Policial Sujo
35 Relação de amor e ódio
Notas iniciais

— Eu... não sei nem o que dizer.
De volta aos tempos, na Inglaterra atual, aquela era uma noite bem complicada. Ambos sentados no sofá; Trafalgar havia acabado de confessar a Luffy uma série de crimes que veio cometendo ao longo dos anos e, para finalizar e aproveitar a oportunidade, também contou uma parte oculta de seu passado.
Indiscutivelmente, o garoto do chapéu de palha que antes encontrava-se furioso pela vida criminosa do namorado, agora não sabia como reagir diante àquela situação. Sabia que era um assunto delicado para Law, que permanecia trêmulo ao contar, e tentou analisar a história o mais sério possível, apesar de ser inevitável tender a abraçar a dor que o outro sentia.
— Não precisa dizer nada, agora você sabe a minha relação com esse cara. – Law tentava permanecer firme. – Eu não tenho nem como provar, então você decide se acredita ou não.
— É claro que eu acredito! É claro que eu acredito em você, eu sei que você não mentiria pra mim sobre isso, mas... – Luffy sente-se inseguro e extremamente culpado.
— Mas você não pode fazer nada. – E Law acrescenta.
— Eu não sei o que fazer. – Se vê perdido, abaixa a cabeça e ameça arrancar seus próprios cabelos. – Se fosse qualquer outro seria fácil, mas você tá falando de alguém que todo mundo confia e que também já liderou a Yard, inclusive pode voltar a liderar a qualquer momento.
— Eu sei, foi exatamente por isso que eu não tinha te contado antes. Pelo menos agora você entende.
— Mesmo assim, você deveria ter me dito a parte que era CASADO! – Interrompe o momento triste para ficar perplexo. – V-Você me pediu em casamento sendo que já era casado?!
— Luffy...
— Tá, eu sei que não é exatamente culpa sua, mas mesmo assim! Você é casado!
— Não é um casamento de verdade, eu tinha quinze anos.
— Foi o Drake que fez aquele vídeo nosso?
— Foi.
— Você me pediu em casamento na frente dele?!
— Hã, eu não sabia que aquele intrometido tava lá! Eu te pedir em casamento não tem nada a ver com isso.
— Se fosse com qualquer outra pessoa, até com o Penguin, seria menos pior, mas você é casado com o cara mais procurado do mundo!
— Luffy, será que dá pra parar de repetir a palavra “casamento”?
— Foi mal, é que... – Luffy estava sem rumo. – Você é casado...
— Você falando assim parece que eu sou aqueles caras com vida dupla e que mantém dois casamentos ao mesmo tempo.
— Eu sei, eu sei, desculpa. – Volta a abaixar a cabeça, olhando para o chão. – É que eu não sei o que eu faço agora, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
— Eu é que deveria pedir desculpas. – Law senta-se bem ao lado dele, abraçando suas costas. – Um merda como eu não merecia nem estar com você, Luffy.
— Só me diz uma coisa... o que esse tal de Mingo quer contigo agora?
— … ele quer que eu volte pro submundo e vire o novo Corazón.
— Meu Deus...
— M-Mas eu não vou deixar que isso aconteça! – Law vira o rosto de Luffy, fazendo o menor olhar em seus tristes olhos. – Luffy, eu vou fazer de tudo pra impedir essa história. Se quiser eu conto todos os segredos do submundo à Yard.
— Isso seria bem útil.
— Eles têm uma sede escondida no subterrâneo bem no centro da cidade, fica bem perto daqui, eu te digo como chegar.
— Você não acha que eles provavelmente já trocaram a sede de lugar..?
— Não custa nada tentar.
— Então eu vou fazer o seguinte. – Luffy se acalma e toma uma decisão. – Eu vou ignorar, por enquanto, esses crimes que você veio cometendo pelas minhas costas.
— Eu prometo nunca mais fazer isso de novo.
— Você vai ser monitorado pessoalmente pelos seguranças da Yard vinte e quatro horas por dia, sem reclamar, a partir de amanhã.
— … ok.
— Por algum motivo o Kaidou não responde à Nami e ao Zoro, mas eu vou conversar com eles amanhã e contar tudo sobre a sua relação com o Drake.
— Até pro verdinho?
— Eles são nossos amigos, isso é importante! E o Kaidou é o novo Chefe-diretor da Yard, amigo do Drake, ele precisa saber.
— Tá... tem razão.
— Então acho que é só isso o que podemos fazer por enquanto.
— Luffy...
Law virou seu rosto mais uma vez, para que ambos pudessem olhar um no olho do outro. O garoto estava com uma aparência cansada, um semblante magoado e preocupado. O médico, odiando aquela situação e se afogando em culpa, acaricia as bochechas do companheiro levemente, para deixá-lo mais seguro.
Em seguida, se abaixou, levendo seu rosto diretamente até ao encontro do de Luffy, a fim de dar-lhe um beijo. Entretanto, assim que se aproximou, o garoto acabou virando seu rosto, receoso. Law hesitou, mas tentou compreender e deu apenas um beijo em sua bochecha.
— Desculpa. – Segura as mãos dele, dizendo baixo. – Desculpa por ser alguém tão problemático.
— Você não é o maior culpado.
— Sou sim. Eu só tomo as decisões erradas, ajo sem pensar, tive coragem de mentir pra você e ainda te fiz ficar triste. Eu sou a pior pessoa possível.
— Não fala assim...
— Mas é verdade. E, Luffy, eu não sei quanto tempo isso tudo vai durar, não sei se algum dia vão conseguir separar nós dois, não sei o que vai acontecer no futuro, mas de uma coisa eu tenho certeza. Você é o único motivo de eu ainda existir, e eu vou fazer o possível pra acabar logo com essa história e conseguir que você me perdoe.
— Torao... – Luffy acaba não resistindo e o abraça, sentindo uma dor tão forte em seu peito que até chegavam a descer lágrimas de seus olhos. – Não é sua culpa o que o Drake venha fazendo e eu odeio te ver assim, então vamos fazer o possível pra acabar com essa história juntos, tá bom?
— Tá bom. – Law retribui o abraço, também com a mesma dor. – Obrigado.
(…)
Law e Luffy, não tardiamente, acabaram indo dormir para se prepararem para o dia seguinte, onde iniciariam as investigações mais detalhadas. Contudo, enquanto tudo isso ocorria, ainda na gélida e escura noite, do outro lado da Inglaterra, Kaidou Lovato estava em sua casa.
Após inúmeras tentativas frustradas de comunicação, sendo que seu celular estava com centenas de ligações ignoradas de Nami e Zoro, junto com outras milhares de ligações não-atendidas quando, desesperadamente, tentava falar com Drake; o atual Chefe-diretor da Yard decide sentar-se no chão de sua casa e ficar com suas dezenas de gatos.
— Aah, Samenzinha... – Kaidou acariciava e desabafava com sua gata. – Por que as pessoas são tão complicadas?
— Meow?
— Eu sei que ele vai fazer coisa errada porque é só isso que ele sabe fazer, mas eu me preocupo mesmo assim, sabe?
— Meow...
— Eu deveria parar de me preocupar tanto, eu sei, mas é que...
— Meow, meow.
— É difícil não pegar no pé de alguém que você conhece há tanto tempo. Eu achei que ele tinha mudado, eu sempre acho que as pessoas mudam, mas elas nunca mudam de verdade.
— Meow, meow, meow.
— E eu também me sinto péssimo em ignorar a Nami e o Zoro, mas o que eu posso fazer? Tá tudo indo por água abaixo. Eu não sei se posso falar com eles sobre isso ainda.
— Meow.
— Mas eu tenho que admitir, muita coisa mudou desde aquele dia. Ei, você acha que aquele idiota frio ainda tenha um resquício de brilho no coração?
Flashback de Kaidou Lovato, período de quinze anos atrás.
Depois de despertar do coma e ser atacado por seu próprio primo por, supostamente, ter se casado com Law; Drake acabou sendo levado à força para casa de Kaidou, uma vez que não queria ir ao hospital e o outro, preocupado, não queria deixar o jovem ruivo em casa, sozinho, com risco de vida.
Lovato sempre foi uma pessoa gentil que se preocupava com os outros, não tinha nenhum problema de depressão e até possuía uma autoestima bem elevada, o que fazia dele alguém normal e feliz. Ele levou Drake para sua casa, a fim de cuidar de seus machucados.
— Prontinho. – Kaidou disse, terminando de limpar o sangue que tinha no rosto dele. Drake estava deitado em seu sofá.
— Valeu. – Agradeceu, frio, ameçando levantar. – Eu não tô com dinheiro aqui, mas é só você me passar a sua conta que eu faço um depósito, ok?
— “Dinheiro”?
— É, o pagamento por ter me ajudado e tals. Ou você fez isso tudo de graça?
— Eu não preciso do seu dinheiro, garoto. – Kaidou se levanta, o ignorando. – Fica aí e descansa, você tá muito machucado ainda. Quer uma água?
— Ah, qual é, para. É sério que você me trouxe aqui pra sua casa e ficou cuidando de mim sem querer nada em troca? Nós nem nos conhecemos.
— Se o problema é nós não nos conhecermos, você pode começar falando porque aquele grupo neofacista tentou te matar.
— Tsc, aqueles idiotas... – Drake fica tanta raiva no coração que seus punhos chegam a tremer. – Eu juro que eu vou acabar com a raça de cada um deles, bando de porcos imundos. – Murmura para si mesmo.
— Você os conhece? Aliás, eu lembro que você apanhou também na faculdade, tem alguma coisa a ver?
— Que saco, para de falar isso, eu nunca apanhei pra nenhum nenhum deles! – Drake se levanta rápido, o que acaba resultando em mais dores no corpo que foram ignoradas por ele. – Se você não quer dinheiro, beleza, eu tô indo embora agora. Tchau!
— Ei, ei, ei, pera aí! – Kaidou vai até o ruivo e segura seu braço, impedindo sua fuga. – Não vai!
— Hã? Me larga! – E ele se solta, com força. – Qual é a tua?
— “Qual é a minha”? Garoto, é de madrugada, você tá com risco de vida alto e quer ir embora assim, sem mais nem menos?
— Que foi, vai dar uma de minha mãe agora?
— Pra onde você pretende ir com tanta pressa assim?
— Eu vou pegar minha bazuca e explodir a cara de alguns idiotas.
— T-Tá falando sério? Oi... – Kaidou não aguenta e o arrasta à força, fazendo-o se deitar no sofá mais uma vez. – Não é por aí, não.
— Hã, por que você tá tentando me impedir, seu estranho?
— Eu não vou te deixar sair sem que você me diga quem é você!
— Diez Drake.
— Tá, agora me diz quem é aquele pessoal que te atacou e porquê eles fizeram isso.
— Tsc...
— Vai tentar protegê-los?
— Não, é que eu tô com muita raiva! Algum filho da puta sem nada pra fazer inventou que eu me casei com a porra de um garoto aí.
— E...?
— E daí que eu não me casei! Eu nunca faria uma merda dessas.
— Eles só fizeram isso porque você, supostamente, se casou? Que motivos bárbaros.
— É que um deles é meu primo, aí ele tentou “me dar uma lição”.
— Isso até explica o porquê de você estar tão bravo, deve ser horrível ser atacado pelo próprio primo só por se casar com alguém.
— Não é por isso, eu quero matar aquele desgraçado POR ELE TER ACREDITADO! – Fica com mais raiva ainda e ameça levantar de novo. – Como aquele merda acha que pode ter sido verdade eu me casar com o Law? Que absurdo!
— E-Ei, calm–
— Eu DETESTO aquele garoto! Ou melhor, eu odeio TODOS os homens existentes nessa merda do planeta! Tsc, só podia ter sido fruto dessa escória maldita.
— Calma...
— Como eu posso me acalmar?! Meu próprio primo acha que eu faço parte dessa raça desgraçada, eu não posso deixar que isso passe batido!
— “Raça”? Do que você tá falando, afinal?
— Eu tento ser amigo desses merdas, mas aí eles ficam achando que eu sou que nem eles, é horrível.
— Tá bom, deixa eu ver se eu entendi. – Kaidou analisa a situação. – Você e o seu primo são daquele tipo que odeia gays?
— Isso.
— Por quê?
— Precisa de motivo?
— Se você odeia os outros sem motivo, isso significa que você tem trevas demais no coração. – Kaidou dá às costas, se dirigindo até a cozinha, de onde fala ao longe. – Garoto, eu tomei uma decisão sobre você!
— “Decisão sobre mim”?
— Você vai morar aqui comigo por uma semana, eu vou colocar um pouco de luz nesse seu coraçãozinho.
— Oi? Acho que eu não entendi direito...
— Você quer entrar pra Yard, né? Só entra na Yard aqueles com alma pura e que amam as pessoas igualmente.
— O que você exatamente vai fazer comigo? Me dar uma aula de boas maneiras?
— Você gosta de chá?
— Não, chá é coisa de fresco.
— Você mora na Inglaterra e não gosta de chá?
— Eu gosto de vodka.
— Eu tô preparando um chá pra você! Espera só um pouquinho.
— Kaidou, né? Olha, sem querer ofender, mas você dizendo que vai me dar chá, “curar a minha alma” e me fazer morar contigo por uma semana não tá pegando muito bem.
— Voltei! – Kaidou o ignora e leva até o sofá, seu famoso chá.
— Que isso, afinal? Um chá mágico alucinógeno?
— É uma receita de família. Esse chá vai te fazer ter uma viagem espiritual, abrir sua mente e encher de flores esse seu coraçãozinho cinza. Você vai se tornar uma pessoa muito mais receptiva depois dele.
— Credo, então é tipo um chá pra converter as pessoas em comunistas?
— Se você prefere chamar assim. – Ele entrega a xícara para o ruivo. – Toma, pode beber.
— O que te faz pensar que eu vou beber esse troço?
— Você não quer descobrir o seu Eu interior?
— Meu o quê?
— Só bebe o chá, você vai entender depois.
— Não.
— Por quê, tá com medinho?
— Medo de um chá? Pff, eu não tenho medo de nada.
— Tudo bem se você não quiser, só homens de verdade conseguem beber o chá mesmo.
— Hã, o que você tá insinuando?
— Nada...
— Que seja, eu tomo essa porra! – Drake bebe, de uma vez só, todo o chá de Kaidou. – Viu só? Eu consigo tomar essa merda facilmente.
— Ai, ai... é tão fácil convencer vocês. – Kaidou sente-se vitorioso.
— Ah, droga... psicologia inversa.
— Agora é só aguardar os efeitos começarem.
Drake ficou assustado em aguardar saber o que aquele chá faria consigo, mas não demorou muito para que lentos efeitos fossem surgindo. Primeiro, sua mente entrou numa calmaria sem fim onde todos os seus pensamentos foram esquecidos, a fim de novos surgirem. Por esse motivo, ele ficou encarando fixamente Kaidou sem perceber o que estava fazendo.
— Ahn... – Como não conseguia pensar, não conseguia falar direito também, só repetir o que estava ao seu redor.
— Pelo visto começou. – Kaidou afirma, calmamente.
— Pelo visto... começou...
— Não precisa ficar assustado. Provavelmente agora você irá se lembrar da sua infância, da origem de todo o ódio sem motivo que você vêm sentindo.
— Infância...
Agora, sua visão foi ficando embaçada, seus olhos ameaçavam fechar como se estivesse caindo de sono. Sua mente vêm lhe mostrando imagens estranhas e confusas, mas seu corpo reage diferente; um enorme vento gélido vai percorrendo sua espinha, causando-lhe uma agonia em mistura com frio, muito frio.
Seus dentes começam a ranger sem que ele perceba, seus olhos trêmulos parecem assustados e o calor de seu corpo, àquela altura, já desfez-se completamente. Sentia um frio inexplicável, junto com uma sensação medonha que não sabia muito bem como definir.
— K-K-Kaidou... – Foi recuperando sua consciência, mas ainda sob o efeito do chá.
— Viu as imagens?
— O quê... – E sem perceber, lágrimas pesadas começam a cair de seus olhos em demasia. – O que tá acontecendo... o que você fez comigo?
— Eu não fiz nada. Essa viagem serve justamente para que você desbloqueie seu lado que insiste em ficar preso e trancado à mil fechaduras.
— M-Mas... – Começou a frisar os braços. – E-Eu tô com frio...
— Vem cá. – Kaidou senta-se no sofá e o acolhe, dando-lhe um abraço para que esquentasse seu corpo. – É normal ficar assim, não se preocupa. O importante é ser sincero consigo mesmo.
— Mas... – Ele deita no peito do outro, escondendo as lágrimas. – Isso tá muito errado... eu nunca senti isso na minha vida...
— Nunca desabafou com alguém?
— Não... e eu não choro desde os oito anos.
— E como se sente sobre isso?
— É horrível! – Puxa a camisa que ele usava, o que faz Kaidou fortalecer o abraço. – É horrível, é péssimo, faz logo esse efeito passar!
— Não tem nada de ruim em descobrir que você tem sentimentos.
— É claro que tem! Eu não tenho sentimentos, sentimentos são coisa de fresco, eu sou...
— Você é o quê?
— Eu... ahn... – Começou a ficar com sono de novo.
— Não precisa dizer nada se quiser, só deixe que o chá vá tirando as trevas do seu coraçãozinho.
— Kaidou...
— Sim?
— Você é tão quentinho. – Deixa as lágrimas de lado para deitar no peito do outro mais aconchegantemente, sendo retribuído com um abraço. – É bom te abraçar.
— Que bom que você pensa assim agora. Ainda tem o seu desejo por vingança?
— Não... não, eu acho que não vai adiantar ficar brigando com o meu primo o tempo todo porque se eu for me vingar, ele vai revidar e aí criamos um ciclo infinito.
— A convivência de vocês sempre foi tão ruim assim?
— Eu fiz muita coisa ruim pra ele, e eu até me arrependo de algumas coisas.
— E o seu ódio sem motivos?
— Ah, eu nunca odiei o Law de verdade, é que sei lá... é complicado explicar.
— Pode tentar me explicar, se quiser. O que houve entre vocês dois?
— Eu fiz muita merda nessa vida, Kaidou, mas nada se compara ao que eu fiz com ele.
— Não pode me contar?
— Não.
— Então só promete pra mim. – Kaidou vira o rosto dele, obrigando-o a olhar para si. – Não volta a fazer o que você mesmo sabe que é errado, tá bom?
O ruivo permaneceu parado por alguns curtos segundos, somente olhando para ele e um pouco tonto graças ao efeito do chá.
— Tá... – Mas logo acabou respondendo. – Ei, Kaidou...
— Sim?
— Você é a pessoa mais diferente que eu já conheci.
— E isso é bom? – Ele, novamente, deita a cabeça do outro em seu peito e começa a fazer carinho em seus cabelos, deixando-o com sono.
— É.
Fim do Flashback de Kaidou
— Samen... – Kaidou Lovato, atualmente com depressão, variação de humor e bem preocupado, continua a acariciar um de seus vinte e oito gatos. – Onde foi que eu errei?
— Meow...
— Será que eu sou tão idiota por achar que todo ser humano merece uma segunda chance na vida?
— Meow, meow.
— Ou eu sou idiota por ficar dando centenas e milhares de segundas chances..?
— Meow.
— Pelo menos você nunca me decepcionou. – Kaidou abraça sua gata, que fica ronronando perto de si. – Nem você, nem o Thominhas, nem a Cloe, nem o Nick, nem a Lily, nem a Mandinha, nem o Juninho, nem o Algodão, nem a April, nem o Angel...
Enfim, depois de citar o nome dos outros gatos.
— … nem a Ravena. – Kaidou finalizou a chamada de seus vinte e oito gatos. – Eu não preciso de ninguém além de vocês!
— Meeeeow!
— Eu digo que não preciso de ninguém, mas... – Mas logo depois, volta a se deprimir. – Eu dependo muito dos outros seres humanos.
— Meow...
— Principalmente daquele idiota que só me dá trabalho. Nós até moramos juntos por uma semana, mas aí, depois disso, só voltamos a nos encontrar quando ele entrou na Yard.
— Meow?
— Naquela época, o Vergo era Vice-diretor, mas no mesmo dia em que o Drake entrou, ele saiu. Foi quando eu passei a ser o Vice-diretor no lugar dele.
— Meow, meow!
— Mas naquela época também... eu desconfiava que o Vergo era um espião do submundo, e quando o Drake entrou, eu soube que ele e o Vergo se conheciam. Foi quando eu liguei as peças e acabei sendo bem escroto com ele.
Mini-flashback de treze anos atrás.
Aquele era o dia em que novas pessoas, incluindo Drake, entraram na Yard após o teste de admissão. O ruivo ficou analisando o local com os olhos, tanto para ver o local que trabalharia como procurando Kaidou.
— Oi. – Mas antes que Drake pudesse encontrá-lo, o próprio novo Vice-diretor o achou, indo em direção a ele com uma feição séria.
— Ah, Kaidou! – O ruivo, por outro lado, ficou extremamente feliz em vê-lo. – Quanto tempo! Eu soube que você virou Vice-diretor, parabéns.
— E eu soube que você é amigo do antigo, o Vergo, certo?
— Aham. Aliás, obrigado por aquele dia, eu tava meio mal por causa de todas aquelas brigas então eu acabei falando muita besteira, foi mal.
— Tsc, nem me lembre dessa besteira que eu fiz, eu deveria ter deixado você morrer.
— Ahn?
— Eu odeio pessoas falsas que se aproveitam dos outros. Eu te ajudei aquele dia porque você precisava, mas os seus motivos pra entrar na Yard são podres, isso é inaceitável.
— C-Como assim? Do que você tá falando?!
— Eu já tive as minhas suspeitas sobre o Vergo não ser quem dizia ser, mas eu não pude provar nada. Com você vai ser diferente, porque eu vou ficar bem de olho em ti. – Kaidou se vira, indo embora e deixando o outro perplexo. – Aproveite a sua estadia na Yard enquanto pode.
Fim do Mini-flashback.
(…)
No dia seguinte, Luffy acordou ao lado de Law, que ainda dormia pesadamente. Ficou olhando para ele, ainda um pouco sonolento, pensando em todo o passado que havia tomado conhecimento na noite anterior. Ainda estava aflito e preocupado, mas resolveu acordá-lo mesmo assim.
— Torao... – Pôs-se a balançar o corpo do outro.
— Uhgm... – Que respondia balbuciando palavras estranhas enquanto dormia.
— Acorda, vai...
— Gfhm...
— Arh... – Se cansa de tentar acordá-lo e apenas se joga na cama, abraçando seu peito e voltando a quase dormir. Law, mesmo desacordado, o abraça inconscientemente.
— Hm... – E também abre um pequeno sorriso, gostando de abraçar o menor. Nisso, ele acaba acordando. – Ahn... Luffy?
— Acordou?
— Acordei... bom dia.
— Bom dia.
Ambos, após despertarem de vez, deram um rápido jeito no cabelo e jogaram uma água no rosto. Luffy ficou aguardando na mesa o outro fazer o café da manhã, enquanto ainda estava com a noite anterior em sua cabeça. Assim que Law acabou de preparar a refeição matinal de ambos, sentaram-se juntos.
— Então, o que vamos fazer? – Law pergunta. – Vocês já sabem quem é o D., mas ele me disse que só terminaria o jogo daqui há dois dias.
— Então você acha que ele pode voltar a matar mais pessoas?
— A não ser que eu aceite ficar com o Doflamingo, acho que sim.
— Que complicado... a gente tinha que saber qual é o próximo alvo dele e dar proteção a essa pessoa. A Nicolle é a sua única amiga da faculdade que ainda está viva, certo?
— Sim, mas talvez nem seja ela. O Drake também matou o Shanks e o Buggy e tentou matar o Marco e o Thatch, e eu nem era amigo deles. Fora que a Nicolle ainda possa estar na Austrália com o Brad.
— Se nós tivéssemos certeza de quem será o próximo alvo, facilitaria muito. Será que ele tá usando uma "ordem" específica ou é tudo aleatório?
— Talvez até exista uma "ordem", ele pode estar indo pela ordem das pessoas conforme foi conhecendo.
— Pera, então vamos anotar a ordem das vítimas. O primeiro a ser assassinado foi “Mikael”, certo?
— E depois, Shanks e Buggy.
Luffy decide escrever em um papel, a ordem das vítimas conforme foram sendo mortas. Como resultado, obteve a seguinte sequência:
• Mikael
• Shanks e Buggy
• Trevoso
• Marco e Thatch (ainda vivos)
— Essas foram as vítimas até agora. – Luffy finaliza. – Talvez a próxima possa ser a Nicolle.
— Mas eu nem lembro se o Shanks estudou comigo. – Law responde. – Talvez, tanto ele como o Buggy, Marco e Thatch nem façam parte dessa “ordem”, tanto é que os outros dois ainda estão vivos.
— Você acha que eles possam ser só “cobaias” do jogo?
— Talvez. Daí ficaria...
Law pega o mesmo papel e caneta, fazendo outra sequência das vítimas conforme iam sendo mortas:
Vítimas:
• Mikael
• Trevoso
Cobaias do jogo:
• Shanks e Buggy
• Marco e Thatch
— Então as vítimas são só os seus amigos da faculdade? – Luffy supõe. – O Eustass morreu de suicídio, então só sobrou a Nicolle mesmo.
— A não ser que, segundo a “ordem” dele, o próximo alvo seja eu, daí ela sairia ilesa.
— Você não tem nenhuma ideia mesmo de que “ordem” poderia ser essa?
— Não faço ideia, mas quer ligar pro Brad pra saber se ele e ela já voltaram à Inglaterra? Se ela estiver aqui, corre risco de vida.
— Pode ser.
Determinado em saber se a vida de Nicolle estaria, possivelmente, em risco, Trafalgar decide ligar para seu amigo Brad Pittyson, que supostamente estaria com ela na Austrália, uma vez que ambos haviam viajado juntos após o enterro de Eustass Kid. Law também tentava pensar que “ordem” seria essa e se realmente há uma para cada vítima.
“Mano Law?”— Brad Pittyson atendeu o celular.
— Yo, Brad. Já voltou da Austrália?
“Jáaaaaa! Nossa, eu ia te ligar agora, a viagem foi muito louca! A gente fez umas compras, mas cê nem imagina, cê acredita que eu consegui trazer a maconha de lá pra cá? É bem diferente da nossa!”
— Sério?
“Aham, dá uma passadinha no laboratório! Chama o mano Luffy e o mano das Antártidas.”
— Depois, mas agora falando sério. A Nicolle tá aqui na Inglaterra ainda?
“Sim, sim, ela tá aqui do meu lado.”
— Deixa eu falar com ela.
“Tá bom!” — Brad passa o celular. – “Law? Oie!”
— Nicolle, eu vou ser bem direto, tem uma pessoa que talvez esteja querendo te matar.
“Ah, normal, tem muitas pessoas querendo me matar. Meus três primeiros maridos queriam pegar a minha herança, daí também eu tive um produtor que ficou com raiva de mim... acho que o sexto marido também tentou.”
— Tá... você já tem seguranças então, certo?
“Aham!”
— Beleza. Outra coisa, você ainda se lembra do pessoal da faculdade?
“Sim, sim, eu não costumo esquecer os meus amigos. Por quê? Quer fazer um reencontro?”
— Não, é que tipo. Nós éramos seis, certo? Eu, você, o Kid, Mika, Trevoso e o Drake.
“Sim...”
— Você sabe se existia uma ordem entre nós?
“Ordem? Como assim?”
— Tipo, alguma sequência em que o Mikael aparecesse primeiro e o Trevoso em segundo.
“Hm... ah, sim, sim! Eu ia fazer uma música sobre a gente, então eu criei uma sequência de quem iria aparecer primeiro. O primeiro seria o Trevoso porque eu gostava mais dele, mas aí o Mika ficou me importunando e eu deixei ele na frente.”
— Isso aconteceu?
“Aham, você não lembra porque você vivia nos ignorando, tanto é que eu deixei o seu nome em penúltimo e o do Drake em último, porque vocês explodiram o Festival Japonês! Nossa, aquele dia foi foda!”
— Que seja, mas quem vem depois do Trevoso? Você?
“Não, eu queria ficar no meio, aí eu puis o seu marido! Ficou: Mika, Trevoso, Kid, eu, você e o Drake.”
— Hã? Eu já disse que o Kid não é a droga do meu mari...
“Hahaha, foi mal, foi mal! É que eu me acostumei a ver vocês dois como um casal. De qualquer maneira, essa é a única ordem qu–“
— Nicolle...
“Oi? Sua voz tá estranha, aconteceu alguma coisa?”
— Depois eu te ligo.
Law desliga o celular, com uma aparência meio pálida.
— O que houve? – Luffy pergunta. – Você descobriu a ordem?
— Sim, mas... segundo ela, o Kid seria a próxima vítima.
— Isso é impossível, o Smoker mesmo constatou que foi suicídio, não tem como o Drake ter colocado uma corda no pescoço do Eustass e mandado ele se enforcar.
— É... realmente o Kid não obedeceria àquele merda.
— Deve ter sido só coincidência
— Mas o Smoker disse que ele tinha participado de uma briga antes, não é?
— Que tipo de briga resultaria nisso?
— Não sei.
Eles, então, voltaram a escrever uma nova sequência.
• Mikael (assassinado)
• Trevoso (assassinado)
• Kid (suicídio)
• Nicolle (próximo alvo)
• Law
• Drake
— É melhor nós providenciarmos a segurança da Nicolle o quanto antes.
Luffy disse, mas antes que pudesse ligar para Yard e solicitar os seguranças, a campainha do apartamento de Trafalgar tocou. Ambos hesitaram em responder, temendo que fosse uma visita indesejável, mas era somente o carteiro vindo entregar um envelope.
— O Senhor é Trafalgar Law? – O carteiro perguntou.
— Sim.
— Temos um envelope à entrega com urgência para o senhor. – E ele entrega a encomenda. – Assine aqui, por favor.
— Ok...
Law assinou o papel e o carteiro foi embora. Logo após, sentou-se à mesa junto com Luffy novamente.
— Que envelope é esse? – O garoto perguntou.
— Ontem o Drake disse que me enviaria um vídeo, deve ser isso aqui mesmo. Que merda, eu tenho medo de ver qualquer vídeo que esse filho da mãe me mandar.
— Verdade, tem um CD aqui. – Luffy diz, após abrir o envelope, mas logo estranha quando percebe algo. – Tem... alguma coisa escrita nesse CD.
— O que tá escrito?
Escrito, em uma caneta específica para CD's, estava uma espécie de título...
“A verdade sobre a morte de Eustass Kid – Última mensagem para Trafalgar Law.”
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