Poltrona 19
44 Eu ainda escolhi você
Notas iniciais
Abri os olhos e pisquei algumas vezes até me acostumar com a luz do sol que atravessava a janela de vidro e invadia o quarto sem pedir permissão. Quarto que não era o meu e por isso demorei a me situar. Um quarto simples, com uma escrivaninha ao lado da cama que continha uma luminária, um notebook e alguns porta-retratos por cima, além de latinhas de refrigerante e copos sujos. Um guarda-roupa na parede em frente a cama. Um puff em um canto e uma mochila jogada no chão com vários livros, papeis e desenhos espalhados ao seu lado. Sorri com isso. Esse é o quarto de um cara normal, com lixo, louça suja e coisas espalhadas.
No chão também encontrei meu vestido, bolsa e sapatos, além das roupas de Vinícius. Vinícius o qual dormia tranquilamente abraçado a mim. Tirei seu braço de cima do meu corpo da forma mais delicada que pude e felizmente não o acordei, então me levantei da cama com cuidado e me vesti. Peguei minha bolsa e abri a porta do quarto tentando não fazer barulho. Não, eu não estava fugindo, só estava procurando por um banheiro e o encontrei no corredor.
Me julgue, mas é a primeira vez que eu durmo com o cara, não quero que ele acorde e me veja com a cara inchada, parecendo um panda devido a maquiagem borrada e tão descabelada que parece que fui pra guerra e voltei tudo enquanto ele estava apagado. Por isso lavei meu rosto, escovei os dentes com a escova que sempre carrego dentro da bolsa, arrumei meu cabelo e resolvi checar meu celular. Minha mãe acha que dormi na casa de alguma amiga, então é sempre bom olhar se não deu algo errado.
E deu errado sim. Mas não tinha nada a ver com minha mãe. Tinha a ver com a pessoa responsável por desestruturar meu mundo inteiro: Gabriel. Ele me enviou uma mensagem 4h48, bem clara:
“Se tu for pra cama com esse cara pode me esquecer.”
Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto li e reli aquela mensagem umas cinco vezes. Àquela hora eu possivelmente já estava na cama do Vinícius. Eu não me senti culpada, mas doeu porque ele colocou aquele ponto final na frase e o Gabriel só usa uma merda de ponto final no whatsapp quando ele ta bem puto. E eu sei que se ele tava puto o suficiente pra engolir o orgulho e me mandar aquilo, ele de fato estava falando sério. E aí doeu mais ainda porque se Gabriel não entendeu, o esquecer é tudo que eu tenho tentado fazer e simplesmente não consigo.
Encarei o teto segurando as lágrimas e não me permiti chorar. Levei um bom tempo para me recompor, mas me recompus e saí daquele banheiro. Quando entrei novamente no quarto de Vinícius, coloquei minha bolsa em um canto e me sentei na cama. Ele despertou com esse movimento e me olhou custando a abrir os olhos, mas com um sorriso já estampado no rosto. Tentei sorrir de volta, mas não sei se consegui.
– Anão. – ele resmungou ao finalmente ter acordado direito. – Tira essa roupa. Você não vai fugir.
Dessa vez eu ri de verdade.
– Preciso ir embora, não avisei minha mãe que dormiria fora. – menti.
– Então eu te levo. – disse Vinícius se sentando e passando a mão no cabelo tentando arrumá-lo.
– Não, não precisa. Eu chamo um taxi. Não se preocupa com isso.
Quando eu disse isso, ele me olhou e deu um sorriso extremamente triste.
– Você vai fazer aquilo... – disse Vinícius agora olhando pra outra direção que não fosse meu rosto. – Ta me poupando de fazer mais qualquer outra coisa por você, porque vai embora daqui e nunca mais vai responder minhas mensagens ou atender minhas ligações.
Eu não soube o que responder. Juro que ele tirou minha capacidade de formular qualquer resposta.
– Não foi bom pra você? – ele perguntou voltando a me olhar.
– Não, não é isso. – respondi depressa. – Eu adorei essa noite, eu juro. E não, eu não pretendo fazer isso, Vine. Mas eu acho que nós fomos rápido demais. Eu te conheci sexta, nós saímos ontem pela primeira vez e hoje eu já to aqui na sua cama. Eu não quero parecer uma puta ou qualquer coisa desse tipo...
– Você ta maluca, Isa? Eu não sou um desses machistas babacas que pensam assim!
– Eu sei que não, me desculpa. É só que eu não to preparada pra me jogar de cabeça nisso com tanta coisa pendente na minha vida ainda. – confessei. – Não seria justo com você.
– Tudo bem.
Ele sorriu na intenção de me tranquilizar e o sol batendo em seu rosto, fez com que me perdesse em seus olhos azuis. Naquele momento Vinícius me lembrou uma pessoa: Arthur. Ele é tão doce e compreensivo quanto Arthur sempre foi. Qual é a desses olhos coloridos, ein?
– Eu devia ter fechado essa cortina, né. – ele falou apertando os olhos ao tentar olhar diretamente para a janela.
– Não, você fica ainda mais lindo com o sol iluminando seu rosto pra eu poder enxergar essas sardinhas aqui... – disse passando o dedo por algumas sardinhas perdidas por seu nariz e ele riu. Quando ele riu, me levantei e caminhei até a janela, fechei a cortina e voltei em direção a cama sob seu olhar. O beijei e o deitei de volta me colocando sobre ele. – Eu te deixo me levar embora, mas mais tarde. Quero mais dessa noite.
Vinícius trocou nossas posições e beijou meu pescoço de um jeito que me fez fechar os olhos ao sentir meu corpo inteiro se arrepiar.
– Eu passaria o dia todo nessa cama com você. – ele sussurrou em meu ouvido.
***
Sempre que eu acordo as 6h da manhã numa segunda-feira sinto que um pedaço da minha alma morre. Ô diazinho infernal! É aquele dia em que você se questiona a existência do universo e qual a necessidade de estar vivo. Sempre penso que deviam banir esse dia da semana, mas então a terça se tornaria a nova segunda e o sentimento de ódio seria o mesmo. Deveriam é banir qualquer tipo de atividade antes das 10h.
Aquela manhã quando levantei estava fazendo muito frio, tanto que me agasalhei em dois casacos e com a cara praticamente enrolada num cachecol, caminhei contra o vento em direção a minha tortura. Cidade bipolar do caralho, um dia faz sol e no outro neva. Curitiba tem o clima mais instável que o humor do Gabriel. Ri sozinha no meio da rua ao pensar isso.
Inclusive, experimenta contar para Gabriel Fornazier que você deu um fora nele praticamente para se jogar na cama de outro. Ele não vai aceitar muito bem, como já era de se esperar. Pois veja bem o que aconteceu. Assim que o sinal do intervalo tocou, eu nem tive tempo de sair da sala antes que Leticia e Amanda a invadissem e junto com Carol, as três cercaram minha mesa e começaram um interrogatório que não me deixou nada confortável:
– Como foi o encontro? – perguntou Leticia bastante entusiasmada. – Conta tudo.
Eu não queria contar, pelo menos não ali. Pelo menos não enquanto Gabriel fingia terminar de copiar a matéria do quadro apenas para conseguir ouvir tudo que eu diria. Chegou a ser idiota aquele interesse repentino dele por Química. Mas eu não tinha opção.
– Ele é incrível! – contei. – Me buscou lá em casa e nós nos divertimos muito, perdi a noção do tempo com ele. Sério, ele é muito amor e muito maduro. Não é igual esses carinhas da nossa idade que chegam a ser patéticos porque só querem chamar a atenção e pagar de fodões, sabe? Ele é educado comigo o tempo todo, me deixa confortável e bem, eu to encantada de verdade.
– Awwwwwwn. – elas exclamaram ao mesmo tempo me fazendo rir e Bruno surgiu por trás de Leticia para fazer um comentário.
– Isso me fez querer vomitar, ok? – avisou ele.
– Fala sério, até você gostou dele. – rebati e vi Gabriel levantar a cabeça para fuzilar Bruno.
– O cara é maneiro, mas não ta com essa bola toda aí não. E eu não quero chamar atenção e pagar de fodão ta, eu sou!
– Sai daqui que ninguém te chamou, Bruno. – ordenou Leticia e ele segurou seu rosto para dar um beijo forçado em sua bochecha, que ela limpou com cara de nojo.
– Mas e aí, que horas vocês foram embora? – indagou Amanda. – O rolê terminou na balada mesmo?
– Que horas eram, Carol? Eu nem olhei relógio.
– Quase 4h30. – respondeu Carol.
– Isso aí. – confirmei e mordi o lábio inferior antes de responder a outra pergunta. – E não, o rolê não acabou na balada.
As três surtaram e começaram a falar uma por cima da outra, perguntando o que tinha acontecido, pedindo detalhes e mil e uma coisas. Mas uma frase ecoava em minha cabeça: “Se tu for pra cama com esse cara pode me esquecer”. E meu coração estava pequeno dentro do peito. Só que não tinha mais volta.
Respirei fundo antes de contar.
– Eu não sei se contei que ele mora sozinho, divide um apartamento com o melhor amigo e só. Aí nós saímos da balada e fomos pra lá.
– E? – perguntou Amanda insistindo para que eu terminasse.
– Nós transamos, óbvio. – confessei.
Gabriel ouviu o que precisava, pois guardou suas coisas e se levantou no segundo seguinte, saindo da sala. Senti um aperto muito grande dentro de mim e a partir daquele momento não consegui mais me focar na conversa. Estranhei quando ele não voltou do intervalo e nem sequer apareceu no restante das aulas. Foi Bruno quem pegou os materiais dele no último horário, quando estávamos indo para a Educação Física e os carregou até a quadra, onde finalmente o vi. Somente assim soube que ele ainda estava no colégio, mas ele sequer olhou pro meu rumo e assim foi durante toda a semana.
Em compensação eu e Vinícius conversávamos o tempo todo por mensagem. Enquanto eu estava no colégio, enquanto ele estava na faculdade, enquanto estávamos em casa, literalmente o tempo todo. Mas aquela semana mesmo que ele tenha insistido muito para me ver, eu preferi que não nos encontrássemos. Preciso pelo menos tentar ir devagar com ele, pelo menos até eu resolver a minha própria vida, porque não quero magoar Vinícius. Mas de nada tava adiantando ficar passando vontade de vê-lo, se eu acordava com mensagem dele de bom dia e dormia com mensagem dele de boa noite. No final das contas estávamos nos apegando de qualquer jeito.
Por isso no sábado finalmente aceitei o ver. Ele me convidou para ir numa festa das Engenharias que teria numa chácara durante o dia. Achei aquilo muito engraçado, nunca fui numa festa durante o dia, mas parecia ser algo bem comum na faculdade. Enquanto eu terminava de me arrumar, minha mãe apareceu na porta do quarto e ficou me olhando.
– Que foi? – perguntei colocando um maxi colar.
– Se arrumando toda pra quem?
Fiquei pensando se dizia a verdade ou não, mas resolvi dizer. Ela sabia que não era pra Gabriel e também sabia que eu teria um encontro.
– Ele chama Vinícius, faz UFPR e é um ótimo menino. – contei pegando minha bolsa. – Você vai gostar dele.
– Por que você e o Gabriel não deram certo?
– Anão mãe, desse assunto eu não quero falar não.
– Ta, eu só queria entender.
– Depois conversamos. – disse na tentativa de enrolá-la. – Até porque o Vinícius já deve estar chegando.
– Ele tem carro? – perguntou mamãe.
– Sim. – respondi esperando um sermão do tipo “não vai deixar ele beber e dirigir, volta dessa festa de taxi se for preciso” e blábláblá, mas ao invés disso ela fez uma brincadeira.
– Você tem dom pra arrumar esses partidões ein.
Tive que rir disso, mas nem respondi. Vinícius chegou e saí correndo colocando um óculos de sol na cara, enquanto ouvia minha mãe dizer um “se divirta”. Era o que eu pretendia fazer. Já era 1º de Junho, chegamos ao meio do ano e eu decidi não somente que começaria esse mês com o pé direito, como pelo resto desse ano evitaria problemas pra minha vida.
Doce ilusão achar que conseguiria.
Quando abri o portão e Vinícius me viu, ele abriu um sorriso tão grande que fez com que eu praticamente me jogasse sobre ele. Nós seguimos para a festa conversando e ele me explicou que a galera geralmente organiza esses eventos pra arrecadarem dinheiro pra formatura e que Junho é o mês em que mais acontece essas festas, já que eles realizam festas juninas e festas temáticas são as que garantem o maior público. Nós teremos festa junina no colégio, mas imaginei que nem de longe deve ser tão legal quanto uma universitária.
Ao chegarmos na chácara entregamos os ingressos – que por acaso descobri que Vinícius havia comprado para mim – e entramos. Não era um lugar grande, mas tinha uma estrutura muito bem planejada, contando com um palco para apresentação de DJs e banda, além de dois bares: um para cerveja e outro para etílicos. Inclusive, fiquei indignada ao descobrir que por míseros 20 reais que eu nem sequer havia pagado, eu estava num open bar de skol, vodka, energético e até mesmo tequila. Meu deus do céu, eu preciso entrar logo na faculdade.
Nós pegamos bebidas e fomos procurar alguns amigos do Vinícius. Foi engraçado encontrar Lucas, seu melhor amigo, porque a primeira coisa que ele disse foi:
– Oi Isabelle, como é bom te encontrar em uma situação que não envolve desconforto por eu estar empatando foda alheia!
Ri muito disso e ri muito dele, aliás, descobri que ele se parece muito com Bruno. E descobri que ele tem um dom para deixar as pessoas bêbadas. Quando cheguei, confesso que me senti meio constrangida, eu não conhecia ninguém além de Vinícius e me sentia uma verdadeira pirralha perto daquela galera toda. Mas Lucas sempre dava a ideia de tomarmos uma tequila e aí tequila vai tequila vem, de repente eu já não sentia mais vergonha de nada.
Aliás, descobri que festas de dia são a coisa mais divertida que já inventaram. Enquanto está de fato de dia, você continua se sentindo bem, mas é só o dia virar noite que parece que todo mundo fica automaticamente alucinado. Eu não sei explicar como isso acontece, mas é como num passe de mágica. Tão rápido quanto escurece, as pessoas enlouquecem.
Eu odeio sertanejo, mas tocava esses sertanejos universitários e até eu estava cantando e dançando, com um copo de cerveja na mão ainda por cima. Não sei quando foi que aprendi a beber cerveja, mas não esperava que isso fosse acontecer.
Em determinado momento estava rindo de Lucas que puxou uma menina para dançar, mas pisava no pé dela praticamente toda vez que dava um passo, quando me distrai observando uma rodinha próxima a nós e fiquei encarando um cara que me parecia familiar. Eu não conseguia ver seu rosto, porque ele estava quase de costas e a iluminação não ajudava. Mas de repente o garoto se virou em minha direção e reconheci. Era Henrique, irmão de Gabriel. Era óbvio que ele estaria ali, ele faz Engenharia Civil, não sei nem como eu não tinha pensado nisso antes. Mas é claro que isso me levou a questionar: Será que Gabriel também estaria ali?
Não demorou muito para que Henrique me visse e ele franziu a testa estranhando, mas sorriu e balançou a mão em um cumprimento. Fiz o mesmo e virei o rosto. Não pira, Isabelle. Não pira. N-ã-o p-i-r-a. Não tem chance nenhuma do Gabriel estar aqui.
E quando eu já estava prestes a pirar, surgiu uma garota para cumprimentar o Vinícius, que parecia uma versão da Megan Fox, falo sério. Ela deixava até a Amanda no chinelo.
– Oi, Vine! – disse a garota com um sorriso largo no rosto e o abraçou como se eu não estivesse logo ali do lado. Na verdade, ela de fato me ignorou. – Eu sabia que você ia estar aqui!
– Oi, Tina! – ele respondeu meio sem graça e percebi que o Lucas paralisou no lugar olhando pros dois.
OPAAAA, acho que estou no meio de um reencontro de ex.
– Passei pelo seu prédio esses dias voltando da aula e quase subi pra te dar um oi, já que você sumiu da academia. – ela disse e não sei por que, automaticamente já imaginei quantas vezes eles já não transaram naquele apartamento. Por que mulher é assim ein? Deus que me livre. – Você mudou de horário?
– Não, só sai mesmo. A mensalidade tava pesando pra mim e eu to meio sem tempo. – explicou Vinícius e segurou minha mão me puxando pra si. – Mas a gente se vê por aí.
O olhar dela passou dele para mim e depois me encarou de cima a baixo, “disfarçadamente”. Mulher conhece essas olhadas e sabe que elas não são em vão. Ela ta coletando todos os meus mínimos defeitos, pra falar mal de mim pras amigas e se sentir superior, porque essa é a lei da vida. Você precisa se sentir superior a nova mina do teu cara.
– A gente se vê! – respondeu a tal Tina saindo dali um tanto quanto sem graça, mas mais sem graça ainda pareceu Lucas me encarando e Vinícius que nem sabia o que dizer. Resolvi que seria eu a começar o assunto.
– Que clima tenso, né. – zombei e Vinícius coçou a cabeça. – Sua ex?
– Não, nós só ficamos fixamente por um tempo, mas não deu em nada. – explicou Vinícius.
– Um tempo tipo?
– Uns três meses ou um pouco mais.
– Você gosta dela? – perguntei e ele me olhou parecendo surpreso com a pergunta.
– Não, esquece isso.
– “Esquece isso” me parece resposta de quem não quer esquecer isso. – rebati e percebi que eu estava sendo bastante irritante. – Relaxa, ta? Só to perguntando porque ela gosta de você, ta meio que escrito na testa dela. E se for recíproco você devia fazer algo a respeito.
– Ela é uma garota legal, mas a gente não tem muito a ver. Não deu certo e nem tem como dar, não tem o que ficar remoendo. – disse Vinícius. É um pensamento bem maduro.
– Ela chama Tina mesmo? – perguntei tentando descontrair e ele riu.
– Não, é Valentina. Mas todo mundo chama ela de Tina.
– Olha, a Tina é bem bonita, mas se ela é dor de cabeça, devo te abrir os olhos para conseguir ver quanta mina gata tem por aí! E não to brincando, to falando sério, olha aquela menina que parece uma versão peituda da barbie. – disse apontando pra tal garota.
– Fala sério, sou muito mais você. – rebateu Vinícius. – Ela não tem teus olhos azuis, o cabelo dela é pintado e aqueles peitos são silicone.
– Qual o preconceito, ein? – indaguei cruzando os braços na frente do corpo, fingindo estar brava. – Ela é dona do próprio corpo e se quiser pintar o cabelo de azul ela pinta e se quiser colocar silicone do tamanho de uma melancia, ela coloca.
– Desculpa, não foi um comentário legal.
– Vou te perdoar só porque você disse que me prefere.
– Prefiro mesmo. – afirmou Vinícius abraçando minha cintura e envolvi meus braços em seu pescoço.
– Desculpa mesmo por isso que acabou de acontecer, ta. – ele pediu parecendo preocupado com o que eu estaria pensando. – Se você quiser conversar sobre isso direito depois, eu converso numa boa.
– Relaxa, Vine. – o tranquilizei. – Você não me pediu satisfações sobre nenhum desentendimento meu do passado, eu também não quero pedir seu. A gente pode focar no daqui pra frente, que tal?
– Eu topo. – ele respondeu sorrindo e me beijou.
É engraçado como parece que um novo amor sempre vem com um velho amor, com o qual você tem de lidar. Eu gosto de Vinícius e sei que ele gosta de mim. Mas eu amo o Gabriel e sei que ele também pode amar essa tal garota. Mas se nós dois estivermos determinados a esquecer o passado, esse é o passo fundamental pra tudo. Dado o primeiro passo, o restante é apenas uma questão de seguir em frente.
– Mas olha, eu realmente vou sofrer tendo que competir com todas essas garotas. – brinquei interrompendo nosso beijo e o fazendo rir.
Eu conheci diversos amigos do Vinícius, desde amigos do colégio que acabaram se mudando pra Curitiba pra fazer faculdade também, até amigos da sua sala e de outros cursos. E foi assim que descobri que ele tem muita amiga bonita e que na verdade, parece que todas as garotas da faculdade são modelos da Victoria’s Secret, o que tinha me levado a pensar duas coisas:
1) Por que Vinícius, gato do jeito que ele é, está interessado em mim, que não sou nem metade do quanto essas garotas são maravilhosas?
2) Se a gente der certo, eu vou me corroer de ciúmes dele todos os segundos dos meus dias.
– Sério, para de rir. Eu estou verdadeiramente intrigada com o seu interesse por mim com esse tanto de mulher gata no seu ciclo social. – insisti.
– Você ta mesmo se comparando com o resto dessas garotas? – ele perguntou incrédulo e eu assenti como se fosse óbvio. Então ele segurou meu rosto e fez com que eu olhasse nos olhos dele para responder. – Pra mim, você é muito mais bonita que todas elas juntas.
Arqueei minha sobrancelha e fiz cara de desconfiada apenas por zoação.
– Esse papinho funciona com todas? – brinquei.
Vinícius riu, mas me respondeu sério:
– Se eu quisesse qualquer uma delas, estaria aqui sozinho e não com você.
– Vai que você só tava querendo uma transa fácil... – rebati ainda brincando e ele resolveu entrar no meu joguinho, mesmo que tenha levado a boca até minha orelha para fazer a próxima pergunta e que eu tenha percebido pela forma com que ele apertou minha cintura, que ele realmente queria saber a resposta.
– Isso significa que você vai lá pra casa hoje? – ele perguntou num sussurro.
– Não sei. – respondi e dei um beijo em seu pescoço. – To achando que nós dois não vai dar certo... Sabia que isso é considerado pedofilia? Você é um cara de 20 anos e eu só uma garotinha indefesa de 17...
Ele riu novamente e mordeu o lóbulo da minha orelha, fazendo com que eu me arrepiasse.
– Você está completamente errada. – garantiu Vinícius. – Só é crime relações sexuais com menores de 14 anos, acima disso a pessoa já é considerada como capaz de escolher consentir ou não. Aí só se torna crime se não houver consentimento e eu tenho certeza que houve entre nós dois.
– Eu estava alcoolizada. – argumentei e o dei um selinho. – E estou hoje de novo, não sei se posso ser considerada capaz de alguma coisa.
– Nesse caso, acho que vou correr o risco. – disse Vinícius e me beijou. Nós estávamos bêbados e talvez seja por isso que houvesse muito mais desejo que o normal naquele beijo. Mas jogamos nossos copos de plástico em um canto qualquer do chão e nos encostamos em uma grade numa parte um pouco mais escura para podermos continuar.
Nós passamos muito tempo ali e quanto mais tempo passava, mais perdíamos o controle. Cheguei a sentir vontade de pedir para irmos pro carro dele ou que fossemos logo embora, mas me controlei.
E de repente fomos interrompidos.
– Casal, nós vamos pra balada depois daqui, vocês querem ir também? – convidou Lucas brotando ao nosso lado.
Vinícius respirou fundo antes de responder nada paciente:
– Lucas, eu juro que vou chutar seu saco a próxima vez que você nos atrapalhar.
E eles começaram uma briguinha engraçada, que estava me divertindo, até que fomos interrompidos de novo. Mas dessa vez eu me assustei.
– Oi, Isa! – disse Henrique me cumprimentando com um beijo no rosto, como se não tivéssemos nos visto antes. – Como é que você ta?
– Oi, Henrique! – respondi completamente confusa. – Eu to bem e você?
– To bem também! Que surpresa te ver aqui, cara!
– Pois é, vim com uns amigos: Vinícius e Lucas. – os apresentei.
– As meninas não vão acreditar nisso! A gente tava falando agora a pouco de você, porque resolvemos vir de última hora e a Carol te mandou mensagem, mas acho que você nem viu.
Eu olhei pra ele desconfiada, porque não recebi mensagem nenhuma da Carol.
– Eu posso te roubar por um minutinho? – pediu Henrique e então virou para Vinícius. – Você se importa, cara? Só pra eu levar ela numas amigas nossas e devolvo rapidinho, juro! Elas vão ficar muito felizes em te ver.
– Não importo não. – respondeu Vinícius.
– É rapidinho! – garantiu Henrique já me puxando pela mão e eu olhei para Vinícius como quem pedia desculpa, mas ele me tranquilizou com um sorriso.
Henrique saiu me arrastando pela mão e eu sabia que havia algo de muito errado naquilo, mas eu simplesmente não conseguia ligar os pontos pra entender o que estava acontecendo. Mas ele me levou até o bar e pediu que eu esperasse na lateral enquanto ele pegava uma cerveja. Eu soube que ele nunca mais voltaria, porque senti alguém me abraçar por trás e soube quem era. Finalmente liguei os pontos.
Gabriel.
Não me movi e não disse nada. Eu não tenho mais estrutura psicológica pra aguentar esses joguinhos. Ele passou a mão pelo meu cabelo e o jogou para o lado esquerdo, deixando exposta a lateral direita do meu pescoço, então ainda abraçado a mim, simplesmente afundou o rosto ali.
– Eu adoro seu perfume. – ele disse antes de levantar sua cabeça novamente e apenas deixá-la escorada na minha, com a boca próxima ao meu ouvido. – E consigo sentir seu coração batendo sem nem precisar colocar a mão sobre seu peito.
Meus olhos se encheram de lágrimas porque eu sabia que era verdade, porque eu conseguia sentir o quão forte e acelerados estavam meus batimentos.
– O que você ta fazendo aqui? – perguntei. – Eu sei que você não tava aqui antes, eu teria te visto. O que você ta tramando?
– Eu só vim te roubar de volta pra mim. – disse Gabriel.
Eu não soube o que responder, mas me desprendi de seus braços e me virei, para olhar bem no fundo dos seus olhos.
– Por que você não me deixa ser feliz? – perguntei com a voz trêmula.
– Porque você não vai ser feliz com ele.
– Se não vai ser com você, vai ter que ser com alguém. – rebati e sai andando.
– Isabelle, espera. – pediu Gabriel e eu parei no lugar. – Não me trate como se eu fosse um idiota por estar fazendo o que eu estou, porque você devia perceber que com certeza deve ter uma razão pra isso. Eu sai de onde estava e paguei pra entrar nessa festa no fim dela, só porque soube que você estava aqui.
– É uma pena. – rebati ironicamente.
– Por favor, não vai embora com ele de novo.
– Você acha o que? – indaguei impaciente. – Que vai aparecer aqui, pedir pra eu ir embora com você e aí vou simplesmente deixar o Vinícius e fugir contigo? Simples assim? É por isso que você é um idiota, Gabriel. Mas eu não sou. Eu não vou magoar aquele cara e é pra ele que eu to voltando.
– Não to te pedindo pra deixá-lo aqui feito um trouxa. Só to te pedindo pra não ir embora pra casa dele. To te pedindo pra não dormir com ele. To te pedindo pra não escolher ele. Deixa ele te levar embora, mas pede pra ele te deixar em casa. Inventa qualquer mentira e deixa ele acreditar no que quiser. Mas por favor, vai pra casa, e eu vou estar lá te esperando. Mas se você não aparecer, eu realmente não vou mais atrás de você, Isabelle. E aí você faz da sua vida o que bem entender.
Foi a vez dele sair andando e me deixar pra trás, completamente perdida nessa confusão que é minha vida.
Procurei por Vinícius e o encontrei com Lucas, exatamente no mesmo lugar, ainda me esperando. Pedi desculpa pela demora e passei o resto da noite tentando transparecer que estava tudo normal, mas enquanto meu corpo estava ali, minha cabeça estava no mundo da lua. A festa acabou exatamente as 22h, como previsto, e todos começaram a ir embora. A grande maioria decidindo qual seria o próximo rolê e era exatamente isso que Vinícius e seus amigos estavam fazendo, mas eu estava dispersa demais para perceber.
– Você quer ir pra balada? – perguntou Vinícius despertando-me de meus pensamentos.
E eu travei.
Geralmente não nego um convite pra uma festa, mas a resposta para aquele convite, mudaria muita coisa na minha vida. Era uma questão de escolher entre Vinícius e Gabriel, ou basicamente, escolher entre o certo e o errado. E adivinha quais são os tipos de escolha que costumo fazer na minha vida?
– Na verdade, Vine, acho que já bebi demais hoje, não to me sentindo muito bem. – menti. – Você pode me deixar em casa? Me desculpa por isso, não queria estragar a noite. Mas eu juro que você pode ir e eu não vou me importar.
– Tudo bem. – ele respondeu. – Mas agora to preocupado com você.
– Não precisa.
Dizer que me senti um lixo não chega perto de como realmente me senti. Principalmente porque ele me levou em casa e eu sei que terminar aquela noite sozinho não estava nos planos dele, mas mesmo assim, ele não parecia chateado e sim, de fato preocupado.
– Você não quer comer alguma coisa ou passar numa farmácia, não sei? – ele perguntou assim que estacionamos em frente a minha casa.
– Não precisa mesmo se preocupar, Vine. Eu só quero descansar e aqui em casa tem comida, tem remédio, minha mãe ta aí.
– Ta bom.
– Me promete que você vai encontrar seus amigos agora e se divertir. – pedi.
– Acho que eu não to muito na vibe. – ele respondeu.
– Ta sim, não vem com essa. Por favor, eu vou ficar morrendo de peso na consciência se você for pra casa agora.
– Ta bom.
– Promete? – pedi novamente.
– Promete que vai se cuidar?
– Prometo. – garanti.
– Prometo. – e ele também prometeu.
O beijei e me despedi. Quando desci do carro me peguei pensando no que Gabriel havia dito sobre estar me esperando, não entendi o que ele quis dizer, mas não havia sequer sinal dele por ali.
Resolvi olhar meu celular e a única mensagem que recebi foi de minha mãe, em que dizia “Querida, saí com algumas amigas pra um barzinho e devo chegar tarde. Qualquer coisa liga pra mim. Bjssss, Mamãe”. Entrei em casa a passos lentos e preguiçosos, indo direto pro meu quarto, onde joguei minha bolsa no chão e arranquei meus sapatos.
Eu estava disposta a chorar tudo que estava preso dentro de mim e foi por isso que andei até a cozinha na intenção de procurar pelo pote de sorvete que estava na geladeira. Seria o mais clichê possível. Mas quando cheguei na entrada da cozinha, fiquei paralisada ao ver Gabriel sentado em uma cadeira com a cabeça deitada sobre seu repouso e os braços cruzados na frente do corpo.
Ao vê-lo meu coração se apertou de um jeito que precisei me escorar no batente da porta e fechei meus olhos para respirar fundo.
– Como você entrou aqui? – perguntei ainda de olhos fechados.
– Sua mãe me deixou entrar. Eu disse que você estava vindo pra casa e que nós iríamos conversar. Ela tava saindo, mas me deixou ficar e esperar.
– E o que você ta fazendo aqui?
– Eu disse que estaria te esperando. – respondeu Gabriel e eu olhei para ele, fazendo com que nossos olhares se encontrassem. – É por isso que você esta aqui, porque você sabia que eu estaria.
Andei a passos pesados até a geladeira e enchi um copo de água. Eu precisava de alguma forma me acalmar, porque tinha tanta coisa entalada na minha garganta que no final das contas eu não conseguia dizer absolutamente nada. Até minhas mãos tremiam enquanto eu segurava aquela merda de copo.
Gabriel se levantou da cadeira e tomou o copo e a garrafa de mim para colocá-los em cima da pia, antes que eu quebrasse algo.
– Eu odeio tanto você, Gabriel. Tanto. – confessei em um impulso, lutando para segurar o choro. – Eu tive tantas chances de escolher um cara certo pra mim. Arthur, Pedro, Vinícius e pode se dizer que até o Gustavo. Eu tive inúmeras chances de fazer a escolha certa e ainda escolhi errado. Eu ainda escolhi você.
– Porque você não gosta de nenhum deles.
– Não, Gabriel, não começa. Eu realmente não quero ouvir nada do que você tem pra dizer, porque eu sei que você tem um discurso pronto pra qualquer coisa que eu argumentar. Esse joguinho é teu e você sabe jogar ele muito melhor que eu. Mas eu cansei, eu vim pra casa hoje porque realmente não acho justo nada do que eu to fazendo com o Vinícius, mas eu não vim por você. Eu não quero mais saber de você. Tudo que eu sei é que uma hora você não vai fazer mais diferença nenhuma na minha vida e eu vou ficar com um cara que realmente me mereça.
– Não vem com esse papinho de que vai me esquecer, porque você não vai. – gritou Gabriel aparentemente perdendo toda a paciência. – Você não quer me esquecer, Isabelle.
Ele passou a mão pelo rosto e pelo cabelo, o puxando para cima e se virou para a pia, apoiando as duas mãos em sua beirada no que parecia a tentativa de se acalmar. Não consegui mais segurar as lágrimas acumuladas nos meus olhos e enquanto sentia elas descerem pelo meu rosto, observando ele ainda de costas para mim, Gabriel se virou tão repentinamente e avançou em minha direção com tanta pressa que não tive sequer reflexo para me desviar. O fato de não haver quase distância nenhuma entre nós também não ajudou.
Só sei que ele me beijou e eu correspondi, porque não tinha mais forças para lutar contra ele e contra tudo isso. Podem existir centenas de razões para que o fato de seu ser apaixonada pelo Gabriel seja tão errado, mas eu não consigo fazer a coisa certa e ele tem razão, eu não quero fazê-la. É por isso que o beijei com todo o desejo acumulado em mim ao longo daquelas mais de três semanas. E por isso foi o beijo mais desesperado que já demos.
Gabriel me empurrou contra a mesa atrás de mim e me sentei sobre ela, abraçando seu quadril com minhas pernas, ao mesmo tempo em que segurava os cabelos de sua nuca com tanta força que senti medo de machucá-lo. Mas eu juro que não controlava mais minhas ações e aquela cozinha que era pequena, de repente parecia muito mais pequena pra nós dois.
ATENÇÃO! A partir daqui o capítulo conterá cenas impróprias para menores de 18 anos. Para quem NÃO possui interesse em tais cenas, pare de ler IMEDIATAMENTE. Será perfeitamente possível continuar acompanhando a história e o próximo capítulo sem tal leitura. Obrigada.
Senti sua mão entrelaçar meu cabelo e ele separou nossas bocas puxando minha cabeça para trás para beijar meu pescoço. Gabriel me deu um chupão tão forte, que cheguei a soltar um gemido de dor, mas ironicamente aquilo me deu mais tesão e em resposta suas mãos foram parar na barra da minha blusa, a qual ele arrancou no instante seguinte junto ao meu sutiã.
Nos beijamos novamente e senti sua mão subir pela minha perna direita e apertar minha coxa, antes de passar para a parte interna da mesma e alcançar minha calcinha. Ele começou a estimular meu clitóris ainda por cima do tecido e desceu seus beijos até que eu estivesse com o corpo sustentado em minha mão direita apoiada na mesa, permitindo que sua boca alcançasse meus seios.
Ele só parou o que fazia para levar suas mãos até as laterais da minha calcinha na intenção de tirá-la. Apoiei minhas duas mãos na mesa e levantei o quadril para que ele conseguisse fazer isso. Antes dele voltar a fazer o que queria, foi a minha vez de arrancar sua camiseta e a jogar no chão, para então começar a deixar as marcas que não sairia de sua pele por um bom tempo, visto que ao sentir seus dedos agora diretamente em minha intimidade, abracei seu corpo e arranhei suas costas com muita força.
Ele me masturbou até que eu atingisse um orgasmo, quando enquanto tentei em vão silenciar meu gemido com uma mordida em seu ombro, ele soltou um fraco gemido pela força com que puxei seu cabelo e desci minhas unhas cravadas em sua pele pela extensão do seu braço, sentindo meu corpo estremecer. E era apenas o começo.
Era minha vez de fazê-lo sentir prazer, mas ao levar minha mão até o botão de sua calça e desabotoá-lo, Gabriel não deixou sequer que eu abaixasse seu zíper. Apenas puxou minhas mãos e as segurando, obrigou que eu deitasse sobre a superfície gelada da mesa. Então ele se curvou sobre mim e fechei os olhos ao sentir sua boca beijar minha barriga logo abaixo do umbigo. Senti meu corpo se arrepiar inteiro. Os beijos foram subindo até alcançar meu seio novamente e sua língua fez um movimento circular por toda minha aréola para em seguida, puxar de leve meu mamilo com seus dentes. Mordi meu lábio para segurar um gemido, mas foi impossível conter os demais quando ele começou a chupá-lo e usou sua mão para estimular o outro.
Ele intercalou entre meus dois seios até que eu estivesse completamente excitada novamente e voltou a descer os beijos por minha barriga. Quando novamente chegou a região do meu umbigo, ele parou e puxou minhas pernas para cima de seus ombros.
– Tira essa calça. – pedi com a voz fraca, desejando que ele fosse me penetrar, mas ele negou com a cabeça sustentando um sorriso no canto da boca e beijou a parte interna da minha coxa esquerda. Eu não conseguia entender como ele estava conseguindo se segurar, porque eu estava com mais tesão do que nunca estive na vida.
Gabriel continuou a descer os beijos até que senti sua língua atingir minha intimidade. E enquanto ele me chupava, eu contorcia meu corpo sobre aquela mesa. Precisei segurar em suas laterais para me controlar enquanto ele parecia fazer algum joguinho de tortura que se baseava em sempre que sua língua alcançava um ritmo e fazia com que meu corpo respondesse a esses estímulos quase chegando ao êxtase, ele parava e mudava os movimentos afim de me ver passando por todo esse processo novamente. Aquilo era prazeroso, mas eu não estava aguentando mais e acho que ele percebeu pelo olhar que o lancei, já que dessa vez ele não parou, continuou até que eu agarrasse seu cabelo e revirando os olhos, atingisse o orgasmo pela segunda vez.
Ainda tentando me recompor e regular minha respiração, Gabriel me puxou para si e me pegou em seu colo, caminhando para algum lugar.
– Onde estamos indo? – perguntei vendo minhas roupas ficarem para trás, jogadas no chão da cozinha.
– Pro seu quarto. – respondeu Gabriel.
Nós entramos no mesmo ele nem se deu ao trabalho de fechar a porta, não havia mais ninguém ali. Gabriel me deitou sobre a cama e de pé em minha frente procurou por uma camisinha em sua carteira e a jogou sobre a cama, para finalmente tirar sua calça. Ele se deitou sobre mim, mas não permiti que permanecesse por mais que alguns segundos. O empurrei contra a cama e me coloquei sobre ele.
– Você ta muito apressadinha. – brincou Gabriel e levei minha boca até a sua, sussurrando a resposta contra ela, antes de puxar seu lábio inferior com os dentes.
– E você ta controlado demais.
– É pra te ver louca de tesão desse jeito, sabe que isso me dá ainda mais prazer? – provocou.
– É mesmo? – perguntei e movimentei meu quadril sobre seu membro. Ele respirou mais forte me fazendo sorrir. – Mas é minha vez de te ver desmanchar esse autocontrole.
Beijei sua boca, seu queixo, pescoço, toda a extensão de seu abdômen e parei logo acima da barra de sua cueca. A tirei, segurei firme a base de seu pênis e passei a língua em um movimento circular por sua glande. O lancei um olhar que deixou claro que queria ver por quanto tempo ele conseguiria manter essa pose de quem tem controle sobre toda a situação e comecei a chupá-lo. Não demorou muito. Em questão de minutos ele já estava com a respiração completamente descompassada e com a mão segurando meu cabelo, me incentivando a continuar. Eu não sei porque gosto tanto de ver Gabriel se contorcendo de prazer, mas imagino que seja por saber que sou eu to causando isso.
Quando ele avisou que iria gozar para que eu parasse e pegou a camisinha, a tomei de sua mão. Eu nunca tentei aquilo antes, mas decidi que aquele seria o momento. A abri e coloquei na boca com a ponta do reservatório voltada para dentro, deixando a parte que iria desenrolar para fora. Segurei a base do pênis de Gabriel e o envolvi com minha boca, encaixando a camisinha em sua glande. Lentamente a desenrolei com os lábios e a ajuda de uma mão. Então ouvi Gabriel xingar um “puta merda, Isabelle” e soube que eu havia feito aquilo certo.
Quando terminei ele inverteu nossas posições e posicionou seu pênis em minha entrada, me penetrando logo em seguida e me puxando para um beijo. Os movimentos que no começo eram lentos e calmos, foram se intensificando e ficando cada vez mais rápidos.
Eu gosto de como as coisas funcionam entre nós dois. Gosto de como além de nos darmos tão bem em tudo, também nos damos bem na cama. Com o Gabriel não há constrangimento ou qualquer coisa do tipo, eu me sinto confortável com tudo que fazemos e com meu próprio corpo. Eu sei que ele gosta de como eu o arranho, de como seguro seu cabelo e até mesmo dos meus gemidos. Eu sei que ele gosta da sensação do seu corpo junto ao meu tanto quanto eu.
Nunca fui capaz de entender como meu corpo reage tão bem ao dele, mas enquanto ele deslizava suas mãos pelo mesmo ao mesmo tempo que me beijava, eu sentia prazer em cada mínima parte de mim. E foi assim que revirando os olhos e segurando entre meus dedos o lençol de minha cama, atingi o orgasmo e senti Gabriel atingir o seu logo em seguida.
Ele afundou o rosto em meu pescoço e sorri passando a mão por seus cabelos enquanto nossos batimentos e respirações se normalizavam. Ele me deu um selinho, se levantou e jogou a camisinha fora, para então voltar para a cama e se deitar ao meu lado virado para mim. Me virei para ele e procurei por sua mão. Fiz com que ele a levantasse e encostei a ponta de meus dedos nos seus, vendo a luz da lua atravessar por entre eles e iluminar o rosto de Gabriel.
– Por que as coisas só são mais simples quando estamos apenas nós dois, assim? – perguntei encarando seus olhos.
– Exatamente porque somos só nos dois. – respondeu Gabriel entrelaçando nossos dedos. – E aí você se lembra que o mundo lá fora é só um detalhe.
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