Poltrona 19
46 Eu amo você
Notas iniciais
– Não consigo me decidir sobre Brahma ou Skol. – disse Amanda enquanto a moça da loja moldava o vestido em seu corpo.
– Acho que Brahma. – respondeu Leticia.
– Muita vodka... E umas batidas? Batida é bom.
– Não é melhor você economizar um pouco de dinheiro? – sugeri. – A galera vai beber o que tiver de qualquer jeito.
– Só algumas rodadas pro começo da festa, quando todo mundo ainda ta sóbrio. – justificou Amanda.
– Podia ter uns cachorro-quentes, salgadinhos e brigadeiro né. – pediu Leticia.
Amanda virou pra trás e a encarou com um olhar repreendedor.
– Leticia, eu to fazendo 18 anos, não 8.
O aniversário de Amanda está chegando e nós já saímos com ela um milhão de vezes pra ela procurar uma roupa pra usar. Hoje ela finalmente encontrou um vestido que gostou, mas vai ter que fazer uns ajustes pra adequar ao corpo dela. Ela ficou bem bonita, como é e como sempre foi.
Amanda vai fazer uma festa numa casa que a mãe dela alugou, que é quase como uma chácara dentro da própria cidade. O lugar é bem grande e tem até piscina. Vai ser uma puta festa. E eu ando bem ocupada fazendo um dos presentes que darei pra ela. Desde crianças, eu e as meninas sempre idealizamos como seriam nossas vidas quando fizéssemos 18 anos. Hoje em dia não tenho mais a ilusão que tinha há anos atrás de que seria uma adulta e não teria que dar mais satisfação pros meus pais, poderia fazer o que quiser e mandaria na minha própria vida. Isso não muda nada.
O que vai mudar pra nós não tem muito haver com a idade e sim com as circunstâncias. Nós estamos terminando o colégio, vamos pra faculdade e aí tudo pode acontecer. Tenho medo disso. Todas nós prestaremos vestibular pra lugares diferentes e podemos acabar saindo de Curitiba, nos mudando e nos separando. Não sei o que vai ser do próximo ano, mas sei menos ainda do que será de mim se eu for obrigada a ficar sem essas duas. E é por isso que eu resolvi dar um presente especial pras duas em seus respectivos aniversários. To trabalhando nisso.
Tudo anda tão bem na minha vida que chega a ser meio assustador, quando essas coisas acontecem já fico esperando por algum desastre que acontecerá eventualmente. Ando focada no colégio porque as provas finais antes das férias estão chegando e minhas notas estão ótimas. Estou bem com meus amigos e eu e Gabriel não discutimos por absolutamente nada desde que voltamos, o que já tem quase três semanas.
No último fim de semana ele me levou pra uma festa e quando acordei deitada em sua cama, no seu quarto, na sua casa, eu quase dei uma choradinha de tanta emoção. Me lembro de ir até o banheiro e ficar uns vinte minutos sentada em cima da pia tentando controlar o sorriso que tava no meu rosto. Gabriel nunca levou uma garota pra casa. Eu fui a primeira garota que dormira ali.
Quando saí do banheiro ele ainda dormia tranquilamente, esparramado em sua cama de casal que cabia eu, ele e mais um time de futebol inteiro. Caminhei até a sacada e abri um pouco da cortina para que entrasse luz no quarto. A única vez que estivera ali a luz estava apagada e não consegui enxergar nada direito. Mesmo assim, percebi que havia algo diferente, antes haviam três guitarras penduradas em uma das paredes, agora são apenas duas, e o suporte de skates dele esta quebrado. Não demorou para que eu entendesse o que acontecera ali, provavelmente foi algum de seus surtos.
– Fecha essa cortina. – resmungou Gabriel.
Olhei para ele se espreguiçando na cama e sorri.
– Você toca guitarra? – perguntei.
– Costumava tocar, mas não mais. – ele respondeu tampando a cara com um travesseiro.
– Por que? – insisti no assunto subindo na cama. Me sentei sobre ele e tirei o travesseiro do seu rosto. Ele me olhou com cara de quem queria me matar, mas só sorri de volta.
– Não gosto mais.
– Eu adoraria te ver tocando. – joguei a indireta.
– Sem chances. – afirmou Gabriel pegando um outro travesseiro e repetindo a ação.
– Por favor.
– Não mesmo.
Deitei a cabeça sobre o travesseiro em cima do seu rosto e esperei ele reclamar. Não demorou muito.
– Você ta me matando sufocado. – reclamou Gabriel com a voz abafada.
Novamente tirei o travesseiro do seu rosto.
– Bom dia! – disse sorrindo.
Dessa vez ele sorriu de volta e puxou meu resto para perto do seu.
– Bom dia! – ele respondeu após me dar um selinho.
Nós resolvemos sair para almoçar e eu esperei ele tomar banho. Quando ele saiu do banheiro enrolado numa toalha, quase mudei de ideia. Mas o que aconteceu a seguir foi a coisa mais engraçada do meu dia. Ele andou em direção a única porta que não sabia aonde levava, porque não é a porta do banheiro. E quando ele a abriu, eu fiquei perplexa ao perceber QUE É UM CLOSET. Assim que ele se vestiu, olhou pra trás e viu minha cara, acho que se arrependeu instantaneamente de ter entrado ali.
– Isso. Não. É. Um. Closet. – ele disse pausadamente e eu comecei a surtar.
– MEU DEUS DO CÉU, VOCÊ TEM UM CLOSET! – gritei entrando no lugar e surtei mais ainda ao ver todas as suas coisas separadas. Camisetas, calças, bermudas, casacos, sapatos. – MEU DEUS!
– Isso não é um closet! – resmungou Gabriel com cara de bosta.
– Sim, isso é!
– Quando nós compramos a casa essa coisa já estava aí! Simples assim! E eu fiz ela de guarda-roupa! Eu não tenho um closet! Eu tenho um pequeno cômodo como guarda-roupa!
– Que se chama closet! – rebati gesticulando com as mãos.
– Eu desisto. – disse Gabriel saindo dali com a maior cara de derrota do mundo e eu comecei a rir muito.
– Fala sério, Gabriel. A palavra closet é uma coisa meio viada, mas isso é a coisa mais legal do universo. Meu sonho ter um closet! E olha que eu nem teria roupas pra enxer um closet.
– Estou te ignorando. – ele gritou do quarto me fazendo rir mais.
Comecei a olhar todas as camisetas que ele tem e descobri que Gabriel tem uma obsessão por roupas pretas, brancas e cinzas. A maior variação de cores que vi foram nos casacos e sapatos, e no máximo cores como azul, só. Eu tava achando aquilo demais e foi então que tive uma ideia. Tudo que eu tinha ali era minha roupa e sapato de ontem, no caso um vestido e uma sandália de salto. E nós teríamos que passar na minha casa só pra eu poder me trocar antes de irmos comer, porque eu não iria de salto.
O que eu fiz? Vesti um casaco do Gabriel por cima do meu vestido e calcei um de seus tênis. O casaco ficou quase do tamanho do meu vestido e o tênis ficou tão grande que cabia quase outro pé la dentro, mas nunca me senti tão bem e confortável na minha vida. Então parei na porta do closet, fiz uma pose engraçada e disse:
– Gabriel Fornazier apresenta coleção outono/inverno.
Ele estava pegando suas coisas para que pudessemos ir e quando me viu começou a rir instantaneamente.
– Não basta o Bruno roubar minhas roupas, agora você também? – ele brincou caminhando em minha direção. Gabriel entrou no closet, pegou algo e voltou. Ele parou na minha frente e colocou uma toca na minha cabeça. – Pronto, agora o look ta completo.
– Você vai ter coragem de sair comigo assim?
– Por que eu não teria? – ele perguntou abraçando meu pescoço. – Você ta mais linda que nunca.
– Fala sério, Gabriel. – rebati constrangida, sentindo minhas bochechas queimarem.
– Eu to falando sério. E você ainda não percebeu que fica linda de qualquer jeito?
– Eu te odeio. – sussurrei.
Ele sorriu e me beijou.
Pois bem, como eu disse, estava tudo bem. Mas como eu também disse, já estava esperando por algo ruim acontecer. Eis que tudo começou na quarta-feira, dia 19 de Junho, no último horário. Me sentei no topo da arquibancada e observei os meninos no meio da quadra. Era horário de Educação Física e eles estavam dividindo os times para jogar. Concentrados como se a Copa do Mundo dependesse deles. Carol se sentou ao meu lado e ficamos aproveitando os fracos raios de sol que surgiram depois de uma noite que choveu até granizo.
– Isa, nós nunca conversamos sobre aquele assunto. – disse Carol repentinamente. Eu demorei um pouco para entender do que ela estava falando, mas bastou olhar na mesma direção que ela e ver Gabriel animado no meio do campo, para saber. Ela estava se referindo a noite em que eu confessei para ela ser apaixonada pelo Gabriel e ela disse que já sabia.
– Como você sabia? – perguntei.
– Pra te falar a verdade não fui eu quem desconfiei, foi Gustavo. – ela contou. – Mas não foi por sua casa, foi pelo Gabriel. Ele tava grudado demais contigo e ele não é assim, então primeiro o Gustavo entrou numa paranoia de que poderíamos estar deixando o Gabriel meio de lado sem perceber por causa do namoro e mesmo que ele tivesse o Bruno, ás vezes a euforia e felicidade do Bruno é demais pra ele. Eu falei que nada a ver, que isso era viagem da cabeça dele, que não nos afastamos do Gabriel e que vocês estavam mais próximos porque se dão certo, são tão amigos quanto qualquer um de nós era e que seu jeito compreensivo talvez tivesse ajudando ele de alguma forma.
“Aí no dia em que fomos pro pub, que você participou daquela competição em cima do palco, o Gustavo soube que vocês já tinham ficado e entrou numa outra paranoia. Ele ficou com medo de que o Gabriel pudesse se aproveitar da sua inocência e ingenuidade pra fazer um dos joguinhos dele com você. Fazer com que em algum momento você acabasse se apaixonando por ele e enfim, você não sabe como o Gabriel é.”
“Mas quando o Gustavo me contou essa segunda teoria, eu também parei pra pensar. Porque como eu não imaginava que vocês já tinham se pegado, não imaginava mesmo, visto que isso foi na festa do Samuel e você deve se lembrar que eu estava alucinada, foi a primeira vez que abri os olhos pra tentar enxergar algo mais entre vocês. E não tem como, Isa, mulher percebe essas coisas. Eu comecei a perceber o quanto você se preocupa com o Gabriel, tanto quanto nós, mas de um jeito muito mais protetor. O humor dele define o seu humor. Sempre que o Gabriel estava feliz, você tava o dobro e quando ele estava mal, você não somente estava mal como preocupada. Aquele dia no hospital, estávamos todos desesperados e sem chão, mas eu não via vida nos seus olhos. Eu senti medo duplamente da notícia que poderíamos receber e Gustavo também percebeu isso.”
“E aí bastou ir juntando uma pecinha na outra pra eu ter certeza do que você sentia por ele, mas o que começou a me intrigar era o próprio Gabriel, porque eu percebi que ele tava passando mais tempo contigo do que com o resto de nós. Foi quando eu cheguei a conclusão de que o Gabriel também já percebeu seus sentimentos, então inconscientemente e involuntariamente se aproveita disso. Ele te puxa pra perto e te mantém por perto, porque isso faz bem pra ele, só que em diversos sentidos. É aí que mora o problema e é isso que não me deixa sossegada. ”
Respirei fundo e encarei meus próprios pés, já sabendo da sensação de dejavú que viria a seguir. O sermão que já ouvi milhares de vezes se repetiria.
– Posso te fazer umas perguntas? – pediu Carol e eu assenti sem sequer olhá-la. – Vocês não ficaram só uma vez, né?
– Não. – respondi.
– Vocês transaram?
– Sim.
– Também não foi só uma vez, né?
– Não. – confirmei e se fez um silêncio entre nós. A olhei de canto de olho e percebi que essa resposta pareceu tê-la preocupado de verdade.
– Isso é recorrente, Isa? – ela perguntou me olhando. – Vocês estão ficando, se pegando ou sei lá?
A forma com que ela me olhou me fez ter medo de responder. Eu queria tanto dizer a verdade e ver o que ela teria pra me dizer, desabafar sobre tudo isso e tirar esse peso de cima das minhas costas, porque simplesmente não suporto mais carregar esse fardo sozinha. Só que eu conseguia ver nos olhos dela o mesmo que vi no de todo o resto: reprovação, preocupação, pena. Como se eu não soubesse no que me meti e que foi a maior burrada que já cometi.
– Não. – menti sentindo vontade de chorar, por continuar guardando tudo isso dentro de mim. – Aconteceram apenas algumas vezes.
– E você já contou pra ele que gosta dele?
– Não. – tornei a mentir. Se na minha mentira tudo que tive com ele não passou de alguns deslizes, eu não teria aberto meu peito e coração como já fiz.
– Isa, eu sei que o Gustavo já teve uma conversa com você sobre isso há muito tempo e que inclusive foi em forma de sermão. Mas de amiga pra amiga, eu não consigo ver isso acabando bem. Eu não sei como dizer isso sem me sentir mal por te deixar mal, mas o Gabriel não faz o tipo de cara que vai se apaixonar por você e vocês vão ficar juntos. Muito pelo contrário. Não é por maldade, mas o Gabriel não tem estrutura psicológica nem pra lidar com a vida dele, entende? Quem dirá pra se envolver com uma outra pessoa. E já tem tanta garota obcecada por ele, que faria o que ele quisesse, que acostumou ele assim. Eu já vi ele pisando e esnobando tanta guria que já chorou por ele como se o mundo estivesse acabando. Eu não consigo imaginar ele fazendo isso contigo, mas ele não vai corresponder, Isa.
– Eu só queria entender por que toda vez que alguém entra nesse assunto, vocês falam do Gabriel como se ele fosse o maior idiota do mundo. – rebati. – E o Gabriel que eu conheço não é assim!
– Não é isso, Isa! Eu não to aqui pra dizer que o Gabriel é um idiota. Eu só to aqui pra dizer que não adianta você se iludir, vocês não ficariam juntos.
Eu não aguento mais ouvir isso e foi então que cheguei ao meu limite.
– Já ficamos. Ficamos juntos por cinco meses, Carol. – confessei. A partir desse momento não dava mais pra voltar atrás. – Nós estamos juntos desde Fevereiro, quando o ano letivo começou e nos conhecemos. Cinco meses se encontrando escondidos, saindo juntos, passando dias e noites juntos, dormindo juntos. E nós brigamos diversas vezes, por diversos motivos, como o Arthur e a Amanda, mas ele nunca foi esse idiota que vocês dizem. Ele me faz feliz, faz coisas por mim que ninguém mais faz e conhece até meus pais! Nós sempre estivemos juntos, só nunca contamos pra ninguém porque vocês insistem em não acreditar que isso poderia dar certo.
Quando eu terminei de falar, Carol não disse nada. Ela olhou pro Gabriel no meio da quadra, olhou para mim novamente e eu não soube decifrar sua expressão, mas ela parecia completamente confusa. Ela simplesmente apoiou os cotovelos nas pernas e escondeu o rosto entre as mãos.
– Carol? – chamei, mas ela não respondeu. – Você ta brava comigo?
Carol negou com a cabeça e olhou de volta para mim. E meu coração se apertou dentro do peito. Eu reconheci aquele olhar. Ela me olhou com pena.
– Carol, o que foi?
– Eu to tentando ligar as coisas na minha cabeça, Isa. Só isso. – ela disse se levantando e pegando sua mochila. – Eu preciso de um tempo pra assimilar tudo isso e pensar, ok? Não to brava contigo, nem chateada ou qualquer coisa do tipo. Só preciso de um tempo.
Dito isso ela tentou sorrir e virou as costas para sair dali.
– Você sabe de alguma coisa que não quer me contar, né? – deduzi.
Carol parou no mesmo lugar e me olhou de volta.
– O quão sério é essa história de vocês? – ela perguntou.
– É quase um namoro. – respondi sincera.
– Não fica pilhada. Eu só quero saber quais são as reais intenções do Gabriel. É exatamente aquele motivo pelo qual vocês esconderam isso por tanto tempo, é por ser difícil pra gente de assimilar. Eu só tenho medo de alguém sair muito ferido dessa história. Assim que eu tiver analisado tudo isso e pensado, nós vamos sentar pra conversar de novo, ok? Essa conversa vai acontecer.
– Você pode apenas não contar isso pra ninguém, por favor? – pedi.
– Quem além de mim sabe disso, Isa?
– O Henrique, a Bárbara e meu irmão.
– Suas amigas não sabem? – ela perguntou franzindo a testa.
– Elas sabem do que sinto por ele, mas não sabem de tudo isso que aconteceu. Eu não tive coragem de contar porque elas também não aprovariam.
Carol assentiu como quem compreendia e saiu dali. O sinal indicando o fim da aula tocou e começou toda a bagunça dos meninos correndo para pegarem seus materiais e irem embora. Gabriel olhou em minha direção ao pegar sua mochila e sorriu. Ele pegou seu celular e pareceu prestes a vir em minha direção, mas ao verificar algo no aparelho em sua mão, franziu a testa e me olhou novamente, com outro olhar. Senti um frio percorrer minha espinha, meu estômago se revirar e de repente me senti enojada. Eu não soube porque, mas meu instinto indicava que algo muito ruim estava prestes a acontecer.
Estranhei quando ele se virou e foi embora sem se despedir de mim. Mas me levantei para também ir e descendo os degraus, observei Gabriel atravessar a quadra até ser puxado bruscamente por alguém. Era Carol e ela o arrastou multidão a dentro. O que eu fiz?
Passei o dia todo esperando para ver se ele falaria comigo e nada, então antes de dormir, mandei uma mensagem desejando boa noite. No dia seguinte ele não apareceu no colégio e Carol também não falou comigo. Não de um jeito a me ignorar, como se estivesse brava ou qualquer coisa semelhante a isso, mas ela parecia querer estar adiando algum diálogo entre nós, porque ficou na dela e dormiu durante os dois intervalos.
A tarde eu já estava enlouquecendo e sem me segurar, peguei o celular e liguei para Gabriel. Chamou até cair na caixa de mensagem uma, duas, três vezes, até que na quarta o celular deu desligado. Foi então que eu tive certeza de que ele estava me evitando, porque ele desligou o celular de propósito. Me joguei sobre minha cama e com a cara enfiada no travesseiro soltei um grito.
Meu deus, eu só faço merda!
Resolvi dar um tempo pra ele e ver no que dava. Ou melhor, resolvi apenas não o perturbar até a manhã seguinte pra que a gente pudesse conversar na paz. Mas o que eu esperava não aconteceu, porque mais uma vez na sexta-feira ele não apareceu no colégio. Minha esperança de que ele surgisse na porta ainda durou até o terceiro horário, mas quando me toquei de que não aconteceria, começou minha maratona de mensagens.
09h15: "Gabriel, nós precisamos conversar"
Ele visualizou e não respondeu.
10h27: "Você vai ficar mesmo com essa criancisse de ficar me ignorando?"
Mais uma vez ele visualizou e não respondeu, foi então que perdi a paciência.
10h40: "Beleza."
Desativei o "visto por último" apenas pra não ficar olhando quando foi a última vez que ele olhou o whatsapp e não mandei mais mensagens. Depois do almoço fui pro shopping com a Leticia para comprarmos os presentes da Amanda e essa foi a única forma que consegui para de fato distrair minha cabeça. Mas quando cheguei em casa tudo voltou a tona. E aí estava fazendo uma panela de brigadeiro quando minha mãe apareceu na cozinha e disse:
– Querida, estou saindo!
Me virei lentamente para ela e a encarei desconfiada. Ela estava bem vestida, com o cabelo arrumado, perfumada e de salto alto.
– Mãe, você ta namorando, pegando, se conhecendo ou o que? – perguntei indo direto ao ponto. – Eu quero saber quem é esse cara! Da onde você conhece ele?
– Não tem cara nenhum, Isabelle! Eu não to saindo com ninguém! – ela negou. – Vou sair com minhas amigas e qualquer coisa você me mande mensagem.
– Ta bom então, se você insiste em querer mentir... – provoquei virando de volta pra minha panela antes que o brigadeiro começasse a queimar. Pude sentir o olhar dela me fitando por trás e comecei a rir. Até que ouvi o barulho do salto dela se distanciando.
– Tchau, Isabelle. – ela gritou.
– Tchau, mãe. – respondi mesmo sabendo que ela não me ouviria.
Essa parada de minha mãe arrumar alguém ainda não é algo que me desceu, mas eu sei que é apenas por um certo ciúmes e medo de que machuquem ela. É a minha mãe e mesmo que a gente brigue muito, ainda é a pessoa que mais ano nessa vida. Mas eu sempre quis que ela seguisse em frente e se ela finalmente ta fazendo isso, me resta apenar torcer pra que dê certo e que ela seja feliz. E claro, bolar um belo plano pra caso o desgraçado pise na bola. Eu juro que não sei do que sou capaz.
Terminei de fazer o brigadeiro, o coloquei num potezinho, pequei uma garrafa d'água e me joguei no sofá com as duas coisas. Liguei a TV, coloquei um filme e... Morri de depressão. Sério. Não aguentei mais que vinte minutos sem querer me jogar de um viaduto. Sexta-feira a noite e até minha mãe provavelmente está tendo um encontro, e eu sem sequer ter notícias do infeliz do Gabriel.
Peguei meu celular e abri a conversa dele.
Coloquei o celular de volta no sofá.
Não vou mandar nada.
Peguei o celular e abri a foto dele.
Joguei o celular de volta no sofá.
O peguei novamente e abri as mídias da conversa. E foi vendo nossas fotos que não me aguentei mais.
"Eu to sozinha em casa", mandei. Fingindo que nada havia acontecido e que estamos completamente bem, apenas desejando que talvez ele também fizesse isso, mas é claro que não aconteceria. Coloquei o celular de volta no sofá me sentindo derrotada.
E ele vibrou.
Eu juro que comecei a tremer antes mesmo de pegá-lo, mas quando vi o nome Gabriel Fornazier no visor meu coração quase saiu pela boca. Abri a conversa desesperada e li a mensagem.
"Para de surtar. Nós vamos conversar, mas depois. Nos vemos amanhã."
"Por que isso, Gabe? Você ta na rua?"
"To decidindo algumas coisas sobre a gente antes de termos essa conversa. Preciso pensar, Isa. Eu to em casa e juro que não vou sair hoje, não fica pilhada. Boa noite e dorme bem!"
Não. Fica. Pilhada. O cara me diz que ta decidindo algumas coisas sobre nós e pede pra eu não ficar pilhada. VAI. SE. FODER.
Eu nem sequer consegui dormir direito aquela noite. Passei a madrugada inteira rolando de um lado pro outro na cama, pensando em inúmeras coisas. É tudo muito óbvio. Se fosse pra ficar tudo bem entre a gente, ele não estaria fazendo tudo isso. É o Gabriel, ele já teria aparecido na minha casa, feito uma dúzia de piadinhas e me beijado. Não existem motivos pra ele querer adiar tanto essa conversa, se não pelo simples fato de que o que ele ta decidindo é qual a melhor forma de me dar um pé na bunda.
Só não faz sentido pra mim e foi nisso que passei o dia seguinte inteiro pensando, enquanto com olheiras nos olhos e morrendo de sono, fui cedo pro local da festa de Amanda pra ajudá-la a arrumar tudo. Eu havia prometido que ajudaria. Não consegui fazer nada direito porque minha cabeça tava no mundo da lua, mas me esforcei ao máximo. Arumamos a decoração do local, enchemos a piscina de balões, fizemos a maior quantidade possível de drinks pros garçons que a mãe de Amanda contratou servir, colocamos as bebidas pra gelar e mais tarde eles ainda colocariam barris de cerveja em locais estratégicos.
Será uma festa pra parar Curitiba, disso não tenho dúvida. Os aniversários de Amanda sempre foram cheios, porque ela sempre teve muitos amigos. Desde que somos criança. E agora, que ela ta praticamente no auge da vida dela e ainda mais com uma festa dessa dimensão, eu tenho certeza que vai lotar — e olha que o terreno é muito grande. Parece mesmo com uma chácara. Toda a área externa é enorme, a piscina é enorme e a casa tem dois andares.
Acho que eu ainda não expliquei como essa festa vai ser foda, então só pra ter uma ideia: ela contratou um segurança pra ficar na entrada controlando a entrada e saída das pessoas, porque os pais dela bancaram tudo. Absolutamente tudo. Bebida, comida, tudo. Nenhum convidado vai gastar qualquer centavo que não seja com presentes. E é por isso que a Amanda distribuiu convites e assim que a pessoa entregar o convite na portaria, ganha uma pulseira. Cara, nem parece que é só um aniversário, parece uma dessas festas organizadas por produtora de eventos. Mas eu já imaginava que seria assim, os 18 anos da Amanda sempre foi o sonho dela. Ao contrário das garotas que sonham com a festa de 15, ela sonha com essa festa desde que se entende por gente. Acho que é porque ela sempre sonhou com a tal independencia e liberdade, que convenhamos, é pura ilusão. A vida não muda nada depois dessa idade, no máximo você pode entrar nas baladinhas e beber legalmente.
E quando eu achava que não tinha mais o que ela inventar, apareceram uns caras pra montar uma cama elástica para adultos.
– Mano, você alugou uma cama elástica? – perguntei perplexa. – Meu deus, Amanda!
– Na verdade foi presente de aniversário do Gabriel. – ela respondeu e senti o desânimo voltar a tomar conta de mim ao relembrar todos os meus problemas. Maldito Gabriel.
Como eu disse, não faz sentido uma coisa: por que "terminar" comigo só porque eu contei pra Carol sobre tudo? Isso não vai mudar o fato de que agora ela já sabe. E eu não consigo pensar que seja só um pretexto pra algo no que ele já vinha pensando antes, porque ele não teria corrido atrás de mim quando eu estava com Vinícius se fosse pra fazer isso. E nós tamném não estaríamos tão bem! Eu simplesmente não sei mais no que pensar.
Assim que Amanda me liberou, fui pra casa, deitei na minha cama e apaguei. Eu precisava recuperar minhas energias ou não sobreviveria aquela noite. E eu precisava estar com um sorriso de canto a canto nos lábios, porque é o aniversário da minha melhor amiga. Porém, acordei com o despertador tocando e me arrumei com a mesma animação de quem ta indo pro colégio. Eu ficava pensando no que aconteceria quando eu visse Gabriel, como ele me trataria, o que faríamos, como agiríamos e comecei a enlouquecer.
Prometi a mim mesma quando entrei no taxi a caminho da festa que me animaria no momento em que pisasse lá na porta. Essa noite tem que ser inesquecível e será.
É, começando pelo fato de que na metade do caminho pedi pro taxista mudar o trajeto.
Fui parar na porta da casa do Gabriel.
Não acreditei que eu estava mesmo fazendo aquilo quando dei de cara com a mansão, mas eu não conseguiria ir pra esse aniversário sem resolver tudo isso. Eu to me corroendo porque não é uma briguinha qualquer, nós nem sequer brigamos, e é isso que ta acabando comigo. Tem algo que eu não entendo acontecendo e eu quero entender. Ele não pode estragar essa noite, não essa.
Por isso com as pernas bambas caminhei pelo caminho que levava a entrada da casa e com minhas mãos tremendo, toquei a campainha. Eu juro, assim que o fiz me arrependi instantaneamente. Nunca senti tanto medo de quem abriria aquela porta e principalmente do que aconteceria.
Uma mulher que não conheço foi quem abriu a porta. Ela sorriu simpática.
– Posso ajudar?
– O Gabriel está em casa? – indaguei.
– Está sim, quem gostaria?
– Diz que é a Carol. – respondi em dúvida, na intenção de que ele não soubesse que era eu e percebi pela cara da mulher que havia sido uma ideia bem estúpida. – Você conhece a Carol, né?
– Sim, senhorita. – ela confirmou.
– Me desculpa, eu só não queria que ele soubesse que sou eu, queria fazer uma surpresa. Diz que é a Isabelle, uma amigo do colégio.
– Tudo bem. Entre que eu vou chamá-lo. – ela disse dando passagem para que eu passasse. – Fique a vontade.
Assim que ela se retirou percebi que aquele não é um lugar onde eu conseguiria me sentir a vontade. Essa casa me causa calafrios, é muita história ruim escondida dentro de um único lugar. Eu não sabia se me sentava ou onde me sentava, ou o que eu faria, então permaneci em pé com as mãos entrelaçadas em frente ao corpo, encarando um dos quadros que formavam a decoração do hall. Até que ouvi o barulho de saltos e prendi a respiração no mesmo instante. Não pode ser. O barulho cessou e eu fechei os olhos rezando para seja lá qual for esse deus no qual todo mundo acredita, mas ouvi sua voz:
– Isabelle? – chamou a mulher da qual tenho bastante medo. Patrícia Fornazier.
– Olá! – respondi sorrindo ao me virar para trás. Dei graças a deus por dessa vez eu estar muito mais apresentável do que da última vez que nos encontramos.
Ela sorriu de volta e eu estranhei muito essa ação, porque por incrível que pareça, me pareceu um sorriso sincero.
– Gabriel não avisou que você viria pra cá pra irem juntos pra festa. – disse Patrícia se aproximando. – Me desculpa, se eu soubesse teria preparado alguma coisa pra servir.
– Na verdade eu vim de surpresa, mas se tiver algum problema eu volto depois ou falo com ele no colégio. – respondi. De repente eu nem sabia mais o que diabos estava fazendo ali. Que péssima ideia!
– Não, não, não! Não tem problema algum, querida!
– Na verdade acho melhor mesmo eu ir, porque ele deve estar ocupado se arrumando. Se puder diga apenas que... Não sei. Diga que falo com ele depois.
Eu me virei meio desesperada para sair dali, me sentindo estúpida por ter achado que seria uma boa ideia aparecer na casa dele do nada e principalmente me sentindo meio claustrofobica por estar no mesmo cômodo que sua mãe.
– Espera. – pediu Patrícia e ao olhar para trás, pude ver não somente ela com uma expressão preocupada no rosto, como Gabriel no topo da escada. Como deduzi, ele ainda estava se arrumando, já que vestia apenas uma calça preta e os cabelos pareciam estar molhados. Ele estava parado no lugar, então voltei o olhar para sua mãe. – Eu queria pedir desculpa.
Eu demorei um bom tempo para assimilar aquela frase e fiquei totalmente sem reação. Ela estava mesmo me pedindo desculpa? Ela disse desculpa?
– Queria pedir desculpa por aquela noite em que fui totalmente estúpida e grossa com você. Na verdade fui completamente mesquinha e ridícula. Eu não sou aquela mulher, eu te garanto. Eu só estava num dia ruim em que tive muitos problemas com o meu marido, quer dizer, ex marido, e estava sobrecarregada com o meu trabalho, tinha de dizer pra minha filha que a tiraria de uma das coisas que ela mais ama fazer e senti ciúmes de Gabriel, por ele pela primeira vez ter me deixado conhecer uma garota. Sei que nada justifica, mas eu queria pedir desculpa. Você esteve de braços abertos em todas as vezes que ele precisou de você e talvez tenha cuidado dele melhor do que eu mesma fui capaz, então só queria dizer que essa casa também está de braços abertos pra você. Você é sempre bem-vinda aqui.
Se aquela primeira frase havia sido difícil de assimilar, esse desabafo todo foi mais ainda. Fiquei estática olhando pra cara dela por um longo tempo e quando percebi que a situação estava ficando constrangedora, tudo que consegui responder foi:
– Obrigada.
Sério, o que mais eu diria? Eu tava em choque. Foi o momento mais embaraçoso da minha vida. De repente Gabriel começou a descer a escada a passos pesados, de forma que Patrícia o ouviu e se virou para ele. Eu nem lembrava mais que ele estava ali.
– Olha ele aí! – disse Patrícia. – Nos vemos depois, fique a vontade!
Me despedi dela apenas com um sorriso e enquanto ela sumia casa a fora, Gabriel caminhou lentamente em minha direção.
– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou franzindo a testa, ignorando completamente tudo que havia acabado de acontecer e como se minha presença ali fosse completamente desnecessária.
– Tecnicamente não. – respondi me sentindo constrangida. – Mas nós podemos conversar?
– Tem que ser agora? Eu to arrumando pra festa.
– Eu quero conversar agora, Gabriel.
Ele me encarou pensativo e por fim virou as costas, começando a andar.
– Vamos subir. – ele chamou e eu o segui.
Assim que nós entramos em seu quarto, ele fechou a porta, mas fingiu que eu nem sequer estava ali. Começou a andar pra lá e pra cá se arrumando, sendo que eu sabia que ele não estava com pressa nenhuma pra chegar nessa festa. Ele vestiu uma camiseta marrom, se olhou no espelho, a arrancou e jogou no chão. Depois procurou por outra em sua arara de camisetas e vestiu uma cinza. Também a tirou. Por fim colocou uma vinho e eu me estressei. Se ele não estivesse me evitando teria ficado com a primeira que vestiu.
– Gabriel, para com isso! – ordenei com a voz mais alta que de costume.
– O que eu to fazendo, caralho? – ele rebateu no mesmo tom e só pelo fato de ele ter ficado irritado ele se entregou mais ainda.
– Quer você queira ou não, nós vamos conversar antes dessa festa. Você ta me ignorando há dias, não responde minhas mensagens, não atende minhas ligações e nem ta aparecendo na escola, só pra não ter que falar comigo! E eu sei muito bem que isso tem haver com a conversa que eu tive com a Carol, mas simplesmente não consigo entender o porquê de tudo isso!
– Pelo seu bem, Isabelle, eu não posso deixar essa conversa acontecer agora, ta legal?
– Eu só não quero que você fique desse jeito comigo por causa do que eu fiz, eu não fiz por querer. E não quero ficar com esse medo dentro de mim, não quero ficar sem saber como estamos, não quero você longe de mim. – choraminguei. Que saco, eu sempre acabo chorando no meio das discussões. Sempre.
Ele caminhou em minha direção, parou bem em frente a mim e segurou meu rosto com as duas mãos, fazendo com que eu olhasse pra ele.
– Isabelle, olha nos meus olhos. – ele pediu obrigando que eu o fizesse. – Eu não to com raiva de você. Infelizmente eu não to, porque eu queria estar. Nós estamos bem, ta legal? Eu juro. Eu só quero que você vá pra essa festa e se divirta com suas melhores amigas. E então, depois, nós conversamos tudo que temos pra conversar. Eu só não quero fazer isso agora.
– Por que você não quer fazer isso agora? – perguntei sentindo um aperto no peito e ele não respondeu, porque ele não parecia saber como fazer isso. Apenas vi ele tentar segurar a expressão de tristeza que surgiu em seu rosto. – Por que eu não consigo ignorar essa sensação de que algo muito ruim vai acontecer?
Ele não respondeu a nenhuma de minhas perguntas e ao invés disso me beijou. Gabriel me beijou com tanta vontade e tanto desejo que aquele provavelmente fora o beijo mais intenso que já tivemos. Foi diferente, não foi desejo de quando estamos consumidos pelo próprio tesão. Foi desejo como se ele tivesse olhado para mim e tudo que ele quisesse naquele momento fosse um beijo. Aquele beijo.
Ele abraçou meu corpo da mesma forma com que eu havia abraçado seu pescoço, e me prendeu entre seus braços. Eu nunca soube como Gabriel se sente sobre mim, ele nunca falou sobre isso e nunca deu sequer qualquer dica. Eu apenas sabia que ele sentia algo, seja lá o que fosse, porque eu era capaz de sentir a sintonia entre a gente. E naquele momento, pela primeira vez, eu senti como se ele correspondesse a tudo que eu sinto. Da mesma forma. Mesma dimensão. Mesma intensidade.
Nós demos alguns passos involuntários em direção a sua cama e nos deitamos sobre ela sem Gabriel tirar os olhos dos meus. E quando ele me deu um longo selinho e em seguida beijou meu queixo, para então descer os beijos pro meu pescoço, suas mãos não pararam em meu corpo. Ele levou as mãos até meus braços e os levantou fazendo com que eu ficasse com os mesmos apoiados na cama ao redor da minha cabeça, e então, entrelaçou os dedos de nossas mãos.
Foi como se ele não quisesse meu corpo, ele me queria. E cada toque seu, cada beijo, era diferente. Fechei meus olhos e tombei minha cabeça para o lado, deixando todo meu pescoço exposto para ele. Me arrepiei sentindo seus lábios contra minha pele e aquela sensação percorreu meu corpo inteiro. Também foi uma sensação diferente. Talvez não porque o momento tenha sido tão intenso que nunca me senti tão submergida em algo, mas talvez porque naquele momento, pela primeira vez, eu realmente senti que era sua. E eu não sei explicar o que senti dentro do peito.
Gabriel voltou a me beijar e senti aquela típica sensação de querer sempre mais e mais e mais dele. Minhas mãos subiram por suas costas lentamente, sentindo seu corpo e quando desgrudamos nossas bocas, nossas respirações estavam descompassadas. Ele encostou sua testa na minha e enquanto sentia sua respiração contra minha boca, senti que aquele era o momento de dizer algo que precisava que ele soubesse.
– Gabriel? – chamei e ele levantou o rosto um pouco para que pudesse olhar pra mim. E então, olhando nos seus olhos, eu respirei fundo e confessei em um sussurro. – Eu amo você.
Confessei aquilo porque senti que precisava, porque queria dizer, porque queria que ele soubesse, mesmo que todas minhas ações já demonstrem isso. Queria que ele entendesse que não é uma paixãozinha qualquer, eu realmente amo o Gabriel. Eu o amo. E não disse nada esperando que ele respondesse, não queria que ele se sentisse pressionado para isso, porque se tem uma coisa que sempre tive pra mim é que essas são três palavras que só devem ser ditas quando temos muita certeza do que elas realmente significam. E o significado é forte, o impacto é forte. O sentimento é forte.
E então, eu fui pega de surpresa, quando ele passou o dedão pelo meu lábio inferior, voltou a olhar no fundo dos meus olhos e respondeu.
– Eu também amo você, Isabelle.
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