Policial Sujo
26 Quando uma Fanfic Shounen vira Novela Mexicana
Notas iniciais

– FICA BEM PARADINHO PRA EU PODER MATAR VOCÊ!
– P-P-Penguin, calma aí, vamos conversar!
Ainda era noite quando Trafalgar Law estava no maior amor junto a Luffy, em seu próprio apartamento, com toda segurança e conformidade quando Penguin, um ruivo que ajudava o médico com alguns esquemas ilegais, apareceu. O pobre garoto confuso já tinha se vestido, mas ficava olhando a cena deprimente.
– Calma o caralho! Que porra é essa?! – Com muita raiva, o ruivo pega um vaso qualquer e começa a correr na direção de Law com o objeto, ameaçando bater nele.
– E-Eu posso explicar, não é o que parece! – E o médico vai fugindo, subindo no sofá, escondendo-se atrás dele, tudo para não tomar algum golpe definitivo na cabeça.
– MENTIROSO! – E cansado de correr, volta a tacar vários objetos cortantes. – SAFADO, FALSO, MENTIROSO, TRAIDOR DE MERDA!
– C-C-Calma, deixa eu explicar! – Law só ia se esquivando dos ataques. Luffy ficava parado vendo aquela cena de perseguição, pensando no que aquilo tudo significava.
– ENTÃO EXPLICA! Explica o que porra você tá fazendo pelado junto com esse desgraçado!
– O Luffy tinha caído, aí eu tava ajudando ele a se levantar, s-só isso!
– QUE DESCULPA RIDÍCULA! – E ele se arma com uma almofada, batendo no pobre médico sem nem pensar em mais nada. – Safado, pelo menos mente direito! Você ajudou alguém a se levantar estando DE CUECA?
– É-É que tava calor! – E o médico tenta se defender usando as mãos, mas as almofadadas vinham em várias direções distintas. – E-Eu só ajudei ele, calma!
– Ah, nossa, até porque faz um SUPER CALOR NA INGLATERRA DE NOITE, FILHO DA PUTA! – E ele não acredita em Law, tanto é que bate no coitado mais forte ainda. – E por que essa porra de garoto tava sem camisa? A gravidade tirou ela, por acaso?!
– E-E-Eu... para de me bater! – Ele consegue pegar a almofada e fica encarando Penguin nos olhos. – Não é nada disso que você tá pensando, eu nunca dormiria com ele, eu juro! Você me conhece, você sabe disso!
– Ah, é? Pois eu não sei mais se eu te conheço! Depois de tudo o que nós passamos... depois de toda as coisas lindas que nós fizemos juntos, você me trai dessa forma horrível?
– N-Não fica assim... – Law vai em sua direção, tentando abraçá-lo, mas é negado.
– NÃO ENCOSTA EM MIM, eu tenho NOJO de você! Tudo o que você me disse era mentira?
– Não, não era mentira, não pensa nisso! Era tudo real, eu nunca te trocaria por ninguém, eu juro! E-Eu não sei o que deu em mim, mas se você puder me dar uma chance de explicar, eu tenho certeza que nós dois vamos conseguir deixar tudo isso pra trás!
– CHANCE? – Volta a ficar com raiva e pega mais almofadas, batendo todas no pobre médico. – QUE CHANCE? Chance pra você dormir com o primeiro que aparece assim, sem a menor consideração por mim?!
– E-Ei, calma aí, não é qualquer um! E você cala boca que você dormiu com o Brad Pitt, NA MINHA CAMA!
– P-Pelo menos ele não é um figurante de CSI! E como assim "não é qualquer um"? Esse garoto significa alguma coisa pra você, então? A sua traição tá sendo maior do que a que eu imaginava!
– Não, não é isso, é só que...
– É só o quê?
– Olha, agora eu tô meio ocupado, será que a gente pode terminar essa conversa outra hora?
– FILHO DA MÃE! – Penguin se zanga e dá almofadadas bem mais fortes, fazendo Law andar pra trás. – Além de tudo você ainda quer que eu vá embora pra você continuar a me trair? Como você tem coragem de me pedir uma coisa dessas?!
– N-Não, não é isso, não foi isso que eu quis dizer! – Law tenta se esquivar. – É que você tá muito nervoso, eu só não quero que você tire conclusões precipitadas!
– Tarde demais, eu já tirei todas as conclusões possíveis, então fala a verdade! Quando você disse aquilo tudo pra mim, você tava pensando nesse garoto?!
– P-Penguin, não é bem assim. Você sabe que o Luffy sempre existiu na minha vida...
– Tsc, desde que esse garoto entrou na sua vida você nunca mais foi o mesmo! Nós tínhamos uma relação ótima, por que é que você foi estragar tudo? A culpa disso tudo é sua, seu desgraçado infernal!
– E-Ei, eu não disse todas aquelas coisas à toa, eu gosto de você! Eu nunca menti quando disse isso, eu gosto da nossa relação, então não faz nenhuma besteira, por favor.
– A única besteira quem fez, foi você! Eu te amava, cara.
– Não fala assim, eu ainda te amo. Você é o meu pinguim...
– Tava tudo ótimo antes de VOCÊ aparecer! – Penguin vai até Luffy e fica de frente pra ele, o sacudindo através das roupas. – Por que você tinha que estar aqui?!
– Ahn, eu... – Penguin estava balançando o pobre garoto tão forte que este não conseguia responder, e seu chapéu de palha acabou caindo no chão.
– Penguin, larga ele! – Porém Law os afasta. – Não vai jogar a culpa no Luffy!
– Ah, então é assim, né? Você prefere ficar com esse garoto? Ótimo, eu vou embora!
– E-Espera, eu não disse iss–
Ao tentar impedir o ruivo de ir embora, Trafalgar segura em seu ombro e o vira. Porém, depois de realizar tal ação, Penguin interrompe completamente a fala do outro quando segura seu pescoço e o puxa diretamente para um beijo não muito demorado, mas também não muito rápido, na frente de Luffy que não sabia muito bem como reagir.
E, a reação do garoto menor, foi a mesma de Trafalgar porquê, ao se separar do beijo com o ruivo, o pobre médico ficou terrivelmente chocado e não conseguiu falar nada, só ficar encarando o horizonte em um arrependimento total. Penguin, por outro lado, apenas bufou e saiu do apartamento. Ficaram os dois, sozinhos, em um silêncio constrangedor por muito, mas muito tempo.
– Então... – Até Luffy o quebrar.
– Bom, vamos continuar o que estávamos fazendo! – E Law age como se nada tivesse acontecido, indo na direção do garoto e pedindo por um beijo, que logo foi negado.
– Quem era aquele cara?
– Q-Quem?
– Me diz logo! O que o cara do circo veio fazer aqui? Por que ele disse coisas estranhas? E mais importante, por que ele te beijou?!
– Ah, bom, é que... você sabe, né, eu... ele, é que tipo... não, é que, bom...
– Sabe, quando ele apareceu aqui eu achei que ele era aquele "ruivo malvado" que roubou o quadro de artes e te ameaçava, mas não é o que parece...
– Ahn... o que parece?
– Há quanto tempo vocês se conhecem? Foi antes do circo?
– Ahn...
– Você não vai me dizer nada, né?
– …
– Então é isso, eu vou embora. Tchau!
O garoto deu às costas e sequer olhou nos olhos de Trafalgar antes de bater a porta com força e ir embora, nem se importando com o fato de ter esquecido seu chapéu de palha na casa do médico. Ao sair do local, encostou as costas na parede e suspirou fundo, tentando se acalmar e pensando no que tudo aquilo significava, até receber uma ligação em seu celular. Não gostou nada de ver quem era.
– Alô? – Atendeu, sem paciência.
"Luffy, querido!! Tá fazendo alguma coisa de bom?"
– Hamock, não é uma boa hora, sério.
"Eu queria saber se você pode passar aqui em casa agora..."
– Não.
"É-É sobre trabalho, eu juro!"
– Trabalho?
"Sim, eu soube de umas coisas e eu preciso te contar."
– Não pode ser amanhã..?
"É urgente."
– Se é urgente então eu vou... mas é só pra isso!
"T-Tá bom!! Eu te espero aqui, amor!"
(…)
Ao mesmo tempo em que Luffy estava indo para casa de Boa Hancock, Trafalgar Law estava bem depressivo. Ele ficou de joelhos, em frente a porta, culpando a si mesmo por tudo que havia feito de errado nessa vida. Estava com vontade de matar alguém e cometer suicídio ao mesmo tempo, porém, tudo só piorou quando um ser humano entrou em sua janela.
– Hahaha, foi melhor do que eu imaginava!
Assim que Penguin adentrou sua janela, o médico ficou o encarando como um leão faminto encara um pedaço de carne, com ódio corroendo seus olhos e um instinto assassino latente. Ele podia matar alguém somente com o olhar naquele momento e, para piorar, Law se levantou do chão, pronto para atacar.
– Corre.
– S-SO-SOCORRO, POLÍCIA!
– EU VOU MATAR VOCÊ, DESGRAÇADO!
Com tanta raiva, Trafalgar quebra uma garrafa qualquer e corre em direção a Penguin com o vidro, pronto para matá-lo e esquartejá-lo. O ruivo fica desesperado, querendo fugir e gritando por sua vida, pulando em sofás e indo até a cozinha, se escondendo atrás da geladeira e pegando cadeiras para se proteger.
– C-C-Calma aí, v-vamos conversar!
– CONVERSAR O CARALHO! – Law estava tão zangado que rangia os dentes, jogando a garrafa quebrada na direção do ruivo e voltando a se equipar com outra. – POR QUE VOCÊ FEZ AQUILO?
– EU? – Penguin foi para a sala novamente, pulando no sofá. – Você tava com engravatado!
– SIM, EU ESTAVA! – E Law o seguiu, querendo bater nele com a garrafa quebrada, mas o ruivo se esquivava. – Por que você invadiu meu apartamento, porra? Você atrapalhou tudo!
– Ainda bem que eu invadi, né! – Penguin usou as almofadas para se proteger. – Se eu não tivesse invadido, você teria dormido com esse garoto! Você tinha que me agradecer!
– AGRADECER? – Fica com mais raiva ainda e joga a garrafa na cara do ruivo. – E QUE MERDA DE DIÁLOGO FOI AQUELE?
– Aaaah, calma! – Porém, Penguin se esquiva e senta no chão, desviando da garrafa. – Eu precisava arrumar um diálogo pra quebrar aquele clima, né!
– PORRA! Você podia ter agido como uma pessoa normal e, sei lá, dizer que se perdeu ou que veio fazer uma visita amigável, MAS AQUILO? – Agora ele tenta usar os punhos e vai na direção do ruivo, querendo quebrar tudo que via em seu caminho.
– S-S-Se eu dissesse isso ele não iria acreditar! – E Penguin continuava a fugir e tentar se esconder em pequenos cantos. – Você sabe tão bem quanto eu que nós dois iríamos ser PRESOS se aquele engravatado descobrisse alguma coisa!
– EU DEVERIA TER TE ENTREGADO! – Law estava furioso e corria atrás de Penguin com toda sua força. – Eu deveria ter te entregado e te jogado na prisão, porra, como é que diabos você faz uma porra dessas?!
– D-Do que você tá falando? – E ele fugia. – Você seguiu o meu diálogo!
– Eu não tenho vocação pra ser ator de Dona Flor e seus Dois Maridos! Você me forçou a seguir aquela merda, mas em momento nenhum eu disse que concordava em FAZER ATOS!
– Ah, essa raiva toda é por causa do beijo? Eu queria deixar tudo mais realista...
– CALA BOCA! – Com mais ódio no coração do que nunca, Law consegue alcançar Penguin e aperta o pescoço do pobre ruivo, o jogando no chão e subindo por cima dele. O mais novo tentava tirar o braço do médico, quase sufocado, mas sem o menor êxito, devido a diferença entre as forças. – EU VOU TE MATAR!
– C-Ca-Calma aí... – Tentava falar, mas estava já quase sem ar. – V-Vamos conversar...
– CONVERSAR O CARALHO! – Aperta mais forte. – Eu sabia! Eu sabia que não dava pra confiar em ruivos, todos vocês são assediadores em potencial! Por que vocês não simplesmente me deixam em paz?!
– E-Eu... não gosto de você... tanto assim...
– Então por que caralhos você me beijou na frente do Luffy?!
– Pra ele... terminar... contigo...
– PORRA!
Law fica com mais raiva, porém larga o pescoço de Penguin, deixa o ruivo respirar e tossir, enquanto sentava em seu próprio sofá e olhava para baixo, quase arrancando seus próprios cabelos de tanto puxá-los, querendo esquecer tudo aquilo. O outro, por outro lado, ao conseguir voltar a respirar normalmente, vai sentar-se ao lado do médico.
– Podemos conversar como pessoas civilizadas?
– Tsc...
– Olha, eu até entendo você ter ficado com o engravatado, tem dias que a gente tá mal e acaba fazendo coisas sem pensar. Eu também já fiquei com algumas pessoas que eu me arrependo e tudo mais...
– Penguin...
– Mas é que quando eu vi vocês dois, eu precisava arrumar uma desculpa, sabe? Também não precisa ficar chateado comigo! Eu até te salvei, você poderia se arrepender no dia seguin–
– … Eu e o Luffy estamos namorando há cinco anos.
– FILHO DA PUTA! – Penguin pega um almofada e bate na cabeça de Law. – COMO VOCÊ OUSA – Bate de novo. – ME TRAÍR – Bate de novo. – POR CINCO – Bate de novo. – FODENDOS – Bate de novo. – ANOS?!
– E-Ei, calma aí! – Law pois as mãos em sua cabeça. – Não estávamos conversando como pessoas civilizadas? E eu nem te conheço há cinco anos...
– VOCÊ TAVA NAMORANDO... esse tempo todo... você estava.... com o engravatado... – Penguin tenta se acalmar, mas não resiste. – MAS EU VOU MATAR VOCÊ, SEU MERDA! – E continua batendo com a almofada.
– L-Larga essa almofada!
– Por que você não me disse?!
– Porque você iria ter um ataque!
– LÓGICO! Você fala enquanto dorme e você dorme com o inimigo, como é que você quer que eu fique calmo?!
– E-Ei, pera aí, eu nunca disse nada incriminador enquanto eu dormia... eu sei que você dormiu comigo várias vezes sem a minha permissão e até hoje você não sabia do Luffy!
– Tá, isso é verdade, mas e se você dissesse o meu nome sem querer?
– Eu nem sei o seu nome...
– Você tinha que ter me contado isso! Como você me deixa sem uma informação importante como essa?
– Eu não te devo satisfações da minha vida pessoal.
– Deve, quando ela envolve a polícia! Porra, sete bilhões de pessoas no mundo, você tinha que namorar logo este bendito garoto? Por quê? Você começou com isso por algum motivo? Foi por isso que você conseguiu sair da prisão?!
– Não, porra, eu amo ele de verdade, eu não escolhi isso. Na época também não foi muito legal, eu inclusive fui preso por salvar a vida do Luffy.
– Tá vendo? É isso que os engravatados fazem, eles prendem quem eles deveriam agradecer! Eu não acredito nisso... e a Charlotte?!
– Você achou mesmo que eu iria namorar uma velha de duzentos quilos?
– Você namora alguém que te jogou na prisão!
– Aí, viu por que eu não te contei antes? Você não iria entender.
– Mesmo que eu não entendesse, você tinha que me contar! Mentira é traição, poxa, nós somos parceiros!
– Grandes merdas, eu não sei nada da sua vida, nem faço questão de saber. Nem o teu nome eu sei!
– Oh, isso? Eu não tenho nome.
Flashback do Penguin
Tudo começou quando eu era uma criança. Meu pai era policial, mas ele tinha sido preso depois de assassinar um amigo de trabalho dele, por dinheiro. Minha mãe era cúmplice e estava grávida de mim, então ela fugiu aqui pra Inglaterra e viveu como foragida. Eles eram japoneses. Bom, aí quando eu nasci, ela me jogou num orfanato e eu nunca mais a vi.
Eu cresci nesse mesmo orfanato e me chamavam de número 016, porque eu não tinha um nome, mas no orfanato existia um homem que trabalhava lá e gostava de mim. Ele era ladrão de bancos e falsificador, me ensinou tudo o que eu sei hoje em dia, a arte de manipular as pessoas através de palavras e de falsificar contratos multimilionários. Enfim, ele foi uma espécie de pai pra mim.
Quando eu tinha oito anos ele me levou pro meu primeiro assalto à uma loja e eu roubei uma pelúcia de pinguim, porque eu sempre quis ter um brinquedo. O apelido foi por causa disso. Só que, quatro anos depois, quando eu tinha doze anos, uma tragédia aconteceu.
Ele tinha ido em um desses bares de periferia, pra vender uma cartela de drogas, ou algo parecido, e me levou pra eu aprender a negociar. Era um bar lotado, tinham dezenas de pessoas lá, eis que a milícia apareceu. Eles chegaram em motos e metralharam todo mundo, sem nem avisos prévios. Eu sobrevivi porque consegui me esconder atrás de uma mesa e ninguém me viu, porque eu era muito pequeno, mas eu também fui o único.
Fim
– E é por isso que eu odeio todos eles!
– Tocante. Mas relaxa, o Luffy nunca faria uma tragédia dessas.
– Ah, não, imagina, ele só BOMBARDEOU A MANSÃO DA MINHA MULHER! – Penguin começa a balançar Law infinitas vezes. – Você precisa aproveitar essa chance que eu te dei em fingir ser meu amante e se afastar de uma vez por todas desse engravatado! A sua segurança tá em risco!
– O Luffy não é perigoso, relaxa. – Law afasta o ruivo de si. – Eu só preciso saber de uma coisa. Você vai terminar comigo, agora que sabe de tudo isso?
– Sim! Claro! Tá tudo terminantemente terminado!
– Não faz isso, vai. Pensa em tudo que nós passamos juntos!
– Você quer ficar comigo só porque eu te dou muito dinheiro, né?
– Sim.
– Arruma um emprego, Law-nii, eu não estou mais disposto. – Penguin se levanta, ameaçando ir embora, quando é impedido.
– Fica aqui, por favor! – Law segura seu braço. – Eu sinto muito pela sua família e foi mal não ter te contado antes, mas você facilita muito a minha vida, cara. Você me trouxe uma maleta com vinte e cinco milhões!
– Eu não vou ficar contigo por dinheiro.
– O que você quer que eu faça pra você ficar?
– P-Posso... dormir com você?
– Quê? Então você é realmente um ruivo assediador...
– N-Não, é que... eu vim aqui originalmente pra isso. O seu namorado destruiu a Mansão que eu ia ficar! Eu tô sem casa! A culpa é metade sua, então me deixa ficar, por favorzinho.
– … depois de tudo isso, você quer dormir comigo? Sério?
– É. Eu não gosto de dormir na rua, ela é fria...
– Você finge que é meu amante, me beija na frente do Luffy e quer DORMIR COMIGO?
– Sim! Vai, agora bota um filme aí pra gente ver, ainda tá cedo.
– Puta merda...
Depois de uma longa discussão, os dois rapazes conseguiram se acalmar. Trafalgar foi fazer uma pipoca ao mesmo tempo em que Penguin colocava um filme na Pieceflix para assistirem juntos. Porém, ao retornar da cozinha, o moreno percebe que o chapéu de palha de Luffy, o objeto preferido dele, estava no chão de sua sala, jogado.
– O Luffy esqueceu o chapéu aqui... – Comenta, segurando o chapéu em mãos.
– Por que ele usa isso? É totalmente estranho um policial com um chapéu de palha.
– Não importa, mas ele gosta muito disso. É melhor ligar pra avisar. – Assim, Law pega seu celular e liga para o garoto, mas, quem o atende, é uma voz feminina.
"Olá, Trafalgar. Tudo bem?"
– HANCOCK? O que merdas você tá fazendo com o celular do Luffy? O que você fez com ele?!
"Oh, não se preocupe, o Luffy está descansando lá no quarto e eu peguei-lhe o celular para não incomodá-lo."
– D-Do que você tá falando? Para de mentir, eu sei muito bem que o Luffy não fez nada disso que você tá sugerindo! Me deixa falar com ele!
"Mas eu não estou sugerindo nada, só dizendo fatos. Ele saiu bem abalado do seu apartamento, não sei o que houve, só espero que agora ele tenha percebido o tipo de pessoa que você é. Tchau."
Depois do telefone ser desligado, agora sim Trafalgar fica com raiva. Começa a ranger os dentes e seu ódio vai se intensificando, até ele finalmente explodir.
– PENGUIN, EU VOU MATAR VOCÊ!
– Q-Q-Que que eu fiz?!
– Graças a sua mentira de merda, o Luffy tá com a porra da desgraçada da Hancock!
– Quem? Ahá, eu disse que essa gente não prestava!
– Puta que pariu... como isso foi acontecer?
Trafalgar, mais uma vez, estava desolado. Voltou a se sentar no sofá, olhando para o chão e arrancando seus cabelos, pensando em que momento de sua vida começou a cometer tantos erros. Penguin ficou com pena de sua situação deplorável e abraçou seu ombro.
– O que houve?
– Tem uma mulher que persegue o Luffy, foi ela que quase me prendeu.
– E ele gosta dela?
– Não sei... mas ele tá lá.
– Ah, esquece isso, Law-nii. Não deve ser nada demais.
(...)
– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO!
– Ain, não grita comigo desse jeito...
Do outro lado da Inglaterra, enquanto Trafalgar assistia um filme junto com Penguin em modo depressivo, Luffy e Hancock estavam na mesma casa. O garoto estava pulando com todas as forças para pegar o celular da morena, mas ela era muito mais alta e deu no que deu.
– Você disse pro Torao que estávamos juntos!
– E nós estávamos, você é meu marido.
– Não estávamos, eu não sou e nós não temos NADA!
– Ah... – Uma flecha atinge o coração de Boa Hancock. – Não fala isso, meu amor.
– Para de me chamar de amor! Argh, eu não gosto de você, nunca gostei e nunca vou gostar. Por que você não entende isso?!
– N-Não fala assim, querido...
– Não me chama de querido! Você me enganou, você me chamou aqui pra falar de trabalho!
– O trabalho que dá ficar viva sem ter você ao meu lado. – Hancock fica corada, com as mãos no rosto.
– Aaaaaaaaaargh, para com isso! Eu já te disse, eu gosto dele, não de você, então só para de ficar no meu pé toda hora!
– M-Mas, querido...
– Mais nada! Eu vou embora, tchau! – Luffy foi andando rápido em direção a porta de saída, abrindo-a e se preparando para sair, quando foi impedido.
– Espera!
– Que foi agora?
– S-Só mais uma coisa. Agora que eu não estou mais processando o Trafalgar, não tem mais motivos de eu continuar em Londres.
– Você vai embora, então?
– Não, não é isso, tem uma questão me incomodando por enquanto. Você já tá sabendo dos boatos, Luffy?
– Boatos?
– O Drake vai voltar à Yard e pegar o lugar do Kaidou.
– Ahn? – Luffy fica pálido por alguns instantes, pensando em coisas relacionadas ao caso "D". – C-Como assim? Quando vai ser isso? Por quê?!
– Ele disse que vai voltar antes do mês que vem, disse que tava com saudades da gente.
– Quê? Mas... como? Agora?! E... espera aí, por que isso seria um problema pra você?
– É que o Trafalgar...
– O que tem o Torao?
– Ah, nada, não é nada com ele. É que se o Drake voltar, eu vou voltar a morar em Londres também, aí nós poderemos formar a nossa família perfeita!
– Ahn... obrigado pela informação, Hamock, mas acho melhor eu ir agora.
Luffy finalmente saiu da casa da morena, ainda com uma certa dúvida corroendo sua mente. Apesar de já estar bem tarde, resolveu ligar para seus dois amigos, Nami e Roronoa Zoro, para se encontrarem, afim de falar sobre os problemas relacionados a Trafalgar, como sempre. O garoto foi até a casa de ambos e tocou a campainha, sendo imediatamente atendido.
– Luffy! Entra aí. – Zoro o deixou entrar e o garoto foi se encontrar com Nami, no sofá.
– Zoro, Nami! Desculpa atrapalhar.
– Imagina, senta aí. – Nami o chamou para perto de si. – É sobre o Trafalgar?
– É-É...
– Como sempre. – Completa Zoro. – O que ele fez dessa vez?
– É que tipo... eu fui à casa dele, aí... uma outra pessoa acabou surgindo...
– Outra pessoa? Alguém conhecido?
– N-Não, é que, tipo, eu... eles... e-eu não sei se é outra mentira do Torao pra me deixar nervoso, ou se é verdade, sei lá, eu não sei se ele é uma pessoa perigosa... talvez ele esteja manipulando o Torao...
– E-Ei, Luffy, calma aí! – Nami interfere. – Assim fica difícil te entender. O que houve? Quem é essa terceira pessoa?
– E-Era um ruivo!
– Ruivo?
– N-Não, é que... eles estão... meio que... saindo... juntos.
– Saindo juntos? – Questiona Zoro. – Então o Trafalgar tá metido com gente que não presta de novo? Tsc, eu sabia que ele não era santo!
– Ei, pera aí. – Nami interrompe. – "Saindo juntos" no sentido de namorar?
– P-Pelo que eu entendi, eles são amantes...
– Amantes?! – Os dois exclamam juntos.
– M-M-M-Mas pode ser outra mentira do Torao! Q-Quer dizer, tudo bem eles estarem saindo juntos... nós não estamos namorando nem nada disso, então ele pode sair com quem quiser, é que tipo... e-eu tô preocupado com o Torao! Ele é influenciado facilmente, só isso.
– C-Calma aí, Luffy, vamos por partes. – Nami fala. – O Trafalgar tá com amante? Quem esse cara é?
– Eu não sei! Eu sei que ele se chama "Penguin", mas eu não sei o nome de verdade nem o que ele faz! E se o Torao estiver se metendo com gente ruim de novo? Ele é ruivo!
– O que tem ser ruivo? – Indaga Zoro. – E você tá com ciúmes ou preocupado?
– Ah, é que o Torao tem essa mania com ruivos... e é claro que eu tô preocupado! Nós não estamos namorando, então ele pode ficar com outras pessoas, mas...
– "Mas"?
– M-Mas nada! E eu nem sei se é amante de verdade, talvez o Torao esteja protegendo essa pessoa e tenha inventado essa desculpa. E-Eu só... não quero que seja ninguém perigoso, entendem?
– Claro, nós vamos procurar mais sobre esse tal de "Penguin".
– Obrigado. Ah, e vocês estão sabendo dos boatos?
– Sobre o Drake? Sim.
– E por que não me contaram?!
– Luffy, eu não acho que ele seja o "D". – Zoro diz. – Não temos provas contra ele, não achamos nada nos últimos dias e ele e o Trafalgar não estudaram juntos na faculdade.
– É! – Nami concorda. – A prova definitiva seria se eles tivessem estudado juntos, mas eles não têm o mesmo currículo, nem nenhuma ligação. Eu acho que eles nem se conhecem.
– T-Talvez um dos dois tenha falsificado o certificado da faculdade...
– Nós ligamos pra faculdade dos dois. – O de cabelos verdes afirma. – Eles realmente se formaram lá, cada um em uma diferente.
– Então o Drake realmente não é o "D"? Voltamos à estaca zero então...
Os três ficaram conversando sobre assuntos aleatórios por mais tempo, Luffy até chegou a fazer um retrato falado de Penguin, já que Nami sabia desenhar. Essa história ficou tão impregnada em sua cabeça que nem reparou que havia esquecido seu fiel chapéu na casa de Trafalgar, até que o de cabelos verdes o chama atenção.
– Luffy, cadê o seu chapéu?
– Ahn? – Ele põe as mãos na cabeça. – Nossa, ele não tá aqui! Onde ele tá? S-Será que eu deixei na Hancock?!
– Você não reparou que tava sem chapéu? – Indaga Nami. – Que estranho, você e esse chapéu são tipo irmãos gêmeos siameses. Liga pra Hancock e pergunta se tá com ela.
– Não, não tá lá... agora que eu tô lembrando, acho que caiu da minha cabeça quando aquele tal de Penguin me empurrou.
– Então tá no Trafalgar. – Zoro afirma. – Deixa isso, amanhã ele leva na Central.
– Não... eu acho que vou buscar na casa dele de manhã, assim eu aproveito e converso com ele.
(…)
No dia seguinte, era de manhãzinha quando Luffy acordou mais cedo do que estava acostumado. Tomou um rápido café da manhã e deu comida a Peter, tomando um rápido banho para despertar. Estava com pressa pois queria ir à casa de Trafalgar, para pegar seu chapéu e conversar um pouco consigo.
Botou suas roupas, pegou seu carro e foi dirigindo até o hotel do médico. Ao chegar lá, pediu a chave na recepção, temendo que ele não tenha acordado ainda. Subiu de elevador, indo até o quinto andar e, depois, até o apartamento. Assim que chegou, tocou a campainha e ficou aguardando o médico. Ninguém o atendeu, então ele entrou na casa sozinho.
– Torao?
Chamou, mas ninguém estava acordado. Luffy logo viu seu chapéu na mesa da sala, então o pegou e ficou aliviado, colocando-o em sua cabeça. Porém, não desistiu, foi até o quarto de Law com intuito de acordá-lo e dar-lhe bom dia pessoalmente. Abriu a porta, mas não gostou nada do que viu. Ficou paralisado momentaneamente, um pouco pálido também, mas fingiu não se importar e apenas foi embora.
No quarto, na cama, Law estava dormindo sem camisa, debaixo das cobertas, normalmente. Contudo, tinha uma pessoa ao seu lado. Penguin estava na mesma situação, com as mãos encostadas no peito do médico, adormecendo como um verdadeiro bebê, sendo abraçado por Trafalgar. Aquela cena serviu como uma flecha no peito do garoto.
– Então era verdade...
(…)
– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ DORMIU NA MINHA CAMA!
– Bom dia pra você também...
– Porra, Penguin! Eu disse que você podia dormir no sofá. NO S-O-F-Á. Sabe o que é isso? Sofás não são camas!
– Ah, é que o sofá é muito duro, você é mais confortável.
– Como você tem o descaramento de vir dormir comigo depois de ontem?!
– Para de reclamar, nem é a primeira vez que eu faço isso...
– Tsc...
Trafalgar deixou seu ódio de lado e levantou-se da cama, indo até o banheiro e jogando bastante água gelada em seu corpo para acordar. Após o banho, colocou a toalha em sua cintura e foi até a sala de estar, verificar se o chapéu de seu amado estava lá, para ter certeza de que não esqueceria de levá-lo à Yard, porém...
– Ué, cadê o chapéu do Luffy? Penguin! – Gritou. – Você pegou o chapéu do Luffy, desgraçado?
– Han? Por que eu faria isso?
– Se você não pegou... – Trafalgar fica olhando para suas mãos nuas, imaginando aonde estaria o chapéu. Uma pequena probabilidade de Luffy ter vindo em sua casa de manhã passou pela sua cabeça, fazendo-o empalidecer ao pensar se o garoto acabou vendo-o dormir com o ruivo.
– Law-nii? – Penguin surgiu, mas tudo que viu foi o médico com um semblante depressivo, olhando para as mãos, como se estivesse com os pensamentos nas alturas. – O que houve?
– O chapéu... se ele não está aqui...
(...)
Depois de se vestir, Trafalgar continuava com uma questão em sua cabeça. Não conseguia parar de pensar na probabilidade de Luffy tê-lo visto dormir com Penguin, e se preocupava. Porém, mesmo estando apreensivo, saiu de seu hotel e foi para as ruas, preparando-se para ir até o metrô.
– Ai!
Entretanto, como a vida gosta de perseguir este tão famigerado médico, sua manhã deixou de ser calma. Ele acaba esbarrando em um homem alto que estava correndo apressado e sua aparência o chamou atenção. Se tratava de um ruivo, com um topete e uma cicatriz ao lado do olho castanho.
– Ei, olha por onde anda! – O médico reclamou.
– A-Ah, foi ma... huh, eu já te vi antes? – O ruivo desconhecido fica encarando o pobre médico como se já o conhecesse, fazendo Law ficar confuso e mais irritado do que já estava.
– Não, foi mal, eu me lembro de todos os ruivos que eu já conheci e você não é um deles.
– Ahn... Trafalgar?
– Ok, você me conhece.
– Eita, quanto tempo! – O ruivo o cumprimenta consecutivas vezes, sorridente. – Você cresceu! Que estranho, eu achei que cê tava preso.
– Quem é você?
– Não lembra de mim? A gente estudou na mesma faculdade, meu nome é Thatch!
– Ei, Thatch! – Contudo, antes que Law pudesse responder alguma coisa, outro homem surgiu e também estava com pressa. Era alto, loiro e com um cabelo curioso, parecendo um abacaxi.
– Oh, Marco, vem cá! – Thatch o chama. – Olha só quem eu encontrei, é o Trafalgar!
– Oi. – Law o cumprimenta, não fazendo ideia de quem sejam eles.
– … – Marco fica o encarando, se perguntando quem seria aquela pessoa, até acabar se lembrando. – Ah...
– Hahahaha, isso não é legal? – O ruivo diz, rindo. – Um reencontro!
– Sim, muito legal. – Marco responde seco. – A gente precisa ir agora, estamos atrasados.
– Eu também preciso ir, tchau. – E Trafalgar sai andando, quando é impedido por Thatch.
– Espera! Toma aqui. – E o ruivo o entrega uma espécie de convite. – Nós vamos dar uma festa, aparece por lá!
– Ok... – Disse, indo embora e colocando o convite no bolso, sem a menor intenção de ir.
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