Dois anos e três meses depois...

Com a vida totalmente estabilizada, Trafalgar Law agora podia ficar mais tranquilo em seu dia-a-dia, já que se acostumara com o emprego atual. Além disso, Penguin lhe ajudava bastante a conseguir bastante dinheiro e a concluir diversos casos.

No presente momento, uma noite de quinta-feira qualquer, o jovem rapaz de cabelos negros e olheiras abaixo dos olhos cinzentos estava indo para sua casa. Cansado depois de mais um dia árduo de trabalho, ele poderia finalmente se estirar na cama e descansar em paz...

– Yo, Law-nii!

… Ou não, pois na maioria das vezes em que chegava em casa, seu parceiro ruivo estava lá, em seu sofá, esperando seu retorno. Penguin estava junto com Robin assistindo televisão e bebendo vinho como duas pessoas normais.

– Penguin, eu sonho com o dia em que eu vou chegar na minha casa e você não estará aqui.

– Boa noite pra você também, Trafalgar. – Diz a morena com seu jeito sarcástico. – Como foi a noite? Você chegou tarde, eu fiquei preocupada.

– Ah, o Luffy ganhou uma promoção aí nós ficamos comemorando. Eu nem reparei na hora.

– Entendi. – Ela sorri.

– Não acredito, sério. Eu sempre te convido pras minhas festas e você nunca aceita, mas quando esse engravatado quer comemorar, você passa a noite com ele! – Afirma Penguin, não acreditando no que ouvia.

– Penguin, pela milésima vez, eu não faço isso porque eu quero. Eu faço isso porque eu sou obrigado.

– Mas você passa tempo demais com esse engravatado, isso é perigoso! E se vocês começarem a ficar amigos?

– Penguin, deixa ele. – Interrompe Robin. – Além disso, nós temos compromisso agora, não é?

– Verdade, né.

Trafalgar não havia reparado, porém em sua casa havia um objeto não-identificado. Tratava-se de uma pintura coberta por um pano branco, no canto de sua sala de estar. Estranhando aquilo, o rapaz foi até a pintura, retirando o pano que a cobria.

– Foi você quem fez? – Indaga Law, observando a tela de pintura repleta com os mínimos detalhes.

– Madonna Darmstadt, do alemão Hans Holbein. Demorei três meses pra fazer essa beleza!

– Nossa, ficou muito bom. Parece até a original.

– Bom, esse é o objetivo, né? – Antes que Law pudesse dizer outra coisa, o relógio de Robin começa a apitar.

– Deu a nossa hora. – Afirma a morena. – Vamos, Penguin?

– Vamos! Aliás, Law-nii, a gente vai dar uma passada no museu. Quer ir com a gente?

– Não, valeu. Eu não curto ficar olhando um monte de quadro espalhado por aí, prefiro ficar dormindo.

– Não diga isso, Trafalgar, as artes fazem parte da nossa cultura e história. Elas nos mostram como os diversos artistas pensavam, como eram avançados para sua época e nos ensinam...

– Tá, tá, já entendi, Robin. Eu não tenho nada contra arte, só não faz o meu estilo.

E assim, tanto o ruivo como a morena pegaram a pintura que haviam deixado na casa de Law e foram embora, deixando-o finalmente sozinho. Entretanto, Robin voltou alegando que havia esquecido algo para falar particularmente com o rapaz.

– Ei, Trafalgar, quero te dar um conselho.

– Conselho vindo de uma louca? Foi mal, recuso.

– Eu só ia sugerir que você comprasse uma colônia. Não sei como o Penguin ainda não conseguiu notar, mas está bem nítido.

– Huh? Do que você tá falando?

– O cheiro do Luffy. Sempre que eu te vejo você está com o cheiro dele em suas roupas e cada vez fica mais forte. – Ela dá um sorriso irônico e vai embora, deixando Law finalmente sozinho em sua casa, com uma cara de assustado graças ao último comentário.

– A Robin sabe do Luffy? Mas que merda... Aliás, como ela sabe que esse cheiro é dele se eles nunca se viram pessoalmente? Credo, esse trabalho tá me deixando psicótico já...

(...)

Uma bela manhã de sol indicava que era o dia seguinte. Trafalgar acordou com sono e um mau humor terrível por ter tido um pesadelo durante a noite, coisa que era frequente para ele. Mesmo assim, jogando água fria em seu próprio rosto para acordar, o moreno foi até a Central encontrar-se com Luffy e os outros.

– Bom dia....

– Torao, você tá péssimo.

– Brigado...

– TRAFALGAR, ACORDA! – Exclama Zoro, batendo palmas em frente a ele, com o único objetivo de fazê-lo despertar. O que deu certo já que ele levou um susto com um barulho.

– PORRA! Precisa gritar comigo logo de manhã?!

– Precisa. Agora deixa de agir como um zumbi e senta aí, temos coisas para discutir.

– Tsc...

Sentando-se à mesa ao lado de Luffy como sempre fazia, Zoro voltou-lhes a explicar o próximo caso. Na grande tela de computador foi posta várias fotos de um bar e, ao lado, fotos de um cadáver encontrado morto por drogas.

– Wayne Dukette. Semana passada, ele foi encontrado morto ao lado do Shadow Lounge (SL), um bar que fica um pouco afastado, em uma lixeira. Os especialistas encontraram vestígios de drogas em seu corpo, ingeridas em grandes quantidades, que foi o motivo de sua morte.

Assim que Zoro mencionou o homem ter sido morto por drogas, todos automaticamente começaram a olhar para Law, que estava mais distraído do que o normal, brincando com uma caneta. Logo ele percebeu o silêncio e os olhares.

– Por que tá todo mundo me encarando?

– Porque sempre que o assunto são drogas, você dá um jeito de estar relacionado. – Explica Nami. – Além disso não temos um suspeito, então, por enquanto, a culpa é sua.

– Nossa, que lógica maravilhosa. E não fui eu, eu nunca esconderia um cadáver numa lixeira, isso é falta de profissionalismo.

– De qualquer maneira eu vou lá dar uma olhada com o Torao. Se algum amigo dele aparecer de novo eu aviso vocês. – Disse Luffy, preparando-se para sair junto com o outro.

– O amor que vocês sentem por mim é maravilhoso, eu nem fiz nada e já sou culpado...

Após terminarem de discutir o próximo caso, os dois rapazes pegaram o carro e foram até o bar. No meio do caminho, Trafalgar ficou observando as ruas para onde estava sendo levado e estranhou, já que haviam mais bêbados jogados no chão do que em uma manhã de sexta habitual.

– Ei, Luffy...

– Hm?

– Eu nunca vim aqui antes, mas parece meio pobre. Eu não quero ir pra um bar de quinta categoria.

– Para de reclamar, pelo que eu soube o bar fica bem cheio à noite e é bem caro.

– Não tem como um bar caro ficar num lugar horrível como esse...

Andando mais um pouco com o carro, eles finalmente chegaram no tal bar SL. Parecia ser uma casa norturna, porém abria de dia também. Realmente era maior e mais bonito do que os outros bares do local, onde a maioria estava aos pedaços. Finalmente entraram.

Por ser de manhã, não tinha muita gente, mas tinham alguns homens conversando entre si. Law já não gostou muito do ambiente por estar achando estranho algumas pessoas, mas Luffy não se importou e logo eles sentaram no balcão.

– Bom dia, o que gostariam? – Diz o barmen, um homem alto e loiro, fumando um cigarro e com um sorriso em seu rosto.

– Eu tô com fome. – Responde Luffy, olhando o que tinha para comer e pedindo algo em seguida. Assim que o prato dele e de Law foi posto à mesa, ambos começaram a conversar baixinho, para ninguém escutar.

– Luffy, eu quero ir embora daqui. Eu tenho uma mau pressentimento sobre esse lugar.

– Do que você tá falando, Torao? Tá com medo de algum amigo seu aparecer?

– Não é por isso, eu não tenho amigos. É que esse bar tá meio estranho, estamos aqui há meia hora e só tem homem.

– Isso não importa, nós precisamos pelo menos encontrar alguma prova sobre o assassinato do homem. Até agora nós não temos suspeitos.

– E como diabos a gente faz isso?

– De dois jeitos. Ou a gente procura na própria lixeira onde encontraram o cadáver ou a gente pergunta pro barmen, que sempre sabe de alguma coisa.

– Se eu sei de quê? – O mesmo loiro que atendeu eles anteriormente apareceu, parecendo escutar que o nome de sua função foi mencionada. Sua aparência era séria e ao mesmo tempo descontraída.

– V-Você sabe de alguma briga que tenha rolado aqui, semana passada? – Pergunta Luffy, um pouco acuado graças a aproximação repentina do barmen.

– Seja mais específico.

– Mais específico por quê? Tem muitas brigas aqui?

– Brigas, em um bar cheio de homens bêbados e drogados? Não, imagina...

– Eu sabia! – Afirma Law. – Isso aqui é um bar gay? Aquele verdinho me enganou completamente, ele não mencionou isso.

– Oh, você não sabia? – Disse o homem sarcástico, apoiando os cotovelos no balcão, aproximando-se de Law e jogando a fumaça de seu cigarro nele propositalmente.

– Eu tinha minhas suspeitas, isso muda um pouco as coisas.

– E de que forma elas mudaram?

– Eu vou ser direto. O que você sabe sobre o homem que morreu semana passada aqui?

Depois de Law proferir a frase tão diretamente, Luffy ficou o encarando como se ele tivesse feito alguma besteira, já que ele estragou o disfarce de ambos. O barmen, por outro lado, se afastou e começou a limpar alguns copos, com uma aparência calma, sempre fumando.

– Polícia, é? Que coisa...

– Torao...! – Murmura Luffy, com raiva dele, mas este nem se importou muito.

– Eu tenho cara de policial? – Afirma Law, com uma voz grossa e firme, fazendo a atenção do loiro voltar para si.

– Garoto, eu não quero problemas. Quem é você?

– Meu nome é Trafalgar Law, pelo visto você não sabe quem é a pessoa que morreu. Ele é um informante que trabalha pra mim e eu preciso saber quem o matou.

Luffy ficava encarando o outro com um olhar de "Para de fazer merda, Torao!" Contudo, foi completamente ignorado, pois Law continuava com a sua atenção voltada para o homem loiro que se interessou pela mentira contada e voltou a apoiar seus cotovelos na bancada.

– E quem é você, Trafalgar Law?

– Eu sou subordinado direto da organização com maior influência atualmente e posso acabar com você num segundo.

– Ui, que medo. E que organização é essa?

– Infelizmente eu não posso lhe dar essa informação.

– E infelizmente, eu não posso lhe falar nada sobre o caso. Até porquê, como você mesmo disse, eu não sei de nada.

– Ah, vai ter que ser do jeito sujo, então?

Law falou o mais sério possível, direcionando seu olhar cinzento até os olhos azuis do barmen, que o encarava com um sorriso malicioso e soltava fumaça propositalmente em seu rosto. Luffy estava mais preocupado do que nunca.

– E qual seria o seu 'jeito sujo'? Eu não vejo nenhuma maleta de dinheiro aí contigo.

– Quem você acha que eu sou? Se eu subornasse os outros com dinheiro, meu trabalho seria totalmente sem graça.

– Oh, posso saber qual é a sua sugestão de trabalho divertido?

– Só me diz, com quem eu preciso dormir pra ter alguma informação?

Aquela frase bateu no peito de Luffy como uma flecha. Se antes ele já estava preocupado com o que o outro faria, agora mesmo que sua preocupação tornou-se realidade. Ele imediatamente começa a puxar a manga da camisa que Law usava, tentando ter sua atenção, mas sem sucesso.

Trafalgar o ignorou completamente, só com um sorriso malicioso voltado para o loiro, que retribuiu do mesmo jeito. O barmen soltou uma risada fingida depois de alguns segundos em silêncio profundo, só raciocinando aquela frase em sua mente.

– Heh, gostei de você, é bem direto. Vou te levar pra ver o Mr. K.

– Mr. K, é? Posso saber quem é esse sujeito?

– Ele é o dono do bar e fica sempre lá nos fundos. Pode me chamar de Mr. Prince, aliás.

– Posso ir vê-lo agora, Mr. Prince?

– Depende, o seu amiguinho vai vir?

– Não acho que ele seja do tipo que curta espiar... – Luffy voltou a puxar a manga de sua camisa, com mais força, falando em sua mente: "Que merda você vai fazer?!"

– Beleza então, me siga. Eu vou te levar lá nos fundos.

Assim que Prince saiu de seu bar, indo até os fundos, Law levantou-se da cadeira e ficou encarando Luffy, que não estava entendendo absolutamente nada. O maior apenas se abaixou e deu um beijo curto no garoto antes de ir seguir o barmen.

– Fica aqui que eu já volto.

– NEM PENSAR! Você ficou louco? Não me deixa nesse lugar sozinho! E o que você vai fazer? Não faça coisas estranhas em público! E o principal, não durma com pessoas pra tirar proveito delas!

– Relaxa, ciumento, eu não vou fazer nada demais. E você não pode falar nada, você fez a mesma coisa comigo.

– Não é ciumes. E que papo é esse de eu fiz a mesma coisa? Não me compare com você, Torao.

– A primeira vez que você dormiu comigo foi na minha casa, justamente pra me prender, lembra? E funcionou muito bem, já que graças ao seu corpo, eu acabei me apaixonando por você.

– N-N-Não foi bem assim... e não me trate como um objeto sexual...

– Hai, hai. Fui!

Ignorando completamente o rosto vermelho de raiva que Luffy portava, Trafalgar deu-lhe as costas e seguiu Prince. Enquanto isso, o garoto precisou ficar no bar sozinho, já que não tinha como impedir o outro de fazer besteiras. Ele pegou o seu celular e começou a mandar mensagens de texto para Zoro.

"Zoro, o Torao ficou louco e fugiu com um desconhecido. O que eu faço?!"

"Eu te disse que ele não era confiável. Bom, pelo menos você pode rastreá-lo, então não se preocupa. Quer que eu vá aí te ajudar com o caso?"

"Quero. E se você puder vem rápido, ficar sozinho nesses bares é horrível, tem muito homem me olhando estranho..."

"Beleza, eu tô indo aí."

Esperando a chegada de seu amigo, Luffy ficou recluso no bar, tomando uma bebida sozinho e ignorando os olhares que lançavam em cima dele. Seus pés batiam um no outro alegando que estava apreensivo, até um certo homem se aproximar dele e puxar assunto.

– Olá, gracinha!

– O-oi...

– Você parece tímido. Quer que eu te pague uma bebida?

– N-Não obrigado, eu estou esperando uma pessoa...

– Ah, algum namorado por acaso?

– N-Nã, quer dizer... sim, é. Eu tô esperando por ele.

– Oh, verdade? Eu não estou vendo ele aqui e também não sou ciumento.

– M-Mas ele vem, ele só foi ao banheiro!

– Então nós temos tempo até ele volt–

– Ei.

– Huh? Quem é você?

Um pouco antes do homem misterioso tentar fazer algo com Luffy, Zoro chega no local cutucando o homem pelas costas, que ficou furioso em ter sido interrompido. O rapaz de cabelos verdes cruza os braços, falando com a voz mais séria e impaciente que conseguia para amedrontá-lo.

– Sai daqui, agora.

– Ei, ei, calma aí, eu não quero confusão. Eu só–

– Hãn, não vai sair? – Ele começa a estalar os dedos em formato de punho, ameaçando dar um soco com seus braços musculosos. – Que pena, escolha errada.

– Zoro! – Exclama Luffy feliz.

– E-E-Eu não sabia que ele não era solteiro, eu juro! F-Foi mal, eu vou embora! – E assim, o homem misterioso se foi.

– Luffy, onde aquele idiota do Trafalgar se meteu?

– Eu não entendi muito bem, mas ele disse que ia dormir com alguém em busca de informações...

– Hã? Que absurdo, ele não pensa antes de falar?

– De qualquer maneira vamos olhar na lixeira onde encontraram o cadáver, pra ver se achamos alguma prova ou algo do gênero.

– Sim, vamos.

– A propósito, a Nami não vem?

– Não, ela ficou fazendo algumas coisas lá na Central.

(…)

Enquanto Luffy e Zoro procuravam por pistas, Trafalgar estava nos fundos do bar SL, junto com Prince. Era um local bem grande, cheio de pessoas vestidas de terno dentro de uma sala branca, apenas bebendo e discutindo.

– Que lugar é esse, exatamente? – Pergunta, olhando as pessoas ao redor, todos com faces sérias.

– Primeiro precisamos garantir que você é quem diz ser, entende? – Responde o fumante loiro.

– E onde eu encontro com o tal do Mr. K?

– No quarto dos fundos, só me seguir.

Quanto mais andavam pelos corredores, mais Law não gostava de sua situação. Haviam várias portas na parede e vários sons de gemidos, orgasmos e um cheiro infernal de maconha saindo de cada quarto, misturado com outros odores. Mesmo assim, ele continuou seguindo o loiro até a última porta que lá havia.

– É aqui?

– Aqui mesmo.

Abrindo a porta, o jovem deparou-se com um quarto vermelho, uma cama de casal enorme e uma escrivaninha com um notebook. Contudo, o quarto estava vazio, para a felicidade de Law e a infelicidade do loiro.

– Tsc, ele não está aqui. Eu vou precisar ligar pra ele.

– O Mr. K?

– É, de vez em quando ele dá uma escapada.

– Isso aqui é o quê, afinal? Um bordel?

– Basicamente. Mudou de ideia?

– Claro que não, mas eu preciso ver o Mr. K. Onde ele está?

– Daqui há pouco ele volta, relaxa. Por enquanto fica aí, eu vou voltar para sabermos exatamente quem você é, Trafalgar Law, e você vai nos contar por bem ou por mal.

(...)

Trafalgar ficou aguardando a chegada de Mr. K, o dono do bar SL, no quarto vermelho e o loiro se retirou para fazer a ligação. Enquanto isso, Luffy e Zoro estavam nos fundos do bar, procurando por pistas na grande lixeira que lá havia.

– Achou alguma coisa?

– Não, continua procurando.

O garoto com o chapéu de palha em suas costas prossegue, olhando alguns papéis que estavam no chão em busca de encontrar algo suspeito. Contudo, o vento começa a bater e uma das folhas de jornal voa em direção ao rosto de Luffy, impedindo sua visão.

– Ei, Luffy, você tá bem? – O garoto estava encostado na parede, tentando tirar a folha de sua cara sem sucesso, graças ao vento. Zoro se aproximou para ajudá-lo a tirar, ficando terrivelmente próximo a ele.

– Obrigado, Zoro... – Disse Luffy após conseguir voltar a ver, com Zoro quase o prensando contra parede.

– Ora, ora, o que temos aqui?

Um homem surge, vendo Zoro e Luffy próximos um do outro e maliciando a visão. Sua aparência é um alto, magro e quase careca. Ele também aparentava ser uma pessoa de aproximadamente trinta e cinco anos e começou a se dirigir até ambos rapazes.

– Perdão, quem é você? – Indaga Zoro.

– Sou o dono do bar. Eu sinto muito atrapalhar vocês dois, mas infelizmente os policiais disseram para ninguém ficar de pegação no meio da rua, principalmente dois homens. Se vocês puderem entrar no bar, seria melhor pra mim, entende?

– Ah, não, engano seu, nós nã–

– Sinto muito! – Interrompe Luffy. – É que nós ficamos sem jeito de fazer esse tipo de coisa dentro do bar, com várias pessoas olhando. E também não gostamos muito dos motéis horrorosos que tem aqui.

– Oi..? – Murmura Zoro, sem entender nada. O dono do bar logo abriu seu sorriso malicioso.

– Sendo assim eu tenho um lugar perfeito pros dois! Lá no bar tem um local chamado "Dark Room" onde os casais podem ter privacidade. Fica nos fundos.

– Perfeito! Nós podemos ir lá? – Diz Luffy, com um estranho sorriso em seus lábios, tramando algo. Zoro continuava achando estranho, mas ficou calado.

– Mas é claro que sim!

Enquanto andavam com Mr. K os guiando, Luffy deu uma leve piscada para Zoro indicando que era um plano dele, então ambos agiram como dois apaixonados. O mais novo segurava a mão do outro, pulando e sorrindo aleatoriamente.

Assim que chegaram no local, que era exatamente o mesmo que Trafalgar estava, uma sala branca enorme cheia de homens de terno, Mr. K parou de andar para apresentar-lhes todo mundo, sorrindo gentilmente.

– Aqui é o nosso Dark Room! Não se assustem com os engravatados, eles só estão cuidando da segurança.

– Tudo bem.

– Lá no corredor tem vários quartos perfeitos para vocês, nós só cobramos uma pequena taxa, é claro.

– Sim, sim, nós vamos pagar. Tudo o que queremos é ir logo para o quarto. – Diz Luffy sorrindo. Zoro estava um pouco assustado com o local.

– E além do dinheiro tem só mais um pequeno detalhe...

– Detalhe?

– Olha, não é que suspeitamos de vocês nem nada, mas nós precisamos revistá-los antes de entrarem no quarto. Sabem como é, né? Esse bar não tem permissão pra ter um Dark Room, então a polícia tá sempre no nosso pé.

– Tudo bem, não se preocupe com isso. – Afirma Luffy na maior calma do mundo. – Nós não somos culpados de nada, então não nos importamos. Certo, Zoro?

– É, claro.

– Então me sigam, por favor.

O dono do bar levou os dois rapazes cada um para um quarto diferente. Após deixar Zoro no quarto em que ele ficaria, ele levou Luffy até o outro. O quarto de Luffy era maior, com paredes brancas e uma cama negra enorme.

– Se importa em ficar aqui?

– O que eu vou precisar fazer, exatamente?

– Eu vou chamar uma pessoa pra te revistar. Não se preocupe, temos total sigilo de tudo que ocorre aqui dentro e não tem câmeras. O seu namorado também vai passar pela mesma coisa no quarto dele.

– Entendi, então é só esperar.

– Sim. Aceita alguma coisa para comer?

– Aceito, tô morrendo de fome! O que tem?

– Brownie de chocolate, gosta?

– Adoro!

Foi só dizer que adorava, um garçom chegou com uma bandeja lotada de brownies. Haviam aproximadamente quinze que foram dados para Luffy de graça e este ficou surpreendentemente feliz por ter sido presenteado com doces.

– Pode comer à vontade. Se precisar de mais, só avisar!

– Sério? Obrigado!

– Imagina. – Ele ouve seu celular tocando. – Bom, eu preciso atender. Posso te deixar aqui sozinho com os doces?

– Claro!

– Alô, Mr. Prince? – Ele atendeu o celular bem longe de Luffy, para que o garoto não pudesse ouvi-lo.

"Mr. K, seu merda, onde você se meteu? Eu trouxe uma pessoa pro seu quarto!"

– Agradeço a oferta, mas eu achei um garoto muito melhor. Ele está lá no quarto comendo os brownies.

"Que seja, mas é realmente sério. Ele veio aqui falando que o homem que você matou é um informante dele, e que ele é uma pessoa importante."

– S-Sério? Puts, que azar! E quem é esse sujeito?

"Um tal de Trafalgar Law. Conhece?"

– Não, nunca ouvi falar.

"Então vem logo pro quarto principal. Eu deixei ele sozinho, mas ele parece meio impaciente."

– Beleza. Enquanto isso, Mr. Prince, eu preciso que você vá até o quarto 16. Tem um homem de cabelos verdes lá, já sabe o que fazer.

"Que seja."

Assim que desligaram o telefone, ficou combinado que Prince iria até o quarto de Zoro e, o dono do bar, K, iria para o quarto principal encontrar-se com Trafalgar. Chegando lá, Law estava deitado na cama, olhando o teto com o maior tédio do mundo.

– Olá!

– Você é o tal do Mr. K? – Disse, sentando na cama e olhando com o aspecto mais sério que conseguia, contrastando o sorriso simpático do dono do bar.

– Pra que ficar tão sério? Se quiser eu posso te servir um vinh–

– Cala boca e me ouve. Eu sou subordinado direto de uma pessoa que você vai desejar nunca ter se metido, então só me responde. Quem matou Wayne Dukette?

– E-Ei, calma lá! Eu não sei de nada, tem várias brigas nesse bar e algumas delas acabam em morte. O que eu posso fazer?

– Resposta errada.

Trafalgar levanta-se da cama, cerrando os punhos e indo até o homem, que estava um pouco assustado graças aos seus olhos cinzentos. Assim que se aproximou, ele puxou a camisa que K usava e o obrigou a sentar na cadeira da escrivaninha, ligando o notebook.

– O que você vai fazer..?

– Procura meu nome aí. Trafalgar D. Water Law.

– T-Tá. – Ele procurou o nome no banco de dados. – Aqui diz que você atualmente está preso e ainda resta trinta e cinco anos...

– Ótimo. Eu pareço estar preso pra você?

– V-Você fugiu da prisão?

– Não, se eu tivesse fugido estaria escrito "Foragido" e aí diz "Atualmente preso", o que significa que, na visão dos policiais, eu ainda estou atrás das grades. E a foto de perfil bate exatamente comigo.

– Então se você tá preso como diabos você tá na minha frente? Isso é algum tipo de pegadinha?!

– Eu te disse, eu sou subordinado de uma pessoa realmente poderosa. Já sabe quem é?

– B-Bom, a única pessoa capaz de tirar alguém da prisão sem que os policiais percebam é o líder do submundo. A influência dele é enorme, mas é impossível...

– Impossível eu ser subordinado dele? Eu posso te provar isso.

– P-Provar..?

– Provar que eu sou o braço direito do Joker.

Notas finais
Yay, vamos aos créditos e mini-vocabulário! Caso: Randy Steven Kraft Mr. Prince - Preciso falar? Acho que vocês podem adivinhar quem é. Mr. K - Não é ninguém de One Piece, mas é o apelido da droga "Ketamina". Dark Room - Quarto vermelho, local onde se transa em uma balada tuts tuts. Sim, o Brownie que o Luffy comeu são feitos de maconha.