Ponto de Ebulição | Zutara

15 Nᴏ Lɪᴍɪᴀʀ ᴅᴀ Gᴜᴇʀʀᴀ


Notas iniciais
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𝒦𝒶𝓉𝒶𝓇𝒶

Quando abri os olhos, meu corpo estava pesado com uma exaustão deliciosa que eu não sentia há anos, ou talvez nunca tenha sentido na vida.

Virei o rosto lentamente. Zuko estava dormindo ao meu lado; o braço dele repousava possessivamente sobre a minha cintura, mantendo-me colada a ele. Sua respiração era lenta e ritmada e, pela primeira vez, a tensão não marcava as linhas do seu rosto. Ele parecia mais jovem, o homem que deveria ter sido se a guerra não o tivesse despedaçado.

A cicatriz que Sokka tinha feito estava fechada, mas a pele ao redor ainda estava avermelhada e sensível. A lembrança de Zuko abrindo a guarda, aceitando a lâmina do meu irmão, fez meu peito apertar.

Com um movimento silencioso, afastei os lençóis e me sentei. Alcancei a bacia e destampei meu cantil, misturando a água pura com a da bacia, e deixei a energia fluir para as minhas mãos. Voltei para a cama e me inclinei sobre ele; posicionei minhas mãos sobre a cicatriz, deixando a água envolver a pele machucada, penetrando nos tecidos.

Zuko inspirou fundo, o peito subindo sob as minhas mãos, e seus olhos se abriram lentamente.

— Bom dia — sussurrei, mantendo a concentração.

— Já que acordar com você curando as minhas feridas é assim, eu vou pedir para o seu irmão me esfaquear mais vezes — a voz dele saiu arrastada, rouca de sono e carregada de uma malícia.

— Não brinque com isso — repreendi, embora um sorriso inevitável tenha curvado meus lábios. — A ferida fechou, mas o tecido interno ainda está danificado, você precisa estar cem por cento para o que vamos enfrentar.

Zuko não respondeu, em vez disso, a mão dele subiu, contornando a minha cintura e puxando-me para mais perto, até que eu estivesse montada sobre o seu quadril. Ele estava muito desperto, e a evidência dura disso pressionava contra o meu centro, mesmo através do tecido do lençol.

— Zuko... nós temos que ir — murmurei, a respiração de repente falhando quando a mão dele subiu pela minha coluna, traçando a linha das minhas costas com os nós dos dedos, enviando ondas de calor por cada poro do meu corpo.

— Nós temos alguns minutos — ele rebateu, o olhar dourado escurecendo com aquela fome que eu já conhecia tão bem.

Ele não esperou pela minha resposta. As mãos dele seguraram meus quadris com firmeza, puxando-me para baixo ao mesmo tempo em que ele ergueu o tronco. Nossas bocas se encontraram. O beijo não foi doce ou preguiçoso como a manhã pedia; foi urgente, faminto, possessivo, abri a boca, recebendo a língua dele, entregando-me ao sabor que agora era o meu vício.

Minhas mãos deslizaram pelos seus ombros, Zuko soltou um gemido contra os meus lábios, e me virou em um movimento rápido, prensando minhas costas contra os lençóis.

Os seus beijos desceram pela linha do meu maxilar, mordiscando a pele sensível do meu pescoço, arrancando suspiros curtos e entrecortados da minha garganta. A mão dele desceu, traçando a curva do meu seio, provocando o bico endurecido com o polegar, eu arquiei as costas, pressionando meus quadris contra os dele, implorando por mais.

Os dedos dele deslizaram para baixo, roçando o meu centro úmido, e eu deixei escapar um gemido sôfrego.

— Você é tão linda, querida... tão receptiva — ele murmurou contra a minha pele, a voz vibrando contra a minha clavícula.

Ele estava prestes a me levar ao limite novamente, prestes a nos afogar naquele mar de luxúria, quando o som de botas ecoou no corredor do lado de fora.

— Katara? Você já está acordada? O conselho está se reunindo. — A voz de Sokka cortou o ar, soando a uma distância perigosamente curta.

Zuko paralisou sobre mim, o maxilar travado e os olhos brilhando com uma frustração cômica e assassina. Prendi a respiração, cobrindo a boca com a mão para não rir da expressão dele.

— Eu já estou indo, Sokka! — gritei de volta, tentando fazer a minha voz soar firme. — Me dê dez minutos!

Ouvi os passos do meu irmão se afastarem. Zuko deixou a cabeça cair no vão do meu pescoço, soltando um suspiro longo.

— Eu vou matar o seu irmão — ele sussurrou, a respiração ofegante. — Se Ozai não me matar primeiro, eu juro que mato o Sokka.

— Não vai, não — sorri, empurrando os ombros dele de leve e selando nossos lábios em um beijo rápido. — Nós temos uma guerra para vencer, Comandante. Guarde essa energia.


─── ❖ ── ✦ ── ❖ ───

Caminhamos juntos pelos corredores de pedra até a câmara principal. Ao entrarmos, notei que o salão ainda não estava cheio, alguns líderes conversavam em voz baixa, mas o conselho completo ainda não havia se reunido. Sokka estava sentado em uma das cadeiras perto da grande mesa, ele parecia pálido, e as olheiras profundas denunciavam que não havia dormido nada.

Zuko parou a alguns passos de distância, encostando-se na parede de braços cruzados. Ele se manteve deliberadamente afastado para nos dar espaço, mas seus olhos estavam fixos em nós, atentos a cada movimento.

— Sokka — chamei, me aproximando.

Ele ergueu os olhos e forçou um sorriso cansado.

— E aí. O conselho vai atrasar um pouco, o pessoal do setor sul ainda está chegando — ele avisou. A tentativa de soar casual falhou quando ele fez uma careta de dor.

— Sua ferida na perna e essas costelas machucadas não são brincadeira.

Ele bufou, eu comecei a trabalhar nos hematomas grotescos que cobriam as costelas dele. O silêncio durou alguns minutos, até que ele soltou um longo suspiro. Ele olhou por cima do meu ombro, diretamente para onde Zuko nos observava em silêncio.

— Então... — Sokka começou, escolhendo as palavras com cuidado e baixando a voz para que apenas eu ouvisse. — O que exatamente está rolando entre vocês? E não venha me dizer que é apenas uma "aliança estratégica". Eu vi o jeito que ele olhou para você ontem, e eu conheço você, Katara. Você não olha para ninguém daquele jeito, nem olhava para o Aang assim.

Minhas mãos hesitaram, eu sabia que ele perguntaria; eu só não esperava que fosse tão direto, ainda mais com Zuko no mesmo cômodo. Respirei fundo, mantendo os olhos no ferimento do meu irmão.

Eu estou apaixonada por ele, Sokka — confessei, a verdade saindo pura e sem filtros. — Aquele mundo... nos mudou. Ele não é o Carrasco do Império; ele é o homem que enfrentou o próprio inferno e ainda escolheu me proteger. Eu estou com ele, e eu estou feliz, pela primeira vez em anos.

O silêncio absoluto se instaurou entre nós. Terminei a cura, e esperei a explosão, o sermão, a desconfiança, a raiva.

Mas Sokka apenas abaixou a cabeça. Quando ele finalmente olhou para mim, os olhos dele estavam brilhando com uma tristeza resignada, mas também com um carinho, ele lançou mais um olhar rápido para Zuko.

— Eu não confio nele, Katara — Sokka disse, a voz firme, embora baixa. — Ele queimou nossos esconderijos, perseguiu nossos aliados, foi o braço direito do homem que destruiu o mundo. Uma viagem a outra dimensão não apaga isso da minha cabeça da noite para o dia.

Ele fez uma pausa, estendendo a mão para segurar a minha. A mão dele apertou os meus dedos com força.

— Mas... como eu disse antes, eu confio em você. — Ele me lançou um sorriso triste. — E ver você agora... você está brilhando, Katara. Mesmo no meio de toda essa merda, você parece viva. Se aquele desgraçado faz isso por você... então eu estou feliz, maninha. Mas se ele te fizer chorar, eu juro que arranco o outro lado do rosto dele.

Uma risada embargada escapou da minha garganta e eu joguei os braços ao redor do pescoço dele, abraçando-o com força. Pelo canto do olho, vi os ombros de Zuko relaxarem visivelmente.

— Obrigada, Sokka. Obrigada.


─── ❖ ── ✦ ── ❖ ───

O conselho de guerra foi tenso.

Os últimos sobreviventes da Resistência nos olhavam com uma mistura de pavor e fascínio quando tomamos nossos lugares, em frente a uma grande mesa onde um mapa antigo do continente estava estendido.

Não escondemos nada. Durante quase uma hora, explicamos sobre a fenda temporal, sobre as ruínas, sobre a Cidade República e, o mais importante, sobre o que Ozai estava fazendo nas profundezas do seu império.

Quando Zuko tomou a palavra, a atenção de todos se voltou para ele, ainda desconfiados, mas mais resiliente à ideia de que ele estava do lado da Resistência.

— Ozai não está apenas exterminando dobras e espalhando fábricas — Zuko disse, a voz imponente, carregada de uma autoridade natural que forçou todos a ouvirem. — Ele encontrou uma forma de perfurar o véu entre os mundos, está puxando a energia espiritual do outro lado para alimentar as fornalhas da capital. E os espíritos que cruzam o véu... ele os captura e está criando quimeras cibernéticas.

Murmúrios de puro terror varreram a sala.

— Como enfrentamos essas criaturas e máquinas de aço ao mesmo tempo? — perguntou um dobrador de terra mais velho, os olhos arregalados. — Nossas forças estão dizimadas.

— Nós não lutamos contra as quimeras — Sokka interveio, batendo o punho no mapa. — Nós cortamos a cabeça da serpente. Precisamos destruir a fonte.

Sokka apontou para uma marca negra no mapa, bem no coração do continente.

— O Ministério do Progresso — Zuko completou. — É lá que estão os geradores principais. É lá que são conduzidos os experimentos, se destruirmos o núcleo central, o véu se fecha. O império dele colapsa.

— E como vamos entrar em uma fortaleza impenetrável? — questionou outro guerreiro.

Zuko sustentou o olhar do homem sem piscar.

— Porque eu conheço cada falha daquela fortaleza. Eu fui o chefe da segurança do Ministério. Eu sei onde ficam os pontos cegos, e sei o que precisamos fazer.

O conselho durou horas, desenhando rotas de infiltração, calculando o pouco de suprimentos que tínhamos e dividindo as pequenas equipes táticas. A tensão era palpável, mas, pela primeira vez em anos, havia algo além de desespero: havia uma faísca de esperança.

Assim que a reunião terminou, meu dever como curandeira me chamou. Zuko e Sokka ficaram debruçados sobre o mapa, discutindo detalhes logísticos, enquanto eu me dirigi à ala da enfermaria improvisada.

O trabalho foi exaustivo. Usei cada gota da minha energia espiritual, doando o meu chi, para remendar ossos, estancar sangramentos e aliviar a dor daqueles que lutavam pela nossa liberdade. Quando a última bandagem foi trocada, caminhei de volta para a câmara principal, mas antes de dobrar o corredor, o som de duas vozes conhecidas me fez parar.

— Isso é uma estratégia suicida e idiota, Sokka! — Era a voz de Zuko, soando frustrada, mas curiosamente... informal. — Se mandarmos a equipe pela ala leste, eles vão ser dizimados pelas torres térmicas! Aquele setor é um campo de extermínio.

— E qual é a sua brilhante ideia, Vossa Alteza? — Sokka rebateu, o tom carregado daquele sarcasmo. — Entrar pela porta da frente e pedir licença? Se não fizermos uma distração no leste, não conseguimos enfiar os dobradores de terra nos dutos de ventilação!

— Os dutos de ventilação do setor leste são estreitos demais! — Zuko argumentou. — Precisamos seguir outro caminho.

— Qual? Talvez você queira ir até o portão principal e gritar: "Oi, pai, voltei pro jantar"? — Sokka devolveu, rindo logo em seguida. Uma risada real.

Pisquei, completamente atônita.

Eu espreitei e vi os dois lado a lado, não havia armas em mãos, apenas uma discussão acalorada de dois estrategistas teimosos acontecia. A inimizade parecia ter se transformado em uma rivalidade irritante, me fazendo lembrar de antes de tudo, antes do Aang desaparecer.

Limpei a garganta deliberadamente e dei um passo à frente, revelando a minha presença. O efeito foi instantâneo. Zuko e Sokka pularam para trás, afastando-se um do outro como se tivessem sido pegos cometendo um crime.

— O que vocês dois estão tramando? — perguntei, o tom desconfiado.

— Nada! — Sokka respondeu rápido demais. — Absolutamente nada. Só... analisando trajetórias.

— Estávamos apenas... alinhando visões operacionais — Zuko completou, ele olhou de soslaio para Sokka, que assentiu vigorosamente.

— Alinhando visões operacionais, entendi. — Dei um passo mais perto, a diversão transbordando no meu peito. — Parecia muito mais que vocês dois estavam concordando que a arquitetura do Ministério é falha.

— Nunca! — Sokka exclamou, cruzando os braços. — Eu nunca concordaria com as estratégias de um cabeça quente.

— E eu não debateria táticas com um caipira da neve — Zuko rebateu no mesmo segundo, mas o leve erguer do canto de seus lábios o denunciou.

Balancei a cabeça, rindo baixinho, se aquilo era o que eles precisavam para trabalhar juntos e nos manter vivos, eu aceitaria de bom grado.

Caminhei até Zuko, parei na frente dele, deixando minhas mãos descansarem sobre seu peito, senti a respiração dele falhar, o olhar escurecendo instantaneamente ao meu toque.

— Venha, Comandante — murmurei, meus dedos traçando a gola da túnica dele com uma provocação sutil. — Eu preciso terminar de checar a sua ferida de novo. É um procedimento bastante demorado, e muito meticuloso.

Zuko engoliu em seco, o pomo de adão subindo e descendo, ele não disse uma única palavra, apenas agarrou a minha mão.

— É... a ferida realmente começou a doer de repente. — Zuko declarou, virando as costas para Sokka e me puxando pelo corredor em direção aos nossos aposentos.

Atrás de nós, ouvi o som de Sokka engasgando.

— Ei! Peraí, o que você vai fazer com a minha irmã?! Ah, pelos espíritos, eu não precisava saber disso! Meus olhos! Minha mente está poluída!

Eu ri, o som ecoando livre e feliz.

Assim que a cortina fechou atrás de nós, Zuko não escondeu a pressa; em um movimento fluido e decidido, ele me ergueu nos braços e me deitou sobre a cama. Antes que eu pudesse recuperar o fôlego, o calor do seu corpo já me cobria, acomodando-se com perfeição entre as minhas pernas.

— Você se diverte me provocando, não é? — ele sussurrou, espalhando beijos suaves pelas minhas bochechas, pela linha da mandíbula e no canto da minha boca.

— Mas eu não menti. Eu realmente preciso cuidar de você — respondi, ofegante.

Zuko riu, um som grave e íntimo. Ele segurou o meu rosto com as mãos. — Então cuida.

Zuko capturou minha boca em um beijo; não havia o desespero das noites anteriores. A fricção dos nossos corpos substituiu as palavras. Ele se encaixou, movendo-se com uma lentidão torturante, fechei os olhos, enterrando os dedos em seus cabelos e puxando-o para mais perto, beijando seu pescoço e a cada gemido que escapava dele meu corpo vibrava.

Amanhã, nós marcharíamos para o inferno, mas naquela noite, o único universo que importava era o nosso.

Notas finais
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