Ponto de Ebulição | Zutara

14 Pᴏɴᴛᴏ ᴅᴇ Eʙᴜʟɪçãᴏ


Notas iniciais
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𝙎𝙤𝙠𝙠𝙖

Katara mantinha as mãos firmes sobre o peito daquele infeliz. A ferida que eu havia causado era profunda, mas a água brilhante trabalhava tecendo músculos e fechando a pele.

— Você é um idiota inconsequente — ela murmurou, a voz trêmula.

— Eu já disse que merecia — ele respondeu com sarcasmo na voz.

Do outro lado da caverna, eu os observava como se estivessem falando um idioma alienígena. Apertei minhas próprias costelas feridas, tentando forçar minha mente a processar a loucura que se desenrolava ali. O monstro, ali, vulnerável, sangrando e sendo curada por Katara.

Zuko mantinha os olhos fechados, o rosto pálido pela perda de sangue, mas, incrivelmente, não emitiu um único som de dor.

— Ele é o herdeiro daquele filho da puta. — eu finalmente quebrei o silêncio, minha voz carregada de desconfiança. — Katara, ele nos caçou por anos.

Mas ela nem sequer desviou os olhos do ferimento dele.

— Ele foi quebrado pelo por aquele desgraçado, Sokka. Assim como nós fomos. — Eu vi os olhos dela faiscando com uma determinação que me deixou sem palavras. — Nós não caímos em um lugar qualquer. Caímos em um mundo paralelo, uma dimensão onde a guerra acabou, onde a Nação do Fogo encontrou o equilíbrio, e onde consertamos o mundo juntos, todos nós.

Arregalei os olhos enquanto ela despejou a verdade sobre mim.

Falou sobre uma biblioteca, sobre a vida que descobriram nos livros, sobre a morte de Ursa e a tortura bizarra que Zuko sofreu, explicou sobre a energia espiritual corrompida. Durante todo o relato absurdo, ele permaneceu em silêncio absoluto, apenas abriu os olhos, me observando com uma resignação pesada, como se já estivesse acostumado com o julgamento do mundo.

Quando Katara terminou, olhei para a minha faca manchada de sangue jogada no chão, e depois para a cicatriz recente no peito dele.

— Eu precisaria de uma vida inteira para processar isso — murmurei, esfregando o rosto com a mão.

Manquei até Zuko, parando a centímetros de distância. A hostilidade ainda queimava nas minhas veias, mas a imagem dele parado na frente da lâmina, sem revidar, martelava na minha cabeça sem parar.

— Você queimou metade do nosso mundo, então eu não confio em você. Talvez eu nunca confie. — Falei entredentes, sustentando o seu olhar. — Mas depois de tudo que contaram, eu confio em Katara, e isso... isso compra o benefício da dúvida. Por agora.

— Mas se você der um passo em falso... se você olhar para a minha irmã do jeito errado — eu ameacei —, eu não vou errar o coração na próxima vez.

— Eu não esperaria menos de você — Zuko respondeu. Ele sustentou o meu olhar de volta e assentiu devagar.

— Precisamos sair daqui — ele disse. — Ozai vai varrer este templo até encontrar os corpos de vocês. E agora o meu corpo também, pois sabe que eu o traí. Onde estão os sobreviventes?

Cruzei os braços, ignorando a dor.

— Não posso te falar, isso parece muito suspeito — respondi de imediato. Vi o olhar de Katara me recriminar na mesma hora, mas não recuei. — Mas posso guiar você até lá. Desde que esteja vendado.

Zuko assentiu de novo, sem sequer questionar.


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𝒁𝒖𝒌𝒐

Quando finalmente chegamos ao esconderijo e Sokka permitiu que eu tirasse a venda, pude ver ao redor — uma ampla caverna iluminada por tochas e povoada por pouco mais de trinta pessoas, guerreiros da Tribo da Água, alguns dobradores de terra remanescentes e rebeldes feridos.

Quando a luz das tochas iluminou o meu rosto, o pânico foi imediato, a minha presença dentro da última base segura quase causou um motim.

Gritos ecoaram. Lanças foram apontadas. Pedras flutuaram no ar, e o som de lâminas sendo desembainhadas ecoou pelo salão. Eu não recuei, mas também não ergui as mãos. Aceitei o ódio deles com a cabeça erguida, permanecendo como uma sombra imóvel ao lado de Katara.

Foi Sokka quem se colocou à frente de todos, colocando-se deliberadamente entre eu e os rebeldes.

— Abaixem as armas! — a voz dele ecoou, imponente, calando o caos.

— Sokka, é o filho do Ozai! Este miserável merece morrer! — um dos insurgentes gritou.

— Eu sei muito bem quem ele é! — Sokka retrucou, erguendo a mão para exigir silêncio. — O Príncipe Zuko não é mais nosso inimigo, ele destruiu o tanque que ia me matar no pátio. Ele lutou ao nosso lado e nos encobriu para chegarmos até aqui. Eu mesmo cravei uma faca no peito dele há meia hora e ele não revidou. Se ele quisesse me matar, já o teria feito, a partir de hoje, ele luta pela Resistência.

Houve murmúrios de descrença e medo, mas o respeito por Sokka e a postura de Katara ao meu lado foram suficientes para manter a paz armada. As armas abaixaram lentamente, mesmo que os olhares assassinos continuassem cravados em mim. Katara segurou a minha mão sutilmente, um toque de carinho no meio daquele mar de ódio justificado.

Sokka ordenou que cuidassem dos feridos e organizassem as sentinelas. Antes de se afastar, ele olhou para Katara e apontou para uma alcova escavada na rocha, isolada do acampamento principal por uma pesada cortina de couro.

— Eu vou atualizar o conselho sobre o que aconteceu na fenda e sobre o que vocês compartilharam — Sokka murmurou para Katara, antes de virar o olhar para mim, a expressão indecifrável. — Vocês precisam descansar, lavem-se, comam alguma coisa. Fiquem fora de vista até os ânimos se acalmarem. Amanhã nós planejamos a guerra. Hoje apenas ficamos vivos.

A câmara era pequena, tinha uma cama coberta com peles.

Assim que a cortina fechou, o peso dos últimos dias desabou sobre mim, sentei-me na beirada da cama, Katara havia trazido ataduras, um unguento de algas e duas tigelas de ensopado fumegante. Ela as deixou de lado, molhou um dos panos limpos na bacia e caminhou até mim.

— Eles vão aceitá-lo — Katara murmurou, os olhos buscando os meus. — Vai levar algum tempo, Zuko, mas eles vão entender.

— Eles têm o direito de me odiar, Katara — respondi, sustentando o olhar dela. — E eu não estou aqui por eles. Estou aqui por você.

— Tire a túnica — ela pediu, a voz caindo para um sussurro.

Sem desviar o olhar, eu obedeci. O tecido rasgado e manchado de sangue caiu no chão. Meu corpo estava coberto de sangue, devido à cicatriz avermelhada e recente no meu peito. Com uma delicadeza absurda, ela começou a limpar a minha pele, o pano deslizou pelos meus ombros; a cada toque dela, meus músculos se retesavam, e a minha respiração ficava mais pesada.

Quando o pano passou suavemente ao redor da cicatriz que Sokka havia feito, eu arfei, fechando os olhos com força.

— Dói muito? — ela perguntou, parando imediatamente, a preocupação moldando o seu rosto.

— Só quando eu respiro — tentei brincar, mas a minha voz saiu muito mais grave e rouca do que eu pretendia. Abri os olhos, sentindo o limite do meu autocontrole desmoronar. — É que toda vez que você me toca... eu sinto que vou enlouquecer.

Ela não riu da minha piada falha. O pano caiu de suas mãos, os olhos dela subiram para os meus, azuis, tempestuosos, carregados de uma vulnerabilidade que me desarmou por completo.

— Eu achei que ia te perder hoje — a confissão dela escapou em um sussurro frágil.

— Você nunca vai me perder. — Ergui a mão, os meus dedos traçando a linha do seu maxilar, contornando seus lábios com uma suavidade possessiva. — Eu cruzei o tempo e o espaço com você, querida. Um corte insignificante não vai me derrubar.

Ela fechou os olhos, a gravidade de tudo o que enfrentamos evaporou, deixando apenas a verdade inegável da nossa atração, o limite que havíamos empurrado, testado e resistido durante dias finalmente se partiu em pedaços.

Katara abriu os olhos, e não havia mais hesitação.

Ela avançou, e nós colidimos. Esmaguei a minha boca na dela, um beijo que não teve hesitação, foi profundo, faminto e absoluto. Katara abriu a boca com um suspiro, as mãos dela embrenhando-se nos meus cabelos, puxando-me para mais perto.

Agarrei a cintura dela, puxando-a para o meu colo, gosto dela era viciante, era uma fricção perfeita, a mesma ressonância que havia aberto o portal, mas agora focada inteiramente em nos consumir.

— Eu não quero mais lutar contra isso — Katara murmurou contra os meus lábios, ofegante, enquanto os meus beijos desciam pela linha do maxilar e pelo pescoço.

— Eu nunca quis lutar contra você — respondi, a voz rouca contra a pele dela.

Com um movimento fluido, levantei-me, levando-a junto. Prensei o corpo Katara entre a parede e meu peito, desfiz as amarras da túnica dela com uma pressa descontrolada, empurrando o tecido pelos ombros até que ele caísse aos nossos pés.

O meu coração falhou uma batida, ela era deslumbrante.

Zuko... — ela murmurou meu nome como uma prece.

— Você tem certeza? — perguntei, a voz não passando de um rosnado. — Depois de hoje... não tem volta, Katara. Você vai ser minha.

— Eu já sou — ela rebateu, entrelaçando as pernas ao redor do meu quadril e puxando o meu rosto para um beijo.

Aquilo foi a ruína da minha sanidade. Caminhei os poucos passos até a cama e a deitei ali. A exploração foi lenta, nós éramos dois elementos opostos se fundindo, o meu fogo derretia qualquer barreira que ela ainda tivesse, enquanto a fluidez da água dela me envolvia, curando as feridas abertas da minha alma. Cada beijo, cada toque foi um pedido de desculpas pelo passado.

As minhas mãos viajaram pelas curvas dela, traçando cada polegada com uma devoção pecaminosa. Quando finalmente nos despimos do resto das barreiras, a colisão de nossas peles nuas arrancou um gemido do fundo da minha garganta.

Eu a preenchi lentamente, travando o maxilar enquanto nossos corpos se ajustavam àquela nova e esmagadora realidade. Ela cravou as unhas nas minhas costas, me puxando mais fundo, ditando o ritmo, forçando-me a perder o pouco de controle que me restava.

Nós nos movemos juntos, a cada estocada, a tensão acumulada de anos de ódio, o trauma da guerra e o pânico derretiam. Eu me movimentava com a mesma intensidade focada com que lutava: implacável e completamente entregue, e ela respondia à altura.

O quarto cheirava a suor e jasmim.

Quando o clímax nos atingiu, descarregando uma onda de pura eletricidade por nossas veias, foi avassalador. Colapsei sobre ela, enterrando o rosto na curva do seu pescoço, beijei o seu ombro, com as mãos ainda embrenhadas nos cabelos castanhos.

Minutos se passaram em um silêncio embalado por nossas respirações. Puxei o corpo dela para o meu lado, mantendo-a protegida sob o meu abraço. Ela traçou o meu peito suado, os dedos desenhando círculos lentos ao redor das minhas cicatrizes.

Escondi o rosto nos cabelos dela, inalando o perfume que agora era o meu único lar.

— Precisamos terminar de nos limpar e comer alguma coisa — sussurrei, quebrando o silêncio confortável.

Katara soltou um suspiro longo, o rosto ainda pressionado contra o meu peito.

— Eu não tenho forças nem para abrir os olhos, Zuko — ela murmurou, a voz arrastada de cansaço. — Muito menos para levantar.

Sorri de canto, beijando o topo da cabeça dela.

— Deixa comigo.

Levantei-me devagar, fui até a bacia de água quente, mergulhei um pano limpo e torci. Voltei para a cama e me sentei ao lado dela. Com a mesma delicadeza que ela havia usado comigo mais cedo, passei o pano úmido por seus braços, ombros e costas, limpando o suor. Katara fechou os olhos, suspirando ao toque.

Quando terminei, peguei um dos lençóis limpos sobre a cama e a envolvi com cuidado. Alcancei a tigela de ensopado, que já estava morna, e a coloquei nas mãos dela.

— Coma. Você precisa recuperar as energias para amanhã — eu disse, com o tom baixo, mas irredutível.

Ela sorriu fraco e obedeceu, me observando em silêncio enquanto eu voltava para a bacia. Terminei de me limpar rapidamente e vesti apenas a calça. Peguei a minha própria tigela e me sentei na beirada da cama, comendo enquanto o silêncio tomava conta do espaço.

Eu me peguei parando de comer, apenas para observá-la.

— O que foi? — ela murmurou, percebendo o meu olhar fixo, com um meio sorriso.

— Eu passei a acreditar que o meu destino era apenas destruir — sussurrei, estendendo a mão livre para tocar o seu rosto com um leve carinho. — Que a escuridão e a dor eram as únicas coisas que eu merecia. Mas, olhando para você agora...

Katara parou de comer, prestando total atenção em mim. O olhar dela era de uma ternura profunda, algo que eu nunca serei digno de receber.

— Se cada cicatriz, cada tortura e cada dia no inferno foram o preço para estar exatamente aqui, com você, neste momento... — Engoli em seco, sentindo a minha própria voz falhar diante daquela verdade absoluta. — Eu passaria por tudo de novo. Sem hesitar. Eu sou completamente seu agora, em qualquer dimensão.

Ela inclinou o rosto contra a minha mão, depositando um beijo suave na minha palma.

— Você não está mais sozinho, Zuko. Nunca mais — ela sussurrou, ela deslizou a mão livre pela minha nuca, puxando meu rosto para perto até nossas testas se tocarem. — E eu também sou sua.

Ficamos nos olhando, absorvendo o peso e a beleza daquela confissão.

Quando terminamos, coloquei as tigelas vazias no chão e me deitei ao lado dela novamente. Katara se aninhou nos meus braços, descansamos assim por um tempo, mas a trégua durou pouco. A fome que sentíamos um pelo outro parecia impossível de saciar. Quando a mão dela deslizou pelo meu abdômen, brincando com a borda da minha calça, o resto do mundo desapareceu de novo.

Afastei o lençol e a tomei nos meus braços. Nos perdemos um no corpo do outro, de forma lenta, profunda e intensa, até que a exaustão absoluta finalmente nos venceu.

Notas finais
"Eu sou completamente seu agora, em qualquer dimensão." Deixe aqui seu comentário sobre essa confissão do Zuko! Não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author