Policial Sujo

27 Dona Flor e seus Dois Mamilos


Notas iniciais
Estranho, acho que escrevi "maridos" errado...

Após sair de casa e esbarrar com uma pessoa estranha no meio da rua, nosso querido médico seguiu viagem até o metrô e, posteriormente, até a Scotland Yard. Estava meio hesitante em ir até lá e se encontrar com Luffy depois de tudo que aconteceu ontem, não sabia direito o que dizer e ainda estava com ódio de Hancock.

Mesmo assim ele foi, meio oscilante, mas foi. Chegou à Yard, onde tinham centenas de pessoas indo pra lá e pra cá, e se dirigiu até a sala de reuniões, onde estavam Zoro, Nami e, quem ele mais gostava de se encontrar, Luffy. Assim que chegou, todos pararam de conversar e ficaram olhando para ele, sem dizer nada.

– Oi... – Law falou, quebrando o silêncio e se sentando.

– Oi. – Os três responderam em conjunto. Foi aí que Law percebeu que Luffy realmente estava com seu chapéu de palha.

– Você... foi ao meu apartamento hoje de manhã?

– Fui. – Luffy responde. – Mas eu só entrei pra pegar o meu chapéu, tava muito cedo e eu sei que você não gosta de ser acordado, aí eu fui embora.

– Você poderia ter esperado, eu teria trago ele pra cá.

– Ah, mas eu fiquei com medo de você esquecer.

– Tá, mas–

– Ei, ei. – Zoro interrompe. – Eu sei que vocês dois querem conversar e tudo mais, mas a gente precisa seguir com o trabalho. Deixem os assuntos particulares fora daqui.

– Nós não temos nenhum assunto particular pra discutir. – Luffy diz.

– Não temos? – Law questiona.

– Por que teríamos?

– Ah, mas eu pensei que–

– Chega disso! – O de cabelos verdes volta a interrompê-los.

– Para de me interromper, que saco, eu tô tentando falar! – Law se zanga.

– Não comecem uma briga... – Nami murmura.

– Ninguém aqui tá brigando. – O garoto do chapéu de palha afirma.

– Então podemos prosseguir? – Zoro pergunta. – Ou você quer falar mais alguma coisa, Trafalgar?

– Tsc... – Ele apenas resmunga.

Roronoa finalmente teve o silêncio que queria e prosseguiu. Ligou os slides na parede e lá colocou a foto de duas pessoas, uma loira e uma ruiva. Trafalgar revirou os olhos e disse em sua mente “puta que pariu” assim que viu as figuras, mas o de cabelos verdes prosseguiu falando, sem se importar com a preocupação mental do médico.

– Dois estelionatários chamados Marco e Thatch vão dar uma festa beneficente hoje à noite, certamente para desviar o dinheiro que deveria ir à alguma causa social direto para seus bolsos. Nós precisamos arrumar convites para essa festa e invadi-la.

– Tipo esse aqui? – Trafalgar retira de seu bolso o convite para festa, que havia ganhado de manhã ao esbarrar com Thatch.

– Sim, esse mesmo. – Zoro confirma. – Agora que o Trafalgar conseguiu o convite pra festa, nós podemos invad... hã?

– Onde você conseguiu isso? – Nami pergunta, pegando o convite das mãos de Law.

– Eu fui convidado.

– Um ruivo bandido te convidou pra uma festa? – Luffy pergunta. – É outro “amigo” seu?

– N-Não, é que... eles estudaram juntos comigo na faculdade, aí a gente se encontrou na rua e eles me convidaram, só isso.

– Se conheceram na faculdade?

– Que faculdade é essa onde só tem bandido?! – Nami indaga.

– Qual a sua relação com eles? – Zoro diz, desconfiado.

– Nenhuma relação! – Ele exclama. – Eu nem lembrava deles, esse tal de Thatch é que lembrou de mim, mas eu nem sei se alguma vez já falei com eles.

– Vem cá, por que as pessoas da sua faculdade estão dando tanto trabalho ultimamente?

– E também só tem ruivos... – Luffy resmunga.

– Tinha curso de como se tornar bandido lá? – Nami pergunta.

– N-Não gente, é que tipo... – Law tenta se explicar. – Quando eu fui morar com o Kid, ele me levou à uma cidadezinha no fim do mundo pra viver numa roça. Só tinha uma faculdade lá, aí o pessoal era mais pobre e tal. A gente até ia à cavalo pra faculdade, era bem divertido.

– Vocês iam estudar à cavalo? – Zoro estranha.

– Mesmo assim, tá muito estranho tudo isso. – A ruiva volta a falar.

– O importante é que a gente tem um convite. – Luffy diz. – Agora só falta arranjar outros três e invadir a festa de noite.

– Aqui tá dizendo que cada convidado pode levar outras duas pessoas. – Nami fala, lendo o convite.

– E aí, quem você vai levar contigo, Tralfagar? – Roronoa pergunta.

– O Luffy e a ruivinha.

– Isso!! – Ela abraça o médico. – Eu adoro festas!

(…)

Um tempo depois, enquanto não fazia nada demais, Law ficou sentado em uma cadeira qualquer, com as pernas em cima da mesa e um livro escondendo seus olhos, já que estava tirando um cochilo. Eis que, interrompendo seu glorioso sono, uma mulher se aproximou com as mãos na cintura e exclamou, em um tom de voz considerável.

– Bom dia, Trafalgar!

– A-Ahn, quê, o quê, eu não tava dormindo... – Ele acorda com um pequeno susto, mas logo volta ao normal e começa a encarar a mulher. Não gostou nada de vê-la. – Ah não, você...

– É bom te ver também.

– O que tu quer, Hancock? – Fica automaticamente com raiva. – Se você veio falar alguma coisa sobre ontem, eu não estou disposto.

– Oh, não se preocupe, eu já fiz tudo o que queria ontem e não sou do tipo que fica falando disso para terceiros. Não foi por isso que eu vim.

– Que é que tu quer, hein? – Law se levanta e vai até à mulher, quase empurrando-a. – Veio aqui me prender de novo, por acaso? Ou só pra me irritar mesmo?

– Na verdade eu vim visitar meu marido, mas aí eu notei que você estava dormindo e não pude deixar de te dar bom dia.

– Eu já disse, fica longe do Luffy! – Fica com mais raiva ainda. – Para com essa mania de ficar chamando ele de marido, eu já disse que ele É SÓ MEU!

– Ele é seu? Pois não é o que parece.

– Sabe o que parece? Que você é uma louca que não sabe levar foras! O que você veio falar com o Luffy, hein? Já não basta o que aconteceu ontem?!

– Não, não basta. Quanto mais, melhor.

– Filha da mãe...

– E só pra sua informação, nós dois combinamos de ir almoçar lá em casa, então eu vim buscá-lo. Eu até te convidaria pra vir junto, mas... não.

– Do que você tá falando? Isso é mentira! Todo dia eu e o Luffy almoçamos juntos, eu até dou comida àquele cachorro inútil! Para de mentir desse jeito, sua mentirosa!

– Oh, não se preocupe, você pode ir à casa do Luffy e alimentar o Peter, ele vai lá pra casa.

– Sua... – Law fica com um ódio subindo pela sua garganta e range os dentes, prestes a explodir. – DEIXA O LUFFY EM PAZ! – E acaba empurrando Hancock. – ELE É SÓ MEU, NÃO SEU E NEM DE NINGUÉM!

– Ei, ei, ei, calma aí! – Porém, antes que continuassem a briga, uma terceira pessoa chegou e segurou o médico. – Fica calmo, Law, não agrida mulheres!

– CALA BOCA, KAIDOU! – E sua raiva não diminui. – ME SOLTA PRA EU MATAR ESSA COISA!

– Se você fizer isso, você vai ser preso! – Kaidou volta a falar, o segurando. Todos olhavam a cena deprimente assustados, mas Hancock apenas sorria de modo superior.

– Ei, o que tá acontecendo aqui?! – E, diante de todos os gritos e confusões, Luffy finalmente chegou.

– Luffy! – Trafalgar se acalmou e foi até o garoto. – Por favor, eu sei que eu fiz muita merda nessa vida, mas não fica com essa mulher! Eu te imploro, não faz nada se não eu não vou aguentar!

– D-Do que você tá falando?!

– Luffy, meu querido! – Hancock não desiste e também vai até o garoto. – Eu vim te buscar pra nós almoçarmos, conforme combinamos ontem.

– Nós combinamos isso? – Ele indaga.

– Claro que sim, meu amor. Eu preparei a sua carne preferida lá em casa.

– C-Carne?! – O garoto fica com os olhos brilhantes. – Que bom, eu tava morrendo de fome!

– E-E-Ei, espera aí! – Law volta a gritar. – Você vai almoçar comigo, certo, Luffy? Nós fazemos isso todo dia!

– Ah, mas você não prefere ir almoçar com outra pessoa? – Luffy diz, ironicamente. – E a Hancock já preparou o almoço e tudo mais.

– M-Mas.. ma-mas.... mas, mas, mas... maas.... – O pobre médico não sabia o que dizer.

– Bom, então é isso. – Hancock finaliza. – Vamos, querido, o nosso almoço do amor nos espera!

– Tá bom! – E Luffy vai alegremente com a morena até sua casa, se retirando da Yard e deixando Law totalmente desolado, ajoelhado e sem saber o que fazer.

– Não fica assim... – Porém, Kaidou, como era um bom amigo, também se ajoelhou e pois as mãos em suas costas.

– Mas... o Luffy... o meu Luffy... e aquela puta...

– Eu sei, é muito difícil ver a pessoa que amamos com outras, mas não fica assim. Tudo vai ficar bem no final, basta acreditarmos que as melhores coisas virão após um dilúvio terrível.

– Kaidou... você é o único que me entende de verdade...

– Mesmo se ele estiver com outras pessoas, seus amigos estarão sempre ao seu lado.

E assim, Kaidou e Law se deprimem juntos.

(…)

A noite finalmente chegou! Depois de Luffy e Law passarem a tarde inteira ignorando a presença um do outro; o garoto por só pensar na cena do médico e de Penguin dormindo juntos, e Law, pela raiva de ser subitamente trocado por Boa Hancock, os quatro agora se encontravam na Van, em frente à uma grande Mansão.

A grande casa ficava em um quintal maior ainda, repleto de verde e com um laço enorme escrito coisas relacionadas à doação. A festa se tratava de um evento beneficente que arrecadaria fundos para uma instituição de crianças com câncer e, por esse motivo, estava lotada de pessoas ricas e importantes.

– Beleza, eu, o Trafalgar e o Luffy vamos entrar e verificar quando os dois suspeitos fugirão com o dinheiro arrecadado. – Nami explica. – Vocês dois, nada de ficarem brigando durante a festa!

– Não sei que briga é essa que vocês estão falando. – Luffy diz, seco, sem olhar para Law. – Eu não tô brigando com ninguém.

– Deixem disso e se concentrem na missão! – Zoro exclama. – Trafalgar, vê se fica comportadinho e não faz besteira.

– Tsc, eu só quero acabar logo com isso e ir pra casa de uma vez.

Deixando as discussões de lado, os três se prepararam para entrar. Foram até a entrada da Mansão, onde tinha um segurança que verificou o convite e os permitiu que adentrassem à festa, se misturando com as outras pessoas. Estava cheio e a casa deveria ter por volta de oito andares. Ficaram olhando ao redor, vendo se algo vos interessava.

– Por enquanto ainda tá cedo, vamos só ficar de olhos nos convidados. – Nami afirma. – Se vocês virem alguém suspeito, avisem.

– Eu vou com o Torao procurar o ruivo e o Marco. – Luffy diz. – Acho que é bom conhecer mais os culpados.

Assim, ambos começaram a andar juntos procurando por Thatch e Marco enquanto Nami dava uma geral na festa e socializava com os convidados. Law e Luffy subiram os andares e se puseram a procurá-los em um profundo silêncio constrangedor, sem se olharem ou se tocarem, coisa que estava irritando o médico.

– Ei, fala a verdade. – Tanto é que Law decide quebrar o silêncio. – Hoje de manhã, você entrou no meu quarto?

– Por que eu entraria no seu quarto?

– Só me diz! É por isso que você tá chateado comigo? Pelo lance de ontem?

– Eu não tô chateado contigo. Quem disse que eu tô? Você faz o que quiser da vida, desde que não envolva coisas ilegais.

– Então por que você tá me ignorando o dia todo?

– Eu não tô te ignorando. Nós estamos conversando agora.

– Tá, mas mesmo assi–

– Trafalgar! – Antes que os dois rapazes continuassem a discussão, outros dois apareceram. Eram Thatch e Marco e o ruivo os cumprimentou. – Você apareceu mesmo, que coisa boa!

– É, eu achei que seria legal esse reencontro de faculdade. Thatch, Marco esse aqui é o Luffy.

– Oi, prazer! – Thatch aperta a mão do garoto. – Vocês dois estão juntos?

– Sim, ele é–

– Nós somos só amigos. – Luffy interrompe, o que faz o médico não ficar nada feliz.

– É... amigos.

– É? Que legal! – O ruivo exclama. – Bom, fiquem à vontade, eu preciso falar com os outros convidados. – Assim, Thatch e Marco se despedem, indo para outro canto. Law e Luffy continuaram a falar juntos, sozinhos.

– Vocês eram amigos na faculdade? – O menor pergunta.

– Não sei, eu não lembro de ter conhecido eles, eles é que me reconheceram.

– Então vai tentando se lembrar, a gente precisa de provas que eles são pessoas ruins e de quando vão fugir com o dinheiro arrecadado.

– Tá bom.

Os dois prosseguiram e ficaram andando pela festa, vendo as centenas de convidados conversando por aí. Subiram mais um andar, tinha uma mesa farta de doces que o pobre moreno do chapéu de palha não resistiu em ver. Seus olhos brilharam e ele só pôde dizer uma coisa a Law.

– E-Eu... preciso ir visitar àquela mesa.

– Seja feliz. – Foi só o médico terminar de falar que o garoto feliz pôde usufruir da mesa de doces como bem entendera. Enquanto Luffy se esbanjava de comida, ele ficou parado, observando as pessoas e notou algo que não o deixou nada feliz, muito pelo contrário. – Ah, não... não, não, não, NÃO! I-ISSO... isso é sério mesmo?!

Do outro lado da sala onde estava, conversando com uma mulher qualquer, um certo homem se encontrava com uma taça de champagne em mãos. Um ruivo, para ser mais exato. Assim que viu, Law não teve outra reação senão ranger os dentes e serrar os punhos, indo até o encontro do maldito pelas costas e o virando.

– QUE PORRA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?

– Ahn? – E ele se virou, um pouco confuso, mas logo que viu o moreno ficou feliz. – Ah, Law-nii! Que bom te ver aqui!

– “Que bom te ver aqui” o caralho! O que você tá fazendo aqui, Penguin?

– O quê? Eu sempre venho às festas, é você quem tem que se explicar.

– Ér... oi? – A mulher que estava com Penguin falou, mas foi sumariamente ignorada.

– Cara, isso não importa, o fato é que você precisa sair daqui! O Luffy tá–

Toraao! – Contudo, antes que o médico pudesse acabar de falar, Luffy veio correndo atrás dele com vários doces na mão. – Eu peguei o máximo que podia, agora a gente... – Mas logo notou a presença de Penguin e ficou calado, parado.

– O que esse en... garoto tá fazendo aqui?! – O ruivo resmungou.

– Será que dá pra alguém me dizer o que tá acontecendo? – A mulher perguntou, enquanto Law se lamentava para si mesmo.

Tira todas as meninas daqui, vai dar ruim. – Penguin sussurrou à ela e em seguida, disse em voz alta. – ENTÃO É ISSO, NÉ! É só tirar os olhos de você por um segundo e você já chama esse garoto pra uma festa!

– P-Penguin, não escandaliza, por favor! – Law tenta evitar uma desgraça maior.

– Escândalo é o que eu vou fazer na tua cara! Não era você quem costumava odiar festas? O senhor antissocial agora aceita vir se for pra acompanhar esse maldito garoto?!

– Ahn, acho melhor eu ir embora... – Luffy tenta se retirar, mas é impedido.

– Não, você vai ficar! – Law segura seu braço. – Penguin, nós já conversamos sobre isso, dá o fora daqui!

– Ir embora e deixar vocês dois juntos? Mas nem pensar! Ontem você me disse que tinha terminado com esse garoto e nós até dormimos juntos, foi tudo mentira?

– PENGUIN, CALA A PORRA DA BOCA! – Se irrita e acaba gritando, olhando para o garoto logo em seguida. Luffy estava olhando fixamente para a cena, meio alterado, mas quieto. – Luffy, não acredita em nada do que ele disser, por favor...

– Eu... vou deixar vocês à sós, é melhor. – O moreno do chapéu de palha se retirou, deixando Penguin e Law, que estava quase explodindo internamente, sozinhos.

– Porra! – E o médico dá um tapão na cabeça do outro. – Precisava disso?!

– Precisava! Ninguém mandou namorar engravatado, agora aceita as consequências de ser um traidor e me diz! Têm quantos deles na festa?

– Tsc, só o Luffy e a ruivinha, por quê? Tá planejando fazer coisa ilegal?

– Caso você não saiba, eu trabalho com agenciamento de prostitutas e tem cerca de vinte mulheres espalhadas por aí, prontas pra arrancar muito dinheiro de homem rico. As festas beneficentes servem pra isso.

– Puta que pariu, hein, aquela mulher que saiu também é prostituta? Pera aí, a Taiga tá aqui?!

– Relaxa, ela teve um compromisso hoje, mas o que os engravatados vieram fazer aqui? Eles explodem festas beneficentes agora também?

– Pelo que parece eles vão fugir com o dinheiro da arrecadação, mas isso não vem ao caso! Você precisa sair daqui!

– Sair daqui e te deixar com esse engravatado? Meu amor, eu vou ficar a noite inteira!

– Tá falando sério?!

– Sim! Vai, agora me ajuda a achar minhas garotas e tirá-las daqui antes que seja tarde.

– Puta merda...

– E se você quiser continuar com esse negócio de amante e virar uma das minhas namoradas, saiba que você vai precisar a fazer o que elas fazem também.

– Eu não vou me prostituir, nem muito menos quero continuar com esse negócio de amante! – Law dá outro tapa na cabeça dele. – Isso tá chato já!

– Aliás... será que tem algum cofre aqui? Bom, vamos procurar!

Penguin segurou o braço de Law e ambos começaram uma busca pelas prostitutas no local, enquanto o médico grunhia de raiva interiormente. Enquanto isso, Luffy, que havia fugido da presença dos dois ali, acabou esbarrando em Nami, que tomava uma taça de champagne.

– Luffy! – A ruiva exclama. – Tá tudo bem? Cadê o Trafalgar?

– Nami, aconteceu uma coisa muito estranha. Aquele tal de Penguin chegou na festa, não sei como, não sei porquê!

– N-Nossa, sério? Que coisa... eles estão oficialmente namorando agora?

– E-Eu não sei! Ele disse que dormiu com o Torao e eu vi, então eu acho que sim, mas sei lá, eu não sei, o Torao vivia dizendo que gostava de mim mas sei lá também, a gente não tem nada então ele pode ficar com quem ele quiser.

– Você nunca vai admitir que tá morrendo de ciúmes, né?

– Eu não tô com ciúmes! Só tô preocupado porque ruivos são malvados.

– Poxa, eu sou ruiva e não sou malvada.

– Ah, uma vez o Torao me disse que o problema dele era com homens ruivos e mulheres morenas, então acho que não se aplica a você.

– Hahaha, essa coisa dele por cabelos já tá te afetando, né? Não há quem diga que vocês dois não combinam.

– D-De qualquer maneira, vamos andar e nos concentrar na missão.

A ruiva e o moreno também voltaram a seus postos e foram andando pela festa, esperando o tempo perfeito para pegarem os estelionatários no flagra. Ao mesmo tempo, Trafalgar e Penguin estavam fazendo a mesma coisa e discutindo, já que o médico achava um absurdo o fato do ruivo estar lá.

– E se o Luffy perguntar de onde eu te conheço, hein? O que eu digo? – Law perguntava, com impaciência.

– Ué, diz que você me conheceu no circo e se encantou pela minha beleza.

– Eu vou precisar estar muito bêbado pra dizer um negócio desses...

Contudo, como os dois casais estavam andando pela mesma festa, acabaram se encontrando. Nami e Luffy ficavam observando Trafalgar e Peguin juntos, que ficavam sem saber o que dizer ou se deveriam ir lá falarem um com o outro. Todos, com exceção da ruiva, estavam muito desconfortáveis ali.

– Deixa eles, vamos embora. – Disse Luffy à Nami, querendo sair dali.

– Não faz assim né, não é educado ignorar os outros. – Ela responde.

– Será que a gente vai lá? – Law pergunta a Penguin.

– Eu não falo com engravatado. – Ele responde. – E... pera aí, foi essa mulher que roubou meus vinte e cinco milhões!

Ficaram se encarando por alguns demorados segundos até resolverem.

– Vamos ir lá falar com eles. – Disse Nami ao Luffy.

– Ok, não vamos falar com eles. – Disse Law ao Penguin.

– Tarde demais, eles estão vindo. – O ruivo afirma.

Nami e Luffy finalmente chegaram à frente dos outros dois e a ruiva sorriu alegremente.

– Oi! – Cumprimentando como se fosse super gentil e simpática.

– O-Oi. – Law disse meio hesitante.

– Oi. – Penguin disse frio, encarando Luffy bem diretamente.

– oi. – O garoto virou o rosto e falou baixo.

– Então... – O médico tenta quebrar o clima constrangedor que havia se criado ali. – Eu soube que tão distribuindo bolo no quinto andar, alguém quer?

– Perfeito. – Penguin diz. – Por que você não vai lá comer, Luffy?

– Eu não tô com fome. – Ele diz, ainda olhando pra outro canto. Law ficou xingando Penguin mentalmente.

– N-Não vai nos apresentar, Trafalgar? – Nami fala, tentando desviar o assunto.

– A-Ah sim, claro. Nami, Penguin. Penguin, Nami.

– Prazer, eu sou amiga dos dois. – Ela o cumprimenta.

– E eu sou o namorado do Law. – Ele retribui o cumprimento e o médico fica grunhindo os dentes.

– Namorado? – Luffy não deixa de comentar, dessa vez olhando para os dois diretamente. Assim que os olhares do garoto e de Law se cruzam, o médico se sente terrivelmente culpado.

– N-Nã, é qu-que... é que tipo, eu...

– Não precisa ficar sentido, Luffy. – Penguin volta a dizer, não se importando com nada e adorando a situação. – Tem outras pessoas disponíveis pra você!

– Não, é que... eu só estranhei porque o Torao não disse que vocês estavam juntos de verdade.

– Pois é, mas nós estamos e agora não vai rolar de você ser amante dele.

– Amante? – Luffy perguntou, com um semblante magoado.

– Ah, você achou que era o fixo?

– Agora já chega! – Law se zanga. – Será que dá pra mudar de assunto?

– Oi gente! – Porém, antes que todos continuassem a briga, Thatch chegou vos cumprimentando. – Foi mal atrapalhar, hahaha, eu só queria saber se tá tudo bem.

– Tá tudo ótimo. – Law ficou feliz ao ser interrompido e poder fugir daquele assunto. – Ah, Nami, esse é o Thatch, nós estudamos juntos na faculdade.

– Oi, prazer! – Ela o cumprimenta.

– Prazer, é bom conhecer os atuais amigos do Trafalgar, eu achei que nunca mais veria ele de novo!

– E esse é o Penguin. – Law o apresenta também.

– Oi, eu sou o namorado – Fez questão de frisar a palavra – do Law. – E apertou a mão do outro ruivo.

– Sério? – Thatch diz. – Que curioso...

– Por que curioso?

– Sempre que eu vejo o Law ele tá namorando algum ruivo! Hahahaha.

– Hã? Eu nunca namorei nenhum rui... – Trafalgar tentou rebater o comentário de Thatch, mas aí ficou o encarando e raciocinando aquelas palavras, olhando bem nos olhos do ruivo. Foi quando ele se tocou e levou um enorme susto. – AH, EU LEMBRO DE VOCÊ!

– Ué, você não lembrava de mim?

– N-Não, é que tipo, eu... – Law fica meio pálido e mais assustado ainda. – Meu Deus...

– O quê?

– Aconteceu alguma coisa, Torao? – Luffy se assusta com a reação dele.

– ISSO É UMA ARMADILHA! Luffy, vem comigo, agora! – E assim, o médico segura na mão do garoto com força e o arrasta para algum canto, saindo de lá.

– E-Ei, pra onde você tá me levando? – O garoto fica confuso. – Me solta!

– EI! – Penguin fica zangado. – Pra onde vocês dois pensam que vão juntos? VOLTA AQUI!

– VOCÊ CALA BOCA! – Law gritou olhando para Penguin e continuou a correr com Luffy.

Nami, Penguin e Thatch ficaram terrivelmente confusos e não sabiam o que fazer naquele momento, então subitamente se separaram. Ao mesmo tempo, Trafalgar arrastava o pobre moreno mais novo para algum canto aleatório, até ambos entrarem em uma pequena salinha bem apertada onde tinham apenas materiais de limpeza e nada mais. Se trancaram lá dentro.

– O que você tá fazendo? – Luffy perguntou. – Quem é esse Thatch afinal? Por que armadilha?!

– Eu lembrei de onde eu conheço esse cara! Eu tenho certeza que isso é coisa daquele maldito filho da puta, ele deve tá armando outro joguinho inútil.

– Quem? O “D”?

– É! Isso tudo não pode ser coincidência, eu preciso ir embora daqui

– Você não vai embora daqui! Se é uma armadilha, é um ótimo momento pra nós ficarmos, assim dá pra arrumar uma prova definitiva e acabar com essa história de “D”.

– M-Mas eu não gosto desse assunto, me deixa mal...

– Eu sei, mas a gente precisa acabar com isso de uma vez. Eu fico junto com você, aí nós dois... – Luffy começa a falar, mas para e fica em silêncio.

– Nós dois..?

– Quer dizer... acho que o Penguin não iria gostar disso, então se você estiver se sentido mal ou algo assim você pode falar com ele.

– Luffy... – Law se sente extremamente culpado.

– O Penguin sabe do lance do “D”?

Sem responder nada com palavras, Law apenas faz um “não” com a cabeça.

– É melhor assim, deixa ele fora disso e–

E também antes de responder ou dizer algo a mais, Trafalgar interrompe a fala do garoto ao colocar sua mão na nuca do mesmo e o puxar para um longo e lento beijo, que faz o corpo de Luffy esquentar automaticamente e seus pelos arrepiarem. O garoto tentou segurar o braço do médico para o afastar, mas não conseguiu. Ao se separarem, colaram as testas um no outro e ficaram em silêncio.

– Não faz isso... – Até o próprio Luffy o quebrar.

– Eu não aguento mais ter você com raiva de mim.

– Eu não tô com raiva de você... – Ele vira o rosto. – Eu não ligo se você namora outra pessoa.

– Para de mentir, Luffy...

– Só me diz, quem é esse cara? O nome dele? Eu não quero que você se envolva com gente ruim.

– O nome dele é Penguin mesmo, por incrível que pareça, e ele não é tão ruim como parece.

– Mas faz coisa ilegal? Ele sabe que você é um ex-assassino? Ele trabalha com o quê? De onde vocês se conhecem?

– Não faz nada ilegal, ele não sabe que eu sou um ex-assassino, ele não trabalha e nós nos conhecemos no circo, quando você me trocou por um Poodle falante e eu fiquei deprê.

– E vocês se falam desde aquele tempo?

– Luffy, não vamos conversar sobre o Penguin...

– Tá bom, então vai lá ficar com ele e eu vou resolver o lance do Thatch com a Nami. – O garoto se zanga e ameaça sair da pequena sala, mas é impedido.

– Você não vai sair daqui.

– Por quê?

– Porque eu não vou deixar! Esse lance tá uma droga, eu não aguento mais ficar longe de você.

– Você deveria ter pensado nisso antes de começar a namorar alguém.

– Mas eu não... argh! Você vive me dando fora, diz que não vai me namorar nunca, há quase cinco anos você vêm me iludindo e me deixando cada vez mais apaixonado, até ontem você ficou com a merda da Hancock só pra me irritar, agora eu me recuso a ouvir que você tá com ciúmes da porra do Penguin!

– Hã? Eu não namoro contigo porque você vive mentindo pra mim, nem me contou que tava com o Penguin! Eu não fiquei com ninguém pra te irritar, se eu ficar com alguém é porque eu posso porque eu sou solteiro, e eu não tô com ciúmes do Penguin!

– Não, você NÃO pode ficar com ninguém que não seja eu! Eu te juro que algum dia eu vou sequestrar aquela desgraçada da Hancock e fazer ela sofrer por oito dias e sete horas seguidas, pra depois matá-la e dar de comida aos porcos! E se eu for preso depois disso, saiba que eu irei preso FELIZ.

– Tá vendo porque eu não namoro contigo? Você é um MONSTRO! Como você pode dizer uma coisa dessas? E por que você pode ficar com alguém e eu não posso?!

– P-Porque eu tô te namorando, então você não pode me trair, mas você não aceita que é só MEU então eu tô livre!

– Mas que lógica ridícula... eu fico com quem eu quiser e não te devo satisfações.

– Então é isso? Você não vai admitir que ficou com ciúmes?

– Não fiquei, só fiquei com raiva de você não ter me contado antes e eu tenho certeza que esse Penguin não é bonzinho do jeito que você tá me falando.

– E você não se importa se eu ficar longe de você e for ficar com ele?

– Por que eu me importaria?

– É sério que você não se importa mesmo nem um pouco com isso? Depois de tudo?

– Eu já disse que não.

– … você não sente nada por mim?

Luffy ficou o olhando sem conseguir dizer qualquer palavra, mas com um aperto enorme em seu peito. Ficaram os dois num silêncio profundo por diversos segundos, até que Law se abaixa para dar outro beijo no garoto, entretanto, este lhe é negado quando o mais novo vira seu rosto, fazendo com que o beijo seja passado para sua bochecha.

– Então é isso, já entendi.

Trafalgar sai da sala e bate a porta, pisando no chão com passos fortes e indo embora dali, com raiva. Ao mesmo tempo, Luffy acabou ficando dentro da sala e suas mãos tremiam, seus punhos estavam cerrados e sua boca balbuciava como se estivesse arrependido de tudo o que fez. Ele encostou na porta, escondendo seu rosto atrás dos braços e algumas lágrimas escorreram de seus olhos.

– Que saco... – E chegava até a bater na porta, completamente sozinho. – É claro que eu fiquei com ciúmes, eu te amo...

(…)

– Caramba, Marco, é muito dinheiro!

– Eu disse que o melhor a fazer era arrumar logo uma festa bem grande e cheia de gente.

Um tempo depois de tudo ocorrer, em um cômodo no último andar, Thatch e Marco estavam reunidos. O ruivo estava sentado no colo do loiro e ambos checavam a quantidade de dinheiro arrecadado através de um computador, ficando extremamente felizes com o resultado e com os batimentos cardíacos elevados.

– Quando a gente vai poder tirar esse dinheiro do computador, hein? Eu quero logo senti-lo!

– Calma, calma. – Marco abraça sua cintura e beija seu pescoço. – Você já vai sentir o dinheiro, mas por enquanto só dá pra ver a parte que está no cofre.

– Ah, dez milhões é pouco perto de tudo isso. – Thatch faz biquinho. – Eu quero mais!

– Você vai ter mais logo logo, só seja mais paciente. – Marco fecha o notebook e dirige seu rosto até o ruivo, o beijando lentamente. – Amanhã de manhã nós sacamos o dinheiro, tá bom?

– Tá bom, eu espero. – Thatch retribui o beijo no colo do outro e ambos ficam em singelos amassos até Marco o levantar e o arrastar para cama.

Ao mesmo tempo, do outro lado da Mansão, Trafalgar e Penguin estavam juntos e separados de Luffy e Nami, então o ruivo decidiu que ambos fariam algo juntos. Segurando o braço de Law e o arrastando para um local não especificado, eles acabaram adentrando um terceiro cômodo que também ficava no último andar da casa.

– Por que você me trouxe aqui? – O moreno pergunta.

– Law-nii, você não tá sentindo o cheiro? Tem um cofre escondido nesse quarto!

– Um cofre? Jura?

– Sim, vamos procurar! – Penguin começa a busca pelo dinheiro, quando é subitamente impedido por Law.

– Penguin, eu não vou deixar você roubar este cofre.

– Por quê?

– Porque eu prometi ao Luffy que não faria mais nada de errado.

– Affê! Eu sabia que esse engravatado ia fazer a sua cabeça, principalmente com esse lance de namoro. É sério isso? Tem um cofre aqui e você simplesmente não dá a mínima?!

– Eu não ligo, pode reclamar à vontade, eu não vou deixar você roubar esse dinheiro.

– Se você não quiser, beleza, eu fico com o dinheiro pra mim, mas você não vai me impedir!

– Eu vou impedir SIM!

– E vai fazer o quê? Chamar o namoradinho? Me poupe. – Penguin dá as costas e começa a procurar pelo cofre, verificando as paredes e cantos específicos, fazendo Law perder a paciência.

– Tsc, você é horrível, eu não vou te deixar fazer isso! – E o médico vai atrás dele, segurando seus braços pelas costas.

– Me larga, você não vai atrapalhar o meu trabalho! Já não basta a invasão dos engravatados pra intimidar as minhas meninas, agora isso? Sinceramente...

– Reclama à vontade, não vai roubar e pront– Antes que Law pudesse falar, seu celular toca e ele é obrigado a atender, ainda segurando Penguin. – Alô?

Torao, eu preciso de você.”

– S-S-S-Sério? V-Você finalmente tá admitindo que me ama, Luffy?! – Ficou todo feliz.

Quê? Não, é sério, vem cá no terceiro andar eu preciso te mostrar uma coisa. É sobre o trabalho, se lembra dele ainda?”

– Ah... precisa ser agora? Eu tô meio ocupado.

Desculpa, eu tô atrapalhando a sua relação com o seu namorado?”

– NÃO. ABSOLUTAMENTE NÃO. Eu tô indo aí, me espera! – Law desligou o celular. – Tsc, agora eu preciso dar um jeito em você...

– Vai lá ficar com a sua gravata amada e me deixa com o meu dinheiro!

– Quer saber? Foda-se você, eu vou ficar com o Luffy sim e não vou te deixar atrapalhar. Tchau!

Quando Law sai do cômodo, Penguin sente-se livre para prosseguir com sua busca pelo dinheiro e acaba achando o cofre atrás de um quadro. O arromba, utilizando alguns truques que tinha, e, ao abrir, vê todas aquelas notas de cem euros empilhadas, formando um total de dez milhões.

– Isso! – Ele comemora. – Caramba, é muito dinheiro!

Será que é aqui... – Contudo, entretanto, enquanto Penguin estava ocupado comemorando, uma terceira pessoa abriu a porta, uma vez que Law não a havia trancado ao sair. – Eita porra!

(…)

Um tempo antes, no meio da festa na Mansão, uma terceira pessoa havia chegado. Tratava-se de um homem alto, repleto de tatuagens por seu corpo e um estilo único: dreads bem longos em seus cabelos. Seu nome também era bem incomum, baseado em um ator, gostava de se declarar como Brad Pittyson.

– Irrá, cheguei! – Assim que adentrou, jogou as mãos para cima e deu um grito. – Arroboboi Oxumaré! Saúdem o senhor de vós!

Todos os convidados ricos e pertencentes à classe alta ficaram olhando aquele sujeito estranho, com roupas velhas e gastas, andando pelo salão de modo completamente desleixado. Brad Pittyson não se importou, apenas desfilou com sua aura alegre e foi pegar uma taça de champagne, indo até uma mulher posteriormente.

– Com licença, nobre senhora.

– O-O que foi? E-Eu não tenho dinheiro... – Ela diz, escondendo a bolsa.

– Eu não desejo vosso capital, eu só preciso falar com o Marco. Cê sabe onde é que ele tá? Ele é loirinho e tem um cabelo tipo abacaxi.

– A-Acho que ele se encontra no último andar, mas o senhor não está equivocado? Acho que esta não é a festa que o senhor procura.

– Oh... brigado pela preocupação, mas é essa mesmo! – Ele beija a mão da mulher. – Que Iemanjá lhe proteja, em nome de Oxosse. Okê arô!

Seguindo com sua viagem à Mansão e deixando a nobre dama de lado, Brad foi até os últimos andares da grande casa atrás de Marco. Ao subir os andares, no último corredor, tinham duas portas, uma no final da parte esquerda, outra no final da parte direita. Ficou confuso de primeiro, mas decidiu ir até à esquerda em busca de seu objetivo, porém...

– Será que é aqui... – Ao entrar na porta, depara-se com Penguin e um cofre de dinheiro. – Eita porra!

– B-B-Bra... Brad?!

– Mano das Antártidas! E... muito capital...

– Fecha essa porta! – O ruivo correu até a porta e a trancou. – O que você tá fazendo aqui? Não era pra você estar aqui!

– Por que você tá com esse cofre aberto? Você tá roubando o dinheiro da caridade, mano das Antártidas?

– Não, é que... o-o que você tá fazendo aqui? Eu não quero te ver na minha frente!

– Que feio... esse dinheiro era pras pobres criancinhas que têm câncer. Não dói o seu coração roubar este dinheiro em prol do capitalismo responsável por causar a destruição de tantas famílias?

– É claro que dói! Só que a dor a gente mata com dinheiro.

– Oh, que atitude horrível! Logo vindo de você, um animal tão ágil e bondoso que habitua no hemisfério sul. Estou desapontado.

– É, ok, fica desapontado longe de mim, por favor.

– Eu vou precisar limpar a sua alma, ela está danificada. Vem comigo! – Brad segura o braço de Penguin e o arrasta até outro cômodo.

Ao mesmo tempo em que o ruivo era sequestrado e o cofre havia ficado abandonado e aberto, Trafalgar, depois de resolver seus assuntos com Luffy, retornou ao cômodo para bater em Penguin. Contudo, ao chegar lá, o quarto estava vazio e o cofre livre, cheio de dinheiro, exatamente com uma quantia de dez milhões de euros.

– C-Ca-Caralho...

A montanha de notas verdes emanavam um brilho que deixava o médico louco. Ele foi seduzido de imediato por aquela visão e cheiro único, indo até o cofre em passos leves, hipnotizado. Ao chegar lá, ficou com as mãos trêmulas por não saber se deveria pegá-las. Uma questão ficou batendo em sua mente, sua garganta queimava apenas com aquela dúvida infernal: pegar ou não pegar?

Se ele roubasse o dinheiro como sempre fez, era capaz de ninguém perceber, mas ficaria com a consciência pesada pois havia prometido a Luffy que não iria fazer nada ilegal. Entretanto, sua consciência nunca foi problema para si, já que não tinha empatia, somente amor pelo dinheiro. Essa dúvida estava deixando o pobre médico maluco.

– E-Eu... – Olhava para o dinheiro, mas o rosto do garoto que amava batia em seu cérebro. – Eu... – Suas mãos estavam há pouco milímetros de sentir o doce gosto das cédulas. – Eu... – Era uma escolha difícil, mas ele tomou sua decisão. – Eu não quero magoar o Luffy mais do que eu já magoei.

No final, Trafalgar nem sequer ousou tocar nas cédulas, apenas fechou o cofre e o trancou. Em seguida, ligou para o garoto dizendo o que havia encontrado e tanto Luffy como Nami foram até o cômodo em busca do cofre, encontrando Law sozinho lá. A ruiva foi a primeira a dizer algo sobre o assunto.

– Aah, é tão bom achar cofres...

– Eu que o diga. – Law concorda.

– Com certeza esse dinheiro é da festa beneficente que seria roubado, tem que levar pra perícia. – Luffy diz. – Você consegue abrir, Nami?

– Claro que consigo! – A ruiva usa sua habilidade para descobrir a senha do cofre, o abrindo em seguida. Todo o dinheiro estava lá, intacto. – Prontinho!

– Caramba, é muito dinheiro. – Luffy comenta. – Quanta carne dá pra comprar com isso?

– Mas espera aí... – Nami fica olhando aquele cofre mais de perto, com um olhar totalmente desconfiado e até mesmo assustado.

– O quê? – Ambos perguntam juntos.

Ela, literalmente, enfiou a cara dentro do cofre e ficou olhando as cédulas de dinheiro, estranhando tudo aquilo. O amor que Nami tinha pelo capital era tanto que desenvolveu algumas habilidades em relação ao mesmo, tais como saber quando ele foi manipulado. Ao levantar uma das cédulas, ela constatou que havia algo preso nela.

– Tem uma bomba aqui.

– B-B-Bomba?! – Os dois novamente falam junto, porém de modo mais apavorado.

– C-Como assim bomba? – Law pergunta, mais assustado ainda.

– É mais uma espécie de sensor, se alguém tirasse essas cédulas do lugar provavelmente faria algum sistema externo ligar e explodir o local.

– S-Se a-alguém tirasse do lugar... e-e-explodiria? M-Mas que coisa.. interessante... – O médico dizia. – E-Eu não sabia que essas... tecnologias existiam... que legal... m-muito legal.

– E onde é que tá a bomba? – Luffy indaga.

– Eu não sei, é de curta distância, então deve estar aqui no quarto. Seria um jeito de destruir as provas e quem pegou o dinheiro.

Os três começaram a averiguar o quarto, buscar pela tal bomba. Tralfalgar era o mais apreensivo ali, uma vez que poderia ter explodido em pedacinho ou até mesmo ter matado Penguin por acidente mesmo a culpa não tendo sido dele, mas acabou ficando tudo bem no final. A ruiva achou a bomba atrás de um móvel e, estranhamente, tinha um papel ao lado dele.

– Achei! – Ela exclama, fazendo todos irem em sua direção. – E... tem um papel aqui?

– Papel? – Luffy pergunta. – Tá escrito alguma coisa nele?

– Pior que tá, e adivinha só? Na mesma língua que o Trafalgar ensinou pra gente.

– O quê? – Law se espanta e vai ver o papel. Realmente, se tratava de uma outra mensagem na mesma língua que ele criou na adolescência, no período de faculdade aos doze anos.

Parabéns, tomou uma decisão certa na sua vida, bom garoto. Continue assim.
Beijos.”

– I-Isso da bomba foi um outro jogo do “D”?! – Nami questiona.

– E-Ele... esse filho da mãe... – Law ficou com raiva e acabou não resistindo. – ELE TENTOU ME EXPLODIR?

– Espera aí. – Luffy interrompe. – Por que ele iria colocar bomba no dinheiro? Por acaso tinha algum risco de você tentar roubar o cofre?

– C-Claro que não, Luffy, isso é uma coisa que ele achou que eu faria, mas eu nunca faria isso. Eu te liguei assim que encontrei, certo?

– Estranho... você tava comigo e com a Nami, mas achou esse cofre muito rápido. Já sabia onde tava? Por que você veio a esse cômodo?

– Do que você tá falando? Você... você tá me acusando de tentar roubar esse dinheiro? EU PODERIA TER SIDO EXPLODIDO!

– Ah, e teria sido explodido porquê, se pra ser explodido você precisaria colocar a mão no dinheiro?

– Luffy, você mesmo poderia ter tocado nesse dinheiro pra levá-lo à perícia, eu poderia ter tocado pra te avisar da existência dele, que foi o que eu fiz! Por que eu ligaria pra você pra te avisar, se eu tivesse intenções de roubar? E tá na cara que essa armadilha foi pra mim!

– Acho que não é hora de brigar por suposições, Luffy. – Nami os interrompe. – Esse “D” poderia ter matado metade da festa! Onde é que ele tá com a cabeça?

– Ah, ele tem mania de explodir as coisas. – Law fala. – Uma vez ele explodiu o cavalo que levava o Kid e eu à faculdade.

– Explodiu um cavalo..?

– MAS QUE COISA. – Law ficou revoltado. – ELE TENTOU ME EXPLODIR! COMO ASSIM?

– C-Calma, ninguém saiu ferido, deixa isso pra lá... – Luffy tentou o acalmar.

– Ele tentou me explodir! Como é que você quer que eu me acalme? Ele tá claramente tentando me matar!

– T-Talvez seja uma bomba falsa, só pra te dar um susto...

– Não, não é uma bomba falsa, esse maníaco perseguidor faria mesmo isso! – Law vai correndo até a janela e grita. – EI, VAI EXPLODIR A PORRA DA SUA MÃE!

– F-Fica calmo! – A ruiva tenta o conter. – O Luffy pode estar certo, essa bomba pode não ter sido pra te explodir, só pra te deixar nervoso.

– Mas tá óbvio pra mim que foi pra me explodir! Esse maníac–

Antes que Law pudesse continuar a gritar e transferir sua raiva para ouvidos indefesos, uma mensagem entra em seu celular. Ele vai verificar e percebe que veio de um número protegido, então não poderia saber de quem é, mas viu mesmo assim.

Nah, a bomba é de verdade, eu queria te explodir mesmo.
Te amo.”

– Grrrrrr... – Ficou xingando a pobre mensagem mentalmente e a excluiu. – Desgraçado...

– Esqueçam isso! – A ruiva exclama. – Ainda temos trabalho pela frente, vamos procurar o Thatch e o Marco de uma vez.

(…)

Um bom tempo atrás, assim que Brad Pittyson arrastou Penguin até um cômodo aleatório, ambos foram parar no banheiro que também se encontrava no terceiro andar. O homem de dreads obrigou o ruivo a lavar sua cabeça na pia, para purificar seus pensamentos, e ficou recitando uma oração umbandista por cerca de meia hora. Após finalizado, pediu pro ruivo se sentar no vaso sanitário e ficou agachado, olhando pra ele.

– Posso ir embora agora...? – Penguin pergunta, odiando cada segundo de sua vida.

– Você percebe o quão ruim é prejudicar crianças com câncer em prol da ganância?

– Percebo, desculpa, eu prometo que não faço mais.

– Agora tá na hora de purificar o seu corpo.

– … Quê?

Brad arrastou o pobre Penguin até o box, mesmo o ruivo estando gritando desesperadamente para ser solto. O outro nem se importou, sabia que deveria ajudar a alma do amigo a se regenerar, então tirou suas vestes da parte de cima à força e jogou para fora do chuveiro, tirando as suas do mesmo jeito logo em seguida.

– E-Ei, me solta, seu maníaco sexual de merda! – Penguin batia no outro.

– Oh, não sexualize o ato resplandecedor que é a cura da alma. Você está pior do que eu pensei.

– SOCORRO! – O ruivo conseguiu se soltar e saiu do boxe, mas Brad foi atrás e o segurou. – ME SOLTA!

– Não grita! Vai espantar os orixás!

– TÔ NEM AÍ PRA ORIXÁ, EU QUERO MAIS É QUE VOC–

Com intenções de fazer o outro parar de gritar e se acalmar, Brad o obriga a sentar novamente no vaso e fica por cima dele, segurando sua nuca e o beijando. Penguin tentava se debater, mas o outro não deixava. Logo as mãos do homem de dreads segurava o cós de sua calça, para impedir a locomoção e tentativa de fuga do ruivo.

Ei, vocês ouviram um grito?

Acho que veio daqui... – Law acabou ouvindo os gritos e encontrou a porta do banheiro, abrindo-a e levando um susto com o que vira. – QUE PORRA É ESSA?

– E-Eita... – Nami também se espanta. Penguin e Brad estavam sem camisa, se beijando em pleno banheiro.

– Caramba... – Luffy também fica surpreso.

– Ahn? – E quando vê o trio, Brad separa seus lábios e fica encarando os dois rapazes. – Mano Law! Mano Luffy! Caraaamba, eu não sabia que cês tavão aqui, que bom ver vocês!

– Tira as mãos de mim, seu maconheiro macumbeiro! – Penguin aproveita essa oportunidade para bater no rosto de Brad e colocar sua camisa de volta. – L-Law, n-não é o que parece...

– Você... – O médico ficou confuso de início, mas logo seguiu o papel. – SEU HIPÓCRITA! Como é que você tem a ousadia de dizer todas aquelas merdas e depois pegar o Brad estando na mesma festa que eu?

– N-Não é isso, eu juro! Esse cara surgiu do nada!

– Sei, ele surgiu do nada e você resolveu gentilmente mostrar onde ficava o banheiro pra ele, né? VAI SE FODER!

– Ah, quer saber? FODA-SE VOCÊS TODOS! – Penguin se irrita e aponta pra Brad. – VOCÊ, NÃO ENCOSTA EM MIM! – Depois aponta pra Luffy. – VOCÊ É UMA PÉSSIMA INFLUÊNCIA! – E, por fim, aponta para Law. – VOCÊ NUNCA MAIS FALA COMIGO!

– Com muito prazer que eu não volto a falar contigo! – Law se zanga. – Eu tomei uma decisão com base em algo que eu sei há séculos, que é: EU AMO O LUFFY E ODEIO VOCÊ!

– Wow, o que tá acontecendo aqui? – Brad pergunta. – O mano das Antártidas e o mano Law tavam juntos? Mas eu achei que ele tava com o mano Luffy.

– Pera aí, você sabia disso? – Penguin pergunta. – Você sabia que o Law e o esse garoto tavam juntos?

– Claro que sim, eles eram o casal mais falado da prisão. Geral sabe disso.

– E por que você não me contou?!

– Ué, cê num perguntô.

– Mas... AFFÊ, QUE SE FODA ISSO! – Penguin perde a cabeça. – Quer saber? Cansei, foda-se se você vai ficar ou não com esse garoto, caguei pra isso! A vida de hétero era muito mais fácil. Eu tô indo embora, tchau! – Com isso, Penguin sai do banheiro e corre até a janela mais próxima, se atirando nela de imediato.

– Eita, que cena... – Brad comenta. – O coraçãozinho dele tá destruído.

– Que é que cê tá fazendo aqui, hein, Brad? – Law pergunta. – Veio por causa do Penguin mesmo?

– Não! É que o mano Marco tá metido com coisa errada, ele disse que ia fazer uma festa pras crianças do câncer, mas na verdade ele tá roubando dinheiro. Típico de capitalistas fervorosos.

– E-Ei, como você sabe disso?! – Luffy pergunta, indo até o homem de dreads. – Você tem provas?

– Sim, eu trabalho no laboratório que era do mano Joseph, o Marco era sócio desde os tempos antigos aí uma vez ele tava lá com o Thatch e me convidaram pra essa festa aqui. Acontece que quando eu fui me virar, eles acabaram deixando escapar que a festa é falsa e eu vi numa câmera de segurança hoje há pouco.

– V-Você tem uma confissão deles gravada? Eu posso ver a fita?

– Claro que pode, mano Luffy, vamo todo mundo lá pra casa assistir a fita! Eu mostro!

(…)

Ao final, tudo ocorreu bem, menos para Thatch e Marco. Luffy e Nami invadiram o quarto onde eles estavam, os algemando e os fazendo levar até à Van onde Zoro estava, sendo encaminhados diretamente para a delegacia. O casal ficou extremamente chocado em perceber que Law fazia parte da Yard, mas o moreno nem se importou, apenas os ignorou a viagem inteira por odiá-los após se lembrar de onde se conheciam na faculdade.

Brad Pittyson entregou a filmagem de segurança aos policiais e, após o julgamento, o ruivo e o loiro foram condenados à quinze anos, sem direito a finança. Ao término do dia, Trafalgar pôde retornar à sua casa, sozinho, pois ainda estava brigado com Luffy depois de toda confusão. Contudo, o que ele não imaginava, era que encontraria uma outra pessoa em sua casa.

– Grrr... – Penguin estava parado, de braços cruzados e com olhar de raiva, em frente à porta.

– Porra, Penguin, e se eu tivesse trazido o Luffy pra cá? Não faz essas coisas.

– Eu ODEIO a sua relação com esse engravatado! Graças a isso você virou um frouxo que não sabe roubar a droga de um cofre!

– Acontece que isso nos salvou, porque o era uma armadilha e o cofre iria explodir se você tivesse roubado o dinheiro.

– Sério?

– Sério.

– Bom, não importa. Eu tomei uma decisão sobre a nossa relação profissional.

– E qual foi?

– Eu acho melhor nós nos separarmos.

– Ah, mas...

– Eu sei, não é a melhor opção, nós não vamos mais fazer saídas de vinte e cinco milhões, nem nada disso. Mas é o melhor.

– Você não pode simplesmente esquecer essa minha história com o Luffy? Poxa, nós éramos tão felizes juntos...

– Não vai rolar, eu detesto engravatados.

– Viu só? É por isso que eu não tinha te contado! Quando você não sabia era tudo mais fácil.

– É, mas agora que eu sei esquece. Foi divertido enquanto durou, então vamos terminar isso agora que estamos por cima, ao invés de terminar na prisão.

– Ok, tudo bem, você tem razão. Se eu continuasse contigo, minha obsessão por dinheiro iria aumentar e eu poderia vir a fazer alguma besteira. Mesmo assim... – Law se apoia no ombro do ruivo. – Tem uma coisa que eu preciso te dizer.

– E o que é?

– Eu tomei uma decisão hoje e eu preciso da sua ajuda, como amigo mesmo.

– E qual seria?

– Amanhã vai ter um festival japonês, eu vou convidar o Luffy pra ir comigo e encerrar essa briga de uma vez.

– Por que você tá me contando isso? Eu não faço questão de saber...

– Eu... – Law respira fundo e fala devagar. – Eu não sou muito bom com jóias, acho que você é melhor que eu nisso.

– Jóias? Como assim, o que você tá planejando?

– Eu quero que você me ajude a escolher uma aliança.

– Aliança?! Você... tá levando essa história de amante à sério demais, hein. Mas nunca tinham pensado em comprar uma aliança pra mim antes! Awwn, você é tão fofo, não precisa, sério.

– Penguin, se toca, óbvio que não é pra você.

– Então...

– Eu te disse, eu vou começar a fazer as coisas direito.

Notas finais
HEHEHE tô começando a gostar das novelas mexicanas Agora cês tão entendendo pq é o melhor arco néeeeeee néeeeee beheheheheheeeee Contagem regressiva pra ninguém nunca mais querer ver um ruivo na vida: 05 capítulos!