Notas iniciais
Olá pessoal, aqui estou eu novamente. Pra recompensar o capítulo anterior que ficou pequeno, esse ficou bem grandinho. Espero que gostem!

Me levantei correndo e fui té meu guarda-roupa, definitivamente não deixaria Gabriel me ver de pijama. Coloquei um short e uma camiseta qualquer, depois fui para a sala onde me distrai assistindo um filme na televisão enquanto o esperava.

Ouvi a campainha tocar e corri até o portão, o destranquei e avistei Gabriel com uma camiseta branca, uma bermuda preta e vans. Estava segurando uma sacola em mãos.

– Entrega de sorvete – ele anunciou estendendo as mãos com a sacola e abrindo um sorriso.

– Ta brincando, né?

Provavelmente meus olhos até brilharam de felicidade. Além de estar fazendo calor, eu sou apaixonada por sorvete.

– Eu não brinco quando o assunto é sorvete. – ele respondeu sério me fazendo rir.

– Entra – pedi saindo da frente do portão e dando espaço para que ele entrasse.

Gabriel entrou e tranquei o portão. Assim que entrou, ele observou o jardim da entrada.

– Belo jardim sua mãe tem – elogiou.

– Como sabe que é da minha mãe? – indaguei o guiando até a entrada da casa.

– Você me contou que seus pais são separados e essa é a casa da sua mãe, logo, o jardim obviamente não é de seu pai. – afirmou. – Até porque não consigo imagina um homem cuidando de um jardim. E você, bom, você não tem cara de quem cuidaria de flores.

– Ei! – protestei ofendida abrindo a porta da sala – Eu gosto de flores. Aliás, toda garota gosta de flores. – fiz sinal para que ele entrasse.

– Licença – ele pediu e entrou. Gabriel sendo educado, por essa eu não esperava.

Fechei a porta da sala e Gabriel estava me olhando.

– Da próxima eu trago flores. – disse olhando para frente e sorrindo.

– Não foi isso que eu quis dizer, idiota. – rebati rindo e o dei um tapa, mesmo que na verdade tivesse ficado sem graça. – Até porque com certeza prefiro isso aqui. – peguei a sacola com o pote de sorvete em suas mãos e me encaminhei até a cozinha, ele me acompanhou.

A cozinha de minha casa é o que chamam de cozinha americana, há apenas um balcão a separando da mesa de jantar.

– Fica a vontade. – disse ao Gabriel enquanto colocava a sacola sobre o balcão e retirava as coisas de dentro da mesma, um ponte de sorvete e uma pequena vasilha com calda. – Pode puxar um banco pra sentar ou qualquer coisa.

Segui até o armário e peguei dois copos para colocarmos o sorvete, uma colher concha para o pegarmos e outras duas colheres para comermos. Voltei ao balcão e Gabriel estava sentado em um banco de frente o mesmo. Me sentei ao seu lado e comecei a me servir.

– Você não faz ideia do quanto eu amo sorvete. Acertou na certa.

– Então acho que vai gostar desse. – ele supôs.

– De que sabor é? – perguntei o entregando a colher para que se servisse.

– Ninho trufado. É o prefiro da minha irmã.

Coloquei bastante calda no meu e depois experimentei, era realmente muito bom.

– Ah, então você tem uma irmã?

– Sim, ela tem nove anos.

– Pois diga a ela que tem muito bom gosto.

– Pode deixar. – ele respondeu sorrindo – E você, filha única?

– Não, tenho uma irmã mais velha, mas ela saiu de casa esse ano.

– Quando Henrique saiu de casa, eu queria de qualquer jeito me mudar junto com ele, mas é óbvio que minha mãe não deixou. – disse frustrado e depois riu. – E eu também não queria deixar Babi sozinha. – completou pensativo. – Babi é a minha irmã mais nova.

– Que fofo. – elogiei.

– Sua mãe não achou ruim eu vir pra cá? – perguntou mudando de assunto.

– Na verdade ela não sabe que você está aqui, ela foi na casa de minha tia. Mas ela não ligaria não.

– Queria conhecer ela.

– Não diga isso. – balancei a cabeça negativamente – Até porque seria um momento constrangedor.

– Por que?

– Sexta-feira fui te ajudar com os materiais e acabou esquecendo sua carteirinha comigo. E foi ela quem achou, ai veio perguntar quem era e blá-blá-blá. – revirei os olhos e ele riu.

– Nem senti falta da carteirinha.

– Mas vai sentir segunda na hora de entrar na escola.

– Ou não. – ele discordou e nós dois rimos.

Por um breve instante ficamos em silêncio e ele iniciou o assunto o qual era o verdadeiro motivo para estar ali.

– Como foi embora da festa? – perguntou.

– De táxi.

– Eu encontrei a Leticia lá na porta... Ela estava muito brava. – disse dando ênfase ao muito. Olhei para ele incentivando-o a continuar. – Disse que eu tinha te embebedado e que não ia deixar eu fazer as duas melhores amigas dela de trouxas. Acabamos discutindo.

Leticia pode ter agido de forma que me magoou ontem, mas no fundo estava apenas frustrada por medo de alguém magoar as amigas dela.

– Eu não sabia de nada sobre você e a Amanda. – esclareci. – Mas espero que tenha ficado tudo bem entre vocês dois.

– Eu ainda não falei com ela.

– Ah... Mas vocês vão se acertar. – deduzi.

– Tanto faz, não vim aqui por causa da Amanda.

Eu podia sentir seu olhar sobre mim, mas permaneci em silêncio encarando meu sorvete como se de repente ele fosse a coisa mais interessante do mundo. Talvez realmente fosse, mas essa não é a questão.

Ele suspirou e continuou a falar.

– Eu te encontrei e queria que se divertisse, foi apenas por isso que te dei bebida. E eu sei que você estava se divertindo, por isso continuei a levar as bebidas pra você. Eu não embebedei ninguém, você sabe disso, porque você quis beber. E sim, eu estava ficando com Amanda, então não pretendia ficar com ninguém naquela festa. Mas eu queria ficar contigo. Ai aconteceu que eu vi Amanda lá e ela estava com outro cara, então simplesmente interpretei aquilo como um "não temos nada" e tomei coragem pra fazer o que eu já queria, que era ficar contigo. Eu não te usei ou qualquer coisa do tipo, preciso que acredite em mim.

Eu respirei fundo e estralei meus dedos, enquanto ele esperava que eu dissesse algo.

– Tudo bem. – disse por fim.

– De verdade? Então ta tudo bem entre a gente?

– Sim. – respondi sincera e ele sorriu. Eu acreditava nele.

– Então eu queria te fazer um convite. As coisas começaram meio erradas entre a gente, mas queria que você fosse em um lugar comigo hoje, dessa vez sem Leticia e sem Amanda.

Isso com certeza não ia dar certo. Eu ainda tinha que conversar com elas.

– Não posso sair hoje.

– Por que?

– Duas noites seguidas minha mãe vai encher o saco. – inventei uma desculpa, que na verdade tenho certeza que realmente aconteceria.

– Tudo bem. – ele respondeu desanimado.

Coloquei mais sorvete pra mim e ele fez o mesmo. Fiz um coque em meu cabelo e algum tempo depois ele começou a rir, não entendi nada.

– Que foi? – perguntei.

– Seu pescoço... – ele respondeu. Ai eu entendi tudo... Os chupões.

– Se minha mãe ver isso aqui, Gabriel, eu juro que te espanco. – ameacei e ele riu ainda mais.

– Você deixou.

– Não deixei, não. – rebati.

– E gostou! – exclamou. Agradeci aos céus por não ficar vermelha quando estou com vergonha, caso contrário estaria da cor de um pimentão.

– Que abuso! Eu estava sobre efeito do álcool. – disse o enchendo de tapas no braço.

– O álcool não tem nada a ver com isso. – ele respondeu ainda gargalhando.

Peguei uma colher de sorvete e enfiei na boca dele.

– Fica caladinho, vai. – ordenei. Ele foi obrigado a parar de rir para engolir o sorvete.

Gabriel é definitivamente um caso complexo para minha mente. Mesmo que nos conhecemos há poucos dias, eu posso notar contradição em tudo que há nele. Gabriel quando está sério possui uma expressão calma, ou sendo mais específica, posso dizer que está sempre com cara de sono. O que se vê quando olha pro seu rosto, é alguém que leva a vida com tranquilidade, chega a ser duvidoso que alguma coisa pudesse o incomodar. Quando se está conversando com ele, ele sempre mantém contato visual e uma postura forte, mostrando ser confiante. Mas o que se vê em seus olhos, quando não estão sob influência do que ele quer demonstrar ser, é algo bem diferente. Seu olhar está sempre distante, como se estivesse distraído, preso em milhares de pensamentos confusos e em constante reflexão.

É interessante observar que quando ele sorri, seu olhar muda, ele sorri também com os olhos. E quando ele está rindo, seus ombros relaxam e mesmo que não dê para ver seus olhos, pois eles quase se fecham durante a risada e observar o que consigo ver quando ele está sorrindo, é visível que a postura que mantém sempre, desaparece. Me pergunto se ele tenta parecer alguém que não é ou se tenta demonstrar ser muito mais confiante do que realmente é. Ou melhor, me pergunto quais são os pensamentos que o mantém distraído e seu olhar vago.

Eu preciso definitivamente parar com essa mania estranha de tentar ler a linguagem corporal das pessoas.

– Ta na hora de ir embora. – Gabriel disse interrompendo meus pensamentos. – Vim só pra conversarmos mesmo.

– Tudo bem. Vou pegar sua carteirinha. – respondi descendo do banco. – Quer conhecer meu quarto? – perguntei e pisquei pra ele brincando.

– Claro! A cama também, se possível.

– Acho que não. – censurei e ele deu um sorriso torto.

Mostrei pra ele o restante da casa e por último meu quarto, que é simples. Minha cama fica centralizada em uma das paredes, ao lado esquerdo é a parede da janela e ao lado direito há apenas meu guarda-roupa. Na parede em frente a cama, há minha escrivaninha cercada por duas estantes com livros, fotos, CD's e DVD's de minhas bandas preferidas, lembranças de viagens e até alguns de meus ursos que ganhei quando era criança. O quarto é todo branco e a única parede diferente é a da minha cama, que é cheia de letras de música. Foi o que mais chamou atenção do Gabriel no quarto inteiro.

– Muito foda. – ele disse analisando a parede.

– Quando reformamos a casa, disse pra minha mãe que queria assim, ao invés de uma parede pintada de cor diferente como é normalmente. Ai ela mandou fazer.

– Genial sua ideia. – reconheceu – E bom gosto reina aqui, já achei trechos de músicas de um monte de banda que gosto.

– Tem banda pra caralho ai.

– Muito foda mesmo. – ele afirmou olhando para a parede uma última vez e depois se virando para a parede com minhas coisas.

Ele se aproximou das estantes e começou a olhar cada detalhe.

– Você é mesmo apaixonada por música, né. – afirmou olhando os CD's.

– Como não ser?

– E por livros. – deduziu olhando a quantidade imensa que havia ali.

– Também. Minha segunda maior paixão.

– Porque a primeira sou eu, obviamente. – brincou e eu apenas ri.

Ele segurou um porta-retrato em mãos. Um de meus preferidos, em que está eu, Natália, minha mãe e meu pai.

– Sua família? – deduziu analisando a foto.

– Sim, foi na última viagem em família que fizemos, fomos pra Fernando de Noronha.

– Sente falta disso?

Sinto falta dos momentos bons. Das viagens em família que fazíamos todos os anos para lugares diferentes, dos almoços em dia de domingo e de todos reunido na mesa de jantar fazendo a oração antes de comer. Mas os momentos bons se tornaram cada vez mais raros e eu sei que tudo está melhor agora.

Suspirei.

– Não sinto falta das brigas. – respondi sem olhá-lo.

Ele colocou o porta-retrato de volta no lugar e olhou o restante das fotos. Continuei parada no mesmo lugar imersa em pensamentos. Gabriel parou do meu lado e passou o braço por cima do meu ombro.

– Fotografia é a terceira paixão? – perguntou rompendo o silêncio.

Olhei para a frente e analisei cada detalhe, cada objeto e cada porta-retrato.

– Não. Lembranças. – respondi sincera em voz baixa.

Ele ficou em silêncio por alguns minutos e depois me olhou.

– Para com isso. – pediu.

– Isso o que? – perguntei confusa.

– Me fazer pensar e refletir. – Gabriel respondeu e sorri sutilmente.

Me afastei dele e fui até minha cama, peguei sua carteirinha que estava jogada sobre a mesma e entreguei a ele que a guardou no bolso. Ouvi o barulho do portão da garagem se abrindo, provavelmente minha mãe chegara.

– É, você não teve tanta sorte. Dona Renatta chegou, é melhor irmos pra sala. – disse. Ele sorriu e concordou.

Nos encaminhamos até a sala e sentamos no sofá, a TV ainda estava ligada no mesmo canal que coloquei mais cedo. Alguns instantes depois ouvi a porta da sala se abrir e minha mãe passou pela mesma segurando algumas sacolas em mãos.

– Isabelle, me ajuda aqui – ela gritou indo diretamente para a cozinha, sem perceber nossa presença ali.

Permaneci em silêncio e só na volta ela nos notou.

– Olá! – mamãe disse sem graça olhando de mim para Gabriel – Não sabia que tinha visita em casa, desculpa o grito.

– Tudo bem, senhora. – Gabriel respondeu.

– Senhora não, Renatta. – ela disse caminhando em nossa direção.

Levantei para apresentá-los e Gabriel também se levantou. Minha mãe deu um beijo em seu rosto sorridente.

– Você deve ser o Gabriel. – ela deduziu. Como assim minha mãe sabe quem é ele? Nunca falei do Gabriel pra ela. Meu Deus, que vergonha.

– Sim. – Gabriel concordou. Sua expressão foi visivelmente de confusão.

– Mãe, como é que você... – comecei a formular uma pergunta, mas ela me interrompeu.

– A carteirinha. – disse óbvia.

– Ah. – eu e Gabriel dissemos em uníssono.

– Achei que Isabelle andava falando de mim. – Gabriel brincou.

– Ta se achando demais, ein. – rebati e rimos.

– Seria incômodo me ajudar a pegar algumas sacolas no carro? – mamãe perguntou se retirando.

– Mãe... – repreendi.

– Claro que não. – Gabriel respondeu sorridente a seguindo.

– Claro que sim. – disse brava indo até eles. Eu mataria minha mãe mais tarde.

– São só algumas sacolas, Isa. – ela se defendeu e fiz a melhor cara de desaprovação que podia.

Seguimos em direção ao carro e pegamos todas as sacolas, as levamos para a cozinha e com a insistência de minha mãe Gabriel se sentou para que pudessem conversar enquanto ela me obrigou a ajudá-la a guardar as coisas.

Mamãe perguntou a Gabriel coisas sobre sua família e ele contou um pouco de seus pais, sobre ter dois irmãos e que eram todos bem unidos. Seu pai é médico, sua mãe consultora de imóveis e seu irmão está fazendo faculdade de Engenharia Civil. Contou que quer fazer faculdade de Publicidade e acha que vai se dar bem com isso. Minha mãe contou um pouco sobre nossa família, falou da separação com meu pai, de minha irmã e por incrível que me pareceu, falou com muito orgulho de mim. Ela disse que sempre fui muito cabeça e que ajo com mais maturidade do que a família inteira, que se orgulha de quem eu sou e que um dia espera ver um livro meu publicado. Estava tudo indo bem demais pra ser verdade.

– Você escreve? – Gabriel perguntou a mim.

– Sim. – respondi envergonhada. – Como viu, sou apaixonada por livros, ai um dia cismei que escreveria um.

– Eu adoraria ler algum dia.

– Acho que não vai rolar. – resmunguei.

Eu não percebera, mas já estava a noite. Mais cedo Gabriel havia dito que precisava ir embora, devemos ter enrolado a vida dele. Olhei no relógio da parede e já era sete e meia da noite.

– Gabriel, desculpa, acabamos te enrolando né, você disse que tinha de ir embora.

– Tudo bem. – ele respondeu. – Mas agora eu realmente tenho que ir.

– Ta cedo ainda, não quer jantar com a gente? – minha mãe convidou. Aquele era o momento ideal de avisá-lo pra fugir, só não o fiz porque Dona Renatta ficaria brava e eu sei que ele não poderia ficar.

– Eu adoraria, mas vou pra casa de um amigo. É aniversário dele e vai ter uma reuniãozinha em sua casa. – explicou. – Na verdade vim apenas convidar Isabelle pra ir comigo, queria muito que ela fosse, mas ela disse que a senhora não deixaria. – ele disse fazendo uma expressão triste e sendo extremamente educado. Gabriel estava tentando manipular minha mãe.

Segurei a vontade de rir e fiquei quieta na minha.

– Bom, realmente não sou acostumada com ela saindo tanto. – mamãe respondeu.

– Entendo perfeitamente, eu apenas gostaria muito da companhia dela.

– Nesse caso, acho que não tem problema. Pode ir, Isabelle. – ela concedeu me olhando com um sorriso nos lábios.

Eu conheço esse sorriso. Ela vai me atazanar por uma década falando do Gabriel.

– Onde é e que horas? – perguntei ao Gabriel.

– É na casa do Gustavo, ta marcado oito horas.

– Oito horas é daqui a pouco.

– Pois é, vou direto daqui pra lá. Podemos ir juntos... – sugeriu. – E nem precisa trocar de roupa.

– Pode ser, mas eu vou trocar de roupa. – afirmei e ele deu uma breve risada. – Você espera?

– Espero.

– Mãe, por favor, não faça ele sair correndo – supliquei com os olhos, tendo certeza de que ela falaria merda assim que eu me retirasse. Ela não respondeu.

Corri até meu quarto ainda não acreditando que Gabriel convencera minha mãe a me deixar sair com ele, a questão não era nem ela ter deixado, porque isso eu também convenceria se quisesse tentar, a questão é que eu não pretendia ir. Gabriel pode até ter esclarecido tudo, mas eu ainda tinha que conversar com as meninas e sei que esse negócio de sair com ele de novo ia gerar muita confusão. Peguei meu celular e havia mais mensagens e até chamadas perdidas. Eu olharia depois de quem era, precisava me arrumar rápido.

Resolvi ir simples, já que seria apenas uma reunião na casa do Gustavo pelo que Gabriel falou e ele tinha sugerido que eu fosse até do jeito que estava. Coloquei uma blusa de alcinha preta, um short e um vans preto. Escovei meus dentes e passei maquiagem apenas nos olhos, depois peguei uma jaqueta preta no meu guarda-roupa pra caso fizesse frio, meu celular, dinheiro, as chaves de casa e voltei correndo para a cozinha.

Cheguei lá e os dois estavam rindo de alguma coisa.

– Eu esqueci de avisar que era pra ir simples? – Gabriel perguntou brincando enquanto me olhava.

– Mais simples que isso só eu indo pra escola. – respondi e ele riu.

Gabriel se levantou e despediu de minha mãe. Fiz o mesmo e ela disse para nos divertirmos. Minha mãe sendo tão legal chega a ser cômico.

– Me diga que ela não falou nenhuma merda. – supliquei saindo pela porta da sala.

– Sua mãe é legal.

– Porque não é a sua mãe. – afirmei e ele riu. – É na casa do Gustavo mesmo ou você inventou aquilo?

– É sim, mas não é aniversário dele. – Gabriel respondeu.

– E é realmente só uma reuniãozinha, né?

– Sim, vai ter no máximo dez pessoas lá. Eu, você e o pessoal que estava na festa.

– Entendi. – respondi trancando o portão.

– Vamos só beber e bater papo.

– E vamos de que? – perguntei e no mesmo instante um táxi estacionou em nossa frente.

– Chamei um táxi quando foi arrumar. – respondeu abrindo a porta pra que eu entrasse.

Entramos no carro e ele passou o endereço do Gustavo pro motorista, não demorou muito e chegamos no lugar. Gabriel pagou toda a corrida, mesmo que eu tenha insistido em pagar metade.

A casa parecia ser enorme do lado de fora. Gabriel tocou o interfone e disse que era ele, o portão foi destravado e entramos. A casa não parecia enorme, era enorme. Tinha dois andares e o jardim de entrada pelo qual Gabriel me guiou era enorme e todo iluminado.

Gabriel abriu a porta da entrada sem receio como se estivesse acostumado a ir ali ou talvez porque já estivessem nos esperando. A casa por dentro era ainda mais linda, os cômodos enormes e com uma decoração impecável. Não sabia que Gustavo era rico.

– A mãe dele é arquiteta. – Gabriel disse como se estivesse lendo meus pensamentos.

– Tudo explicado.

Não vi toda a casa, mas o que vi me fez pensar que a mãe dele deveria ser uma excelente profissional.

Gabriel me levou até a varanda dos fundo, onde estavam todos sentados conversando.

– Olha a loira ai – Bruno gritou assim que me viu.

Estavam ali Gustavo, Carol, Bruno, Luiza, Gabriela, Caio e uma garota que eu não conhecia. Tirando a garota era realmente as mesmas pessoas da festa. Nos aproximamos do pessoal e a primeira a vir me cumprimentar foi Carol.

– Ai que bom que Gabriel te trouxe. – ela disse sorrindo enquanto me abraçava.

– Não vão se livrar de mim tão fácil agora. – respondi brincando e ela riu.

O resto do pessoal também veio me cumprimentar, fiquei feliz com isso, pois achei que ninguém se lembraria de mim, já que estavam todos bêbados. Luiza me apresentou a garota que não conhecia, seu nome é Rafaella. Ela é magrinha, baixinha e tem o cabelo preto na altura dos ombros, também foi muito simpática comigo.

Me sentei em um sofá ao lado de Carol, que estava ao lado de Luiza. Em frente ao sofá estavam o resto do pessoal sentados em bancos formando um círculo.

– Quer beber alguma coisa? – Gabriel me perguntou com certo receio. Provavelmente por ter sido acusado de me embebedar na noite anterior. Fiquei com dó na hora.

– Qualquer coisa menos cerveja. – respondi fazendo careta. Ele riu e se retirou.

– A festa ontem foi muito boa, você devia ter ficado até o fim. – Carol disse.

– Aconteceram umas coisas e tive que ir embora. – expliquei.

– Pois é, nem te vi indo. Mas também eu tava bem louca!

– Todo mundo tava. – Luiza disse se juntando a conversa e rimos.

Gabriel voltou junto com Gustavo trazendo algumas bebidas.

– Caipirinha de morango. – ele disse me entregando. – Tenho certeza que vai gostar.

– Obrigada – agradeci e experimentei um pouco da bebida. Era melhor do que qualquer coisa que eu tenha tomado ontem.

Gabriel puxou um banco e se sentou em minha frente.

– Que horas foi embora, Gabe? – Luiza perguntou.

– Não faço ideia de que horas eram.

– Não despediu de ninguém esse cuzão, saiu sem falar nada. – Bruno intrometeu.

– Tive que ir.

– Isa e Carol tavam apostando quem conseguia ficar mais chapada? – Gustavo perguntou zuando.

– Carol ganhou. – respondi e todos concordaram.

– Eu não me lembro de quase nada. As únicas lembranças claras que tenho acabam um pouco depois de Gabriel ter aparecido com a Isa. – Carol contou.

– Tu só não ficou mais louca que o Bruno. – disse Caio.

– Nossa, nem fala... – resmungou Bruno – Eu me joguei na piscina, cheguei em casa todo molhado, molhei minha cama toda e o pior foi quando acordei que vi que minha carteira, celular, tudo tava no bolso.

– Porra, seu celular ta funcionando? – perguntou Gabriel.

– Claro que não, já era.

– Que merda, ein.

– Dona Gabriela pegou seu irmão, Gabriel. – Gustavo disse sorrindo divertido e Gabriela lançou um olhar furioso para ele.

– Achei que tivesse bom gosto, Gabi. – Gabriel disse indiferente.

– Nem vem com essa, porque o Henrique é muito gato. – ela se defendeu.

– Eu pegava. – disse Rafaella.

– Quem você não pegaria, Rafa? – Bruno indagou fazendo todos rirem.

– Você. – ela respondeu séria apontando dedo pra ele.

– Podia ter ficado sem essa. – disse Caio.

Eles continuaram contando coisas sobre a festa e eu estava desconfortável com a situação. Não fazia ideia se alguém tinha visto ou sabia que eu e o Gabriel ficamos, mas fiquei rezando mentalmente para que não tocassem no assunto e felizmente, se alguém sabia, não tocou.

– Já que Isabelle é a mais nova integrante da turma, acho justo ela falar um pouco de si, né. – Bruno sugeriu mudando de assunto. – Eu não sei nada de ti além de que gosta de dormir a aula inteira.

Todos riram da informação desnecessária, inclusive eu.

– E que tem uns pensamentos muito fodas. – Gustavo reconheceu.

– E reflexivos. – Gabriel completou.

– Falar o que? – perguntei. – Tem nada pra contar. Minha vida é a coisa mais chata e monótona da vida. Não costumo sair, não bebo, não fumo, não me drogo, não me divirto, não vivo... – disse e todos riram. – Não é legal rir da desgraça alheia. – as risadas ficaram ainda mais altas.

– Mas tu bebeu ontem e ta bebendo hoje. – Caio disse.

– Acredite se quiser, foi a primeira vez na vida que tomei bebida alcoólica. – expliquei.

– Ta me zuando? – Bruno perguntou perplexo.

– Não mesmo.

– Então também é virgem? – indagou.

– Bruno – Carol gritou o repreendendo. – Você é o ser mais inconveniente do planeta.

Todos da roda riram, mas todos continuaram me olhando esperando uma resposta.

– Relaxa. – disse à Carol. – Sou não. – respondi ao Bruno.

Eu realmente não era. Ano passado comecei a ficar com um cara da minha sala, o nome dele era Pedro. Não foi nada sério como foi o rolo que tive com o Arthur, mas acabou rolando. Apesar de não ter ido pra frente, continuamos amigos, mesmo que eu não fale com ele desde o ano passado.

– Perai, tu nunca fez nada de errado na vida, mas já transou. Qual a coerência nisso? – perguntou Caio.

– E desde quando transar é errado? – rebati.

– Eu gosto cada vez mais dessa garota. – Bruno afirmou sorrindo malicioso. Apenas ri em resposta. – Tem namorado?

– Não. – respondi.

–Ta ficando com alguém?

– Também não.

– Então a gente dá um jeito nisso hoje. – ele disse descaradamente e o pessoal riu.

– Bruno, fecha a matraca. – Gabriel ordenou e Bruno ficou quieto.

– Agora é uma questão de tempo pra você conhecer as coisas divertidas da vida. – disse Luiza animada.

– Já aprendeu a beber, já é um grande passo. – concordou Bruno.

– E ficou bêbada pela primeira vez. – disse Carol. – Não perdeu a memória igual a mim, mas ficou bêbada.

– Perder a memória não é legal. – disse Rafaella.

Eles continuaram conversando, mas não prestei atenção na conversa. Percebi que Gabriel estava quieto e só falava algo de vez em quando ou quando se direcionavam a ele. Ele estava bebendo sua cerveja tranquilamente, provavelmente não a primeira, pois até a minha caipirinha já havia acabado.

– Onde estão os pais do Gustavo? – perguntei a ele, que demorou um tempo para perceber que eu estava falando era com ele.

– Foram pra uma fazenda. Os pais dele trabalham demais e sempre que conseguem uma folga, gostam de ir pra esses lugares mais calmos.

– Entendi.

– Quando era mais novo Gustavo gostava de ir junto, hoje em dia chama a gente pra vir beber.

– Vocês se conhecem há quanto tempo?

– Desde o jardim de infância. – respondeu após dar outro gole em sua bebida.

– Nossa.

– Pois é. Ai na quarta série conhecemos Bruno, na oitava Carol e Luiza e através delas conhecemos o Caio, Gabi e Rafa. – explicou.

– Se conhecem a bastante tempo então. – afirmei e ele apenas balançou a cabeça positivamente.

– Podíamos jogar alguma coisa. – ouvi Bruno sugerir.

– Adorei a ideia! – Carol disse eufórica.

– Que tal “Cerveja Bomba”? – Bruno perguntou.

– Esse é o jogo mais inútil e chato do mundo. – disse Luiza.

– Que porra é essa? – perguntei.

Um jogo que chama Cerveja Bomba não me parece uma coisa muito legal.

– Basicamente temos que ter um monte de latinha de cervejas e ai escolher algumas e chacoalhar muito, muito mesmo. Depois misturamos todas as latas dentro de uma caixa e ai cada participante do jogo tem que escolher uma lata, colocar em direção ao rosto e abrir. Se a cerveja não explodir na sua cara, você perde e tem que beber, se explodir você fica encharcado, mas ganha. – explicou Bruno.

– Acho que não to afim de uma latinha de cerveja explodindo na minha cara. – disse fazendo careta.

– Apoiada. – disse Carol.

– Vamos jogar “Sueca”. – sugeriu Gabriel e todos toparam.

– Vou buscar as coisas. – disse Gustavo.

– Vou buscar as bebidas e os copos. – Gabriel anunciou se retirando.

Não fazia ideia de que porra era "Sueca", mas estavam todos bem animados. Nos sentamos no chão formando uma roda, no centro Gabriel colocou três garrafas de vodka e duas de tequila, depois entregou um copo de dose vazio para cada um de nós. Gustavo voltou com um baralho e uma ficha.

– Funciona da seguinte forma – Gabriel começou a explicar –, pegamos um baralho normal, embaralhamos e colocamos no meio da roda, então em sentido horário cada participante tem que pegar uma carta do baralho e o número da carta remete a alguma ação que está nessa ficha. – ele pegou a ficha e levantou para que todo mundo pudesse ver. – Todas as ações envolvem beber dose de alguma coisa, que no caso temos vodka e tequila. Eu vou ler a ação que cada carta representa e depois começamos a jogar.

A ficha continha as seguintes informações:

A: Escolhe uma pessoa para beber.
2: Escolhe duas pessoas para beber.
3:Tome uma dose dupla.
4: Jogo do “Stop” – Quem tirou a carta escolhe uma categoria e uma letra do alfabeto e dá um exemplo. O próximo jogador tem que seguir o padrão. O primeiro que errar ou não souber, bebe. Por exemplo: O jogador escolhe “carros com a letra A”, e dá como exemplo “Audi”. O próximo diz “Astra”. O outro “Alfa Romeu”, e assim por diante.
5: Jogo da Memória – Quem tirou a carta fala uma palavra qualquer. O próximo tem que repetir a palavra anterior e adicionar uma. E assim por diante. Exemplo: Quem tirou a carta fala “jamanta”. O próximo fala “jamanta cabrito”. O próximo diz “jamanta cabrito mesa”, e assim por diante. O que errar ou demorar, bebe.
6: Continência – Quem tirou o 6 guarda a carta (não a devolve ao monte de descarte, como as demais) e usa-a quando quiser. Discretamente, essa pessoa deve colocar a mão na testa, fazendo continência e observar os outros jogadores. O último que perceber e fizer continência, bebe.
7: A pessoa a direita de quem tirou a carta bebe uma dose.
8: Regra Geral – Quem tira essa carta determina uma regra para todos obedecerem. Pode ser algo do tipo “está proíbido falar a palavra ‘beber’ e seus derivados”, ou “antes de beber uma dose, a pessoa tem que rebolar”. Quem quebrar a regra, deve beber.
9: Mão na Nuca – Parecida com a regra do número 6. A carta é guardada e usa quando o jogador quiser. Ao invés da continência, o jogador coloca a mão em sua nuca.
10: Saída – Essa carta também pode ser guardada, e negociada, se for o caso. Ela permite ao jogador uma ida ao banheiro. Caso o jogador não possua a carta 10, ele deve beber 3 doses antes de sair.
J: O jogador à esquerda de quem tirou o valete bebe uma dose.
Q: Todas as mulheres da mesa bebem uma dose.
K: Todos os homens da mesa bebem uma dose.

– Entendido? – Gabriel perguntou assim que terminou de ler e todos concordaram. – Então vamos começar o jogo, por mim. A gente vai passando a ficha pra podermos ler o que temos que fazer.

Ele pegou uma carta no baralho e a levantou para que todos da roda pudessem ver.

– Número 2, escolho duas pessoas para beber. – disse e olhou para todos da roda pensativo. – Gustavo e Carol.

– Eba! – Carol comemorou.

Os dois pegaram seus copos, o encheram de vodka e viraram a bebida.

– Sua vez. – Gabriel disse me entregando a ficha.

Tirei uma carta do baralho e olhei o número.

– Número 10 – disse em voz alta mostrando a carta para todos, logo em seguida li a ação na ficha –, tenho direito a guardar a carta e usá-la para ir ao banheiro.

– Ah, que sem graça! – Bruno reclamou.

O próximo era Gustavo, que estava sentado ao meu lado.

– Número 1 ou A, tanto faz. Escolho uma pessoa para beber. Gabriel, é claro.

– Dando o troco, é? – Gabriel perguntou e Gustavo deu de ombros indiferente. Todos riram.

Gabriel pegou seu copo e colocou vodka no mesmo, depois o virou e ai foi a vez de Carol jogar.

– Valete. O jogador a esquerda bebe. – ela disse e olhou para Gustavo com uma expressão triste. – Lamento, amor.

– Hoje é dia do Guga ficar chapado. – Caio afirmou.

Assim que Gustavo tomou a doze, Luiza pegou uma carta no baralho.

– Número 4 – disse mostrando a carta –, vamos jogar stop.

– Ai que merda, sou péssima nessa coisa. – Rafa reclamou.

– Ahn... frutas com a letra F. – Luiza escolheu.

Então o jogo de stop começou por quem estava ao lado de Luiza e que seria o próximo a jogar, no caso Bruno.

– Framboesa – Bruno disse.

– Figo – Gabriela disse sorrindo vitoriosa.

– Figo é carne – Bruno rebateu contradizendo.

– Existe a fruta Figo também. – ela esclareceu.

– É verdade – Gustavo concordou.

Bruno não pareceu muito convencido disso, mas deixou que o jogo continuasse. Todos olharam para Rafaella que estava pensativa.

– Não consigo pensar em nada. – ela reclamou.

– Existe alguma outra? – perguntei e ninguém da roda se pronunciou. – É, acho que não. Vai ter que beber, Rafa.

– Eu disse que era péssima. – ela afirmou pegando a bebida e todos riram.

Em seguida, foi a vez de Gabriela, que tirou o número 3.

– Tenho que tomar uma dose dupla. – ela leu a ficha. – Comecei bem! – disse irônica pegando o copo para beber.

Rafaella tirou a Dama e foi a vez de todas as mulheres beberem, estavam todos escolhendo a vodka, então resolvi ser diferente. Peguei a garrafa de tequila e enchi meu copo.

– Olha essa Isabelle... – Bruno falou indignado.

Não havia limão. Não havia sal. Virei a bebida e a primeira coisa que pensei ao sentir o líquido descendo pela minha garganta foi: Escolha errada. Não contive uma careta que arrancou gargalhadas uníssonas dos outros jogadores.

– Essa é minha garota! – Gabriel disse fingindo bater palmas.

Encerrando a primeira rodada foi a vez de Caio.

– Número 6 – disse mostrando a carta. – Continência. Ou melhor dizendo, vou trollar todos vocês em algum momento.

Novamente era a vez de Gabriel, ele tirou o número 7, o que indica que o jogador a direita, que no caso era eu, teria de beber uma dose. Dessa vez fui inteligente o suficiente para escolher a vodka. Não que beber vodka pura fosse uma escolha inteligente, mas na situação era a melhor opção.

Em minha vez tirei o número 8, indicando que eu deveria escolher uma regra para o jogo.

– Não pode fazer careta ao virar uma dose, ou terá que virar outra. – ordenei.

– Devia ter criado a regra antes de ter virado a tequila. – Bruno sugeriu rindo.

Estávamos todos distraídos e quando olhei para Gustavo ele estava fazendo continência, olhei correndo para Caio que estava fazendo o mesmo e imediatamente imitei. A última a perceber que Caio havia usado sua carta de continência foi Rafaella, que se irritou.

– Mas você acabou de tirar a carta Caio, por que não esperou mais? – perguntou reclamando.

– Porque não. – ele respondeu e ela revirou os olhos.

Continuando o jogo Gustavo tirou a carta número 5, que remetia ao Jogo da Memória, o qual acabou sendo bastante engraçado. Chegamos a onze palavras, até que Carol trocou limões por milhões, palavras que estavam consecutivas e gerou muitas gargalhadas. Ela escolheu virar uma dose de tequila e acabou fazendo careta, o que quebrou a minha regra de fazer caretas e fez com que tivesse de virar mais uma dose.

– Desse jeito eu vou ficar bêbada rapidinho – ela reclamou se recuperando das duas doses consecutivas de tequila.

E ela estava certa. O jogo prosseguiu e não demorou muito para que todos nós estivéssemos bêbados. Chegou a um ponto em que o jogo da memória não passava de cinco palavras, ninguém conseguia pensar direito no Jogo do Stop. Continência e Mão na Nuca geravam crises de riso. A carta de saída para o banheiro se tornou o ouro do baralho e a Regra Geral mudou diversas vezes para coisas como ter que falar alguma palavra de trás pra frente após beber, não poder falar o nome de ninguém e a mais idiota que foi não poder rir, regra escolhida por Bruno, que ajudou com que as bebidas acabassem ainda mais rápido. Já que estávamos bêbados, então tudo era motivo pra risada e o fato de não poder rir, só ajudava com que tivéssemos crises de riso. O jogo acabou apenas quando as bebidas acabaram e todos, sem exceção, estavam completamente bêbados. Inclusive ou principalmente eu.

Notas finais
Desculpem ter parado nesse momento, mas fui praticamente obrigada, porque ainda vai rolar muita coisa nessa noite e o capítulo já estava grande. E então, o que acharam? Comentem por favor.