Poltrona 19

5 Cafajeste e vagabundo


Notas iniciais
Oi pessoal, gostaria de dizer que estou muito feliz porque surgiram várias pessoas acompanhando a história. Vocês são uns amorzinhos ♥ Espero que gostem do capítulo, boa leitura!

O último horário de aula geralmente demora muito mais que o normal para passar, temos a sensação de que se passaram horas quando na verdade se passaram apenas minutos. Mas o último horário de uma sexta-feira é ainda pior, parece uma eternidade.

Era finalmente sexta e a nona vez que eu verificava as horas no meu celular, mas ainda faltava vinte minutos para que eu pudesse ir embora do inferno desse colégio. Bufei de raiva e deitei a cabeça na mesa.

— Por que tão desesperada pra ir embora? – ouvi Carol perguntar e levantei a cabeça.

— Por que não estaria? Você não está? Todos não estão? – disparei a falar gesticulando com as mãos e ela riu de mim.

Nos últimos dias me aproximei bastante do pessoal, um pouco mais de Carol, mas conversava com todos. Conversávamos coisas atoas durante as aulas e eu continuava a encontrar com meus antigos amigos durante os intervalos. Mesmo que na quinta-feira tenha me isolado de todo mundo por causa da tal festa que rolou na quarta.

Acabou que praticamente a escola inteira estava na festa, menos eu e todos ficaram comentando disso a manhã inteira. Portanto fiz questão de dormir do início da aula até o fim. Até Leticia foi na festa com Amanda, o que também me fez passar os dois intervalos de hoje na sala por pirraça. 17 anos e mentalidade de 7. Aliás, talvez seja por isso que a aula esteja parecendo eterna.

— Vocês foram na secretaria buscar os uniformes e materiais de vocês? – ouvi Gustavo perguntar.

— Puta que pariu, me esqueci completamente. – falei desesperada intrometendo no assunto.

— Nossa, Isa, até eu peguei minhas coisas. – Bruno disse em tom de zoação.

— Duvido que você tenha ido lá.

— É, foi minha irmã. — ele confessou.

— Vai lá depois da aula, Isa. Hoje é o último dia. – Gustavo disse e quase me senti mal por causa de Carol, por quase sorrir feito boba por ele ter me chamado pelo apelido.

— Vai ser o jeito. – respondi.

— Acho que o Gabriel também não foi lá, depois fala com ele.

Olhei para o Gabriel e ele estava viajando em um universo paralelo, onde provavelmente era uma estrela do rock, porque estava com os fones no ouvido, ouvindo alguma música no volume máximo, desenhando na mesa e vez ou outra usando o lápis para fingir que estava tocando bateria. Ri instantaneamente com a situação e ele percebeu.

— Ta olhando o que? – perguntou tirando um dos fones do ouvido.

— Não pode olhar, estrela do rock?

— Não, não faço show de graça. – respondeu entrando na brincadeira.

— Esses artistas de hoje não tem mais humildade. – balancei a cabeça negativamente.

— Mas as garotas gostam de um bad boy, pode ver que quanto mais antipático, mulherengo e drogado o artista é, mais a popularidade dele aumenta.

— Mas ai a mídia mete o pau.

— Mas ele fica sempre na mídia, não fica? Não importa se de uma forma negativa, o que importa é que ele está sendo divulgado gratuitamente. E quanto mais divulgado, mais garotas procuram saber sobre ele, surgindo mais fãs e o deixando mais famoso. – respondeu óbvio.

— Você vai se dar muito bem fazendo publicidade. – elogiei impressionada com seu raciocínio.

— Eu sei. – ele piscou pra mim e voltou a desenhar com um sorriso no rosto.

— Você foi na secretaria pegar suas coisas? – perguntei.

— Que coisas?

— Materiais e uniforme.

— Nem fui.

— É só até hoje, vou lá depois da aula.

— Vou contigo. – ele afirmou e começou a guardar suas coisas, fiz o mesmo.

Não demorou muito e o sinal indicando o fim da aula tocou, foi o momento mais feliz do meu dia. Me despedi do pessoal e sai da sala com Gabriel, fomos direto para a central de atendimento ao aluno e chegando lá havia uma fila com mais ou menos umas trinta e cinco pessoas, porque obviamente todo mundo sempre se esquece de ir atrás dessas coisas.

— Eu posso ficar sem material? – perguntou Gabriel desanimado.

— Se pudesse eu com certeza não estaria aqui. – respondi igualmente desanimada.

— Pessoal, a fila da esquerda é pra pegar as carteirinhas, a do meio os uniformes e a da direita os materiais. – ouvi uma mulher mais velha dizendo e tive vontade de voar no pescoço dela. Eu teria que passar pelas três filas?

— O que? – Gabriel gritou, fazendo com que todos olhassem assustados para ele, inclusive eu. – Não dá pra pegar tudo de uma vez? – ele peguntou visivelmente irritado.

— Não, dá apenas para você pegar a carteirinha junto com os materiais, se não for querer renovar a foto. – a funcionária respondeu calmamente.

— Mas por que não dá? Por que vocês não facilitam nossa vida?– ele tornou a perguntar para a mulher.

— Na verdade, nós fizemos isso pra facilitar as coisas e andar mais rápido, porque se for pra um funcionário por vez pegar todas as coisas de cada aluno, a demora é ainda maior.

— Mas pelo visto não ta resolvendo. – ele respondeu com um sorriso irônico no rosto e a mulher o ignorou, provavelmente não querendo ser demitida por debater com um aluno.

— Calma, Gabriel.

— Eu tenho que estar em casa até 13h30 ou to fudido. – ele explicou frustrado.

— Se quiser, pego as coisas pra você. – sugeri.

— Não, eu espero.

— Então acho melhor entrarmos em alguma fila logo porque elas estão aumentando. – disse olhando para as filas que agora já pareciam ter dobrado de tamanho.

— A da direita, porque tem banco pra sentarmos.

Nos encaminhamos até a mesma e sentamos nos bancos ali. Ele então pegou seu celular e conectou fones de ouvido nele.

— Curte Oasis? – perguntou colocando um fone em seu ouvido e o outro no meu, depois começou a mexer no celular.

— As poucas músicas que já ouvi, eu curti.

— Já ouviu Slide Away? – ele perguntou ainda com a atenção voltada pro aparelho.

— Não. – respondi. No instante seguinte uma música começou a tocar e parei para prestar atenção na mesma. Percebi que ele cantava baixo junto e acabei gostando muito dela.

A medida que a fila ia andando íamos passando pros bancos ao lado. Quando a música acabou começou a tocar outra que eu também não conhecia.

— O nome dessa é All Around The World. – ele falou e começou a cantar junto com a música, após algum tempo deu uma risada e tornou a cantar, dessa vez mais alto. – Pig’s dont fly, never say die, so things are gonna fly, never say die… — eu ri tanto da letra quanto dele cantando e as pessoas ao redor olhando.

— Você não é normal. – afirmei.

— Está constrangida, Isa? Eu posso cantar mais alto. – rebateu brincalhão e pigarreou como quem preparava a garganta para começar a cantar.

— Não faça isso, por favor. – implorei o fazendo rir.

— Só porque eu sou um cara legal.

A música terminou e na sequencia começou mais uma do Oasis, mas essa eu reconheci.

— Essa eu conheço. É Life Forever, eu adoro essa música. – disse sorrindo abertamente. Comecei a cantarolar mentalmente e balançar a cabeça.

— Maybe I just want to fly...— Gabriel começou a cantar mais uma vez em voz alta, um trecho em específico que me fez rir muito por ter sido muito gay. – I want to live, I don't want to die… Canta comigo. – pediu.

— Não, obrigada.

— Maybe I just want to breath, maybe I just don't believe… Vamos, canta.

— Não, Gabriel.

— Eu vou cantar mais alto, se você não cantar. – ele ameaçou e eu apenas ignorei. – Maybe I will never be all the things that I want to be, but now is not the time to cry… — ele cantou com o tom de voz ainda mais alto, quase todos na sala já estavam olhando pra ele.

— Gabriel…– o repreendi e dessa vez foi ele quem me ignorou.

— Now's the time to find out why, I think you're the same as me… – cantou ainda mais alto conseguindo a atenção de definitivamente todos da sala e aparentemente se divertindo com a situação.

— We see things they'll never see, you and I are gonna live forever.— cantei baixo e ele bateu palmas enquanto gargalhava. O xinguei mentalmente, mas acabamos cantando o resto da música e eu estava constrangida por causa das pessoas ao redor, mas acabei ignorando e rindo bastante.

— Próximo. – ouvi a voz de uma mulher chamar e percebi que chegara nossa vez.

— Gabriel, somos nós. – avisei pegando minhas coisas e me levantando.

— We're gonna live forever. – ele me ignorou e cantou alto encerrando a música. A mulher nos olhou com uma cara que eu poderia decifrar ser algo como "vocês são muito estranhos".

Fomos até o balcão enquanto eu estava querendo enfiar minha cabeça em um buraco de tanta vergonha.

— Nome e sala, por favor. – a mulher pediu gentilmente.

— Isabelle Duarte Nemitz, terceiro D.

— Vai querer carteirinha também, Isabelle?

— Sim. – respondi e ela digitou algo no computador, logo em seguida se retirou.

Assim que ela virou as costas Gabriel teve um ataque de riso.

— Cala a boca, inútil. – disse tentando tapar a boca dele com minha mão, mas isso só pareceu piorar a crise de riso que o mesmo estava tendo. Apoiei meus cotovelos no balcão e segurei minha cabeça com as mãos escondendo a cara.

A mulher retornou alguns minutos depois, percebi que Gabriel tentou se controlar. Ela segurava em mãos algumas apostilas e minha carteirinha.

— Aqui, Isabelle. – ela disse me entregando os materiais e logo em seguida a carteirinha.

— Obrigada – agradeci olhando a foto de minha carteirinha e pensando que eu definitivamente deveria ter renovado ela. Essa foto é a vergonha da minha vida, ta pior que foto 3x4 de identidade.

— Também vai pegar os materiais? – a mulher perguntou se direcionando ao Gabriel.

— Sim – Gabriel respondeu serio – e a carteirinha também.

— Nome e sala, por favor.

— Gabriel Marques Fornazier, terceiro D. – ele disse e a funcionária se retirou para buscar as coisas dele, retornando alguns minutos depois com os mesmos materiais que havia me entregado. Pegamos os materiais e nos retiramos dali.

— Não da vontade de fazer uma bela fogueira? – perguntei à Gabriel completamente desanimada olhando a quantidade de apostilas que recebi.

— Com certeza. – ele concordou. – Vai querer pegar uniforme? Eu vou vir buscar semana que vem, só precisava dos materiais e da carteirinha mesmo.

— Mas vai estar cobrando uniforme segunda-feira.

— Vou usar o do ano passado. – ele explicou

— Boa ideia! Vamos embora.

— Me dá uma ajuda antes, por favor? – pediu segurando suas coisas em uma das mãos e tentando abrir a mochila com a outra.

Peguei sua carteirinha que estava sobre as apostilas, coloquei no bolso e segurei as apostilas nas mãos, ele abriu a mochila e as guardou lá, logo em seguida me ajudou a guardar os meus materiais.

— Vai pra casa? – perguntei à ele terminando de fechar minha mochila que agora estava muito pesada.

— Sim – ele respondeu pegando o celular –, já são 13h20.

— Você tem dez minutos pra chegar em casa. Boa sorte!

— Valeu! – ele respondeu desanimado. – Vai na festa hoje?

— Que festa?

— Na casa do Samuel.

— Que Samuel? – tornei a perguntar.

— Do Terceiro A. – ele disse e tentei me lembrar de alguém ter mencionado alguma festa, mas não recordei. – Ah... Você tava dormindo quando ele foi lá na sala. – Gabriel disse óbvio interrompendo meus pensamentos. – Então, vai ser na casa dele, paga na hora pra entrar e é 20 reais tanto pra homem quanto pra mulher, open bar. – explicou.

— Que horas?

— Começa às nove da noite. Vamos? A escola inteira vai estar lá.

— Ta bom. – respondi e Gabriel abriu um sorriso.

— Beleza, salva seu número ai. – ele pediu me entregando seu celular – Mais tarde te mando o endereço dele certinho, te mando o evento no facebook também.

— Ok. – respondi e devolvi o celular para ele após ter salvado meu número.

— Agora deixa eu ir que to atrasado pra caralho. Até mais tarde! – ele se despediu me dando um beijo no rosto e saindo correndo sem nem me deixar responder.

Fui para casa pensando nas mil coisas que teria que fazer quando chegasse na mesma e assim que cheguei já dei um jeito de resolver tudo. Após almoçar liguei para minha mãe pra avisar sobre a festa e ela felizmente concordou que eu fosse desde que não tivesse que me buscar, então voltaria de táxi. Em seguida liguei para Leticia pra perguntar se ela iria e ela disse que sim, que inclusive as meninas iriam com ela e perguntou se eu queria carona, aceitei de imediato. Depois liguei para minha irmã Natália pedindo socorro, pois eu não costumava sair, portanto não fazia ideia de como me arrumar e não tinha roupa nenhuma para usar, ela disse que iria até minha casa mais tarde e me arrumaria, agradeci um milhão de vezes.

Me joguei sobre a cama decidida a dormir e só acordar quando Natália chegasse, mas senti meu celular vibrar e quando olhei era uma mensagem de um número desconhecido contendo um endereço e no final escrito “Endereço da casa do Samuel, te espero lá e não aceito desculpas. /Gabriel”, apenas respondi “Ta bom, até mais tarde” e adormeci.

Quando Natália chegou, me acordou e após um longo banho, passei pelo pior pesadelo da minha vida. Ela me fez experimentar umas quarenta peças de roupa, até decidir que eu usaria uma blusa preta mais soltinha, uma saia colada no corpo da mesma cor e um sapato vermelho. E mesmo com medo de acabar parecendo uma palhaça deixei que ela me maquiasse, no fim fiquei satisfeita com o resultado e a enchi de abraços enquanto agradecia.

Não muito tempo depois recebi uma mensagem de Leticia avisando que já estava na porta da minha casa. Peguei meu celular, dinheiro, as chaves de casa e sai correndo após me despedir de Natália e minha mãe, que mandou eu chegar cedo. Eu não pretendia obedecer.

Entrei no carro da mãe de Leticia, quem nos levaria até a festa. Leticia estava no banco da frente terminando de se maquiar, o que não preciso dizer ter sido um desastre. Amanda e Lorena estavam no banco de trás. Cumprimentei todos e seguimos até o local da festa. Leticia guardou minhas coisas em sua bolsa e me senti feliz por não ter que ficar carregando nada nas mãos.

Quando chegamos no local, descemos do carro e nos encaminhamos até o portão onde tinham dois caras recolhendo o dinheiro da entrada, logo em seguida entramos. A festa estava acontecendo no quintal da casa, que na verdade mais parecia uma chácara e já estava lotado de gente. Na entrada ouvi os caras dizerem algo sobre não poder entrar dentro da casa, mas passando por ela pude ver várias pessoas lá dentro que aparentemente estavam quebrando as regras e provavelmente toda a mobília.

— Vamos atrás de bebida – disse Amanda e concordamos.

Andamos pelo lugar até chegar a uma espécie de bar, onde estavam servindo as bebidas, as meninas pegaram algo alcoólico e eu apenas um refrigerante. Até que para uma festa em casa estava tudo bem organizado, havia uma parte coberta e escura separada como pista de dança onde um DJ tocava e havia a parte do bar que era ao ar livre.

Depois de pegarmos nossas bebidas Amanda cismou que queria ir pra pista de dança e Lorena foi com ela, eu e Leticia nos encostamos no balcão e resolvemos ficar por ali mesmo.

— Então bonita, pode me explicar por que me ignorou por dois dias seguidos? – perguntou Leticia.

— Tava brava porque você foi na festa com a Amanda sendo que disse que não iria. – respondi sincera.

— Mas eu decidi de última hora, a Amanda não tinha arranjado ninguém pra ir com ela, ai apareceu lá em casa enchendo o saco e acabou me convencendo.

— Tanto faz, só fiquei irritada porque todo mundo foi e eu não, mas já passou.

— Nem foi tão legal. – ela disse tentando me animar.

— Eu sei que foi. – respondi virando os olhos. – Mas tudo bem, eu supero.

— Te amo, idiota. – ela disse me dando um abraço apertado. – E você não faz ideia do que aconteceu... – ela começou a dizer, mas foi interrompida por Amanda que chegou nos abraçando.

— Vamos imediatamente pra pista de dança – Amanda ordenou –, só esperem eu pegar mais uma bebida.

— Cade a Lorena? – Leticia perguntou enquanto ela fazia o pedido ao garçom.

— Com um carinha, a guria já se deu bem.

— Mas já? – perguntei assustada.

— Pelo visto é um casinho antigo dela que acabou encontrando por aqui. Achei melhor deixar os dois sozinhos. – Amanda respondeu pegando sua bebida. – Vamos! – chamou e seguimos ela até a pista.

Ficamos dançando por um tempo, na verdade elas dançando e eu quieta na minha. Não sou acostumada a ir em festas, ao contrário de todas as minhas amigas, na verdade ás vezes me pergunto como somos amigas. Amanda é toda confiante de si, consegue cativar todas as pessoas que conhece, é popular, bonita, basicamente o que qualquer adolescente gostaria de ser. Leticia tem personalidade forte, é decidida, divertida e bonita. Enquanto eu me acho sem graça, sem personalidade e não, não me acho bonita. Eu não seria normal se achasse, já que ninguém nunca está satisfeito com si mesmo.

Apesar de tudo sempre nos divertimos muito juntas, elas não ligam pro fato de eu não beber, não gostar de dançar ou sequer de sair. Nos entendemos e mesmo com todas as diferenças, ela são as pessoas que mais amo e sempre fazem questão de fazer com que eu me sinta bem. Bom, até aparecer algum cara bonito chamando Amanda para dar uma volta e outro pra conversar com Leticia. Acho que deu pra entender que foi o que aconteceu, né? Então sai dali para não atrapalhar Leticia.

Assim que comecei a andar, a primeira coisa que pensei foi: eu não deveria estar nessa festa, por que mesmo topei vir? Odeio ficar sozinha em lugares cheio de gente, principalmente se essas pessoas são da minha escola e ainda mais em uma festa. É ridículo se estar sozinha numa festa e é claro que todo mundo que passa por mim me encara. Eu obviamente já deveria ter imaginado que minhas amigas ficariam com um cara qualquer e isso aconteceria.

Resolvi procurar um lugar que estivesse mais vazio e entrei dentro da casa de Samuel, como foi pedido que não entrassem lá dentro imaginei que estivesse pelo menos mais vazio que o lado de fora, mas havia uma quantidade considerável de pessoas e pela situação em que se encontrava os cômodos, o cara está fodido. Tinha gente se pegando em todo canto e de repente cheguei a me sentir constrangida, cheguei a um corredor com algumas portas e todas estavam fechadas, é obvio que não iria abri-las porque com certeza teria gente transando.

Cogitei a ideia de ir embora, mas se eu fizesse isso com certeza a Leticia iria fazer um discurso depois, até que ao andar um pouco mais vi uma das portas entreaberta, me arrisquei a olhar lá dentro e graças a Deus não tinha ninguém, então entrei no cômodo e fechei a porta logo em seguida. O lugar parecia um escritório com uma biblioteca e por um momento invejei o dono da casa, sempre quis ter uma mini biblioteca em casa. Me sentei em cima de uma mesa e fiquei rindo de mim mesma, eu sou definitivamente o ser mais estranho e anormal desse planeta.

Me assustei ao ouvir o barulho da porta se abrindo, percebi que a pessoa abriu a porta com o mesmo receio que eu havia aberto e comecei a rir disso porque provavelmente seria pelo mesmo motivo. E novamente a pessoa fez a mesma coisa que eu, após verificar o local, entrou e fechou a porta correndo, ri mais ainda. Quando vi quem era comecei a gargalhar.

— Você já pensou em ser um pouco mais normal? – Gabriel perguntou me olhando assustado.

— Olha quem ta falando, o cara que fica fazendo showzinhos na escola. – rebati e ele riu.

Gabriel estava usando uma camiseta preta e calça jeans, estava simples, mas não pude deixar de pensar o quanto ele é extremamente lindo.

— Me desculpa por ter te passado vergonha lá no atendimento ao aluno. – ele lamentou vindo em minha direção.

— Tudo bem, foi divertido.

— Você ta muito linda. – ele elogiou se sentando ao meu lado.

— Obrigada. – agradeci.

— Deixa eu ver se entendi, ta rolando uma festa e você ta... escondida? Aqui? – ele indagou me olhando com dúvida.

— Olha, eu tenho bons motivos pra isso. – expliquei. – E você não deveria estar falando nada porque também ta aqui.

— Mas eu sim tenho bons motivos, eu to fugindo da ex-namorada louca do meu melhor amigo, que esta bêbada e jura que vai me agarrar a qualquer custo pra se vingar dele. – ele explicou e gargalhei.

— Você já pensou em conhecer pessoas mais normais?

— Muitas vezes, inclusive é o que a minha psicóloga recomendou, mas sempre acabo trancado em cômodos com garotas loucas. ­– disse ele zombando de mim, rindo logo em seguida. Dei um tapa em seu braço e acabei rindo também.

— Não ta bebendo nada? – ele perguntou.

— Eu não bebo. – respondi sem olhá-lo.

—Como assim não bebe? – indagou assustado.

— Não bebo.

— Você nunca se divertiu, não?

— Eu posso muito bem me divertir sem beber.

— Isolada de todo mundo durante uma festa... Qual sua definição de diversão?

— Idiota – respondi dando uma risada sem graça. Acho que isso foi basicamente o mesmo que me chamar de fracassada.

— Hoje é seu dia de sorte, garota – ele disse e depois virou a bebida que estava segurando nas mãos. – Vamos! – ordenou me puxando pela mão.

— Vamos onde? – perguntei sem entender nada enquanto já era arrastada por ele para o lado de fora do cômodo.

— Hoje você vai se divertir! – ele falou me olhando com um sorriso torto no rosto e voltou a andar rumo ao lado de fora da casa. Ah, esse sorriso...

Fui puxada por ele até o bar, onde ele chamou um garçom e pediu uma cerveja e um suco com vodka. Quando o garçom voltou com as bebidas, ele me entregou o copo de suco com a vodka.

— Bebe! – ordenou.

— Ta pensando que manda em mim? – perguntei com a melhor cara de superior que pude fazer, com direito a sobrancelha arqueada.

— Bebe, por favor. – ele pediu gentilmente sorrindo, eu então bebi um gole da bebida e gostei.

— É bom.

— Eu sei. – ele disse como se fosse óbvio. – Agora vamos pra pista de dança. – avisou e novamente saiu me puxando entre a multidão. Por que todo mundo quer ir pra essa porra de pista de dança?

Após algum tempo andando chegamos a um canto e avistei um grupo de pessoas, percebi que eram os amigos de Gabriel. Estavam ali Carol e Gustavo, Bruno e outras pessoas.

— Olha quem achei perdida por ai! – Gabriel disse entrando na roda.

— Isabelle! – Carol gritou assim que me avistou, me puxando para um abraço apertado. – Que bom que você veio! – ela disse com um tom de voz alto e de forma extremamente alegre, era notável que ela já estava bêbada, ri com isso. Gustavo e Bruno também vieram me cumprimentar com um abraço.

— Não sabia que estava aqui. – Gustavo disse.

— Não sabia que frequentava festas. – Bruno complementou.

— Vim com umas amigas. — respondi aos dois.

— E agora está conosco e não devolvo mais! – Carol disse rindo e a acompanhei.

— Não vai apresentar tua mina não, Gabe? – um dos garotos da roda perguntou com um sorriso no rosto e apontando a cabeça pra minha direção. O garoto usava uma camisa xadrez preto com azul e uma calça jeans clara, o achei lindo.

— Essa aqui é a Isabelle, é da nossa sala lá da escola. – Gabriel disse pra que todos pudessem ouvir. – Esse é o Henrique – ele apontou para o garoto que havia feito a pergunta –, meu irmão mais velho. – completou. Fiquei perplexa, então ele tinha um irmão tão lindo quanto ele? Curti essa família. – E esse é o Caio. – ele disse apontando para um garoto ao lado de Henrique. – As princesas são Luiza e Gabriela, respectivamente. – Ele apontou para duas garotas que estavam conversando e que sorriram gentis para mim. Luiza é morena do olho claro e super estilosa, sua amiga que notei não ser loira naturalmente não ficava para trás. Me senti um ser inferior ali.

Ficamos conversando e toda hora Gabriel aparecia com um copo de bebida para mim, no início me preocupava em perguntar o que era, depois já estava apenas virando o copo. Acreditava que não estava bêbada, mesmo que de repente estivesse me sentindo extremamente animada, me tornei alguém sociável e achava graça de tudo.

Dancei com Carol sem vergonha alguma, conversei com o irmão de Gabriel e descobri que ele odeia ser chamado de Gabe, fiz amizade com a tal Luiza e conversamos como se nos conhecêssemos há anos, ela me contou sua vida inteira, inclusive que é apaixonada por Bruno mas que ele só enrola ela. Mulheres conseguem ser tão trouxas quando estão apaixonadas.

Começou a tocar uma música animada e Carol gritou, isso foi o suficiente para me fazer gargalhar, já que eu estava achando graça de absolutamente tudo.

— Isa, você é a melhor! – ela gritou vindo me abraçar. – Seremos melhores amigas pra sempre!

— Pra sempre! – concordei gritando. Nos separamos do abraço e ela começou a pular animadamente. Me diverti assistindo a cena. Talvez beber seja uma coisa divertida.

— Melhores amigas pra sempre? – ouvi a voz de Gabriel perguntar em meu ouvido. – Acho que ta na hora de suspender isso aqui. – ele disse pegando o copo de minha mão, virando a bebida e o jogando no chão.

— Ei, eu estava bebendo! – disse brava, então peguei o copo dele de bebida e virei. Me arrependi amargamente pois tinha um gosto horrível. — Que merda é essa? – perguntei fazendo careta enquanto ele ria muito, provavelmente da cara que fiz.

— Cerveja. – ele respondeu entre a risada.

É oficial, não existe nada pior que cerveja, acho que nem se eu estiver extremamente bêbada, consigo beber isso por livre e espontânea vontade.

— Essa coisa é horrível. – disse pegando o copo de Carol sem nem pedir permissão, tomando um pouco da bebida para tirar o gosto daquela coisa que parecia xixi da minha boca. Depois devolvi o copo para Carol e olhei para Gabriel que estava me encarando. – Já percebeu que você ri de mim de cinco em cinco minutos pelo menos? – perguntei.

— Não tenho culpa, você é engraçada.

— Nossa, demais, to pensando em trabalhar de comediante. — respondi irônica.

— Me refiro ao seu jeito, você parece que não é desse mundo cara, sei lá.

— Agora me chamou de ET. Ta indo muito bem, prossiga. – disse. Ele gargalhou, só pra variar.

— Não foi isso que eu quis dizer, é que garotas da sua idade geralmente estão saindo, se divertindo, sei lá. E tu experimentou uma cerveja pela primeira vez na vida com, o que, 17 anos?

— Eu não me importaria de ter passado a vida inteira sem experimentar. – disse e dessa vez ele não riu, ou disse algo, apenas continuou me encarando.

Fiquei constrangida e me virei para a roda voltando a dançar. No instante seguinte fui surpreendida ao sentir suas mãos em minha cintura me puxando para perto dele. Paralisei com essa atitude.

— Eu já disse que você ta muito linda, né? – ele sussurrou em meu ouvido dando ênfase ao muito. Engoli seco.

— Sim, mas é sempre bom ouvir de novo. – respondi brincando e ele deu uma risada rouca.

Ele me puxou para trás calmamente e me lembro de ter ouvido a voz da Leticia ecoar em minha cabeça quando ele roçou a barba sem fazer no meu pescoço. Me lembro do meu consciente repetindo sem parar a palavra “cafajeste” quase que como um sinal de aviso enquanto ele me virou e me pressionou contra a parede e a palavra “vagabundo” veio logo em seguida quando ele colou nossas bocas e eu dei permissão para que ele aprofundasse um beijo. Lembro de estar ciente de que fui avisada que ele não é o tipo de cara com quem eu deva me envolver, quando a mão dele que até então apertava forte minha cintura começou a subir lentamente por debaixo da minha blusa e tudo que fiz foi envolver seu pescoço com meus braços para impedir que ele ousasse a sair dali.

Ele interrompeu o beijo e virou o resto da bebida que estava segurando em uma de suas mãos, enquanto a outra continuava a alisar minhas costas por debaixo da blusa. Logo em seguida jogou o copo fora e levou sua mão até minha nuca entrelaçando seus dedos em meu cabelo e os puxando devagar fazendo com que eu arqueasse a cabeça um pouco para trás e deixasse meu pescoço exposto, direcionando sua boca até o mesmo e o beijando. Seus lábios estavam gelados devido a bebida e me arrepiei com isso, então ele deu um leve chupão naquela região e eu sabia que se aparecesse com marcas no pescoço em casa minha mãe me mataria, mas ao invés de fazer com que ele parasse, apenas entrelacei meus dedos em seu cabelo e o puxei para mais perto de mim. Ele provavelmente percebeu que eu estava gostando, pois deu uma risada e continuou com os chupões que foram ficando cada vez mais fortes.

Gabriel parou de beijar meu pescoço e levantou seu rosto na altura do meu, mas não me beijou, apenas roçou seus lábios nos meus de forma provocativa, mordi levemente seu lábio inferior em resposta e dessa vez sim ele juntou nossas bocas quase que com urgência começando um beijo, pressionando também seu corpo ainda mais no meu fazendo com que eu sentisse o quão excitado ele estava.

Sua mão voltou para debaixo de minha blusa e dessa vez ele não hesitou em subi-la até meu sutiã, indo diretamente até o feixe do mesmo e tentando abri-lo. Eu sabia que seria difícil então interrompi o beijo e sorri divertida.

— Boa sorte – disse contra seus lábios e ele riu.

— Tenho a noite inteira pela frente – sussurrou em meu ouvido em resposta e mordeu o lóbulo da minha orelha, o que me fez arrepiar instantaneamente. Ele não estaria errado se pensasse que poderia fazer o que quisesse comigo naquele instante e me odiei por ter consciência disso, mas desde que ele não parasse eu poderia facilmente conviver com esse ódio.

Ele voltou a me beijar e coloquei minhas mãos por debaixo de sua camisa, as subi pelas suas costas arranhando levemente com as unhas e depois desci dessa vez arranhando com mais força, ele arfou entre o beijo e depois sorriu vitorioso, o feixe abriu. Assim que meu sutiã se afrouxou sua mão alcançou meu seio direito e o apertou, sendo a minha vez de arfar. Eu sabia que já estávamos indo longe demais, mas eu não queria parar. Levei minha mão até seu abdômen, o arranhando de cima até o cós de sua calça, ele contraiu o mesmo involuntariamente com a ação e comecei a brincar com a borda de sua cueca, a empurrando cada vez mais para baixo e arranhando cada vez mais baixo. Ele então descolou nossos lábios.

— Vamos pra outro lugar – disse Gabriel em um tom de voz que me pareceu mais uma ordem que um convite, mesmo assim assenti com a cabeça e deixei que ele me puxasse pela mão para algum outro lugar, mas quando estávamos saindo dali ouvi uma voz familiar me chamando.

Notas finais
E ai, gostaram ou não? Comentem por favor. Até o próximo capítulo!