.
Na verdade, ele podia honestamente dizer que fazia muito tempo que ele não fazia nada ou, bem, qualquer merda que ele pudesse ter feito nas últimas horas (incluindo suas palavras levemente insinuantes na entrevista da noite anterior) já havia sido corrigida, portanto aquele olhar pairando sobre a face de Lucius não era nada senão exagerado.
Sirius respirou fundo, sentindo-se estremecer.
— Não faço ideia. — Respondeu, feliz que o tom de sua voz não demonstrasse o tremor de seus interiores.
Pelo canto do olho ele pode perceber que Remus o encarava e foi preciso muita força de vontade para que ele não retribuísse o olhar.
Os olhos de Lucius estreitaram ainda mais.
— Você não faz ideia? — O homem repetiu, sua voz soando incrédula. Sirius cerrou os punhos abaixo da mesa, raiva lavando-se sobre ele. Como era possível que em tão pouco tempo uma pessoa pudesse despertar tantas reações negativas nele era algo que nunca conseguira compreender desde o início de suas interações com Lucius.
— Não, eu não faço.
— Oh... então quer dizer que a dupla dinâmica, os “best friends for life”, o “maior bromance da internet” e toda essa merda... não estão se comunicando? — O sarcasmo praticamente escorria das palavras de Lucius. — Há algo que devemos saber? Ooh, vocês brigaram?
O sentimento violento que lavou os sentidos de Sirius era forte, porém totalmente inevitável – assim como basicamente todas as reações brutais que estar em uma sala com aquele homem despertavam nele.
Antes, porém, que ele pudesse achar uma resposta sarcástica à altura – ou, pior, saltar sobre a mesa e rasgar o rosto de Malfoy em pedaços – Peter, que estava sentado ao lado direito de Sirius, colocou uma mão calmante sobre sua perna esquerda, apertando-o levemente num claro sinal de “cale a maldita boca” antes de intervir.
— O que Sirius está tentando dizer, Malfoy, é que nenhum de nós conseguiu se comunicar com James desde que terminamos a entrevista do The Aurores Show ontem à noite. — Seu tom era pungente e sincero.
Lucius ficou em silêncio por alguns instantes, olhando de Sirius para Peter como se os avaliasse.
Por fim, ele assentiu.
— Bem, bem, tudo bem. Então ninguém faz ideia de onde diabos está James Potter! — Lucius exclamou e passou as mãos pelos cabelos, parecendo totalmente desgostoso.
Ao seu lado, Bellatrix bufou.
— James Potter, somente um dos integrantes da maior boyband do mundo se perdeu pela noite e ninguém consegue entrar em contato com ele. Isso é realmente esplêndido! Principalmente depois da enxurrada de ideias de manchetes e pedidos de entrevistas que recebemos novamente esta madrugada por conta das aventuras do Potter. — A voz da mulher era tão impregnada de veneno que Sirius estremeceu. — É tudo o que precisávamos, realmente, mais um escândalo e-
— Me desculpe, Sra. Lestrange, mas eu acho que isso é um pouco precipitado de se dizer. — Mary interrompeu a mulher, recostando-se contra a cadeira e assumindo a postura “advogada” que Sirius reconhecia de longe de todas as vezes que ela interviu em uma briga entre os quatro. — Quero dizer, a entrevista acabou tarde ontem à noite. Nós sabemos que James fugiu da segurança por causa dos fãs e que não atendeu o celular e, bem, são sete horas da manhã! Se ele saiu e bebeu ou, bem, fez qualquer coisa por aí, ele provavelmente ainda não está acordado. Ele é James Potter, vocês trabalham com ele por tempo suficiente para saber que ele definitivamente não é uma pessoa da manhã, então, eu não sei- não vejo qual a finalidade de trazer todos nós aqui tão cedo e fazer todo esse drama por algo que pode ser resolvido rapidamente no momento em que James aparecer. O que ele vai fazer. Provavelmente daqui a poucas horas. — Mary rolou os olhos. — Ele ama o suficiente a banda e os garotos para não fazer nada estúpido como sumir por aí no meio das gravações de estúdio. — Ela deu de ombros e afastou um cacho do rosto, seus olhos escuros brilhando enquanto encarava cada uma das pessoas de terno dentro da sala. — Honestamente, essa reunião é totalmente desnecessária.
E, bem, se ela não estivesse comprometida com o seu bandmate, Sirius provavelmente a beijaria.
Ah, por Deus, a quem ele estava querendo enganar? Ele provavelmente a beijaria no segundo em que saíssem daquela sala.
Um silêncio tenso recaiu sobre todos assim que a garota terminou de falar. Lucius parecia como se quisesse bater em alguém – ha, Sirius definitivamente reconhecia aquele sentimento – mas, para seu crédito, ele teve autocontrole o suficiente (provavelmente adquirido durante os anos em que ele trabalhou com The Marauders) para apenas soltar um longo suspiro.
— Bem. Tudo bem, Macdonald, você fez o seu ponto. — Ele assentiu muito à contragosto.
Avery, o gerente da banda (um poço de antipatia e insira-aqui-todos-os-adjetivos-ruins-que-possa-pensar) que estava sentado ao lado de Malfoy, inclinou-se para a frente, seus olhos escuros cheios de mau humor.
— Ainda assim, caras, vocês estão com problemas. E grandes. — O sorriso malicioso aparente em seus lábios contrastava terrivelmente com a seriedade de suas palavras. Sirius precisou se controlar para não rolar os olhos para o sadismo óbvio de Avery. Babaca. — Potter saiu daqui ontem com os novos contratos dele depois de falar com o Riddle e, menos de dez horas depois, ele já foi lá e fodeu tudo. É bom que ele apareça aqui ainda hoje se ele quiser que as coisas se organizem. Nós temos cerca de vinte revistas diferentes que estão começando a ser distribuídas agora pela cidade, isso para não falar de todos os sites que estão espalhando boatos sobre ele e essa ruiva-
— Lily. — Mary corrigiu-o rapidamente, parecendo odiar o tom de voz do homem.
— Seja o que for, ela não é importante. — Avery rolou os olhos, claramente desgostoso com a interrupção. — Queremos que ela saia da foto o mais rápido possível. Não é bom para a imagem dele-
— Me desculpe, mas o quê? — Sirius bufou, rindo do absurdo que o homem acabara de falar. — Honestamente, Avery, não é bom para a imagem dele? Ele saiu daqui ontem, como você acabou de dizer, com dois contratos! Dois! Vocês vão fazer com que ele pareça um mulherengo asqueroso e traidor, o que todos nós sabemos que ele não é! Eu acho que sua concepção do que é bom ou não para a imagem está bem distorcida!
Os olhos de Avery estreitaram.
— Ela não é ninguém, Black. As pessoas que assinaram aqueles contratos com o Potter são notáveis na indústria-
— O quê? Modelos da Victoria’s Secret de novo? — Sirius disse brincando, mas o silêncio dos gestores foi resposta o suficiente.
Do outro lado, Remus ofegou.
— Você está brincando, certo? — Remus disse, inclinando-se para encarar os dois homens com uma sobrancelha arqueada. — Quero dizer, a internet já acha que Sirius é uma piada por sair apenas com modelos! E agora vocês vão fazer isso com o James também? Sério? Honestamente, onde diabos vocês aprenderam a administrar imagens desse jeito? Porque, sinceramente, não está funcionando!
Bem, aparentemente, Sirius teria de beijar Remus assim que saísse também.
Boa.
— Remus tem um bom ponto, vocês sabem- — Peter começou a argumentar, mas Bellatrix o cortou.
— Sair com modelos é bom para a imagem de vocês. Isso faz vocês aparecerem nos tabloides, o que automaticamente chama a atenção para a banda! — Ela rolou os olhos, cética. — Vocês sabem o que é promoção mútua, garotos, não se finjam de burros. Elas saem com vocês para ter fama e alavancar suas carreiras de modelagem, desta forma, quando elas atingem a fama e saem nas notícias, automaticamente a imagem de vocês é conectada a elas. É uma situação ganha-ganha.
— Ganha-Ganha, exceto pelo fato de que não podemos sair com ninguém que realmente queremos porque estamos sempre envolvidos em algum escândalo contratual. — Sirius deixou escapar, fazendo com que Lucius rapidamente se voltasse para ele. Seus olhos pareciam ser capazes de ler sua alma, dissecar todos os seus pensamentos.
— Você deveria ser mais feliz com o fato de que o tornamos a cada dia mais milionário, Sr. Black. — O homem praticamente cuspiu. — Não ajam como se odiassem tudo o que fazemos. Nós sabemos que vocês não trocariam a vida que vocês têm, os benefícios que vocês têm, por conta de algumas fofocas bem colocadas.
— É claro. — Peter resmungou, irônico, claramente revoltado com o comentário de Lucius.
— Bem, bem, acalmem-se, sim? — Malfoy rolou os olhos e então suspirou. — De qualquer forma, Macdonald tem razão. Não vamos chegar a lugar algum com isso sem o Potter aqui. — Lucius disse, encerrando a reunião com um agitar de dedos. Atrás dele, várias pessoas se afastaram rapidamente, um a um saindo da sala. — Lupin, Macdonald, queremos que vocês vão em um encontro esta noite. Há a estreia de um filme e vocês precisam aparecer juntos. Avery vai passar a informação para Andrômeda, sua Assistente Pessoal, daqui a pouco, então vocês não vão precisar se preocupar com isso até o horário de sair. Macdonald, por favor, acompanhe a Bellatrix para que ela lhe entregue a documentação que faltava entregar para Durmnstrang. Black, você fica. Temos negócios a tratar. E, ah, Peter, Narcissa queria falar com você sobre as suas últimas interações no Twitter.
— Oh. — Peter não parecia muito feliz com a novidade, mas acenou de qualquer forma, apertando o ombro de Sirius antes de erguer-se e sair da sala.
Mary foi logo atrás, seguindo Bellatrix com o cenho franzido, entretanto, Remus não se moveu.
— Sr. Lupin, tenho certeza de que entendeu que a reunião acabou, sim? — Lucius perguntou, suas sobrancelhas arqueando-se em sarcasmo enquanto lançava um olhar questionador para o garoto.
— Sirius ainda está aqui. Eu vou esperar por ele. — A voz de Remus era firme. Sirius quis beijá-lo novamente.
— Você pode esperá-lo lá fora. — Lucius o cortou.
Remus abriu a boca, pronto para retrucar com algo que com certeza pioraria sua situação já não tão boa com a administração, mas com um suspiro cansado, Sirius passou as mãos pelos cabelos e voltou-se para o garoto, interrompendo-o.
— Está tudo bem, Moony. Não deixe a Mary sozinha, ok? Você sabe como ela é quando está perto da Bellatrix. Te vejo em breve, sim? — Ele disse, tentando transmitir uma confiança que não sentia.
Remus, que o conhecia melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, apenas estreitou os olhos para ele, desconfiado, mas ergueu-se mesmo assim.
— Qualquer coisa me liga, ok? — Remus disse e se aproximou de Sirius, beijando sua testa antes de lançar um olhar mortal para Lucius e sair.
Malfoy parecia achar a troca muito divertida, um sorrisinho malicioso brincando no canto de seus lábios.
— O quê? — A malcriação de Sirius soou estridente em sua voz, mas ele não pôde se importar.
— Nada. — Lucius riu e rolou os olhos. — É divertido, apenas... O amor juvenil e todas essas coisas. Não se engane, Black, isso não vai levar a lugar nenhum. Em poucos anos, você e todos esses caras não vão querer se olhar nos olhos. Vocês vão acabar fazendo alguma merda um para o outro e então vão se odiar. Não percam seu tempo bancando melhores amigos. Isso é uma boyband, uma marca e não um passeio no parque entre amigos. — Ele rolou os olhos e afastou os longos cabelos loiros para longe.
Sirius não soube como reagir, sentindo suas palavras como facas alojadas em seus pulmões, impedindo a passagem de ar.
Como ele podia ser tão cruel? Como uma pessoa como aquele homem podia ser responsável por uma banda tão famosa? De que forma ele poderia querer que eles contribuíssem com o trabalho deles se tudo o que faziam era destruir cada um de seus sonhos?
— Oh, por favor, não me olhe com essa cara de cachorro abandonado, Black. Estou sendo sincero aqui, cara. — Malfoy bufou e fez um gesto de descarte com a mão. — Quanto antes você aceitar isso, mais fácil vai ser de agir da forma que precisamos que você aja.
— Você é nojento. — Sirius conseguiu dizer, sua voz soando mais rouca que o normal por conta da raiva.
— Sim, sim. Esse não é nem de longe o pior insulto que recebi. — Lucius suspirou e então puxou uma pasta para si, alcançando várias folhas lá de dentro e empurrando-as para Sirius. — Preciso que você assine isso.
— Me desculpe, mas não vou assinar nada sem o meu advogado. — Sirius cruzou os braços, odiando o fato de ter de ficar sozinho naquela sala com aquele homem. E odiando ainda mais o quanto aquilo o afetava.
Sirius nunca gostou de se sentir pequeno, de se sentir fraco. E era exatamente o que estar na presença daquelas pessoas fazia com ele.
Lucius rolou os olhos, claramente esperando aquele tipo de reação, então puxou mais um papel.
— Aqui. Já falei com o seu advogado. Roockwood concordou com os termos. Ele escreveu essa carta explicando tudo porque não conseguiria chegar aqui a tempo. Leia. — E empurrou o outro papel para Sirius.
—--
Sete e cinquenta e dois da manhã e Sirius tinha um novo contrato. Uma nova namorada em vista. E mais uma lista de coisas que odiava em si mesmo.
X—X
[APARTAMENTO UNIVERSITÁRIO, 512 | SÁBADO – 14 DE OUTUBRO, 2017]
Quando James acordou, nada fazia sentido.
Sua cabeça doía, ele estava suado e sua boca tinha um gosto péssimo, mas certamente aquilo não era anormal – ele era jovem, famoso, rico e imprudente, portanto ele tinha o suficiente de noites de bebedeira para saber como uma ressaca se sentia. Não, o que não fazia sentido era o fato de que o travesseiro abaixo de sua cabeça era certamente mais confortável do que o que ele estava acostumado. Não fazia sentido que o cheiro do edredom que o cobria fosse floral e não o do sabão que Remus insistia em comprar porque “tinha cheiro de limpeza” (o que quer que aquilo significasse). Não fazia sentido que houvesse um corpo quente pressionado contra o seu lado, assim como não fazia sentido o fato de ele estar sem camisa e, obviamente, não fazia sentido que ele não estivesse em seu apartamento.
Ele sentiu o coração acelerar em seu peito, a ansiedade tomando conta de seus nervos. Ele estava prestes a soltar o que provavelmente não seria um grito muito corajoso quando as imagens preencheram sua mente e... ah, ele lembrou.
— Deus. — Um murmúrio suave escapou de seus lábios.
Com medo de ser brusco, James afastou-se lentamente da cama, sentindo o corpo arrepiar quando o ar frio do quarto pegou em suas costas suadas.
Suspirando em alívio, ele agradeceu aos céus por não ter acordado a garota ao seu lado.
Piscando contra a leve claridade que fluía através de uma fresta da janela, James estalou as costas e então encaminhou-se para o que ele lembrou – de seu rápido tour bêbado na noite anterior – ser um banheiro anexado ao quarto. Fechando a porta ao passar, esticou a mão para o interruptor e então apoiou-se na pia para poder encarar-se no grande espelho à sua frente.
Ao ver seu reflexo, James percebeu que as olheiras profundas que estiveram abaixo de seus olhos desde que The Marauders encerrara o tour haviam diminuído por conta da noite surpreendentemente bem dormida; seus olhos castanhos esverdeados estavam mais brilhantes apesar do sono envolvendo-os; seu rosto estava corado e ele se sentia ótimo.
Voltando a atenção para o banheiro à sua volta, James encontrou duas toalhas dobradas em uma prateleira e, imaginando que depois da noite anterior ele poderia se dar ao luxo de se aproveitar da hospitalidade por algum tempo, puxou uma delas, abrindo o chuveiro e deixando a água cair até esquentar.
Assim que o vapor começou a subir, James tirou o resto de suas roupas, dobrando-as e deixando-as sobre a prateleira, sabendo que teria de vesti-las quando saísse, e então entrou sob o jato d’água.
Seu corpo imediatamente estremeceu em alívio, a tensão deixando seus ombros enquanto se ensaboava e tentava catalogar todos os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas de uma forma que fizesse sentido em sua mente:
Primeiro, James havia saído da reunião com a sua gestão na manhã do dia anterior e fora direto para o apartamento, onde se deparara com Sirius e Remus aconchegados no sofá. Ambos lançaram olhares suspeitos para James por todo o tempo em que ele esteve próximo a eles, o que fez com que ele se sentisse extremamente desconfiado.
Depois de explicar rapidamente aos dois sobre seus contratos – recebendo caretas iguais de desgosto ao ouvir sobre a proposta de seu gerenciamento – James pediu que eles passassem as notícias para Peter (que estava, sem surpresa alguma, dormindo) e então correu para trocar de roupa, lembrando que tinha um treino agendado em menos de vinte minutos na academia.
Quando chegou lá – acompanhado de Hagrid, seu guarda-costas pessoal que era certamente a melhor pessoa do mundo, embora possivelmente a pior influência em vida saudável existente já que o homem gigantesco insistia em levar consigo sempre alguma coisa para comer que era estupidamente calórica e que sempre testava o autocontrole de James – foi rapidamente dominado por Roy, seu personal trainer extremamente agitado e cheio de energia (James sonhava em afogá-lo muitas vezes para ser considerado normal), que insistiu em fazer com que cada músculo no corpo de James fosse transformado em nada além de células cheias de dor e cansaço.
Assim, após tomar o que certamente poderia ser considerado um dos banhos mais demorados de toda sua vida, James deixou Hagrid carregá-lo nas costas até o carro (talvez ele tivesse pedido para o homem apostar corrida contra Roy na saída. Talvez) e então foi encaminhado para o estúdio de gravação, onde Sirius, Remus e Peter o estavam aguardando com um take-away cheio de coisas verdes que não pareciam compensar toda a dor e sofrimento às quais James havia sido submetido durante o treino.
Ele comeu mesmo assim, aceitando seu destino e tentando acreditar que seu organismo ficaria feliz em receber algo saudável e não os hambúrgueres que Hagrid estava comendo alegremente do outro lado do vidro.
Ressentindo-se da injustiça do mundo dos carboidratos (ou da falta deles), James deixou-se levar pelas horas no estúdio, escrevendo e testando músicas junto de seus amigos, o que era uma de suas coisas favoritas em sua carreira depois de cantar para multidões.
Quando, por fim, seu horário no estúdio acabou, os quatro deles subiram no carro de Sirius, o qual James decidiu dirigir (Hagrid seguiu-os em outro carro logo atrás) e encaminharam-se para a Universidade de Durmnstrang, onde pegaram uma Mary muito sorridente e parecendo satisfeita consigo mesma.
Remus e Sirius – que estavam sentados no banco de trás – imediatamente atacaram a garota, sussurrando coisas ininteligíveis para ela de modo que nem James nem Peter que estavam nos bancos da frente pudessem ouvir. Os sorrisos malignos estampados nos rostos dos três quando eles finalmente pararam de sussurrar causou arrepios por toda a coluna de James, principalmente pelo fato de que eles continuavam a lançar olhares esquisitos para ele através do espelho retrovisor.
Preferindo não perguntar o que aquilo significava (provavelmente problemas), conhecendo o trio o suficiente para não querer se envolver em qualquer coisa que eles estivessem tramando, James levou-os para casa, onde imediatamente começaram os preparativos para a entrevista que aconteceria em poucas horas.
Quando estavam prontos para ir, Andrômeda – a assistente pessoal da banda e possivelmente a única pessoa que prestava dentro da Riddle Management – chamou um carro para eles, dizendo que os encontraria mais tarde e então os quatro estavam deixando o apartamento, Mary decidindo ficar para trás “por motivos escolares”, o que quer que aquilo significasse.
James não perdeu o sorriso conhecido trocado entre ela, Sirius e Remus, mas, novamente, ele não quis perguntar... o que se provou um grande, grande erro, pois, no momento em que colocou os pés dentro da Hogwarts Radio Studio, tudo pareceu se transformar numa bagunça.
A primeira coisa que James notou ao caminhar pelos corredores, foi a decoração que havia mudado drasticamente desde que eles haviam sido entrevistados ali, quase um ano atrás para promover o último álbum lançado. Haviam fotos pelas paredes, prêmios e flores por todos os cantos, o que era bastante diferente do que ele lembrava de antes parecer um castelo medieval assombrado. James gostou das mudanças, principalmente porque tudo estava mais aconchegante, embora ainda houvesse resquícios medievais pelas paredes de pedra e grandes janelas de vidro antigo.
A segunda coisa que ele notou foram as pessoas que os encaravam, sorriam e acenavam, esmagando-se pelos corredores para poder cumprimentá-los com alegria. A grande maioria, porém, parecia jovem e despojada (outro contraste com o cast que encontrara na última entrevista para a HRS, sendo, naquela época, em sua maioria adultos acima dos trinta anos). Uma das poucas garotas que ele recordava do ano anterior – Dorcas, ele lembrou – foi designada para acompanhá-los e auxiliá-los durante a entrevista; ela era alegre e esfuziante, estava ainda mais cheia de tatuagens e seu cabelo loiro tinha mechas rosa nas pontas (no ano anterior eram azuis). James imediatamente simpatizou com ela.
— Nós tivemos um recast aqui na Rádio, sim. — Dorcas dissera quando James externou seus pensamentos sobre as mudanças. — Muitos dos antigos radialistas estavam querendo se aposentar e, bem, depois que o Show do Chá da Manhã começou a ter sucesso, eles perceberam que talvez um pouco de sangue novo poderia fazer com que a rádio voltasse a crescer. Tem funcionado desde então. — Ela sorriu e então dobrou um corredor à direita, levando-os em direção à um elevador. — E quanto à decoração, isso tudo é coisa da Lily. — Um sorriso carinhoso apareceu nos lábios da garota ao falar sobre essa tal de Lily. Ao lado de James, Sirius e Remus tinham expressões idênticas de curiosidade e surpresa enquanto Peter ofegava. — Ela recém tinha sido promovida para o Show do Chá da Manhã no ano passado, antes ela foi estagiária por um ano, provavelmente foi por isso que vocês não a encontraram quando vieram para a entrevista com o Moody.
— Espere um minuto! — Peter, que estivera muito quieto e muito fixado sobre cada movimento de Dorcas até então, finalmente falou. — Essa Lily é a mesma Lily Evans que tem apresentado o The Aurores Show enquanto o Moody está fora?
— Aquela que fez lágrimas literais descerem pelo seu rosto há alguns dias? — James bufou, irritado ao lembrar do incidente.
Dorcas riu.
— Oh, sim! Ela mesma! Ela é mesmo muito engraçada, principalmente quando está com o Moody. — A garota disse e então saiu do elevador, dobrando à esquerda antes de acenar para outra mulher que James reconheceu como a vice-diretora da rádio, Minerva McGonagall. — Você está indo para o TAS? — Dorcas perguntou para a mulher que assentiu.
— Sim. Diggory e eu estamos terminando de organizar as coisas para as gravações depois do programa. — Ela disse e então acenou para os garotos, um sorriso pequeno aparecendo em seus lábios. — Olá, garotos, sejam bem-vindos!
Eles sorriram e agradeceram a ela rapidamente antes de voltarem a seguir Dorcas pelos corredores sinuosos.
— Lily é realmente incrível! Vocês vão amá-la! — Dorcas retomou a conversa anterior como se não houvesse interrupção.
Peter pareceu encantado.
— Eu já a amo. Ela é bonita? — Ele perguntou rapidamente, seus olhos estrelados, provavelmente imaginando seu casamento com a host da rádio.
— Muito. — Dorcas assentiu com propriedade, quase como se tivesse analisado aquela questão várias vezes antes. — Bem, aqui estamos. — Ela indicou uma porta onde se lia “MOODY – THE AURORES SHOW” em negrito. — McGonagall vai chegar daqui a pouco, mas enquanto isso vou ir apresentando-os para Lily.
Somente quando Dorcas abriu a porta e indicou para que entrassem, James notou a terceira (e provavelmente a mais importante) coisa:
Parada do lado oposto da sala, atrás da mesa mixer, microfones e monitores, estava a garota que James havia beijado semanas atrás. A mesma garota sobre quem ele não conseguia parar de pensar desde então.
Ele não soube o que fazer: se chorar de alegria ou correr antes de fazer um tolo de si mesmo.
Entrementes James tentava controlar sua batalha interna, a garota sequer olhou para ele. Não. Seus grandes (e lindos) olhos verdes estavam fixados sobre Sirius que tinha o maior e mais malicioso sorriso estampado em seus lábios.
James não ficou com ciúmes. Não, não.
(Ele ficou totalmente).
— Você! — Foi o que ela disse, sua voz rouca e grave totalmente incrédula enquanto apontava para Sirius.
— Ei, ruiva! — Sirius sorriu ainda mais em cumprimento, fazendo com que Peter voltasse para ele e o encarasse com as sobrancelhas arqueadas.
— Você a conhece? Sério, Sirius? Você conhece minha host de rádio favorita do momento e não foi capaz de me dizer? — Peter indagou, indignação clara em sua face. James concordou totalmente, afinal de contas, como diabos eles se conheciam?
Ele estava prestes a abrir a boca para reclamar (ou talvez apenas balbuciar de nervosismo em frente a ela), quando a garota o interrompeu.
— Você foi buscar a Mary aquele dia, não foi? Você- oh meu Deus! Você sabia totalmente, não é? Perguntou sobre minha jaqueta e tudo e- oh meu Deus, você é Sirius Black! — Os olhos da garota alargaram-se impossivelmente e ela estava claramente tendo uma revelação. — Oh meu Deus! — Ela então voltou-se para Remus, fixando o olhar sobre ele como se não pudesse acreditar em seus olhos. — Você é o namorado dela, não é? Você é o Remus Lupin, certo? Marlene insiste em dizer que você e o Black- quero dizer — limpou a garganta, bochechas corando enquanto se interrompia — hm, você é o namorado da Mary?
— Você conhece a Mary também? — Peter novamente interrompeu, parecendo bastante perto de começar a arrancar os próprios cabelos.
James não estava muito diferente.
— Sim, eu sou. — Remus disse, ignorando totalmente a pergunta de Peter enquanto se voltava para a ruiva. — E, sim, este é Sirius. E, sim, ele sabia sobre você, embora eu deva assumir que você não sabia sobre nós? — Seu tom era simpático, embora claramente desconcertado.
James sentia-se como se houvesse acabado de entrar em um universo alternativo em que nada mais fazia sentido.
Ao ouvir as palavras de Remus, porém, a garota ofegou, seu rosto inteiro tingindo-se ainda mais de vermelho antes de ela enterrá-lo nas mãos e gemer.
— Deus, isso é humilhante. Mais do que eu pensei que fosse ser, honestamente. — Ela disse, ainda com o rosto abafado.
— Bem, fico feliz com o fato de vocês estarem sendo tão claros, nos incluindo na conversa e tudo o mais. — James finalmente encontrou sua voz, seu tom soando mais mal-humorado do que gostaria, mas, bem, ele estava irritado.
— Hm — Dorcas (que James e aparentemente todos os outros pareciam ter esquecido que ainda estava ali) interrompeu, o cenho franzido em clara confusão. — Desculpe, mas, hm, Lily, o show vai iniciar em vinte minutos, então-
— Oh! — A garota, Lily, James corrigiu-se, ofegou novamente, afastando as mãos do rosto e assentindo. Seu rosto ainda estava coberto de vários tons de vermelho, mas ela parecia um pouco mais controlada. — Ok, certo. Hm- — Ela respirou fundo, claramente tentando se acalmar, e então finalmente voltou-se para James, seus grandes olhos verdes fixando-se sobre os dele, fazendo-o sentir-se como se houvesse acabado de se transformar em uma pilha de gelatina. Patético.
— Oi. — Foi o que escapou dos lábios deles. Realmente, patético, James.
Lily parecia querer morrer. James também queria.
— Oi. — Ela respondeu, ofegante, e então mordeu os lábios. James rastreou o movimento sem sequer pensar, sentindo as próprias bochechas esquentarem ao perceber quão rastejante estava sendo. — Ok, o negócio é o seguinte: eu estava contando com a ajuda divina para que nenhum de vocês soubesse quem eu era, porque, sinceramente, é humilhante, mas, como eu claramente não estou entre os queridinhos das divindades, vocês todos sabem quem eu sou o que é ótimo. — O sarcasmo escorreu de sua voz enquanto ela rolava os olhos para James. Sem perceber, ele estava sorrindo por conta do humor depreciativo dela, fazendo-o recordar da noite em que se beijaram e do quanto se sentira atraído por sua mente rápida. — Certo, bem, nós nos beijamos e, desculpe, eu realmente, realmente não lembro de muita coisa daquela noite — ela encolheu os ombros, as bochechas corando ainda mais enquanto James sentia seu estômago revirar com algo muito parecido com decepção ao ouvir que ela não lembrava de seus beijos.
Mas, claro, ele estava totalmente não decepcionado. Claro.
— Oh, meu Deus, você é a ruiva da revista? — Foi Dorcas que interrompeu o silêncio que se instalou após o comentário de Lily.
Lily gemeu pelo que deveria ser a milésima vez e Peter, que estava claramente irritado por aparentemente ser o único que não conhecia a garota, ofegou ao olhar entre ela e James, finalmente compreendendo sobre o que eles estavam falando.
Sua expressão era de completa traição e James teria rido se não estivesse se sentindo tão confuso.
— Não! — Peter praticamente gritou, choramingando em desilusão e segurando o peito dramaticamente com as duas mãos. — Oh, foda-se, James! Ela ia ser a mãe dos meus bebês! Eu tinha tudo planejado! — Peter gemeu, fazendo com que Remus, Sirius e Dorcas rissem. Lily, por outro lado, parecia muito desconcertada com o comentário de Peter.
James rolou os olhos.
— Ignore-o. Ele se apaixona pelo menos cinco vezes por dia por pessoas diferentes. — Deu de ombros, recebendo um sorriso pequeno de Lily em resposta. James contou como uma vitória.
— Certo. — Ela assentiu e então respirou fundo. — Certo. Bem, como eu estava dizendo: eu não lembro muito, o que seria realmente ótimo se não fosse por todas aquelas malditas fotos que saíram por toda a internet e revistas de fofoca da Inglaterra-
— Do mundo inteiro. — Sirius corrigiu, parecendo deliciado com toda aquela informação.
Lily estremeceu.
— Deus, apenas... ugh-! De qualquer forma, eu tenho essas amigas que são realmente, realmente fãs de vocês e vivem no Tumblr pesquisando qualquer coisa relacionada, o que é perturbador se vocês querem saber minha opinião — ela estremeceu – e, bem, eu normalmente não presto muita atenção quando elas estão discutindo sobre a banda porque depois de tantos anos ouvindo-as babarem por vocês se tornou um pouco irritante, desculpem. O que estou querendo dizer com tudo isso é que eu não fazia a menor ideia de que você era você, embora claramente eu devesse saber. — Lily apontou para Sirius.
— Eu percebi. — Sirius assentiu, sorrindo levemente. — Pensei que talvez você lembrasse quando comentei do casaco, mas você parecia completamente perdida. Imaginei que não fosse fã.
Ela mordeu os lábios novamente. James cerrou os punhos tentando se controlar.
— Desculpe. — Ela murmurou, apologética.
— Nenhuma ofensa tomada, amiga. — Remus disse, sorrindo para ela. — Sabemos que nosso estilo não agrada a todos.
— Oh, na verdade- — Ela começou a falar, mas foi interrompida novamente por uma Dorcas muito ansiosa.
— Lily! — A urgência em sua voz era quase tangível. — Dez minutos para o início! E eu vou chamar a McGonagall enquanto você, hm- explica como tudo funciona para eles.
— Ok, ok. — Lily assentiu e então apontou para as quatro cadeiras dispostas do outro lado de sua mesa, próximas de onde algumas câmeras estavam instaladas. — Merda, eu queria ter mais tempo. — Ela murmurou consigo mesma e então voltou-se para eles. — Vocês provavelmente foram informados de que Moody não seria capaz de entrevistá-los, portanto eu fui escalada para isso. — Lily apontou, recebendo um aceno de todos. — E será que, enquanto fazemos isso podemos ignorar completamente a parte em que nos beijamos? — Ela voltou-se para James que concordou rapidamente. — Ótimo. — Ela soltou um suspiro de alívio antes de sorrir. — Nós vamos começar com algumas perguntas, a maioria delas foram feitas por mim e aprovadas pela sua administração, embora eles tenham adicionado algumas que eles disseram ser indispensáveis — ela franziu o cenho para o papel onde aparentemente as perguntas estavam, parecendo não concordar com a opinião de sua administração. James riu.
— É sobre nosso gosto em garotas, não é? E o que faríamos em um primeiro encontro? — Ele perguntou, sabendo que aquele era o tipo de pergunta exata que ele odiava e que era obrigado a responder em todas as entrevistas.
Lily deu de ombros, tímida.
— Sim. — Ela assentiu e os quatro deles suspiraram.
— Bem, estamos acostumados com isso. — Remus disse e passou uma mão pelos cabelos. — Temos que parecer disponíveis e tudo o mais.
— Mas você não tem uma namorada? — Lily franziu o cenho para ele, claramente desconcertada com o comentário.
Remus corou e pareceu chocado por ter dito tal coisa e, é claro, como sempre acontecia quando Remus estava “em perigo”, Sirius veio para o resgate.
— Ele está se referindo à nós três, é claro. — Sirius pontuou e Lily pareceu compreender que aquele era um tópico encerrado.
Limpando a garganta, ela prosseguiu:
— Hm, bem. Creio que vocês estão familiarizados com a entrevista, certo? Eu estou nervosa porque essa é realmente a primeira entrevista grande que eu faço, então peço desculpas adiantadas por qualquer merda que eu venha a falar. — Lily sorriu depreciativamente, suas bochechas tingindo-se de vermelho.
James tentou e falhou miseravelmente em não a achar adorável.
— Ooh, sério? — Peter parecia como se o Natal houvesse chegado mais cedo. — Isso é incrível, porque eu realmente amo você! Você é incrível e tem as melhores piadas e eu estou realmente chateado que você beijou o James, porque eu acho que seríamos um ótimo casal e-
— Peter! — Remus o interrompeu, enquanto claramente tentava não rir.
— Desculpe. — Peter disse, mas não parecia sentir muito. — O que eu quero dizer é que é realmente uma honra sermos sua primeira grande entrevista. É bom que as pessoas vejam isso, porque você é muito boa no seu trabalho. — E então ele sorriu, do seu jeito Peter de ser, como se não houvesse acabado de falar as palavras mais doces do mundo.
Lily realmente esticou-se através da mesa para segurar a mão do garoto (James precisou morder os lábios para não bufar, embora pelo olhar de Sirius ele tenha visto sua reação), apertando-a e sorrindo suavemente.
— Muito obrigada, Peter. Significa muito. — E então limpou a garganta, voltando para sua cadeira. — Como eu estava dizendo, sei que na maioria das outras rádios os jogos e outras coisas são feitas enquanto estão ao vivo, porém o Moody prefere fazer isso em duas etapas. — Ela afastou uma mecha de cabelo ruivo do rosto, sua postura relaxando enquanto seu profissionalismo aparecia. James achou aquele desenvolvimento extremamente atraente. — A primeira parte, mais focada na promoção de suas músicas e curiosidades, assim como telefonemas de fãs e ouvintes, será feita ao vivo enquanto estamos na rádio. A segunda parte, com os jogos, brincadeiras e mais algumas perguntas, será gravada quando o programa encerrar e iremos postá-la no nosso canal do YouTube às onze horas da noite no Domingo. Desta forma, qualquer coisa que vocês não concordem ou não queiram que apareça na gravação deve ser informada para que possamos corrigir antes do Domingo, certo?
— Se todas as rádios usassem este método nós teríamos bem menos problemas. — Sirius comentou baixinho, de modo que apenas James ouvisse.
— Bem, se vocês não têm nenhuma dúvida, nós temos apenas mais cinco minutos e estaremos no ar. — Lily bateu palmas, parecendo empolgada.
Minutos depois, Dorcas retornou acompanhada de McGonagall e um outro garoto, provavelmente da mesma faixa etária de Lily e Dorcas, que se apresentou como Amos Diggory, “um grande fã”.
Por fim, eles se organizaram, treinados o suficiente de todos os anos de promoções em rádios para saber como tudo funcionava e então Lily estava dando início ao show, sua voz cheia de empolgação e suas piadas rápidas tornando tudo muito fácil de se envolver.
James percebeu que tanto ele como os outros garotos estavam tendo um ótimo tempo enquanto respondiam ligações e as perguntas de Lily, falando basicamente sobre música e curiosidades interessantes, nunca caindo em uma mesmice.
Antes que ele pudesse perceber, TAS havia terminado e eles estavam gravando o resto da entrevista, brincando e praticando jogos enquanto Lily fazia piada de todos eles como se fossem velhos amigos.
Por todo o tempo em que estavam lá, os olhos de James nunca vagaram muito distantes da garota, totalmente encantado com sua personalidade esfuziante e seus comentários muito sarcásticos e, claro, ela era linda. Como, realmente, realmente linda.
Ele sabia que trabalhava em uma indústria em que havia muitas pessoas maravilhosas, mas Lily era diferente. Com suas calças jeans rasgadas e sua camiseta de Doctor Who desgastada, ela deixaria muitas modelos para trás. Seus longos cabelos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo bagunçado e alguns fios caíam em seu rosto – era realmente uma sorte que houvesse uma mesa entre eles, porque James foi assolado muitas vezes com a vontade incontrolável de afastá-los por ela. Seus olhos de um verde tão vivo brilhavam tanto que ele se sentia realmente ultrajado por alguém possuir aquele tipo de olhar e o seu sorriso—
Bem, James tinha cerca de vinte rimas diferentes em sua cabeça para o que certamente seria uma ode aos dentes e covinhas de Lily Evans.
Ela era de tirar o fôlego, era o que era.
Então não foi surpresa alguma quando, depois de se juntar a Sirius e Remus para conversar com McGonagall e Diggory sobre as partes que eles deveriam (definitivamente) cortar da gravação, James se encontrou atraído em direção a ela.
Lily estava conversando com Peter com a familiaridade de duas pessoas que se conheciam há séculos e não há apenas algumas horas. Ambos gesticulavam animadamente e, quando James se aproximou, percebeu que eles estavam falando sobre cordas, de todas as coisas.
— Hey. — James chamou, sentindo o coração acelerar ao ter os grandes orbes verdes da garota voltados para si. — Será que, hm... será que podemos conversar?
As bochechas de Lily imediatamente aqueceram, mas ela assentiu em concordância.
— Sim, eu acho que é uma boa ideia. Vamos para o meu escritório, sim? — Ela disse e então indicou a porta para que ele a seguisse. Com um “volto em breve” para os três garotos, James foi atrás dela, dobrando à esquerda antes de segui-la por um lote de escadas.
— Vocês não têm um elevador? — Ele perguntou, confuso.
— Não gosto de lugares apertados. — Ela respondeu simplesmente. James assentiu e então eles continuaram a descer, um silêncio tenso recaindo sobre eles.
James recordava de pensar em mil maneiras de iniciar uma conversa, entretanto, antes que ele conseguisse pronunciar qualquer coisa, eles saíram por uma porta e se encontraram no corredor do primeiro andar.
Assim que eles saíram, porém, uma sucessão de coisas inacreditáveis aconteceu:
Primeiro, a porta pela qual haviam acabado de sair se fechou com um baque, fazendo com que Lily soltasse um “merda” baixinho enquanto tentava reabri-la.
— Ótimo, eu vou ter que usar o elevador para voltar lá. — Ela rolou os olhos, parecendo odiar a ideia.
James se aproximou e tentou abrir a porta, mas percebeu que deveria ter emperrado.
— Hm-
— Deixe para lá, James, sim? Tenho que enfrentar meus medos e tudo o mais. — Ela disse e sorriu levemente, embora parecesse francamente aterrorizada com a possibilidade de ter de enfrentar o elevador.
James estava prestes a responder com algo reconfortante, mas, naquele instante o segundo acontecimento, também conhecido como um homem de terno e gravata que James lembrava vagamente de ter visto ao seguir Dorcas pela rádio mais cedo, veio correndo pelo final do corredor. Ele parou e quase derrapou quando os viu, seus olhos alargando-se em choque.
— O que...? — Lily começou a perguntar, mas o homem a interrompeu.
— Algumas fãs invadiram. Elas conseguiram passar pela segurança da banda e a nossa também e agora algumas delas estão subindo pelos elevadores enquanto outras estão percorrendo a rádio. — Ele passou as mãos pelos cabelos, parecendo muito próximo de ter um ataque cardíaco. James se preocuparia mais se ele não estivesse tão nervoso quanto ele.
— Merda. — Lily disse e, é claro, foi quando o terceiro acontecimento decidiu vir até eles na forma do som de passos rápidos ecoando pela mesma direção em que o homem estava parado.
Por trás dele, cinco garotas parecendo muito ofegantes e muito desesperadas apareceram e todas elas gritaram ao verem James.
Sem dar tempo de reação, porém, Lily puxou-o pelo braço, correndo e carregando-o por um intrincado jogo de corredores de pedra, dobrando à direita e à esquerda sem um segundo pensamento, claramente acostumada o suficiente com o ambiente para não se perder. James, por outro lado, sentia-se zonzo, perdido e ofegante quando, por fim, saíram por outra porta que acabou por levá-los para uma ruela nos fundos da rádio.
James se afastou de Lily, apoiando-se contra a parede enquanto tentava controlar a respiração.
— Isso foi-
— Um inferno. — Lily completou por ele, tão ofegante quanto. — Elas são sempre assim?
— Não. — James negou, finalmente abrindo os olhos e voltando-se para encará-la. — Normalmente são mais controladas do que isso. Não consigo imaginar como diabos elas passaram pela nossa segurança. Quero dizer, meu guarda é do tamanho dessa porta e os guardas dos rapazes vieram também. Só espero que não sejam groupies.
Lily arregalou os olhos, chocada.
— Bem, agora eu estou realmente assustada com o tipo de fãs que vocês têm. Principalmente porque eu tenho uma vivendo sob o mesmo teto que eu e ela já demonstrou muitos comportamentos assassinos e stalkers. Devo me preocupar?
James riu.
— Talvez você devesse pensar em mudar de casa ou algo assim.
— Merda. — Lily fingiu estremecer e então ambos estavam rindo com força.
Infelizmente, foram as gargalhadas deles que ocultaram o som de novos passos se aproximando.
— POTTER ESTÁ AQUI! — O grito os chocou, fazendo-os pularem de susto e, ao voltarem-se em direção à voz, ambos ofegaram ao perceberem que vários paparazzi com câmeras e algumas fãs estavam correndo em sua direção.
— Foda-se! Que merda está acontecendo? — James resmungou antes de virar para Lily que, mais uma vez, o puxou, parecendo extremamente praticada no ato de fugir de cenas desesperadoras. James tentou anotar mentalmente para perguntar sobre isso para ela mais tarde. Isto é, se sobrevivessem à horda descontrolada que os seguia. — Ei, para onde-
— Cale a boca e me siga! — Lily resmungou, claramente irritada com os flashes que os perseguiam. James não estava muito diferente.
Lily conseguiu esgueirá-los pelo lado oposto da ruela, levando-os para uma rua lateral pouco movimentada sem desacelerar. Infelizmente eles ainda conseguiam ouvir pessoas gritando atrás deles, o que indicava que os paparazzi não estavam muito distantes.
Quando eles viraram à uma esquina, James olhou para os lados em desespero, sem saber como diabos prosseguir. Ele estava prestes a puxar o celular e ligar para alguém quando Lily, que parecia ter um plano formado, puxou-o pelo que deveria ser a milésima vez e o arrastou para dentro de um estabelecimento escuro e levemente caindo aos pedaços que James percebeu se tratar de um bar.
Haviam poucas pessoas no local e todas elas pareciam bêbadas o suficiente para sequer dar um segundo olhar aos dois jovens ofegantes que correram para dentro. James nunca se considerou muito religioso, mas orou silenciosamente em agradecimento para qualquer força divina que estivesse ajudando-o naquele momento.
Eles se encaminharam para o final do balcão do bar, escondidos no escuro o suficiente para que ninguém os visse e estrategicamente posicionados de modo que pudessem observar a entrada.
Assim que sentaram, trocaram olhares e, claro, caíram em gargalhadas, totalmente incrédulos sobre a cena que haviam acabado de presenciar.
Eles continuaram daquela forma, acalmando-se o suficiente para que James começasse a contar para ela sobre as vezes em que ele e os garotos haviam sido atacados pelas fãs, recebendo comentários sarcásticos e divertidos de Lily como resposta.
Em momento algum James lembrou-se do fato de que deveria ligar o celular que havia desligado para a entrevista. Em momento algum pensou que talvez aquela fosse uma péssima ideia e que sua gerência poderia odiá-lo. Em momento algum ele lembrou de avisar onde diabos ele estava para os seus amigos.
Dali para pedir um par de bebidas foi rápido. Mais rápido ainda foi a segunda e terceira rodadas e, então, James havia perdido as contas, sorrindo torpemente para Lily enquanto inventavam histórias de vida para cada pessoa que se encontrava dentro daquele estabelecimento.
Eles riram, beberam, trocaram mais algumas histórias estúpidas e James, sinceramente, não conseguia lembrar de um momento mais divertido nos últimos meses. Isto é, até que eles estavam se beijando contra o balcão, ofegantes, e Lily disse “nós devemos sair daqui antes que alguém tire uma foto, popstar”.
Sem conseguir lembrar da viagem de carro que se seguiu depois, James se encontrou adentrando um apartamento universitário muito arrumado e moderno para ser universitário. Ele lembrava de comentar sobre isso e receber um “eu não ganho muito mal, popstar” de Lily antes de ela se encaminhar para o que deveria ser a cozinha e voltar com dois copos de água na mão.
— Beba, sim? — Ela murmurou para ele e então indicou que a seguisse e fizesse silêncio enquanto esgueiravam-se até o que deveria ser seu quarto.
James não teve muito tempo para analisar o espaço, muito ocupado tentando manter o equilíbrio bêbado enquanto tirava os sapatos e a seguia para dentro sem prestar muita atenção sobre onde estava pisando, o que foi um erro, pois ele acabou tropeçando sobre um sapato e derrubou o que restava de sua água sobre a própria camiseta.
— Merda. — Ele resmungou, estremecendo com o líquido frio que descia por seu peito.
Lily, ao voltar-se para ele, riu e rolou os olhos ao perceber o que havia acontecido.
— É melhor você tirar isso antes que pegue um resfriado, popstar. — Ela disse e ele sorriu.
— Você está me pedindo para tirar a roupa, ruiva? — James indagou, malicioso.
Não parecendo incomodada com a sugestão, Lily terminou de tirar os sapatos e se jogou sobre a cama.
— Faça o que seu coração mandar, Potter. O banheiro está à sua esquerda, caso precise. — Murmurou enquanto puxava as cobertas sobre o próprio corpo, virando-se e fechando os olhos, muito bêbada para se preocupar com o fato de estar indiretamente convidando um cantor internacionalmente conhecido para dormir – literalmente dormir – com ela.
Dando de ombros, James soltou o copo em cima de uma mesa e tirou a camiseta, atirando-a à esmo pelo quarto, também muito bêbado para conseguir se preocupar com a bagunça que estava fazendo. Ele realmente esgueirou-se para o lugar que ela indicou como banheiro, aliviando-se e lavando o rosto antes de retornar.
Sem um segundo pensamento, James ergueu os cobertores e esgueirou-se para a cama, sorrindo levemente ao fechar os olhos e sentir o peso do sono e da embriaguez recair sobre ele.
E foi assim que ele se encontrou tomando banho no banheiro de Lily Evans após o que, provavelmente, fora uma das noites mais incrivelmente insanas e divertidas de seus vinte e dois anos.
James estava tão perdido em pensamentos e considerações, gemendo levemente ao pensar nos paparazzi e no fato de que quase certamente sua gestão deveria estar querendo comê-lo vivo que acabou não percebendo as vozes no quarto até abrir a porta e deparar-se com uma cena um tanto quanto estranha (para dizer o mínimo).
Acordada e sentada na cama, bochechas coradas e olhos arregalados, Lily voltou-se para ele assim que ele saiu, sua expressão era hilária, quase como se não pudesse acreditar no que estava vendo e, parada próxima à porta, olhos ainda maiores que os de Lily e tão pálida que James ficou preocupado, uma garota com cabelos negros e curtos também o encarava, parecendo com alguém que estava vendo a morte encarnada.
— Hm... oi? — Ele murmurou, olhando entre as duas sem saber exatamente como reagir.
Com um suspiro estrangulado, os olhos da morena se revoltaram, ela ficou ainda mais pálida (o que era realmente impressionante) e simplesmente desmaiou, caindo no tapete com um som abafado.
Lily imediatamente ergueu-se da cama, tropeçando sobre as cobertas enquanto tentava se aproximar. James, porém, chegou antes, agachando-se em frente à garota desmaiada e tocando em seu pulso, soltando um suspiro de alívio ao perceber que ainda estava batendo.
— Ela só apagou. — Ele murmurou quando Lily chegou ao seu lado, seus olhos verdes aterrorizados fixados sobre a garota.
— Deus. — Lily gemeu e então inclinou-se sobre a menina. — Bem, ugh- essa é Marlene. Ela é a superfã de quem eu falei.
— Oh. — James disse, compreendendo a situação. Ele não estava exatamente acostumado com aquele tipo de reação, mas também não podia dizer que era a primeira vez que uma fã passava mal ao vê-lo. Era apenas incômodo, era o que era. E, principalmente, fazia-o sentir-se ridículo e extremamente culpado. — Desculpe.
Lily apenas rolou os olhos para ele, puxando a amiga de modo que ela estivesse sentada e recostada contra a cama.
— Você não precisa se desculpar por conta da reação estupidamente exagerada da minha amiga, James. — Ela disse suavemente para ele e então franziu o cenho, lançando um olhar rápido para a amiga ainda desacordada antes de voltar-se para ele e baixar a voz. — Ei, hm- eu lembro de tudo o que aconteceu ontem, ou, bem, eu acho que sim, mas- — Ela limpou a garganta, corando fortemente e desviando o olhar do dele antes de sussurrar: — nós não fizemos nada, não é?
Foi a vez de James sentir as bochechas esquentando.
— Não! Quero dizer, nós nos beijamos no bar, mas, exceto isso, nada. — Ele afirmou rapidamente, sentindo o coração acelerar ao lembrar da noite anterior, embora não tivesse muita ideia do porquê (ha, ha).
Lily pareceu devidamente aliviada com a notícia e estava abrindo a boca para responder quando Marlene decidiu retornar à vida e gemeu.
— Lily. — Ela ofegou e abriu um olho, voltando-se para a amiga enquanto gemia novamente. — Lily- James Potter! Eu tive o sonho mais estranho e-
James sabia que era um erro, mas não conseguiu controlar a risada que escapou de seus lábios diante da cena acontecendo à sua frente.
Marlene imediatamente ergueu-se, colocando uma mão na cabeça para parar o que deveria ser uma tontura pelo movimento rápido, e então voltou-se para ele. Seus olhos tornaram-se três tamanhos maiores do que o normal e James se preocupou seriamente com o fato de ela ter um colapso (novamente) ou qualquer coisa do tipo.
— Marley- — Lily começou a falar, mas a garota ofegou e inclinou-se para James, ajoelhando-se em frente a ele e colocando as duas mãos nas próprias bochechas, quase como se quisesse reviver O Grito em formato 3D.
— Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! OH, MEU DEUS! VOCÊ É REAL! VOCÊ É JAMES FUCKING POTTER! OH MEU, DEUS! EU VOU CHORAR! — E então voltou-se novamente para Lily, segurando-a firmemente enquanto lágrimas explodiam de seus olhos. — Oh, meu Deus, Lily! — Ela soluçou.
Lily, que parecia honestamente não saber como reagir, abraçou a amiga estranhamente enquanto James observava de olhos arregalados.
— Hm- — Ele começou a falar, mas então o choro de Marlene se intensificou, como se ouvi-lo tão perto apenas a tornasse mais emocional (o que provavelmente era verdade), então ele calou-se, preferindo não falar mais nada e evitar que a garota sofresse ainda mais.
— Marley? — Lily sussurrou para a amiga, acariciando seus cabelos carinhosamente enquanto esperava por qualquer reação que não fosse o seu choro.
Não veio.
James, por outro lado, acabara de perceber algo caído no chão que fez com que seu estômago embrulhasse e sua consciência retornasse rapidamente.
— Merda. — Ele resmungou e puxou a revista, observando-se na foto borrada ao lado de Lily, a grande manchete piscando em seus olhos como o grande problema que era “JAMES POTTER FOGE DOS PAPARAZZI (APÓS ENTREVISTA COMPROMETEDORA) ACOMPANHADO”. — Merda. — Ele repetiu e então ergueu-se do chão, correndo até a mesa onde havia deixado seu celular na noite anterior apenas para encontrá-lo quase sem bateria e cheio de notificações. — Merda.
— Ok, o que diabos está acontecendo? — Lily interrompeu sua batalha interior, finalmente parecendo ter conseguido controlar Marlene que ainda estava pendurada sobre ela, porém tinha os olhos arregalados voltados para James.
— Minha administração- — James resmungou enquanto colocava o celular no ouvido e esperava alguém atender. — Eles vão me matar por causa dessa manchete. E também porque eu sumi ontem e não avisei ninguém. Merda.
— Oh. — Lily murmurou, parecendo compreender a extensão de seus problemas.
— Sua gestão é uma merda, não é? — Para a surpresa de James, foi Marlene quem o interrompeu, voz crocante e rouca do choro, embora cheia de razão. Foi a vez de James arregalar os olhos sem saber como responder. — Quero dizer, nós, fãs, não somos estúpidas, sim? Eles derrubam muita merda sobre vocês. Sinto muito sobre isso. — Ela disse e realmente parecia sentir muito.
James sentiu o peito apertar ao ouvi-la dizer aquilo, mas, antes que pudesse responder, Lucius Malfoy finalmente atendeu a ligação.
— Potter. Nós tivemos uma reunião de emergência esta manhã com a sua banda e você não estava aqui. — A voz fria do homem ecoou em seus ouvidos, fazendo-o estremecer.
— Hm, desculpe, eu-
— Te espero em vinte minutos. Temos muito sobre o que conversar, medidas drásticas para tomar e tudo o mais. Chip, chip. — E, sem esperar por uma resposta, ele desligou.
— Merda. — James fechou os olhos e respirou profundamente, tentando acalmar o tremor que percorria seu corpo.
Como ele pôde ser tão estúpido, pelo amor de Deus? Como pôde esquecer dos contratos que assinara? Foda-se, ele não podia cometer erros como aquele! Ele não era mais um adolescente para sair correndo pela cidade e se deixar ser fotografado com uma garota que não tinha nada a ver com os seus problemas gerenciais não apenas uma vez, mas duas.
Passando as mãos pelos cabelos, James voltou-se para onde sua camiseta estava pendurada torpemente, puxando-a rapidamente sobre a cabeça e então voltando-se para procurar seus sapatos.
Ele estava tão nervoso e agitado que não percebeu que Lily e Marlene haviam se erguido do chão e que a ruiva se aproximara até que ela tocou em seu ombro, fazendo-o parar como se um choque elétrico tivesse percorrido por todo seu corpo.
— Ei. — Lily disse, sua voz suave enquanto o observava. James precisou de um momento apenas piscando e tentando relembrar como diabos se respirava por conta da intensidade de seus olhos e de como ela era linda, mesmo desgrenhada do sono. — Você precisa de ajuda com alguma coisa? Está tudo bem?
— Eu... não. Tudo bem. — James assentiu e então ela arqueou uma sobrancelha para ele. — Quero dizer, eu tenho uma reunião em vinte minutos com a minha administração, o que provavelmente vai resultar em muita merda para mim, mas, tirando isso, está tudo ótimo, então-
Lily rolou os olhos, mas assentiu.
— Você precisa que eu chame um táxi? Ou você vai pedir um motorista? — Ela perguntou, já se encaminhando para o próprio celular enquanto o encarava indagativamente.
— Um táxi está ótimo.
Lily assentiu.
— Hm, Marley, será que você pode fazer um café ou-
— Claro! — Marlene rapidamente pulou, seus olhos inchados de choro brilharam na oportunidade de escapar do quarto. James ficou levemente receoso ao observá-la se afastar, principalmente porque ela ainda parecia meio pálida.
— Ela está bem. Ela fez a mesma coisa quando fomos no Meet & Greet do Coldplay no início do ano. Isto é, sem a parte do desmaio, é claro. Embora ela realmente tenha hiperventilado. — A ruiva rolou os olhos novamente e então apressou-se a passar o endereço para a central de táxi que finalmente a atendera. Quando ela desligou, voltou a encará-lo. — O táxi vai chegar em cinco minutos.
— Ok. Obrigado. — James disse, sentindo-se extremamente esquisito por conta de sua situação, principalmente porque havia uma parte assustadoramente grande dentro dele que queria desesperadamente continuar ali, junto dela, embora nada daquilo fizesse sentido afinal eles nem se conheciam direito! Ele decidiu ignorar aquela parte estúpida de si mesmo, franzindo o cenho ao perceber Lily correndo para o banheiro com uma muda de roupas. — O que você-?
— Me espere, sim? — Ela disse sem qualquer explicação, deixando-o parado e sem reação no meio do quarto.
Marlene o encontrou não muito depois, enquanto ele terminava de colocar seus sapatos. Suas bochechas estavam extremamente coradas e ela parecia totalmente mortificada por conta de suas reações anteriores.
James decidiu aliviá-la.
— Tivemos essa fã, uma vez, e ela era realmente apaixonada pelo Peter, então ela surtou num Meet & Greet e pulou sobre ele enquanto tentava se despir ao mesmo tempo. Quando a segurança finalmente tirou ela de cima dele, ela chorou tanto que teve um ataque de asma. Peter e eu a levamos para o hospital, mas, quando ela finalmente se acalmou, pediu para que fôssemos embora porque estava com vergonha. — Ele disse, fazendo-a ofegar enquanto estremecia com a lembrança. Fora uma noite bastante intensa.
— Isso é- uau, eu-
— O que estou tentando dizer é que você claramente não foi a pior, então não precisa se sentir envergonhada ou qualquer coisa. — James disse e sorriu para ela, recebendo um sorriso pequeno em resposta. Ele contou como uma vitória.
— Aqui, eu fiz café para você levar. — Marlene pareceu finalmente perceber o copo de viagem em sua mão, esticando-o em direção à James quase como se tivesse medo de tocá-lo.
— Obrigado. — Ele agradeceu para ela ao mesmo tempo em que Lily saia do banheiro, vestindo jeans pretos e rasgados nos joelhos e uma camiseta igualmente preta com os dizeres “Happy Pride” nas cores do arco-íris. Seus cabelos estavam presos como na noite anterior e ela parecia deslumbrante.
Antes, porém, que James pudesse falar qualquer estupidez como “por favor tenha os meus bebês”, Marlene o interrompeu.
— Onde diabos você vai? — Ela perguntou, perplexa, seus olhos estreitando enquanto observava a ruiva se remexer.
— James precisa de mim na reunião. Você sabe, por causa de todas essas fotos e tudo o mais. — Ela deu de ombros e então sorriu para James, o olhar em seu rosto praticamente implorando para que ele a ajudasse.
James, claro, a ajudou.
— Sim. Eles querem conversar sobre direitos de imagem e toda essa bobagem burocrática. — Ele deu de ombros e agradeceu aos céus por todo o treinamento de mídia que ele teve nos últimos anos e que o permitiram mentir sem ser tão óbvio.
Marlene ainda tinha os olhos estreitos ao olhar entre eles, mas pareceu aceitar a desculpa, fixando um olhar esquisito sobre Lily.
— Vou esperar você voltar, sim? Creio que temos muitas coisas para conversar, Lily. Sinto como se não te visse há anos.
— Oh, certo. Claro! — Lily chilreou, estridente e então correu até James, puxando-o pelo braço e levando-o para fora do quarto. — Vamos, popstar, não queremos perder o táxi, sim?
— Hm-
— Tchau, Marley! — Lily gritou sobre o ombro e então abriu a porta, mas parou logo em seguida, voltando a empurrar James para dentro novamente enquanto observava o corredor. — Ok, tudo limpo. Vamos antes que alguém te veja por aqui! Não queremos mais nenhuma imagem comprometedora vagando pela internet, certo? — E voltou a puxá-lo, carregando-o pelas escadas rapidamente, seus olhos verdes pesquisando pelos corredores por onde passavam, alertas (o que James agradeceu internamente, porque ele não era capaz de prestar atenção em nada que não fosse a forma como ela parecia bonita enquanto estava tão concentrada).
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Eram oito e meia da manhã e, aparentemente, todos os estudantes do complexo estavam em aula (em pleno sábado, pelo amor de Deus!) ou dormindo. James não pôde ser mais grato pelo horário acadêmico.
— Talvez eu esteja fugindo das minhas amigas. — Lily disse simplesmente e então se afastou do garoto, acenando para o táxi que se aproximava. — E talvez você tenha me envolvido em problemas o suficiente para não indagar sobre isso e ficarmos quites, sim?
James estreitou os olhos para ela, mas aceitou que ela tinha um bom ponto.
— Vamos, popstar, ou você vai se atrasar. — Ela piscou para ele e então entrou no carro.
James – no que parecia ser um novo comportamento plenamente desenvolvido – a seguiu sem questionar.
—---
Quando James chegou na Riddle Management – após receber um “você é realmente ótimo, mas sinceramente espero não te encontrar novamente em situações como essa” e um sorriso de Lily (que talvez, possivelmente, quase cem-por-cento-de-certeza causou rebuliço em seu estômago), antes da garota fechar a porta e dar outro endereço para o taxista e sumir pelas ruas movimentadas de Londres – ele imediatamente foi encaminhado para a sala de conferências onde Lucius Malfoy e Avery o esperavam.
Não era preciso que eles falassem qualquer coisa para que ele tivesse ideia sobre a merda profunda em que se encontrava.
—---
Horas mais tarde, quando finalmente adentrou seu apartamento depois do que fora um dia extremamente contrastante com a noite divertida que tivera apenas poucas horas antes, ele estava com o humor ruim o suficiente para que nenhum de seus amigos perguntasse qualquer coisa para ele.
James acenou para Remus e Sirius que estavam – sem qualquer surpresa – envolvidos no sofá, beijou a testa de Mary ao passar ao lado de onde ela estava sentada no loveseat e então trocou um sorriso fraco com Peter que se encontrava na cozinha antes de, finalmente, se encaminhar para o seu quarto e trancar-se, sentindo-se estupidamente exausto.
Como parecia ser costume nos últimos dias, James encarou o teto de seu quarto, sentimentos revoltando o poço de seu estômago enquanto relembrava das manobras publicitárias estúpidas das quais fora obrigado a fazer parte durante o dia apenas porque ele cometera o horrível crime de se divertir e ser ele mesmo na noite anterior.
Não pela primeira vez e provavelmente também não pela última, James imaginou o que seria simplesmente desistir de tudo, sair da banda e fazer todas as coisas que queria fazer sem ter de responder à um gerenciamento estúpido.
Era assustador, ele percebeu, o quanto aqueles pensamentos estavam se tornando recorrentes nos últimos meses.
Sem se preocupar em comer ou trocar de roupa, James adormeceu.
X—X
[HOGSMEADE PLACE, 713 | DOMINGO – 15 DE OUTUBRO, 2017]
Sirius não podia acreditar em seus olhos.
Ele realmente, realmente não podia.
Eram sete horas da manhã e ele havia acordado unicamente com o intuito de pegar água da cozinha e então voltar para a cama, mas ele decidira verificar o Twitter enquanto enchia o copo e o que encontrou lá apagou qualquer resquício de sono que ele pudesse ter.
Estava nos Trending Topics de todo o mundo, letras grandes e brilhantes em exibição: “POTTER IS THE NEW BLACK” era o que dizia e, ao clicar no Trending, imagens de James na tarde anterior pululavam em milhares de tweets diferentes enquanto ele estava aparentemente em um encontro com uma supermodelo – o que fazia seus fãs compará-los, já que Sirius sempre “namorava” modelos.
O fato é que nem era assim tão surpreendente eles estarem tendendo no Twitter – era recorrente, afinal sua base de fãs era extremamente dedicada.
Não, o que o deixara completa e totalmente insano era o fato de que seu melhor amigo de infância – o homem que ele aprendera a amar como irmão, aquele que nunca o deixara desistir de seus sonhos e o apoiara incondicionalmente mesmo quando a própria família de Sirius não o fez, o mesmo adolescente estupidamente bêbado que os inscrevera para o The X Factor para que eles pudessem “tentar” e acabara levando-os a realizar todas as suas fantasias mais surreais em um arroubo de sorte – fora fotografado junto da modelo que, pelo que Sirius lembrava (e ele lembrava perfeitamente), estava contratada para ser a nova namorada dele.
Ele sabia que James possuía dois contratos com garotas diferentes, mas ele nunca havia comentado o nome de qualquer uma delas.
Sirius fechou os olhos, sentindo a raiva ferver em suas veias.
Imediatamente as palavras de Malfoy ressoaram em sua mente.
“Em poucos anos, você e todos esses caras não vão querer se olhar nos olhos. Vocês vão acabar fazendo alguma merda um para o outro e então vão se odiar. Não percam seu tempo bancando melhores amigos. Isso é uma boyband, uma marca e não um passeio no parque entre amigos”.
— Bastardo! — Sirius murmurou enfurecido, percebendo exatamente o que Malfoy e todo aquele bando de comensais da morte estavam tentando fazer. Afinal, o que mais daria visibilidade para a banda do que um grande escândalo envolvendo os dois melhores amigos de infância que brigaram por conta da mesma garota? — Foda-se.
Saindo do Twitter e entrando em seus contatos, Sirius procurou por aquele número que havia roubado de Mary no dia anterior, apenas per se. Aparentemente, ele o usaria muito antes do que tinha imaginado.
(07:12) Sirius: Hey, tudo bem? Você provavelmente não vai acreditar, mas é o Sirius. Sirius Black, lembra?
(07:12) Sirius: Olha, eu sei que é estranho, mas eu realmente preciso da sua ajuda, então se você puder responder o mais rápido possível eu agradeceria!
(07:13) Sirius: ps: roubei o seu número da Mary, espero que não se importe :)
Respirando profundamente, Sirius soltou o celular sobre a bancada e então bebericou um pouco da água que havia servido enquanto pensava no que estava prestes a fazer e nas consequências que aquilo traria.
— Bem, se Lucius quer guerra, então é isso que ele vai ter. — Sirius murmurou consigo mesmo no exato instante em que recebia uma resposta:
(07:16) ok, então, isso está REALMENTE acontecendo?
(07:16) você é mesmo Sirius Black? E pode provar? Fique à vontade, amigo, porque isso está bem estranho.
(07:17) eu pensei que popstars não acordavam cedo no domingo. Vocês não deveriam ser divas e tudo isso?
(07:18) Sirius: [imagem]
(07:18) Sirius: [imagem]
(07:19) você sabe que eu poderia vender essas fotos de você de pijama e cara amassada e destruir toda a falsa ideia que as fãs de vocês têm de que vocês são perfeitos sempre, certo?
(07:19) Sirius: por favor, eu SOU SEMPRE PERFEITO!!!
(07:19) foda-se
(07:20) você percebe que nem me conhece direito e que eu poderia foder a sua carreira se você me pedir algo estúpido, certo?
(07:22) tenho certeza de que vou me arrepender disso, mas, o que você precisa?
Sirius sorriu.
X—X
[FLOURISH & BLOTTS, BANCA LITERÁRIA | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO, 2017]
Lily sabia que estava sendo covarde.
Isso não era uma novidade para ela, na verdade. Ela estava acostumada a se esconder e fugir quando as coisas começavam a dar errado e, neste caso, ela sabia perfeitamente que estava sendo fodidamente covarde e mesquinha.
Mas, bem, não havia nada que ela pudesse fazer.
Exceto, é claro, falar com suas amigas. O que ela definitivamente não estava preparada para fazer. Pelo menos não ainda. Quem sabe um dia ela estivesse... em outra vida, provavelmente.
De qualquer forma, ela estava se escondendo e ela sabia que suas mensagens rápidas enviadas na tarde anterior de que “estou bem” e “não vou voltar para casa hoje” somente aumentavam a irritação de Alice e Marlene, mas não havia no mundo nada que a obrigasse a voltar até lá e enfrentar o que ela sabia que seria uma grande e terrível intervenção.
Sendo assim, Lily acabara por fugir junto com James Potter – JAMES POTTER – e, depois de deixá-lo na empresa que, segundo ele, era conhecida como inferno na terra, Lily direcionou-se para o lugar que ela quase nunca visitava porque fazia parte de uma parcela de seu passado que doía lembrar, mas que, infelizmente, também era o único lugar seguro para onde ela poderia se esconder sem ter Marlene ou Alice seguindo-a.
Suspirando e afastando tais pensamentos, Lily fechou a porta da casa atrás de si e trancou-a com a chave que ainda brilhava por conta da falta de uso.
Com um rápido olhar para trás, Lily se afastou, saindo para a calçada lindamente arborizada enquanto puxava o casaco mais forte contra si. Era outono e as folhas estavam caindo e tornando tudo mais bonito. Enquanto caminhava em direção à pequena banca que estava localizada há duas quadras da casa – ela realmente não conseguia pensar como sua casa – Lily deixou-se imaginar o que seria viver ali; acordar todos os dias para a linda vista dos jardins muito bem cuidados, a rua pacata e familiar e não ter de se preocupar com vizinhos podres de bêbados que festejavam e ficavam altos até o amanhecer no apartamento do lado.
Ela lembrou de pensar ser uma boa ideia, na época em que decidira investir no imóvel. Quando decidiram.
Bem, ali estava outra coisa da qual ela deveria fugir. Aquele fio de pensamento nunca a levava a qualquer lugar confortável.
— Bom dia! — Dorothy, a dona da banca, sorriu para Lily quando ela se aproximou. — Lily! Fazia muito tempo que não te via por aqui!
— Oi, Dory! — Lily sorriu para a senhora, deixando-se ser abraçada e observada atentamente. — Como você tem passado?
— Oh, muito bem! — Ela respondeu e apertou uma bochecha de Lily. — Tommy finalmente limpou o jardim e nós conseguimos construir a churrasqueira.
— Isso é incrível! — Lily disse.
Lembrando da quantidade de brigas que Dorothy e Thomas, seu marido, tinham há algum tempo por conta da limpeza do jardim, Lily não pôde deixar de sorrir ainda mais e se perguntar o que poderia ter feito o homem finalmente fazer o que precisava ser feito.
Ela não perguntou, é claro, optando por esgueirar-se para a parte onde ela sabia que as revistas de fofoca estavam localizadas.
Lily nunca pensou que fosse chegar no ponto onde compraria uma delas, mas, bem, depois dos acontecimentos do dia anterior, ela estava fodidamente curiosa.
Respirando profundamente e imaginando que tipo de bomba estava esperando por ela nas prateleiras, Lily se aproximou.
E então estacou completamente.
Porque, oh, Deus, ela não estava preparada.
Não, não.
Ela estava definitivamente NÃO PREPARADA para o que acabara de ver entre as manchetes.
— Oh, meu Deus, o que eu fiz? — Lily murmurou consigo mesma, finalmente estendendo uma mão trêmula em direção a edição (é claro que sim) do Profeta Diário.
Em letras grandes e garrafais, tingidas das cores do arco-íris, lia-se: “SIRIUS BLACK É GAY?”

Sem pensar muito no que estava fazendo, Lily pegou a edição da revista e correu para a caixa, prestando atenção parcial ao que Dorothy estava dizendo enquanto sua mente viajava à mil por hora.
Merda.
Merda, merda, merda.
Que diabos ela acabara de fazer?
Tanto por não se envolver com celebridades! Deus! Malditos popstars!
— Ei, Lily, seu troco! — Dory a chamou, mas Lily simplesmente dispensou-a com a mão.
— Pode ficar! — Ela disse e então estava correndo, odiando-se por ter decidido deixar a porcaria de seu celular na casa ao invés de leva-lo consigo.
Lily estava tão perturbada e nervosa que, ao chegar em frente à casa, sequer percebeu que havia um Range Rover muito conhecido estacionado bem em frente.
Não.
Ela apenas correu para a porta, abrindo-a com força enquanto corria para a cozinha onde deixara seu celular sobre a bancada.
Desbloqueando-o, rapidamente abriu o aplicativo de mensagens, digitando furiosamente.
(08:12) Lily: que diabos você me fez fazer?
(08:12) Lily: oh, meu deus, eu vou ser processada por isso?
(08:13) Lily: por que eu decidi te ajudar quando isso claramente era uma péssima ideia?
(08:13) Lily: Deus, eu odeio você!!!!!!!!
— Então é aqui que florzinha está se escondendo? — A voz soou atrás de Lily, fazendo com que ela soltasse um grito nada lisonjeiro e deixasse o celular cair com força sobre a bancada.
— Que mer-? — Ela começou a perguntar, voltando-se para a entrada da cozinha enquanto colocava uma mão no peito para impedir que seu coração que batia descontroladamente acabasse por escapar de seu peito. — Oh!
— Você sabe, eu realmente gostaria de saber o que fez você entrar aqui parecendo tão desesperada, mas eu acho que vou deixar isso para depois, porque, aparentemente, segundo as mensagens frenéticas que tenho recebido de Marlene e Alice, nós temos muito o que conversar. — E, pelo olhar no rosto de Frank enquanto ele se aproximava e soltava a chave extra sobre a bancada, a mesma que Lily se arrependia amargamente de ter dado a ele anos atrás, ele não a deixaria fugir.
— Merda.
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