Ponto de Ebulição | Zutara

12 Eᴘɪᴄᴇɴᴛʀᴏ


Notas iniciais
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𝒁𝒖𝒌𝒐

O ar dentro do quarto parecia pesado e sufocante como brasa. Eu apertava e soltava os punhos repetidamente, as unhas cravando na palma das mãos com tanta força que ameaçavam rasgar a carne. Aquele pequeno foco de dor era a única coisa que impedia a minha mente de entrar em colapso.

A verdade é que eu estava à beira da loucura.

A poucos metros de mim, Katara se mexia sob os lençóis na cama. A cada movimento, o tecido roçava em sua pele, e o som mandava uma descarga elétrica direto para a minha espinha. A memória da boca dela sob a minha, da forma como o corpo dela se arqueou contra o meu, queimava nas minhas veias.

Após o nosso momento íntimo, os flashes em minha mente haviam se tornado ainda mais claros. Eram memórias impossíveis de nós dois juntos como um casal; eu me perdendo no corpo dela, a sensação de que éramos felizes. Eu nunca havia vivido aquilo na realidade, mas o meu corpo a reconhecia como se ela fosse o meu próprio lar.

Eu queria levantar daquele chão, queria cruzar os passos que nos separavam e terminar exatamente o que havíamos começado. Meu corpo inteiro exigia isso, uma fome que me fazia trincar os dentes até a mandíbula doer. Mas o limite tênue do nosso autocontrole era a única coisa que mantinha nosso foco na guerra que ainda tínhamos que vencer.

— Você vai acabar sangrando as próprias mãos se continuar apertando-as com tanta raiva — a voz dela soou baixa. Parei o movimento, Katara estava deitada de lado, o rosto apoiado na mão, me observando, e seus olhos brilhavam com a mesma intensidade febril que eu sentia.

— Achei que estivesse dormindo — murmurei, relaxando os dedos devagar.

— É difícil dormir quando o ar do quarto parece estar pegando fogo — ela retrucou, a voz carregada de uma rouquidão que fez meu estômago afundar. — Eu estava pensando no que lemos hoje na biblioteca. Sobre o mundo deles.

— Não torture a si mesma, Katara.

— Não é isso. — Ela hesitou, e o silêncio se esticou entre nós. — Eu vi uma menção à Mai nos livros de história. Ela... ela se casou com o Zuko deste mundo. Tiveram uma filha.

Senti o peso daquele nome, mas, para a minha própria surpresa, ele não trouxe dor.

— A Mai do nosso mundo foi uma vítima das próprias circunstâncias, assim como eu — respondi, encostando a cabeça na parede.

— Houve uma época em que achamos que podíamos consertar um ao outro. Mas não era amor. Nós éramos apenas duas pessoas vazias tentando encontrar qualquer migalha de calor no frio absoluto da Nação do Fogo. E isso foi antes de ela descobrir que eu havia matado a Azula.

— Quando soube da verdade, Mai ficou possessa de ódio contra mim — continuei. — Cega pelo luto e pela vontade de me destruir a qualquer custo, ela foi até Ozai e se voluntariou para os experimentos, achando que as máquinas lhe dariam o poder necessário para arrancar a minha cabeça. Mas o corpo dela não suportou o processo de extração. Ela não sobreviveu sequer à primeira sessão.

Deixei a confissão pairar no ar antes de virar o rosto para encará-la. — E o Aang? Quando o portal se abrir... o que você acha que vai sentir por ele?

Katara desviou o olhar para o teto.

— O Aang que eu amava era um símbolo de esperança, a luz que nós precisávamos quando éramos apenas crianças assustadas. Mas eu não sou mais aquela garota. A garota que amava o Aang morreu quando a minha tribo foi transformada em cinzas. Eu mudei, Zuko.

Ela virou o rosto para mim novamente, e o significado implícito naquelas palavras caiu sobre mim como um raio. O passado estava morto para nós dois. A tensão brutal que latejava entre nós não era uma traição a ninguém; era a única coisa real que nos restava.

Trinquei o maxilar, apertando as mãos nos joelhos para me impedir de ir até ela.

— Tente dormir — eu disse, a voz saindo muito mais grave e áspera do que eu queria.

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O AMANHECER FOI UMA TORTURA SENSORIAL. Estávamos tão hiper conscientes um do outro que qualquer movimento parecia premeditado.

O trajeto até o terminal de balsas exigiu que andássemos lado a lado. Caminhamos próximos, mas o problema real começou quando embarcamos na balsa que nos levaria à Ilha do Templo do Ar, o lugar que deduzimos ser o centro espiritual da cidade. O convés estava apinhado de pessoas. Quando a embarcação deu um solavanco forte para sair do cais, a multidão se moveu bruscamente, e Katara foi empurrada contra mim.

Meu instinto foi mais rápido que o pensamento.

Agarrei a cintura dela com firmeza, puxando-a para o canto da grade da balsa, prendendo-a entre o meu corpo e o metal para evitar que fosse esmagada pelos outros passageiros. O impacto das costas dela contra o meu peito arrancou um suspiro trêmulo dos seus lábios. Ela olhou por cima do ombro, os olhos arregalados, e a proximidade era quase insuportável.

A balsa balançava, e a cada ondulação da água, os quadris de Katara roçavam contra os meus. O atrito enviou uma onda de calor direto para a minha virilha, o meu corpo reagiu imediatamente, uma excitação dura e pesada que se tornou impossível de esconder pela forma como estávamos colados. Katara engasgou baixinho, percebendo exatamente a situação, em vez de se afastar, ela engoliu em seco e inclinou a cabeça para trás, o pescoço encostando no meu ombro, os olhos fechados.

Ela estava tão afetada quanto eu.

Apoiei o queixo perto do ouvido dela, inalando o perfume de jasmim, lutando contra a vontade de virá-la ali mesmo e beijá-la até perdermos os sentidos.

Quando finalmente desembarcamos na ilha, tive que respirar fundo várias vezes para limpar a luxúria da mente.

A verdade é que eu estava chocado com as respostas do meu próprio corpo. Depois das torturas, eu tinha certeza de que essa parte de mim estava completamente morta. Eu tentei ser íntimo de Mai apenas uma vez, e foi terrível — um ato frio, mecânico e vazio que só serviu para provar o quanto eu estava quebrado por dentro.

Eu não achava que sentiria desejo por mais nada na vida.

Mas o que eu sentia perto de Katara era surreal. Era uma fome avassaladora que me provava, a cada segundo, que eu ainda estava vivo.

Engoli em seco e forcei esses pensamentos para o fundo da mente, apertando o passo para acompanhá-la. O foco precisava voltar à missão. Afastando-nos das trilhas abertas e evitando os pátios principais, nós nos embrenhamos em uma série de cavernas rasas na parte de trás da ilha.

O som do mundo exterior desapareceu.

No centro da caverna, iluminado por um poço de luz natural que vinha do teto, havia um pequeno lago circular. A água não era comum; ela brilhava com uma iridescência violeta, a exata cor da anomalia.

— É aqui — Katara murmurou, ajoelhando-se. A água reagiu a ela. — A energia é idêntica à do Oásis Espiritual. Este é um ponto de convergência, um portal inativo. Caminhei até ela, parando ao seu lado, o poder puro daquele lugar fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.

— Como abrimos? Não temos os geradores do Sokka aqui.

— Naquela noite, acredito que a fenda nos sugou porque os nossos elementos colidiram em um estado de pura fricção. Se nós fundirmos os nossos chis... podemos forçar uma ressonância com a energia deste lago — Katara disse, pensativa, ao se levantar.

A lembrança da dor ameaçou me paralisar quando pensei em acessar meu fogo abertamente. Eu já havia conseguido usá-lo nesta realidade, e neste mundo, o chi fluía de forma muito mais natural e simples. A energia não resistia, mas o trauma ainda era um fantasma pesado.

Katara, porém, não hesitou, ela estendeu as mãos e segurou meus pulsos, ancorando-me no presente. Fechei os olhos e inspirei profundamente. Em vez de lutar para encontrar a centelha, apenas permiti que ela subisse à superfície. Quando abri as mãos, chamas vermelhas e douradas ganharam vida, puras e desimpedidas, aquecendo o ar sem queimar meus nervos. Katara sorriu, entrelaçando a dobra de água com as minhas chamas. O fogo e a água giraram juntos em uma hélice impossível, a nossa energia não se anulou; ela se multiplicou, criando uma simbiose.

Direcionamos a energia para o centro do lago. A água girou violentamente, e um feixe de luz irrompeu, abrindo um rasgo no tecido do espaço.

O portal para o Mundo Espiritual estava aberto.

Katara entrelaçou os dedos nos meus, com um aperto forte. Estávamos prestes a pular, quando um chiado agudo, como estática de rádio, explodiu de dentro do vácuo, fazendo-nos congelar no lugar.

Não era apenas energia.

Era uma transmissão.

Uma voz mecânica e fragmentada cruzou as dimensões, ecoando pela caverna de forma distorcida e desesperada.

Katara... A voz cortou o ar, cheia de interferência. — Kat... me ouvindo... é uma armadilha... não voltem... para o Templo...

O sangue gelou nas minhas veias.

Era o Sokka.

Notas finais
O sangue gelou nas veias com esse final! Deixe aqui seu comentário sobre o desespero de ouvir a voz distorcida do Sokka cruzando as dimensões para avisar que o plano virou uma armadilha! O que vocês acham que aconteceu nas ruínas após o portal fechar? Não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author